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sexta-feira, 18 de julho de 2025

A imagem do dia




As pessoas gostam daqueles que chegam aos limites do espaço conhecido e sobrevivem para contar. Então do nosso pálido Ponto Azul, chega ao ponto de fascínio. Só em meados do século XX, com o começo da aviação, e depois, o desenvolvimento das viagens espaciais, começamos a conhecer como passamos lentamente de uma atmosfera rica em oxigénio e dióxido de carbono, para um onde, protegidos de raios cósmicos ultra-violeta, somos uma bola azul, frágil perante um espaço totalmente hostil.

Ao longo dos anos, descobrimos desafios e aqueles que se propuseram a quebrar. Encaramos essas pessoas como audazes, viciados em adrenalina onde, conhecidos os perigos, resolvem fazer na mesma. Mesmo quando alguns desses desafios aconteciam ao serviço dos exércitos e das Forças Aéreas, em nome de objetivos mais guerreiros, não deixamos de pensar na coragem daqueles que, aceitando a missão, arriscam a vida pelo seu dever. Se formos ver bem, na NASA e na Agência Espacial Russa, os primeiros a irem para o Espaço, todos eles eram militares, ao serviço do seu país, enchendo as primeiras páginas dos jornais deste planeta para serem os primeiros heróis de todo um novo mundo.

Passada essa fase, apareceram os aventureiros, puros e duros. Bater recordes é uma maneira de não só satisfazer o ego, como também o de mostrar que é a sua melhor maneira de mostrar que gostam de se sentir vivos. Hoje em dia, saltar de 33 mil metros de altura é uma maneira muito cara de saltar de paraquedas e um décimo dessa altura. Ou então, saltar de um prédio alto - isso tem nome, BASE jumper - ou voar num fato voador, entre as paredes de um qualquer fiorde na Noruega, arriscando a vida. Tudo isso por essas tais descargas de adrenalina.

A história de Felix Baumgartner, morto nesta quinta-feira em Porto Ercole, em Itália, aos 56 anos, num acidente de paraquedas, é bem interessante. Ele era de um tipo que buscava a adrenalina, mas queria algo mais. A ideia de bater um recorde que não era tocado, na altura, há mais de meio século - o recorde de Joseph Kittinger, em 1960 - era demasiado boa para ser deixado de lado. E só essa ideia fez-nos ficar agarrados à televisão ou ao portátil, vendo por algumas horas o canal do Youtube onde ele iria fazer esse feito. E no final seguiu, passo a passo, aquilo que Kittinger fizera. E com ele a testemunhar.

Sempre olhei para aquilo como se olhava, há mais de 60 anos, numa era heroica, e já distante, os recordes de velocidade. Mais que uma tarde bem passada, ou colocar em perigo a sua existência, para poder dizer o teu nome como o recordista de altura em alguma categoria, sem dúvida deve ser algo que vale a pena.

Hoje em dia, sabem como Baumgartner é chamado? Em inglês, é "daredevil". Para português, é algo parecido com "desafiador". Mas ele desafia o quê? A gravidade? Capaz. A vida? Sem dúvida? As estrelas? Não indo para o espaço, fica num limbo entre o ar que nós respiramos, protegidos por camadas invisíveis, do Espaço hostil.

O que sei, no meio disto tudo, é que ele viu um desafio, aceitou-o. Trabalhou para ele, e conseguiu alcançar os seus objetivos. Mesmo que depois, esse recorde tenha sido superado - o atual recorde é de 41 quilõmetros, alcançado pelo americano Alan Eustace. Mas acho que todos sabem disso: os recordes são para ser superados. O momento que fica para sempre, que iremos sempre recordar, é aquele onde ele se colocou fora da cápsula, e saltou fora. Isso é melhor que todos os recordes do mundo. Ad astra.  

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

A(s) image(ns) do dia






Poderia falar aqui de Fernando Alonso, que há 20 anos batia um recorde de precocidade, ao ser o mais novo a ganhar uma corrida de Formula 1 - tirando esse recorde a uma lenda chamada Bruce McLaren - e claro, de ser a primeira vitória da Renault em 20 anos (e 10 dias, porque a vitória anterior foi no GP da Áustria de 1983, com Alain Prost), mas neste dia o que queria trazer à baila é que este GP da Hungria foi o primeiro que teve na grelha... um piloto húngaro.

E tudo aconteceu por causa de um acidente.

Na sessão de treinos livres de sexta-feira, a asa traseira do Jordan de Ralph Firman soltou-se e o carro, fora de controlo, bateu forte nos muros de proteção, magoando o piloto irlandês. Uma substituição tinha de ser feita de imediato, e a solução estava na Formula 3000, quando Zsolt Baumgartner estava a participar pela Coloni. Assentado rapidamente - afinal, era o piloto de testes da equipa - ele alinhou no sábado, conseguindo o 19º tempo, entre os Minardis. E na corrida não foi muito longe, acabando-a na volta 34, com problemas de motor. 

Para o piloto, era o topo. Tinha alcançado o seu grande objetivo. E ainda por cima, era o segundo piloto do antigo bloco do Leste a entrar num carro de Formula 1, depois do checo Thomas Enge, que tinha entrado no Prost, em 2001. E também acontecia quase 16 anos depois do seu compatriota Csaba Kasjar ter dado algumas voltas de teste num Zakspeed, também em Hungaroring, em 1987.

Nascido no dia de Ano Novo de 1981 em Debrecen, Baumgartner começou em 1998 pelos monolugares da Formula Renault francesa, e prosseguiu até chegar à Formula 3000 em 2001, pela Prost Junior Team. Contudo, só pontuou no ano seguinte, quando se transferiu para a Nordic Racing, e apenas foi um sexto lugar na última corrida do ano, em Monza. Para 2003, até fez melhor, com um quinto lugar no Mónaco, mas não era um piloto entre os da frente, quando Eddie Jordan o chamou para sentar o rabo no seu carro. 

Baumgartner ficou para a corrida italiana, onde acabou na 11ª posição, de novo entre os dois Minardis na qualificação, e a duas voltas do vencedor, o alemão Michael Schumacher. Depois cedeu o lugar a Firman, recuperado das lesões, mas Jordan tinha ideias para ele: deu-lhe um lugar para 2004, desde que conseguisse um acordo generoso com a petrolifera local, a MOL. 

Contudo, ambos os lados não chegaram a um acordo, e Baumgartner decidiu assinar um contrato com a Minardi. A petrolífera decidiu diminuir o seu apoio, e decidiu-se fazer um "clube de apoiantes" do piloto, para arranjar dinheiro para poder correr na equipa de Paul Stoddart. Lá ficou uma temporada e conseguiu ser o primeiro húngaro - e o primeiro dos do antigo bloco oriental - a pontuar num GP de Formula 1, ao ser oitavo classificado no GP dos Estados Unidos, em Indianápolis. Ficasse lá mais um ano, e se calhar teria conseguido muito melhor...  

Mas há 20 anos, os húngaros tinham um motivo para ficarem orgulhosos a atentos para seguir os Grandes Prémios. 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Youtube Human Acheivement: O salto de Felix Baumgartner, um ano depois

Há precisamente um ano, Félix Baumgartner bateu um recorde que durava desde 1960, quando Joseph Kittinger saltou a mais de 33 mil metros de altura, naquela que foi a maior descida em queda livre de então. Baumgartner, um saltador austríaco de 43 anos, saltou a quase 39 mil metros, naquilo que foi conhecido como o "Red Bull Stratos" a 14 de outubro de 2012, no estado americano do Novo México.

Na queda, Baumgartner chegou a passar a barreira do som - 1367,54 km/hora - e a queda durou quatro minutos e dezanove segundos até que ele tocou o solo, são e salvo.

Ontem surgiu um video a comemorar o feito, mas este video é diferente dos outros: e a filmagem das câmaras vindas do capacete de Baumgartner. E é simplesmente fabuloso!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Youtube Motorsport Experience: Felix Baumgartner a bordo de um Formula 1

Depois de no ano passado Félix Baumgartner ter batido os recordes de salto de para quedas em altitude e a barreira do som  durante essa queda, a Red Bull, que o apoiou, decidiu dar-lhe a hipótese de andar num carro de Formula 1 numa série de experiências no circuito de Paul Ricard, guiado por Sebastian Vettel e por David Coulthard, este num Formula 1 de três lugares.

E pelos vistos, toda a gente divertiu-se...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Fibra de Carbono - Episódio numero vinte

Esta semana, no Fibra de Carbono, discutimos sobre as novidades no Mundial de Formula 1, Com Sebastian Vettel a vencer as últimas três corridas e a aproveitar o acidente de Fernando Alonso no Japão para ficar com o comando do campeonato, falamos também do chato GP da Coreia, falamos das contas do campeonato e comparamos com 2011, sobre a renovação de Felipe Massa e especulamos um pouco sobre as contratações para 2014.

Passamos também para os ralis, onde falamos das saídas de BMW (através da Mini) e da Ford, a manutenção das suas estruturas, a Prodrive e a M-Sport, e também da transferência de Jari-Matti Latvala da Ford para a Volkswagen e o part-time que Sebastien Loeb terá em 2013, na sua transição para as pistas.

Referimos também a António Felix da Costa, devido à ronda final da World Series by Renault, que vai acontecer este fim de semana no circuito de Barcelona, e sobre o seu futuro na estrutura profissional da Red Bull.

E claro, não podemos esquecer o estratosférico feito de Felix Baumgartner, que este domingo saltou a quase 40 km de altura para bater (quase) todos os recordes existentes. 

Entretanto, o Pedro Mendes, a outra pessoa que fala no podcast, avisa que a partir de agora, há modificações no formato do podcast:

"Passamos a distribuir os episódios no formato .aac em vez do tradicional .mp3. Isto trás imensas vantagens, sendo a principal a segmentação de cada programa em capitulos, com direito a artwork diferente para cada um. Isto é bastante utilizado em podcast clients actuais. Se não consegue ouvir o podcast por esta razão, por favor entre em contacto. 

Como viver é aprender, daqui para a frente os episódios serão distribuidos em mono, e não em estereo o que permite cortar para mais de metade o tamanho ocupado por cada ficheiro para a ordem dos ~15/~16Mb."

Portanto, já ficam avisados. Mesmo assim, tudo isto e muito mais podem ouvir a partir deste link: http://www.fibracarbono.net/podcast/episodio-20-consideraces-estratosfericas.html

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Felix Baumgartner, um salto para o Espaço

Confesso que andei a tarde inteira de domingo com os olhos pregados ao meu computador portátil, a ver cada passo da aventura de Felix Baumgartner de fazer o salto mais alto de sempre com um paraquedas, tentando bater o recorde de Joe Kittinger, establecido 52 anos antes, tentando saltar a 120 mil pés, ou 36,5 quilómetros, acima da Terra, e tentando ser o primeiro ser humano a bater a velocidade do som, sem necessidade de qualquer aparelho para fazê-lo. E também queria ser o ser humano que ficou mais tempo em queda livre até alcançar o solo. 

Era uma aventura arriscada, mas muito bem delineada. Baumgartner, um austríaco de 43 anos, "Base Jumper" de profissão e de vicio, planeava isto há quase quatro anos. Com a benção de Kittinger, que fazia parte desta expedição e era ele que comunicava com Baumgartner, dando-lhe as instruções, elevou-se num balão de hélio, numa cesta pressurizada, numa ascensão que durou umas lentas duas horas e vinte minutos, até alcançar uma altitude de 38 quilómetros, mais 1500 metros do que inicialmente previsto, onde se preparou para despressurizar a cabina, desligar os fios, abrir a porta, elevar-se e saltar dali, rumo ao vazio, mais rápido do que o som.

Sabia que isto, a ser bem sucedido, não só bateria recordes de altitude, de velocidade e de queda, mas também ilustraria um "dia perfeito" para a Red Bull, a marca de Salzburgo que patrocinava esta aventura. Horas antes, o mundo tinha visto os seus carros de Formula 1 a fazerem dobradinha em Yeongam, com Sebastian Vettel e Mark Webber, e o alemão a ficar com o comando do campeonato, sabendo que à tarde, muitos deles iriam seguir, passo a passo através do seu canal no Youtube, a lenta ascensão do balão até à estratosfera e a rápida queda de Baumgartner até ao solo. 

Um dia perfeito, uma operação de marketing perfeita. E com um pico de cinco milhões de pessoas a visualizarem tudo em direto, tornou-se na emissão em direto mais vista de sempre por esse canal de video.

Mas indo para além da operação de marketing, eis a essência do feito, e essa é a parte que mais me fascina. Bater recordes, mesmo arriscando o pescoço, faz parte da natureza humana. Somos curiosos e os desafios foram feitos para ser superados. E foram esses desafios, impostos pela curiosidade humana ou pelo desafio da sobrevivência, nos fizeram evoluir desde o tempo das cavernas até aos dias de hoje. 

Os "impossíveis", que muitos gostam de dizer da boca para fora, servem mais para aqueles que se querem acomodar no seu canto. Para sair da "zona de desconforto" é preciso uma boa dose de loucura, no sentido de provar aos outros que é possivel. E quando se junta mais do que uma vontade, o resto vem por acrescimo, incluindo o dinheiro. Porque como disse George Mallory, em 1924, quando lhe perguntaram porque queria escalar o Monte Evereste, então um pico por conquistar, apenas respondeu: "porque está lá".

Portanto, vistas as coisas, adorei ver Felix Baumgartner a dar este grande passo. É isto que o fez sentir vivo, e nos faz acreditar mais que na capacidade do ser humano fazer coisas maravilhosas.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Noticias: Salto de Baumgartner marcado para domingo

Se tudo corer bem, o dia 14 de outubro poderá ser um grande dia para a Red Bull. O controlo de missão da Red Bull Stratos, em Roswell, no Novo México, anunciou esta noite que o salto de Felix Baumgartner, com a intenção de bater o recorde do salto mais alto de sempre, na estratosfera, irá acontecer este domingo, no inicio da manhã nos Estados Unidos, ou o meio da tarde na Europa. 

Depois de duas tentativas fracassadas, na segunda e na terça-feira, canceladas devido ao vento que se fazia sentir, a missão afirmou que uma nova tentativa será feita agora, para ver se o recorde de 52 anos, pertencente a Joe Kittinger - que faz parte desta missão - será batido. 

Coincidentemente, ou talvez não, isto vai acontecer poucas horas depois do Grande Prémio da Coreia do Sul. O que significa que pode ser um grande dia para a equipa de Salzburgo...

Para assistir a tudo, eis o site oficial do salto: http://www.redbullstratos.com/live/

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Youtube Red Bull Stratos: Na orla do Espaço


Deveria ter sido hoje, mas parece que vai acontecer amanhã devido ao mau tempo. Caso tudo corra bem, amanhã, pelas seis da manhã em Roswell, no Novo México, o saltador austriaco Felix Baumgartner, de 43 anos, saltará de uma gôndola e tentará bater o recorde de altitude, sendo a pessoa que saltou mais alto na história da humanidade, saltando a 120 mil pés, ou 37 mil metros.

O projeto chama-se "Red Bull Stratos", e a ideia é de bater o recorde de um americano, Joseph Kittinger, feito a 16 de agosto de 1960, no âmbito de um projeto militar por alturas do inicio da era especial. O "Projeto Excelsior", da Força Aérea Americana (USAF) tinha a ver com a segurança de pilotos que se ejectavam a alta altitude, através de saltos que simulavam essas ejeções.

Depois de uma primeira tentativa, em 1959, a 23.200 metros de altitude ter acabado quase mal, com Kittinger a ficar inconsciente devido às altas rotações da força G, a segunda tentativa, a 31.333 metros, corre melhor. Experimenta temperaturas de -70ºC, cai quase à velocidade do som, mas graças a paraquedas estabilizadores, o salto de treze minutos e 43 segundos corre bem e Kittinger, aparte de um inchaço na mão direita devido à ruptura de um selo de pressurização, está bem de saúde. Durante alguns meses, até que a União Soviética colocou Yuri Gagarin no Espaço, a 12 de abril de 1961, este foi onde um ser humano tinha estado mais alto.

O fato e uma réplica da gôndola estão neste momento no National Museum of the United States Air Force, e nessa gôndola lê-se "Este é o degrau mais alto do mundo". Veremos se Felix Baumgartner coloque esse degrau um pouco mais alto.