Nos dias que passam desde a morte de Marcello Gandini, coloco aqui uma entrevista que o Davide Cironi fez ao desenhista em 2018, onde fala sobre a sua vida e os carros que desenhou. E aqui, fala sobre alguns critérios de beleza. E se houve algum automóvel que gostaria de ter desenhado.
terça-feira, 19 de março de 2024
segunda-feira, 18 de março de 2024
Youtube Automotive Vídeo: Cirone entrevista Gandini
Na semana que se soube da morte de Marcelo Gandini, aos 85 anos, os tributos a um dos desenhistas mais geniais da segunda metade do século XX aconteceram um pouco de todo o lado. E quase ao acaso, acabei por descobrir, num dos mais canais de Youtube favoritos, o do italiano Davide Cironi, que para além de recuperar carros de um passado recente, também fala com gente importante do mundo do automóvel.
Esta entrevista a Gandini é de 2018, e aqui, fala essencialmente como nasceram carros icónicos que vão desde o Miura até ao Stratos, passando pelo Counthach e o X1/9, boa parte deles projetos que foram para a Lamborghini, mas também acabaram nas mãos e outras marcas, como a Lancia e a Fiat, porque todos eles partiram da casa Bertone, onde trabalhou entre 1965 e 1980.
Nos próximos dias colocarei outro vídeo sobre Gandini, e o assunto será outro.
quarta-feira, 13 de março de 2024
As imagens do dia
Stratos, Montreal, X1/9? Também.
Mas também... Citroen BX, BMW Série 5, Audi 50 e o Renault 5 Turbo foram sua criação.
Muitos consideraram como o maior desenhista do século XX, a par de Giorgeto Giugiaro. Mas é a Marcello Gandini que dão esse título, porque foi ele que fez tantos carros que foram marcantes na história dos automóveis, desde 1970 até hoje.
Nascido a 26 de agosto de 1938, filho de um maestro - e curiosamente, 19 dias depois do nascimento de Giugiaro! - em 1963 chegou à Bertone com o intuito de procurar um emprego. Nuccio Bertone até queria, mas Georgeto Giugiaro vetou-o. Somente dois anos depois, em 1965, que foi contratado por eles, com a saída de Giugiaro. E foi graças a ele que criou o "estilo Bertone", especialmente com os protótipos da Lamborghini.
Mas foi com um Alfa Romeo que introduziu a sua primeira inovação: as portas-tesoura. Nomeadamente, o protótipo 33 Carabo, com o seu estilo em cunha, abriu portas à década seguinte e a carros como o Lamborghini Countach, que começou a ser produzido em 1973. Esse foi o primeiro carro de produção a tê-lo, e marcou uma era.
E por essa altura, já existiam outros carros inesquecíveis: o Miura, apresentado em 1967, e o Lancia Stratos, com motor Ferrari, que nessa altura, já se estreara nos ralis, preparando-se para ganhar corridas e campeonatos.
Até a Ferrari teve carros desenhados por Gandini. O modelo 308GT4 foi o primeiro com motor Dino de 8 cilindros, e pode não ter sido um dos mais memoráveis, mas ao menos ele pode afirmar que existe um Ferrari desenhado por ele nas estradas um pouco por todo o mundo.
Em suma, os seus carros tornaram-se objetos de desejo. Preencheram as imaginações de milhões.
Quando saiu da Bertone, em 1980, decidiu desenhar por conta própria, acabando com projetos para as grandes marcas europeias. Começou com o Citroen BX, continuando com o Renault 5 Turbo, e depois, com o 5 de segunda geração, o Maserati Quattroporte, todo um conjunto de carros que acabaram por chegar ao grande público, e em muitos aspectos, não deixaram de ser carros atraentes e desejáveis.
Mas apesar de tudo, não deixou de ser considerado como o homem que desenhou os Lamborghinis.
Gandini morreu hoje, aos 85 anos. Ele pertence a partir agora à história, mas o seu génio vive para sempre enquanto existirem as suas criações. Ars longa, vita brevis.

