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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Vende-se: Porsche 917K de 1970


Este não é um Porsche qualquer: é o carro que Steve McQueen usou para filmar "Le Mans", no verão de 1970. E quem está a vendê-lo para que outos possam disfrutar? Nada mais, nada menos que Jerry Seinfeld, o comediante que adora carros.

Identificado pelo chassis n.º 917-022, será leiloado pela Mecum Auctions em Kissimmee, na Flórida, no próximo dia 18 de Janeiro de 2025, e poderá ser dos carros mais caros da história do automobilismo. Isto porque em 2017, outro 917K foi vendido por 14,08 milhões de dólares.

A história é simples: construído em 1969, foi comprado pela Solar Productions para a produção do filme, e ainda tem os suportes para colocar as câmaras para as filmagens. Quando esta terminou, foi para a Joest, onde correu em 1971, nas mãos de gente como Jo Siffert. Em 1975, caiu nas mãos de Brian Redman, outro piloto de automóveis, por 15 mil dólares, que depois foi adquirido por outro piloto, Richard Attwood - vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1970, com Hans Hermann - ficando na sua posse por cerca de duas décadas. 


Seinfeld entra em cena em 2001 quando compra o carro a Attwood, por um valor não divulgado, mas antes de o vender, decidiu restaurar à condição original pela Cavaglieri Restorations e pela Ed Pink Racing Engines. Não só a pintura foi restaurada integralmente, como o motor de 5 litros foi reconstruído para um estado de funcionamento. 

O leilão atrairá não só os amantes do automobilismo, como também atrairá os fãs de McQueen, um dos "sex symbols" da sua geração e considerado o "rei do cool", que morreu em outubro de 1980, aos 50 anos de idade. 

domingo, 15 de setembro de 2024

A imagem do dia



Ser filho de ator faz com que muitas vezes siga os passos do pai. Então, quando os pais são atores, pior ainda. Mas há quem escape dos pingos de chuva e seja feliz na profissão dos pais, criando aquilo que acaba por ser chamado de dinastia. 

Contudo, ser filho de ator, nem sempre traz coias más. No verão de 1970, Chad McQueen, então com nove anos, foi a França ter com o pai, que estava nas filmagens de "Le Mans". O jovem, filho de Steve McQueen e de Neile Adams, via as bombas que corriam no circuito de La Sarthe e começava a apaixonar-se pela coisa. Porsches, Ferraris, Alfa Romeos... no final, o pai montou uma competição num mini-circuito e ele acabou por vencer. 

Mas o que era importante acontecia no final do dia, quando as filmagens acabavam, ele ia regressar para os alojamentos, num dos 917, à boleia do pai. Ele disse que esses eram dos poucos tempos de qualidade que teve com o pai, uma pessoa que por fora, poderia ser o rei do "cool", mas por dentro, era uma personalidade difícil de lidar, atormentado por um passado onde, a certa altura da juventude, passou num reformatório e do qual apenas o cinema foi o seu escape de uma vida de crime, por exemplo. 

Anos depois, descobriu-se que esse foi um verão difícil. As filmagens ficaram fora de controlo, o filme foi um fracasso nas bilheteiras (mas um clássico de culto), o casamento ruiu - o pai casaria mais duas vezes até morrer, dez anos depois - mas certas coisas ficaram nele. Especialmente o automobilismo.

Chad McQueen seguiu as pisadas do pai. Nos anos 80, teve um papel secundário no filme "Karate Kid", mas foi o automobilismo que o levou a seguir a sua carreira. Correu nas Bajas, especialmente na Baja 1000, em motos, mas também na IMSA, onde sofreu um acidente feio em 2006, enquanto treinava para as 24 Horas de Daytona, onde ficou ferido numa perna e fraturou algumas costelas. Decidiu largar o volante e passar a gerir uma equipa, e de uma certa forma, tentar ter uma vida mais calma. Casou-se duas vezes e o seu filho mais velho decidiu ser... ator. Quanto a ele, montou uma firma ligada ao automobilismo e de uma certa forma, vivia o legado do pai. Pelo menos na parte das quatro rodas e um volante.  

Esta sexta-feira soube-se que Chad McQueen morreu, aos 63 anos de idade. Tinha sofrido uma queda séria em 2020 e nunca recuperou totalmente dos ferimentos.    

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

O remake será melhor que o original?

"Bullit" é um dos filmes que marcam Hollywood. Estreado em 1968, o policial - poucos sabem o estilo de filme! - com Steve McQueen, Robert Vaughn e Jacqueline Bisset nos principais papéis, onde um polícia de São Francisco, de seu nome Frank Bullit, tenta saber se há ou não corrupção dentro da corporação onde trabalha.

Este foi um dos filmes que solidificou a reputação de McQueen como "Mr. Cool". Camisola de gola alta, a andar num Ford Mustang "fastback" verde-escuro, contra um Dodge Charger negro, o carro dos maus da fita, numa perseguição realista pelas ruas e estradas a volta de São Francisco. E a reputação foi tal que se pensava que os Mustang usados no filme tinham sido perdidos por mais de 40 anos, quando na realidade... um estava perdido numa sucateira no México, e outro estava guardado numa garagem no Kentucky, do qual o dono não o vendeu por preço algum, nem quando McQueen "himself" o quis comprar, em 1977.

55 anos depois, "Bullit" continua a ser um grande filme, ao ponto de agora, poder haver a chance de ser feito um "remake", com Steven Spielberg e Bradley Cooper no projeto. Um a realizar, outro como ator. O projeto está a ser falado desde 2019, sabendo-se que eles já deram o "sim" ao projeto, mas não se sabe em que ponto é que isto está, em termos de desenvolvimento.

Agora que se sabe disto, a grande pergunta é esta: será que vale a pena?

São poucos os filmes dos anos 60, dos tempos do Technicolor e do Cinerama, que resistiram ao teste do tempo. E para os fãs de automóveis, muito poucos são. Talvez "Grand Prix" e "Le Mans" - este último produzido por McQueen, para além de ter sido ator - sejam dos filmes que os fãs mais gostam. "Easy Rider" também é outro grande filme desse tempo, logo, qualquer remake tem um calçado muito grande para preencher. E claro, os fãs serão extremamente exigentes: tem de ser muito melhor, e isso é um feito raro na história do cinema, para ser honesto. Mesmo com gente tão prestigiada com a que foi falada.

E claro, para finalizar, deixo aqui a cena que marcou a história do cinema: a perseguição automóvel nas ruas de São Francisco.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

A imagem do dia


Em 1971, Le Mans estava no centro do universo graças a Hollywood. E eles tinha conseguido atrair o ator mais na berra no momento, porque era um apaixonado da velocidade. Mas a sua visão do que seria o seu filme não foi entendida por aqueles fora dos entendidos, por não ter uma história convencional, por exemplo.

E pior: Le Mans foi o fim da história para a sua produtora. Mas hoje em dia, é um clássico de culto.

Em 1969, Steve McQueen estava a colher os loiros de "Bullit", onde fazia um policia duro mas honesto, mas sobretudo ficou conhecido pelas suas cenas de perseguição automóvel, inéditas até então e se tornaram marca. E o Ford Mustang 350GT verde entrou na imaginação de toda uma geração, como sendo o "Mr.Cool". E claro, McQueen queria fazer um filme de automobilismo desde 1965, com o seu amigo John Sturges.

Como já expliquei anteriormente, ele chegou a competir nas 12 Horas de Sebring ao lado de Peter Revson, e tentou entrar nas 24 Horas de Le Mans, correndo num 917 ao lado de Jackie Stewart, mas a seguradora disse "não". As filmagens duraram dois meses e meio e descarrilaram. O filme esteve prestes a terminar antes de começar, porque todos andaram a brigar, o filme atrasou-se, descarrilou, e para piorar, McQueen tinha os seus dramas pessoaos: o casamento com Nellie Adams estava a chegar ao seu final, com ambos cada um a terem as suas "facadinhas" no casamento, e tinha descoberto que Charles Manson o queria matar, numa altura em que já tinha acontecido o homicídio de Sharon Tate, em julho de 1969.

No final, os executivos da Solar Productions e o estúdio chegaram a acordo para controlarem o filme, Sturges foi-se embora e para o seu lugar foi chamado Lee H. Katzin, um realizador televisivo, que mais tarde realizou o primeiro episódio de "Espaço:1999". Ele conseguiu levar as filmagens até à sua conclusão, e depois foi montado para ser estreado em junho de 1971. Contudo, dos 7,5 milhões de dólares gastos, apenas conseguiram ter 5,5 milhões de receitas na América do Norte. Em suma, não foi um sucesso. E McQueen não quis mais saber do filme - nem foi à estreia - e não quis saber mais de automobilismo.

Contudo, com o tempo, e especialmente depois da morte de McQueen, em novembro de 1980, o prestigio subiu bastante, e os seus filmes ganharam estatuto de culto. E Le Mans não escapou a esse aumentar de prestigio e ser descoberto pelas novas gerações. E a frase "Racing is life. Everything that happens before or after is just waiting." (Automobilismo é vida. Tudo que acontece antes ou depois é meramente uma espera.) tornou-se numa das mais conhecidas do cinema.

Youtube Motoring Documentary: Filming at Speed

Faz agora meio século que se estreou nos cinemas o filme "Le Mans", com Steve McQueen como protagonista. O que os mais entendidos sabem - e o senso comum desconhece - é que isto é o resultado de uma obsessão. Mais do que McQueen ser um fã de automobilismo e motociclismo, ele andou por mais de meia década a querer fazer um filme com quatro rodas e um volante. Começou primeiro com o "The Day of a Champion", que a Warner Brothers apoiou até um certo ponto, até que John Frakenheimer decidiu realizar "Grand Prix" e se tornar no padrão que Hollywood marcou quando falariam sobre automobilismo.

Em meados de 1969, McQueen esteve em Le Mans para ver a edição das 24 Horas daquele ano, e preparar-se para o filme com a sua produtora, a Solar Productions. No ano seguinte, após a realização das 24 Horas desse ano, ele e mais uma dúzia de pilotos, desde Derek Bell e David Piper, passando por Pedro Rodriguez, Jo Siffert e Jonathan Williams, estiveram em La Sarthe para fazer as cenas, andando em carros da Porsche e da Ferrari. E ele, claro, chegou a se inscrever para as 24 Horas de Le Mans... de verdade, com Jackie Stewart como parceiro. Quando a seguradora ameaçou retirar o seu prémio, a ideia de ele correr como piloto caiu por terra.

Neste documentário de 25 minutos, apresentada pelo seu filho Chad McQueen, fala sobre o que foi este filme, e as suas dificuldades. 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

A imagem do dia


Acho que a melhor coisa que há por aí, em temos de revistas, é a Motorsport britânica. Mas o segredo do sucesso é simples: eles apostam no passado, logo, não se admirem que a esmagadora maioria dos seus leitores são homens maduros, já idosos, que querem recordar eras que já não regressam. 

Dito isto, a próxima edição da revista em "British Racing Green" tem uma bela história do qual já contei por uma vez, pelo menos: "The Day of the Champion", com Steve McQueen. Nunca ouviram falar? Claro, porque esse filme nunca existiu. Mas esteve muito perto de acontecer, e poderia ter sido estreado antes de "Grand Prix". A foto que coloco aqui é McQueen com o realizador John Sturges, que tinha filmado com ele "A Grande Fuga", nas oficinas da Alan Mann, em 1965.

E a grande razão pelo qual a revista fala sobre ele tem a ver com a descoberta de alguns dos rolos que foram entregues à produtora, e entre eles, os do GP da Alemanha de 1965, que foram filmados por John Frankenheimer para o "Grand Prix" e por causa de clausulas contratuais, tiveram de ser entregues a Sturges. E com esses rolos, foi feito um documentário de seu nome "Steve McQueen: The Lost Movie", que será colocado no ar dentro em breve.

O argumento era simples: um piloto que encarava aquela que poderia ser o seu momento decisivo para ser campeão do mundo, num desporto que como todos sabem, era perigoso, mesmo mortal. A ideia era para ser filmado em 1966, mais ou menos na mesma altura em que Frankenheimer rodava "Grand Prix". 

Aliás, a escolha inicial era que a personagem Pete Aron fosse interpretada por McQueen, mas não conseguiram, e no seu lugar veio James Garner, que ficou hipnotizado pelo automobilismo. E curiosamente, McQueen e Garner... eram vizinhos e bons amigos pessoais.

Contudo, McQueen estava a filmar no final de 1965 o "The Sand Pebbles", que lhe deu a sua única nomeação para o Oscar como ator principal, e as coisas atrasaram-se tanto que no final, o filme acabou por ser cancelado. E com "Grand Prix" a levar a melhor, sendo um sucesso de bilheteira e ganhamdo três Prémios da Academia de Hollywood, todos em categorias técnicas. E quanto a McQueen, foram precisos mais cinco anos até o vermos ao volante de um carro, em Le Mans, noutro filme cujas rodagens foram bem atribuladas, quase o arruinando.

Mas mesmo assim, Frankenheimer não ficou satisfeito com o sucesso. Anos depois, disse numa entrevista: “Ainda acho que se tivéssemos Steve McQueen naquele filme, teria [sido] maior que Tubarão”.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Vendido! E o relógio custou...


Há umas semanas, a 23 de novembro, falei sobre a venda em leilão de um raro Le Mans Heuer que pertenceu a Steve McQueen e fez parte do filme "Le Mans", e que no final das filmagens foi oferecido ao mecânico-chefe, agradecendo-o por ter "ajudado a sobreviver" às filmagens, que aconteceram no outono de 1970. Pois bem, o leilão já aconteceu e o relógio foi arrematado por... 2,2 milhões de dólares. Um recorde em termos de relógios da marca suíça, porque se esperava que iria ser vendido por um valor dez vezes mais baixo.

O relógio "é o tal" que é visto quer nas publicidades do filme, quer nas cenas mais interessantes. E claro, o seu formato quadrado, invulgar na altura, ajudou a consolidar a magem de McQueen como o "rei do cool", numa altura em que se passaram 40 anos sobre a sua morte, no passado dia 7 de novembro, aos 50 anos de idade. Apesar de ser "o tal", não foi o único, porque outro dos relógios Heuer usado no filme foi vendido em 2012 por 650 mil dólares, num leilão em Hollywood.

Para quem não sabe, o filme estreou-se em 1971, com mau resultado na bilheteira, mas com o tempo se tornou num filme de culto para os fãs de automobilismo e do próprio ator norte-americano.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Vende-se: Relógio usado em "Le Mans"


Os relógios são um bem comum, mas quando são feitos com luxo e requinte, tornam-se objetos de desejo. Especialmente, quando aparecem num filme de culto. Cinquenta anos depois de ter aparecido no pulso de Steve McQueen, o Heuer Monaco que foi isto no filme "Le Mans" irá a leilão no próximo dia 12 de dezembro, e poderá valer... meio milhão de dólares.

O relógio foi desenhado pessoalmente por Jack Heuer, descendente do fundador da marca, e foi escolhido pessoalmente pelo ator, podemdo ser isto quer nas cenas do filme, quer na publicidade estática. Contudo, não foi o único Heuer Monaco que foi usado: outro exemplar foi vendido em 2012 num leilão em Los Angeles por 650 mil dólares.

O exemplar em questão foi pferecido por McQueen ao mecânico Haig Altouin no último dia de filmagens, no final de 1970. Anos depois, no documentário "Steve McQueen: The Man & Le Mans", o mecânico recordou o que ele disse quando ofereceu o relógio: "Obrigado por me manter vivo durante todos estes dias." Ele queria recusar o presente, mas o relógio já dinha a decdicatória escrita na parte de trás.

“É um dos pouquíssimos relógios já oferecidos que tem uma ligação direta com a lenda de Hollywood, o rei do cool, Steve McQueen”, disse Paul Boutros, chefe de relógios da Phillips, Américas, a realizadora do leilão. “Destes relógios Heuer Monaco usados nas filmagens de Le Mans, este é o último a chegar ao mercado. É um dos únicos dois que foram mantidos por Steve McQueen e oferecidos a pessoas próximas a ele."

Este, vindo diretamente da pessoa para quem McQueen o presenteou, é o melhor que pode acontecer no que diz respeito à proveniência.”, concluiu.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

No Nobres do Grid deste mês...


(...) Em 1977, Steve McQueen vai a uma casa no Kentucky falar com o seu proprietário. Conversam num instante sobre um artigo que ambos têm interesse, e faz uma oferta aparentemente irrecusável. O proprietário ouve-o com atenção, mas no final, acaba por recusar a oferta. Isto foi um negócio privado, uma conversa privada, mas o senhor recusar tal oferta de um dos atores mais bem pagos de Hollywood parece hoje descabida, mas aconteceu. 

O senhor com quem McQueen falara chamava-se Robert Kiernan. Ele tinha na garagem o Mustang Fastback que fora usado nas filmagens, e tinha comprado três anos antes a um policia de New Jersey, depois deste o ter comprado num leilão da Warner Bros. Kiernan reparou no carro à venda depois de o ler na secção de classificados da revista "Road & Track". Depois de falar com o policia, comprou-o por seis mil dólares.

McQueen nunca mais tentou falar com ele. Morreu a 7 de novembro de 1980 aos 50 anos de idade, sem ficar na posse do carro.

(...)

Em 2014, Robert Kiernan morre e cabe ao seu filho, Sean Kiernan, herdar o espólio. Ele decide que é altura de tirar os panos que o cobrem e voltar a ver a luz do dia. Quando o Fastback original é anunciado, no final de 2017, é uma sensação que percorre a América e o mundo. Afinal de contas, ele existe mesmo. (...)

Por quase meio século, "Bullit" tornou-se num filme icónico para toda uma geração, e o carro envolvido e guiado por Steve McQueen entrou nos desejos de uma juventude que via nos "muscle cars" um símbolo de liberdade e felicidade que terminou algum tempo depois na primeira crise do petróleo, em 1973.

Com o passar do anos, e da morte de McQueen, muitos queriam saber do seu paradeiro. Tinha desaparecido, ao ponto de muitos acreditarem que o carro tinha sido desfeito, sucateado e nunca mais recuperado. Na realidade, estava guardado numa garagem anónima, esperando pelo melhor momento para aparecer de novo. Quando apareceu e foi autenticado, o furor foi enorme, e no inicio deste ano foi o Mustang mais caro de sempre a ser vendido em leilão.

E é sobre o filme e a saga que o carro passou ao longo de quase meio século que falo este mês no Nobres do Grid.

sábado, 11 de janeiro de 2020

A imagem do dia

Este carro esteve longe dos olhares do público por 40 anos. Steve McQueen queria-o e tentou, por duas vezes, tê-lo. Mas o dono recusou a oferta. E como esteve tanto tempo sem saber do paradeiro que se temia ter sido perdido para sempre. Mas não. Este Mustang Fastback de 1968 reapareceu em 2017, no Kentucky, quando o filho do dono decidiu tirá-lo da garagem e o colocar a andar, sem renovações. E quando apareceu, no Detroit Auto Show de 2018, com a ajuda da própria Ford, foi uma sensação por todo o mundo.

Pois bem: o carro que esteve numa garagem por 40 anos foi agora vendido por 3,4 milhões de dólares na Florida. Foi o Mustang mais caro de sempre e o seu comprador é anónimo.

Sobre o carro, falei dele há uns meses por aqui, e claro, sobre este leilão. A história é relativamente simples: Em 1974, Robert Kiernan comprou o Mustang a um policia em New Jersey, que o levou para a sua casa. Kiernan manteve-o na sua garagem e três anos depois, o próprio McQueen foi a sua casa, com intenções de o comprar. Deu-lhe uma oferta que não poderia recusar... mas recusou.

McQueen morreu em outubro de 1980, com 50 anos, vítima de cancro. Kiernan viveu mais 34 anos, e o carro ficou na garagem depois de ele morrer, mas o seu filho, Sean Kiernan, decidiu que era a melhor altura de sair da garagem e ser apreciado pelo mundo, ainda por cima já circulava fortemente o mito urbano de que os carros já estavam destruídos. E já se tinham construído e modificado milhares de réplicas do Mustang Fastback, pintados em Higland Green e alguns deles com a matrícula que Bullit usava no filme.

É para verem até que ponto que em uma geração, o mito cresceu.

No final, é um pedaço de história que mudou de mãos. Valeu o que valeu, mas irá provavelmente para mais uma coleção privada, e por muitos anos no futuro, ficará como estava antes: numa garagem, com poucos a terem o privilégio de o poderem ver. Um pouco irónico, não acham?

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Vende-se: Ford Mustang Fastback verde de 1968

Por muitos anos, julgava-se perdido para sempre. Steve McQueen tentou comprá-lo em 1977, mas o seu proprietário recusou-se a vendê-lo. E foi redescoberto em 2014, guardado por mais de 40 anis numa garagem no Tennesee. Pois bem, o Ford Mustang Fastback verde de 1968 que fez parte do filme "Bullitt", vai ser vendido no próximo mês de janeiro num leilão na Florida, pois o seu proprietário, Sean Kiernan, achou que era a altura para tal.

O carro foi comprado pelo pai de Sean, Robert Kiernan, em 1974, a um detective de New Jersey. Foi mantido tal como foi comprado na altura, na garagem, até 2018, altura em que o seu filho queria expô-lo no Salão do Automóvel de Detroit. Robert tinha morrido em 2014.

Agora o carro, pintado no seu Higland Green, e que tem ainda os buracos feitos no chassis para poderem montar os suportes de câmara para as cenas de perseguição - houve dois modelos para o filme - poderá ser vendido por um valor que poderá chegar aos seis dígitos, acabando por ser o Mustang mais caro de sempre.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A história de um dos verdadeiros carros de "Bullit"

Em 2018, "Bullit" faz meio século. O filme de Peter Yates, com Steve McQueen no principal papel, ficou famoso pela sua icónica cena de perseguição automóvel, que se tornou no modelo para todas as cenas de automóvel que aconteceram desde então. Ao longo das décadas seguintes, a reputação do filme e do ator cresceu fortemente, bem como o carro que fez parte da cena de perseguição: o Ford Mustang hatchback verde-escuro.

Ao longo dos anos, sabia-se que foram usados dois carros para o filme, comprados pela Warner Bros e que depois foram vendidos. Durante muito tempo, não se sabia onde estavam e quem os tinha. De um, sabia que era pertencente a uma pessoa que o tinha guardado numa garagem e rechaçou a oferta de compra do próprio McQueen. E de outro, perdeu-se o rasto.

Pois bem, nos últimos dois anos, descobriu-se o paradeiro de ambos. Um, foi encontrado numa sucateira em Tijuana e depois de ser autenticado, foi restaurado para estar mais próximo do original. E agora, surgiu o outro exemplar, que estava na garagem no Kentucky, longe dos olhares do público por 40 anos. O dono chamava-se Robert Kiernan e foi a ele que McQueen escreveu uma carta, datada de 14 de dezembro de 1977, quase dez anos depois de "Bullit" e pouco menos de três anos antes da sua morte. 

Na carta, dizia assim:

"Mais uma vez, gostaria de ter de volta o meu Mustang de 68. Gostaria de o ter de volta na minha familia na condição em que estava no filme, em vez de o restaurar. É uma questão pessoal.

Ficaria encantado em encontrar um Mustang semelhante, caso não fique muito caro. Caso contrário, creio que temos de deixar isso para trás.

Com os melhores cumprimentos

Steve McQueen"

A carta indicava que não foi a primeira vez que o ator tentou ter a posse do carro. Contudo, o seu proprietário simplesmente recusou-o. 

A história é simples: em outubro de 1974, um anuncio caiu na página dos Classificados da revista Road & Track, dizendo que estava à venda pela melhor oferta. Uma pessoa de Nova Jersia comprou o bólido, um Mustang 390 GT Fastback de cor verde, com os documentos em dia para autenticar a sua proveniência, por seis mil dólares. Até então, já tinha passado por dois donos, um deles um detetive de Nova Iorque, que o vendeu porque a sua familia precisava de um carro mais adequado para uma familia então em crescimento.

Kiernan comprou o carro em 74, rechaçou a oferta de McQueen em 77 e em 80, no mesmo ano em que o ator morria, vitima de cancro, o carro sofreu uma avaria na embraiagem e ficou na garagem por muito tempo. Em 1984, o carro foi para Cincinatti com ele (trabalhava na área dos seguros) e dez anos depois, o carro foi para o Kentucky, onde a familia se relocalizou, e Bob Kiernan decidiu dedicar-se a criar cavalos numa quinta que tinha comprado com a familia.

Por essa altura, o carro tinha sofrido com o tempo e ele queria renová-lo com o seu filho, Sean. A ideia era revelá-lo, depois de uma renovação total. Contudo, a Bob descobriram-lhe Parkinson e em 2014, acabaria por morrer, sem ver o seu projeto concretizado. O seu filho, Sean, acabaria por herdar o carro, que tinha sido parcialmente desmontado para que as peças pudessem ser restauradas. 

Por esta altura, o seu patrão queria meter-se no negócio dos filmes e tinham feito um argumento sobre a caça de amantes de automóveis por um "barn find" que seria o carro de Steve McQueen. Quando soube da história, ele revelou que tinha o carro e os documentos que atestavam a sua história.

O carro foi usado como isco para atrair dinheiro para o filme que pretendem fazer - cerca de 15 milhões de dólares - e até atraiu a atenção da Ford, que ficou interessado. E claro, foi colocado no National Historic Vehicules Association, que é uma espécie de "Biblioteca do Congresso", mas para automóveis. E tudo isto aconteceu em março de 2017, altura em que o segundo carro usado no filme emergiu, na California, e que estava a ser restaurado. 

Contudo, depois de saber que o carro seria melhor valorizado como está do que totalmente restaurado, o proprietário não mexeu mais do que o necessário para o fazer andar. E janeiro de 2018, em Detroit, o carro original apareceu ao lado da versão que a Ford irá fazer para este ano, a terceira versão do carro, para comemorar os 50 anos do filme. E claro, já apareceu nas mãos de Jay Leno, que o filmou para o seu canal de Youtube.

No final, Sean Kiernan espera ter o dinheiro para fazer o filme, e construir algumas réplicas do Mustang "Bullit". E ficar com o original por mais uma geração, pelo menos. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

A redescoberta de um carro mitico

Ano que vêm, "Bullitt" fará 50 anos. Um dos filmes mais míticos da década de 60, mostrou duas coisas: o ator Steve McQueen como "o rei do cool", no papel de Frank Bullitt e uma das perseguições mais míticas da história do cinema, com o duelo entre o Dodge Charger dos "maus da fita" (que na realidade, é guiado por Bill Hickman, um dos melhores duplos do seu tempo) e o Ford Mustang GT verde oliva de Bullitt, pelas ruas de São Francisco.

O filme mostra ambos os carros, mas o que os fãs gostam mais é do Mustang Fastback 350GT, um veloz coupé. Soube-se que eles usaram dois carros nessa cena, e que um deles está guardado num armazém há mais de 50 anos, e o proprietário não deseja vendê-lo, resistindo a várias ofertas do próprio McQueen, que queria comprá-lo. O segundo carro julgava-se perdido para sempre, de tão batido que tinha ficado durante as filmagens.

Contudo, há algumas semanas, foi feito um anuncio improvável: esse segundo carro foi encontrado. No México, e está a ser restaurado para ser mostrado ao mundo no ano que vêm, no cinquentenário do filme. 

Segundo se conta na noticia, o carro tinha sido encontrado na Baja California - ou seja, no México - numa sucata, abandonado e já sem o motor original. Tinha sido pintado de novo, com uma camada branca, mas conseguiu ser identificado graças à placa que acompanha todos os carros desde a sua construção na fábrica. A pessoa que o encontrou, Hugo Sanchez, tinha como objetivo inicial transformá-lo numa réplica da "Eleanor", o Mustang que aparece no filme de 2001 "60 Segundos", mas quando o trouxe para a oficina do seu amigo Ralph Garcia Jr, no outro lado da fronteira, e descobriram a placa, foram ver numa base de dados compilada por Kevin Merti e ficaram chocados com a descoberta.

"Não é a primeira vez que um desses carros de filmes antigos aparece num ferro velho, mas isso é raro", afirmou Marti, que foi ver o carro em pessoa, depois de ter sido contactado pelos proprietários. Apesar do carro ter sido encontrado sem caixa de velocidades, os eixos dianteiros e traseiros pertencem a um Mustang de 1967. Para além disso, descobriram buracos extra no porta-bagagens, indicativos de que tiveram câmaras montadas dentro do carro para as cenas "onboard" do filme.

Garcia apresentou o carro ao público no inicio deste mês em Mexicali, e já teve ofertas bem generosas para comprar o carro tal qual como está, mas recusou, afirmando que quer restaurar o carro de forma mais original possível, para poder apresentar no ano que vêm, altura em que o filme comemorará o seu 50º aniversário. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Critica cinematográfica a "Steve McQueen: The Man and Le Mans"

Ontem à noite tive a oportunidade de ver o documentário "Steve McQueen: The Man & Le Mans", feito em 2014 para falar sobre a obsessão do ator Steve McQueen (1930-80) sobre a ideia de filmar as 24 Horas de Le Mans, em 1970. As filmagens atribuladas e o mau resultado nas bilheteiras provocaram um impacto na vida e carreira do ator, que durante as filmagens divorciou-se da sua primeira mulher, Nelle Adams, e onde o piloto David Piper sofreu um acidente que lhe causou a amputação da sua perna direita abaixo do joelho.

O filme começa com uma conversa de McQueen no seu leito de morte, no verão de 1980, depois de ter ido ao México para tentar encontrar um tratamento para remover os seus tumores no pulmão. Ele afirmou que estava convencido que os tinha por causa do seu contacto com amianto - que havia nos fatos de competição nos finais dos anos 60 e inicio dos anos 70 - e o stress que tinha tido ao lidar com a industria de Hollywood.

Depois prossegue com o contexto em que o filme foi feito, numa altura de revolução cultural em Hollywood, o fim do "star system" e o experimentalismo em termos de direção dos filmes, e a obsessão de McQueen em fazer um filme sobre automobilismo. Tinha querido fazer "Grand Prix", mas não conseguiu, tentou fazer outro filme, o "Day of the Champion", com John Sturgees, mas que não deu certo, porque foi feito demasiado tarde (Grand Prix ficou pronto mais cedo) e também os problemas que passava devido à sua personalidade e as coisas que tinham acontecido em Hollywood, especialmente com os homicídios de Sharon Tate e Jay Sebring, às mãos de Charles Manson e dos seus alcóltos. McQueen era para ter ido à festa dessa noite, e descobriu depois que estava na lista dos alvos a abater por Manson.

No documentário, falam Adams e Chad McQueen, seu filho, que faz um "tour" a Le Mans para recordar os tempos que lá passaram. Fala-se da Solar Produtions e do feito de McQueen em Sebring, quando foi segundo ao lado de Peter Revson e de como o isso fez ser respeitado pelo meio, e fala-se sobre os pilotos que ajudaram a fazer o filme, especialmente três deles: os britânicos Derek Bell, Jonathan Williams e David Piper. Para Williams - que guiou o Porsche 908 modificado com três câmaras de filmar, uma à frente e duas atrás - esta seria a sua última aparição pública antes de morrer, em 2014.

Também se fala sobre as atribulações das filmagens, que duraram três meses, e que custou mais de 1,6 milhões de dólares fora do orçamento (era para ser de seis milhões), e das tensões entre o produtor, o realizador (era para ser John Sturgees, mas desistiu a favor de Lee Katzin) e o ator, que andava obcecado com a sua visão do filme, contra a visão "hollywoodesca" do resto, especialmente quando não havia um argumento, e quando existiu, as visões divergentes sobre o que a personagem deveria ser. McQueen queria uma personagem "falhada", algo que os produtores estavam contra. Fala-se de que houve mais de um milhão de és de filme que nunca foi usado e que tinha sido destruído, mas na realidade, muita dessa filmagem acabou por sobreviver.

É um documentário bem feito, onde não se pode observar sem sentir uma melancolia por ver as obsessões de um homem serem desfeitas pela realidade das coisas em 1970. De sentir responsabilidade pela vida dos pilotos presentes - a cena em que escreve aos produtores para darem as receitas do filme à familia de David Piper era algo que o próprio nunca soube até que entregaram a cópia da carta ao próprio - e no final, ele conta a desilusão que foi fazer o filme, que acabou também por destruir o casamento, devido às constantes infidelidades do ator.

No final, observamos a obsessão de um homem que estava à frente do seu tempo, e mesmo que a sua visão não fora concretizada na sua totalidade, o filme acabou por se tornar num culto para os fãs de McQueen e os "petrolheads" por esse mundo fora. São 112 minutos que vale a pena serem vistos.

Caso queiram ver o filme, basta seguir este link e fazer o "download"

sábado, 7 de novembro de 2015

Para acabar o dia...


Para acabar bem o dia, lembro-vos que o "rei do cool" até teve uma musica cantada por Sheryl Crow.

A imagem do dia

"Rei do Cool", é a primeira coisa que me lembro, sempre que falam de Steve McQueen. Mas lembro da sua paixão pelos automóveis, pela melhor cena de perseguição policial da história do cinema, e por ter decidido fazer um filme sobre Le Mans, contra tudo e contra todos. Hoje passam 35 anos desde a sua morte, no México, e McQueen ainda é recordado como um mito de uma era que provavelmente não voltará mais.

Nesta foto de Bernard Cahier, McQueen está naquilo que se tornou no trabalho de uma vida, que quase o consumiu o seu dinheiro e a sua reputação. As 24 Horas de Le Mans tornaram-se, naquele final da década de 60, numa das coisas mais apetecíveis para os americanos, e para Steve McQueen, combinavam duas obsessões suas: automobilismo e cinema.

McQueen procurava um filme sobre automobilismo desde 1966. Houve uma tentativa com John Sturgis, chamado "O Dia do Campeão", com filmagens em Nurburgring, mas aconteceu na mesma altura de "Grand Prix", e este acabou em primeiro. E pouco antes, tinha sido oferecido o papel de Pete Aron, mas divergências entre ele e um dos produtores inviabilizaram o acordo.

Quando conseguiu, ele treinou-se (e quase ganhou) em Sebring e estava pronto a correr em Le Mans com o Porsche 917K numero 23, ao lado de Jackie Stewart, quando a produtora disse que era demais e decidiu não pagar o seguro contra todos os riscos. A obsessão de McQueen com o filme foi tal que quando o resultado não saiu como queria, ele renegou-o: não foi à estreia do filme e não voltou a correr até à sua morte, nove anos e meio depois.

Este ano vai sair um documentário chamado "Steve McQueen, The Man & Le Mans", e quando acontecer, recomendo que o vejam.

sábado, 1 de agosto de 2015

Youtube Motorsport Trailer: O documentário sobre Steve McQueen e Le Mans

45 anos depois de ter sido filmado, "Le Mans" é provavelmente um dos filmes mais importantes sobre automobilismo do século XX, só comparado a "Grand Prix", por exemplo. O filme, produzido por Steve McQueen, foi um fracasso de bilheteira e quase faliu a Solar Productions, a sua produtora, mas tornou-se num clássico de culto para "petrolheads" e ajudou a cimentar a reputação da clássica de La Sarthe. 

Em 2014, soube de um documentário sobre ele, e este está concluído para que possamos ver como é que as coisas aconteceram, e como McQueen levou o seu projeto a peito, tão a peito que esteve no seu limite fisico e mental. E levou ao divórcio com a sua primeira mulher. 

O documentário mostra tudo isto, e pelo que vejo do trailer, é muito bom! 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O filme que não aconteceu

Hoje em dia falamos imenso sobre Hollywood e automobilismo. Falamos também sobre Steve McQueen, bem filmes icónicos como "Grand Prix" e "Le Mans". Mas tendemos a esquecer que há 50 anos, poderíamos ter tido outro filme sobre Formula 1, que acabou por não acontecer. E é por causa da frustração de um homem que acabamos por ter "Le Mans". Chamava-se "The Day of The Champion" e houve filmagens no Nordschleife.

Tudo começa em 1966, quando John Frankenheimer está na Europa e filma Grand Prix, com James Garner como ator principal, e tem conselheiros técnicos como Phil Hill, Richie Ginther, Graham Hill e outros. As filmagens acontecem ao longo do verão desse ano, com a fotografia de Bernard Cahier. Mas ao mesmo tempo, na Alemanha, John Sturgis e Steve McQueen estão a fazer as filmagens para algo que tem como nome "The Day of the Champion", literalmente traduzido para "O Dia do Campeão".

Os filmes estão a ser feitos por diferentes estúdios: Grand Prix pela MGM, The Day of The Champion pela Warner Bros. A ideia era que este último começasse a ser filmado logo em 1965, após o realizador John Sturgis e McQueen tivessem feito "The Sand Pebbles", (que deu ao ator a sua unica nomeação para o Óscar). Contudo, as filmagens desse primeiro filme atrasaram-se bastante, e quando começaram a fazer o projeto seguinte, já Frankenheimer estava em pleno vapor a fazer "Grand Prix". Contudo, quem for ver o filme, repara que não há cenas de Nurburgring, já que ele teve de entregar a filmagem a Sturges e McQueen para fazer o seu filme. Mas pouco depois, a Warner Bros decidiu cancelar o projeto.

E nessa altura, fez-se um leilão para os carros que foram usados no filme. E dava para fazer uma competição autónoma: dois Brabham, ex-Rob Walker, um BRP, um BRM, dois Lotus 24, também ex-BRP, um Lotus 30 de GT, usado para filmagens, e um Lola T70. 

"Grand Prix" acabou por se estrear em dezembro de 1966 e foi um sucesso de bilheteira, conseguindo a proeza de ser o único filme de automobilismo a conseguir ganhar três Oscares técnicos: Melhor Edição, Melhores Efeitos Sonoros e Melhor Som.

Curiosamente, McQueen e Garner eram vizinhos em Hollywood e bons amigos. E o primeiro ficou tão desgostoso com o que passou que não falou com ele durante cerca de dois anos. As coisas passaram quando McQueen partiu para o seu projeto seguinte: "Le Mans", que o consumiu por dois anos e deu cabo da amizade entre ele e Sturgis. Apesar do fracasso de bilheteira, quando foi lançado, em 1971, hoje em dia é um clássico de culto entre os "petrolheads". Tal como "Grand Prix".

terça-feira, 24 de março de 2015

A foto do dia

Este é um ano redondamente interessante. Se estivesse vivo, Steve McQueen faria hoje 85 anos. Mas também é o ano em que se passam 35 anos sobre a sua norte e 45 desde que realizou o filme que nos colocou no coração de todos nós, petrolheads: "Le Mans".

O "senhor cool" era uma personagem irascível. Talvez fruto da infância dificil que passou, onde incluiu um reformatório juvenil, e se salvou "in extremis" em favor do teatro e claro, de uma carreira cinematográfica em Hollywood, tinha uma segunda paixão, que era a velocidade. O automobilismo e o motociclismo não andavam longe dele - teve dezenas de motos, carros e alguns aviões - e participou em várias provas ao longo da sua vida. Uma delas foi o Seis Dias de Enduro, em 1966, que aconteceu na então RDA.

Mas o ano de 1970 foi bem interessante em termos automobilísticos. Em Sebring, alinha com um 908 "barchetta" ao lado de Peter Revson e quase ganham a corrida, se não fosse a cavalgada final de Mário Andretti. Anos depois, o piloto italo-americano disse que uma das razões porque queria ganhar era que se tivesse sido Revson, os espectadores iriam mais elogiar McQueen - que tinha um pé engessado e tinha feito turnos bem pequenos, de meia hora cada um - do que Revson, que na altura, já era um excelente piloto na Can-Am, ao volante da McLaren.

McQueen esteve em cima de tudo no filme sobre Le Mans. Queria ser piloto, chegando a alinhar com um Porsche 917 da John Wyer com o numero 23, ao lado de Jackie Stewart. Mas os produtores proibiram-no, afirmando que a seguradora não cobriria os custos. Frustrado, viu das boxes a corrida, vencida por outro 917, o de Richard Attwood e Hans Hermann. Curiosamente, ambos os pilotos retiraram-se de seguida...

O filme foi um fracasso e a produtora que criou, a Solar Productions, entrou em falência. Mas o filme criou um culto entre os seguidores e a reputação de McQueen só aumentou com os anos que seguiram, e ainda mais após a sua morte em outubro de 1980, vítima de cancro nos pulmões.

Mas para os fãs, ele vive. E para nós, petrolheads, será sempre Michael Delaney.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Youtube Motorsport Comedy: Bullit narrado por Galvão Bueno


Este filme é prova de que no Brasil, a zoeira não têm limites. Afinal de contas, falamos da junção de dois mitos: Bullit e o narrador da Formula 1 para a Rede Globo, Galvão Bueno.