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terça-feira, 13 de setembro de 2022

O desinspirado Mick Schumacher


As pessoas criam expectativas sobre os filhos dos grandes pilotos. Nem todos sabem bem. Max Verstappen é uma enorme excepção porque o seu pai era modesto, ou seja, aconteceu ao contrário. E refiro isto por causa de Mick Schumacher, o alemão filho de Michael Schumacher, sete bexes campeão do mundo e agora na Formula 1 pela Haas, desde 2021. A temporada atual está a correr bem para ele, porque já conseguiu 12 pontos, mas sempre esteve atrás de Kevin Magnussen, seu companheiro de equipa, e que regressou à Formula 1 depois de um ano fora. E neste seu ano de regresso, conseguiu... 22 pontos, mais 10 que o alemão.

Daí se dizer que a Ferrari o irá dispensar dos seus serviços no final desta temporada e quererá colocar outro piloto seu em 2023. Quem? O candidato é o russo-israelita Robert Shwartzman, que atualmente é o seu piloto de testes. 

Por estes dias, Mattia Binotto, o diretor desportivo da Ferrari, elogiou o piloto pelas suas capacidades, e expressou pena por ele não ter uma temporada competitiva em 2022, depois de ele ter corrido na Formula 3 e Formula 2. 

"O Robert é um piloto fantástico. Sempre que pilotou um Formula 1 tem sido muito rápido. Há pilotos que talvez sejam bons na Formula 3, Formula 2 e depois não são bons o suficiente na Formula 1. Acho que Robert é o oposto. Ele tem bom na Formula 3, Formula 2, mas ele é muito, muito forte na Formula 1, e é uma pena para ele não ter um lugar neste momento.", começou por dizer. 

"Esta época, trabalhou muito no simulador, ajudando a nossa equipa no desenvolvimento do carro atual. Acho que, como piloto, melhorou, desenvolveu as suas próprias capacidades e hoje está muito mais maduro, que até há um ano, e por isso acho que é um piloto que merece um lugar. Sabemos que é muito difícil neste momento, mas espero que no futuro isso possa acontecer", concluiu.

Apesar dos elogios a Shwartzman e as dúvidas sobre Schumacher, Bintotto espera que ele melhore nos próximos tempos, o suficiente para poder merecer mais uma temporada ao serviço da Ferrari Driver Academy. 

"A Ferrari Driver Academy é um pilar muito importante da nossa equipa e vamos continuar a investir muito nela. Acreditamos que é importante desenvolver os melhores talentos e procurar o futuro, para tentar encontrar os melhores talentos para a Ferrari. Com o Mick, como dissemos no início da temporada, é importante que esta temporada melhore. Vamos, dentro de algumas corridas, sentar-nos com ele, fazer um balanço da temporada, e vamos fazê-lo também em conjunto com a Haas e decidir o seu futuro", apontou o italiano.

Quem lê isto nas entrelinhas sabe que Schumacher não brilha, mas também não é um mau piloto. Se calhar tem mais cara de ser um Bruno Senna, que esteve na Formula 1 há uma década, e depois de três temporadas, não deslumbrou, indo para a Formula E e a Endurance. Ou seja, fora de um determinado lugar, e numa competição de elite como é a Formula 1, as suas chances de ganhar um lugar por mérito próprio não são muitas. Bem pelo contrário. 

E se a Ferrari não o quiser, então provavelmente, terá de se fazer pela vida. O que não falta são competições. 

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

A imagem do dia


Ontem falei dos quatro pilotos que se sentaram por cima do muro das boxes. Hoje, falo da ultrapassagem que apanhou Michael Schumacher "com as calças na mão", do qual faz hoje 25 anos. E na última vez que a Formula 1 correu no Estoril. 

Jacques Villeneuve tinha a aura toda em 1996. Campeão da CART, vencedor das 500 Milhas de Indianapolis, filho de Gilles Villeneuve, piloto da Williams, a equipa que ganhava tudo, contra um Schumacher que tinha ido para a Ferrari para reconstruir uma equipa e levá-la para o cume, não interessava o tempo que durasse. Villeneuve era jovem, fresco e todos olhavam para ele com esperança e altas expectativas. E era o que andava a fazer naquela temporada.

Quando a Formula 1 chegou a Portugal, Schumacher tinha acabado de vencer em Monza, e via-se que a Ferrari tinha evoluído imenso com o seu chassis. Damon Hill estava mais preocupado com o seu companheiro de equipa, e sabiam que Schumacher não seria ameaça, mas depois do que tinha conseguido nessa prova, já entendiam que num futuro próximo, ele voltaria para a primeira linha.

A manobra aconteceu quando ambos lutavam pela terceira posição. Villeneuve tinha ido às boxes para o primeiro reabastecimeto e tinha apanhado o alemão. Aproximou-se e colocou-se lado a lado, por fora, na Parabólica, e parecia que o canadiano ia levar a melhor, antes de aparecer pela frente o Minardi de Giovanni Lavvaggi - descrito como "desesperadamente lento" por um dos comentadores - e parecia que Villeneuve tinha de levantar o pé. Na realidade, ele acelerou ainda mais e conseguiu manobrar para ficar na frente do alemão, e depois de passar o italiano, que era companheiro do Pedro Lamy, manteve-se na frente do alemão.

No final, foi um belo presente, e ainda por cima, Villeneuve acabou por ganhar, na frente de Hill e Schumacher, na quarta vitória da sua carreira, e ainda iria ter uma chance de alcançar o título mundial. Contudo, no Japão, ele acabou por desistir e Hill foi coroado como vencedor, o primeiro filho de campeão a ser campeão. 

O que não sabíamos, naquela tarde, era que iria demorar 24 anos e uma pandemia para voltar a ver as máquinas da Formula 1 na nossa terra, e noutro circuito. 

domingo, 19 de setembro de 2021

Sobre "Schumacher", a minha critica


Consegui ver esta noite o documentário "Schumacher", mesmo não tendo Netflix, confesso. Para documentário, é grande - maior que "Senna", por exemplo - mas ao longo de quase duas horas de filme, dá-nos uma ideia do que foi o primeiro dos pilotos a alcançar sete títulos mundiais, e como conseguiu lá chegar. Antes de o ver, li algumas criticas sobre o documentário, mas queria ver por mim mesmo para saber se aquilo que falam tem algum fundo de verdade. Porque, tal como Senna, observei a carreira do piloto alemão desde o inicio. E até antes do inicio, quando ele era um dos pilotos juniores da Mercedes na Endurance, ao lado de Karl Wendlinger e Heinz-Harald Frentzen.

O filme, feito por Hanns-Bruno Kammertöns, Vanessa Nöcker, Benjamin Seikel e Michael Wech, começa com uma imagem de Schumacher de férias, a fazer mergulho, com a família, antes de passar por ele a sair do túnel do Mónaco, a bordo de um dos seus Ferrari vencedores de títulos. E a partir daqui, é a vida dele, contada pela família, com as cenas de pista entrecortadas com a ida familiar, de uma forma extremamente acessível, nunca vista antes, e se calhar, depois. E é assim ao longo dessas quase duas horas de duração.

Há cenas marcantes: Imola, 1994. Adelaide, nesse mesmo ano. Aida, 1995. Todas as cenas que o marcaram e depois, deram os títulos à Benetton. E depois, a Ferrari e a razão porque ele foi para lá. 

O mais surpreendente no filme é o papel de Niki Lauda. Pouco falado, mas o austríaco esteve por trás da contratação de Schumacher na Ferrari, como consultor. No mesmo tipo de coisa fez 16 anos depois quando contratou Lewis Hamilton para a Mercedes - em substituição de... Schumacher - deu o primeiro passo para a era que se abriu na Scuderia. E ali, todos falam da sua ética obsessiva de trabalho, do primeiro a entrar e o último a sair, sempre tentando alcançar os cem por cento que podia tolerar para ser aquilo que era: um piloto muito bom, com "killer instinct" e que faria de tudo para se manter por lá.

E o mais interessante nele: nunca aceita as responsabilidades em caso de acidente. Acha que sempre tem razão. E se calhar é por isso que foi sempre tão odiado como amado. 

Mais cenas: Barcelona, 1996. Jerez, 1997. Spa, 1998. Silverstone, 1999. Pontos mais baixos que altos na sua dura caminhada na Scuderia para alcançar o topo. E as dúvidas. Depois, Monza 2000, onde chega aos 41 triunfos, iguala Senna e chora na conferência de imprensa. A partir daqui, são mais os altos que os baixos. Os títulos mundiais e o domínio que muitos queriam e achavam que a Scuderia merecia. 

E depois, o final, com o acidente que teve perto do ano novo de 2014. As reações da família indicam algo do qual todos entendem desde então: Schumacher é um "vegetal" e pouco evoluirá da sua condição até à sua morte física, daqui a provavelmente, muitos anos. Não dizendo, nem mostrando nada, as suas reações corporais dizem tudo: nada será como dantes. E as expressões de Mick Schumacher, que segue os passos do pai, também dizem bastante.

Que conclusão se tira? É um documentário sobre Michael Schumacher, mas há coisas que deixam de fora. Algo completo duraria provavelmente umas quatro horas de duração, mas havia um objetivo conquistado: mostrar que era um ser humano, determinado em vencer. E que triunfou no caminho que tinha escolhido para viver a vida. E como ser humano que é, com virtudes e defeitos, uma família que o adora, apesar de tudo, que se expôs para contar a sua versão da história. É isso.      

quinta-feira, 10 de junho de 2021

GP Memoria - Canadá 2001


Duas semanas depois de terem corrido nas ruas do Mónaco, máquinas e pilotos tinham atravessado o Atlântico para correr e terras canadianas, mais concretamente no circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, oitava prova do campeonato. Com Michael Schumacher vencedor em Monte Carlo, à custa de David Coulthard, que ficara quase meia corrida atrás de Enrique Bernoldi, parecia que o alemão era um dos favoritos à vitória, pois ele tinha vencido por ali por quatro vezes na sua carreira até então.

Havia uma alteração forçada na lista de inscritos quando Heinz-Harald Frentzen teve um acidente nos treinos de sexta-feira, e apesar de escapar ileso, ficou com problemas de visão e fortes dores que cabeça que o obrigaram a não participar na corrida, sendo substituído por Ricardo Zonta.

No final da qualificação, os irmãos Schumacher monopolizavam a primeira fila da grelha, com Michael Schumacher e a sua Ferrari a ser melhor que Ralf Schumacher, no seu Williams-BMW. David Coulthard, no seu McLaren-Mercedes, e Jarno Trulli, no Jordan-Mugen Honda, estavam na segunda fila, seguidos pelo segundo Ferrari de Rubens Barrichello e pelo BAR-Honda de Olivier Panis. A quarta fila era monopolizada por finlandeses, com Kimi Raikkonen, no seu Sauber, na frente de Mika Hakkinen, no segundo McLaren-Mercedes. E a fechar o "top ten" estavam o segundo BAR-Honda de Jacques Villeneuve e o segundo Williams-BMW de Juan Pablo Montoya.

Apesar de partir da última fila da grelha, os tempos de Fernando Alonso foram apagados porque a Minardi estava a correr com uma asa ilegal à luz dos regulamentos.


A corrida começou com Michael Schumacher a disparar na frente, seguido pelo seu irmão. Atrás, o Benetton de Giancarlo Fisichella, o Sauber de Nick Heidfeld e o Jaguar de Eddie Irvine retiravam-se cedo da corrida, vitimas de incidentes separados.

Com os Schumachers na frente, Barrichello tentava não os perder de vista. Tinha passado David Coulthard na sexta volta, mas um pouco mais adiante, desligara o controlo de tração porque com ele ligado, tinha problemas na alimentação do motor. E foi por causa disso que se fizera um pião, caindo para o final do pelotão. 

Na frente, Schumacher perseguia... Schumacher, com Ralf a não largar Michael, com os seus pneus a funcionar melhor no seu carro do que no Ferrari e a torcer para que ele cometesse um erro. Mas foi com Rubens Barrichello e Juan Pablo Montoya que aconteceu a primeira entrada do Safety Car quando o colombiano perdeu o controlo do seu carro na cura 4 e bateu no muro, com o brasileiro, que seguia atrás dele, teve de se desviar e também saiu de pista. As coisas ficaram assim até à volta 23.

No regresso, Michael continuou na frente, tentando se afastar de Ralf, e conseguiu nas primeiras voltas, mas no final da 28ª passagem pela meta, o piloto da Williams estava na traseira do da Ferrari. A partir da volta 35, começaram as tentativas de ultrapassagem de um contra o outro, mas apenas na volta 46, quando Michael foi às boxes fazer o seu reabastecimento, Ralf aumentou o ritmo para ver se ficava na frente dele. Quando aconteceu, na volta 51, regressou à pista com um avanço de 6,4 segundos. Pouco depois, na volta 54, o motor Mercedes de David Coulthard cedeu e ele abandonou a prova.         


No final, Ralf Schumacher aumentou a sua vantagem e conseguiu superar o seu irmão, cortando a meta no primeiro lugar e conseguindo a primeira dobradinha entre irmãos na história da Formula 1. A completar esse pódio ficou Mika Hakkinen, no seu McLaren-Mercedes, enquanto nos restantes lugares pontuáveis ficavam o Sauber de Kimi Raikkonen, o Prost de Jean Alesi e o Jaguar de Pedro de la Rosa. Agora, Schumacher tinha uma vantagem de 18 pontos e parecia estar mais tranquilo na luta pelo quarto campeonato.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Youtube Motorsport Video: Será Nikita Mazepin um bom piloto?

A pergunta é colocada pelo Josh Revell, no seu mais recente video. Na realidade, até pode ser, mas o facto de ter um pai rico - é o dono do maior conglomerado quimico russo - coloca dúvidas em toda a gente, porque já andamos a ver demasiadamente o dinheiro levar a melhor sobre o talento. Mas como gente do género Lance Stroll já ter mostrado que até tem talento, pode ser que Nikita Mazepin, que vai para a Haas, poderá mostrar que baterá o pé a alguém como Mick Schumacher, por exemplo. 

Enfim, vejam o video.