quarta-feira, 28 de julho de 2021

A luta para ter espectadores em Zandvoort


Os organizadores do GP dos Países Baixos querem ter gente nas bancadas. E com muita razão. É que é a sua grande chance de ganharam muito dinheiro e também de mostrar um grande espetáculo ao mundo, 36 anos depois da última vez, e com algo inédito, que é ver um dos seus com chamces reais de ser campeão do mundo. 

Contudo, a pandemia estragou os seus planos de regresso em 2020 e está a dificultar os de 2021. É que neste momento, há dúvidas sobre quanta gente é que irá entrar no circuito de Zandvoort, se parte, totalmente... ou se haverá público nas bancadas. As autoridades do país estão preocupadas com o aumento do número de casos de covid-19, por causa da variante delta, e proibiram festivais de vários dias até, pelo menos, 1 de setembro, quatro dias antes da data marcada para a prova.

Apesar disso, os organizadores afirmam que, sendo uma organização desportiva, não estão abrangidos pelas restrições que as autoridades impuseram neste momento.

O GP dos Países Baixos é um evento desportivo, e portanto não é abrangido pela regulamentação dos festivais de música, com vários dias. Como organizador, confiamos nas regras e condições que o governo nos estabelecer e assumimos que as atuais medidas governamentais terão o efeito desejado e que as mesmas medidas poderão ser divulgadas após 13 de agosto para eventos desportivos organizados profissionalmente”, disse um porta-voz dos organizadores da corrida de Zandvoort ao jornal local De Limburger.

Resta saber sobre a evolução das coisas durante o próximo mês. Eles contam que o Grande Prémio possa encher os 105 mil lugares disponíveis ao longo dos três dias. 

Youtube Motoring Video: Gemballa, a preparadora perigosamente misteriosa

Da maré de preparadores que há nos quatro cantos do mundo, muitos especializaram-se em transformar Porsches 911, e um dos que mais deu nas vistas foi o alemão Uwe Gemballa, que nos anos 80 transformou muitos desses carros em máquinas que seguiam a tendência, com um toque de excentricidade. Mas o que poucos sabem é que Gemballa andou com gente... de qualidade duvidosa. E um dia, as coisas acabaram mal.

É sobre ele e a sua firma que esta semana, o pessoal do Donut Media decidiu falar neste video. 

terça-feira, 27 de julho de 2021

Noticias: Alpine gostaria de ter mais concorrência


Marcin Budkowski, diretor geral da Alpine, gostaria de ter mais fabricantes de motores na Formula 1 em 2025. Apesar de haver muita coisa para discutir entre os fabricantes e fornecedores de unidades motrizes, Budkowski afirmou que veria com bons olhos a entrada de novos intervenientes.

Penso que estes tipos têm sorte em não se envolverem em discussões porque são longas e serão longas”, começou por responder na conferência de imprensa de Silverstone, durante o fim de semana do GP britânico. “Mas piadas à parte, são importantes e estão realmente, no centro do que queremos que 2025 seja em termos do desporto. O motor está lá, há também a forma como queremos o conceito de carro porque tem que ser pensado como um todo, o conceito da sustentabilidade está lá e precisa de estar lá, precisa de ser uma parte importante do mesmo. Há, como é habitual na Fórmula 1, interesses diferentes dependendo também das pessoas que estão envolvidas. Seria óptimo ter novos fabricantes de motores e, como fabricante que está no desporto, gostaríamos de ter mais competição e mais fabricantes a chegar.”, continuou.

Budkowski deixou um aviso a quem queira entrar na competição. Quem entra não pode esperar vencer à primeira, e que os regulamentos não podem ser alterados apenas para criar interesse em certas marcas.

No mesmo sentido, tem de ser feito de forma a preservar o aspeto competitivo da Fórmula 1, da mesma maneira que uma nova equipa não esperaria ganhar de imediato. Estamos a falar de Otmar [Szafnauer] e dos objetivos para Aston Martin de ganhar o campeonato dentro de alguns anos. A Renault voltou há alguns anos e ainda estamos no caminho para sermos uma equipa vencedora de corridas. Da mesma forma para as unidades motrizes, tem de ser o auge do desporto motorizado. Tem de ser difícil, tem de ser exigente, tem de ser um fabricante de Fórmula 1, por isso também não podemos deixar que as regras fiquem parvas para fazer toda a gente feliz. Precisa de ser difícil e precisa de ser competitivo.”, concluiu.

WRC: Pai Rovanpera diz que filho quer ser campeão do mundo


Uma semana depois de Kalle Rovanpera ter sido o piloto mais jovem de sempre a conseguir uma vitória no WRC, o homem que o treinou desde os seus oito anos afirmou que o seu objetivo é de ser campeão do mundo. Harri Rovanpera, pai de Kalle e vencedor de provas no WRC, disse que este triunfo ajudou a aumentar a sua autoconfiança e depois da conseguido este feito, o objetivo do campeonato tornou-se o patamar seguinte.

Acho que Kalle tem velocidade para fazer um bom rali em qualquer lado, e agora ele tem mais condições para o fazer. Um dos pontos que acho importante é que temos uma forte rede de apoio, na forma de amigos e familiares, que facilmente lhe desviam a atenção dos ralis, quer as provas tenham corrido bem ou mal. O Kalle tem muitos amigos por perto e os seus próprios hobbies. Ele é muito calmo. Normalmente, ele não pensa muito no que aconteceu depois de um rali, e passa logo a olhar para o futuro”, afirmou o pai Rovenpera.

E o campeonato? Para o pai, afirmou que é natural, mas avisou que há muito talento que nunca o alcançou. "Claro, sabemos que há muitos pilotos realmente bons, que nunca conquistaram um título de Campeão do Mundo. No entanto, esse é o objetivo do Kalle, o único”, concluiu.

Resta dizer que Kalle Rovanpera é o atual quarto classificado do campeonato, com 82 pontos, numa altura em que o WRC ruma a paragens belgas para lá correrem no fim de semana de 13 a 15 de agosto. 


segunda-feira, 26 de julho de 2021

A ideia de um GP do Qatar


Sabem quantos circuitos de Grau 1 aprovados pela FIA existem na Península Arábica? Seis. Há um no Kuwait, outro no Qatar, um terceiro no Bahrein - nas suas multiplas versões - outro no Dubai e um quinto em Abu Dhabi. O sexto circuito será inaugurado no final deste ano em Jeddah, para a edição inaugural do GP da Arábia Saudita.

Desses, só três estão no calendário: Bahrein, Abu Dhabi e agora, Jeddah. Mas poderia haver desde há algum tempo um quarto circuito no calendário, mas não acontece por razões politicas. O circuito de Losail, no Qatar, acolhe frequentemente o MotoGP - este ano até acolheu por duas vezes - mas nunca acolheu nem a Formula 1, nem a Endurance. E isso acontece porque há uma rivalidade com o seu vizinho do Bahrein, que tem o circuito de Shakir. Se lá não há a MotoGP ou o WTCR, o Mundial de turismos, é porque existe uma partilha implícita entre ambos os países: se um tem determinada competição, outro não tem.

Mas a pandemia pode mudar as coisas. Com o GP da Austrália cancelado, a a Liberty Media com vontade de fazer as 23 corridas do calendário, dê por onde der, a ideia de ter corridas no Médio Oriente é cada vez mais real. A coisa poderá passar por Shakir, que já acolheu por duas vezes um Grande Prémio em 2020. Em 2021, já recebeu o GP local, e para o final do ano, querem ter algo que complemente o GP da Arábia Saudita, que acontecerá a 5 de dezembro. Nova corrida no Bahrein é possivel, mas também se fala muito de uma prova do Dubai... e a chegada da competição a Losail.

E quem está a puxar por isso é muita gente. A começar por Stephen Ross, o promotor do GP de Miami, que se estreará em 2022. Ross é dono da empresa de marketing RSE Ventures, que pertence parcialmente ao fundo soberano qatari, e em 2015 tentou comprar a Formula 1 à CVC Capital Partners, sem sucesso. Ross, que também é o dono do clube de futebol americano Miami Dolphins, quer ajudar os seus parceiros para obter esta possibilidade, e tem a ajuda do Grupo Volkswagen, que é parcialmente detida (14,5 por cento) pelos qataris. O atual CEO da Formula 1, Stefano Domenicalli, foi anteriormente o presidente da Lamborghini, uma das marcas do Grupo VAG, e poderá fazer "lobby" para que eles entrem. 

Segundo conta o site racefans.com, Domenicalli poderá aceitar o Qatar como forma de atrair uma - ou algumas - marcas do Grupo para a Formula 1, agora que há um teto de gastos, e a Audi está a desinvestir na Formula E a favor da Endurance, como está a fazer a Porsche, embora esta última esteja a fazer sem se desligar da competição elétrica. E para melhorar as coisas, a situação politica no Médio Oriente está mais desanuviada, porque o bloqueio que os restantes países do Golfo, a começar pela Arábia Saudita, ao Qatar, devido ao apoio ao Irão nos diversos conflitos, a começar pelo Iémen, onde há uma guerra civil desde 2014, já foi levantado. Para além disso, quando a Formula 1 passou a ir ao Bahrein, Bernie Ecclestone agradeceu a ajuda - e os petrodólares - barenitas, imponto um veto não declarado à ida da Formula 1 ao seu vizinho um pouco maior. 

Contudo, Bernie está fora de cena desde 2017 e agora, já não há obstáculos de monta para uma ida inédita ao emirado que em 2022 acolherá o Mundial de Futebol e tem ambições de acolher os Jogos Olímpicos a partir de 2036. Veremos se isso acontecerá.       

Noticias: Sauditas querem organizar Grande Prémio no inicio do ano de 2022


Com a estreia marcada para o final do ano, a organização do GP da Arábia Saudita quer ter outra data no inicio de 2022, para tentar aproveitar o facto que, muito provavelmente, o inicio da temporada ser nessa parte do mundo. Pelo menos é essa a intenção do presidente da federação saudita de automobilismo, príncipe Khalid Bin Sultan Al Faisal.

"Para nós, como promotores, preferimos não ser das últimas corridas [no calendário]", começou por dizer à Autosport britânica, no dia que foi anunciado a venda ao público dos bilhetes para a corrida saudita.

As equipas conseguem realmente fazer bem nas primeiras corridas e depois as outras corridas tornaram-se menos interessantes, como promotor. Queríamos ter corrida no início [da temporada], mas no tempo que tínhamos que fazer o trabalho de preparar a pista, não poderíamos ter pronto a tempo uma corrida no início deste ano.", continuou. 

"Nossa decisão era fazer uma corrida no final de 2021, ou [esperar] fazer uma corrida no início de 2022. Nossa decisão foi que queríamos a corrida em 2021. Portanto, agora estamos discutindo com a Formula 1 sobre o que é melhor para nós fazermos nossa corrida em 2022, e esperamos que possamos chegar a um acordo [nesse assunto].", concluiu.

Para além de ter uma corrida no inicio do ano - provavelmente depois da ronda barenita, do qual tudo indica ser a ronda de abertura do campeonato - o príncipe afirmou também estar interessado em receber uma das provas de sprint.

"Estive em Silverstone no fim-de-semana passado e gostei muito [da corrida] como espectador e promotor", começou por explicar. Eu acho que é bom. Você tem mais corridas para ver, mais ação no sábado. Adoraríamos ser um dos países que fizeram a corrida de sprint. 

"A decisão agora é da Formula 1 e veremos. Será outro país, com três países na Europa, ou o Médio Oriente será um deles? Eu adoraria ver na Arábia Saudita.", concluiu.

Formula E: Nissan interessada em Albon


Piloto oficial do DTM em 2021, o futuro da Alex Albon poderá passar pela Formula E, uma competição do qual ele estava para competir em 2019, se a Red Bull não o tivesse chamado para ser... piloto de Formula 1 pela Toro Rosso. A Nissan está interessada num substituto para Oliver Rowland, que está de saída para a Mahindra, e o anglo-tailandês é um dos favoritos. 

Obviamente ele [Albon] está entre os que estamos a considerar e manteve contacto connosco, por isso estamos a falar regularmente”, disse o chefe de equipa da Nissan François Sicard ao site The Race. “Ele está a seguir o que fazemos, por isso estamos muito próximos do Alex e ele pode estar entre aqueles que podemos selecionar. Mas há outros e é preciso saber que Alex também pode ter outras oportunidades”.

Contudo, a Formula E poderá não ser só a competição no qual Alex Albon esteja intressado em estar em 2022. Na semana passada, rumores insistentes falavam que ele procurou um lugar na IndyCar no sentido de poder correr na próxima temporada. Apesar de oficialmente nada ter dito sobre isso, as vozes afirmavam que esse piloto estava "sob a tutela da Red Bull", algo do qual Albon se encontra neste momento. 

domingo, 25 de julho de 2021

A imagem do dia


Se alguém fala sobe americanos a triunfar na Europa, em máquinas americanas, o primeiro pensamento vai para 1966, os carros da Ford e gente como Carrol Shelby, Dan Gurney, A.J. Foyt, e Ken Miles, em triunfos que encheram páginas de jornais e revistas e ajudaram a vender milhões de carros com a marca da oval nos anos seguintes. E claro, fazer do GT40 um bólido mítico. Mas há um pequeno problema nesta história: não era a primeira vez que os americanos faziam isto. Aliás, já tinham feito 45 anos antes, também em Le Mans, mas por alguém que hoje em dia quase ninguém ouviu falar. Foi num Dusenberg, e o piloto chamava-se Jimmy Murphy.

Nascido a 12 de setembro de 1894, em São Francisco, a vida dele foi marcada pelas dificuldades e tragédias pessoais. Orfão de mãe, vitima do terramoto de 1906, o seu pai desapareceu de cena pouco depois, e foi criado por um tio, que o desenvolveu a sua paixão pela mecânica, pelos automóveis e motocicletas. Aos 22 anos, descobriu a cultura dos "motordromes", ovais feitos de madeira espalhados pela Califórnia do Sul, onde os pilotos, quer de motos, quer de carros, disputavam vitórias em curvas de 33 graus, as antecessoras de lugares como Daytona ou Talladega e outros "superspeedways", onde todos desafiavam a morte, porque ali, um erro e não havia qualquer segurança. 

Em 50 corridas, Murphy venceu 36 e foi descoberto pela Duesenberg, que o esolhou para ser seu piloto de fábrica, e quando receberam o convite para participar no GP de França de 1921, o mais prestigiado do mundo, e a ser corrido no circuito de La Sarthe, em Le Mans - as 24 Horas nasceram para poderem utilizar esse circuito fora do Grande Prémio - a equipa americana inscreveu Murphy e o seu compatriota Joe Boyer, bem como os franceses André Dubonnet e Albert Guyot. Aquela era a primeira grande corrida depois da I Guerra Mundial, e queriam fazer as coisas bem feitas, esperando uma vitória francesa, pois gente como a Ballot e a Talbot-Darracq estavam presentes.

Murphy não estava em forma. Estava ainda em convalescença de um acidente, semanas antes - tinha quatro costelas fraturadas e era içado para poder entrar no carro - e os solavancos da pista de terra não ajudavam muito. "Era uma experiência exaustiva e ainda sofria das minhas lesões", explicou mais tarde.

A corrida foi numa segunda-feira e começou pelas nova de manhã, debaixo de nuvens ameaçadoras. Murphy e Boyer foram logo para a frente, seguido por Jean Chassagne, num Ballot, e outro americano, Ralph DePalma, também num Ballot. Foi um duelo entre Duesenberg, com melhores travões, e os Ballot, que eram melhores no seu manejo. Ernie Olson, o seu mecânico, disse que "as pedras que levamos no caminho pareciam rajadas de metralhadora". Contudo, ao fim de quatro horas e trinta voltas, ele saia como vencedor do mais prestigiado Grande Prémio do mundo e o primeiro americano a ganhar na Europa, numa máquina americana.

E por incrível que pareça... isto foi apenas o começo. Poucos meses depois, conseguiu a pole-position nas 500 Milhas de Indianápolis e liderou até ao final, sendo o primeiro a alcançar tal feito. Por essa altura, todos falavam que era dos melhores, senão o melhor, piloto americano. Um feito para alguém então com 27 anos.

Contudo, nesses tempos, eram frequentes os acidentes mortais, e infelizmente, a sua carreira teve um final abrupto a 15 de setembro de 1924, três dias depois de completar 30 anos. Nesse dia, Murphy estava em Syracuse, em Nova Iorque, numa prova de "dirt track" e competia pela liderança a doze voltas do fim quando perdeu o controlo do seu carro e bateu contra uma vedação de madeira. Um pedaço de madeira dessa vedação acabou por se espetar no peito de Murphy, matando-o instantaneamente. 

Passam-se hoje cem anos sobre o primeiro grande feito americano na Europa. Quase ninguém se lembra de Murphy, um dos melhores pilotos da sua geração, ou da Duesenberg, que ficou mais conhecido pelos seus carros luxuosos e se extinguiu na década seguinte, na Grande Depressão, mas os registos ficam aí, para podermos descobrir e redescobrir. 

Formula E: Lynn vence corrida confusa em Londres


O britânico Alex Lynn, da Mahindra, triunfou esta tarde em Londres, na segunda prova britânica do campeonato da Formula E, na frente de Nyck de Vries e Mitch Evans, numa prova marcada por diversas batidas e consequentes entradas do safety Car. Nyck de Vries, terceiro, aproveitou o facto que Sam Bird e António Félix da Costa não terem pontuado para sair da capital britânica com a liderança do campeonato. Lucas di Grassi foi o primeiro a cruzar a meta, mas como ele tinha feito uma ultrapassagem durante o Safety Car, foi penalizado com uma bandeira preta.

Numa qualificação onde os Mercedes conseguiram ter um nom dia, Stoffel Vandoorne conseguiu manter a liderança no seu começo, apesar dos ataques de Oliver Rowland, da Nissan, Alex Lynn, a Mahindra, e Nyck de Vries, noutro Mercedes. O neerlandês passou Lynn na volta 3, para ser terceiro, e três voltas depois, começavam as confusões: René Rast e Sebastien Buemi começaram a tocar um no outro, com o alemão a levar a pior, acabando por fazer entrar o Safety Car, naquilo que iria ser a primeira entrada na corrida.  


Logo a seguir ao recomeço da prova, António Felix da Costa tentou ganhar uma posição ao Porsche de André Lotterer, mas o alemão espremeu o carro à parede, causando uma colisão. O português terminou por ali a sua corrida, e o alemão acabou por ser penalizado com um "drive through", e houve nova entrada do Safety Car.

Por essa altura, Lucas di Grassi tinha aproveitado a confusão para passar Vandoorne nas boxes - elas estavam abertas - e assim ficar com a primeira posição, o que não era permitido, baseado nas regras. Mas os comissários demoraram imenso até repararem o erro e darem uma penalização ao brasileiro da Audi. 

No último minuto da corrida, Sam Bird e Norman Nato colidem quando disputavam o último lugar pontuável e acabaram por abandonar a prova. Esta caiu debaixo de bandeiras amarelas, dando a Lynn a vitória  

No campeonato, De Vries lidera com 95 pontos, seguido por Robin Frijns, com 89, Sam Bird com 81, Jake Dennis e António Félix da Costa, com 80. A Formula E ruma a Berlim para a ronda dupla final da competição, no fim de semana de 14 e 15 de agosto.

Formula E: Vandoorne faz pole na segunda qualificação londrina


O belga Stoffel Vandoorne foi o melhor na qualificação londrina da Formula E, na manhã deste domingo. O piloto da Mercedes bateu Oliver Rowland, da Nissan, e Alex Lynn, da Mahindra, numa SuperPole disputada do décimo de segundo. Quanto a António Félix da Costa, hoje foi ainda pior que ontem, pois foi apenas 22º nesta qualificação que não correu de feição para ele.

Sem o tempo a incomodar muito desta vez, como tinha acontecido ontem, desta vez, o que aconteceu teve mais a ver com as estratégias das equipas e o facto de os pilotos do primeiro grupo saírem pior que os seguintes. E foi assim no Grupo 1, com  Sam Bird, António Félix da Costa, Jake Dennis, Nyck de Vries, Robin Frijns e Edoardo Mortara. Ali, Nyck de Vries foi o melhor que Robin Frijns, enquanto a António Félix da Costa, ele foi seis centésimos pior que o piloto da Mercedes e foi o último do grupo, indo largar praticamente no final da grelha. 

Contudo, no Grupo 2, começou a cair alguns pintos de chuva, e os pilotos René Rast, Nick Cassidy, Jean-Éric Vergne, Lucas Di Grassi, Pascal Wehrlein e Stoffel Vandoorne foram imediatamente para a pista no sentido de tirar o melhor tempo possível. A Vandoorne, correu bem, seguido de Wehrlein e Di Grassi, enquanto Jean-Eric Vergne cometeu erros e acabou a fazer companhia a Félix da Costa no fundo da grelha.

O grupo 3 - que tinha Mitch Evans, Oliver Rowland, Maximilian Günther, Alex Lynn, André Lotterer e Alexander Sims - deu-se bem melhor, com Lynn a fazer um desempenho semelhante ao do dia anterior, ficando com o melhor tempo, seguido por Evans. E eles estavam mais descansados em relação ao Grupo 4, com Sébastien Buemi, Norman Nato, Oliver Turvey, Sérgio Sette Câmara, Tom Blomqvist e Joel Eriksson, porque os seus tempos tinham sido modestos, com o melhor a ser Sette Câmara, apenas o nono na grelha.

Assim para a SuperPole foram Alex Lynn, Mitch Evans, Stoffel Vandoorne, Oliver Rowland, Maximilian Günther e Nyck de Vries.

O primeiro a sair para a pista doi De Vries, com um tempo competitivo de 1.20,353. Gunther veio a seguir, mas fez um tempo marginalmente pior, antes de Rowland melhorar o seu tempo em um décimo. A parte final foi bem favorável a Vandoorne, que conseguiu 1.20,181 e subiu para o topo da tabela de tempos, não sendo mais desalojado.

A corrida acontecerá pelas 14 horas de Lisboa, e transmitida em direto pela Eleven Sports 3.

sábado, 24 de julho de 2021

Youtube Music Video: F1 Theme in acapella

A parte chata deste video é que só dura um minuto. De resto, é excelente. 

Formula E: Dennis foi o vencedor na primeira corrida de Londres


Jake Dennis
levou a melhor sobre a concorrência e ganhou a primeira corrida da Formula E nas ruas de Londres. O piloto da BMW superou o neerlandês Nyck de Vries e o carro de Alex Lynn, o poleman desta primeira prova. A atuação do piloto da BMW Andretti foi dominadora, algo raro neste tipo de provas, pois acabou mais mais de cinco segundos de diferença para o segundo classificado. Sam Bird não pontuou, mas manteve o comando do campeonato, apesar de António Félix da Costa se ter aproximado, com o oitavo posto alcançado esta tarde no seu DS Techeetah.

Com britânicos na frente da grelha, parecia que eles tinham tudo controlado, mas atrás, houve muitos toques, que tiveram consequências. Alex Sims levou muitos toques e acabou com o carro danificado e parado na pista. Bird também tinha danos no seu carro e teve de ir às boxes, para não mais sair dali. Félix da Costa aproveitou isto tudo para subir na geral, mas teve de demorar um pouco por causa do Safety Car Virtual, que teve de ser colocado para retirar o carro de Sims do sitio onde estava.

Quando recomeçaram, Dennis começou a ir-se embora do resto do pelotão, enquanto atrás, o piloto português tentava recuperar os lugares possíveis para chegar o mais rapidamente aos pontos. Foi o primeiro a ir ao Attack Mode, antes de Alex Lynn e Jake Dennis, que assim fugiram de Sebastien Buemi. Quem se atrasava era Sergio Sette Câmara, prejudicado pelas lutas na pista. 

Mais tarde, Lotterer falhou a sua passagem pelo Attack Mode, perdendo tempo e o quinto posto, enquanto Norman Nato era penalizado em cinco segundos devido a um toque fora da lei, e dando um lugar a Félix da Costa, que já estava nos pontos. A partir daqui, o grande interesse era a luta pelo quinto posto, entre os Audis de Di Grassi e Rast e o Porsche de Lotterer, que tentava recuperar o tempo perdido. A quatro minutos do fim, Félix da costa conseguiu passar Nato e já confirmava o lugar nos pontos, mas na frente, Nyck de Vries conseguiu passar Buemi e Lynn para acabar por ser segundo na corrida.

No final, Dennis, De Vries e Lynn completavam o pódio, com Buemi a ser quarto, na frente do Porsche de André Lotterer e dos Audi de Di Grassi e René Rast. Vandoorne foi oitavo, na frente de Felix da Costa e Edoardo Mortara, pois Norman Nato caiu na geral por falta de energia.   

E depois da meta, mais alterações na classificação. Os Nissan de Sebastien Buemi e Oliver Rowland acabarm por ser desclassificados, e com Buemi a ser-lhe retirado do quarto posto, o resto subiu na geral, e isso incluiu Felix da Costa, que assim tornou-se oitavo.  

No campeonato, Bird mantêm o comando, com 81 pontos, com Félix da Costa em segundo, com 80, e Jake Dennis em terceiro, com 79. Amanhã é a segunda corrida do fim de semana britânico. 

Formula E: Alex Lynn foi o poleman na primeira corrida de Londres


O britânico Alex Lynn conseguiu fazer a pole na sua primeira corrida caseira, esta manhã em Londres. O piloto da Mahindra conseguiu ser melhor que Jake Dennis, da BMW, numa qualificação onde António Félix da Costa partirá de 17º posto, prejudicado pelas condições meteorológicas sofridas pelos pilotos que estavam no Grupo 1.

Numa pista onde parte dela estava dentro e outra fora do London ExCel, a manhã foi complicada por causa do tempo. Tinha chovido durante a manhã e parara pouco tempo antes da qualificação. Contudo, a pista estava parcialmente molhada quando o Grupo 1 saiu para a pista, constituída por Sam Bird, António Félix da Costa, Robin Frijns, Edoardo Mortara, Nick Cassidy e Jean-Éric Vergne, andou na pista com muito cuidado para evitar bater no muro. Mortara foi o mais rápido, seguido por Félix da Costa e Sam Bird, mas todos sabiam que os tempos iriam ser dos mais lentos da sessão, e a passagem para a SuperPole não iria acontecer.

A partir do Grupo 2, que tinha René Rast, Mitch Evans, Pascal Wehrlein, Nyck de Vries, Oliver Rowland, Lucas Di Grassi, os tempos começaram a baixar, com cinco dos pilotos a entrarem na SuperPole, excepto Oliver Rowland. Mas foi o Grupo 3, com Stoffel Vandoorne, Maximilian Günther, Jake Dennis, Alexander Sims, Alex Lynn, André Lotterer, que se viam as maiores diferenças. Contudo, isso teve de demorar um pouco porque Gunther cometeu um erro e bateu no muro, causando a amostragem das bandeiras vermelhas.

Apenas dez minutos mais tarde é que a sessão continuou, com os pilotos a serem autorizados a repetir a sua tentativa, e Lotterer levou a melhor, 0,6 segundos na frente de Lucas di Grassi, os únicos que tinham chances de ir para a SuperPole.

Foi o Grupo 4, que com a pista seca, levou com os loiros. O grupo de Sébastien Buemi, Norman Nato, Oliver Turvey, Sérgio Sette Câmara, Tom Blomqvist, Joel Eriksson, três pilotos aproveitaram bem a oportunidade. Buemi, Sette Câmara e Nato surgiram em quarto, quinto e sexto, eliminando Di Grassi, Sims e De Vries.

Assim sendo, eis o grupo que foi para a parte final da qualificação: Buemi, Sette Câmara, Nato, Lotterer, Lynn e Dennis.

O primeiro a abrir as hostilidades foi Norman Nato, que não fez um tempo fabuloso, ou seja, estava vulnerável aos que iriam a seguir. Sette Câmara foi para a pista fazer a sua volta, e conseguiu fazer melhor que o piloto da Venturi, mas foi Buemi que conseguiu uma passagem pela pista superior à concorrência, ficando com o primeiro tempo provisório.

Mas no final, a pista seca deu todas as chances da pole para os finalistas. Jake Dennis foi o primeiro, fez o melhor tempo, e Alex Lynn fez ainda melhor, ficando com a pole. André Lotterer foi o último na pista, mas teve um mau registo e os britânicos ficaram com o monopólio da primeira linha.

A corrida acontecerá pelas 15:30, hora local. 

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Youtube Formula 1 Video: A temporada de 1985, por Antti Kalhola

Confesso que a temporada de 1985 me toca no coração porque é aquela onde comecei a ver a Formula 1 a sério. A minha primeira temporada completa, com toda aquela gente conhecida, mais a Alfa Romeo, a Renault e Niki Lauda, que ainda andavam por ali. 

E aparentemente, não sou o único. Acabo de descobrir esta sexta-feira à tarde que o Antti Kalhola também gosta dessa temporada, uma que ele não viveu - nasceu em 1991, digo-vos já - e decidiu fazer um video sobre ela. Só tem três minutos e meio, mas como sempre, vale a pena.

A imagem do dia


Didier Pironi e Jean-Pierre Jaussaud comemoram em plenos Campos Elíseos a sua vitória nas 24 Horas de Le Mans de 1978, e de uma certa forma, o final de uma era da marca do losango na Endurance, antes de mergulharem a tempo inteiro na aventura da Formula 1, do qual triunfariam quase doze meses depois, também em terras francesas. Mas o que conta hoje tem a ver com a corrida no circuito de La Sarthe.

A Alpine era uma preparadora fundada em 1954 na cidade de Dieppe por Jean Redélé, que preparava Renault 4CV no sentido de terem um pouco mais de cavalagem no sentido de competir em rampas um pouco por toda a França. Com o tempo, construiu carros de fibra de vidro como o modelo A110, o mais famoso nos anos 60 e 70, principalmente nos ralis. Em 1971, a Renault começou a ter um maior envolvimento no automobilismo, ficando com participações maiores na marca, acabando por a comprar em 1976. Mas eles já nessa altura tinham começado a construir aquilo que viria a ser o A442. Com um motor de 2 litros, acompanhado de um Turbo Garrett, tinha uma potência inicial de 490 cavalos, acabando por ter 520 cavalos lá para 1978.

Nesse ano, Gerard Larrousse, ex-piloto por boa parte dos anos 60 e inicio dos anos 70, era o diretor da Renault e tinha elaborado um plano com três objetivos: triunfar em Le Mans, fechar as operações na Endurance com o objetivo de apostar tudo na Formula 1, para alcançar o mesmo sucesso. E ali, a Renault tinha reforçado bastante o seu orçamento, e construíram três chassis, inscrevendo-o na prova, com os melhores pilotos franceses. E nesse ano, estavam na primeira temporada inteira na Formula 1, com Jean-Pierre Jabouille ao volante, lutando contra um motor potente, mas frágil.

Três carros estavam inscritos na edição de 78. O primeiro era para Didier Pironi e Jean-Pierre Jaussaud, o primeiro um jovem que se tinha estreado na Formula 1 nesse ano, pela Tyrrell, o segundo um veterano de 41 anos, e que tinha corrido pela Matra e Mirage. No segundo carro estavam o britânico Derek Bell e Jean-Pierre Jarier, e no terceiro, quatro pilotos: Jabouille, os pilotos de ralis Guy Frequin e Jean Ragnotti, e o irmão de Pironi, José Dolhem. Havia também um A443, para Jabouille e Patrick Depailler. Todos iriam correr contra os Porsche 935 e 936, especialmente os guiados por Jacky Ickx, Bob Wollek, Hurley Haywood, Peter Gregg, Reinhold Joest ou Rolf Stommelen, entre outros.

Essencialmente, foi uma questão local. Os Renault, cujos chassis eram idênticos aos Porsche 936, que eram já capazes de fazer 390 km/hora na reta das Hunaudrieres, conseguiram controlar os carros alemães, ao ponto de terem decidido que, caso acontecesse, os vencedores seriam Jabouille e Depailler, muito mais velozes Tudo corria bem até à 18ª hora, quando o motor explodiu, e o comando foi herdado por Pironi e Jaussaud. O veterano levou o seu carro a bom porto, e no inicio da manhã, já tinham um bom avanço sobre o Porsche de Ickx quando começou a ter problemas com a caixa de velocidades. Larrousse disse que Pironi deveria levar o carro ate ao fim, esperando que conseguisse a vitória tão esperada. 

Quando conseguiu, Pironi estava exausto, não conseguindo ser capaz de sair do seu carro pelo próprio pé, e assim sendo, Jaussaud teve de ir sozinho ao pódio ir buscar o troféu. Tinham ganho com quatro voltas de avanço sobre o melhor dos Porsches, e depois, foram comemorar como os franceses gostam de celebrar: com um passeio nas ruas de Paris. Dali a um ano, voltariam a sair à rua para comemorar a primeira vitória de um motor Turbo na Formula 1.

A vida de Pironi é conhecida: uma curta carreira na Formula 1, Tyrrell, Ligier e Ferrari e provavelmente o favorito ao título mundial de 1982, antes de um acidente no "warm up" do GP da Alemanha ter terminado prematuramente a sua carreira. Cinco anos de reabilitação o fez andar nos "powerboats" até um acidente na ilha de Wight, em agosto de 1987, ter terminado com a sua vida. Jaussaud foi correr para a Rondeau e voltou a vencer em Le Mans ao lado de Jean Rondeau, em 1980, sendo participante do único piloto de Le Mans a ganhar em Le Mans a bordo do seu próprio carro. 

Jean-Pierre Jaussaud morreu ontem, aos 84 anos, deixando a sua marca na vida a fazer o que gostava e também a fazer sonhar outros nas aventuras em que viveu. Ars longa, vita brevis