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sábado, 13 de outubro de 2012

Formula 1 2012 - Ronda 16, Coreia do Sul (Qualificação)

Uma semana depois do Japão, máquinas e pilotos foram diretos para a Coreia do Sul, para aquele país que está nas bocas de todo o mundo, não porque o vizinho do norte fez alguma asneira, ou por causa dos produtos que eles fazem, mas sim por causa de uma canção e uma dança. Alias, o Gangnam Style é tópico do momento, porque todos querem saber se os pilotos ou os membros da equipa irão fazer os movimentos de uma canção que até agora, já foi vista mais de 400 milhões de vezes em apenas três meses.

Mas falar do Gangnam Style (nome do bairro mais chique de Seoul) significa que, por este ano, muitos esqueçam que essa corrida acontece num lugar no meio de nenhures, e onde muitos jornalistas e outras pessoas que acompanham a Formula 1 tenham de pernoitar em motéis, onde os donos tem ali uma oportunidade unica de ganhar um "extra" desses forasteiros que aparecem por ali uma vez por ano, que por alguns dias por ano vêm ali apenas para pernoitar e não para dar cambalhotas fora do casamento...

A Q1 começou debaixo de céu nublado e sem grandes novidades, e no final, a fava saiu a Bruno Senna, mas também poderia ter saído a Fernando Alonso e a Lewis Hamilton, pois tiveram más qualificações e tiveram muito perto de ficarem eliminados, depois de uma saída de pista por parte do inglês e o espanhol a não conseguir uma boa volta. Michael Schumacher também esteve perto da eliminação, mas depois conseguiu uma boa volta que o permitiu safar-se da zona de perigo.

Com a chegada da Q2, seria interessante saber se haveria alguma surpresa suficientemente negativa para definir este campeonato. O Red Bull de Sebastian Vettel cedo marcou o passo, com 1.37,767, e no final da segunda qualificação, ao mesmo tempo que o Toro Rosso de Daniel Ricciardo parava na pista devido a problemas de transmissão, colocando a pista em bandeiras amarelas, alguns pilotos ficariam prejudicados, sendo o mais prejudicado Jenson Button, que apenas conseguiu o 11º tempo e ficando de fora, tal como os Sauber de Sergio Perez e Kamui Kobayashi e o Force India de Paul di Resta.

Quando chegamos à Q3, os Red Bull estavam numa situação de superioridade, devido aos tempos que colocou ao longo das várias partes. Após Fernando Alonso e Lewis Hamilton se mostrarem, bastou a Sebastian Vettel fazer uma boa volta para conseguir 1.37,316 segundos e marcar o seu tempo perante a concorrência. Mas na segunda parte da Q3, com os pilotos a marcarem o seu tempo final, é Mark Webber que consegue um tempo 70 centésimos mais veloz do que Vettel e fazendo com que ele conseguisse a "pole-position".

No final, a Red Bull repetia o monopólio da primeira linha que tinha conseguido em Suzuka, mas com a ordem trocada. Para Webber, era a sua segunda pole position da temporada, depois de ter conseguido no Mónaco. Lewis Hamilton é o terceiro a partir, na frente de Fernando Alonso. Kimi Raikkonen era o quinto, ao lado de Felipe Massa, e Romain Grosjean era o sétimo na grelha.

Com um treino sem enorme história, acabava o dia de sábado em paragens coreanas. Depois disso, seria mais uma noite em que os pilotos e dirigentes dormiriam em bons hotéis, enquanto que o resto do pessoal iria passar mais uma noite em camas redondas com espelhos no tecto, com a opção para o vibratório... amanhã haverá mais corrida, provavelmente com momentos decisivos no campeonato.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O elefante branco coreano e o elefante indiano

No meio destas noticias sobre a IndyCar e o acidente mortal do Dan Wheldon na prova de Las Vegas, esquecemos completamente da Formula 1, especialmente a corrida que ocorreu algumas horas antes, na Coreia do Sul. E deparei no meio disso tudo com algo inusitado: segundo se conta por lá, descobriu-se nos armários existentes em Yeongnam muita comida estragada, levantando suspeitas de que era comida esquecida... no ano passado. E mais suspeitas foram levantadas quando os delegados da FIA chegaram lá dias antes para ver que... as rolhas de campanhe abertas pelos pilotos em 2010 ainda estavam no pódio.

A ser verdade, não direi que os coreanos sejam pouco asseados. Direi apenas que aquele circuito, plantado no meio do nada, sem a Formula 1 nada vale. E depois pergunta-se a razão pelo qual o Bernie Ecclestone arranja negócios destes, não é? Deverá ser a versão coreana do "elefante branco"...

E estamos agora a dez dias do GP da India, num traçado novo para toda a gente, num pais que também não tem tradição automobilistica... enfim, vai começando a ter, com coisas como a Force India e pilotos como Karun Chandhok e Narain Karthikeyan. Mas construir um circuito de 130 milhões de euros no meio de nada, nos arredores de Nova Delhi, contestado pelas populações locais por ter sido feito sob terras férteis, entre outras coisas, faz-me pensar se esses "novos ricos" sabem rentabilizar um projeto daqueles para outras provas.

E que se em 2012 aparecerem rolhas de champanhe no pódio provenientes das garrafas abertas por Lewis Hamilton, Sebastian Vettel ou Jenson Button, questionrei cada vez mais a utilidade da "expansão asiática" que o "anãozinho tenebroso" anda apostado nos últimos tempos...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Troféu Blogueiros - Coreia do Sul

Tem dias em que isto é lento, outros em que é rápido. Desta vez, é logo na terça-feira que colocamos por aqui as notas do Troféu Blogueiros relativamente ao GP da Coreia do Sul. As notas foram algo justas, no cômputo geral, embora esperava ver mais em relação ao Fernando Alonso. Mas se a ideia que deixamos passar é que ele "herdou" a vitória em vez de a ter conquistado, então, curvo-me respeitosamente perante a maioria.

Achei egraçado quando o Thiago comentou no Twitter que eu fui "o mais ácido na atribuição das notas", pois boa parte delas foram excluidas na contagem final. Ácido, eu? Não direi isso, sou racional. OK, dei nota dez a Fernando Alonso, mas não fui eu que dei nota zero ao Mark Webber só por causa da corrida que fez. Pois não, Pezzolo? E já agora, nota oito ao Timo Glock porquê?

Ainda bem que levamos tudo isto com bom humor...

sábado, 23 de outubro de 2010

Formula 1 2010 - Ronda 17, Coreia do Sul (Qualificação)

Mesmo que o circuito seja novo, o resultado da qualificação deu algo velho: Sebastien Vettel e a Red Bull conseguiram a pole-position do GP da Coreia do Sul, cuja edição inaugural acontecerá amanhã. Mas se em algumas partes, em algumas qualificações, parecia ser uma questão e quando e onde, aqui, as coisas piaram mais fino, pois o suspense esteve no ar até ao último instante.

Se na Q1 toda a gente estava à espera de quem ficaria com os lugares do fundo da tabela, com Sakon Yamamoto a ser melhor que Bruno Senna, que aparenta estar um pouco desmotivado por estar numa sucata ambulante chamada Hispania (a suspensão quebrada na primeira sessão de ontem foi um bom exemplo), já um pouco mais à frente, o Virgin de Timo Glock acabou por lutar com o Lotus de Jarno Trulli pela melhor posição entre os estreantes, acabando o italiano por levar a melhor. Mas ficou a 1,6 segundos de Vitantonio Liuzzi, o último piloto que ficou de fora da Q1. Mas estes três subirão um lugar na grelha de partida devido à penalização do Renault de Vitaly Petrov, pois este qualificou-se na 15ª posição, e a penalização é de cinco postos devido aos eventos do Japão.

Na Q2, desta vez os Sauber de Nick Heidfeld e Kamui Kobayashi não conseguiram o passaporte para a Q3, batidos pela Williams e pela Mercedes. Mesmo Nick Hulkenberg, que não conseguiu passar para a Q3, ficou à frente dos carros de Peter Sauber. E foi mais ou menos por esta altura que houve um incidente digno de nota... entre os dois veteranos do pelotão. O Mercedes de Michael Schumacher voltou a fazer das suas, ao bloquear o Williams de Rubens Barrichello durante uma volta rápida. Resultado? Os comissários desportivos repreenderam-no. No final. Schumacher e Barrichello irão partilhar a quinta fila da grelha de partida.

O oitavo lugar de Robert Kubica, atrás de Nico Rosberg (5º), Felipe Massa (6º), e Jenson Button (7º), até pode ser considerado como uma desilusão, depois das boas indicações das sessões livres, onde chegou a liderar uma delas. Se foi uma inadaptabilidade dos seus pneus ao circuito ou outra coisa qualquer, esperava-se mais do polaco no seu Renault.

No final da qualificação, os estados de espírito dos três primeiros eram estes: Vettel, o jovem piloto alemão, era uma pessoa feliz no final desta qualificação: "Este resultado é um grande feito para nós porque ontem as coisas não nos correram muito bem. Tentámos algumas coisas que não resultaram e numa nova pista acabei por fazer poucas voltas. Tentámos resguardar um pouco o carro e rodámos pouco, pelo que tivemos de ficar com o que conseguíssemos da qualificação", reconheceu Vettel na conferência de imprensa.

E quanto à corrida de amanhã? Vettel declarou em tom prudente: "Temos de enfrentar cada corrida à medida que surge. O Japão foi bom mas agora estamos na Coreia. Hoje estou muito contente, dadas as dificuldades que tivemos nos treinos. Não consegui entrar no ritmo certo, pelo que isto é um grande feito para nós. O carro era rápido, sem dúvida, mas precisávamos do resultado. O mais importante foi nunca perder a concentração e manter a calma e este resultado mostra que tivemos o suficiente. O nosso trabalho hoje está feito e amanhã vamos ver", acrescentou.

Quanto a Webber, o australiano afirmou que "foi uma sessão muito renhida, fiquei em segundo, o que é melhor do que muitas outras posições". Contudo, reconhece que "seria bom ter ficado com a pole, mas ainda podemos ter um bom resultado a partir de segundo. Hoje correu tudo como planeámos, mas foi renhido. Não fiquei muito satisfeito com a primeira volta feita nos pneus opcionais, pensei que fosse melhor cumprir duas voltas e acabou por não correr mal. A minha segunda volta foi a melhor e penso que foi uma boa volta, mesmo se não a mais rápida", concluiu.

Já o terceiro classificado, Fernando Alonso, estava satisfeito por ser o primeiro dos "outros": "Penso que foi uma boa qualificação, bastante emocionante. Andámos o mais rápido do que esperávamos. O carro estava muito competitivo. Nos momentos decisivos podia ter puxado mais, poderia ter ido mais rápido, mas as expetativas não eram muito altas. Explorámos o potencial do carro ao máximo. Como é costume, as qualificações não costumam ser o nosso ponto forte, mas aqui ficámos muito perto dos Red Bull, o que é bom", afirmou Alonso.

No final, os três primeiros da grelha foram uma imitação da grelha japonesa, com Vettel na frente de Webber e Fernando Alonso, no seu Ferrari, e os três conseguiram fazer tempos na casa do 1.35 minutos (curiosamente, o tempo que previa ontem...)o que significa que estes senhores irão discutir o título até ao fim, pois por muito que a McLaren tente, com Hamilton e Button, a sua janela de oportunidade pode estar a fechar. Em circunstâncias normais, claro... porque em Yeongnam é tudo novo, e existe a possibilidade de chuva para amanhã. Num traçado novo e escorregadio, é mais uma dificuldade para os pilotos.

E Alonso tem consciência disso, pois o seu objectivo é terminar a corrida, se possível bem classificado, para manter intactas as hipóteses do título: "Temos de ter em atenção as previsões meteorológicas. Ainda existem algumas dúvidas quanto à possibilidade de chuva, em especial de manhã. Temos de manter a calma e terminar a corrida. Talvez amanhã os cinco [candidatos ao título] terminem a corrida. Não podemos ser um dos que não terminam a prova e temos de continuar a marcar pontos em todas as corridas e estou certo que ficaremos satisfeitos com isso", afirmou.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Formula 1 2010 - Ronda 17, Coreia do Sul (Treinos)

Depois das criticas sobre a pista e do ambiente à volta, dos receios sobre se a prova estaria pronta a tempo, e que a pista seria um "tilkódromo" ultra-chato, afinal, as primeiras impressões foram totalmente contrárias. Apesar do ambiente de "canteiro de obras" e de a maior parte do pessoal ir dormir em moteis, onde são cobrados à hora, todos ficaram com boa impressão do circuito coreano. Há curvas desafiadoras, em média/alta velocidade, e na curva anterior à meta, todos pareciam que queriam aproveitar aquela nesga de terra.

Mas há defeitos: o "miolo" do circuito faz lembrar um Hungaroring em tamanho grande, de tão lento que é, há zonas onde os muros estão demasiado próximos (aquilo será uma área urbanizada no futuro) e os pilotos reclamaram sobre isso. E ainda por cima, a entrada das boxes na zona da curva 17 é demasiado em cima, numa curva dita "cega" e pode atrapalhar os pilotos mais rápidos, como aconteceu algumas vezes nos treinos de hoje. Somando isto tudo à sujidade da pista devido ao seu pouco uso, temos a grande incógnita existente sobre a camada de asfalto. Nos treinos de hoje, ela aguentou, mas começou-se a ver alguma ondulação em certas partes da pista. É um campo ainda em aberto. Mas em relação aos muros, eles poderão ser afastados um pouco mais.

A primeira sessão de treinos, com hora e meia de duração, começou cautelosa devido ao facto da pista estar muito escorregadia. Primeiro avançaram cautelosamente, mas com os minutos a passarem, marcaram-se os primeiros tempos do dia. Primeiro, foram o McLaren de Jenson Button, o Renault de Robert Kubica, os Williams de Rubens Barrichello e Nick Hulkenberg, depois os Red Bull de Mark Webber e Sebastien Vettel e por fim, Lewis Hamilton, que marcou 1.40,887 nos minutos finais da sessão, após ter dado... 15 voltas à pista, quatro das quais cronometradas.

O tempo de Hamilton foi apenas 0.081 milésimos mais rápido do que o Renault de Robert Kubica, o segundo, e mais 265 centésimos do que Nico Rosberg, da Mercedes. Sebastien Vettel foi o melhor dos Red Bull-Renault, no quarto posto, enquanto que Mark Webber foi o sétimo na tabela de tempos da primeira sessão. Em termos de novatos, o melhor foi o Lotus de Heiki Kovalainen, 19º, à frente de Jarno Trulli e do Virgin de Jerome D'Ambrosio, o piloto da Virgin para as sextas-feiras. Quanto a incidentes, tirando uma quebra de suspensão no Hispania de Bruno Senna e as habituais saídas de pista, não houve nada de anormal.

Depois de ver a primeira sessão de treinos extra-larga, achei que na segunda sessão de treinos extra-larga os tempos iriam baixar, e muito. A minha previsão estava nesta altura na casa de 1.35 alto, ainda em pneus duros, mas algo dizia que estava a ser conservador demais...

Afinal, até nem fui. Mark Webber confirmou o favoritismo dos Red Bul nesta pista ao fazer 1.37,942 segundos, menos três dos tempos da manhã, com Fernando Alonso bem colado, a 190 centésimos de segundo e a 337 centésimos de Lewis Hamilton. Robert Kubica continuou a demonstrar a competitividade dos Renault, ao ser o quarto classificado, enquanto que Jenson Button, que fez o quinto tempo desta sessão, teve um principio de incêndio nas suas boxes, prontamente debelado.

Quanto aos novatos, os Lotus foram os melhores, com Heiki Kovalainen a ser melhor que Jarno Trulli, mas o 18º posto alcançado pelo finlandês esteve muito longe do piloto à sua frente, o Toro Rosso de Sebastien Buemi. Mas estes ficaram um pouco longe do Virgin de Timo Glock e Lucas di Grassi, e bastante mais longe dos Hispania de Bruno Senna e Sakon Yamamoto...

No final do primeiro dia coreano, os piores receios ainda não foram confirmados, mas pode-se dizer que a pista de Yeongnam tem troços bons. Contudo, não de deixa de pensar que tudo aquilo não passa de um Hungaroring em tamanho gigante, num enorme canteiro de obras, com mais bancadas que espectadores... muito ainda por fazer, sem dúvida. Mas na próxima madrugada há mais!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A foto de familia dos cinco candidatos

Quem conseguir ficar por cima das polémicas sobre a realização do GP da Coreia do Sul (a mais recente noticia fala da possibilidade de chuva no Domingo) repara que esta temporada está a ser uma das mais disputadas, senão a mais disputada de sempre. E antes dos carros darem as suas primeiras voltas no traçado coreano, cheio de dúvidas e perante um canteiro de obras, o Bernie Ecclestone achou por bem fazer uma sessão de fotografias a imitar o famoso retrato dos treinos do GP de Portugal de 1986, onde os quatro candidatos ao título tiraram uma fotografia juntos.

Claro, houve fotos com os cinco pilotos: Fernando Alonso, Mark Webber, Sebastien Vettel, Jenson Button e Lewis Hamilton, dos quais três são campeões do mundo. É optimo fazer uma sessão de fotos numa altura destas, mas para quem vê Formula 1 há 25 anos, como eu, direi que o original é bastante melhor do que as cópias. E ainda por cima, uma dessas fotos é com o Tio Bernie. Porquê e para quê? Já não falta muito para que começemos a tratá-lo de "Querido Líder", como na Coreia do Norte...

Enfim, a intenção conta, e até gostei destas fotos. Veremos como acabará o fim de semana coreano...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

As primeiras imagens de Yeongnam

Já todos chegaram à Coreia e começam a ver as condições do circuito. Tem a sua graça: ver de um lado Fernando Alonso a passear na sua bicicleta, enquanto que do outro se vêm os andaimes a serem desmontados e os trabalhadores a varrerem os detritos, enquanto que noutras partes dos circuito ainda se colocam os bancos das bancadas provisórias, montadas cinco dias antes. Foi tudo à pressa, mas está feito. Mais ou menos... mas está.

Mesmo que tudo corra pelo melhor, mesmo que o asfalto não se descole, vai haver sempre queixas das pessoas que lá vão. Que não há Internet sem fios, que não entendem coreano, que dormem em motéis, que tudo à volta tem ar de canteiro de obras... como diz hoje o meu amigo Mike, os jornalistas habituaram-se à "frescura" dada pelo Tio Bernie e companhia. Eu substituiria a palavra "frescura" por "preconceito". Mas digo uma coisa: eu, que não ponho os pés num circuito há algum tempo, acho uma piada saber que para alguns circuitos, pelo menos na Europa, as exigências são umas, e noutros, como o da Coreia, a exigência é diferente. Acaso iriam ver o Charlie Whitting a aprovar um autódromo europeu a dez dias da sua realização, com canteiros de obras à volta? Tenho dúvidas...

Enfim, agora está tudo pronto, que comece a corrida. E façamos figas para que tudo corra bem.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

5ª Coluna: Receios sobre um circuito virgem

Um dos meus melhores amigos trabalhou até há pouco tempo numa construtora civil especializada em estradas, nomeadamente britagem e colocação de asfalto em estrada. Ele me disse que cada caso era um caso, e que mormalmente quando se coloca uma camada nova em estrada, a ideia é fazer um composto que sirva para que no dia seguinte esta seja usada por carros e camiões.

Conto esta história por causa do GP da Coreia do Sul e da grande dúvida que paira no ar: a qualidade do asfalto. Digo isto porque ele deixou-me uma ressalva importante, que aquilo que se coloca nos circuitos não é o mesmo tipo que se coloca numa estrada que usamos no dia-a-dia. Em suma, em vez de me tranquilizar, fez o contrário.

Quero acreditar que a FIA sabia do que fazia quando Charlie Whitting andou em Yeongnam nesta segunda-feira e deu o "selo de aprovação" o circuito. Mas também sei, pelo que oiço e vejo, que existe um enorme ponto de interrogação em relação ao circuito e aquilo que existe à sua volta. Se calhasse ir no próximo fim de semana de 22 a 24 de Outubro à Coreia do Sul, iria com o coração nas mãos. Não seria por causa dos Kim's do norte, não seria pelo desconhecimento da lingua ou do local, mas pelo facto de aquilo tudo ter um ar de estaleiro. Temo que as pessoas que vão lá irão passar por um inferno: instalações por acabar, dificuldades em instalar todos os equipamentos, dificuldades de acesso, dificuldades em pernoitar (pelo que me contam, aquilo tem mais moteis por metro quadrado...) e para piorar as coisas, o asfalto.

Há dois anos, acompoanhei as obras do Autódromo de Portimão, e sei que havia uma prova marcada para a primeira semana de Novembro, e a pista tinha de estar pronta pelo menos na segunda metade de Outubro. E sabia também que o asfalto seria a última coisa que iriam colocar. E colocaram a primeira camada em finais de Agosto, para acabar tudo no inicio de Outubro, afirmando que teriam de esperar três semanas, no minimo, até que a camada se assentasse.

Em Yeongnam, pelo contrário, a última camada de asfalto foi colocada há cerca de dez dias. Muito curto para assentar devidamente. O cenário de ver o asfalto a desfazer à medida que os bólidos circulam nas zonas mais criticas é o maior fantasma que paira sobre os organizadores, e se o pior acontecer, os criticos irão apontar baterias à FIA, FOM e Bernie Ecclestone e gritarão que tinham razão.

Eu estou convencido que eles queriam a corrida na Coreia porque sim. Não interessava quais eram as condições, não interessavam os atrasos, não lhes interessa se o palco à volta seja um autêntico estaleiro de obra, sem condições para os 80 mil ou 90 mil espectadores que lá forem, ainda por cima, se o boletim meteorológico lhes der um fim de semana chuvoso, como foi agora em Suzuka. Queriam a corrida porque estavam no calendário e estão "nas tintas" como é que vão fazer. Isto demonstra o estilo de governo e de escolha de Bernie Ecclestone e da FOM: só lhes intererssam os espectadores, desde que paguem. O resto que se lixe.

Claro, se o pior acontecer, poderemos esperar... o inexpectável. Uma Twilight Zone abaixo do paralelo 38 é uma possibilidade real, dado que num asfalto demasiado novo, e não sabendo como é que os pneus se irão comportar, não se pode contar como garantida uma vitória dos Red Bull e o tal "passo de gigante" rumo ao título. E também não se pode dizer que este será o momento do dia para Fernando Alonso e a sua Ferrari. Esta incerteza tão grande colocada sobre esta pista virgem dá um cunho ainda maior sobre a luta pelo título, que matemáticamente é a cinco, mas por esta altura é mais a três.

Apesar de todas as garantias que dão sobre a Coreia, tenho mais receios do que certezas.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

As mais recentes fotos da Coreia

Já apareceram as fotos de Yeongnam, na Coreia. No dia da tal inspecção de Charlie Whitting, cada vez mais nos convencemos que tudo isto é pouco mais do que uma "pro-forma", especialmente depois daquilo que lemos nas últimas semanas nas noticias. Nelas, nunca vi nada vindo da FIA que fosse contrário à realização da corrida coreana, apesar das dúvidas persistentemente lançadas desde o inicio do ano por parte de equipas, pilotos e outros. Sendo uma pista acarinhada por Bernie Ecclestone, e como é o Tio Bernie que tem as mãos no calendário, nada passa sem o seu crivo. E como a Asia está no seu topo... faria tudo para acolher a Formula 1 na data prevista, 24 de Outubro.

Por aquilo que vejo nestas fotos, não há nada à volta do circuito. O projecto prevê que se construa uma zona urbana à volta do circuito, e este ano nada há por lá. Logo, todos os que se deslocaram para o circuito vão se meter numa autêntica aventura. E pelo que ouvi falar, grande parte das hospedagens na zona são motéis...

Enfim, está tudo pronto, que venha a Coreia e todas as suas consequências.