Mostrar mensagens com a etiqueta Arrivabene. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arrivabene. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O que esperar do novo homem-forte da Ferrari?

Maurizio Arrivabene sai, Mattia Binotto entra. Aconteceu no inicio do ano, o que é um tempo critico para a planificação da próxima temporada. Com a Scuderia a não conseguir qualquer título desde 2007, para os Construtores, e com duas tentativas sérias de quebrar a hegemonia da Mercedes nas duas últimas temporadas, acabando ambas mal, a estrutura tinha de ser revista para ver se da próxima vez quebram o domínio da Mercedes. 

A diferença de ambos é grande. Arrivabene era um administrativo, tendo vindo do marketing - trabalhou na Philipp Morris (Marlboro) por muitos anos - e agora Binotto é um engenheiro. Mas um engenheiro competente, pois foi graças a ele que os motores da Scuderia começaram a ser competitivos, vencendo corridas, mas faltando chegar ao título. Contudo, boa parte desses "quases" pouco ou nada teve a ter com a sua área, logo, é o menos culpado.

Mas também temos de colocar isto no lado politico. A Ferrari - e o grupo FCA no geral - está em transição desde o verão passado, com a morte de Sergio Marchionne. John Elkann, o novo presidente do Grupo, e da Ferrari em particular, teve de mexer em algumas coisas para consolidar o seu poder, e isso, segundo contam alguns "insiders", faz com que a equipa pagasse o preço, pois a falta de desenvolvimento - e os erros dos pilotos - não impediram que a Mercedes e Lewis Hamilton voltassem a vencer no campeonato, quase fazendo pensar que a Formula 1 seria a coutada dos "Flechas de Prata". E claro, também que o seu piloto principal, Sebastian Vettel, fosse contestado a ponto de muitos estarem agora a torcer que o seu novo companheiro de equipa, o monegasco Charles Leclerc, o coma de cebolada.

Na realidade, a escolha de Leclerc também teve a ver com politicas internas. Na segunda metade do ano, parte da estrutura dirigente até queria manter Kimi Raikkonen por mais uma temporada. Isso era algo do qual Marchionne até estava interessado, mas Elkann, para além de ser bom amigo do finlandês, deixou que o profissionalismo falasse mais alto, e escolheu o monegasco, porque ele vinha da "cantera" da marca, e eles também queriam mostrar serviço.

Contudo, ao ler o artigo que o Jonathan Noble escreveu hoje na Autosport britânica, Binotto pode ser uma mais valia na Ferrari. Um excelente técnico, muitos consideraram que ele poderá dar à Scuderia a visão estratégica que não teve nas últimas temporadas, principalmente na parte critica, quando tinha de fazer a movimentação necessária para bater a Mercedes. Claro, muitos viram isso, mas apontaram para o lado errado, dizendo que Vettel ou Raikkonen, os pilotos - e os que dão a cara - como sendo culpados. E depois, passa a ideia de que a Scuderia é um local onde se queimam carreiras, como foi com Fernando Alonso, por exemplo.

Binotto é um excelente técnico, e conhece os cantos à casa. Está na Scuderia desde 1995 - é uma vida, digamos assim - e mostrou serviço. E as suas ideias poderão ser bem úteis para que eles dêem o pulo que andam tão necessitados desde os tempos de Ross Brawn, Jean Todt e claro, Michael Schumacher. Doze anos começa a ser muito tempo, e o pessoal já começa a não ter paciência. E pode ser que Sebastian Vettel alcance o tão sonhado penta e bata Lewis Hamilton. Mas resta saber se por fim, vão dar um conjunto de sonho para os pilotos guiarem.  

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Arrivabene sai da Ferrari, Binotto é o substituto

Maurizio Arrivabene está prestes ser substituído por Mattia Binotto no cargo de diretor desportivo.  A noticia foi avançada esta manhã pelo jornal Gazetta dello Sport, e a Scuderia poderá confirmar nas próximas horas. 

Segundo conta a reportagem do periódico italiano, a substituição tem a ver não só com os resultados que a marca teve na temporada anterior, para além dos erros de estratégia por parte de Arrivabene, como também tem a ver com a transição no grupo FCA, onde John Elkann está a liderar, depois da morte de Sergio Marchionne, no verão passado. Elkann era fã de Binotto, apesar de Arrivabene estar bem relacionado com Marchionne, e isso fez com que Binotto pensasse seriamente em abandonar a Scuderia, provavelmente rumo a um dos seus rivais, a Marcedes. Contudo, conseguiram segurá-lo, provavelmente com a garantia de que iria ficar com o lugar de Arrivabene num futuro próximo.

Para piorar as coisas para o lado de Arrivabene, este tinha dito que a razão do insucesso se devia maioritariamente à falta de progresso no desenvolvimento do carro, algo que deixou os engenheiros desagradados com essas chamadas de atenção.

Binotto começou a sua carreira na Ferrari em 1995, sendo primeiro engenheiro de motores na equipa de testes, passando à equipa de corridas, dois anos mais tarde. Depois de ter assumido o papel de engenheiro de pista, subiu a director do departamento de motores e do KERS em 2009. Passou a diretor técnico em 2016, substituindo James Allison, e foi graças a ele que a Scuderia subiu de forma nas duas últimas temporadas, ajudando Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen a lutar pelo título contra os Flechas de Prata, sem resultados, contudo.

Caso seja Binotto a ficar com o lugar de Arrivabene, há dois candidatos à sua sucessão, ambos italianos: Enrico Cardile, chefe do departamento de aerodinâmica, e Corrado Iotti, responsável máximo pelo departamento de motores.

Quanto a Arrivabene, de 61 anos, está na Ferrari desde 2014, em substituição de Marco Mattiacci, e foi apontado depois de ter estado quase vinte anos na Phillip Morris, primeiro no departamento de marketing, ascendendo ao posto de vice-presidente encarregado do marketing e consumo, e através da Marlboro, esteve sentado desde 2010 na Comissão da Formula 1, como representante dos patrocinadores.

domingo, 2 de setembro de 2018

Ferrari, o cemitério dos pilotos

A Ferrari na Formula 1 é como o Evereste nos alpinistas. Está lá, logo, temos de ir para sermos pilotos a sério. Se chegarmos lá e ganhar, teremos o respeito de todos. Não preciso de ser piloto de Formula 1 para pensar assim, basta conhecer a história da Scuderia. E é verdade. Mas a Ferrari é um cemitério de pilotos. Dos anos 50 aos 80, era literal: Alberto Ascari, Eugenio Castelotti, Alfonso de Portago, Peter Collins, Wolfgang on Trips, Lorenzo Bandini, Ignazio Giunti e Gilles Villeneuve, todos acabaram a sua vida ao volante de um carro vermelho. E ainda por cima, nesses tempos, muitos consideravam que perder a ida ao volante do carro vermelho nem era uma tragédia, era uma honra.

Nem todos tinham essa atitude. Juan Manuel Fangio tinha medo de correr com eles, Stirling Moss foi mal tratado por Enzo Ferrari no inicio da sua carreira e jurou que nunca iria correr para eles. Mike Parkes partiu ambas as pernas em Spa-Francochamps, na corrida a seguir ao acidente mortal de Bandini, em 1967, acabando precocemente a sua carreira no automobilismo, Ludovico Scarfiotti preferiu abandonar a equipa porque temia ser "a próxima vítima". E John Surtees, "Big John", foi vítima das intrigas dentro da Scuderia. E nem falo de Niki Lauda, que carrega as cicatrizes de uma tarde de agosto no Nordschleife e meses mais tarde, em Fuji, quando largou voluntáriamente o carro porque prezava mais a vida que o campeonato, foi acusado de traidor e cobarde. No ano seguinte, foi campeão usando o cérebro e na primeira oportunidade, saiu pelo seu próprio pé, avisando todos... menos Enzo Ferrari.

É esta a história da Scuderia. Hoje em dia, acabaram-se as mortes na Formula 1, mas a Scuderia sepulta carreiras. Não só de pilotos, mas também de mecânicos e engenheiros. Podem ver o palmarés atual: não ganha nada desde 2008. E vejam só quantos é que estiveram por ali: pilotos como Felipe Massa, Fernando Alonso, Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel. Alguns dos melhores do pelotão. Mas apesar das vitórias, a Ferrari assistiu aos domínios, primeiro da Red Bull, depois da Mercedes.

Lembro-me de, no fim de semana do GP da Índia de 2012, Fernando Alonso ter dito que estava a correr contra Adrian Newey, e não contra Sebastian Vettel. Nunca me esqueci dessas declarações e achei de uma tremenda injustiça. Porque era um tremendo mau perder por parte do piloto espanhol, que menosprezava o adversário. E a frustração de Alonso tinha justificação: queria ganhar na Scuderia, achava que tinha tudo, bastava ter um dia de sorte... e não teve. Em 2010, em Abu Dhabi, marcou o cavalo errado - achava que Mark Webber era o favorito, foi bloqueado por Vitaly Petrov e Sebastian Vettel aproveitou a chance para vencer, vindo de trás. E dois anos depois, em Interlagos, teve a sorte do seu lado num momento de azar, quando Bruno Senna tocou na sua Williams no carro do alemão... e este aguentou. E ele ficou na frente do espanhol.

Em suma: a Ferrari derrotou-o. Da mesma forma que derrotou Massa, por causa das politicas ou das hierarquias. Destrói reputações. É verdade que, no caso do brasileiro, teve uma chance de ouro em 2008, quando foi campeão do mundo por trinta segundos, até que Timo Glock saiu em frente na última cura da última volta, dando espaço a Lewis Hamilton de vencer o seu primeiro título mundial, quando não conseguia passar o Toro Rosso de... Sebastian Vettel.

E nem falo só dos pilotos. Falo dos engenheiros, dos administradores, dos estrategistas, dos "manda-chuvas". É como uma equipa de futebol, se não há resultados, todos tem de ser despedidos. Todos estão sob pressão. "A Ferrari é obrigada a ganhar", parece ser um mantra que anda a pairar em Maranello. Parece que o fantasma de Enzo Ferrari nunca abandonou a fábrica, trinta anos depois de ter morrido.

Já repararam em todos os que lá estiveram? Quantos é que foram bem sucedidos? Olhem para Stefano Domenicalli, assediado até ser despedido. Engenheiros como James Allison, que deu o seu melhor até saír, embora a razão tenha sido pessoal - a sua mulher tinha morrido. E digam o que disserem, Marurizio Arrivabene é um homem acossado, que não descansará até ser despedido, a pretexto dos maus resultados, ou vai alegar que está cansado da vida louca da Formula 1.

E claro, a cúpula não escapa. Vimos o que aconteceu neste verão, com o grupo FCA, com o desaparecimento de Sergio Marchionne, em julho, e a substituição na Scuderia por John Elkann, um dos netos de Gianni Agnelli.

E claro, vamos perguntar sobre Michael Schumacher. Todos sabem que foi o único que ganhou títulos - e ganhou cinco seguidos. Ganhou com uma equipa técnica de excelência, com Rory Bryne, Ross Brawn e Jean Todt. Mas conquistou no ano 2000, cinco temporadas depois da sua chegada. E perdeu títulos antes de ganhar: 1997 e 1998, e o acidente em 1999, em Silverstone, colocou-o meia temporada no "estaleiro". Esquecemos que Schumacher, antes de vencer, perdeu muitas vezes, duas vezes em confronto direto.

Em jeito de conclusão, a Ferrari fascina. Mas não é uma equipa fácil. A exigência é enorme, e a qualquer derrota, os "tiffosi" desejam mudanças. E claro, qualquer vitória deles tem mais significado que a de uma Mercedes, Williams, McLaren ou Red Bull. Porque eles estiverem desde sempre. E é onde todos querem vencer. Mas qual máquina trituradora, a Ferrari destrói mais as carreiras dos que pretendem vencer pelos vermelhos. 

Quebrar sob pressão é mais frequente do que triunfar, e Sebastian Vettel poderá ser o próximo de uma longa lista, por muito que seja veloz e bata a concorrência.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Rumor do dia: Arrivabene pode ser destituido no final da temporada

Maurizio Arrivabene poderá estar de saída da Ferrari. Contudo, tal acontecerá apenas no final desta temporada. De acordo com o site thebestf1.es, o presidente da Ferrari, Sergio Marchionne, já decidiu que ele não ficará por mais tempo, considerando-o como o culpado da perda de ambos os títulos, o de pilotos e de construtores, para a Mercedes, depois de uma temporada onde andou a contestá-los de maneira mais forte.

Segunda fala a imprensa italiana, Marchionne pensa em Luca Binotto, o atual diretor técnico, como seu substituto. Contudo, a Scuderia nada fala sobre esse assunto, provavelmente porque ainda não decidiu nada. Mas com a Ferrari a chegar a um período onde já está há muito tempo sem vencer títulos - o de pilotos desde 2007 e o de Construtores desde 2008 - algo poderá ser feito na estrutura para retirar à Mercedes a hegemonia em ambos os campeonatos, que vence sem oposição desde 2014.

Em 2017, a Ferrari é segunda no campeonato de Construtores, com 428 pontos, incapaz agora de apanhar a Mercedes, que com 575 pontos, já é campeã do mundo de Construtores pela quarta vez consecutiva.

Arrivabene, de 60 anos, chegou ao seu atual posto em 2014, depois de substituir Marco Mattiacci. Antigo diretor de vendas da Philipp Morris, está na Formula 1 há mais de 25 anos, e desde 2009 que se senta na comissão técnica da Formula 1, como representante dos patrocinadores. E provavelmente por causa dessas ligações que a Marlboro é ainda patrocinadora da equipa, mesmo que as tabaqueiras tenham desaparecido há muito do automobilismo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

"Giallo in Testa Rossa"

No final de 1999, a Stewart estava nas bocas do mundo. A equipa de Jackie e Paul Stewart tinha conseguido o quarto lugar no mundial de Construtores, com 36 pontos e uma vitória no GP da Europa, no Nurbrurgring, através de Johnny Herbert. Nessa altura a Ford decidiu comprar as operações à familia por 80 milhões de dólares, fazendo-o (ainda) mais rico e decidiu rebatizá-lo de Jaguar. Quatro anos mais tarde, ela foi vendida à Red Bull, e a marca da oval saiu dali com o rabo entre as pernas, sem ter vencido qualquer corrida e passando à história como um dos melhores exemplos de como a cultura corporativista destruiu uma equipa de Formula 1.

Houve outros ao longo da década passada - Honda, Toyota - onde se derreteram centenas de milhões de euros para não ganharem nada, e quando os resultados contabilisticos mostraram que tiveram um enorme prejuízo, a primeira coisa que fizeram foi fugir com o rabo entre as pernas e a primeira coisa que fizeram foi desligar-se do automobilismo, nomeadamente da Formula 1. Mas não foi só daí, pois a Peugeot (Grupo PSA) fez a mesma coisa em 2012, quando decidiu afastar-se da Endurance, quando viram que tinham um enorme buraco nas suas finanças.

Falo disto tudo por causa da Ferrari. A Scuderia é a equipa com maior tradição na Formula 1, e recebe rios de dinheiro da FIA, mas desde que Sergio Marchione tomou conta da equipa, parece que as coisas "andam de cavalo para burro". Pelo menos, este ano, como é sabido, a Ferrari era candidata a ser rival da Mercedes na luta pelo título e arrisca o ano a acabar sem vencer corridas, e superada pela Red Bull. E para piorar as coisas, a saída de James Allison da equipa parece ter piorado as performances na Scuderia.    

Agora, esta quarta-feira, Luca Baldissieri, antigo chefe dos engenheiros, detonou a equipa numa entrevista ao Corriere dello Sport, dizendo que a equipa não passa de "um grupo de pessoas assustadas". “Nem o Sergio Marchionne (presidente) nem o Maurizio Arrivabene (diretor da equipa) têm experiência nas corridas, e por isso a cultura da equipa perdeu-se. Já não são uma equipa, mas um grupo de pessoas assustadas. Há um clima de medo, ninguém corre riscos por medo de falhar e cair em desgraça”, começou por dizer.

Baldissieri é critico da liderança horizontal que a Scuderia adotou nos últimos anos, afirmando que uma liderança hierárquica seria o mais ideal para a marca:

“A cadeia de comando na Fórmula 1 tem que ser mais do que vertical, tem que ser ‘militar’. Os número um estão lá para mostrar o caminho, motivar as pessoas, decidir, e se alguém comete um erro, não deve ser despedido e isso aconteceu a James Allison, que é uma grande perda na equipa”, continuou.

“O Mattia [Binotto, que substituiu James Allison] sabe como motivar as pessoas, tem grande experiência mas não é um diretor técnico. Ele sabe que não pode desenhar um carro e não tem os conhecimentos dos chassis, aerodinâmica e mecânica. Mas seria um bom chefe de equipa”, concluiu.

A Autosport portuguesa escreveu um artigo sobre aquilo que se tornou a Ferrari no último ano e meio. Aparentemente, Sergio Marchionne julgou que governar a Ferrari seria o equivalente a mandar no grupo Fiat ou numa corporação qualquer, e esse foi grande erro. O Joe Saward escreveu sobre isso por estes dias e afirmou que é altamente provável que irá haver novas modificações na equipa nos próximos tempos, e até os próprios pilotos estão em risco, pois Marchionne já avisou Sebastian Vettel que a sua presença em 2018 está em dúvida.

Contudo, outra coisa também se pode ler no que se passa na Ferrari. O conservadorismo dos técnicos, e dos engenheiros também ajuda a que os carros não sejam os melhores, ou não sejam tão arrojados como seriam os Mercedes ou os Red Bull, que se esforçam em apanhar os Flechas de Prata. E mais interessante ainda, os carros vermelhos tem mais dificuldades em trabalhar com os Pirelli do que a concorrência mais próxima.

E claro, os pilotos têm dúvidas. Vettel provavelmente começa a pensar que se arrependeu em ter ido para lá, e anda um pouco motivado, já pensando que o carro de 2017, agora com os novos regulamentos, seja mais veloz do que a concorrência. Mas sem Allison, que estava a desenhar o carro do ano que vêm, é provável que ele seja um "coito interrompido", e que Mercedes, Red Bull ou outra equipa qualquer faça um chassis mais capaz do que eles, e se isso acontecer, eles ficariam mais atrasados. Até que ponto? Só espero que não seja o desastre de 1992...

Claro, para Maurizio Arrivabene, tudo se resume à... falta de sorte. Mas a imprensa local não cai nessa, e diz que dispensar alguns dos grandes experts foi uma má decisão. Nicolas Tombazis, por exemplo - agora a trabalhar na Manor - e os próprios Baldissieri e Allison, eram excelentes profissionais e agora, a Ferrari poderá estar a sofrer com isso. E a pressão para que façam algo antes que seja tarde para salvar as cabeças de Arrivabene ou Marchione, começa a aparecer, e é bem forte.

Uma coisa é certa: por estes dias, trabalhar na Scuderia não é fácil, e o futuro não se avizinha muito bom. Veremos o que o chassis de 2017 nos mostrará.

Para quem está intrigado com o título, o "Giallo" é italiano para amarelo, mas também é um género de terror inventado por eles nos anos 70 do século passado que misturava elementos de horror com algum erotismo, e o cenário era geralmente amarelo, devido ao filtro amarelo que metiam nas lentes da câmara. O grande realizador desse género foi (e ainda é) Dario Argento.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A Ferrari depois de James Allison

A Scuderia anunciou esta manhã que James Allison não é mais seu trabalhador. A noticia poderá ser algo inesperada - por ter sido dita agora - mas de alguma forma, poderemos dizer que é mais uma das vitimas de uma gigantesca máquina trituradora que por vezes é a equipa de Maranello. O seu substituto será Mattia Binotto, de 45 anos, e que está na Scuderia desde 1995. Apesar do nome italiano, Binotto... é de Lausana, na Suiça.

“A equipa gostaria de agradecer ao James pela sua entrega e sacrifício durante o tempo que esteve connosco, e deseja-lhe os maiores sucessos e serenidade para as suas aventuras futuras”, disse a Ferrari, no seu comunicado oficial.

Pouco depois, o inglês respondeu, tambem em comunicado oficial: “Durante os anos que estive com a Ferrari, em duas etapas distintas e assumindo diferentes tarefas, consegui conhecer e apreciar o valor da equipa e das pessoas que a compõem. Quero agradecer-lhes a grande experiência pessoa e profissional que partilhámos. Desejo a todos um futuro feliz com muito sucesso”.

Um anuncio destes, feito no final de julho, pode ser encarado como uma péssima noticia, mas há muitas variantes nisto. A primeira é que ele poderá ter baixado os braços e chegado à conclusão de que a Ferrari, da maneira como está, não ganhará tão cedo. Daí esta rescisão por mútuo acordo.E há uma variante mais pessoal: Allison sofreu no passado mês de março a perda da sua mulher, que tinha apenas 48 anos de idade, e viu-se com a tarefa de cuidar dos seus filhos como pai solteiro que se tornou. Nem todos tem uma mente de aço nesse campo.

Allison, agora livre que nem um pássaro, irá provavelmente tirar uma sabática até que em meados de 2017 entrar numa outra equipa. As candidatas mais óbvias são a Renault e a McLaren, que lutam para voltar aos seus tempos gloriosos. A equipa de Enstone vive o seu "ano zero" e precisa de alguém para reconstruir a marca, num plano de longo prazo para fazer um vencedor, e claro, a marca de Woking teria o prazer de ter alguém que ajude a equipa chegar ao topo, com Fernando Alonso e outro jovem promissor no seu encalço, com um motor Honda que funcione melhor do que está a acontecer agora.

Já se sabia desde há algum tempo que tinha soado as campaínhas de alarme por aquelas bandas. A Ferrari não só não conseguia apanhar a Mercedes, como era ameaçada pela Red Bull, com um motor Renault... "cliente", disfarçado de relojoeiro. Não se poderá dizer que tem a ver com a única vitória "não-Mercedes" deste ano, mas quando tem nas fileiras Max Verstappen, que é o candidato numero um a ser "o melhor do resto", de certeza que faz preocupar Sergio Marchione, Maurizio Arrivabene e claro, os pilotos Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen, pagos a peso de ouro na marca.

Marchione, que já tem mais com que preocupar - surgiu esta semana noticias que as vendas da subsidiária Fiat-Chrysler nos Estados Unidos estavam a ser sobrestimadas - tem mais este problema nas mãos, porque, como sabem, em 2017 haverá novos regulamentos, novos carros de Formula 1 serão desenhados, e se não tiver um desenho vencedor, arrisca a ver alargar ainda mais o jejum de títulos que já vem desde 2008 (2007 em termos de pilotos). É que quem acerta no chassis, normalmente tem um "oligopólio" de vitórias garantidas. Foi assim com os Red Bull, de 2009 a 2013, e é agora com os Mercedes. 

Ver mais uma era sem títulos, numa equipa que gasta 300 milhões de euros por ano, vai começar a questionar sobre a utilidade do dinheiro e os seus previlegios. Não se pode esquecer que Bernie Ecclestone e a FOM lhes dá todos os anos mais de cem milhões de euros ainda antes de eles fabricarem a primeira peça do chassis de cada temporada. O orçamento de uma Sauber, por exemplo...

Por estes dias, soube-se que Marchione e Arrivabene quis recrutar de volta Ross Brawn, reformado desde meados de 2014, quando deu à Mercedes os títulos de pilotos e construtores que andavam sempre a perseguir. Brawn, que ficou na Scuderia de 1996 a 2007, deu a Maranello os cinco títulos consecutivos de Michael Schumacher e ainda ajudou a dar mais um título a Kimi Raikkonen, em 2007, fazendo dela a equipa mais poderosa da Formula 1. Depois disso, em 2008, foi para a Honda, com o objetivo de fazer a mesma coisa - já tinha feito isso na Benetton, em 1994-95 - mas o fim da equipa japonesa lhe deu a chance de ter a sua própria equipa, que lhe deu o campeonato em 2009, antes de a vender para a Mercedes, no ano seguinte.

Brawn, agora com 62 anos, goza os seus milhões longe da Formula 1, dedicando-se à pesca, e já nem pensa em regressar, pois conquistou tudo. Mas Marchione e Arrivabene ainda acham que ele é suficientemente válido para tentar colocar a Scuderia di Maranello nos píncaros, como fez com tudo o que tocou nos últimos 22 anos. Contudo, parece que não conseguiram retirá-lo da reforma, mas nada indica que tenham desistido. Com a Scuderia, muitas das vezes, eles fazem propostas que não podem recusar, logo, é uma história que pode não ter acabado por aqui.   

O pior ainda que os "tiffosi", sempre irrequietos, não tem a paciência dos outros e encaram "la squadra" como se fosse uma "Juve" ou uma "Roma", e querem sempre cabeças quando a equipa perde, achando que uns "enforcamentos" podem acalmar a plebe. Isso acontecia frequentemente nos anos 90, aqueles anos pós-Commendatore que foram algo caóticos, dos quais só a FIAT os salvou. E a salvação veio primeiro com Luca de Montezemolo, que depois trouxe Jean Todt, Michael Schumacher, Ross Brawn e Rory Bryne. E até quebrarem a maldição, no ano 2000, tiveram de perder mais alguns títulos, um deles de forma algo cruel, quando Schumacher partiu a perna direita em 1999, na primeira volta do GP britânico, em Silverstone.

A grande questão que se coloca agora é saber se isto vai acalmar as coisas. Algo me diz que não, pois logo a seguir nisto tudo está Maurizio Arrivabene. E se os maus resultados continuarem, e a temporada terminar sem vitórias, um claro contraste com as três de 2015, todas com Sebastian Vettel, a sua cabeça poderá ser a próxima. Mas se todoas estas cabeças rolarem, acham que os resultados aparecerão sob pressão? A História mostra que isso nem sempre resulta, pode até cavar outra travessia do deserto, tão grande como a que aconteceu durante 21 anos.

Veremos. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Formula 1 em Cartoons: A Ferrari tenta atrair Ross Brawn (Cire Box)

A Scuderia andou por estes dias em agitação, por estar a pensar em formas de se aproximar da Mercedes. E uma das coisas nos quais andou a pensar foi em atrair de novo Ross Brawn, que andou por lá entre 1997 e 2007, ajudando Michael Schumacher a alcançar os cinco titulos que teve ao serviço da Ferrari.

E pelos vistos, Maurizio Arrivabene e Sergio Marchione andam um pouco desesperados...

terça-feira, 10 de maio de 2016

Rumor do dia (II): Arrivabene substituido na Ferrari por Allison?

Os rumores vem fortes nesta terça-feira em Itália, referindo que Maurizio Arrivabene, o diretor da Ferrari, poderá ser despedido por Sergio Marchionne, para dar lugar a James Allison, o diretor técnico da marca, que está na equipa desde 2013. Apesar de nada se transpirar em Maranello, em termos oficiais, o facto de Marchionne ter sido nomeado recentemente como o diretor da marca do Cavalino Rampante - agora a marchar por si mesma depois de se separar do Grupo Fiat e de ter colocado parte do seu capital em bolsa - isto pode significar que ele está a moldar a direção ao seu gosto.

Arrivabene não está de costas voltadas com Marchionne, é bom que se diga, mas a sua nomeação, em março de 2014 - é um ex-diretor da Marlboro Itália - aconteceu por influência de Bernie Ecclestone, do qual é bom amigo. E foi uma nomeação de Luca de Montezemolo, o antigo diretor, no lugar de Stefano Domenicalli. Em suma, Marchionne quer um técnico, para fazer mover a equipa para fazer quebrar o domínio dos Mercedes e colocar a Scuderia no topo.

E Allison (aqui na foto) conhece bem os cantos à casa, já que esteve lá entre os anos de 2000 e 2005, na altura em que eles dominavam tudo, com Michael Schumacher, numa equipa gerida por Jean Todt e Ross Brawn e os carros eram desenhados por Rory Bryne. A parte chata é saber se Allison vai aceitar o cargo, pois há cerca de dois meses sofreu um grande golpe na sua vida pessoal, pois a sua mulher Rebecca morreu no dia a seguir ao GP da Austrália, aos 48 anos de idade. 

O jornalista britânico Joe Saward fala hoje no seu sitio que a presença de Allison terá uma influência muito grande, tão grande como era o de Mauro Forgheri nos anos 70 e 80, no qual a equipa estava na frente da competição e que tinha vencido várias vezes, com vitórias e campeonato, com pilotos como Niki Lauda, Carlos Reutemann, Jody Scheckter e Gilles Villeneuve. 

"Allison passou a trabalhar para mudar a mentalidade na Ferrari, trabalhando em muito mais do que um papel de gestão. Ele admitiu em 2015 que ele não tinha projetado uma única peça no carro daquele ano, mas em vez disso tinha dirigido os engenheiros sobre onde é que deveriam estar focados. Crucialmente, a Allison foi lhe dado um controle técnico global, incluindo o departamento de motores, uma posição de poder que não tinha sido visto na Ferrari desde os dias de Mauro Forghieri, no início dos anos 80 do século passado".

O interesse no facto de ter alguém que saiba como são as coisas por dentro é bem interessante do que ter um "relações públicas" como é Arrivabene. Mas gerir uma equipa como a Ferrari não é fácil, como sabem. E quando se exige a todos vencer ou... vencer, as coisas tornam-se complicadas. Embora nos últimos anos, até nem tem muitos motivos de queixa...

terça-feira, 23 de junho de 2015

As imagens do dia







Como sempre, quando não tem muito com que fazer - como parecia que estava a acontecer hoje em Zeltweg, por causa da chuva - a Lotus adora "quebrar a Internet". 

E o "feliz contemplado" foi Maurizio Arrivabene, o diretor desportivo da Ferrari, aproveitando a distração de sexta-feira passada, quando quase foi atropelado por Felipe Massa...

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Youtube Formula 1 Incident: Como Massa quase atropelou Arrivabene

Esta sexta-feira em Spielberg ficou marcado por este incidente na saída das boxes, quando o patrão da Ferrari, Maurizio Arrivabene, quase foi atropelado pelo Williams de Felipe Massa, que teve reflexos suficientes (e bons travões) para evitar um acidente grave.

Como se pode ver pela repetição, Arrivabene não reparou em Massa, e o piloto brasileiro teve reflexos para evitar o pior. Pouco tempo depois, o patrão da Ferrari foi até à boxe da equipa inglesa e pediu desculpas pelo sucedido.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

A foto do dia

Não o esquecemos. Ninguém o esquecerá. E na Ferrari, faz-se de tudo para o recordar sempre. E mesmo eu, que reluto em apoiar a Scuderia, não posso ficar indiferente com um senhor como o Maurizio Arrivabene, hoje, em Barcelona.

domingo, 29 de março de 2015

A foto do dia


Sebastian Vettel e Maurizio Arrivabene celebrando uma das vitórias mais inesperadas da Ferrari nos últimos anos. Bom, se calhar não era uma vitória tão inesperada assim, mas para os recém-convertidos de pelotão, posso afirmar que os feitos do jovem de Heppenheim eram sobejamente conhecidos desde 2008, tempos em que guiava no carro de uma equipa sediada em Faenza, e que em tempos se chamava Minardi. E venceu em Monza, à chuva, perante todo um pelotão espantado com os seus feitos.

Foi emocionante ver Arrivabene a cantar o "Fratelli D'Itália" a plenos pulmões junto dos seus, mas a vitória do Cavalino não é só fruto da competência de Vettel. Essa vitória deve ser partilhada com James Allison, que desenhou o carro deste ano, que o tornou mais suave no desgaste dos pneus, pelo menos na Malásia. O SF15-T é um carro bem nascido - melhor nascido do que Williams, Red Bull ou McLaren - e é capaz de lutar pela vitória em piso seco e condições tropicais. Mas ainda não está ao nivel dos Mercedes, que continuam a ter um carro melhor do que a concorrência.

E há outro herói não cantado nesta corrida malaia: Kimi Raikkonen. Teve azar na qualificação, ficando apenas no 11º posto da grelha, e na segunda volta, teve de a fazer com um furo, vitima de um toque do Sauber de Felipe Nasr. O azar virou sorte quando entrou o Safety Car e juntou todo o pelotão, e ele teve de se esforçar para ultrapassar todos os que podia para terminar no quarto lugar. Poderemos imaginar o que teria feito se tivesse tido o um fim de semana normal, sem azares. Não digo que Maranello teria comemorado uma dobradinha, mas poderiamos dizer que Raikkonen estava ressuscitado, reanimado com a chegada do seu amigo e de sangue novo e motivador na Scuderia.

Maurizio Arrivabene disse que faria cem quilómetros a pé se ganhassem quatro corridas nesta temporada. Já faltam três e ainda estamos na segunda corrida do campeonato...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Mattiacci por Arrivabene: as razões da troca de topo na Ferrari

Mal a loja fechou em Abu Dhabi, a Ferrari começou a fazer a limpeza da sua equipa, com o anuncio da dispensa de Marco Mattiacci por outro italiano, Maurizio Arrivabene. Um antigo funcionário da Marlboro, Arrivabene chega apenas oito meses após a chegada de Mattiacci ao cargo que era antes de Stefano Domenicalli.

No meio da Formula 1, apesar de as pessoas dizerem que a estadia de Mattiacci seria temporária, a noticia da sua demissão chocou as pessoas no meio, pois ele até fez um bom trabalho, quer na escolha de bons técnicos para ajudar a equipa, como na contratação de Sebastian Vettel, que muitos viram como uma excelente movimentação, para além de ter confrontado Fernando Alonso do alto do seu pedestal. Contudo, segundo conta a Autosport (AS) britânica, a decisão veio do topo do Grupo Fiat, ou seja, de Sergio Marchionne, que quer um dirigente mais decisivo, daí a escolha de Arrivabene.

O jornalista Jonathan Noble, da AS britânica, mostra uma carta escrita por Marchionne e mandada para os funcionários da Scuderia, onde afirma que a grande razão pelo qual fez a substituição nas cúpulas foi porque queria ter o homem certo para voltar a colocar a Ferrari no topo. "Estou determinado a que a Ferrari mantenha o seu lugar em termos de influência na Formula 1", escreveu.

"Maurizio traz um conjunto único de experiências com ele", começa por dizer Marchionne. "Além de um relacionamento de longa data com a nossa equipa, ele também atuou na Comissão da Formula 1 e já está consciente dos desafios que enfrentamos.

"Ele tem um conhecimento profundo dos mecanismos da governação e as exigências deste desporto, o nível de concorrência e os desafios dos circuitos. Também tem sido uma fonte constante de idéias inovadoras para a revitalização da Formula 1".

"Em Maurizio, vejo as qualidades de alguém que levado pelo seu forte exemplo pessoal, o seu profissionalismo, bem como a integridade de suas decisões - em suma pelo tipo de pessoa que ele é."

"Todos nós sabemos como é importante ter um espírito de equipa saudável, principalmente neste momento. O tipo de espírito que só pode vir de um grupo de pessoas que acreditam em um projeto e que estão preparados para compartilhar o empenhamento, sacrifícios e resultados", concluiu o presidente do Grupo Fiat.

Contudo, o próprio jornalista aponta outra razão para a substituição de Mattiacci, que é o facto de ele mesmo ter afrontado Bernie Ecclestone, em circunstâncias semelhantes ao que aconteceu com Adam Parr, então na Williams. A chegada de Arrivabene, que têm anos de estadia na Formula 1 e conhece relativamente bem o anão, poderá ser uma forma de manter o seu estatuto e claro, a sua influência. Pelo menos, enquanto o octogenário andar por aí.

Veremos qual vai ser o impacto da sua chegada por lá, numa altura em que a Scuderia vive mudanças e está a receber o alemão Sebastian Vettel, depois de cinco temporadas com Fernando Alonso ao volante.