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quinta-feira, 16 de abril de 2009

5ª Coluna: Difusores e uma boa tarde de Páscoa

Como este foi um fim de semana onde não houve Formula 1 em pista, posso dividir o espaço com outras modalidades, o que até é bom, pois este é um blog automobilístico, e nunca de Formula 1, senão teria um nome como “Speeder Formula 1” ou algo assim… Mas mesmo assim, a categoria máxima do automobilismo é um assunto incontornável, ainda por cima num ano como este, onde a emoção se divide entre a pista… e a secretaria.


A FIA decidiu, está decidido!

O grande assunto desta semana era a história dos difusores traseiros da Brawn GP, Toyota e Williams. Ferrari, Renault e Red Bull tinham-os contestado no fim de semana de Melbourne, por acharem que eram ilegais, à luz da leitura que fizeram dos regulamentos. Os comissários negaram a reclamação e as três equipas recorreram, com a decisão a ser anunciada ontem. Mas os juízes da FIA decidiram imitar o mesmo “hobby” do seu chefe sado-maso e anunciou que iria adiar a sua decisão em 24 horas, para podermos especular e elaborar teorias da conspiração na Blogosfera. Sabendo-se que Mosley e Ecclestone andam este ano a sofrer de alguma doença bipolar, tudo era possível, mas no final, decidiram manter a mesma posição que os comissários australianos: os difusores são legais!


Obviamente, os vencedores rejubilaram e os perdedores reclamaram, mas na minha visão das coisas, digo que justiça foi feita. E porquê? Primeiro, porque uma instância superior confirmou uma decisão dos seus comissários, e que por causa disso, legitimou uma ordem nova, que virou completamente de cabeça para baixo a Formula 1, e que nos deu duas corridas plenas de emoção, como há muito não víamos, com um vencedor diferente, de uma equipa que há menos de um mês era dada como “morta”… E por outro lado, foi uma forma de Ferrari e Renault evitarem conseguir uma vitória na secretaria, que minorasse o facto de quão medíocres são os seus carros em 2009, pois seguiram um caminho que se verificou errado. Em suma, a velha frase de Colin Chapman se tornou verdadeira. Agora o meu conselho é: parem de choramingar e trabalhem nos vossos difusores!


E em termos de classificação, tudo fica na mesma. A Brawn GP e Jenson Button mantiveram a sua vitória e meia, e os Ferrari e Renault lá vão ter de voltar ao estirador para redesenhar as suas traseiras. Ainda vão sofrer em Xangai e Shakir, no Bahrein, mas veremos como será a reacção quando a Formula 1 chegar à Europa, no Grande Prémio de Espanha, senão antes…


“Motorsport is back to town!”


Sem Formula 1 no Domingo de Páscoa, tivemos A1GP na TV. E ainda por cima em Portugal! Finalmente o Autódromo de Portimão recebeu o primeiro grande evento internacional de uma época que promete ser cheia. Uma semana depois de Max Mosley ter ficado de boca aberta ao ver o nosso circuito, mais de 35 mil pessoas foram passar o fim-de-semana da Páscoa no Autódromo português, embora somente dez mil foram ver a corrida. Mas deu para encher a bancada principal… Corridas emocionantes, batidas a rodos, houve até uma corrida que acabou antes do seu termo, toda a gente elogiou a pista portuguesa, pelo facto de ser desafiante, algo que já não viam há imenso tempo. Em suma, é um “back to the basics”, mas com a segurança do século XXI. E não é “tilkiano”!


E pela primeira vez em quase três anos, via uma prova automobilística em sinal aberto, num canal de TV português. A SIC transmitiu em directo as corridas de Portimão, especialmente a Feature Race. Mas… que xaropada! O comentador habitual era pior que o Galvão Bueno, e a transmissão foi pobre, para não dizer miserável. Quem é a alminha que se lembra de fazer um intervalo para publicidade de sete (!) minutos a meio da corrida? A minha sorte pessoal é saber que a RAI Sport transmite as corridas em directo, e foi aí que vi o choque entre Vitantonio Liuzzi e Marco Andretti, e consequente entrada do Safety Car. Ridículo, para dizer o mínimo. O que salvou foi eles terem convidado o Pedro Couceiro, um piloto de automóveis, para a transmissão, e ele foi excelente.


Mas no final, a corrida valeu a pena. Suiça (Neel Jani), Irlanda (Adam Carrol) e Portugal (Filipe Albuquerque) foram os dominadores, embora a Holanda, com Robert Doornbos ao volante, deu um ar da sua graça quando ganhou a Sprint Race. Agora os três primeiros estão separados por seis pontos, e a corrida vai para Brands Hatch com tudo por decidir. Emoção não vai faltar, meus amigos!


E agora vamos para Xangai, palco do GP da China. Um circuito com fama de desértico (o governo distribui os bilhetes pela população local! Quem me dera que fosse assim por aqui…) e onde depois da decisão de Paris, os Brawn GP e Toyota são os naturais favoritos. Será que McLaren e Ferrari irão pontuar? E será que a Toyota quebrará o enguiço e ganha a sua primeira corrida? Uma coisa é certa: pela primeira vez este ano, a corrida será a horas decentes, quer no local, quer na Europa. Ao menos isso!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Noticias: Os difusores são legais

A FIA anunciou hoje no Tribunal de Apelo de Paris que os difusores da Williams, Toyota e Brawn GP são legais, confirmando a decisão emanada dos comissários de pista australianos. Assim sendo, a queixa de Ferrari, Renault e Red Bull, feita em Melbourne, foi rechaçada.


"O Tribunal de apelo da FIA decidiu negar os apelos submetidos (...) baseado nos argumentos ouvidos e nas provas apresentadas, este Tribunal entende que os comissários Desportivos procederam correctamente ao considerar os carros legais.", lê-se no comunicado.


Ross Brawn estava naturalmente satisfeito com a decisão: "Estamos satisfeitos com a decisão tomada pelo Tribunal Internacional de Apelo. Respeitamos o direito dos nossos concorrentes em questionar qualquer desenho ou conceito utilizado nos nossos carros, através dos canais disponíveis para os mesmos. O Departamento Técnico da FIA, os Comissários Desportivos do GPs da Austrália e Malásia e agora, cinco juízes do Tribunal Internacional de Recurso confirmaram a nossa convicção de que os nossos carros sempre respeitaram os Regulamentos Técnicos. Esta decisão do Tribunal de Apelo encerra este assunto e agora estamos ansiosos para regressar à pista para continuar os desafios tem sido muito estimulantes neste início de Mundial de Fórmula 1.", referiu Brawn, à saída do Tribunal de Apelo, em Paris.



Em claro contraste com a Brawn é a Ferrari, que reagiu à decisão por intermédio de Stefano Domenicalli: "Estamos à espera de saber as razões que levaram o TAI a rejeitar o apelo. Infelizmente, esta decisão força-nos a mexer em áreas fundamentais do nosso carro no sentido de podermos competir em igualdade de circunstâncias com as outras equipas do ponto de vista técnico, o que irá levar tempo e dinheiro", explicou. No entanto, o responsável italiano lança já o mote para todos dentro da marca do Cavalino Rampante: "Vamos duplicar os nosso esforços para colocar de novo a equipa no nível mais alto de competitividade".


Termina assim este capitulo pendente da Formula 1, referente aos difusores, especialmente o da Brawn GP, actual lider do campeonato. Agora resta às outras equipas deixarem de ser choramingas e trabalhar para apresentar os seus difusores, no sentido de recuperar o tempo perdido.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Noticias: Tribunal de Apelo decidiu... adiar para amanhã

Mais 24 horas de especulações, debates e teorias de conspiração. O Tribunal de Apelo em Paris decidiu esta tarde que só comunicará amanhã a decisão referente aos difusores da Toyota, Williams e Brawn GP, cuja legalidade foi contestada na Austrália por Renault, McLaren e Ferrari.

Caso os juizes confirmem com as decisões dos comissários de pista locais, as outras equipas terão que rapidamente redesenhar os seus fundos planos, no sentido de apresentar difusores semelhantes, no sentido de recuperar o tempo perdido nestas duas primeiras corridas do ano, ganhas por Jenson Button, da Brawn GP.

Contudo, caso o Tribunal declare a sua ilegalidade, é possivel que os pontos serem retirados às equipas que utilizam aqueles difusores. Caso isso suceda, o Mundial de 2009 leva uma grande volta, pois o novo lider passa a ser Fernando Alonso ao invés de Jenson Button. Mas também pode ser que se declare a ilegalidade, e se mantenham os pontos, tal como aconteceu no ano de 1978, após a vitória de Niki Lauda no GP da Suécia, a bordo do Brabham BT46B "Ventoinha". Mais um caso para apimentar uma temporada que mal começou, mas já é considerada como a mais polémica dos últimos 30 anos...

sábado, 28 de março de 2009

"Ferrari, Red Bull e Renault foram apanhados de calças na mão"

Quem fala assim não é gago. Nigel Mansell, campeão do Mundo de 1992, comentou hoje à Talksport acerca dos protestos elaborados por estas três equipas aos difusores da Toyota, Williams e sobretudo Brawn GP, que de acordo com eles, estão ilegais. Para Mansell, estes protestos são movidos por 'inveja' por não terem pensado nas mesmas soluções.

"O maior problema deles [Ferrari, Renault e Red Bull] é o de não terem pensado naquilo. A Williams fez um trabalho espantoso, tal como a Brawn GP e algumas outras equipas. As demais foram apanhadas de 'calças na mão' e não gostaram", referiu o britânico.

Sendo assim, não seria de admirar que elogiasse a decisão dos Comissários de pista australianos, que indeferiram os protestos destas três equipas, embora tenham recorrido ao Tribunal de Apelo da FIA, que irá decidir definitivamente no próximo dia 14. "Dou todo o crédito aos Comissários por dizerem que os carros estão dentro dos regulamentos e que não há nada de errado com eles. Mas se um daqueles carros vencer e os apelos forem aceites [no posterior Tribunal de Apelo], eles irão perder a corrida e será um início terrível para o que seria uma época fantástica", concluiu.

Sem papas na lingua, "Our Nige" ou "Red Five" não deixa de estar atento à actualidade... e de uma certa maneira, faz lembrar uma frase de Colin Chapman, acerca da sua maneira como interpretava os regulamentos: "As regras são para ser seguidas pelos estúpidos e interpretadas pelos inteligentes!" Ora nem mais...

terça-feira, 24 de março de 2009

Mais polémica a caminho!

Para além das polémicas de bastidores, temos mais outra polémica técnica, referente aos difusores. Boa parte das equipas do pelotão não gostou dos difusores apresentados pela Brawn Grand Prix e prepara-se para apresentar um protesto aos comissários de pista australianos, alegando que estão ilegais.




Como a FIA decidiu "lavar as mãos" acerca do assunto, pelo menos nestas primeiras provas, algumas equipas ameaçaram protestar, mas a Red Bull vai mesmo fazer, pelo menos formalmente. Helmut Marko, um dos responsáveis da marca, disse de sua justiça: "Está ilegal". O carro da Brawn, tal como os restantes do pelotão, vai ser escrutinado na quinta-feira perante comissários escolhidos pela FIA, mas a equipa austriaca justifica o protesto: "O difusor [da Brawn] garante uma vantagem de meio segundo por volta, e sete das equipas tem a certeza que [este difusor] é ilegal", concluiu Marko ao jornal italiano Gazzetta dello Sport.


De facto, as performences desta equipa incomodaram muita gente... mas a média é de um segundo por volta, esse meio segundo poderá manter os carros de Barrichello e Button na frente, não acham?