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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Explicar o fracasso da Faraday Future

Quem acompanha frequentemente o mercado automóvel, principalmente sobre a área elétrica, sabe que, apesar de ser ainda um nicho de mercado, é a que mais cresce neste momento. Só este ano - e a menos de dois meses do seu término - em Portugal se venderam cerca de 5700 automóveis, mais 1500 em relação a 2017. Mas isso tem condicionantes, e uma delas é que não se contabilizam ainda as vendas da Tesla. Logo, temos de pensar cerca de 150 automóveis, pelo menos.

O nicho alarga-se, e já se fala que este ano essas vendas poderão constituir cerca de cinco por cento das vendas totais, o que parece ser pequeno, mas é um marcado que dobra a cada ano que passa. E em 2019, provavelmente, poderemos ter dez mil carros vendidos, não ficaria admirado. E a razão é porque mais marcas entram nesse mercado: Jaguar, BMW, Mercedes, Hyundai, Kia, Volkswagen, Porsche... todos fizeram ou vão fazer carros elétricos, com baterias que poderão alcançar autonomias maiores, e tempos de carregamento mais velozes. E mesmo aqui, com os postos de carregamento a começarem a cobrar sempre que um carro para por lá e carrega a bateria - mas para encher pagam menos de dez euros, em contraste com os 60 de um depósito a gasolina - compensa muito mais ter um carro elétrico do que andar com os carros a gasolina e diesel. E vai compensar ainda mais quando as autarquias e governos começarem a vetar a passagem desse tipo de carros nos centros das grandes cidades europeias.

Mas o que quero escrever é que, mesmo com o sucesso da Tesla - este trimestre, apresentou enormes lucros - existirão fracassos mediáticos. Como o que vou falar agora, o da Faraday Future. A história é atribulada, é meias que certo, e já falei sobre ela no passado. Mas no final desta primavera, parecia haver uma esperança de "ressuscitação", graças à injeção de dois mil milhões de dólares da chinesa Evergreen Capital na empresa, para tentar levar para a frente o projeto da FF91, que até já tinha começado a construir os seus primeiros modelos de estrada. Contudo, nas últimas duas semanas, as coisas precipitaram-se.

Primeiro, a Evergreen deu o dito por não dito e cancelou a injeção dos dois mil milhões de dólares prometidos. Depois, a empresa começou a dispesar trabalhadores da sua fábrica de Hanford, na California, e na semana passada, três dos seus diretores, Peter Savagian, Nick Sampson e Dag Reckhorn, foram-se embora. Agora, segundo conta a Electrek, a fábrica vai fechar, provavelmente de vez.

Quem conhece a história da Faraday Future sabe mais ou menos do que se trata: fundada pelo chinês Jia Yueting, dono do grupo Le.com, basicamente era um projeto onde se tentava construir uma rival à Tesla. Foi fundada em 2014, a sua ideia era de construir carros de luxo elétricos. Mas sempre houve problemas desde o inicio, especialmente porque Yueting parecia querer construir tudo ao mesmo tempo e a sua expansão tinha ido longe demais. E sempre houve desconfianças desde o inicio. E o FF91, que apareceu em 2016, não as apagou. Quando Yueting ficou sem dinheiro e as autoridades locais começaram a fazer perguntas - o seu império desmoronou em 2017 e ele se exilou na California - ele vendeu a sua parte na Faraday para a Evergrande. Só que este verão, ele processou-os por "quebra de contrato". E daí, estes últimos deixaram de injetar dinheiro na Faraday, para chegarmos a este ponto. 

Não ficaria admirado se a firma declare falência nas próximas semanas e feche as portas, para depois comprem em leilão as instalações, os carros e a tecnologia para depois montar outra marca por cima desta. Foi o que fizeram com a Fisker quando faliu e dali, uma firma chinesa a comprou, fundando a Karma, usando os projetos da firma anterior.

E ainda há mais marcas que, discretamente, andam a construir os seus carros elétricos para mais tarde venderem, como a Lucid Motors, a chinesa NIO ou a sueca Uniti, entre outros.

Porque, se formos a ver, esta situação não é mais do que uma má gestão de uma "startup". O seu produto é bom, e pelo que se vê de outras marcas - as vendas da Tesla, graças ao seu Modelo 3, ultrapassaram as da BMW nos Estados Unidos - logo, outras marcas poderão querer imitá-la. E não falo só das "startups", falo também das marcas de automóveis, estabelecidas há mais de um século, e tem de abraçar o elétrico sob pena de não terem futuro.

E para a Faraday, o futuro parece que terminou.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Youtube Electric Presentation: O ressuscitar da Faraday Future

Toda a gente sabe sobre a ascensão dos carros elétricos, especialmente da Tesla, que com apenas três modelos, está a mostrar ao mundo que os carros deste tipo não só são absolutamente viáveis, como em pé de igualdade com os motores de combustão interna (MCI) são capazes de os bater sem apelo nem agravo, especialmente por causa da potência que têm disponível desde o primeiro metro - daí terem melhores arrancadas que os MCI's.

Contudo, a Tesla abriu o caminho de tal forma que deu de anos de avanço em relação à concorrência, e esta só agora é que reage. Sabemos na Renault e Nissan, que tem carros pequenos e acessiveis - o Nissan Leaf/ Renault Zoe - e a BMW tem o i3, mas não há muito mais. E muitos dos "startups" ainda vão demorar muito até ter no mercado um modelo elétrico para o consumidor, embora de tantos que ando a ver, não ficaria admirado se dentro de cinco anos, o mercado esteja a receber boa parte deles, especialmente os construtores chineses, que apostaram tudo nisto, graças aos incentivos governamentais.

E isso até faz ressuscitar marcas que estavam prestes a morrer ou estavam mortas. A Fisker estava a par da Tesla, com o seu Karma, no inicio da década, mas falhou. Agora, os chineses compraram os bens e ressuscitaram, com o... Karma. E a Faraday Future, uma startup californiana com capital chinês, estava em dificuldades em meados de 2016, depois de ter lançado o FF91, e muitos diziam que ia a caminho da falência, parando de construir a fábrica que tinha arranjado no estado do Nevada, gozando até com o seu nome, chamando-a de "Faraday Past".

Pois bem, a Faraday Future pode estar a caminho de ser ressuscitada. O modelo FF91 continuou a ser desenvolvido, enquanto foi injetado quase mil milhões de dólares na empresa, vindos da China - arranjados através da Evergrande Health, parceira da companhia, para além de Jia Yueting - suficiente para que nas últimas semanas se tenha começado a construir os primeiros modelos de produção nas instalações que arranjaram em Hanford, na Califórnia. Ou seja, já passaram do protótipo para a fase seguinte, mas ainda não são os modelos de comercialização. O video está em cima, caso queiram ver.

O carro poderá demorar mais um ano, um ano e meio para ser comercializado, e será caro. Fala-se de cerca de 120 mil dólares cada modelo, mais caro que um Tesla Model S e o equivalente a quase quatro Model 3 básicos. Tudo isto numa altura em que a concorrência não pára. Sabemos do Jaguar I-Pace, e a Mercedes mostrou hoje o seu primeiro modelo totalmente elétrico, o SUV EQC, e ambos apontam para preços perto do Tesla Model X, cerca de 75 mil dólares. Se só por aí, já ganham alguma coisa em relação à Faraday Future, estes tem de pensar em construir um modelo mais acessível, se quiserem sobreviver a este novo "far-west". É que SUV's elétricos vão ser como são os hipercarros agora: demasiados modelos num mercado muito pequeno.

Veremos no que irá dar. É verdade que quando as coisas nascem tortas, tarde ou nunca se endireitam, mas este mercado está a mostrar ao mundo que os projetos, por muito desesperadores que sejam, estão a ser recuperados e tem muita chance de vencer na vida. 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Os rivais da Tesla

Que agora há uma corrida para construir carros elétricos, é uma realidade. E o mais interessante no meio disto tudo é que a Tesla pode ser a máquina que puxa muitos para construirem os seus modelos, mas também mostra que há novos protagonistas nesta competição. E o maior deles é a China, que está a investir imenso para construir novas marcas e carros que sejam capazes de construir modelos e baterias suficientemente boas para prolongar a autonomia destes automóveis. 

Mas nem tudo são rosas. Se a NIO (ex-Nextev) pode anunciar que conseguiu angariar mil milhões de dólares para construir um modelo SUV para a China, e a Xiaopeng Motors decidiu também fazer um modelo usando as patentes libertadas pela Tesla em 2014, já a Faraday Future está na mó de baixo, depois de ver vários executivos de topo abandonarem a empresa, incapazes de resolver os problemas.

Primeiro, a Xiaopeng. Quando em 2014, Elon Musk decidiu liberalizar as patentes que permitiram construir os modelos da Tesla - Roadster, S, e e agora o Model 3 - a ideia era de que aparecessem novas marcas como cogumelos um pouco por todo o mundo. Demorou um pouco, mas a China, com reputação de construir modelos que imitam as outras marcas, mostrou a primeira que usa toda a tecnologia construída e desenvolvida pela construtora americana. Trata-se da Xiaopeng Motors, que decidiu construir um SUV, recorrendo a alguma da tecnologia das patentes colocadas em open source. Contudo, os responsáveis da Xiaopeng não revelam quais.

Sem contar com a secção dianteira, o Xiaopeng modelo beta tem um design bastante convencional. Em termos de performances, a marca chinesa anuncia uma autonomia de 300 km, com uma versão de motor e tração dianteira, e outra com um motor para cada eixo e tração integral, capaz de atingir os 100 quilómetros por hora em 5,8 segundos. A Xiaopeng espera ter o modelo disponível em 2019.

Ao mesmo tempo, também na China, a NIO anunciou que conseguiu juntar mil milhões de dólares vindos de fundos financeiros como a americana Lone Pine Capital e a chinesa CITC capital. Para além disso, a Tencent, que tem uma participação minoritária na marca, também está a investir na startup. E também já disse que iria fazer um SUV em 2018, o ES8, para além de construir dez cópias do seu supercarro, o EP9, e aumentar o seu investimento na Formula E, onde tem a sua própria equipa.

Enquanto que as coisas parecem que estão de vento em popa em paragens chinesas, noutros lados, as coisas não andam lá muito bem. Toda a gente sabe que as coisas na Faraday Future não andam bem, apesar de terem mostrado um carro no inicio do ano em Los Angeles, o FF91. Esta semana, soube-se que o seu diretor financeiro, o alemão Stefan Krause, que esteve na BMW, abandonou a marca depois de sete meses de trabalho. Contudo, a marca disse que o abandono seria efetivo no final do mês de novembro,  só que na realidade, Krause não trabalha na Faraday Future... desde o dia 14 de outubro. 

Krause estava na marca desde março e o seu objetivo era de angariar capital para fazer avançar o seu projeto. A ideia seria de arranjar até mil milhões de dólares, mas muitos dos potenciais investidores queriam que isso implicasse a saída de Jia Yueting, o homem por trás da marca. Contudo, tal foi recusado e os objetivos não foram alcançados.

Assim sendo, Krause e mais alguns executivos de topo decidiram abandonar a marca, numa altura em que circularam bastante durante o verão rumores de um eventual pedido de falência, especialmente nos meio de comunicação chineses. Segundo se fala, o plano de recuperação e proteção de credores - o famoso Capitulo 11 - fala de 150 milhões de dólares vindos de novos investidores para fazer andar a companhia, mais 130 milhões para pagar aos credores, em troca de assumirem o controlo da marca.

Uma coisa é certa: eles já abandonaram os seus planos de construírem uma fábrica no Nevada, um projeto de mil milhões de dólares, e um tribunal chinês congelou 182 milhões de dólares em ações por parte de Jia, depois de falhar vários pagamentos de empréstimos pedidos por ele para fazer avançar o projeto da Faraday.

É verdade que a Tesla já está muito à frente, e o Modelo 3 poderá ser a marca que poderá mudar o panorama dos carros elétricos em todo o mundo. E as restantes marcas querem já avançar para esse mercado emergente, especialmente a China, que quer ser um ator importante no setor automóvel. E se conseguir aproveitar a nova onda elétrica, poderá superar Estados Unidos e Europa nesse quesito. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Este carro vai salvar a Faraday Future?

Depois de muitas especulações sobre o futuro da Faraday Future, o consórcio sino-americano que pretende construir carros elétricos - e autónomos - e das duvidas que existem sobre se há dinheiro para construir a fábrica que estão a fazer no estado do Nevada, entre outras coisas, a marca por fim apresentou o seu novo carro, o FF 91 (lê-se nove um e não novente e um, dizem eles)

O carro foi apresentado no CES (Consumer Electronics Show) em Los Angeles, na madrugada de terça para quarta-feira, e é basicamente a mistura de um SUV com uma berlina de luxo. A ideia é produzi-lo em 2018, mas já abriram encomendas para o modelo. Eles reclamam de uma aceleração de 0 aos 100 em meros... 2,5 segundos (!) e prometem fazer baterias de alta densidade com autonomia até 700 quilómetros. O sistema, com baterias colocadas ao longo do automóvel, apresenta uma potência que poderá ir até aos mil cavalos, e as baterias podem ser carregadas na sua totalidade em menos de quatro horas.

O habitáculo tem grandes dimensões, as portas são em forma de portão, que garantem um acesso fácil ao interior, tem bancos traseiros reclináveis e ajustamentos para otimizar o espaço para as pernas e apoio lombar, bem como funções de massagem, aquecimento e ventilação. Há  um tejadilho panorâmico em cristais líquidos, que pode se tornar transparente ou opaco conforme as necessidades dos ocupantes.

E então? No papel, é um concorrente sério do Tesla, e nesse campo, os engenheiros fizeram um bom trabalho. Mas também o Fisker Karma parecia ser um concorrente sério ao Tesla Modelo S e entrou em falência em 2014, e agora tenta reerguer-se como Karma, e com dinheiro... chinês. Contudo, ao ler as impressões que os jornalistas do Jalopnik tiveram quando foram à apresentação foi que há dúvidas por esclarecer. Não foi mostrado o interior, a tentativa de fazer uma demonstração de estacionamento autónomo foi um fracasso embaraçante, e tudo indica que aquele carro não é um modelo pronto para a produção. Claro, eles dizem que o carro estará à venda em 2018, mas a Tesla fez apresentações semelhantes no passado, com os seus modelos (o X e o 3) e todos puderam ver todos os aspectos desses modelos.

E isso não ajuda muito aos recentes rumores de que não há dinheiro para desenvolver tudo aquilo que a marca anda a fazer. Há salários em atraso, membros da equipa - engenheiros a diretores - que estão a abandonar o barco porque... o dinheiro acabou, e a fábrica que deveriam estar a construir no Nevada está parado desde meados de dezembro.

Este carro é capaz de ter chegado demasiadamente tarde.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O futuro sombrio da Faraday Future

Falei há umas semanas sobre a Faraday Future, uma firma americana que pretende construir automóveis elétricos e ser a concorrente da Tesla num futuro próximo, bem como o seu financiador chinês e como a falta de "cash flow" fez com que o seu futuro ficasse em dúvida, apesar de dizerem que estão a desenvolver um modelo de estrada para ser apresentado no inicio do mês que vêm em Los Angeles.

Pois bem, há uns dias, o Jalopnik anunciou que um representante do governo do Nevada, estado onde a fábrica da Faraday Future está a ser construida, afirmou estar convencido de que o financiador deste projeto "está falido". "É claro que o senhor Jia não tem mais dinheiro", disse Dan Schwartz, secretário do Tesouro do Nevada, numa entrevista ao jornal chinês China Daily.

"Os projetos em que Jia investiu, inclusive na China, parecem muito difíceis para ele possa concretizar pessoalmente perceber", começou por dizer.

"Se você olhar para a Leshi (uma das formas do conglomerado LeEco), ele tem cerca de 6  mil milhões de dólares em receita, mas tem um lucro liquido de apenas 50 milhões. Essa margem de lucro é de menos de um por cento... as lojas de supermercados fazem entre dois a três por cento", disse Schwartz.

"Está claro que Jia não tem dinheiro, está claro que Leshi não está a ter lucro. Essa é a razão da minha preocupação", concluiu. E as obras na fábrica já estão paradas há alguns dias, depois de ter falhado um pagamento de 21 milhões de dólares.

Para piorar as coisas, os membros da equipa apostam tudo neste novo modelo: caso a recepção seja "fria", eles terão os dias contados. "Se a CES (Consumer Electronics Show) nos correr mal, está tudo acabado. Irá demorar muito tempo até termos um carro pronto para a produção", contou este insider à Jalpopnik.

Parece a Lei de Murphy: tudo o que pode correr mal, irá acontecer.

A história da Faraday Future já foi dita por aqui anteriormente: um esforço de conjunto por parte de antigos empregados da Tesla, mais o financiamento por parte do multimilionário chinês Jia Yueting, dono da LeEco, para construir uma firma que complementasse a Tesla no mercado dos automóveis elétricos. Contudo, no inicio do ano, apresentaram um protótipo futurista que de funcional... não tinha nada, causando enorme decepção e colocando duvidas sobre a sua viabilidade, apesar de seguir em frente com a construção de uma fábrica no Nevada.

Na China. Yueting é conhecido pelos seus investimentos nos carros autónomos e na construção do equivalente chinês do Netflix, com sucesso. Contudo, a sua apetência para estar no maior número de mercados possivel em tão pouco tempo (dez anos antes, ele era um mero... trabalhador dos impostos) fez com que tivesse problemas de liquidez. Um caso típico de ambição...

Veremos como vão ser as coisas nas próximas semanas, mas não estou muito optimista. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Faraday Future, o concorrente da Tesla

O sucesso da Tesla mostrou que os automóveis elétricos será um futuro do qual poucos se atrevem a contrariar. Mas não houve, ainda agora, outras marcas que estejam dispostas a concorrer com a marca californiana fundada por Elon Musk. Para além das marcas ditas tradicionais - que agora começam a construir modelos elétricos, como a Jaguar, Renault, Nissan, Volkswagen e outros - não houve até agora outras marcas de automóveis elétricos capazes de se erguer do zero e acompanha a Tesla nesta revolução. Houve a Fisker, mas esta faliu em 2013, para agora ressuscitar este ano (como Karma) com capitais chineses.

Contudo, desde 2015 que se fala de um potencial concorrente à Tesla. É também californiana, tem capitais chineses e está a construir uma fábrica gigantesca, embora mais pequena que a Tesla. Contudo, há dúvidas e confusão sobre quem são e quem irá dar a cara por eles, e enquanto não lançarem o seu primeiro carro comercial, algures em janeiro, haverá mais dúvidas do que certezas. Falo da Faraday Future.

Fundada em 2014, a sua sede é em Gardenia, na California, e tem cerca de mil empregados. Até agora, anunciou que ia investir mil milhões de dólares na construção de uma fábrica no estado do Nevada, do qual já arrancaram as obras para a sua construção. Entretanto, estão a desenvolver um veículo que anunciam ser o "anti-Tesla", um "crossover" semelhante ao Model X que poderá ter até 15 por cento mais potente do que o Tesla Model S. Para além disso, tem andado a investir na Dragon Racing, na Formula E, que adotou o nome da companha.

Contudo, o seu percurso está chgeio de polémicas. No inicio do ano, a Faraday Future apresentou um "concept" de mil cavalos, um supercarro elétrico cujo desenho faz lembrar o Batmobile dos anos 60. Essa apresentação causou controvérsia, por causa da expectativa sobre o carro, do qual julgavam que seria um carro para competir com o Tesla Model S. E causou ainda mais dúvidas sobre o que seria o projeto Faraday Future.

Desde que se soube do projeto, começou-se a ver quem seriam os seus financiadores. Um deles é a chinesa LeEco, cujo fundador e presidente é Jia Yueting (na foto). O conglomerado de empresas não investe só nos automóveis, como também noutras áreas como o as comunicações móveis e este ano, adquiriu a Vizio, um fabricante de artigos eletrónicos. Contudo, Yuteng, de 43 anos, parece estar numa espécie de "shopping spree" e pode ter avançado mais no passo do que na perna. No passado dia 7 de novembro, admitiu, numa carta aos seus empregados, que houve uma quebra nas receitas devido à exagerada velocidade dos seus investimentos, e por causa disso, a sua fortuna pessoal caiu cerca de 150 milhões de dólares. E que até ao final do ano, estaria disposto a receber apenas "1 yuan", ou 15 cêntimos de euro, até que se resolvam os problemas de liquidez e modere a velocidade de expansão das suas empresas para fora da China.

E o que tem a ver com a Future Faraday? Tudo. Yueting e a sua LeEco apresentaram em abril a LeSEE, um carro autónomo e até agora, tinha arranjado investimentos na ordem dos 1.08 mil milhões de dólares para o seu desenvolvimento. Esse carro seria desenvolvido na California, nas instalações da Faraday - ou pelo menos, com a tecnologia da Faraday - e desde há muito se fala das dúvidas sobre a viabilidade desse projeto como sendo mais um dos projetos demasiado ambiciosos de Jia. Meses antes, em abril, Wang Zheng, analista financeiro de Xangai, advertia para que evitassem as ações da LeEco, enquanto que outro analista dizia que a empresa iria ter problemas de liquidez num futuro próximo.

E quando aconteceu, todos esses problemas vieram à superfície. Uma das consequências é que as obras na fábrica do Nevada foram interrompidas, até que consigam pagar 300 milhões de dólares de garantias para a continuação do projeto.

Em muitos aspectos, o projeto do carro de estrada da Faraday Future tornou-se algo crucial para o sucesso do projeto, sob pena de ser outro Fisker. As desconfianças e o cepticismo são muitos, e as mais recentes noticias fazem ainda perigar mais o projeto. Resta saber se o carro for um sucesso e possa gerar um volume de encomendas suficientemente grande para cobrir as despesas de produção. E numa altura em que há uma enorme procura por carros elétricos - pode-se ver na lista de dois anos de espera que a Tesla tem para o seu modelo 3, o mais barato do marcado - ter mais um ou dois projetos viáveis, para mostrar carros baratos e funcionais, para fazer a transição para um mundo pós-combustivel, seria o ideal.

Contudo,  o projeto da Faraday Future apresenta neste momento mais dúvidas do que certezas.