Mostrar mensagens com a etiqueta Lewis-Evans. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lewis-Evans. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 29 de outubro de 2024

A imagem do dia



Ontem falei de Bernie Ecclestone, por causa do seu aniversário natalício. Os mais velhos sabem da carreira dele como patrão da Brabham e de como ele contratou Gordon Murray para desenhar os seus carros, especialmente a partir de 1973, e depois, decidiu ser o patrão da Formula 1. Primeiro, como presidente da FOCA, a associação de construtores da Formula 1, e depois, começou a negociar com as televisões e os circuitos os direitos da competição, fazendo formar um negócio com receitas superiores a 1500 milhões de euros quando o vendeu para a Liberty Media, em 2017.

Contudo, o que poucos sabem é que teve outra equipa, a Connaught, em 1958, e tentou ele mesmo guiar em duas corridas, no Mónaco e em Silverstone, sem sucesso. Mas não é isso que falo hoje. Falo de uma terceira faceta, a de empresário.

Sim, ele geriu a carreira de gente como Jochen Rindt, mas aí, ele já era mais experiente. Falo de antes, bem antes. Falo dos anos 50, nos seus tempos de juventude e se apaixonou pelo automobilismo. E para isso irei falar de um piloto britânico que tinha talento, mas não teve tempo para o mostrar. 

Stuart Lewis-Evans nasceu a 20 de abril de 1930 em Luton, no Bedfordshire inglês, mas passou a juventude no sul, em Kent, onde o seu pai tinha uma oficina mecânica. Depois de ter trabalhado como aprendiz na Vauxhall Motors, começou a correr com um Cooper em 1951, incentivado pelo seu pai. Com o passar dos anos, começou a ganhar corridas importantes, mas o mais famoso resultado foi.. um segundo lugar, no Nurbugring Norschleife, em 1954, com o vencedor a ser, nada mais, nada menos que Stirling Moss.

Em 1956, passou para a Connaught, onde começou a ter bons resultados, incluindo a vitória no Glover Trophy, em Goodwood, e um dos que reparou no seu talento era um jovem vendedor de automóveis e motocicletas chamado Bernie Ecclestone. Até então, ele também tinha tido algum talento como piloto, mas depois de alguns acidentes, achou que o melhor seria estar nas boxes a assistir corridas e a gerir equipas.  Em 1957, foi ao Monaco, onde acabou a corrida no quarto lugar, porque o seu pequeno carro dava-se bem nas ruas estreitas do Principado. Foi o suficiente para Tony Vandervell, o dono da Vanwall, o convidar para ser seu piloto, ao lado de Stirling Moss.

Na corrida a seguir, o GP de França, Lewis-Evans começou a correr para eles e conseguiu um quinto lugar em Pescara, antes de alcançar a pole-position no GP de Itália, em Monza. Os cinco pontos parecem não ter sido nada de especial, mas era apenas a sua primeira temporada. 

Em 1958, Ecclestone compra a Connaught, e tenta até correr no GP do Mónaco, não conseguindo qualificar-se - anos depois, disse que a coisa não tinha sido séria - enquanto seguia a carreira do seu protegido. Uma pole-position no Mónaco e dois terceiros lugares, em Spa-Francochamps e Boavista, no GP de Portugal, fizeram que ele fosse considerado uma esperança para a vitória britânica, numa equipa como a Vanwall. Assim achava Vandervell. 

A última corrida do ano era na pista de Ain-Diab, nos arredores de Casablanca, em Marrocos. A Vanwall comemorava o seu título de Construtores, graças ao trio constituído por Moss, Lewis-Evans e Tony Brooks. Moss lutava pelo título contra Mike Hawthorn, no seu Ferrari, e apesar de Moss ter ganho, a regularidade de Hawthorn lhe deu o título, graças ao segundo lugar na corrida.

Quem estava na corrida a assistir a tudo isto era Vandervell... e Ecclestone. Lewis-Ewans tinha tido uma boa qualificação, conseguindo o terceiro lugar na grelha, mas na corrida, ele, apesar de largar em segundo, começou a perder terreno nas voltas seguintes, andando na sexta posição quando na volta 41, o seu motor quebrou numa curva e despistou-se, pegando fogo. Ele conseguiu sair do carro, mas estava gravemente ferido, com queimaduras em parte do corpo.

Transportado para a Grã-Bretanha no avião privado de Vandervell, Lewis-Evans acabou por sucumbir aos seus ferimentos seis dias depois. Vandervell, que na altura era um homem doente, decidiu abandonar o automobilismo, e Bernie, desgostoso, vendeu a Connaught e não quis saber da Formula 1 até 1965, quando decidiu ser o "manager" de outo piloto, um tal de Jochen Rindt... 

domingo, 27 de julho de 2014

Youtube Formula 1 Classic: Circuito da Boavista, 1958


Estas filmagens são "inéditas", como falam aqui no blog "Os Heróis", que fala sobre o automobilismo em Portugal e os seus heróis do passado. E estas imagens, feitas por um cineasta amador, são mesmo inéditas, pois mostram partes da corrida da Boavista, que foi palco do GP de Portugal de 1958, a primeira no nosso país.

No filme, podemos ver os Vanwall a sairem as boxes e o carro que transportou os três primeiros classificados, num pódio totalmente britânico: Stirling Moss a ser o melhor, seguido pelo Ferrari guiado por Mike Hawthorn e pelo outro Vanwall de Stuart-Lewis-Evans, na única vez em que subiria a um, meses antes de morrer num acidente na última prova do ano, em Marrocos.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Mitos e lendas de Bernie Ecclestone

Confesso que ainda não consegui ler os dois livros que já foram feitos sobre Bernie Ecclestone. Mas dos que já leram, eles me contam que de facto, o "anãozinho tenebroso" nunca foi flor que se cheire. Mas o mais interessante no meio disto tudo é que Ecclestone tem uma carreira com mais de 50 anos no automobilismo, primeiro como piloto, depois como proprietário e por fim, como "capo de tutti cappi", ou seja, o patrão da Formula 1.

Se me perguntarem que ele já foi proprietário de uma equipa de formula 1, eu vos responderei que não. Na realidade, ele teve duas equipas. A primeira delas foi a Connaught, em 1958, e ele até tentou se qualificar para uma corrida, no Mónaco. Lembram-se? Enfim, essa primeira passagem pela Formula 1 foi efémera, pois abandonou-a no final daquele ano quando o piloto no qual era o seu "manager", Stuart Lewis-Evans sofreu um acidente fatal quando guiava o seu Vanwall no GP de Marrocos, a última prova daquela temporada.

Depois deste episódio, Ecclestone afastou-se do automobilismo durante grande parte da década de 60, voltando para ser o manager de outro piloto: o austriaco Jochen Rindt. E mesmo que tenha tido o mesmo destino de Lewis-Evans, em 1970, Ecclestone ficou definitivamente, ao comprar no final do ano seguinte a Brabham, sendo o seu proprietário até 1986, e depois fazer o percurso que toda a gente conhece.

Contudo, quando Ecclestone voltou à ribalta, no final dos anos 60, ele já era um homem rico. Alguns afirmavam que era demasiado rico para um mero vendedor de carros usados. Quando foi questionado, afirmou que tinha enriquecido com a venda de propriedades. Mas durante muito tempo circulou outra história...

Hoje, o jornalista Andrew Benson, da BBC, trouxe essa história, e para mim, ela não é nova porque já o ouvi há alguns meses, quando por acaso andava a ler sobre o Grande Assalto ao Comboio, que no mês que vêm vai fazer 50 anos.

A história é simples: um dos elementos do "gang" que planeou o assalto era piloto de Formula Junior, Roy James.(na foto, em 1979, após ter saido da prisão) Em 1963, ele era bem promissor, ao ponto de vencer corridas na Grã-Bretanha naquele ano. No assalto, ele seria um dos que iria guiar os carros que serviriam para escapar dali. Acabou por ser capturado no final do ano, e ficou cerca de doze anos preso, antes de tentar retomar a sua carreira na Formula Ford. Pouco depois, foi ter com Ecclestone para lhe pedir um emprego.
  
Ele contou essa história em 2005, numa entrevista ao jornal "The Independent": "Roy era um grande amigo de Graham Hill. Quando ele saiu da prisão, ele pediu-me um emprego [na Brabham].", começou por dizer. "Não o ia dar-lhe um lugar na equipa, mas em vez disso, dei-lhe um troféu para o fazer, pois soube que tinha sido joalheiro. Ele fez um troféu que é dado todos os anos aos melhores promotores de Grande Prémio. Eles não sabem que estão a receber um objeto que foi feito por um dos integrantes do Grande Assalto".

Roy James acabou por morrer em 1997, vítima de um ataque cardíaco. Contudo, há quem jure a pés juntos que os carros que foram usados nesse assalto vieram de um concessionário que era propriedade de Ecclestone. E que pouco tempo depois, ele venderia esse local. Uma coisa é certa: Ecclestone nunca teve muito trabalho - ou nunca pensou verdadeiramente - em desmentir os rumores sobre esse caso, que andaram a vagar durante mais de 40 anos, até aos dias de hoje.

Aliás, sobre isso, nessa mesma entrevista deixou uma frase enigmática: "Não havia dinheiro suficiente nesse comboio. E se fosse eu a planear o assalto, teria feito bastante melhor". Uma coisa é certa, Bernie adora uma boa história e tudo isto serve para que falem sobre ele. Não há nada como publicidade, boa ou má... 

domingo, 9 de setembro de 2012

GP Memória - Itália 1957

Duas semanas depois de terem corrido em Pescara, máquinas e pilotos prepararam-se para disputar o GP de Itália, no Autódromo Nazionale di Monza, a última prova do calendário de 1957. Com o título já entregue a Juan Manuel Fangio, a grande novidade da prova foi o regresso da Ferrari, depois desta ter boicotado a corrida anterior, em Pescara, devido a polémica que Enzo Ferrari mantinha com as autoridades automobilísticas devido aos eventos das Mille Miglia, em maio, que matou Alfonso de Portago, o seu navegador e mais sete pessoas.

No lado da Scuderia, a equipa apareceu em força, com quatro carros, guiados pelos britânicos Peter Collins e Mike Hawthorn, o italiano Luigi Musso e o alemão Wolfgang von Trips. A Vanwall levava três carros, para os britânicos Stirling Moss, Tony Brooks e Stuart Lewis-Evans. No lado da Maserati, havia os carros oficiais, guiados por Juan Manuel Fangio, Jean Behra (que estreava o motor V12 da marca), Harry Schell e Giorgio Scarlatti, com mais dois carros da Scuderia Centro Sud, para Masten Gregory e Jo Bonnier, e as inscrições individuais dos britânicos Bruce Halford e Horace Gould, do italiano Luigi Piotti, do espanhol Paco Godia e do suiço Ottorio Volonterio.

Na qualificação, o melhor foi, de modo surpreendente, o Vanwall de Stuart Lewis-Evans, a primeira da sua carreira, tendo a seu lado os seus compenheiros Stirling Moss e Tony Brooks. Juan Manuel Fangio era o quarto, seguido por Jean Behra e Harry Schell. Peter Collins era o melhor dos Ferrari, no sétimo lugar da grelha, seguido por Wolfgang Von Trips, e a fechar o "top ten" estavam os Ferrari de Luigi Musso e de Mike Hawthorn.

Na partida, os Vanwall ficaram na frente, com Moss no primeiro lugar, embora Behra tenha pulado para o segundo lugar no final da primeira volta, e Fangio se tenha colado ao terceiro Vanwall. Os cinco carros lentamente se descolaram do pelotão e em breve começou uma batalha pelo primeiro posto entre Moss e Behra, com constantes mudanças na liderança. Fangio também passou pelo comando, mas só houve mudanças significativas na 20ª volta, quando Brooks teve um prolema com o acelerador e atrasa-se.

Pouco depois, Lewis-Evans tem também um problema mecânico e para nas boxes, voltando pouco depois. A luta acabou por ser um duelo a três entre o Vanwall e os Maserati de Behra e Fangio, mas pouco depois, o francês pára no sentido de colocar um novo jogo de pneus. Schell fica com o terceiro lugar, mas pouco depois, na volta 34, tem uma fuga de óleo e pára nas boxes. A equipa chama Giorgio Scarlatti e este cede o carro para Schell, com o americano a voltar à pista.

Na volta 49, Behra tem um problema de sobreaquecimento e desiste, na mesma altura que Lewis-Evans também termina a sua corrida de vez. Collins sobre para o terceiro lugar, mas na volta 62, o seu motor explode e o lugar fica para o seu companheiro Hawthorn. Na frente, Moss começa a levar a melhor sobre Fangio e parece que iria acontecer mais uma vitória para as cores britânicas.

Contudo, perto do fim, Hawthorn tem um problema e acaba por atrasar-se, fazendo com que o lugar mais baixo do pódio caisse nas mãos do carro de Von Trips. No final, Stirling Moss é o vencedor, conseguindo superar Fangio, que ficou com o segundo lugar, e de Von Trips, que conseguia aqui o seu primeiro pódio da sua carreira. Nos restantes lugares pontuáveis aparecia os Maserati de Masaten Gregory e Harry Schell, no carro inicialmente guiado por Guido Scarlatti, que assim conseguia o seu único ponto da carreira. 

domingo, 19 de outubro de 2008

GP Memória - Marrocos 1958

A corrida final do campeonato de 1958 iria acontecer num local completamente novo: Marrocos. Era a primeira vez na sua história que a Formula 1 ia para paragens africanas, ainda por cima num país que há menos de dois anos tinha alcançado a independência, logo, o GP de Marrocos era provavelmente o primeiro grande evento desportivo mundial a ter lugar naquele país.


Era um campeonato renhido, mas todos sabiam que dali, um inglês iria ser campeão do Mundo, o primeiro vindo das terras de Sua Majestade. Mike Hawthorn, no seu Ferrari era o líder, com 35 pontos, contra os 32 de Stirling Moss. O piloto da Vanwall tinha que ganhar e fazer a volta mais rápida (na altura, contava um ponto), e esperar que Hawthorn não conseguisse mais do que a terceira posição, para ser coroado o novo campeão do Mundo. Era difícil, mas possível. Para isso contava com a ajuda dos seus companheiros na Vanwall, Tony Brooks e Stuart Lewis-Evans.


No lado da Ferrari, Para além de Hawthorn a Scuderia tinha levado para Casablanca o americano Phil Hill e o belga Olivier Gendebien. Três contra três, Vanwall contra Ferrari, tudo podia acontecer, pois o título de construtores também estava em jogo.


Outras equipas também estavam em Marrocos. A BRM levava quatro carros, para o americano Harry Schell, para o inglês Ron Flockhart, para o sueco Jo Bonnier e para o francês Jean Behra, que tinha ganho aqui no ano anterior, ainda a corrida era extra-campeonato. A Cooper levava três carros, um para o francês Maurice Trintignant, outro para Roy Salvadori e o terceiro para Jack Fairman, ambos britânicos. A Maserati tinha três carros, dois inscritos pela Scuderia Centro-Sud, para Wolfgang Seidel e Gerino Gerini, e um terceiro, inscrito pela Ecurie Jo Bonnier, para Hans Hermann. Por fim, a Lotus levava dois carros, para Cliff Allison e para Graham Hill.


Para além destes carros, estavam inscritos seis carros de Formula 2, todos Cooper. Um era pertencente a Jack Brabham, e outro para o jovem neozelandês Bruce McLaren. Os outros quatro eram para Robert de la Caze e André Guelfi, dois pilotos locais, para o inglês Tommy Bridger e para o francês Francois Picard.


Os treinos mostraram a luta pelo título, pois Hawthorn marcou a pole-position, mas Moss não estava muito longe. Aliás, estava a seu lado, na segunda posição! O terceiro era o segundo Vanwall, de Stuart Lewis-Evans. Nos lugares seguintes, ficavam o BRM de Jean Behra, o segundo Ferrari de Phil Hill e o seu companheiro, o belga Olivier Gendebien.


No dia 19 de Outubro de 1958, perante dezenas de milhares de pessoas e o Rei Mohamed V, deu-se a partida da corrida de encerramento do campeonato de 1958. Na partida, Moss salta para a frente, com Phil Hill logo atrás, numa surpreendente segunda posição. Hawthorn era terceiro e Bonnier o quarto. No final da terceira volta, Hill despista-se numa curva, e cai para o quarto posto. Logo regressa à pista e consegue apanhar o sueco da BRM, e fica no terceiro lugar. Neste momento, Moss, apesar de estar na frente, não ganha o título, pois os dois Ferrari estão logo atrás… Entretanto, Brooks tenta apanhar os da frente, mas no final da 11ª volta, o seu motor rebentou. Enquanto isso, Moss estabelecia a volta mais rápida da corrida, o que lhe dava um ponto extra, mas isso não era suficiente, pois Hawthorn tinha que ser terceiro para declarar campeão.


Enquanto isso, Stuart Lewis-Evans era o quarto, e tentava apanhar os dois Ferrari, para ajudar Moss. Mas no final da volta 41, o seu motor explodiu, tal como Brooks. Mas quando o motor rebentou, também vazou óleo, que colocou o carro em chamas. Como tinha motor à frente, Lewis-Evans saiu do carro como se fosse uma tocha humana. Socorrido pelos comissários, foi levado para o hospital, e dali para a Grã-Bretanha, no avião privado de Tony Vandervell. Contudo, as queimaduras de Lewis-Evans revelar-se iam fatais e morreria seis dias depois.


Enquanto o drama acontecia mais atrás, Moss fazia a sua parte, liderando a corrida. Mas Hawthorn era o segundo classificado, e isso era o suficiente para se sagrar campeão do Mundo, caso chegasse ao fim. Phil Hill era o terceiro, e as coisas se mantiveram assim até à meta. Nos restantes lugares pontuáveis ficavam Jo Bonnier e Harry Schell, nos seus BRM.


Para Hawthorn, era a sua hora de consagração. Assim, poderia cumprir a promessa que fez no momento da morte do seu “Mon Ami, Mate” Peter Collins, em Nurburgring, e retirar-se da competição. Tornara-se no primeiro piloto britânico a ganhar um título muyndial de Formula 1, e foi um feito sobreviver a uma temporada que viu morrer dois dos seus companheiros na Ferrari: Luigi Musso e Peter Collins. Infelizmente, não iria gozar muito o título, pois três meses depois, em Janeiro de 1959, iria morrer ao volante do seu Jaguar perto de Guilford, no Surrey…

Fontes:


http://en.wikipedia.org/wiki/1958_Moroccan_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr075.html

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

O piloto do dia - Stuart Lewis - Evans

Hoje em dia, poucos sabem quem foi ele. O que é uma lástima, pois estamos a falar de um dos mais promissores pilotos britânicos do seu tempo. A sua meteórica carreira na Formula 1, que durou somente duas épocas, só o foi devido ao seu acidente mortal na sua última prova do campeonato desse ano, em Marrocos, e que levou mais tarde à decisão de Tony Vanderwell de retirar a sua equipa, a Vanwall, da Formula 1. Quarenta e nove anos depois da sua morte, recordo-vos Stuart Lewis - Evans.


Nasceu a 20 de Abril de 1930, na cidade inglesa de Luton. De aparência baixa e frágil, poucos acreditariam que ele seria um excelente piloto de automóveis. Mas quando começou na formula 3, em meados dos anos 50, começou a impressionar os donos das equipas. Em 1957, estava a correr na Connaught, uma equipa pequena, que corria na Formula 1. A equipa tinha sérios problemas de financiamento, que levaria mais tarde à sua falência, mas até lá, deu a Lewis-Evans um carro para ele na corrida do Mónaco. E foi aí que começou a impressionar: batido apenas pelos Maseratis de Juan Manuel Fangio, Tony Brooks e Masten Gregory, foi quarto classificado. Isso chamou a atenção de Tony Vanderwell, dono da equipa Vanwall, que precisava de um substituto para Stirling Moss, na corrida seguinte, em Reims.


Lewis-Evans desistiu nessa corrida, mas ficou na equipa para o resto da carreira competitiva. Contudo, os carros nesse ano não eram fiáveis, e o melhor que conseguiu foi um quinto lugar em Pescara e uma "pole-position" em Monza, terminando a época com cinco pontos e o 12º lugar na classificação geral.


No ano seguinte tinha um programa preenchido: Formula 2 com a equipa BRP (criada por Alfred Moss, o pai de Stirling) e Sport Turismo, com a Aston Martin, para além da Formula 1 com a Vanwall. Todos estes contratos foram arranjados por um jovem conterrâneo de 27 anos chamado Bernie Ecclestone...

A temporada de 1958 com a Vanwall estava a correr melhor para ele. Faz a "pole-postion" em Zandvoort, numa corrida em que não chegou ao fim, e o seu primeiro pódio, um terceiro lugar, foi alcançado na corrida seguinte, em Spa-Francochamps. No Circuito da Boavista, novo terceiro lugar, novo pódio. Mas este seria a ultima vez que terminava nos pontos...


Depois de desistir em Monza, Lewis-Evans esperva acabar melhor no circuito de Ain-Diab, nos arredores da Casablanca, palco do Grande Prémio de Marrocos. Tinha sido terceiro nos treinos, e partia nos lugares da frente, no dia da corrida, a 19 de Outubro, no sentido de ajudar no título mundial de construtores que a Vanwall esperava conquistar. Contudo, na volta 41, a caixa de velocidades emperra a alta velocidade e explode. Os comissários resgatam-no das chamas, mas ele está gravemente ferido. Tentam salvá-lo, repatriando-o nesse mesmo dia para Inglaterra, mas seis dias depois, a 25 de Outubro, Lewis-Evans morre devido às extensas queimaduras. Tinha 28 anos.


A sua carreira na Formula 1: 14 Grandes Prémios, em duas temporadas (1957-58), duas pole-positions, dois pódios, 13 pontos no total.


A sua morte ditou o fim da Vanwall. Tony Vanderwell confiava nele para ser o seu piloto de confiança para as próximas épocas, mas com a sua morte, decidiu que já chegava de Formula 1. Tinha uma saúde frágil, e sabia que tinha alcançado o seu objectivo, e era altura de passar o testemunho a outros, numa altura em que a Cooper de motor traseiro se preparava para dominar o pelotão da Formula 1. Sendo assim, retirou-se no final da época. Quanto a Lewis-Evans, terminou a temporada com uma pole-position, dois pódios e a nona posição do campeonato, com 11 pontos.