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quinta-feira, 12 de julho de 2012

The End: Andre Simon (1920-2012)

Era um dos últimos sobreviventes da primeira década da Formula 1. O antigo piloto francês André Simon, que participou em doze corridas entre 1950 e 1957, morreu ontem aos 92 anos de idade, em Evian-Les Bains. Filho de um garagista e orfão de pai aos nove anos, entrou no negócio dos automóveis como mecânico aos 13 anos, para ajudar o seu tio, que tinha uma garagem. Aos poucos, ficou interessado no automobilismo, mas os seus planos foram adiados devido à II Guerra Mundial.

Apesar disso, não o impediu de ter uma carreira particularmente longa, desde o final da II Guerra Mundial até 1966, altura em que teve um acidente grave quando pilotava um Maserati de GT's, que o deixou em coma por algumas semanas, é que fez pendurar o seu capacete. Começou com um velho Talbot-Lago, e os resultados foram bons o suficiente para correr nas 24 Horas de Le Mans de 1949 com um Delhaye, onde fez uma volta mais rápida antes de se retirar devido a uma falha mecânica.

Na Formula 1, Simon correu em carros da Maserati, Gordini e da Ferrari - em 1952 - que inclui também uma participação no GP do Mónaco de 1955, a bordo de um Mercedes oficial. Nas doze corridas que participou, a sua melhor classificação foram dois sextos lugares, que nesses tempos, não contavam para os pontos.

Após se ter retirado da Formula 1, passou para os GT's onde correu em carros como o Ferrari 250 GTO. Também esteve na equipa oficial da Mercedes nas fatídicas 24 Horas de Le Mans de 1955, ao lado do alemão Karl Kling. Rolavam na quinta posição quando aconteceu o acidente que matou Pierre "Levegh" e mais oitenta espectadores. Em 1962, venceu a Volta à França em Automóvel, ao lado do seu co-navegador Maurice Dupeyron. Após o seu acidente em 1966, e que precipitou a sua retirada do automobilismo, decidiu concentrar-se nos negócios da familia até se reformar, em 1984. Ars lunga, vita brevis. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A polémica contratação de Gilles Simon e o homem por trás de um construtor... virtual

As reais intenções da - por agora virtual - fabricante de motores P.U.R.E parecem que começam a ser reveladas. A companhai francesa, que tem como face visivel Craig Pollock, parece ter o apoio mais ou menos velado de Jean Todt, o patrão da FIA, e com o apoio de uma das marcas com quem trabalhou, a Peugeot. Mas o assunto que gerou incómodo nas restantes quatro fabricantes de motores - Cosworth, Ferrari, Renault e Mercedes - foi a contratação dessa equipa de Gilles Simon, ex-membro da FIA e que já trabalhou para a Ferrari e a Renault.

As marcas de motores temem que esta contratação não seja mais do que uma forma de concorrência desleal, apesar de a equipa só ter esses motores prontos em 2014, data da validade dos novos regulamentos 1.6 Turbo, com motor V6. Eis a matéria escrita por Luis Vasconcelos no Autosport desta semana.


POLÉMICA COM GILLES SIMON

A P.U.R.E, empresa criada por Craig Pollock com o objetivo de construir motores para 2014, anunciou na semana passada ter contratado Gilles Simon como seu diretor técnico. Uma decisão que apanhou toda a gente de surpresa, pois o francês esteve até há muito pouco tempo ao serviço da FIA, depois de duas décadas ao serviço da Peugeot, primeiro, e da Ferrari.

Para os quatro construtores, este regresso de Simon ao ativo é inaceitável, porque ao serviço da FIA ficou a conhecer todos os detalhes dos seus motores. Como disse Rob White, responsável pelos motores da Renault, 'do ponto de vista pessoal e profissional, sempre tive uma boa relação com o Gilles Simon, mas nos últimos 18 meses, teve acesso ilimitado aos dados do nosso motor e, acredito, também a todos os motores de F1'".

Anos depois de Charlie Whitting ter sido forçado a recusar uma oferta da Renault para se juntar ao seu departamento técnico, a contratação de Simon por um construtor que, para já, é apenas virtual, promete dar que falar e abrir mais uma brecha entre Todt e as equipas, pois o presidente da FIA é quem está por trás da criação da P.U.R.E, que serve como pressão junto dos quatro construtores atuais, para que aceitem os novos regulamentos."

O que acho engraçado nesta polémica com a contratação de elementos de uma comissão técnica da FIA sem que passasse aquele "período de nojo", ou seja, um tempo sem trabalhar para outros, e vendo que Jean Todt está no meio desta polémica, é uma forma de dizer que aos poucos, entramos na tempestade. Nos últimos dias estamos a ver a eclosão de outras polémicas - calendários, aumento dos custos, etc - e cada uma das partes anda zangada com a outra. A FOTA com a FOM, por causa dos dinheiros e com a FIA por causa dos regulamentos, a FIA por causa dos contratos leoninos feitos por Ecclestone no tempo de Max Mosley que quer desfazer, e um novo Acordo da Concórdia que tem de ser negociado em 2012, o mais tardar, e que a FOTA quer sair dali vencedora.

Com isso tudo e mais estas questões laterais que aparecem semana sim, semana não, cada vez mais me convenço que a temporada de 2012 será mais focada nos bastidores do que na pista. A minha dúvida é saber se será tão mau ou pior do que 2009.