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terça-feira, 5 de maio de 2026

A imagem do dia (II)


No meio disto tudo, das homenagens a Alex Zanardi, morto no dia 1 de maio aos 59 anos, o mais surpreendente é ver que a sua mãe... ainda é viva. E ao vê-la, inesperadamente, numa segunda-feira à noite, num noticiário da RAI italiana, a ser entrevistada sobre o seu filho e ela responder que dele, só tem orgulho pelos seus feitos, especialmente nos Jogos Paralímpicos de 2012 (altura em que foi tirada esta fotografia) e 2016, fez-me lembrar tudo aquilo que ela passou.

E depois, ao pesquisar mais sobre esta família, descobri que há mais para além disso.

Atualmente com 88 anos de idade, Anna Zanardi deu à luz Alex a 23 de outubro de 1966, depois de casar com o seu marido, Dino. Ela era costureira, ele era canalizador, e como muitas que cresceram no pós-guerra em Itália, com origens humildes, trabalhou para ganhar dinheiro e poder cuidar da sua família, que crescia, primeiro com Cristina, depois com Alex. 

Depois do nascimento de ambos, a família saiu de Bolonha para morar em Castel Maggiore, nos arredores. Ambos os filhos desenvolveram um grande gosto pelo desporto, com a rapariga a se tornar nadadora, e Alex, claro, a ir para o karting.

Então um dia, em 1979, a família recebeu uma noticia aterradora: Cristina sofreu um acidente de carro e acabou por morrer. Foi duro para eles, mas continuaram. Nessa altura, Dino construiu no quintal da sua casa um kart para Alex a partir de canos vindos do trabalho de Dino e tinha como assento... um caixote do lixo adaptável. Na década seguinte, corre no karting, até passar para os monolugares, mostrando todo o seu talento a gente do meio, mostrando que conseguia fazer muito com muito pouco.

Sobre esses primeiros tempos, ela recordava, numa entrevista ao jornal "Il Resto de Carlino", de Bolonha

"Fomos pessoas humildes e modestas. Num livro que escreveu, o Alessandro conta como costumava ver-me, às quatro da manhã, a coser botões em camisas de homem. Depois parei, porque os ganhos eram baixos, e comecei a montar depósitos de gasolina de automóveis. Ganhava algumas liras por dia, mas o dinheiro que conseguia juntar era para os pneus de competição do Alessandro."

O seu primeiro patrocinador foi uma fábrica de pneus para karts, e quando passou para os monolugares, o seu grande apoio foi a família Papis, o pai de Max lhe deu um lugar na Formula 3 italiana, em 1988. Aliás, Alex e Max Papis, nascidos no mesmo ano, e chegaram ambos à Formula 1 e à CART, conheciam-se desde os 13 anos de idade. O pai acabou por morrer em 1994, já o filho estava lançado no automobilismo, primeiro na Formula 3000 quando foi campeão pela Il Barone Rampante, depois na Formula 1, por Jordan, Minardi e Lotus, e depois, na CART, onde o talento era mais importante que o dinheiro. 

Zanardi nunca foi um privilegiado. Nunca teve dinheiro para correr sem problemas. Os seus pais foram trabalhadores de classe média, que deram o que podiam para ajudar o seu filho. Primeiro como "hobby", depois como um talento que tinha, mais que muitos outros. Não eram ultra-milionários, eram de uma estirpe que não existe mais. Apoiaram o talento.

"Fiz tudo o que podia para estar presente e dar o meu melhor quando ele precisou. Acho que sempre estive ao lado dele. Perdi o meu marido, pai dele, em 1994, e dediquei-me completamente a eles. Os sucessos chegaram, tanto pessoais como desportivos. Esta manhã, estava a ver as notícias sobre ele na televisão. Gostei muito da homenagem de Kimi Antonelli: talvez nunca me tivesse apercebido do quão incrível ele se tornou. Então, peguei na fotografia ao meu marido e disse-lhe: 'Que filho maravilhoso que tivemos!'"

As cerimónias fúnebres de Zanardi serão esta terça-feira em Pádua. A cidade de Bolonha declarou um dia de luto em tributo ao seu filho da terra.  

A imagem do dia



Na manhã de 5 de maio, na Basilica de Santa Giustina, em Pádua, cerca de duas mil pessoas enfrentaram a chuva de primavera para se despedirem de Alex Zanardi, que morreu na noite de 1º de maio, aos 59 anos de idade. Um dos símbolos presentes dentro da basílica, cheia, entre amigos - muitos eles atletas paralímpicos e gente como o ex-campeão olímpico de ski, Alberto Tomba e o presidente do Comité olímpico italiano, Giovanni Malagò - e familiares como Niccoló, o filho, Anna, a mãe e Daniela, a sua mulher, foi a sua "handbike", uma das que usou nas competições olímpicas, onde ganhou seis medalhas de ouro e duas de prata, em duas edições dos Jogos Olímpicos.

Para além disso, estiveram presentes gente do automobilismo como o presidente da Formula 1, Stefano Domenicalli, e o fundador da Minardi, Gian Carlo Minardi.

"O segredo para uma vida maravilhosa é sorrir nas pequenas coisas", recordava o filho durante as cerimónias fúnebres, descrevendo o Alex reservado que sorria até enquanto fazia café. “Há algo que talvez não saibam. Um pequeno aspeto do Alex em casa. Não o Alex que ganha os Jogos Paralímpicos ou o Campeonato Mundial de Indy, mas o Alex que faz café, que amassa massa de pizza aos sábados à noite, que olha para ti e diz: ouve, ajuda-me a filmar com o telemóvel por um segundo, não percebo nada.

Quando o via fazer café ou amassar massa de pizza, sempre com um sorriso, percebia algo que ele dizia sempre”, continuou, “que não é preciso pensar em grandes desafios para encontrar alegria. Ela começa pelas pequenas coisas”. O seu filho resumiu então a moral daquela lição silenciosa: "Não é preciso ser Alex Zanardi para ter uma vida maravilhosa. Qualquer pessoa pode ter uma", concluiu Niccolò.

No final, uma chuva de aplausos à medida que o féretro se afastava da basilica, rumo ao cemitério para ser sepultado na campa familiar onde está o seu pai e a sua irmã. E ali, naquela manhã chuvosa em Pádua, a se Itália despedia de um dos seus mais importantes filhos, e um dos seus símbolos, uma cadeira de rodas, estava dentro daquela basílica.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

A imagem do dia



Isto estava pintado, ontem, na Curva do Saca-Rolhas, em Laguna Seca, durante uma jornada do IMSA, que aconteceu neste domingo. 

Quem estava também em Laguna Seca era o Jimmy Vasser, que quando soube da morte do Alex Zanardi, foi para essa mesma curva para chorar que nem uma criança.

Não ficaria admirado se rebatizassem a curva com o nome dele ou colocassem uma estátua, ou busto, dele ou dos carros naquele dia a reproduzirem a manobra de há quase 30 anos. Ou então, como estamos no século XXI, um ecrã de video onde reproduziriam, repetidamente, como se fosse um .gif, a manobra que fez ao Bryan Herta

De qualquer forma, uma homenagem a ele naquela curva seria adequado, no mínimo.

sábado, 2 de maio de 2026

The End: Alex Zanardi (1966-2026)


O italiano Alex Zanardi, antigo piloto de Formula 1 pela Lotus, Jordan, Minardi e Williams, bem como tendo sido piloto na antiga CART, pela Chip Ganassi, morreu na madrugada deste sexta-feira, aos 59 anos de idade, em Bolonha, anunciou a sua família.

Campeão da competição em 1997 e 1998, sofreu um acidente muito grave em 2001 na pista de Lausitz, na Alemanha, perdendo ambas as pernas. Contudo, não baixou os braços, ganhando uma nova vida como piloto de Turismos, a bordo de carros da BMW, bem como sendo paraciclista, onde ganhou seis medalhas paraolímpicas, quatro de ouro e duas de prata, nos Jogos de Londres, em 2012, e do Rio de Janeiro, em 2016.

É com profundo pesar que a família anuncia o falecimento de Alessandro Zanardi, ocorrido subitamente na noite de ontem, dia 1 de maio”, lê-se no comunicado. “O Alex faleceu em paz, rodeado pelo amor da sua família. A família agradece sinceramente a todos os que demonstraram apoio neste momento e pede respeito pela sua dor e privacidade. As informações sobre o funeral serão divulgadas posteriormente.

Nascido a 23 de outubro de 1966, em Bolonha, e filho de Dino, um canalizador, e Anna Zanardi, uma costureira, começou a correr de karting em 1979, em 1988, começou a competir em monolugares, nomeadamente na Formula 3 italiana, antes de em 1991, ter ido para a Formula 3000, pela equipa Il Barone Rampante, onde ganhou na sua corrida de estreia, e acabou em segundo no campeonato. 

Ainda no final dessa temporada, teve a sua estreia na Formula 1, no GP de Espanha, pela Jordan, onde conseguiu dois nonos lugares. No ano a seguir, é chamado pela Minardi para competir em três corridas, em substituição de Christian Fittipaldi, que se tinha magoado num acidente e iria ficar de fora por mais de um mês. Dessas três participações com um carro com motor Lamborghini, apenas se qualificou na Alemanha, não terminando essa corrida. 


Em 1993, conseguiu um lugar a tempo inteiro pela Lotus, ao lado de Johnny Herbert, onde conseguiu o seu melhor resultado, ao ser sexto no GP do Brasil, em Interlagos. Contudo, em agosto desse ano, nos treinos de sexta-feira do GP da Bélgica, ele sofre um acidente sério quando bate o seu carro no Radillon, tendo sido tirado do carro pelos socorristas. Lesionado para o resto da temporada, é substituído pelo português Pedro Lamy, que na altura estava a competir pelo título da Formula 3000 dessa temporada.

Curiosamente, o seu regresso à Formula 1 acontece no GP de Espanha de 1994, dias depois de Lamy sofrer um acidente sério durante numa sessão de testes no circuito de Silverstone, lesionando-se em ambas as pernas. Apesar do seu regresso, não consegue inverter a má sorte de uma Lotus que ia a caminho da falência, e não consegue pontuar nessa temporada.

Fora da Formula 1, sem um assento competitivo, o piloto italiano decide tentar a sua sorte no outro lado do Atlântico, na América. Encontrar um lugar não foi fácil, e foi graças aos seus contatos na Reynard que convenceram Chip Ganassi a oferecer um lugar na equipa para a temporada de 1996, ao lado do americano Jimmy Vasser


A adaptação não foi fácil, e tirando um quarto lugar no Rio de Janeiro, depois de ter feito a pole-position, foi o único resultado de relevo, antes de ganhar em Portland. duas vitórias e seis pódios nas sete corridas seguintes levaram-o a um terceiro lugar no campeonato, que foi abrilhantado com uma vitória em Laguna Seca, na California, a corrida final dessa temporada, onde ficou na memória de todos com uma ultrapassagem de antologia a Bryan Herta - o pai de Colton Herta, a propósito - na última volta e na curva do Saca-Rolhas.

Passada a altura da adaptação, Zanardi continuou na Chip Ganassi, onde passou a ganhar mais corridas e a conseguir melhores resultados. Uma vitória em Long Beach, seguida de outra em Cleveland - onde largou de ...último! - antes de ganhar três seguidas, em Michigan, Road America e Mid-Ohio, acabando por ficar com o campeonato de 1997, com 195 pontos. Zanardi conseguiria em 1998 uma temporada ainda mais de sonho, ao triunfar em sete corridas e conseguir pódios em mais oito provas, para ser campeão com 285 pontos. 


Isso foi suficiente para chamar a atenção de Frank Williams, que queria outro talento vindo da América, depois de Jacques Villeneuve, e ele foi correr na temporada de 1999 de Formula 1. Julgava-se que iria ser uma de redenção na categoria máxima de automobilismo. Contudo, seria de desilusão, apesar de ter tido boas performances nas qualificações e em algumas corridas, especialmente em Monza, onde andou por muito tempo entre os da frente, antes de acabar num desapontante sétimo posto, fora dos pontos. Tempos depois, descobriu-se que não tinha conseguido se adaptar ao ambiente da Williams, especialmente na parte da engenharia. No final de 1999, ele foi dispensado, e no seu lugar, veio o britânico Jenson Button, então com 20 anos.

Depois de um ano sem correr, ele regressou à CART em 2001, pela equipa de Mo Nunn, que tinha fundado a Ensign na Formula 1, quase 30 anos antes. Contudo, ao contrário do que tinha acontecido no seu tempo na Chip Ganassi, o seu regresso fora mais modesto, com um quarto posto de Toronto a ser o seu melhor resultado. A 15 de setembro de 2001, com os americanos e o mundo em rescaldo do atentado nas Torres Gémeas, em Nova Iorque, a CART corria na oval de Lausitz, na Alemanha, e Zanardi estava a ter uma boa corrida, chegando a liderar a prova até ir às boxes para abastecer. No regresso, perdeu o controle do seu carro, e atravessou-se na pista na trajetória do carro do canadiano Alex Tagliani, com ambos a baterem forte. A frente do carro do italiano voou, arrancando as suas pernas de imediato. 


Socorrido o mais depressa possível, foi levado para Berlim, onde se descobriu que tinha perdido cerca de 75 por cento do sangue do seu corpo, entrando em coma. Contudo, os médicos conseguiram estancar as feridas e salvá-lo, depois de três horas de cirurgia. Ele ficou no hospital por mais de um mês, onde recupera das suas feridas e regressa a casa, adaptando-se a uma nova vida, com próteses, e muitos a julgarem que a sua carreira automobilística tinha terminado, aos 35 anos.

Contudo, não foi assim. Em 2003, regressou ao seu carro e fez as voltas finais da corrida de Lausitz, num carro modificado para poder acelerar e travar com as mãos. Isso foi o suficiente para poder guiar um carro de Turismo modificado no final desse ano, antes de regressar a tempo inteiro num BMW 320i, no World Touring Car Championship (WTCC). Algumas corridas foram interessantes, até à segunda prova da ronda de Oscherschleben, onde acaba em primeiro lugar, numa vitória emocional e bastante aplaudida por todos. 


Em 2006, tem a oportunidade de guiar um BMW Sauber no circuito Ricardo Tormo, em Valencia, num F1.06 modificado para poder adaptar ao estilo de pilotagem do piloto italiano. Tudo isto pouco depois de fazer 40 anos.

Foi nessa altura que se começou a saber das suas atividades para-cilísticas. Depois de quatro semanas de treinos, participou na Maratona de Nova Iorque, onde acabou em quarto lugar na sua classe. A partir dali, confessou abertamente que estava a se treinar para ir aos Jogos Paralímpicos, na equipa italiana. Depois de ter acabado de participar no WTCC, no final de 2009, começou a treinar a tempo inteiro para esse objetivo, não sem pelo meio ter ganho na sua categoria na Maratona de Nova Iorque, em 2011. 

Em 2012, conseguiu, por fim, a qualificação para os Jogos Paralímpicos, em Londres, na categoria de para-cíclismo. Correndo no contra-relógio e na corrida, bem como na estafeta, Zanardi consegue duas medalhas de ouro e uma de prata, tornando-se no único piloto de Formula 1 a ganhar também medalhas olímpicas, embora fosse nos Paralímpicos. Detalhe: as provas decorreram no circuito de Brands Hatch. 

Quatro anos depois, no Rio de Janeiro, repetiria a mesma coisa, com dois ouros na corrida e no contra-relógio, mais uma prata nas estafetas.

Apesar de se concentrar totalmente no para-cíclismo, ainda competia em automóveis, quando aparecia a chance. Em 2018, participou como convidado na jornada dupla do DTM, em Mugello, a bordo de um BMW M4, onde conseguiu um quinto lugar, debaixo de chuva. Quando lhe disseram do resultado nas boxes, ele pensou inicialmente se não era uma brincadeira... poucos meses antes, no inicio de 2019, tinha sido convidado a participar nas 24 Horas de Daytona num BMW M8 GTE, acabando na nona posição na classe GTLM, ao lado dos seus companheiros de equipa, os americanos John Edwards e Jesse Krohn, bem como o australiano Chaz Mostert.

Zanardi queria tentar uma terceira participação, em Tóquio, mas no verão de 2020, em plena pandemia, ele participa no "Obiettivo Tricolore", uma corrida em estafeta para chamar a atenção dos atletas paralímpicos. A 19 de junho, nos arredores de Siena, Zanardi perde o controlo da sua cadeira de rodas e este vai contra um camião que ia no sentido contrário. Seriamente ferido na face, é internado de urgência, onde é operado para a reconstrução da sua face e colocado em coma induzido. 

Zanardi acabaria por ficar no hospital de Siena novembro desse ano, onde foi transferido para Pádua, onde ele recuperou a sua visão e audição, e no inicio de 2021, já tinha voltado a falar, e em dezembro de 2021, quase 18 meses do acidente, ele tinha regressado para casa, para continuar a sua reabilitação.

Em julho de 2022, um incêndio causado pelo defeito nos painéis solares da sua casa, fez tirar Zanardi de casa e foi para o hospital devido à intoxicação por inalação de fumos. Ele regressaria a casa depois de 76 dias de internamento. 


Um piloto de alto calibre, e com uma carreira sem paralelo, tornou-se numa personagem que foi além da sua própria existência. Como disse o jornalista Andrew Benson, quando o homenageou: "Um herói do século XXI. Um homem que inspirou milhões com o seu espírito indomável perante adversidades inimagináveis. Um ícone em dois desportos diferentes."

É duzentos por cento verdade. Por tudo o que fez e pelo exemplo que deu a todos nós. Ars longa, vita brevis, Alex.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

A imagem do dia (II)




Em Suzuka, enquanto Mika Hakkinen comemorava o bicampeonato como vencedor, com Michael Schumacher e Eddie Irvine a fazerem "guarda de honra", a corrida de Alex Zanardi nem chegou a começar. Problemas elétricos impediram que o piloto da Williams não completasse sequer a primeira volta. 

Era o final de uma temporada onde existiam muitas expectativas, mas afinal, acabou por ser um pesadelo. 

Depois de Zanardi ter saído da Formula 1 no final de 1994, por causa da falência da Lotus, ele foi logo para os Estados Unidos, julgando que seria fácil arranjar um lugar na CART por causa da sua experiência na Formula 1. Contudo, as coisas foram mais complicadas que julgava. Apenas em 1996, depois de algumas corridas nos GT's, é que arranjou um lugar na Chip Ganassi

E claro, arrasou: depois de uma primeira parte dececionante, a vitória em Portland abriu as comportas do seu talento. Terceiro em 1996, campeão em 1997 e 98, com 15 vitórias e 28 pódios... em apenas 66 corridas. A sua maneira de comemorar os triunfos, dando algumas voltas sobre ele mesmo, queimando pneus, tornou-se popular entre pilotos e espectadores, e claro, era o favorito da multidão. O seu talento tinha sido despertado, e claro, a Formula 1 estava atenta a ele. Especialmente, Frank Williams, que depois da experiência com Jaques Villeneuve, queria repetir a cena. 

Os contactos aconteceram ao longo do verão de 1997, mas foi apenas em julho de 1998 que o contrato foi assinado. Três temporadas, até ao final de 2001, por um valor que na altura não foi divulgado, e foi depois de ter recebido ofertas semelhantes da BAR, que já tinha Jacques Villeneuve como piloto, a da Honda, que estava a elaborar o seu regresso para o ano 2000, mas acabaria por abortar a meio de 1999.

Com o piloto embarcado numa equipa como a Williams, as coisas pareciam ser mais fáceis, ainda por cima com a chance de terem a BMW a partir da temporada de 2000. É que a Williams estava em altura de transição, com o final dos motores Renault, e a andar com os Mechacrome - a preparadora dos... Renault - mas na realidade, o FW21 não seria nada fácil para ele. Em contraste, para Ralf Schumacher, seu companheiro de equipa, até seria melhor. Bem melhor. 

As primeiras corridas não foram boas, e apenas no Mónaco, quarta corrida do ano, é que superou Schumacher na qualificação. Mas a corrida foi uma catástrofe. Primeiro, o seu banco rachou, mas não desistiu. Apenas andou muito mais lento, e terminou em oitavo... e último, a duas voltas do vencedor.

Por esta altura, já se entendia que ele não seria o super-piloto da América, mas esperava-se uma ou outra performance que mostrasse o Zanardi da CART. Porque enquanto isto acontecia, o seu substituto, o colombiano Juan Pablo Montoya, que era piloto de reserva da Williams, mostrava ser outro excelente piloto, mostrando uma inata rapidez vencedora que não muitos tinham. 

Para Zanardi, o inferno continuava. Um ponto baixo foi em Silverstone, onde sequer conseguiu sair do seu lugar da grelha, causando a interrupção da corrida - e foi nesse momento que Michael Schumacher teve o seu acidente que fraturou a sua perna e o afastou por seis corridas - e claro, muitos questionavam onde estava aquele piloto que passou outro por fora no Saca-Rolhas de Laguna Seca, numa das manobras mais ousadas da história do automobilismo...  

Contudo, quando a Formula 1 chegou a Monza, as faíscas do velho Zanardi apareceram. Era a sua corrida caseira e não queria fazer feio. Acabou em quarto na grelha de partida, superando Ralf Schumacher, e na partida, as coisas correram tão bem que passou David Coulthard e Heinz-Harald Frentzen para ser segundo no final da primeira volta. Mas na terceira, o chão do seu carro começou a ficar solto e isso o prejudicou na sua velocidade de ponta. Começou a perder lugares e acabou em sétimo, fora dos pontos.

As coisas poderiam ter corrido bem em Nurburgring, mas uma colisão na décima volta causou o seu abandono, e as coisas no Japão também não acabaram bem. No final da temporada, os pontos eram um redondo zero, e claro, a desilusão do ano, senão da década. Frank Williams pensou que o melhor seria rescindir o seu contrato - custou cerca de quatro milhões de dólares - e lançar um "shootout" para ver quem ficaria com o seu lugar. O felizardo foi alguém que muito poucos esperavam... mas sobre isso, falarei dentro em breve. 

Recentemente, Jim Wright, que trabalhou na Williams nessa temporada, falou que esse foi um dos poucos erros que Frank Williams cometeu ao longo da sua longa carreira na sua equipa. E a desilusão caiu fundo na própria Williams.

Vou afirmar o seguinte: o Frank [Williams] sempre foi muito emocional com [a escolha] dos pilotos.", começou por afirmar numa conversa para o podcast Bring Back V10s. “Para um homem que era desprovido de emoções e afirmou a famosa frase de que as emoções são um sinal de fraqueza, os pilotos influenciaram-no, não havia dúvidas sobre isso."

O Alex tinha uma aura fantástica, tinha simpatia, calor humano, humor, paixão, todos queriam que ele trabalhasse e fosse o piloto de Fórmula 1 de sucesso da Williams que pensávamos que poderia e deveria ser. E acho que por uma vez, o Frank cometeu um erro nesse aspeto."

Em 2000, decidiu fazer uma pausa, mas no fundo, desejava o regresso ao lugar onde fora feliz: a CART. Ele conseguiu em 2001, mas até um fim de semana em setembro, os resultados estavam longe dos tempos áureos...       

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Os últimos dias da Lotus (Final)


Chegamos hoje à parte final da saga dos últimos dias de uma equipa marcante na história da Formula 1, a Lotus. De como uma das maiores, que sempre surpreendia em termos tecnológicos e aerodinâmicos, graças à genialidade do seu fundador, Colin Chapman, para uma equipa que ficou "sem chão" após a sua morte súbita, no final de 1982, onde apesar de ter tido um momento de glória a meio da década de 80, as coisas pioraram em 1990, com más escolhas, acidentes sérios e sobretudo, a perda de patrocinadores.

Na parte anterior, vimos como a Lotus conseguiu se equilibrar no meio do pelotão graças a apostas simples em termos de motores e chassis, e em talentos emergentes como Johnny Herbert e Mika Hakkinen, para no final da temporada de 1993, irem para o motor Mugen-Honda, esperando que a potência os levaria mais alto na classificação geral. Na realidade, foi o contrário, e aliado à situação financeira ainda delicada, os levou para o abismo. E mais alguns acidentes sérios, especialmente aquele que sofreu o português Pedro Lamy, em Silverstone, não os ajudaram. 

Agora, na primavera de 1994 e com o novo chassis, estão encostados à parede.



PARTE 5 – CONTAR OS TOSTÕES 


O 109 estreia-se em Barcelona, nas mãos de Herbert, e na corrida seguinte, é a vez de Alex Zanardi, que substituíra Lamy depois do seu acidente em Silverstone. Mas com o passar das semanas, vê-se que as sortes não mudam assim muito, e em paralelo, o dinheiro começa a escassear. A aposta em algumas ajudas eletrónicas como a suspensão ativa não tinha acontecido porque a FIA decidiu banir as ajudas eletrónicas no final da temporada anterior, e o pouco dinheiro que a marca tinha para pesquisa e desenvolvimento fora desperdiçada e não foi recuperada. E encontrar novos patrocinadores começava a ser complicada. 

Assim sendo, a Lotus começou a ceder o lugar a alguns pilotos pagantes. Na Bélgica e Portugal, o lugar foi cedido ao belga Philippe Addams, que tinha sido piloto na Formula 3000, sem grandes resultados. Apesar de ter cumprido, a certa altura, os carros estavam tão no fundo do pelotão que são ultrapassados pelos Simtek! Anos depois, Johnny Herbert disse que esse inesperado resultado o desmotivou. 

Ironicamente, se tivessem ficado com os Cosworth de oito cilindros, versão cliente, poderiam ter feito melhor: a Footwork-Arrows acabou por ficar com eles e tiveram uma excelente temporada, conseguindo nove pontos, graças a dois quartos lugares nas mãos de Christian Fittipaldi, e um quinto lugar no lugar de Gianni Morbidelli. E pelo meio, conseguiam performances decentes, entre os primeiros. 

Porém, quando o pelotão chega e Monza, para o GP de Itália, há um raio de esperança. A Mugen-Honda traz uma nova versão do seu motor de 10 cilindros, e quando o experimentam, num teste antes da corrida, ficam esperançados com o potencial do motor que o trazem para a o fim de semana. 

E todos ficam desconcertados: no final das qualificações, Herbert é o quarto da grelha, a meio segundo da pole-position, apenas atrás dos Ferrari de Jean Alesi e Gerhard Berger, e o Williams de Damon Hill. Alex Zanardi, o segundo piloto, é 13º na grelha, mas anda com o versão mais velha. Ele afirmou, tempos depois, que baseado nos dados da telemetria, poderia ter feito a pole-position porque estava a ser mais rápido em curva que Herbert. 


Contudo, a chance de pontuar ou algo mais... acaba na primeira chicane. Herbert larga bem e passa Hill nos primeiros metros e chega à chicane determinado a passar Berger e sair para a Curva Grande em segundo, mas atrás dele vinha o Jordan de Eddie Irvine, que naquela temporada tinha uma reputação de piloto perigoso. Na primeira corrida do ano, em Interlagos, causara uma carambola com mais três carros – o Benetton de Jos Verstappen, o McLaren de Martin Brundle e o Ligier de Eric Bernard – que causou a sua suspensão em uma corrida, agravada em mais duas depois de recurso por parte de Jordan. Não sem razão: ele quase arrancara a cabeça de Brundle!

E em Monza, a (má) reputação de Irvine apareceu. Indo atrás de Herbert, os seus travões falharam e ele embateu na traseira de Herbert, obrigando-o a fazer um pião e acabar na gravilha. A corrida é interrompida, o carro, sem grandes estragos, é levado para as boxes, mas ele tem de largar no fim da grelha, e com o velho motor. As chances de brilhar foram pelo cano abaixo. Na nova partida, Herbert correu até à volta 14, quando o seu alternador falhou. Pior ficou Zanardi, que sequer completou a primeira volta, vitima de colisão com o Footwork-Arrows de Gianni Morbidelli.

Sabendo que as chances de um milagre tinham esvaído – ao mesmo tempo que desmentia o rumor de uma possível compra por parte de Nigel Mansell, então a correr nos Estados Unidos – Peter Collins pediu proteção da equipa aos credores. Esperava ganhar algum tempo para novos compradores, como em 1990, mas as chances pareciam ser mais ténues.

Em Jerez, palco do GP de Espanha, Flávio Briatore, diretor da Benetton, decidiu comprar o contrato de Herbert e num acordo com Tom Walkinshaw, que tinha conseguido ficar com os ativos da Ligier, trocou-o com o francês Eric Bernard. O dinheiro deu para ganhar mais algum tempo, mas quando chegaram ao Japão, decidiram pedir a alguém que ajudasse a injetar dinheiro. Depois de alguns contactos, chegaram à fala com o finlandês Mika Salo. Ele disse sim, e tinha os 500 mil dólares que pediam para poder guiar na corrida nipónica. Ele trouxe-o... numa mochila do Pato Donald e o entregou na semana anterior à corrida. Esse dinheiro foi o suficiente para andar nas duas corridas finais da temporada, conseguindo um décimo lugar em Suzuka, no meio da chuva. 

No final da temporada, pela primeira vez na história, a Lotus saía sem conseguir qualquer ponto. E tinham conseguido um novo administrador: o britânico David Hunt, antigo piloto de Formula 3000 e irmão mais novo de James Hunt.

Por esta altura, Chris Murphy desenhava o projeto seguinte, que seria chamado de 112. O carro seria uma evolução do 109, e teria o motor Mugen-Honda que tinha dado nas vistas em setembro passado, em Itália. Chegou-se a pensar que poderia acolher um Cosworth semelhante ao que teria na altura os Minardi, caso não pudessem ficar com os motores japoneses, e teria como pilotos Salo e Zanardi. Os testes no inverno mostravam que tinha mais downforce que o 109 e até tinha passado os crash-tests da FIA. Contudo,  com o passar das semanas, as chances de arranjar dinheiro eram cada vez mais remotas e no inicio de janeiro de 1995, David Hunt decidiu que iria retirar a sua equipa e fundir com a Pacific, a equipa de Keith Wiggins, que curiosamente, tinha feito um chassis razoável, mas não tinha fundos para continuar nessa temporada.

Apesar de haver o símbolo, toda a gente sabia que aquilo era outra coisa e a equipa que existia desde 1958 e com um enorme palmarés, tinha abandonado de forma definitiva as pistas.



CONCLUSÃO


Apesar de, em 2010, a Formula 1 ter recebido duas (!) equipas Lotus, uma fundada por Tony Fernandes, com a participação da Proton, que detinha a marca para a sua divisão automóvel, e uma Team Lotus, gerida por Gerard Lopez e montada depois de terem sido comprados os bens da Renault, e continuou até 2012, com Kimi Raikkonen e uma vitória, muitos afirmam que esses não são, de forma alguma herdeiros da equipa fundada por Chapman, mas sim gente que aproveitou uma marca que chamaria a atenção de milhões de fãs órfãos da marca desde 1994, e que claro, atrairia dinheiro para marca. Hoje em dia, dessas “Lotus” de 2010, uma virou Caterham e não existe mais, e a outra é a atual Alpine. 

A Lotus marcou uma época. Muitas inovações aerodinâmicas se devem ao génio de Chapman, que era tanto de genial como de diabólico, que namorou com o perigo, como um viciado em adrenalina que era. Contudo, o seu súbito desaparecimento coincidiu com aquilo que poderia ter sido a sua queda do pedestal, e se tivesse sobrevivido, acabaria, inevitavelmente, numa prisão, a pagar pelos crimes de DeLorean, e se calhar, a sua amada equipa teria sido vendida, e não teria escapado ao destino que veio a ter. 

Contudo, a parte final foi uma questão de más apostas. Depois de 1990, procuraram por soluções simples que o colocaram onde queriam, no meio da tabela. A troca para os Mugen-Honda foi-lhes fatal. Um carro potente, mas pesado, não era a melhor escolha, e os eventos de Monza mais parecem a face do desespero que um golpe de sorte. Caso tivessem ficado com os Ford HB, que tiveram em 1992 e 93, teriam pontuado e mantido nos dez primeiros da geral, e se calhar, teriam ganho mais algumas temporadas de existência, até ser resgatado por mãos capazes e aproveitado um nome mítico na história da Formula 1. Muito provavelmente, poderia estar no atual pelotão, e se sim, seria a segunda equipa mais antiga, atrás da Ferrari, e a mais antiga da Grã-Bretanha. Quem sabe, não seria a equipa que Lawerence Stroll teria cuidado por estes dias, em vez da Aston Martin...        

Mas também existe uma outra certeza: caso em 1993 existissem os dinheiros que flutuam hoje e a proteção de entidades como a Liberty Media, com coisas como o teto orçamental, equipas como a Lotus, Arrows, Tyrrell ou Ligier estariam protegidos e existiriam, exalando prestigio a uma competição cada vez mais rica. No final, como foi dito acima, foi uma questão de más escolhas, nas alturas erradas. Agora, ficam as memórias, e claro, o nome continua no capitulo automóvel, pois a Lotus pertence à chinesa Geely, e como a industria automóvel, está a viver a sua transição eletrificada, fazendo não só supercarros, como também SUV 's de alto desempenho.

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Os últimos dias da Lotus (parte 4)


Este mês passam-se 30 anos sobre a declaração de falência da Team Lotus, que resultou na sua saída da Formula 1, depois de 36 anos de bons serviços. Ao longo desta semana, falamos dos últimos dias de Colin Chapman, do que foi a vida depois da sua inesperada morte, no final de 1982, daquilo que iria ser um dos últimos momentos altos da equipa, antes dos maus projetos entre 1988 e 90 que fizeram perder o patrocínio da Camel e o colocou à beira do encerramento, apenas salvo por Peter Collins e Peter Wright, com a ajuda de um alemão, Horst Schubel, que comprou a maioria das ações da equipa à família Chapman, que tinha como intenção abandonar a Formula 1.

Depois de limparem as feridas em 1991, e tentarem recuperar a competividade perdida, para 1992, esperavam ter carros mais simples para, pelo menos andar entre o meio do pelotão, enquanto tentariam encontrar algo na eletrónica que os colocasse mais acima do pelotão, tentando recuperar alguma da criatividade que os colocou entre os da frente num passado não muito distante. E a uma certa altura, pareciam estar no bom caminho.

Na aparência. Porque na realidade, estavam mais frágeis que aparentavam.



PARTE 4 – ELES ESTÃO (APARENTEMENTE) DE VOLTA!


Em 1992, havia um novo elemento na equipa de Ketteringham Hall, sede da Team Lotus: Chris Murphy. O projetista tinha vindo da Leyton House, onde tinha sucedido a um tal de Adrian Newey, no cargo de diretor técnico e projetista principal. Tinha desenhado o CG911 e levado muitos dos desenhos para a Lotus no final de 1991, para acabar a desenhar o 107, o projeto sucessor do 102.

Quando ele desenhou, tinha em mente um sistema de controlo de altura semelhante à suspensão ativa, mas em vez de ser eletrónico, tinha molas com atuadores hidráulicos na região das suspensões. Contudo, o sistema, que se estreou em Imola, quando o carro fez a sua primeira aparição, nunca funcionou bem e foi abandonado depois do GP do Mónaco. 

Em compensação, a Lotus tinha arranjado um motor Ford HB de 8 cilindros, versão cliente que tinha a Benetton, e os resultados foram bem melhores que o anterior Judd. Mika Hakkinen conseguiu dois quartos lugares e no Estoril, andou muito tempo na segunda posição, antes de uma mudança de pneus o ter colocado no quinto lugar final nessa corrida. Acabaram com 13 pontos no campeonato e o quinto lugar no campeonato de Construtores, e Herbert afirmou que o carro era bem desenhado a agradável de conduzir, mas muito pouco fiável.


A Lotus manteve a formula para 1993, com Hakkinen a ir para a McLaren e no seu lugar ir o italiano Alex Zanardi, ex-Jordan e Minardi. Mantinham o mesmo motor Ford HB de oito cilindros, versão cliente, o mesmo que... a McLaren. Herbert quase foi ao pódio no Brasil, ao lutar pelo terceiro lugar com o Benetton de Michael Schumacher, e em Donington Park, conseguiu outro bom resultado, com um quarto lugar. Em Silverstone, lutou pelos lugares da frente com Benetton, McLaren e ficou na frente dos Ferrari, chegando ao ponto de, no final da transmissão da BBC, Murray Walker, o seu narrador, celebrar o terceiro quarto lugar de Herbert na temporada, e o seu desempenho na corrida com um “a Lotus está de volta!”.

Apesar dos 12 pontos conseguidos por Herbert e Zanardi, o desastre estava sempre à espreita. Na qualificação de sexta-feira para o GP da Bélgica, em Spa-Francochamps, O piloto italiano perdeu o controle do seu carro no Raddilon, embatendo fortemente contra o muto de proteção e destruindo o seu carro. Apesar de ele ter sido tirado do carro sem ferimentos maiores, ele teria de ficar de fora por, pelo menos, duas corridas. O escolhido acabou por ser o português Pedro Lamy, que na altura lutava pela vitória no campeonato de Formula 3000, a par com o francês Olivier Panis e o escocês David Coulthard.   


Lamy estreou-se no GP de Itália, e as suas prestações são boas, garantindo que fica para além das duas corridas previstas, porque ele correrá até ao final do ano e será piloto para a temporada de 1994, deixando Zanardi na posição de piloto-reserva. Mais ou menos na altura, a marca garante os motores Mugen-Honda de 10 cilindros, que nessa temporada estão na Arrows. O contrato será, em principio, de duas temporadas, e o potencial de os colocar um pouco mais acima do resto do pelotão existe. Mas para isso, é preciso um chassis novo, e o 109 só aparecerá em meados de 1994, altura em que o 107 entrará na sua terceira temporada. Logo, uma travessia no deserto terá de acontecer até aparecer o material novo... e por esta altura, apesar da boa vontade dos credores – havia dívidas por pagar desde 1991! – esta não era infinita. E não se podiam dar ao luxo de falhar.

Entrada a temporada de 1994, e o 107 na versão C, adaptado ao novo motor, e a dupla Herbert-Lamy a bordo, os pilotos conseguem levar o carro até ao fim quer em Brasil, quer am Aida, mas fora dos pontos. Dois sétimos lugares do lado de Herbert e um oitavo do lado de Lamy foram os melhores resultados com o 107C, com o Mugen-Honda. Mas a fiabilidade vinha com um preço: o 107C era 45 quilos mais pesado que a versão anterior, e isso ressentia-se na grelha: eles ficavam no final, batendo apenas os Pacific, Simtek e um ou outro ocasional Larrousse e Ligier.

Mas em Imola, o desastre: na partida para a corrida, o Benetton de J.J. Letho fica parado na grelha e alguns segundos depois, é atingio por um carro no fundo da grelha, a mais de 180 km/hora, em terceira velocidade. Era o carro de Lamy. O piloto português fica sem metade do carro, mas sai miraculosamente dele, ileso. Algo bom numa tarde horrível, das mais negras da história da Formula 1.


Contudo, duas semanas mais tarde, não terá essa sorte. Em Silverstone, em testes onde os carros estão a experimentar as novas soluções aerodinâmicas para retirar a carga dos bólidos, a asa traseira voa em plena aceleração, acabando por voar na região da curva Abbey. O carro sai da pista e acaba numa área pedonal, com ele destruído em três pedaços. Lamy é retirado do carro com fraturas nos tornozelos, joelhos e num dos pulsos, acabando por não competir mais na temporada. Dos poucos que assistiram ao acidente, todos afirmam que, se fosse no fim de semana de Grande Prémio, teria acabado com vitimas mortais.

Contudo, nesta altura, um outro cadáver estava a caminho: a própria equipa. 

(amanhã, a última parte)

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Youtube Formula 1 Vídeo: Alex Zanardi, San Marino 1993

Fez no passado dia 25, esta terça-feira, 30 anos do GP de San Marino de 1993, e sobre esse Grande Prémio, espero falar algumas coisas sobre ele. Mas começo agora com um vídeo de um incidente interessante que envolve Alex Zanardi, que depois do seu sexto posto no GP do Brasil, teve uma grande chance de pontuar novamente em Imola, no seu Lotus, porque na parte final da corrida, lutava pelo quarto posto com o Sauber de J. J. Letho, com o outro Lotus de Johnny Herbert a espreitar para saber se beneficiará de alguma coisa nesta luta. 

A imagem é da volta 53, e as imagens são da RAI Due, com comentários do Mauro Poltromieri e do ex-piloto Alessandro Nannini.

Quanto ao final? O grande beneficiado, para quem não se lembra, foi Letho, que mesmo com problemas de motor no seu Sauber na última volta, acabou... em quarto lugar. E nenhum dos Lotus chegou ao fim, com os grandes beneficiários serem o Larrousse de Philippe Alliot e o Minardi de Fabrizio Barbazza

terça-feira, 28 de março de 2023

A imagem do dia


Há 30 anos, em Interlagos, Ayrton Senna conseguia uma vitória bem popular no GP do Brasil. E com este triunfo com uma McLaren que não era tão poderosa, aproveitando a sorte da chuva ter aparecido - ele tinha sido penalizado com um "stop & go" de 10 segundos - e dos azares dos seus adversários, especialmente Alain Prost, que se despistou na chuva e ainda por cima, sofreu uma colisão do Arrows de Christian Fittipaldi. Com a chuva a passar, aproveitou a pista seca para apanhar Damon Hill e o passar, rumando para a vitória. 

E claro, a grande cena final, onde 16 títulos mundiais estavam presentes no pódio - passados e futuros - e aquele abraço de Senna a Juan Manuel Fangio, que então com 81 anos, tinha ido presentear os vencedores. 

Mas não foi só isso que aconteceu. Esta foi a última ocasião em que os dois Lotus pontuaram, com o quarto lugar de Johnny Herbert, que lutou pelo pódio com o Benetton de Michael Schumacher, e o sexto posto de Alex Zanardi, a única ocasião onde o italiano pontuou na Formula 1.

A carreira de Zanardi, nascido a 10 de outubro de 1966 na cidade italiana de Bologna, nos monolugares começou em 1988, na Formula 3 italiana, antes de em 1990, acabou como vice-campeão, passando em 1991 para a Il Barone Rampante, onde lutou pelo título com o brasileiro Christian Fittipaldi. O brasileiro acabou por ganhar com cinco pontos de diferença (47 contra 42), embora ambos tiveram duas vitórias cada uma. E a recompensa aconteceu no final da temporada, quando correu pela Jordan nas últimas três corridas da temporada, conseguindo dois nonos lugares. 

Contudo, em 1992, ele não conseguiu um lugar como titular, e ironicamente, coreu nessa temporada por causa de Fittipaldi, que se lesionou no fim de semana do GP de França. Ficando com o lugar por três corridas, apenas se qualificou numa corrida, na Alemanha, onde apenas deu uma volta, desistindo com problemas na caia de velocidades. 

No final da temporada, Zanardi teve uma chance de ser piloto de testes da Benetton para 1993, mas quando a Lotus perguntou se não queria correr com eles naquela temporada, ele aceitou. Anos depois, o italiano disse que, se tivesse esperado, a sua chance de correr num carro vencedor teria sido muito grande, porque existia a promessa de correr pela Benetton em 1994 e 95.

Mas na temporada, as coisas não começaram bem. Em Kyalami, envolveu-se num acidente com Damon Hill, acabando ambos por abandonarem. Ajudando no desenvolvimento da suspensão ativa do modelo 107, em Interlagos, largou de 15º na grelha e escapou das armadilhas que a corrida deixou, especialmente quando choveu e entrou o Safety Car. Também beneficiou da penalixação de gente como o Ferrari de Jean Alesi, que acabou fora dos pontos, e quando terminou na sexta posição, duas abaio do seu companheiro de equipa, Johnny Herbert, tinha conseguido o seu primeiro ponto da carreira, ficando satisfeito com a corrida.

O que ele não sabia era que seria o seu primeiro... e único ponto na Formula 1. Dali a alguns meses, em Spa-Francochamps, iria sofrer o primeiro dos seus grandes acidentes, que o colocariam em prova de imensas maneiras.  

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

A imagem do dia


Depois de ontem ter falado sobre o Mercedes do Diego Maradona - e que foi conduzido pelo Juan Manuel Fangio - hoje falo de outro carro que está nesse leilão. E claro, não é um qualquer. É um Formula 1. É um Jordan 191, chassis número 6, conduzido por Michael Schumacher naquele GP da Bélgica de 1991, onde deu nas vistas antes de Flávio Briatore ter a ideia de o levar para a Benetton na corrida seguinte, em Monza.

A história é conhecida, contada e recontada.  Mas há pormenores que merecem ser contadas por aqui. 

Primeiro, o carro não era originalmente para ser corrido por Schumacher, mas era para Andrea de Cesaris, o seu companheiro de equipa no fim de semana do GP belga. Quando na sexta-feira, o alemão conseguiu superá-lo, o italiano pediu para que trocassem de chassis, porque pensava que ele teria feito afinações para conseguir um tempo melhor. Afinal, no sábado, o alemão foi sempre superior que o italiano, por causa das suas capacidades, nem tanto porque sabia mexer no chassis. Afinal de contas, na altura, o italiano já tinha 11 temporadas na categoria máxima do automobilismo.

No dia da corrida, Schumacher não foi longe: a embraiagem partida o deixou a pé depois de meia volta, enquanto De Cesaris ficou-se pelo caminho a três voltas do fim com problemas de motor, enquanto andava nos pontos. 

Mas o mais interessante disto é que nem foi só o chassis onde Schumacher teve o seu primeiro gosto da Formula 1. Existiu mais um piloto que debutou na alta competição automobilística: Alex Zanardi. Pois é, o piloto teve a sua estreia em Barcelona, e o usou nos treinos dessa corrida. Também Roberto Moreno andou neste chassis no fim de semana do GP de Itália, embora a partir dali até ao final do ano, serviu mais como reserva, usado nos treinos e ficado em alerta em caso de necessidade. 

Anos depois, em 2021, quando passaram 30 anos sobre a estreia de Schumacher na Formula 1, o seu filho Mick deu umas voltas em Silverstone, para uma reportagem feita pela Sky Sports F1. E o carro está pronto para correr, ou seja, tem motor instalado, não é um "show car". 

E o preço deste pedaço de história? Entre 1,4 e 2 milhões de euros. 

Mas pesando bem, quando muitos consideram que é um dos chassis mais marcantes da década de 90, poderemos acreditar que seria dinheiro bem empregue. 

quinta-feira, 26 de maio de 2022

A imagem do dia


Com as 500 Milhas de Indianápolis no fim de semana, umas das provas que sempre me fascinou, confesso, numa das conversas que tive com o pessoal num dos múltiplos grupos da Net, falamos de como teria sido fantástico se víssemos alguns dos melhores pilotos da CART do final dos anos 90 no "Brickyard" e provavelmente, alcançar boas posições e vitórias. E os dois melhores exemplos disso são Alex Zanardi e Greg Moore. Ambos foram bem velozes, tiveram carreiras curtas e infelizmente, maus finais. O canadiano teve o seu fim num acidente horrível na Noite das Bruxas de 1999, em Fontana, e dois anos depois, Zanardi ficou gravemente ferido na prova de Lausitz, perdendo ambas as pernas. 

Com gente como Nigel Mansell, Jacques Villeneuve e Juan Pablo Montoya a se darem bem no "Brickyard" - os dois últimos foram vencedores, Mansell foi terceiro na sua primeira passagem por lá - teria sido interessante ver mais gente veloz naquela pista, na mais importante corrida do ano. Mas Tony George decide estragar tudo ao criar numa série paralela à CART e os impede de correr por ali. É por isso que é criada a US 500, no Michigan, em 1996, com os pilotos da CART a organizá-la ao mesmo tempo que aconteciam as 500 Milhas. 

Ali, o melhor foi Jimmy Vasser, sobre os brasileiros Mauricio Gugelmin e Roberto Moreno, enquanto Moore e Zanardi não conseguiram grandes resultados - ambos abandonaram com problemas de motor - e em 1997, o italiano levou a melhor em Michigan, na sua rota pata o título. Em 1998, foi Moore a levar a melhor na US500, em Michigan, com Zanardi a ser o terceiro. Como eles deram esta pista como referência, poderíamos dizer que ambos tinham potencial de ter vencido no "Brickyard". Mas como sabem, só no ano 2000 é que eles decidiram regressar lá. 

E com estrondo: Juan Pablo Montoya triunfou no seu carro preparado pela Chip Ganassi, entre alcançar o título na CART e ir para a Formula 1. Mas por essa altura, Morre já estava morto e Zanardi tinha ido para a Williams, algo que foi um fracasso estrondoso, e no regresso à CART, não teve tempo para experimentar Indianápolis. 

Pensar nas suas carreiras e performances põe-me a questão de "o que poderiam ter feito". É que o potencial para triunfar, tinham. Eram velozes e destemidos. Apenas estiveram no lugar errado, no tempo errado, e é pena.  

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Noticias: Zanardi em casa para continuar a reabilitação


Ano e meio depois do seu acidente na sua "handbike" nos arredores de Siena, Alex Zanardi está agora em casa para continuar com os tratamentos. Segundo contou a sua mulher Daniela, apesar desta novidade, "a recuperação ainda está em curso e será longo".

Um passo importante foi que Alex conseguiu deixar o hospital há algumas semanas e está de volta a casa. Tivemos que esperar muito por isso e estamos muito felizes por ter sido possível agora, mesmo que ainda haja estadias temporárias em clínicas especiais planejadas para a realização de medidas especiais de reabilitação.", começou por dizer.

Ela acrescentou: “A recuperação continua a ser um processo longo. O programa de reabilitação liderado por médicos, fisioterapeutas, neuropsicólogos e fonoaudiólogos tem permitido um progresso constante. Claro, contratempos existem e ainda podem ocorrer. Às vezes, você também precisa dar dois passos para trás para dar um passo para frente. Mas Alex prova uma e outra vez que ele é um verdadeiro lutador.”, concluiu.

Questionada sobre as expectativas que o processo de reabilitação poderá ter, afirmou:

Você ainda não pode prever como a recuperação dele se desenvolverá. Ainda é um caminho longo e desafiador que o Alex enfrenta com muito espírito de luta. É uma grande ajuda para ele e para nós que recebamos tanto apoio neste caminho, não só dos médicos e terapeutas que trabalham intensamente com ele. Nossos amigos estão sempre lá para nós. Isso inclui a família do BMW Group, com a qual sempre podemos contar e que está firmemente ao nosso lado também neste momento difícil.", declarou.

Estamos muito gratos a todos por isso e por muito mais, porque esses laços fortes nos dão energia adicional. Isso também se aplica à contínua simpatia que recebemos de pilotos, fãs e conhecidos de todo o mundo. Gostaríamos de expressar um grande Obrigado a todos os que enviam seus bons pensamentos e poder a Alex. Desejamos a todos um Feliz Natal e tudo de bom para o Ano Novo.”, concluiu.

Bicampeão da CART em 1997-98, com passagens na Formula 1 pela Jordan, Minardi, Lotus e Williams, Zanardi sofreu um grave acidente em setembro de 2001 na oval alemã de Lausitz, onde perdeu ambas as pernas. Depois de uma reabilitação, e com duas próteses, voltou a competir no WTCC, onde venceu quatro provas, ao mesmo tempo que competia em hanbikes, bicicletas adaptadas, onde se tornou atleta paralimpico, vencendo quatro medalhas de ouro e uma de prata e, duas edições dos Paralimpicos.

Em julho de 2020, enquanto fazia uma estafeta na zona de Siena, perdeu o controlo da sua handbike, colidindo contra um camião e sofreu graves lesões na cabeça, que obrigaram a uma longa recuperação. 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

A imagem do dia

 


Passam-se exatamente vinte anos sobre aquela tarde de sábado na Alemanha. E esta imagem irá arrepiar enquanto ainda existirem seres humanos impressionáveis. Mas o mais incrível no meio disto tudo é que o piloto em questão, Alex Zanardi, não só sobreviveu a isto, mas como ainda sofreu outro acidente do qual continua a recuperar, do qual apenas teve como grande consequência a sua habilidade em falar.

Quando os eventos do 11 de setembro aconteceram, a caravana da CART estava na Europa, para corridas na Alemanha e na Grã-Bretanha, ambos em ovais (Rockingham e Lausitz). O pelotão estava em choque e a corrida esteve em dúvida até às vésperas, quando se decidiu ir para a frente, mudando o nome de German 500 para American Memorial. E para complicar as coisas, a chuva que caiu no local, fez cancelar a qualificação, sendo a grelha definida pela classificação do campeonato. 

Nessa altura, Zanardi tinha regressado à CART depois de um ano de pausa após uma passagem frustrante pela Formula 1, na Williams. Contudo, nesta segunda passagem pela competição americana, no carro preparado pela Mo Nunn Racing - o homem por trás da Ensign na Formula 1 -  o piloto italiano, então com 35 anos, não estava a ter uma grande temporada. E ironicamente, a corrida de Lausitz era a primeira em que o piloto liderava.

Mais tarde, Johnny Herbert, seu antigo companheiro na Lotus, em 1993 e 94, expressou o seu choque: "Esperas acidentes, é verdade, mas nada neste tipo [de horribilidade]". Pessoalmente, lembro-me bem do acidente, e durante muito tempo, fiquei convencido que ele estava morto, que aquele acidente não era feito para sobreviver. E na realidade, esteve quase: o italiano perdeu três litros de sangue. Se perdesse mais um litro, teria sido fatal.

Mas claro, todos sabemos o final da história. E o que aconteceu depois. E o que fez nos dezanove anos seguintes, na sua segunda vida, primeiro como piloto, depois como paraciclista e as medalhas olímpicas que conquistou em Londres e no Rio de Janeiro. Tudo antes do seu segundo acidente, em 2020, nos arredores de Siena. Onde mais uma vez, teve de voltar a aprender tudo de novo, e da maneira como a família fala dele, agarra-se de novo à vida. 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Noticias: Zanardi comunica, mas não fala


Alex Zanardi está num longo processo de reabilitação, onde comunica com as pessoas, mas não passa pela fala. Quem afirmou foi a sua mulher Daniela, numa entrevista que foi publicada no site da BMW. Segundo ela, o ex-piloto de 55 anos passa neste momento por um programa de reabilitação que contêm "estimulações farmacológicas e multimodais".

Gostaria de dizer a todas as pessoas que estão pensando e orando por Alex que ele está na luta - como sempre fez”, começou por afirmar. “O carinho que recebemos de amigos, fãs, conhecidos, atletas e pessoas envolvidas no automobilismo ao longo do ano passado foi nada menos que comovente e avassalador e tem sido um enorme apoio para lidarmos com tudo isso. No entanto, um agradecimento muito especial vai para o pessoal médico.”, continuou.

Daniela explicou que a situação para o marido continua desafiadora e que houve contratempos no caminho, Zanardi ainda não fala desde o acidente.

“Foi um processo muito complexo que exigiu mais neurocirurgia e se caracterizou por uma série de contratempos. Alex está em uma condição estável, o que significa que ele pode se submeter a programas de treino, tanto para o cérebro quanto para o corpo. Ele pode comunicar connosco, mas ainda não consegue falar." afirmou. 

"Depois de muito tempo em coma, as cordas vocais devem recuperar a elasticidade. Isso só é possível por meio da prática e da terapia. Ele ainda tem muita força nos braços e nas mãos e está treinando intensamente com o equipamento”.

Recorde-se que o ex-piloto de Formula 1 e da CART sofreu um acidente há um ano, nos arredores de Siena, quando se despistou na sua bicicleta adaptada e bateu de frente contra um camião. 

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Noticias: Zanardi está consciente "há algum tempo"


Dez meses depois do acidente, Alex Zanardi está consciente há algum tempo e a dar passos importantes na sua recuperação. Pelo menos é o que diz o seu filho Niccolò numa entrevista ao portal Mediaset, publicada esta terça-feira. 

O meu pai está consciente há algum tempo, há alguns meses. Aos poucos as suas condições vão melhorando. Os seus pequenos passos, mas sabemos que é um longo caminho e que vai demorar muito”, declarou. “Ninguém pode nos dizer o que ele pode fazer de novo. Sim, ele está melhorando, mas sabemos que é um caminho muito longo. Nos últimos meses, nunca paramos de mostrar nosso apoio e nosso carinho”, acrescentou.

O acidente aconteceu no passado dia 19 de junho do ano passado, quando estava nos arredores de Siena, participando no "Obiettivo Tricolore", quando perdeu o controlo da sua bicicleta espacial e embateu contra um camião que ia no sentido contrário. Gravemente ferido, foi operado por diversas vezes, tendo saído do hospital cerca de quatro meses depois para fazer uma longa reabilitação. Em janeiro, fez uma craniotomia acordada, numa altura em que já comunicava com os seus familiares por voz. 

Não é a primeira vez que Zanardi passa por uma situação-limite. Quase vinte anos antes, em setembro de 2001, sofreu um grave acidente na oval de Lausitz, durante uma prova da CART, onde numa colisão com o carro de Alex Tagliani, perdeu ambas as pernas. Continuou a competir no WTCC, mas entretanto fez uma carreira como paraciclista, onde venceu seis medalhas em duas edições dos Jogos Paralimpicos, quatro de ouro e duas de prata.  

sábado, 16 de janeiro de 2021

Mais um capitulo da saga Zanardi


Desde o final do mês de junho que estamos com a respiração suspensa sobre o estado de saúde de Alex Zanardi. O ex-piloto, agora paraciclista com sete medalhas paraolímpicas, sofreu um acidente grave nos arredores de Siena, quando colidiu contra um camião que estava a passar na estrada. Com ferimentos graves na cara e na cabeça, foi operado por diversas vezes, e ficou em coma indsuzido por mais de duas semanas, mas aos poucos, está a recuperar.

Contudo, nesta semana surgiu a noticia de que Zanardi foi novamente operado, mas o mais interessante é que a operação foi feita com anestesia local, e ele por causa disso, voltou a falar. A estória é contada pela italiana Autosprint, que dá declarações da Dra. Frederica Allemano, que afirmou:

"Foi uma emoção muito grande quando ele começou a falar, ninguém acreditou. Ele estava lá! E se comunicou com a família."

Já se sabia desde meados de dezembro que o ex-piloto italiano já reconhecia as pessoas, mas ainda não se sabia se era capaz de comunicar com eles. Agora, após essa operação, parece que essa parte está resolvida, continuando assim a sua longa reabilitação rumo à uma recuperação à vida normal.

Nada que Zanardi não tenha passado. Em setembro de 2001, sofreu um acidente muito grave em Lausutzring, durante uma prova da CART, onde depois de uma colisão com Alex Tagliani, perdeu ambas as pernas. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Noticias: Zanardi conseguiu "progressos significativos"


Alex Zanardi
conseguiu progressos significativos na sua recuperação, cinco meses depois do seu acidente nos arredores de Siena. De acordo com o jornal Corriere della Sera, o ex-piloto e paraciclista recuperaou a sua audição e visão, e responde com movimentos das mãos às perguntas feitas pela sua mulher, Daniela. Zanardi consegue apertar as mãos. Só não conseque falar devido ao buraco colocado na sua traqueia, colocado por precaução, segundo conta o periódico.

Depois do seu acidente, em junho, onde colidiu contra um camião, enquanto fazia uma estafeta caritativa,  Zanardi foi sujeito a cinco cirurgias, primeiro em Siena, e depois no Hospital San Raffaele, em Milão, ele foi transferido no passado mês de novembro para Pádua, perto da sua morada, para prosseguir a sua reabilitação. 

Os médicos estão confiantes que ele irá recuperar a quase totalidade das suas funções cerebrais, desconhecendo-se por agora se voltará a praticar paraciclismo.

Em 2001, o italiano sofreu um grave acidente durante a corrida da IndyCar em Lausitzring, perdendo ambas as pernas devido à colisão com o carro do canadiano Alex Tagliani.  

sábado, 21 de novembro de 2020

Noticias: Zanardi transferido para outro hospital


Alex Zanardi
está a recuperar do seu acidente de junho, nos arredores de Siena, e esta semana se anunciou que o ex-piloto e ciclista paralimpico de 54 anos foi transferido para uma unidade hospitalar perto da sua casa, em Pádua.

De acordo com o Hospital de San Raffaele em Milão, Zanardi continua a recuperar depois de várias intervenções cirurgicas de modo a estabilizar a sua condição. “O paciente está fisicamente e neurologicamente estável, o que permite o transporte para outro hospital, mais perto de casa. Hospital este que está equipado com tudo o que é necessário para continuar a sua recuperação”.

Zanardi, que sofreu um grave acidete em 2001, onde perdeu ambas as pernas, tornou-se depois num dedicado paraciclista, onde conseguiu sete medalhas de ouro e uma de prata nos Jogos Paralimpicos de Londres, em 2012, e no Rio de Janeiro, em 2016.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Noticias: Zanardi está a melhorar

Alex Zanardi está a melhorar em termos fisicos. Quase dois meses depois do seu acidente de bicicleta, em Siena, foi anunciado hoje que já foi transferido para uma unidade de cuidados intermédios, uma clara melhoria do seu estado de saúde. O Hospital San Raffaele, em Milão, Itália, onde o piloto foi internado na sequência do sue grave acidente de bicicleta paralímpica, afirmou que Zanardi tem vindo a apresentar significativas melhoras clínicas dos seus traumatismos cranianos e maxilo-faciais, e está em terapia através do Professor Luigi Beretta, responsável da unidade de cuidados intermédios de Neuroreanimação do hospital.

"Depois de um período durante o qual foi submetido a cuidados intensivos após ser hospitalizado em 24 de julho, o paciente respondeu com significantes melhoras clínicas. Por essa razão, ele está sendo continuamente assistido e tratado na unidade de cuidados semi-intensivos na Unidade de Neuroreanimação dirigida pelo Professor Luigi Beretta" comunicou o hospital sobre o ex-piloto e paraciclista.

Internado desde o dia 19 de junho, na sequência de uma colisão com um camião nos arredores de Siena, quando participava na estafeta Obiettivo Tricolore, que visava chamar a atenção dos desportos paralimpicos, foi submetido nessa tarde a primeira das quatro cirurgias, que o colocou em coma induzido por dez dias. Primeiro ficou no Hospital Universitário de Siena, foi depois transferido para o centro de reabilitação neurológica Villa Beretta, após ser lhe retirada da sedação, pouco antes do fim de julho. Logo depois, Zanardi teve um agravamento no estado de saúde e foi internado nos Cuidados Intensivos do Hospital San Raffaele, em Milão, onde foi operado pela quarta vez com sucesso.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Noticias: Zanardi é operado pela quarta vez

Alex Zanardi
passou esta segunda-feira por nova cirurgia e os médicos afirmam que o seu estado é estável. É a quarta operação que o ex-piloto e paraciclista italiano passa desde o seu acidente, a 19 de junho, nos arredores de Siena, quando participava numa estafeta, o Obietivo Tricolore, para chamar a atenção dos paracilistas que treinam para os Jogos Paralimpicos.

A cirurgia foi realizada pelo doutor Pietro Mortini, diretor da unidade de neurocirurgia e teve sucesso, segundo nota divulgada pela clinica de Milão, onde ele está agora internado.

"As investigações clínicas e radiológicas confirmam o sucesso dos tratamentos mencionados e as condições clínicas atuais do paciente, ainda hospitalizado na terapia intensiva, parecem estáveis", explica a nota divulgada à imprensa.

Zanardi tinha sido transportado de Siena para Villa Beretta, um centro de reabilitação neurológico nos arredores de Milão, onde tinha ido para recuperar das sequelas do seu acidente, mas na serxta-feira, o agravamento do seu estado de saúde fê-lo transportar para os cuidados inensivos, de onde lá está até agora, a recuperar da sua mais recente cirurgia.