O dia 24 de outubro de 1971 era de sol outonal no circuito de Brands Hatch, no Kent britânico. Lá, iria acontecer a Victory Race, para comemorar o título mundial de Jackie Stewart. Originalmente, deveria ser a data do GP do México, mas a morte de Pedro Rodriguez, em julho, fez com que os mexicanos se desinteressassem de organizar a corrida.
Uma equipa que estava em alta era a BRM. Tinha ganho duas corridas, na Áustria e em Itália, através dos seus pilotos, Jo Siffert e Peter Gethin, e a qualificação rinha corrido bem. Aliás, ambos estavam na primeira fila da grelha, com o mesmo tempo - Siffert era pole porque tinha feito o tempo antes.
Mas ele, de inicio, não queria ir. Simone, a sua mulher, contou depois que o seu plano inicial era ir ao Japão, mas o seu Porsche não tinha chegado a tempo.
“O meu marido não queria ir; aliás, inicialmente deveria disputar o Grande Prémio do Japão na mesma data, mas o seu Porsche não pôde ser levado para lá. Mas ele também gostava de Brands Hatch e, acima de tudo, gostava muito de Jackie, que, tal como nós, vivia na Suíça e era um bom amigo. Então, ele foi.”
Na partida, Gethin partiu bem, enquanto Siffert partiu mal. Perdeu dez posições e tratou de as recuperar. Contudo, na segunda volta, tentava passar o March do sueco Ronnie Peterson quando ambos tocaram, com ele a ir para a berma. Prosseguiram, e o sueco ainda tocou noutro carro, o Surtees de Mike Hailwwod, com ambos a irem às boxes. Pelo meio, o francês Henri Pescarolo bateu no carro do sueco Reine Wissell na curva Druids e acabram ali as suas corridas.
Siffert partiu para a recuperação, e no inicio da volta 14, era quarto, com o seu companheiro Gethin a liderar, embora a ser assediado pelo Lotus de Emerson Fittipaldi. Contudo, quando o BRM do suíço está a aproximar de Hawthorn Bend, a mais de 260 km/hora, ele segue em frente, embate na barreira, capota, parte-se em dois e explode em chamas. Preso, com o carro em cima dele, nada podia fazer. A corrida foi definitivamente interrompida para que os socorros pudessem entrar na pista, e quando as chamas foram apagadas, cerca de cinco minutos depois do acidente, limitaram a confirmar o óbito. Tinha 35 anos.
Mais tarde, no inquérito do Royal Automobile Club, demonstrou-se que o acidente aconteceu porque um braço da suspensão do seu BRM tinha sido danificado no toque com Ronnie Peterson, na segunda volta, e partiu-se, doze voltas depois. Preso pelo peso do carro, acabou por morrer vítima de inalação de fumos. Apenas sofrera uma fratura na perna direita, e os bombeiros não tinham a proteção adequada para poderem combater as chamas com os seus extintores. O testemunho de um bos bombeiros presentes afirmou que, caso tivessem combatido as chamas nos primeiros 30 segundos, poderiam ter feito as manobras necessárias para salvar o piloto.
Por causa disso, a FIA decidiu fazer uma completa reavaliação da segurança dos carros, dos pilotos e dos comissários de pista. Os carros passaram a ter extintores internos, para ajudar a apagar o fogo, antes da chegada dos socorros, e os pilotos passaram a ter um fornecimento de oxigénio para os seus capacetes, para poderem respirar em situações como estas.
Poucos dias depois, 50 mil pessoas alinharam-se nas ruas de Friburgo para ver passar o caixão que continha os restos mortais de Jo Siffert. A liderar, em marcha lenta, estava um Porsche 917K pintado de azul celeste e laranja, da John Wyer Automotive, o carro usado por ele no Mundial de Resistência, com uma enorme faixa negra em diagonal.
Poucos dias depois, 50 mil pessoas alinharam-se nas ruas de Friburgo para ver passar o caixão que continha os restos mortais de Jo Siffert. A liderar, em marcha lenta, estava um Porsche 917K pintado de azul celeste e laranja, da John Wyer Automotive, o carro usado por ele no Mundial de Resistência, com uma enorme faixa negra em diagonal.
Siffert está sepultado no Cimetière Saint Léonard, em Friburgo. Há uma escultura em sua homenagem, na cidade que o viu nascer, feito por Jean Tinguely, inaugurado em 1984, e um busto em Genebra, inaugurado 13 anos depois.







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