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segunda-feira, 10 de março de 2025

A imagem do dia


As ações da Tesla estão em queda livre. Só nesta segunda-feira - e a sessão ainda não acabou - as ações da marca de automóveis elétricos na Bolsa de Nova Iorque caíram 13,53 por cento. Em linguagem simples, perderam 35 dólares... nesta sessão. 

Quando começou o ano, a Tesla estava nos píncaros, à volta dos 450 dólares por ação. Agora, por causa da entrada de Elon Musk no governo com o tal DOGE, o "Departamento de Eficiência Governativa", que despede funcionários governamentais de forma cega - o caso mais flagrante foi o despedimento, depois readmissão, dos 350 funcionários encarregados do controle do arsenal nuclear americano - a "tendinite ao braço direito", e depois, os seus descontroles emocionais - e as suspeitas de ele estar a ser alimentado a ketamina - e as constantes quedas de foguetões ao Golfo do México (e não o Golfo da América, como quer aquela personagem laranja), deram no que andamos a ver hoje. 

E nem falo dos boicotes aos carros, as manifestações à porta dos concessionários na América e no mundo, e vandalismos diversos.

Aposto o que quiser que, caso não façam nada - os acionistas, diga-se - o Capitulo 11 (proteção dos credores, em caso de falência) da Tesla está a, se calhar, quatro a seis meses. E também não me perguntem se ele estará vivo nessa altura. Afinal de contas, como alguém disse, o seu estado de espírito é uma mistura de stress, depressão e claro, um possível viciado em drogas. 

E se zangar com o presidente... enfim, cenas dos próximos capítulos. É algo do qual temos de acompanhar de perto. 

Claro, se é isto que vemos para a Tesla, imaginemos o pior para as suas outras empresas, a SpaceX e o Twitter. Mas como aqui falo de automóveis, concentro-me neste assunto. 

PS: A CNBC chamou ao declínio das ações da marca como "Tesla Chainsaw Massacre". Porque ele há uns dias andou com uma motosserra nas mãos, quando foi à Argentina ter com o Javier Milei, o seu presidente. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O enorme retorno da Formula 1?

Desde há algum tempo que sabemos que a Formula 1 vai para a Bolsa de Valores. Que a CVC Capital Partners colocou o equivalente a 30 por cento das suas ações para uma oferta pública de venda na Bolsa de Singapura, numa operação que será ajudada por quatro bancos multinacionais como a suiça UBS, a espanhola Santander e as americanas Morgan Stanley e Goldman Sachs, creio eu.

Esta segunda-feira, o jornal Daily Telegraph falava na sua secção financeira que o retorno desta operação de mil milhões de dólares poderá ser de até... 600 por cento. Descobri este artigo através do Twitter do Karun Chandhok e decidi espreitar e tentar esmiuçar o que vem lá dentro. É que caso isto seja verdadeiro, significa uma das mais bem sucedidas ofertas públicas de sempre numa bolsa de valores.

Contudo, eu tenho algum cepticismo em relação a uma ação destes, nos tempos conturbados que as bolsas de todo o mundo passam neste momento, é complicado. Vide, por exemplo, a operação do Facebook na Bolsa de Nova Iorque e a queda das suas acções nos dias e semanas seguintes. Aliás, falou-se inicialmente que esta operação poderia ser adiada de forma a não ser realizada este ano. Agora fala-se que sim, esta será realizada, pelo menos a acreditar no que vêm da boca de Bernie Ecclestone.

Acho estranho que tal coisa possa ter assim tanta valorização. Aliás, acho até que é um exagero. Mas quando leio quem o autor da matéria, que é o Chris Sylt, que escreve muitas vezes para o site Pitpass, tendo a acreditar que por ali pode haver um fundo de verdade nestas coisas. Mas há outras coisas na matéria que devem ser realçadas, como por exemplo, as dívidas e empréstimos contraídos ao longo dos anos pela CVC Capital Partners. Há um empréstimo de 1,1 mil milhões de dólares contraído em 2006 ao Royal Bank of Scotland, dívida essa que a CVC herdou quando ficou com os ativos da Formula 1 e do qual ainda está a ser paga, apesar dos enormes lucros que a Formula 1 anda a ter todos os anos, cerca de 30 por cento em média.

Todas estas noticias, porém, saem numa altura em que se está a negociar o novo Pacto da Concórdia, do qual não se sabe muito. Fala-se de que algumas equipas, como a Red Bull, McLaren e a Ferrari, poderiam ter um recebimento anual da Formula 1 por valores a rondar os 35 a 50 milhões de euros, tendo em troca a possibilidade de alargar o calendário para 23 ou 24 corridas, o que seria puxar pelos limites fisicos de toda a gente nesta competição.

Mas há também uma pergunta do qual eu gostaria de fazer há muito: com um futuro capital bolsista, as contas não deveriam ser transparentes? pode não ter muito a ver com isto, mas... acho que desde há muito se deveria saber os detalhes destes Acordos, que para mim são demasiadamente generalistas e demasiadamente opacas para ver em detalhe aquilo que sabemos por portas e janelas travessas: que quem manda no negócio é Bernie Ecclestone. E numa futura capitalização bolsista, ele no final do dia levará para casa mais algumas centenas de milhões de dólares no seu bolso. Interessante, não é? 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Valerá a pena colocar a Formula 1 na Bolsa?

A grande cena dos últimos dias em termos financeiros - aparte a crise financeira na zona euro - é a novela do Facebook, que entrou com enorme estrondo há duas semanas na Bolsa de Nova Iorque, com ações a valerem 38 dólares no dia em que entrou.

Pois bem, depois de duas semanas de polémicas com a sua apresentação aos potenciais accionistas, anúncios de investigação por parte da entidade fiscalizadora da bolsa e o enorme "hype" causado pela entrada em si, faz com que neste momento, as ações da rede social fundada e gerida por Mark Zuckerberg valham agora à volta de 28 dólares, menos dez do que no inicio. E isso significou que durante este curto espaço de tempo, a empresa se desvalorizou em 25 por cento, fazendo desaparecer cerca de 25 mil milhões de dólares de capitalização bolsista. Algo que é raramente visto na bolsa americana, segundo dizem os entendidos na coisa.

E porque trago isto para o mundo da Formula 1? Ora, porque eles também vão se lançar na bolsa de valores. Não na de Nova Iorque, mas sim o de Singapura. A operação está a ser preparada desde o inicio do ano, e a ideia é o de colocar entre 20 a 30 por cento da capitalização que pertencia a Lehman Brothers, que poderá valer à volta de 300 milhões de dólares. Se for colocada na bolsa a percentagem mínima, significa que o mundo da Formula 1 valerá à volta de dois mil milhões de dólares, algo do qual muitos estão a torcer o nariz. Para terem uma ideia, esse é o valor da Premiership britânica, a liga de futebol mais importante do mundo.

A operação bolsista ainda não tem data marcada, mas está a ser tratada por quatro bancos: a UBS suiça, as americanas Goldman Sachs e Morgan Stanley, e a espanhola Santander. Mas mesmo que a fuga para a Ásia seja uma maneira segura de atraír, por exemplo, os chineses e os árabes, mesmo por aí, as pessoas estão cautelosas. Prova disso é o que Joe Saward afirma hoje no seu blog, quando se lê que duas empresas de origem chinesa, a Graff Diamonds e a China Nonferrous Minig, decidiram adiar a sua entrada na Bolsa de Hong Kong devido aos receios de que tais ações não iriam ser bem sucedidas. E da primeira companhia, a operação bolsista iria ser de mil milhões de dólares.

Percebe-se a ideia que está por trás disto tudo. Aliás, duas ideias: primeiro, gerar muito dinheiro. E segundo, fazer com que ninguém tente comprar a Formula 1. Bernie Ecclestone sabia disso, quando acedeu a dar "luz verde" a este negócio. Como as equipas nunca farão esforços sérios para tomar conta do negócio e como desde há muito que a FIA não tem mão nesta competição - podem agradecer a Max Mosley por isso - a valorização bolsista é mais uma forma de Ecclestone ainda ganhar mais algum dinheiro e mostrar que, até morrer, será ele a mandar no jogo. Daí ele poder dizer alegremente, aos quatro cantos do mundo, que já assinou um novo Acordo da Concórdia, conferindo mais algum dinheiro às equipas mais poderosas - que vão entre os 50 milhões de euros para a Ferrari, aos 35 milhões de euros anuais à Red Bull - e também a possibilidade do calendário ser alargado dos atuais 20 para um máximo de 24 corridas. E Ecclestone tem olhos agora para as Américas...

Em suma, veremos o que isto vai dar. E pelo que se vê nos exemplos anteriores, o risco é no mímino, grande.