Mostrar mensagens com a etiqueta Zorzi. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Zorzi. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Uma entrevista de Renzo Zorzi

Nas minhas pesquisas no Google, após a noticia da morte de Renzo Zorzi, esta sexta-feira, aos 68 anos de idade, descobri uma coisa fantástica, e de uma certa forma rara: uma entrevista, feita a um jornal de Bari, a "Gazzetta del Mezzogiorno" em setembro de 2012. Zorzi, então com 65 anos, vivia a reforma naquela área, depois de ter ido para lá no inicio dos anos 90 para trabalhar no circuito de Binetto, como piloto de testes da Pirelli, o sitio onde tinha começado, de uma certa forma, a sua carreira.

A entrevista, feita pelo jornalista Amerigo Di Peppo, é interessante: fala que ainda participou em campeonatos de "offshore", onde foi terceiro classificado em campeonatos de Itália e da Europa. Decidi traduzir e colocar aqui.

Q - Mas no que consiste essa nova atividade?

R - Faço parte de uma equipa com mais seis pilotos: percorriamos cinco mil quilómetros por dia, ao volante dos protótipos. Os testes são desenvolvidos na estrada, porque em pista os carros não são experimentados. No final do dia, um engenheiro recolhe os dados e envia para a sede. Iniciamos esta experiência há quatro anos. Sendo o chefe dos pilotos de testes da Pirelli, sempre que faço alguma proposta à sede, sinto que o "feedback" tem sido positivo.

Q - O que mudou a Formula 1 do seu tempo?

R - A diferença principal era que o piloto no meu tempo contava com 40 por cento do resultado. Hoje em dia deverá rondar os dez por cento, embora a diferença de um por cento pode sempre fazer a diferença.

Q - Mudou tudo?

R - Hoje em dia é mais patrocinios e mais "showbizz", mas menos espetáculo no sentido da emoção. As corridas de então eram mais verdadeiras, agora domina a tecnologia, para saber vencer agora têm de saber mexer com tantos botões no volante.

Q - Quem são os melhores do pelotão?

R - Alonso e Hamilton, pelas suas estratégias na corrida. Lewis deve corrigir alguns dos erros que ainda comete, porque raciocina menos.

Q - Quem vencerá o mundial deste ano? [2012]

R - Tenho a certeza que será Alonso em 90 por cento. A única variável é se acontecer qualquer imprevisto.

Q - E o que se passa com Massa?

R - Ele não consegue encontrar o equilibrio do seu carro e perde-se na pista. Quando o tem bem equilibrado, chega sempre entre os cinco primeiros.


Q - Deveria mudar de ares?

R - Não, porque uma vez sais da Ferrari, não encontraras mais uma equipa que esteja emergente. 


Q - Mas caso saia, quem poderia ficar com o seu lugar?

R - Não vejo pilotos ao seu nível. Talvez
[Sergio] Perez fosse o piloto ideal para viver a Ferrari.

Q - Esta Formula 1 não tem italianos. Porquê?

R - É uma questão de patrocinios. Não tempos multinacionais ou chefes de estado como
[Hugo] Chavez que sustenham os nossos rapazes. Na minha opinião, um colosso como a Eni deveria dar a mão aos nossos pilotos que saem do viveiro da Ferrari.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

A(s) foto(s) do dia



Fotos de alguns dos momentos de Renzo Zorzi, morto hoje aos 68 anos de idade. Apesar de terem sido apenas sete corridas em três temporadas por equipas como a Williams e a Shadow. Em Interlagos, podemos ver ele a bordo de um dos Wolf-Williams, no inicio de 1976, com Frank Williams atento, a tirar notas, enquanto que ele se prepara para sair para a pista.

De facto, parece ter sido um "piloto Z" numa pequena carreira na categoria máxima do automobilismo, mas ele esteve lá, e os que o apoiaram, como Franco Ambrosio, deve ter visto algum talento nele.

Mas o talento também tem a ver com a sorte, e aquele momento em que conseguiu pontuar, em Interlagos, em 1977, foi à custa dos azares dos outros, especialmente quando sobreviveu às armadilhas da famigerada curva 3, e na parte final, quando o Fittipaldi de Ingo Hoffman teve um furo e foi às boxes para trocar de pneus. Alguém tinha de estar no lugar certo, à hora certa.

Contudo, ele faz parte da história, e de uma certa forma, a sua perda é menos um elemento de um tempo rico e emocionante. Que não volta mais. Agora restam as fotos, os testemunhos e o seu lugar na história.

The End: Renzo Zorzi (1946-2015)

A Autosprint italiana anunciou esta tarde a triste noticia da morte de um piloto "lado Z", o italiano Renzo Zorzi. Tinha 68 anos de idade e já estava doente há algum tempo. A sua curta carreira na Formula 1, correndo na Williams e na Shadow entre as temporadas de 1975 e 1977, foi suficientemente atribulada para merecer o seu lugar nos livros de história do automobilismo.

Nascido a 12 de dezembro de 1946 na localidade de Ziano de Fiemme, no Trentino italiano, a sua carreira nos monolugares começou em 1972 na Formula 3 italiana, sem grande sucesso. Contudo, o seu primeiro grande feito aconteceu em 1974, quando mudou para um chassis GRD, que lhe deu melhores resultados, que atraiu a atenção de Franco Ambrosio, que decidiu financiar a sua carreira.

Em 1975, Zorzi estava na Formula 3 quando alcançou a sua maior vitória até então, no GP do Mónaco. Isso deu-lhe a chance de correr no final desse ano na Formula 1, com um chassis Williams no GP de Itália, em Monza, terminando na 14ª posição. no ano a seguir, correu num chassis FW04 no GP do Brasil, a prova inaugural desse campeonato. Curiosamente, não correu no desenho da Wolf-Williams, e foi 17º na grelha, na frente do outro piloto da equipa, Jacky Ickx. Na corrida, foi nono, um lugar atrás do piloto belga.

Contudo, a próxima chance que Zorzi teve na Formula 1 seria no ano seguinte, quando se tornou piloto oficial da Shadow, ao lado de Tom Pryce. A sua entrada deveu-se a Franco Ambrosio, e ele esteve sempre distante em termos de performence do piloto galês. Mas teve o seu momento de glória quando sobreviveu a um destruidor GP do Brasil, acabando a corrida no sexto lugar e conseguindo um ponto, que viria a ser o único da sua carreira.

Mas logo a seguir, em Kyalami, esteve indiretamente envolvido num momento infame do automobilismo. Na volta 21 do GP da Africa do Sul, o carro de Zorzi sofre um rompimento no tubo de combustível e para na reta da meta. Este tenta sair do carro quando este começa a pegar fogo, fazendo com que dois jovens comissários de pista atravesassem a pista com um extintor para apagar o fogo. Um deles, Jensen Van Vuuren, de 18 anos, levava o extintor e acabaria por ser atingido pelo Shadow de Tom Pryce, matando ambos.

Contudo, depois dessa corrida, as performances de Zorzi não corresponderam às expectativas e Franco Ambrosio e a Shadow decidiram substitui-lo por Ricciardo Patrese a partir do GP do Mónaco, acabando ali a sua carreira, depois de sete corridas e apenas um ponto.

Após a sua carreira na Formula 1, ainda participou em 1980 na britânica Aurora AFX Formula 1 Series, guiando um Arrows A1 na etapa de Monza, onde não chegou ao fim. Após o final da sua carreira automobilistica, no inicio dos anos 90, rumou para Binetto, na zona de Bari, onde dirigia uma escola de pilotagem da Pirelli, e nos tempos mais recentes, participava em vários encontros automobilísticos, apesar da sua progressiva deterioração do seu estado de saúde. Ars lunga. vita brevis.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O piloto do dia - Renzo Zorzi

Ele tem a coincidência de ter nascido no mesmo dia que Emerson Fittipaldi, e também de ter acabado como piloto de Formula 1. Mas as comparações ficam por aqui. Teve uma carreira discreta, de apenas sete corridas, mas conseguiu pontuar em pelo menos uma delas, e participou indiretamente num do momentos mais horriveis da história do automobilismo, onde o seu companheiro de equipa foi morto. No dia do seu 65º aniversário natalicio, falo hoje de Renzo Zorzi.

Nascido a 12 de dezembro de 1946 em Ziano de Fiemme, no Trentino italiano, começou tarde no automobilismo, em 1972, na Formula 3 italiana, num chassis Tecno da Scuderia Mirabella. Continua no ano seguinte, onde os resultados fazem com que ele seja escolhido pela Lancia para o seu projeto de Formula 3. Nesse seu terceiro ano na categoria, consegue o seu melhor resultado de sempre, ao vencer no prestigiado GP do Mónaco, com esse motor Lancia.

Estes resultados fazem com que ele tente a sua sorte na categoria máxima. Aluga um Williams no GP de Itália e estreia-se na competição, com um 22º lugar na qualificação e um 14º lugar como resultado final. No ano seguinte, volta a tentar a sua sorte com um Williams, agora comprada em parte por Walter Wolf. Corre na primeira prova do ano, no Brasil, onde faz um bom resultado, sendo nono classificado, a uma volta do vencedor. Mas cedo o dinheiro do patrocinio acaba e faz o resto da temporada na Formula 3.

Mas esses resultados fazem com que tenha uma nova chance na temporada de 1977. Apoiado por Franco Ambrosio, coloca-o na equipa Shadow, ao lado do piloto galês Tom Pryce. Apesar de ser constantemente mais lento do que o seu companheiro de equipa, ele consegue um inesperado ponto no desgastante GP do Brasil, a uma volta do vencedor. Mas na corrida seguinte, na Africa do Sul, Zorzi entra indirectamente numa das histórias mais negras da Formula 1, e que envolve a morte do seu companheiro de equipa.

Na volta 21 dessa corrida, Zorzi encosta à berma na reta da meta, depois de ter sido detetada uma fuga de combustivel, que causara um pequeno incêndio no seu carro. Do outro lado da pista, dois comissários começam a correr na sua direção para assistir o piloto italiano. Um deles é Jensen Van Vuuren, um bagageiro de 18 anos do Aeroporto de Joanesburgo que faz de comissário de pista nesse dia. Ambos atrvessam a pista numa zona de pouca visibilidade, e no preciso momento em que aparecem três carros: o Shadow de Pryce, o March de Hans-Joachim Stuck e o Ligier de Jacques Laffite. Stuck ia na frente e evita "in extremis" mas Pryce, que ia no seu "slipstream", não e leva em cheio com o extintor que Van Vuuren trazia. Ambos morrem no impacto, mas o Shadow descontrolado ainda bate no carro de Laffite, mas o piloto francês sai incólume.

Zorzi corre em mais duas corridas, com o seu novo companheiro de equipa, o australiano Alan Jones, mas cedo se revela não ter o ritmo pretendido e Franco Ambrósio decide trocá-lo por outro compatriota seu, mais promisor: Riccardo Patrese. A carreira de Zorzi fecha depois do GP de Espanha.

A sua carreira na Formula 1: Sete Grandes Prémios, em três temporadas (1975-77), um ponto.

Após a Formula 1, Zorzi andou pelo Grupo 6, onde venceu em 1979 os 1000 km de Monza, para além de algumas passagens pela Formula Aurora, o campeonato britânico de Formula 1, em 1980, ao volante de um Arrows A1. Continuou a correr nos Sport-Protótipos de Grupo C no meio da década de 80, com o seu melhor resultado um segundo lugar em Mugello, na temporada de 1985, a bordo de um Porsche 956, ao lado do argentino Oscar Larrauri e do italiano Massimo Sigala. Pouco depois, fechou a sua carreira competitiva para se dedicar à instrução de condução no Autódromo de Binetto, no sul de Itália.

Fontes:

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Bólides Memoráveis - Shadow DN8 (1976-78)

(...) No inicio de 1977, Jarier sai para dar lugar ao italiano Renzo Zorzi, imposto pela Ambrosio, o novo patrocinador da equipa. O chassis foi largamente modificado de forma a ser mais eficiente em termos aerodinâmicos, o que era importante para manter, senão melhorar, as performances do carro. Mas os bons andamentos de Pryce nas duas primeiras corridas do ano terminam abruptamente na terceira prova daquela temporada, o GP da Africa do Sul, em Kyalami.

Na corrida, um comissário local, Jenson Van Vuuren, atravessa a pista para acudir um carro parado quando aparece Pryce, que o atropela. Ele transportava um extintor que o atinge na cabeça, matando-o de imediato. Ironicamente, Van Vuurem ia acorrer... ao companheiro de equipa de Pryce, Renzo Zorzi.

Devasatada, a equipa fez uma mudança radical nos seus pilotos, contratando o australiano Alan Jones, sem lugar depois de uma temporada na Surtees. Duas corridas depois, Zorzi era substituido por um novato promissor, de seu nome Riccardo Patrese.

Contudo, com Jones ao volante, os resultados começaram a melhorar. Em Zeltweg, na Austria, numa corrida onde a pista secava progressivamente depois de uma chuva que tinha caído minutos antes, o australiano aproveitou bem essa oportunidade e conseguiu dar à equipa a sua primeira vitória - e que acabou por ser a sua unica - da carreira. Duas corridas depois, em Itália, Jones conseguiu subir de novo ao pódio, no terceiro lugar, e acabar regularmente nos pontos, contribuindo para que a equipa terminasse na sétima posição no Mundial de Construtores, o melhor de sempre. (...)

O ano de 1977 talvez tenha trazido, paradoxalmente, os melhores e piores momentos para a equipa Shadow. Em março, o seu piloto Tom Pryce morreu em Kyalami, vitima de um extintor que era trazido por um jovem comissário de pista local, que tinha sido atropelado por ele. Contudo, cinco meses mais tarde, em agosto, o seu substituto, o australiano Alan Jones, dá em Zeltweg, na Austria, o seu grande momento à equipa, quando chega à meta na primeira posição. Iria ser a primeira - e depois a unica - vitória desta equipa americana.

Contudo, esse auge foi de pouca dura, pois na equipa fundada por Don Nichols, um homem com um passado misterioso - dizia-se que tinha sido operacional da CIA - havia agitação, pois os seus membros queriam despojá-lo dali. O golpe falhou e os dissidentes sairam para dar lugar à sua própria equipa, que deram o nome de Arrows. O chassis DN8 ficou na história por ser o carro que deu os maiores sucessos à equipa. E é sobre esse chassis que falo hoje no Portal F1.

sábado, 5 de março de 2011

A horrivel morte de Tom Pryce, e os eventos que levaram a ela

Na história do automobilismo, há acidentes mortais que nos marcam, quer pela sua violência, quer pela sensação de que poderia ser evitável, quer até pela violência em si. Uma vida desperdiçada a fazer o seu melhor é isso mesmo: desperdiçada. O que aconteceu há precisamente 34 anos no circuito sul-africano de Kyalami marca pela sua violência e pela perda associada e pela sensação de que poderia ter sido evitável. E também tem o seu toque de ironia.

O GP da Africa do Sul era a terceira prova do ano de 1977, e aí já tinha havido um pouco de tudo: uma equipa estreante a ganhar à primeira, corridas debaixo de um calor infernal e até Renzo Zorzi tinha conseguido chegar aos pontos... nesse dia, na volta 21, o Shadow de Zorzi fica parado na meta com o tubo de combustível furado. Do outro lado da pista, dois comissários, um deles um jovem rapaz de 19 anos chamado Jensen Van Vuuren, correm para junto dele em modo de prevenção, caso o carro pegue fogo. Atravessar a pista em plena corrida era perigoso mas algo corriqueiro por esses dias, ainda mais quando se sabia que linha de partida se situava no alto de uma colina, bloqueando a vista de quem fazia o The Kink, a rápida curva antes da meta.

Quando os dois rapazes começaram a atravessar a pista, um grupo de quatro carros estava a acelerar a toda a velocidade nessa zona, começando a 22ª volta da corrida. Eram o March de Hans Stuck, o Shadow de Tom Pryce, o Ligier de Jacques Laffite e o Lotus de Gunnar Nilsson. Stuck viu os dois comissários a correr e só tem tempo para corrigir a trajetória o suficiente para o evitar por "milimetros". Mas Pryce não tem essa sorte. Atropela Van Vuuren e leva com o extintor que ele transportava na cabeça, e ambos morrem de imediato.

No final da corrida, Hans Stuck comentou sobre o incidente: "Quando subia a pista, notei essa pessoa a correr da minha direita, trazendo um extintor consigo. Confiei no meu instinto e nem sei como é que consegui safar. Reagi apenas naquele momento". Provavelmente foi isso que o salvou a ele, mas não a Pryce, que indo mesmo atrás do alemão, não teve tempo de reagir.

Mas isso não foi o final do drama. Sem controle algum e com o cadáver de Pryce lá dentro (ficou parcialmente decapitado com o acidente) o Shadow acelera em plena reta, até à Crawthorne Corner, e ainda colide fortemente com o Ligier de Laffite, acabando ambos nas redes de proteção. Laffite nada sofre.

O acidente ocorre mesmo à frente das boxes, e algumas pessoas tiveram pesadelos durante muito tempo. Aparentemente, esse foi um dos motivos porque a mulher de Patrick Depailler resolve deixá-lo, e um dos mecânicos da Tyrrell, Trevor Price, conta:

"Lembro-me perfeitamente do pequeno fogo que vinha do outro carro [de Renzo Zorzi] e depois do carro de Pryce a entrar na reta. De repente notei que o motor tinha deixado de acelerar mais cedo do que o previsto e algo a levantar-se momentaneamente para o ar quando o seu carro lá passou, que depois viemos a ver que era o infeliz comissário de pista".

O corpo de Van Vuuren estava irreconhecível: partes dele estavam pela pista, e a corrida não foi interrompida com bandeira vermelha. Quando terminou, com a vitória de Niki Lauda - a sua primeira depois do acidente de Nurburgring, sete meses antes - comentou: "Não conseguia retirar qualquer prazer daquela vitória".