quarta-feira, 20 de junho de 2007

GP Memória: Dallas 1984

Na altura, a cidade mais importante do Texas estava na moda: a série com o seu nome prendia milhões nas TV's de todo o mundo (incluindo na Roménia de Ceausescu!), e a frase do momento era "Quem matou J.R.?", aquele belo sacana que encornava à força toda uma alcoólica Sue Ellen. Não sei se foi o magnetismo da série ou se foi o peso dos dólares, mas por uma vez, Formula 1 fez uma visitinha ao Texas, que merece ser lembrada por várias razões...

Depois da Formula 1 ter corrido num parque de estacionamento de Las Vegas (1981-82), Bernie Ecclestone queria ter mais do que um Grande Prémio na América, pois achava que aquele era "o" mercado que a Formula 1 devia explorar. E Dallas foi mais uma cidade americana que acolheu o Grande Circo.



A ideia inicial era um Grande Prémio nas ruas de Nova Iorque, já em 1983 mas o plano foi cancelado a meio do ano. Então, Ecclestone virou-se para Dallas, onde foi construido um circuito à volta de Fair Park, um dos mais importantes "pulmões verdes" da cidade, não muito longe da Elm Street, o sitio onde Lee Harvey Oswald enfiou duas balas no corpo de John F. Kennedy, vinte anos e meio antes...



A prova foi feita no fim de semana de 7 e 8 de Julho de 1984. Mas nesse fim de semana, o Texas estava a ser varrido por uma vaga de calor, com temperaturas acima dos 40 graus. Para piorar as coisas, o asfalto não era grande coisa, e as corridas de suporte só ajudaram a destruir ainda mais. Portanto, quando os Formula 1 começaram a rolar na pista, o asfalto desfez-se em certas zonas. Logo, os rumores de cancelamento começaram a correr. Nelson Piquet afirmou que não sabia o que iria desfazer primeiro: se os pilotos, os carros ou o asfalto. Os pilotos da Lotus, Elio de Angelis (1958-1986) e Nigel Mansell, afirmavam que tinham guiado "na pior superfície de que tinham memória".



Por causa disso, a corrida foi antecipada para as 11 da manhã, para fugir ao calor, e o "warm-up" fora antecipado para... as 7 da manhã! Isso significaria que os pilotos tinham que estar no circuito às 5:45 da manhã. Ora, para Jacques Laffite, foi demais. Decidiu mostrar o seu protesto, chegando ao circuito... de pijama! Mais tarde, para poupar o asfalto, o "warm-up" foi cancelado.



Alguns pilotos, encabeçados por Niki Lauda e Alain Prost, chegaram até a esboçar um boicote à corrida. Mas outros, como Keke Rosberg, argumentaram que isso não valia a pena. O finlandês argumentou: "Todos nós nos queixamos das condições, mas no momento da partida, iremos para os nossos carros e correr. Com ou sem asfalto, iremos correr".



Ele tinha razão. Todos foram correr, pois estavam 90 mil fãs e outros milhões no resto do mundo, que estavam à espera de uma corrida e nunca iriam perceber as razões de um cancelamento tão em cima da hora. E lá foram. Mansell liderou desde o inicio, defendendo-se de qualquer assalto à liderança, primeiro de De Angelis, depois do Renault de Derek Warwick, que acabou no muro, quando o tentava ultrapassar, e finalmente do Williams de Keke Rosberg. Entretanto, mais atrás, René Arnoux, que tinha ficado parado na grelha devido a uma falha no motor, estava a fazer uma corrida de recuperação, chegando ao quarto lugar a meio da corrida.



Na volta 38, Rosberg passa Mansell, mas era atacado pelo McLaren de Alain Prost. Na volta 49, ascende à liderança, mas oito voltas depois, bate inexplicavelmente no muro e desiste. Assim sendo, o finlandês volta à liderança, Com Arnoux em segundo, e De Angelis em terceiro. E foi assim que cortaram a meta, na volta 68, no limite das duas horas.


Mas um último drama ainda estava a acontecer: na última curva da última volta, o Lotus de Nigel Mansell bate no muro a poucas centenas de metros da meta. Apesar de ser ilegal, o "brutânico" saiu do carro e decidiu empurrá-lo, sob um sol escaldante! Só que o cansaço acumulado e o calor fez com que Mansell acabasse desmaiado ao lado do seu carro, enquanto que a multidão aplaudia aquele gesto de coragem...

Noticias: Zanardi volta a testar um Formula 1

A BMW vai voltar a dar um dia de testes ao italiano Alex Zanardi, pouco mais de um ano depois de outro teste, em Valência. "Dar um teste ao Alex é a única maneira de fazer com que ele pare de me ligar a pedir que rode connosco. Ele faz parte da família BMW, é um personagem fantástico e terei todo o gosto em voltar a dar-lhe um teste!" disse Mario Thyssen numa declaração citada pelo Autosport português.


Zanardi, de 40 anos, é actualmente piloto da BMW no Campeonato Mundial de Turismos (WTCC), e rival de Tiago Monteiro. Piloto muito rápido, mas muito azarado, foi bi-campeão da CART e teve um grave acidente na oval de Lauritzsring, em Setembro de 2001, onde perdeu ambas as pernas. Depois disso voltou à competição, onde ganhou uma prova no WTCC. No teste que fez em fins de 2006 no Circuito de Valência, Zanardi, num Formula 1 adaptado ao seu estilo de condução, bateu o então piloto de testes, Sebastian Vettel, por 0,8 segundos!

Não tou a ver de volta na Formula 1, mas já começo a acreditar em tudo...

Lauda: "A Morte ronda a Formula 1"

O meu amigo Felipão colocou hoje um post em que o tri-campeão do Mundo Niki Lauda acha que ainda estamos em estado de graça, e que a Morte ainda ronda por aí, treze anos depois dos acontecimentos de Imola, e que o acidente de Robert Kubica, em Montreal, foi um rude acordar.


"O fato de treze anos terem se passado sem nada acontecer é apenas uma sorte muito grande. A morte virá novamente. O risco sempre existe. No meu tempo, eu sabia que mais cedo ou mais tarde, eu iria me ver dentro de um hospital. Mas para muitos, a Fórmula 1 é apenas brilho e glamour. No entanto, isto é apenas uma ilusão."


Não duvido das palavras de Lauda. Ele já sofreu na pele, viu imensos amigos morrer, e sei perfeitamente que se aquele acidente tivesse acontecido em 1994, Robert Kubica estaria agora a fazer companhia a João Paulo II. Mas também sei de outra coisa: as coisas hoje em dia mudaram para melhor. Os construtores e engenheiros não andaram parados desde então. Os pilotos tem o HANS, que impede de partir o pescoço. Os carros são mais fortes, e os testes são mais rigorosos. Não digo que a Morte não volte mais à Formula 1, mas gostaria de pensar que as hipóteses de isto acontecer estão reduzidas ao mínimo. Gostaria.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Extra-Campeonato: Que raio de tempo!

O calendário marca o dia 19 de Junho. no Hemisfério Norte, é altura em que se aproxima o Verão, os dias são enormes (temos 16 horas de luz), e pelas minhas bandas, o calor seria norma e o céu sem nuvens. Em suma: tudo propício para a época.



Pois bem... está tudo ao contrário! Chuva, frio, vento. É o que tenho visto por estes dias, e já vi mais nuvens em Junho do que provavelmente em dez Junhos juntos. Por onde anda o calor? Por onde anda o Sol, as idas à praia, as Imperiais ou Boémias bebidas em esplanadas cheias à beira-mar, com praias cheias de meninas a exibir os seus corpos, mais ou menos cheios? Por estes dias, as praias andam vazias, as esplanadas vazias, as cervejas nos seus barris, em "stock"... O tempo pregou uma partida!


O metereologista José da Costa Pinto disse à rádio TSF que o mau tempo se deve a uma frente fria que está a passar na Peninsula Ibérica, e que as coisas se irão manter até sexta-feira. E esperam-se chuvas e ventos fortes...


"É o aquecimento global", dizem uns. "É o 'El Niño'", dizem outros. Uma coisa é certa: eu devia estar com calor, e ando de casaco de Inverno! Quando é que isto vai acabar? Eu quero o meu Verão já! E rais'parta o aquecimento global...

Crónica: A memória histórica do automobilismo

O jornal italiano "Gazzetta dello Sport" tem uma secção de primeiras páginas históricas, que marcam os maiores momentos desportivos que a Itália viveu desde o ano da sua fundação, em 1896. Tem lá o seu primeiro numero, e depois há as primeiras páginas que falam de todos os grandes feitos. E o automobilismo não é excepção. Num país de Ferrari, Lancia, Maserati e Alfa Romeo, colocá-los num canto da página é crime!




Começo por um bem mais antigo: 1936, o grande Tazio Nuvolari foi aos "States" e ganha a Copa Vanderbilt. Numa altura em que "Il Duce" Benito Mussolini mandava, qualquer feito era tomado em conta, pois assim exaltava-se os valores do "maschio italiano", e o nacionalismo fascista. O curioso é que parte desse sucesso se deveu a ter conduzido máquinas alemãs, os maiores rivais da Alfa Romeo, dirigida por... Enzo Ferrari!


Passada a II Guerra Mundial, e o aparecimento da Ferrari como marca de automóveis, nasceu uma nova paixão nos "tiffosi". E ao longo desse tempo, os grandes feitos da marca de Maranello tinham lugar habitual na primeira página, como aqui, em 1957, quando Juan Manuel Fangio alcançou o seu quinto título mundial, numa corrida mítica no circuito de Nurburgring.

Mas por vezes naqueles tempos, à glória era irmã da tragédia. E que melhor exemplo do que o GP de Itália de 1961, quando Phil Hill torna-se no primeiro americano a ganhar o título mundial, na mesma corrida em que o seu companheiro, o conde Wolfgang Von Trips, morre no acidente que envolve o escocês Jim Clark, e causa também a morte de 11 espectadores.






E quando os ídolos morrem, os media não ficam indiferentes ao seu legado. Para muitos "tiffosi", Gilles Villeneuve vai ser o maior piloto de sempre que a Ferrari jamais teve, apesar dos cinco títulos que Michael Schumacher deu à casa de Maranello, no inicio deste século. E quando 12 anos depois, foi a vez de Ayrton Senna, como culminar num fim de semana de pesadelo, em Imola, a coisa não passou imune aos italianos, mesmo sabendo que o piloto brasileiro nunca tinha posto o pé num Ferrari...


E é assim, de glórias e tragédias, que foi feita a história do automobilismo. Esta iniciativa do jornal para mim é inédita: oferece aos leitore a hipótese de ter essa primeira página na parede de sua casa, a um preço módico. Até há para os Ferraristas um "pachetto tiffoso", onde se faz um desconto se levar todas as capas dos títulos mundiais ganhos pela Ferrari.



Quem me dera que outros jornais fizessem isso. Para além de ser uma excelente fonte de receitas, davam aos fãs a hipótese de terem pendurada na parede uma foto do seu ídolo, ou do seu clube, ou da sua "squadra", como vejo todos os dias numa "pizzeria" perto da minha casa, pertencente a um genovês, onde tem lá a capa da "Gazzetta" no dia em que ganharam o tetra: "Tutto Vero! Campioni del Mondo", como a mostrar incredulidade a aquilo que tinham acabado de conquistar..

O piloto do dia - Innes Ireland

Os ingleses têm uma expressão para caracterizar este tipo de personagem: “larger than life”, que serve para definir pessoas excepcionais, que tinham um modo nada convencional de encarar a vida. Esta personagem foi um deles. Ele foi de tudo: formando em engenharia, foi militar, piloto de corridas, prestigiado jornalista e escritor, terminou a sua vida como presidente do British Racing Drivers Club, a entidade que, entre outras coisas, é a proprietária do Circuito de Silverstone. Este senhor chamava-se Innes Ireland.

Robert McGregor Innes Ireland nasceu a 16 de Junho de 1930 em Mythrolmryod, no Yorkshire. Era filho de escoceses, sendo o seu pai médico veterinário. Na sua juventude foi morar para a Escócia e aos 18 anos foi para a Universidade, aprender engenharia. Quando acabou o curso, foi para a Rolls Royce, e quando foi chamado para o serviço militar, foi tenente de um regimento pára-quedista no Canal do Suez.

Em 1957, enquanto dirigia uma firma de engenharia no Surrey, decidiu entrar em competições de turismo. O seu sucesso fez com que alargasse os horizontes, e em 1959, Colin Chapman decidiu convidá-lo para correr na sua nova equipa: a Lotus. Os resultados foram modestos, mas conseguiu cinco pontos na temporada de estreia, o que lhe deu o 14º lugar da geral.

Em 1960, continua na Lotus, onde faz a sua melhor temporada de sempre: consegue três pódios (segundo na Holanda e nos Estados Unidos, terceiro em Inglaterra) e acaba na quarta posição no campeonato, com 18 pontos. Para além disso, ganha três corridas extra-campeonato, entre os quais a GP do BRDC (British Racing Drivers Club).

Contudo, em 1961, começa mal a temporada, com um acidente grave nos treinos do GP do Mónaco, mas recupera dos seus ferimentos e ganha a última prova do campeonato, em Watkins Glen, tornando-se no primeiro piloto a ganhar uma prova para a Lotus de Colin Chapman. Contudo, Ireland irritou os quer os patrocinadores, quer Chapman ao dar o seu carro a Stirling Moss durante o GP de Itália daquele ano. Sendo assim, Ireland foi despedido por Chapman. Mas no final dessa temporada, conseguiu 12 pontos e o sexto lugar no campeonato de condutores, com uma vitória, um pódio.

Sendo assim, correu com um Lotus privado em 1962, conseguindo um quinto lugar em East London, na Africa do Sul. Nos dois anos seguintes, corre pela BRP, a equipa fundada por Alfred Moss, pai de Stirling Moss. Em 1963, consegue seis pontos, ficando no nono lugar da classificação geral. Em 1964, consegue dois quintos lugares, e com esses quatro pontos, fica no 14º lugar da geral.

Depois disto, Ireland consegue guiar ocasionalmente, quer com um carro privado, quer com a BRM, mas não volta a pontuar. A sua última participação é o GP do México de 1966, e a última corrida vai ser as 500 Milhas de Daytona, em 1967.

A sua carreira na Formula 1: 53 corridas, em oito temporadas, uma vitória, quatro pódios, uma volta mais rápida, 37 pontos no campeonato.

Após a sua carreira nos automóveis, Ireland torna-se num escritor de sucesso: é jornalista na American Road & Track Magazine, escreve a sua autobiografia, “All Arms and Elbows”, para além de comandar barcos de pesca no Atlântico Norte!

No final da sua vida, já era uma presença respeitada no meio automobilístico. O BRDC decidu elegê-lo em 1992 para que fosse o seu presidente, cargo que ele ocupava a 30 de Outubro de 1993, quando faleceu em Reading, vitima de cancro. Tinha 73 anos.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Noticias: Americanos respondem à letra a declarações de Eccelestone

Depois de Bernie Ecclestone ter dito na semana passada que não era necessária a presença da Formula 1 nos Estados Unidos (o que deve ser lida como forma dele para sacar mais umas massas a Tony George, o proprietário da pista), os americanos ouviram e responderam da maneira que sabem melhor: à letra.


As edições de hoje dos jornais locais e os comentários dos especialistas da matéria são tudo menos meigas: um comentarista da ESPN chamou-o de "Harry Potter geriátrico", enquanto que o "Indianápolis Star" teceu um editorial crítico: " A Formula 1 arrogante deve sair de Indianápolis. Tony George, inclusivé, afirmou que deviamos dizer "byte me" em todas as linguas usadas pelos pilotos. Eles são convidados do Diabo (whooa!) e é hora deles irem embora"


Outro periódico, o "Indianápolis Post-Tribune", decidiu colocar o dedinho na ferida:"Sim, Bernie, você pode ir para a Rússia ou para a India, mas qual é o país que compra mais Ferraris? É a América, caso se tenha esquecido."


Por norma, não gramo nada a arrogância dos americanos e do seu etno-centrismo. Mas acho que hoje abro uma excepção. Sempre achei que o sr. Bernie Ecclestone, agora no seu 77º ano de vida, está há tempo demais na Formula 1 e ele deveria ir embora para contar os seus milhões. Ele e o Max Mosley, pois essa ideia de pistas citadinas, circuitos nos confins da Ásia, corridas à noite... são típicas de um tipo que já está na última fase da sua vida. E mais não digo, porque vai sair asneira, de certeza...

GP Memória - Africa do Sul 1985

Ao ver há uns dias esta imagem no Blog do Felipão, de um homem negro a trabalhar no duro na berma do circuito de Kyalami, na edição de 1972, despertaram-me as minhas memórias de infância, e provavelmente a minha primeira causa ao qual fiquei sensibilizado: o Apartheid na Africa do Sul.

Devia ter uns 7,8 anos, quando comecei a ver as imagens da altura: os bairros negros do Soweto, em revolta, contra a minoria branca, privilegiada, com todos os direitos, contra a maioria branca, quase sem direitos. E o meu primeiro herói fora da Formula 1 foi Nelson Mandela, preso há mais de 20 anos (naquela altura) o mundo ocidental exigia a sua libertação, de um jugo ditatorial (de uma raça sobre a outra) E sentia essa revolta. E no dia em que ele foi libertado, um Domingo, lembro-me de ter largado tudo só para ver o momento da libertação daquele Homem (sim, com H grande). E posso dizer que deve ter sido dos poucos que não me desiludiram. O sonho foi cumprido. E conheço muitos sul-africanos brancos que me disseram que tudo aquilo que se passou em 1994 foi um verdadeiro milagre...

Aliás, a Africa do Sul foi uma das hipóteses que os meus pais tinham para viver, por alturas da Descolonização em Angola. Era esse, o Gabão e o Brasil. Mas o facto da minha mãe ser morena/mestiça fez com que no último momento, os meus pais tenham decidido viver para o Brsil, em Setembro de 1975. Aliás, eles desembarcaram num 7 de Setembro. Mas mesmo assim estiveram alguns dias em Joanesburgo, esperando um voo para o Rio de Janeiro... e foi assim que nasci em Vitória, em vez de nascer em Luanda, Cidade do Cabo, Libreville ou mesmo Harare...

Mas enfim, são memórias da minha infância. Em 1985, a comunidade internacional pressionava a Africa do Sul de um modo eficaz. O Comité Olímpico Internacional não deixava competir os sul-africanos desde os Jogos Olímpicos de 1960, em Roma, os sul-africanos eram barrados de todos os eventos desportivos internacionais (rugby, cricket, futebol). A Formula 1 era uma espécie de último reduto, e mesmo assim, sofriam pressões por parte os vários organismos internacionais, entre os quais a ONU, para que a então FISA cancelasse esse Grande Prémio, em Kyalami.

A prova estava marcada para o dia 19 de Outubro de 1985, uma sexta-feira, creio eu. Foi a última vez que um Grande Prémio foi disputado num dia que não o Domingo, e o apelo ao boicote teve algum efeito. As equipas francesas (Ligier e Renault), não compareceram, devido a um pedido feito pelo então presidente Francois Mitterrand (1916-1996), e a Lola-Beatrice de Carl Haas só fez figura de corpo presente (treinou, mas não correu). Outras equipas foram correr, mas o que é engraçado é que na altura do campeonato (era a penúltima prova) já Alain Prost era o campeão mundial, logo, não havia justificação para correrem, pois tudo estava decidido...

Nos treinos, os McLaren e a Williams deram um ar da sua graça, mas quem ficou com a pole-position foi Nigel Mansell, no Williams-Honda. Logo a seguir ficaram o Brabham-BMW de Nelson Piquet e o Williams-Honda de Keke Rosberg. Depois vinha o novo campeão do mundo, Alain Prost, num McLaren despido de patrocínios.

A corrida decorreu sem incidentes de maior. Mansell liderou e não mais largou até ao fim, conseguindo a sua segunda vitória da carreira, mostrando as potencialidades do Williams-Honda, que seriam mostradas em todo o seu esplendor no ano seguinte. Depois de Mansell, Keke Rosberg e Alain Prost fecharam o pódio. Depois dos três primeiros, o quarto foi o Ferrari de Stefan Johansson, e os dois últimos lugares pontuáveis foram ocupados pelos Arrows de Thierry Boutsen e de Gehrard Berger.

E foi assim o último GP na Africa do Sul por sete anos, no velho traçado de Kyalami. Depois, o circuito foi remodelado, Frederik De Klerk sucedeu-se a Pieter Botha, decidiu acabar com a segregação racial, legalizou o ANC, libertou Mandela e permitiu eleições livres, em que todos pudessem votar. Foi a 26, 27 e 28 de Abril de 1994, com filas intermináveis de pessoas, a cumprir o velho sonho de "um homem, um voto". Quanto à Formula 1, voltou em 1992 e 1993, até que os organizadores do circuito de Kyalami declararam falência, tendo a prova saído da Formula 1 para não mais voltar… até agora.

Ainda Vettel...

Li isto agora no site brasileiro Grande Prêmio: o oitavo lugar de Sebastian Vettel na corrida de hoje permitiu a quebra de um recorde histórico: o de ser o piloto mais novo a pontuar numa corrida. Vettel tem agora 19 anos e 348 dias, e bateu o recorde de Jenson Button que data do GP do Brasil de 2000, quando com 20 anos, 2 meses e 7 dias, chegou em sexto lugar, a bordo de um Williams.

Parabéns, Sebastian! Outra curiosidade: ambos foram conseguidos a bordo de carros com motor BMW. Coincidência ou algo mais?

Que destino deverá ter "Half" Schumacher?

Depois de mais uma performance "normal" na Formula 1 (desistiu nas voltas iniciais), e quando chegamos à metade do campeonato, eis o seguinte:


- O melhor que teve Ralf este ano foram dois oitavos lugares (Australia e Canadá)


- Tirando uma ou outra excepção, os treinos foram sempre um desastre. Quase sempre ficava na primeira parte da corrida, e quando conseguia ultrapassar, raramente ia além do 11º, 12º lugar.


- O salário e a arrogância dele são nesta altura inversamente proporcionais aos resultados (já ouvi cada pérola vinda da boca dele...)


Há bocado, quando via outros sites e blogs, calhei num que falava nas alternativas que o Half tem neste momento, e para esse tipo (o lecas, do Fórum Autosport) as alternativas eram as seguintes:


1- Continuar na Toyota em 2008.

2- Continuar na F1 em 2008, noutra equipa.

3- Ir para casa, fazer amor sado-maso com a Cora.

4- Contar notas, uma por uma.

5- Tornar-se Gay ("Lilly" Shumacher, como lhe chamava N. Piquet).

6- Outro (destino)


As minhas respostas a este desafio seriam as seguintes:


1- HAHAHAHAHA... só se eles estiverem loucos!

2- Quem é que o vai querer? Ele pede 30 milhões...

3- De certeza que ele sabe fazer isso?

4- Não é uma má ideia. Sempre podia juntar-se ao irmão...

5- Não sei se ele é gay, nunca fui assediado por ele.

6- Sempre pode ir para a CART ou para a Le Mans Series. Mas não sei, querem um piloto vencedor...


Enfim, alguém tem respostas ou ideias melhores?

domingo, 17 de junho de 2007

GP EUA: A corrida

Foi a segunda vitória de Lewis Hamilton na sua carreira, o que fez com que tivesse um resultado perfeito nesta incursão americana da Formula 1: Duas poles, duas vitórias. Agora, Hamilton tem, creio eu, 10 pontos de diferança sobre Fernando Alonso. Isto significa duas coisas:


- Que Hamilton é como Julio César: chega, vê e vence. Ele pode muito bem ser o primeiro "rookie" a ganhar um Mundial de Formula 1


- Que a McLaren tem finalmente um carro quase imbatível, e que está a ganhar a batalha à Ferrari.


Mesmo dentro da Ferrari, Felipe Massa está a levar a melhor sobre Kimi Raikonnen. Será que o finlandês está a sormir à sombra da bananeira? Não creio. Mas acho que a hipótese de ser alguma vez campeão do mundo começa a passar-lhe ao lado...

Quanto aos outros... o quinto lugar de Heiki Kovalainen prova que ele é está a encontrar a sua boa forma. Onze pontos em duas corridas não é algo que pode ser negligenciado. Logo, não creio que Nelson Piquet Jr. se estreie em breve na equipa Renault. A não ser que Flavio Briatore seja um autêntico idiota em termos de relações humanas...


O sexto lugar de Jarno Trulli revela duas coisas: Primeiro, que os Toyotas não são maus carros de todo. Segundo: que os dias de Ralf "Half" Schumacher podem estar contados...


Nick Heidfeld teve azar em Indianápolis, de facto. Mas parece que o oitavo lugar de Sebastian Vettel parece que salvou um pouco "a honra do convento". A BMW tem de facto três bons corredores.


O sétimo lugar de Mark Webber é a compensação pela corrida azarada que teve em Montreal. Ainda bem.


Honda? Errr...

Parece que Adrian Sutil teve uma boa corrida, muito melhor do que o Chrijstian Albers. Será que está a exibir-se à Toyota?

WTCC - Brno

O fim de semana da etapa checa do WTCC não foi grande coisa para as cores portuguesas. Nos treinos, Tiago Monteiro teve uma qualificação para esquecer, e ficou na 17ª posição na grelha, enquanto que Miguel Freitas foi 21º. Monteiro podia ter mais 30 quilos de lastro, mas isso não explica a sua má performance nos treinos...

Na primeira corrida, Monteiro fez uma corrida de recuperação, chegando ao final na 13ª posição. Miguel Freitas foi 21º, numa corrida dominada pelos BMW, no qual o espanhol Felix Portero foi o melhor sobre Jorg Muller. O brasileiro Augusto Farfus foi quarto.


Na segunda corrida, Tiago Monteiro fez melhor, subindo para o sétimo posto, mas no final, uma manobra de Jordi Gené, o seu companheiro na Seat, fez com que perdesse duas posições, ficando fora dos pontos, o que penaliza uma corrida de recuperação que teve neste fim de semana. Quanto a Miguel Freitas, acabou em 18º.


A segunda corrida acabou por ser ganha pelo alemão Jorg Muller, seguido de Augusto Farfus, todos em BMW. A próxima corrida vai ser no circuito citadino da Boavista, a 14 e 15 de Julho.

Estreantes 2007: 4 - Sebastian Vettel

A corrida desta tarde vai mostrar uma cara nova, a primeira alteração do pelotão da Formula 1 este ano. Mas ao contrário do que se fala, esta substituição é a consequência do forte acidente da semana passada que o polaco Robert Kubica sofreu em Montreal. E o seu novo substituto pode ser o novo Michael Schumacher que os alemães andam à procura. E só tem 19 anos! Falo-vos de Sebastian Vettel.


Nasceu a 3 de Julho de 1987 em Heppenheim, na Alemanha. A sua carreira começou em 1995, no Karting, onde ganhou em várias categorias. Em 2003 fez a transição para os automóveis, onde ganhou o campeonato alemão de Formula BMW em 2004, ganhando 18 das 20 corridas desse ano. Em 2005 passou para a Formula 3 Euroseries, onde ficou no quinto posto, sendo o "Rookie do Ano", numa competição ganha por... Lewis Hamilton. As suas performances foram as suficientes para que a 27 de Setembro desse ano, com 18 anos, fosse testar um Williams FW27 de Formula 1.


Desde tenra idade que Vettel é um protegido da BMW, daí que ele fosse escolhido para ser o terceiro piloto da marca nos testes de sexta-feira. E em Istambul, na Turquia, na corrida de 2006, Sebastien Vettel tornou-se, aos 19 anos e 52 dias, no mais jovem piloto de sempre a guiar um Formula 1 num fim de semana de corrida.

Na altura em que era terceiro piloto da BMW, Vettel corrida a sua segunda época na Formula 3 Euroseries, onde terminou em segundo lugar, atrás do campeão, o escocês Paul Di Resta. Em 2007 corre na World Series by Renault 3.5, onde é o actual lider do campeonato, e o maior rival dos portugueses Alvaro Parente e Filipe Albuquerque...

Le Mans: Audi vence, Peugeot em segundo

Depois de 22 horas de duros combates pela liderança, a chuva veio terminar mais cedo a vertente competitiva das 24 Horas de Le Mans, pois formalmente, a corrida terminou agora, com a vitória do Audi R10 numero 1, de Emmanuele Pirro, Frank Biela e Marco Werner.


Na segunda posição ficou o Peugeot nº 8 de Seabastien Bourdais, Pedro Lamy e Stephane Sarrazin, a oito voltas dos lideres, enquanto que no terceiro lugar ficou um Pescarolo.

Foi uma corrida dura. Somente um dos Audis chegou ao fim (o carro numero 2 retirou-se a meio da noite) e a duas horas do fim, o Peugeot numero 7 de Jacques Villeneuve, Nicolas Minassian e Marc Gené encostou-se à box para não mais sair.


Outro português que corria em Le Mans era João Barbosa, que com o carro da Rollcenter, terminou no quarto posto da classificação geral. Os Aston Martin ganharam na classe GT1, a uma volta dos Corvette.


Quanto ao carro da Quifel ASM Team, o Lola deu de si a meio da noite, e não mais voltou. E pronto, assim acaba as 24 Horas de Le Mans de 2007, seguramente uma das mais emocionantes dos últimos anos. Espero que as coisas em 2008 sejam melhores, de perferência sem chuva!

Le Mans: a situação até agora

Os Audi andam na frente, dominando a corrida, dando um baile aos Peugeot oficiais, que se estreiam este ano na competição. Numa altura em que se aproxima o meio da competição, o carro numero 2 de Alan McNish, Rinaldo Capello e Tom Kristensen lideram, seguido pelo carro numero 1 de Frank Biela, Emmanuele Pirro e Franck Collard.

Na terceira posição rola o Peugeot numero 7, de Marc Gené, Jacques Villeneuve e Nicolas Minassian, enquanto que o outro Peugeot de Pedro Lamy, Stephane Sarazin e Sebastien Bourdais rola no quinto lugar, mas a nove voltas do lider.


Na categoria LPM2, o Lola da quifel ASM Team alcançou a liderança, mas na nona hora, quando era pilotado por Warren Hugues, perdeu uma roda e baixou para o quinto lugar na categoria. Isto só prova que quando os problemas acontecem, podem estragar uma corrida! Mas falta muito para acabar...