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quinta-feira, 9 de novembro de 2023

A(s) image(ns) do dia







A Time Magazine faz agora o seu século de vida, e ao longo dos seus números, esta revista semanal dedicou algumas capas - muito poucas - ao automobilismo. Aliás, à Formula 1. Estes são alguns exemplos que consegui captar.

A razão para tudo isto? A capa desta semana é dedicada a Max Verstappen, o tricampeão do mundo pela Red Bull. E também, se formos ver a data, calha na semana do GP de Las Vegas, que regressa ao calendário 41 anos depois de ter andado na "pista" do parque de estacionamento do Ceasar's Palace. Mas ao longo do século que passou, Max deverá ser dos raros pilotos que passou pela revista norte-americana. 

A primeira aparição de um piloto nas capas foi o escocês Jim Clark, em 1965. Mas a razão era mais "caseira": o escocês tinha ganho as 500 Milhas de Indianápolis, a bordo do seu Lotus 38, o primeiro carro de motor traseiro a triunfar naquela pista. Aliado ao seu domínio na Formula 1 naquele ano, a caminho do seu segundo título mundial, e a revista achou por bem fazer uma matéria sobre ele e o seu domínio na competição máxima do automobilismo. E o título "o piloto mais rápido sobre rodas", não era dito de forma leviana. Ele era mesmo o mais rápido até então. Contudo, depois dele, passaram-se quase década e meia até a revista se importar com o automobilismo. Até Jackie Stewart não foi referido, apesar de ter estado na capa da Sports Ilustrated, a revista desportiva mais prestigiada nos Estados Unidos. 

E foram títulos dados a outros pilotos à medida que o tempo passava. Michael Schumacher ficou com ele nas duas vezes em que foi capa, em 1994 e 2001, a par de outros como "o melhor", embora nesta caso falasse do seu encontro com a história, algo que aconteceu três anos depois, com o seu sétimo título mundial, quinto pela Ferrari.

Hamilton apareceu 16 anos depois de Schumacher. Acho interessante porque ele e não gente como Sebastian Vettel, quatro títulos seguidos pela Red Bull, que foi ignorado - pelo menos, não encontrei nada dele nas pesquisas por capas da mesma revista. Em 2017, ele já tinha três títulos mundiais e tinha sido derrotado por Nico Rosberg. Se calhar na altura, eles já previam aquilo que aconteceu no futuro: sem adversários de monta, Hamilton iria dominar nas temporadas seguintes, até chegar ao sétimo título, em 2020, igualando Schumacher. 

Quero acreditar que a revista, sendo americana, normalmente se auto-centra, esquecendo o resto do mundo, mesmo se Hamilton seja britânico, por exemplo. E como durante anos ignoraram a Formula 1, raramente apareciam no seu radar. Claro, existiram excepções. Como a capa de 1981. O Ferrari de Gilles Villeneuve está lá, mas a matéria é mais abrangente: falam sobre a Formula 1, a competição. Não este ou aquele piloto. Mas colocar na capa o piloto mais excitante do pelotão, da equipa mais representativa, não é por acaso: é para facilitar a identificação dos leitores para a matéria que aí vem. 

E claro, há um lado triste nestas coisas. É a velha máxima do jornalismo: "good news is no news". O jornalismo positivo não se vende. Quando 200 a 300 milhões de pessoas assistem a uma morte em direto, nem mesmo a revista mais conhecida do mundo pode ficar indiferente. Colocar Ayrton Senna na capa da sua revista não foi por causa dos seus títulos mundiais, das suas polémicas com Alain Prost, ou as suas vitórias no Mónaco, que lhe deram um recorde que ainda se mantêm, 30 anos depois. Foi por causa do seu acidente mortal. E o impacto foi tal que deixou um genocídio de fora. Já imaginaram isso?  

Portanto, se querem saber porque a Time meteu o quinto - ou sexto piloto - na sua capa em um século, agradeçam a coisas como a Liberty Media ou o Drive to Survive. E claro, a grande máquina que é a Red Bull RB19.          

domingo, 18 de março de 2018

A entrevista de Tiago Monteiro à Playboy portuguesa

A Playboy portuguesa deste mês tem coisas bem interessantes nas suas páginas (e não, não é isso que vocês pensam, seus pervertidos). Quero dizer que está uma entrevista bem interessante a Tiago Monteiro, onde ele fala sobre a sua carreira, e especialmente, sobre o seu acidente há quase seis meses em que andou todo "vesgo" e que colocou a sua carreira em risco.

Há coisas interessantes sobre esta "entrevista de vida", e começa logo com a sua passagem pela Formula 1. Desde ser operado por Colin Kolles (sim, ele é dentista de formação!) até ao infame GP dos Estados Unidos de 2005, onde ele conquistou o terceiro lugar, numa corrida com... seis carros.

P - Ser operado antes de uma corrida por um diretor que também era dentista foi a coisa mais esquisita que e aconteceu na Formula 1?

R - Muito provavelmente foi o mais caricato que tive na carreira, quase de certeza. Para já, teres um abcesso e uma inflamação no fim de semana não é fácil, nunca é agradável mas depois tens a coincidência de ter um dentista como patrão. É uma pessoa que não é muito agradável, é brilhante, mas não é muito simpático e tinha um aspecto assim muito agressivo e tal, por isso era a última pessoa que escolherias como dentista e a relação que tinha com ele era muito profissional, não própriamente de amizade. Não estava para aí virado, mesmo cheio de dores, e imaginar que iria ser tratado pelo Colin Kolles, estava mesmo muito preocupado. Mas olha que ele foi uma grande surpresa, o homem tinha umas mãos de fada e foi incrível, muito bom mesmo. 

(...)


P - E a corrida em que chegaste ao pódio foi a mais estranha da tua vida? [GP dos Estados Unidos de 2005, em Indianápolis]

R - Foi também algo muito caricato, inédito até hoje, toda a gente se lembra dessa corrida, aquele boicote dos concorrentes com os pneus Michelin e óbviamente foi a grande oportunidade, estavamos no sitio certo, na altura certa, mas nesses seis era preciso estar o mais à frente possivel e a luta lá atrás era feroz mesmo.

P - Então sentiste a pressão.

R - Ah sim, talvez a maior da minha carreira. Porque eu estava consciente que era uma oportunidade única. Era um fim de semana onde podia haver oportunidade de pontos, mas nunca imaginaria que seria assim, que houvesse tanta adesão ao boicote e iríamos ser só seis carros. A partir do momento em que víamos que éramos seis foi ainda pior. Um dos meus concorrentes na altura era o meu companheiro de equipa [o indiano Narain Karthikeyan], a luta era muito renhida entre nós e qualquer um poderia ter acabado em terceiro.

Felizmente naquele fim de semana estava muito forte, confiante. A equipa a meio da corrida, quando já estava com um bom avanço, deu-me indicações que estava com uns problemazitos da temperatura de caixa, etc, e que tinha de abrandar um bocadinho o ritmo que eu não queria. Não queria perder a minha concentração, manter aquele meu ritmo, estava confortável assim e não queria estar sob pressão no final da corrida. Por isso continuei a atacar ao máximo ate aos três quartos da corrida. 

Se perguntares quem fez quarto, quinto e sexto, quase já ninguém se lembra, por isso foi mesmo importantíssimo estar ali em terceiro. Se aquilo foi bom ou mau, não tenhas dúvidas que aquilo não foi fantástico para a Formula 1, mas fez parte daqueles pontos na história que eles se lembram, a bem ou a mal, tanto faz, mas o importante é que estava lá e agarrei aquela oportunidade.

A partir daqui, a entrevista fala sobre a passagem anterior pela então ChampCar, onde em 2003 foi piloto da Fittipaldi-Dingman, que surgiu depois de ele ter feito um teste com o Renault de Formula 1, no final de 2002, onde estava, entre outros, Sebastien Bourdais. E que o facto do teste e a final do programa de jovens piloto da marca do losango o fez migrar para a América e assentar boa parte do ano em Miami.

Também fala do seu filho, que já corre em karts, e depois fala do acidente que teve em setembro e que colocou a sua carreira em perigo.

P - Mas algum dos teus acidentes te fez pensar se deverias parar?

R - Sabes que, em 20 anos, o acidente que tive agora em setembro foi o primeiro onde realmente me magoei, passei perto de uma catástrofe muito maior. Estar aqui hoje a falar contigo já foi um milagre, segundo os médicos todos, e estar a andar, a mexer-me, é outro milagre, porque se não tivesse ficado lá o mais provável é ter ficado tetraplégico. Portanto, o facto de estar agora a treinar como estou a treinar, a andar como estou a andar, a falar...

Estive uma semana sem falar, estive um mês sem andar, estive bloqueado à direita, estive sem ver praticamente, durante alguns meses, ou seja, tive muita sorte na forma como as coisas estão agora a resolver-se. No entanto, se me perguntares se me fez pensar, óbviamente que num mês e meio acamado num hospital tive tempo para pensar em tudo e mais alguma coisa. Se me pensar em parar, acho que nunca, e não sei se isso é grave ou não, é um lado inconsciente que podemos ter. Acho que nem nos dias seguintes, quando comecei a recuperar os sentidos, nunca pensei em parar, antes pelo contrário, só queria recuperar o mais rápido possível, mas também acho que me deu a força para lutar, porque a recuperação foi muito dolorosa, fisicamente e psicologicamente também. Acho que se não tivesse esse objetivo de querer voltar, teria deixado andar as coisas, se calhar ficava deitado a ler um livro que é muito mais fácil. Ao inicio os médicos estavam bastante preocupados e alguns não sabiam se eu voltaria a andar.

P - Quando ficaste consciente já sabias que não ias ficar tetraplégico?

R - Eu só estive inconsciente oito horas. Quando acordei nas primeiras horas, estava completamente sedado, os primeiros dias não percebia nada do que é que se estava a passar, não tinha noção da realidade da situação, achava que a questão da visão foi só do impacto, que numa questão de dias iria passar, achava que não me mexer também era uma questão de dias, por isso não, não tens consciência. A pancada é tão forte, foste tão abalado e as drogas que te dão por causa das dores, estás completamente noutro planeta. 

Mas pouco a pouco, nas semanas seguintes, vais começando a perceber a gravidade das coisas mas também ao mesmo tempo sim, percebes que foi muito mais grave mas há uma boa hipótese de recuperar e foi isso que, apesar de algum negativismo em médicos que estavam mais pessimistas, felizmente havia alguns também optimistas e que me deram essa força. E tinha uma equipa fantástica à minha volta. O objetivo era voltar o mais rapidamente possivel, alguns médicos diziam-me no mínimo dois anos de recuperação até voltar a estar mais ou menos normal. Isso para mim, fora de questão. Aliás, durante o primeiro mês e meio, dois meses, era das oito da manhã até às oito ou nove da noite, fisioterapias todas, homeopatias, optometria, oftamologia, todos os tratamentos possiveis e imaginários, eu estava a fazê-los.

Agora passaram cinco meses e meio, ainda ontem estive com estive com um médico que me viu logo no início, um dos que dizia que isto. no mínimo, um ano e meio, dois e estava muito surpreendido, óbviamente, com a recuperação. Feliz, mas surpreendido. E isso eu acho que faz dar esta força, senão sabes, em vez de fazer oito horas por dia, se calhar já só fazes duas horas de tratamento e tal, o tempo vai passando e depois tenho 40 anos, se tivesse 20 era uma coisa, com 40 é outra.

P - como foi estar a liderar o Mundial e vê-lo escapar sem poder fazer nada?

R - Essa foi a parte mais difícil, uma coisa é estares em pista e as coisas não correrem bem, mas estás a lutar. Outra coisa é estares em tua casa, ou nos tratamentos, seja o que for e ver na televisão os outros a roubarem-te os louros. Foi um exercício psicológico duro, mas interessante ao mesmo tempo, porque descobri muitas coisas sobre mim próprio, obrigou-me a uma luta interna óptima, uma força muito grande para aceitar isso e passar à frente. Ainda fiquei uma corrida à frente do campeonato, apesar de não estar lá, e na segunda perdi a liderança, mas por meio ponto. E faltavam duas para acabar, ou seja, se voltasse à terceira corrida ainda dava. Não foi possível e foi uma fase difícil de aceitar mas só deu mais vontade que nunca.

Não digo que isto foi bom, isto não foi bom para nada, mas por um lado estou consciente de que vou saír disto muito mais forte. Foi uma bofetada muito forte, estão a roubar-te o campeonato, claro que ninguém me garante que eu tivesse ganho mas toda a gente sabe que era o maior candidato à vitória e roubar-me dessa forma é muito frustrante. Não digo que tenha perdido a paixão, antes pelo contrário, mas deu-me uma nova vontade, um novo alento de ir buscar o que é meu e de voltar à competição. Quando fazes isto há 20 anos, nem todos os dias é fantástico, é como tudo, há dias em que estás cansado, dias em que não te apetece tanto, e quando vais três/quatro dias para Barcelona ou para Valência no inverno, está um gelo e tu lá o dia todo no carro, com dores de cabeça, dores no corpo, não é fácil. Mas mesmo dessa parte agora estou com vontade, voltou a dar.me uma motivação interna incrível. 

A parte final da entrevista têm a ver com o novo WTCR, que basicamente é uma união entre o WTCC e o TCR, e um pouco sobre a atual Formula 1, e as hipóteses de ver pilotos portugueses a subirem a escada para o topo do autonmobilismo.

P - E agora, o que vai mudar no WTCC, para além do nome?

R - A grande diferença é o regulamento do carro, que é muito mais simples, ou seja, também muito mais limitado, não deixa tanta abertura de desenvolver o carro, para limitar os custos. Não podes partir de uma folha branca e fazer o que queres, tens de partir de um carro que já existe e desenvolvê-lo dentro dos parâmetros que são controlados, por isso todas as marcas têm muito interesse porque esse tipo de carros é mais fácil, não precisam de 50 engenheiros e designers para fazer um carro, partem de uma base que já existe. Obviamente alteram tudo e mais alguma coisa, mas dentro de certos parâmetros e tens um equilíbrio entre marcas muito maior. Dá um interesse para a marca, porque não só estão a vender carros e peças também, ao mesmo tempo fazem publicidade, são os carros deles que estão a andar. Continua a ser a Eurosport a promover o evento e a ter o carimbo da FIA, que também é muito importante.

P - E as três corridas no fim de semana, vão fazer muita diferença?

R - Não faço ideia, acho que a intenção é dar mais importância e interesse ao sábado, até agora eram treinos e qualificação, e agora ao final da tarde era mais atividades comerciais e coisas assim e quiseram por uma corrida também ao sábado. Francamente, não sou muito a favor porque já temos uma agenda muito preenchida, agora se vai trazer mais espectáculo, talvez.

P - Os testes para a nova época, não vais ser tu a fazê-los.

R - Não, por enquanto não estou, mas também mais uma vez os testes tem uma limitação, nos últimos anos no final de fevereiro, já tinha feito para aí uns 15 dias de teste. Desta vez foram feitos dois ou três dias de testes, lá está, para limitar um pouco os custos. Por isso não estou a perder assim tanto e vou, em princípio, começar a testar em março. 

P - Como vês a atual F1?

R - Altos e baixos. Não a vejo em grande forma para certas coisas, mas é claro que a F1 é sempre a F1, mas com esta nova compra dos americanos [Liberty Media] eles estão a procurar ainda, qual será o melhor formato, estão a tentar moldar a F1 às novas tecnologias, hoje em dia a forma de veres corridas, de veres televisão, mudou completamente. Já não é aquela situação de domingo à tarde que tens três canais na televisão, toda a gente via F1 porque era quase o que havia, hoje tens muito mais escolha, tens muito mais desportos interessantes. A F1 está a combater uma dificuldade de angariação de novos fãs muito grande porque querem coisas mais radicais, mais espectaculares e têm acesso a essas coisas. A nível desportivo, acho que não está mal, é verdade que houve um domínio nos últimos anos da Mercedes, mas com algumas lutas interessantes por parte da Red Bull, da Ferrari também. Tenho seguido obviamente de muito perto e acho que há muitas coisas interessantes mas têm de ser mais valorizadas.

(...)

P - E agora, é ir buscar o campeonato?

R - Tem de ser. Não tenho ainda garantias de estar a 100 por cento em abril, mas se me derem o OK para correr e começar o campeonato desde o inicio, o meu objetivo vai ser lutar pelo campeonato, não há dúvida. Apesar de ser um campeonato novo, os circuitos alguns são novos, carros novos, produtos novos, muita coisa nova, no entanto, sei que posso lá estar e lutar pelo campeonato e é isso que quero. Claro que não sei como é que vai estar o carro, isso também vai obviamente ter interferência nestas ambições, mas tenho experiência e capacidade para isso, vamos ver.

P - Quem é que dá esse OK? É mesmo a FIA?

R - Primeiro, vão ser os meus médicos cá em Portugal e depois tenho de fazer uma série de exames com a FIA. eles querem assegurar-se que não será um perigo para mim nem para os outros, e que não seja ainda prematuro a nível fisico, porque não é o facto de apto, é o facto de voltarmos a ter um acidente, muitas vezes os regressos são adiados por causa disso. Estás de perfeita saúde para pilotar ao mais alto nível, no então estão aí algumas lesões que podem estar um bocado fragilizadas e que, se voltas a ter um acidente grave, aí pode ser uma catástrofe e eles não querem arriscar isso.

sábado, 10 de março de 2018

Uma geração faz a diferença

Este sábado dei por mim a ouvir o rumor de que poderá aparecer uma revista de automóveis por estas bandas. O detalhe disto tudo é que a revista seria feita no formato de papel. Essa é a parte que me surpreende: no tempo da Internet, alguém querer montar uma revista de automóveis nesse formato. Ter "tomates" para fazer tal coisa significa que... das duas, uma: ou tem bolsos bem fundos, ou não faz qualquer ideia do que anda a fazer. Uma aventura romântica, talvez.

Romantismos à parte, dei por mim a falar com o Ricardo Santos, o desenhador, que meteu esse rumor na sua página de Facebook, também porque ele me falou do exemplo da Turbo (casa onde trabalhou e fez grandes capas), que existe há 36 anos e resiste aos tempos, e ele falou do exemplar mais antigo que tem lá por casa, de 1988. Ou seja, trinta anos antes. E falou da quantidade de publicidades que lá existia, desde auto-rádios a fabricantes de peças para automóveis. E como isso tudo mudou, porque agora, os únicos que sobrevivem são os próprios fabricantes de automóveis, porque tudo o resto desapareceu.

Mas também há outras coisas a ter em conta. Porque é uma nova geração, e porque nesse tempo não havia a Internet que revolucionou o mundo como o conhecíamos, por exemplo. 

Começo com um exemplo pessoal: em 1988, o meu pai trabalhava numa empresa de transitários. Tínhamos acabado de entrar na União Europeia e os muitos milhões vindos de Bruxelas começavam a causar impacto. Quem conheceu o meio sabe que essa profissão dependia de uma coisa: haver uma fronteira física, e onde as mercadorias pudessem fluir, pagando as taxas alfandegárias necessárias para permitir a exportação e importação de produtos necessários. Era um profissão bem paga, acreditem.

Mas havia uma nuvem no horizonte: dali a alguns anos, as fronteiras iriam abrir para mercadorias e pessoas. Não iríamos mais parar numa fronteira, circularíamos livremente dentro da União Europeia. O meu pai, sabendo o que isso significava, decidiu ir embora em 1990, indo trabalhar para o departamento comercial de uma fábrica de cerâmica, ficando nessa área até se reformar.

O que pretendo dizer é que numa geração, as coisas mudam. O que funcionava numa altura, deiuxou de funcionar noutra. O que surgiu no horizonte revolucionou as coisas e tornou obsoletas determinadas profissões e atividades. 

E agora, vamos aos automóveis. Estão a ver todas aquelas publicidades de auto-rádios e demais peças para automóveis? Já não existem mais. O auto-rádio, peça importante e sujeito a roubo nesses tempos, tornou-se numa peça difícil de ser furtada porque as marcas de automóveis incluíram o auto-rádio nos seus sistemas de navegação. Daí não ouvirmos mais marcas como Kenwood, Alpine ou Blaupunkt, por exemplo, que agora não fazem mais auto-rádios. 

E as demais peças de automóveis - faróis, velas, óleos - correm o risco de serem obsoletos daqui a uma década, com a ascensão dos automóveis elétricos, que deitarão fora o motor a combustão, mecânico sujeito a quebras frequentes que passariam por oficinas mecânicas. Sei perfeitamente que, quando se trocarem os carros a combustão interna pelos elétricos, grande parte das oficinas mecânicas ou encerrarão, ou mudarão de atividade, porque com menos peças mecânicas para reparar, pouco haverá para trocar, a não ser pneus. E se calhar, que sobrarem poderão dedicar-se à restauração de clássicos, onde pelo menos por mais uma geração, eles serão um nicho muito interessante.

Dito isto, desejo-lhes muito boa sorte, quem quer que apareça. Se fizerem um bom trabalho de qualidade e ligar o velho ao novo - ou seja, fazer um bom site e ter uma boa revista, seja ela mensal ou semanal - pode ser que todos saiam a ganhar: leitores, jornalistas, empresas e publicitários. Mas espero que tenham em conta que estamos no século XXI, e que muitas das coisas que existiam no século XX não podem ser mais usadas. E o futuro indica cada fez mais isso.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

As imagens do dia


O que acho piada é que a primeira capa é de uma revista francesa, e a segunda é de uma capa de uma revista italiana. Acho engraçado esta troca de linguas para homenagear Jules Bianchi, mas o que interessa é que o objetivo está cumprido. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Extra-Campeonato: À terceira será de vez?

Não vou deixar de negar que tenho um certo fascínio pela Playboy portuguesa, especialmente com a saga que foi nas duas primeiras tentativas de lançar a revista. A primeira, em 2009, eles eram aldrabões, e a segunda tentativa, em 2012 parece que não se aplicaram lá muito nisto. Para além da falsa partida da Rita Pereira, claro...

Pois bem, parece que vai haver uma terceira tentativa. Segundo conta o site "Dinheiro Vivo", Bernardo Coelho e Marco António Reis decidiram fazer a editora Black Rabbit e pegaram na revista, e vão tentar relançá-la em junho, desconhecendo-se ainda quem será a garota da capa. E o regresso (ou a tentativa de regresso) da publicação do coelhinho acontece numa altura em que não há revistas masculinas presentes, à excepção da Men's Health. E custa a crer que não há muito tempo chegou a haver cinco revistas desse genero em papel nas bancas portuguesas...

Na entrevista, ele afirma que vai apostar na marca no Facebook - têm cerca de 1,4 milhões de seguidores - mas em termos de vendas, eles são conservadores: apenas colocarão cerca de 20 mil exemplares em banca. E não têm grandes expectativas em termos de vendas. Resta saber se terão vendas suficientes para pagar a licença. Que eu me lembro das últimas vezes, uma coisa dessas valia cerca de 150 mil euros ao ano...

Bom, desejo-lhe sorte a eles. Que acertem onde os outros falharam. E que valha a pena.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Os desenhos premiados de Ricardo Santos

Não é de agora a minha admiração pelo trabalho do Ricardo Santos. Já vêm desde os tempos que é que tinha um pequeno blog onde colocava os seus desenhos, antes de ver o que fazia no jornal i e agora, na revista Turbo. E desde o ano passado, ele faz capas para publicações como a Racer americana. E há alguns dias, o seu trabalho foi recompensado com o Ozzie Awards pela melhor capa desenhada para revistas com menos de 50 mil exemplares (creio eu). 

E não admira que eles tenham escolhido esta capa: é simplesmente genial de um carro que fez história no Can-Am: o 917-30 pilotado por Mark Donohue em 1973, conhecido depois por "Can-Am Killer". 

Mas ele em 2013 também fez mais capas fabulosas, como esta sobre o Brabham BT52, que em 2013 comemorou o seu 30º aniversário, bem como serviu para comemorar os 30 anos do segundo título mundial de Nelson Piquet. 

Parabéns! E espero que continue a desenhar mais e melhor. E para ver o que ele já fez, espreitem aqui.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Sobre o possível fim da Playboy brasileira

Acho algo estranho nesta segunda-feira que um dos meus posts mais lidos seja um de 2010, onde se falava do... encerramento da Playboy portuguesa. A sua primeira encarnação, diga-se. Sobre essa história já foi contada e recontada, e agora temos uma nova versão onde, depois de uma falsa partida, parece que está a caminhar com as suas próprias pernas.

Contudo, desde sexta-feira passada que ando a ouvir o forte rumor que a Playboy brasileira poderá encerrar as suas atividades. Confesso que fiquei incrédulo, pois para mim, seria se algum dos grandes clubes do Rio de Janeiro ou São Paulo decidisse encerrar as suas atividades. Mas na realidade, o que acontece é que a Editora Abril, uma das mais importantes do país, está em processo de forte reestruturação após a morte do seu diretor, Roberto Civita, no passado dia 26 de maio. E o novo diretor quer cortar tudo pela raíz, livrando-se de onze revistas, incluindo... a Playboy. Sim, provavelmente uma das revistas mais icónicas em terras de Vera Cruz dos últimos 40 anos.

Uma revista que começou por ter o seu título... censurado. Quando chegou, em 1975 - uma das primeiras versões internacionais da revista fundada por Hugh Hefner - o Brasil vivia sobre uma Ditadura Militar de direita que decidia censurar tudo, quer em nome de uma "ameaça vermelha", quer em nome da "moral e bons costumes", num pais onde o corpo faz parte dos brasileiros. A "Revista do Homem" ficou com esse título até 1980, quando os ventos de abertura democrática sopravam mais fortes e aproveitando uma amnistia politica, deu-se uma "amnistia dos costumes". 

E assim, a Playboy mergulhou nos anos 80 como se de uma rebelde se tratasse. Tornou-se glamouroso e ousado falar, posar para a Playboy. Em pouco tempo, tudo que era atriz de novela não era ninguém sem que se mostrasse tal qual como veio ao mundo. Toda uma geração fez isso, por vezes mais do que uma vez, povoando todo o imaginário de toda uma geração, que fantasiava nos seus quartos ou casas de banho, á velocidade em que esfregava o seu mastro. Mas a revista era muito mais do que isso. Tinha as entrevistas às personalidades do momento, tinha as reportagens e outros assuntos do qual a Playboy americana já se tinha tornado famosa vinte anos antes, nos Estados Unidos. De uma certa forma, fazia um percurso paralelo, com resultados idênticos.

Mas com o tempo, as coisas desgastam-se. Muitos estavam saudosistas de um tempo em que não havia "panicats" ou mulheres com nomes de fruta, em que as atrizes faziam fila para ver quem estava nas páginas centrais, por um preço equivalente a uma casa, porque a circulação das revistas era bem saudável e as receitas publicitárias (e outras) valiam a pena. Só que hoje em dia, o mundo muda, e o jornalismo também. Em poucos anos, os suportes em papel desaparecerão, passarão para o digital. É certo que estando nas redes sociais ajuda muito, mas isso pode não chegar para a sobrevivência. Se calhar, também, uma coisa destas precisa de ser refrescada, não extinta.

Eu posso estar a ver isto de fora, mas creio que muitas das vezes, as publicações merecem uma "chicotada psicológica", como por vezes levam as equipas de futebol, quando despedem um treinador. Outra editora ou um grupo de "loucos" que percebam o espírito da Playboy e que a façam relançar, voltar a ter o brilho de outrora. Não é ser saudosista, mas é mais no sentido de pegar no que foi de bom e dar outra roupagem. Eu sei que é complicado, nestes tempos que correm, mas não acredito que as pessoas irão ver o fim de algo que marcou tanto uma geração de brasileiros e não esbocem qualquer reação. E caso apareça esse alguém que pegue e tente resgatar esse espírito, pode ser que haja menos "BBB" e mais classe. Sim, até no "putedo", há classe.

Espero que ela não morra no Brasil. Nem a revista, nem os seus leitores merecem tal destino.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Revista Speed - edição de setembro

Na edição deste mês da revista Speed, comemoramos os 40 anos do primeiro título mundial conquistado por um piloto brasileiro, Emerson Fittipaldi. Para isso, escrevemos sobre o ano de 1972, a temporada em que foi campeão, a corrida que o consagrou, o GP de Itália, e o carro em que o tornou famoso, o Lotus 72, desenhado por Colin Chapman e se tornou no modelo seguido por todos os carros de Formula 1 desde então. 

Com a capa do venezuelano Hector Garcia, dos GP Toons, e agora um dos nossos mais recentes colaboradores, em termos de Formula 1, falamos também sobre o desaguisado entre a Red Bull e a FIA, as análises dos GP's da Belgica e de Itália e os vinte anos da primeira vitória de Michael Schumacher, entre outros.

Nas outras competições, os destaques têm a ver sobre os pilotos da GP2 que correram nesta temporada, e também se faz uma antevisão sobre as Seis Horas de Interlagos, prova do novo campeonato de Resistência, o WEC, que acontecerá este final de semana.

Podem ler esta edição através deste link. Boas leituras! 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O regresso da Playboy portuguesa e o panorama das revistas

Soube ontem, através dos jornais, que a Playboy Portugal irá regressar em abril, com capa de maio. Aparentemente, quem vai pegar no "franchise" será uma editora totalmente nova, a Media Page, baseada numa distribuidora de filmes e conteúdos televisivos. Segundo a Meios e Publicidade, o seu diretor, Marco Reis, não quer tratar as mulheres como "objeto sexual".

“A nova revista Playboy não terá nada a ver com a anterior edição portuguesa. Não nos compete entrar em nenhum tipo de comparação mas seguramente o leitor irá notar uma enorme diferença”, assegura o responsável. “Teremos uma linha gráfica e editorial completamente distinta, sessões fotográficas mais suaves e cuidadas e a aposta será muito forte em conteúdos editoriais de referência em campos clássicos do título, como as entrevistas ou a ficção”, afirmou. Segundo ele, a tiragem média andará pelos 50 mil exemplares, mas para a primeira edição, serão feitas 80 mil.

Esta noticia surge quase como que uma "cereja em cima do bolo", pois num espaço de poucos meses, esse mercado está a viver um revivalismo. A Maxim voltou em janeiro, a GQ está de uma certa forma a reavivar-se e a Penthouse continua ali, solitária, quase. Das seis que havia em 2009 - falta a Men's Health -, reduziu-se para quatro, devido ao caso da anterior editora da Playboy e o final da FHM e da Maxmen - que foi o nome português da Maxim. Entretanto, surgiu a Penthouse, que lá continua, firme e forte.

E quanto à pergunta sobre uma possivel saturação do mercado em relação a tantos títulos, quer o diretor, quer o responsável pela área comercial afirmam que há espaço: “A Playboy é uma das cinco marcas mais conhecidas do mundo e o maior título no segmento das revistas masculinas. O desafio é posicioná-la em Portugal no seu espaço natural. Havendo qualidade e consistência, seguramente haverá leitores”, concretiza. 

Parece-me estranho ver a entrada de tantas revistas assim, num país em crise. Mesmo em termos de automobilismo, com o reavivar do Volante e do Autosport, bem como a chegada da Top Gear, vai dar ao mercado das revistas uma profusão de títulos do qual me perguntos se existirão espaço para todos eles. Todos encontrarão o seu nicho? E depois, será que haverá pessoal que gaste 3.5 euros por uma GQ, 3.95 por uma Maxim ou Playboy, outro tanto por uma Top Gear - que em 60 por cento ainda é uma cópia da versão inglesa - ou 5 euros por uma Penthouse? Não sei. Eu até posso comprar duas revistas, uma de mulheres e outra de carros, e a conta ficará sempre a rondar os oito euros. Em certos sítios, é o preço de um jantar.

Quanto ao gosto... é algo do qual não deve discutir. As senhoras conhecias não vão para a Penthouse, embora os homens exigam que a Playboy tenha a postura da primeira. Querem a famosa em "full frontal", mas claro, as famosas fogem disso como o "Diabo na Cruz". Querem-se mostrar nuas, mas não tanto. Isso é outra história, que começará a ser contada a partir da Primavera. Veremos é se o mercado aguentará tanta revista nas bancas. 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Extra-Campeonato: o final de uma era para as revistas masculinas

Há pouco mais de uma semana fui surpreendido com a noticia de que a Maxmen, a mais antiga publicação masculina de Portugal, iria fechar as portas, com efeito imediato, isto é, já nem iria sair neste mês de junho. Assim, os nove elementos que compõem a revista iriam para o desemprego e ao fim de dez anos - surgiu em março de 2001 - a sua aventura chegaria ao fim.

Estamos em crise, isso é certo. O panorama da imprensa nacional é negro, há mais publicações que fecham do que abrem, e ninguém se atreve a gastar o seu rico dinheiro em coisas dessas, pois não é viável. Nem para a imprensa, nem para qualquer negócio. São só os negócios mais ousados, diferentes ou inovadores é que podem ter esperança em resistir a mais de três meses de vida que qualquer pessoa tenha caso se lance em qualquer negócio sem apoios financeiros ou empréstimos no banco. Não há consumo que viabilize isto, os impostos são altos e nesta área, as revistas ou os jornais são os primeiros a pagar com a crise.

A Maxmen não foi a primeira a fechar as portas. Já tiveste a FHM, fechada em 2009 e no pano passado a Playboy, mas essa a história foi diferente, avidamente falada neste blog. Agora as coisas estão reduzidas a três: GQ, Penthouse e Men's Health, embora esta última esteja mais virada para a boa forma. Que claro contraste com as quatro ou cinco revistas que tínhamos em 2008, por exemplo!

Agora que os factos são conhecidos, que balanço se faz a isto? Pode-se dizer que há dez anos, quando a Maxmen chegou, era a tal "pedrada no charco" que as revistas precisavam. Foi um sucesso e foi o mote para que as restantes revistas chegasem a seguir. A GQ, Men's Health, FHM, vieram depois, alguns bem ou mal humorados, mais ou menos "descascados" mas vimos nessa década que passou um conjunto de raparigas, nacionais e estrangeiras, que deram a volta aos adolescentes e jovens adultos (como eu). As mentalidades mudaram e muita coisa aconteceu, houve edições memoráveis.

Quando a Playboy chegou, pensei que era o culminar de tudo. Não direi que era um sonho concretizado - teria sido se tivesse chegado em 2002 e não em 2009 - mas sempre tinha defendido que era tempo dela aparecer por estas bandas. Depois foi o pesadelo que se conhece: desconfianças, acusações de fraude e falta de pagamento à casa-mãe demonstrou que afinal de contas, aquilo era mais uma maneira "madoffiana" de fazer negócio do que propriamente profissionalismo. Enfim, águas passadas.

E agora, o que vai acontecer? Eventualmente mais uns tempos de longo Inverno. Estamos com o FMI por estas bandas, o aperto deve durar três ou cinco anos, senão mais, e voltar a crescer para que se criem empregos e se apostem de novo em projetos editoriais, vai demorar o seu tempo. Até lá, muitos emigrarão ou mudarão de profissão, e talvez não se tenha visto o fundo do poço. Ainda se vai esgravatar um pouco até lá chegar.

Quanto às revistas masculinas... creio que o seu tempo pode ter chegado ao fim. Alguns poderão voltar, novas revistas poderão chegar. Mas isso acontecerá quando as vacas voltarem a engordar, talvez na próxima década.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Extra-Campeonato: A Jueves não se cala, outra vez!

A frase do momento em Espanha e na América Latina é o "Porqué no te callas?", que o Rei Juan Carlos mandou ao presidente venezuelano Hugo Chavez na Cimeira Ibero-Americana de Santiago do Chile, no Sábado passado. Por duas ordens de motivos: porque nem toda a gente tem uma paciência infinita para aturar (em todos os sentidos) o presidente da Venezuela, e porque ser o Rei de Espanha, que muito raramente abre a boca em público. E não naqueles modos.

Mas hoje estou a falar sobre outra coisa: a revista satírica "El Jueves", que desde Julho comprou uma guerra contra a familia real espanhola, que por causa de uma capa em que punha os Principes das Asturias em "doggy style", no sentido de gozar com uma lei de Zapatero, viu a sua edição ser apreendida por ordem do tribunal. Ora, o caso foi a julgamento e a sentença foi dada, condenando o caricaturista e o seu editor a uma multa de 6 mil euros, pagos a meias.



Bom, se acham que isto iria acabar aqui, esqueçam! A "El Jueves", que agora tem um novo lema (El Jueves, la revista qué nos condenan los Martes), publicou, na edição desta semana, a resposta à sentença ditada pelos juízes da Audiência Nacional. A resposta da revista à situação (satírica, como sempre) fez-se através de várias tiras, ironizando ainda o assunto: "O que terão feito com os nossos seis mil euros?" foi o mote.

E as respostas são várias: "Pagar o divórcio da princesa [Elena]?"; "Pagar contas em atraso?"; "Ir jantar a um bom restaurante?"; "Viajar por sítios novos [como as ruas da cidade madrilena]?"; "Fazer obras?"; "Aumentar a fortuna [pessoal do Rei Juan Carlos]?".

Uma coisa é certa: para eles, a liberdade de criticar é um bem absoluto, e que não poder ser dobrado sob qualquer pretexto. Isto faz-me lembrar, muitas vezes, com o Larry Flynt. Quem viu o filme, feito pelo excelente cineasta checo Milos Forman (Voando sobre um Ninho de Cucos, Amadeus, Homem na Lua) sabe daquela cena que, quando Flynt e o seu advogado saem do Supremo Tribunal (interpretados respectivamente por Woddy Harrelson e Edward Norton), após este ter dado uma sentença favorável, a um caso contra o tele-evangelista Jerry Fallwell, evocando a Primeira Emenda da Constituição Americana (que proíbe leis que restringam a liberdade de expressão, de reunião de livre religião, de liberdade de imprensa), ele afirmou a razão porque levou o caso até ao fim:

"Se um pornógrafo como eu pode publicar, então que vocês (jornalistas) possam excercer a vossa profissão em paz."

No final, é tudo uma questão de liberdade de expressão.