Aos 47 anos de idade - nasceu a 28 de junho de 1971 - Musk fez imensa coisa. Um "nerd" que sofreu "bullying" quando crescia na África do Sul na fase final do "apartheid", aproveitou a nacionalidade canadiana da mãe para emigrar para o Canadá, e depois para os Estados Unidos no inicio dos anos 90, para estudar informática. Foi um dos fundadores da PayPal, que o fez milionário, e depois com esse dinheiro, se meteu noutras aventuras. Não fundou a Tesla, apenas a financiou nos seus primeiros tempos - foi formada em 2003 - para depois o adquirir por completo, um ano depois de fundar a SpaceX, que lançou o seu primeiro foguetão em 2007 e revolucionou a maneira como estes são lançados, recuperados e reutilizados, tudo isto com o objetivo de ir à Lua e a Marte nos próximos vinte anos. A sua fortuna pessoal anda na casa dos vinte mil milhões de dólares, foi casado por três vezes - duas com a mesma mulher - e teve seis filhos, um deles morreu de sindroma de morte súbita quando tinha dez semanas de vida.segunda-feira, 1 de outubro de 2018
Considerações sobre Elon Musk
Aos 47 anos de idade - nasceu a 28 de junho de 1971 - Musk fez imensa coisa. Um "nerd" que sofreu "bullying" quando crescia na África do Sul na fase final do "apartheid", aproveitou a nacionalidade canadiana da mãe para emigrar para o Canadá, e depois para os Estados Unidos no inicio dos anos 90, para estudar informática. Foi um dos fundadores da PayPal, que o fez milionário, e depois com esse dinheiro, se meteu noutras aventuras. Não fundou a Tesla, apenas a financiou nos seus primeiros tempos - foi formada em 2003 - para depois o adquirir por completo, um ano depois de fundar a SpaceX, que lançou o seu primeiro foguetão em 2007 e revolucionou a maneira como estes são lançados, recuperados e reutilizados, tudo isto com o objetivo de ir à Lua e a Marte nos próximos vinte anos. A sua fortuna pessoal anda na casa dos vinte mil milhões de dólares, foi casado por três vezes - duas com a mesma mulher - e teve seis filhos, um deles morreu de sindroma de morte súbita quando tinha dez semanas de vida.terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
A imagem do dia
sábado, 23 de dezembro de 2017
A(s) image(ns) do dia
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Youtube Atmosferic Challenge: o homem que bateu Felix Baumgartner
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Extra-Campeonato: Space Oddity no Espaço
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Youtube Space Acheivement: O primeiro vôo implusionado para o Espaço
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Neil Armstrong e a Formula 1
sábado, 25 de agosto de 2012
The End: Neil Armstrong (1930-2012)
terça-feira, 12 de abril de 2011
Youtube Space Classic: A primeira órbita
Mas também neste ano de 2011, o realizador britânico Christopher Riley decidiu fazer um documentário narrando o vôo de Gagarin. Assim sendo, pediu ao astrounauta italiano Paolo Nespoli, da Agência Espacial Europeia, para que filmasse a Terra vista do Espaço - neste caso, na International Space Station - recriando o vôo de Yuri Gagarin, recorrendo também aos registos sonoros do cosmonauta russo. O resultado final é "First Orbit" (Primeira Órbita, numa tradução livre) e o filme foi disponiblizado para ser visto no Youtube. E podem ver também o site, www.firstorbit.org.
Portanto, tragam as pipocas e a Coca Cola e venham recordar este dia unico na História da Humanidade.
Extra-Campeonato: os 50 anos de Yuri Gagarin, o primeiro homem no Espaço
Era baixote, mas tinha um sorriso cativante. Sobre ele, Serguei Korolev, o homem que tomava conta do programa espacial soviético, dizia que "tinha um sorriso que fazia acender a Guerra Fria". Provavelmente deve ser um dos homens que o mundo respeita, e é um dos marcos da corrida espacial, a par do Sputnik, que é admirado por todos. E hoje faz 50 anos que o homem foi para o Espaço. Esse primeiro homem era russo e chamava-se Yuri Gagarin.Na era da Guerra Fria e da corrida espacial entre americanos e russos, estes últimos tinham conseguido antecipar em Outubro de 1957 quando lançaram o satélite "Sputnik", o primeiro objeto artificial a pairar no Espaço. Os soviéticos tinham um programa altamente secreto, liderado por Serguei Korolev, um homem que passara a vida a desenhar foguetes e a desenvolver o sistema de misseis da União Soviética, e o lançamento tinha sido tão inesperado que chocara o resto do mundo e desencadeou uma reacção que daria origem à corrida espacial entre eles e os Estados Unidos.
Com o passar dos anos, os americanos queriam bater os russos no passo seguinte, que era colocar um homem no Espaço. Por essa altura, em 1959, era uma questão de honra e os primeiros astronautas americanos, os sete do Projeto Mercury (Gus Grissom, Alan Shepard, John Glenn, Gordon Cooper, Walter Scirra, Scott Carpenter e Deke Slayton) tinham sido apresentados pela imprensa com toda a pompa e circunstância. No lado russo era o contrário, nada se sabia, dado o extremo secretismo do programa. Korolev, por exemplo, só seria revelado ao mundo no dia da sua morte, em 1966.
Por essa altura, os soviéticos tinham o programa Vostok (Oriente ou Leste em russo) e tinham selecionado vinte cosmonautas, todos entre os 23 e os 30 anos, e que não podiam medir mais do que 1,75 metros e pesar mais do que 72 quilos. Gagarin, quando foi selecionado, tinha 25 anos. No ano seguinte, Korolev selecionou seis para um programa mais avançado de treino no sentido de os preparar para o vôo da missão Vostok 1, e dois deles eram Yuri Gararin e Vladimir Titov. Mas ao longo de 1960, todos estavam convencidos de que o primeiro seria Gagrin, devido aos testes feitos por eles e pela sua maneira de estar entre os seus companheiros.
Enquanto que os cosmonautas eram treinados, o foguetão era experimentado. sete lançamentos foram feitos, dois quais três foram um sucesso e dois acabaram em explosões. Mas o pior desses incidentes não foi um lançamento: aconteceu a 24 de outubro de 1960, quando um foguetão R-16 carregado de combustivel explodiu durante uma operação de reabastecimento, em Baikonour, causando a morte de 165 pessoas, incluindo Nitrofan Nedelin, o chefe do departamento estratégico de misseis do Exército Vermelho. Apesar do incidente nada a ter a ver com o programa espacial, isso tinha causado atrasos no programa e elevara os riscos de algo correr mal quando fosse a vez de lançar o cosmonauta.
No inicio de 1961, Korlolev escolheu os seus dois primeiros cosmonautas: Yuri Gagarin e Gherman Titov. Ambos seriam lançados para o espaço nesse ano, o primeiro dos quais a 12 de abril, e ambos trabalhariam em dupla, com um a substituir o outro em caso de doença ou lesão. Nesse 12 de abril, acordaram às 5 e meia da manhã, tomaram o pequeno almoço, entraram nos seus fatos espaciais e foram transportados para o lugar do lançamento. Pelas sete e dez da manhã, Gagarin entrou no seu Vostok 1 e esperou mais duas horas até à hora do lançamento, conversando com o chefe da missão e com Korolev.
Entretanto, houve um atraso de uma hora, quando se verificou que a porta não tinha ficado devidamente selada. Apesar de tudo, Gararin estava calmo: a sua pulsação média era de 64 batimentos por minuto.
O lançamento estava marcado para as 9:07 locais, menos três horas pelo horário mediano de Greenwich. Quando aconteceu, nos sete minutos a seguir, com os propulsores a puxarem o foguetão para o espaço, tudo estava a correr como planeado. "... o vôo está a correr bem. Estou a ver a Terra. A visibilidade é muito boa... consigo ver quase tudo. Há um certa claridade acima da capa de nuvens. Vou continuar o voo, está tudo a funcionar bem." Foi assim até chegar à altitude de orbita, onde permaneceu por lá durante uma hora. Depois os sistemas começaram a funcionar automáticamente os seus mecanismos para a descida, e esta aconteceu na zona de Saratov, no centro da Russia.Quando este caiu em terra, pois tinha se ejetado da capsula Vostok devido a um problema técnico, a cena tinha sido observada por um agricultor e a sua filha, que ficaram assustados por tal figura. Gagarin disse depois: "Quando me viram com o fato laranja e o paraquedas, e comecei a andar, fugiram com medo. Então disse-lhes: 'não tenham medo, sou soviético como vocês, que veio do espaço e precisa de um telefone para falar com Moscovo!'" Tinha voado durante 108 minutos e a partir daquele dia, o seu nome entraria nos livros de História.
Como é óbvio, os soviéticos anunciaram logo naquele dia o sucesso da operação, e elevaram Gagarin ao estatuto de herói. Podia ser uma mera operação de propaganda, para mostrar que os soviéticos é que estavam na vanguarda da tecnologia, mas todos queriam e adoravam ver Gagarin, cujo sorriso era contagiante. Mas ele não voaria mais para o Espaço, pois o Politburo soviético achava que Gagarin era demasiado precioso para que se arriscasse a uma nova missão espacial. Era a maldição dos primeiros...Contudo, Gagarin foi promovido a Coronel, tornou-se instrutor na Academia Espacial e deputado no Soviete Supremo. Pilotava frequentemente um aparelho Mig-15, pois queria ter licença de vôo para fazer parte da instrução dos futuros cosmonautas. Mas a 27 de Março de 1968, quase sete anos depois do seu primeiro vôo espacial, Gagarin e o seu instrutor, Vladimir Seryogin, morrem num acidente de aviação. As causas do acidente foram alvo de especulação durante anos a fio, dando palco a varias teorias de conspiração, mas nos anos 90, quando o regime soviético terminou, descobriu-se que houve três investigações paralelas: a oficial, a do Politburo e da KGB.
E todas elas chegaram, à sua maneira, à mesma conclusão: um Sukhoi Su-15 voava demasiado perto do Mig-15 quando bateu a barreira do som, e o impacto desse "boom" sónico fez vibrar o avião de forma perigosa, levando-o a perder o controlo e a cair. Para além disso, um erro feito pelo controlador de vôo da zona, relativo às condições meteorológicas da altura - tempo coberto a partir dos 2000 metros de altura - levaram ao desastre. Gagarin foi cremado e teve um funeral de estado, com as suas cinzas colocadas no muro do Kremlin, não muito longe de Serguei Korolev, que tinha morrido dois anos antes.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Extra-Campeonato: O vôo fatal do Challenger, vinte e cinco anos depois







quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Extra-Campeonato: Challenger, 24 anos depois
Surgiu esta semana no jornal inglês The Guardian. Este video destaca-se pela sua raridade, pois é a primeira vez que é visto, 24 anos depois do acidente.
A 28 de Janeiro de 1986, Jack Moss, que vivia a sua retirada no Estado da Florida, colocava a sua câmara de video no jardim para filmar a partida do "space shuttle" Challenger (ou ônibus espacial, como diz no Brasil). Moss filmou a descolagem e o momento da explosão do vaivém, primeiro intrigado e depois com dúvidas, perguntando ao vizinho se aquilo que estava a ver á sua frente significava problemas, ao que respondeu que ia ver a televisão para saber de alguma novidade.
Depois daquilo, Moss guardou a cassete na cave da sua casa até à altura da sua morte, em Dezembro de 2009. O seu filho viu as cassetes e divulgou o seu conteúdo no Youtube.
Lembro-me bem desse dia. O desastre tinha acontecido a meio da tarde, e quem contou a noticia foi o meu pai, que tinha acabado de chegar do trabalho. Apesar de ele ter dito mal o nome do vaivem, eu, mesmo com os meus nove anos de idade, tinha já consciência da gravidade da situação. Numa era sem Internet, e num país onde se vivia ainda a era do canal unico, só vi as imagens à hora do jantar, mais de duas horas depois da primeira noticia.
O resto da história soube depois: um lançamento adiado por alguns dias devido às baixas temperaturas que se faziam sentir na altura, o facto das borrachas que envolviam os foguetes de propulsão estarem desgastadas com o uso e com as constantes variações de temperatura, que resultaram numa fuga no momento da descolagem, que resultou num incêndio mesmo ao lado do depósito de combustivel de oxigénio liquido, uma autêntica bomba caso tivesse uma fonte de calor bem próximo. 73 segundos depois da descolagem, foi o que aconteceu...
Já agora, este foi o primeiro grande feito da CNN, pois era a unica cadeia de TV a transmitir a descolagem do Challenger em directo.
sábado, 8 de agosto de 2009
Uma volta de avião diferente
Quando se vê a reportagem e a maneira como May descreve a vista que se têm, lembro-me do Pálido Ponto Azul, do Carl Sagan, e da maneira como nós olhamos para a Terra. Todos dizem que quem se vai para o Espaço e volta, torna-se numa pessoa diferente. Dar a volta ao mundo a cada 108 minutos, de facto, é muito para a nossa mente. E é uma experiência poderosa.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Extra-Campeonato: "Nós escolhemos ir à Lua"
"Escolhemos ir à Lua. Escolhemos ir à Lua e fazer as outras coisas nesta década, não porque são desafios fáceis de se fazer, mas porque são os mais difíceis (...) porque este é um desafio que estamos dispostos a aceitar, um que não estamos dispostos a adiar, e é um desafio que nós queremos vencer!" (...)
Foi provavelmente o maior desafio da década para os americanos. Embalados pela corrida espacial, e pelo facto de terem perdido para os soviéticos algumas "primeiras vezes" como o lançamento espacial e o primeiro homem no Espaço (Yuri Gagarin), o então presidente John F. Kennedy decidiu que, para conseguir bater os soviéticos, teria de pensar em mandar um homem para a Lua até ao final da década. Reforçou o orçamento para a NASA, ordenou a construção do Centro Espacial de Houston e novas instalações no Cabo Canaveral, na Florida, para que fosse lançado um foguetão capaz de impulsionar uma força suficiente para colocar três homens em orbita e ir à Lua, colocar uma bandeira americana e voltar, sãos e salvos.
Kennedy não viveu para ver isto, mas isto foi considerado como um designio nacional, e um objectivo a alcançar. Essas esperanças e sonhos aconteceram a 21 de Julho de 1969, quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin, no módulo Eagle, aterrou no Mar da Tranquilidade e afirmou as palavras imortais: "Um pequeno passo para o Homem, um grande pulo para a Humanidade".
Desde há algum tempo que se preparavam algumas coisas para comemorar o 40º aniversário da missão da Apollo 11, a nave que levou Buzz Aldrin, Neil Armstrong e Mike Collins para a lua, sendo que os dois primeiros entraram na história como sendo os primeiros terráqueos a pisar a superficie de outro corpo celestial (neste caso, a Lua, o satélite da Terra).sábado, 25 de abril de 2009
Para o Espaço! E mais além...
A Brawn GP é, como sabem, patrocinada pelo Grupo Virgin, que colocou este fim de semana nos seus carros o logotipo da Virgin Galactic, a empresa que quer ser a primeira a proporcionar vôos espaciais de baixa altitude a clientes abastados, ao preço de 200 mil euros. E dois pilotos estão envolvidos nisso: Niki Lauda e Rubens Barrichello.
O piloto brasileiro já comprou o seu lugar num dos vôos da companhia, segundo afirma o seu presidente, Richard Branson. Quanto ao austriaco Lauda, actualmente com 60 anos, tri-campeão do Mundo em 1975, 77 e 84 e dono da Air Niki, uma companhia aérea de baixo custo, depois de ter fundado a Lauda Air no final dos anos 70, confessou que está a aprender a pilotar a nave que levará os turistas ao espaço. O austríaco admitiu que pilotar um Space Shuttle é mesmo o único sonho que ainda lhe resta concretizar: "Eu sempre quis isso mas parecia impossível de concretizar porque, basicamente, os americanos fazem-no. Quando vi este projecto fui o primeiro a bater à porta", confessou.quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Extra-Campeonato: Já lá vão 50 anos...
É verdade. Sempre tive a impressão que quando falávamos de Espaço, pensava que era o futuro. Naves Espaciais, tecnologia de ponta, Velocidade da Luz, "Star Trek", "Star Wars"... esse futuro começou com uma pequena esfera, com quatro antenas, e com um transmissor que emitia um pequeno sinal sonoro "bip, bip, bip..." Era o Sputnik, e hoje faz 50 anos que foi lançado para o espaço.
Das fantasias para a realidade foi um pequeno passo. Foi aí que aparecerem os pioneiros: Robert Goddard (1882-1945), cujas experiências com foguetes líquidos inspiraram um jovem alemão, de seu nome Werner von Braun (1912-1977), que colaborou com os nazis na construção do foguete V2, o primeiro míssil balístico da história. Aliás, quando os americanos capturaram Von Braun e o interrogavam, este, espantado, retorquiu: “Mas vocês têm um homem no vosso país que sabe tudo sobre foguetões. As ideias que nós usámos são todas dele. Chama-se Robert H. Goddard”.
No Verão de 1945, maericanos e russo queriam a mesma coisa: a tecnologia do foguetão V2. Se os americanos tinham a equipa principal, os russos tinham outro génio de foguetes: Serguei Korolev (1907-1966). Durante anos, ninguém no Ocidente soube quem ele era. Tinha sido uma decisão do Politburo soviético, em escondê-lo a ele e ao programa espacial soviético, pois estava intimamente ligado ao projecto dos misseis intercontinentais. Era a Guerra Fria a fazer das suas...A exploração espacial não era uma surpresa. Aliás, era um dos objectivos do Ano Geofisico Internacional, em 1957/58, que para além de uma muito mediatizada operação de exploração à Antártida, também se previa o lançamento de um foguete espacial, com um ou vários satélites científicos, para o estudo da Terra. O então presidente americano Dwight Eisenhower tinha anunciado até o nome do foguetão: "Vanguard".
O Sputnik era uma esfera simples, de 83,5 quilos de peso, 58 centímetros de diâmetro, dois radiotransmissores e quatro antenas. A escolha do design fora do próprio Korolev: "A Terra é uma esfera e o primeiro satélite tem de ter também uma forma esférica", terá ele dito a um dos seus colaboradores mais próximos, Boris Chertok (n.1912). O foguetão que o transportava era um R-7, um míssil intercontinental adaptado para foguetão, e este foi lançado em Baikonour, no actual Cazaquistão.
O mundo ocidental ficou espantado. Enchiam-se primeiras páginas com o feito. Os governos ficavam preocupados, pois não esperavam tal manobra vinda da União Soviética. Estavam tão convencidos da superioridade tecnológica dos americanos, que isto foi visto como uma bofetada do "urso russo". O espanto foi tanto que até apanhou de surpresa os próprios russos: o Pravda do dia 5 anunciava o lançamento na primeira página, mas no fundo. No dia seguinte, depois de saberem do impacto que teve no Ocidente, os russos propagandeavam o feito, como mais uma prova da superioridade tecnológica do comunismo. Houve até quem declarasse alto e bom som que "o lançamento do Sputnik não era mais do que propaganda comunista". Isso aconteceu em Portugal e o senhor que disse isso chamava-se Varela Cid, um eminente professor na área da astrofisica. Isso foi tão gozado que por causa disso, os ingleses inventaram a expressão "Don't be Varela", para afirmar, por outras palavras: "não te armes em parvo".
Claro, isso mordeu o orgulho americano. O "bip-bip" do Sputnik, captado por radioamadores de todo o mundo, funcionou durante três semanas, até ao dia 26 desse mês. Mas na altura em que deixou de funcionar. Korolev estava a delinear o próximo passo: um ser vivo no espaço. Exactamente um mês depois, o Sputnik 2 era lançado, com uma cadela a bordo. Chamava-se Laika. Infelizmente, esse passeio espacial durou apenas poucas horas, pois ela morreiria, vítima da privação de oxigénio.
Depois do Explorer 1, os americanos tomaram medidas: criaram a NASA, escolheram um grupo de sete astronautas para que fossem os primeiros a irem ao espaço (nesse aspecto, Korolev ganhou de novo: Iuri Gagarin (1934-1968) foi o primeiro ser humano a ir para o espaço a 12 de Abril de 1961). A corrida espacial estava lançada, e a década de 60 iria assistir à algo excitante, cujo culminar foi aquele 21 de Julho de 1969, quando Armstrong e Aldrin pisaram a superfície da Lua. Korolev não assistiu a isso: tinha morrido de ataque cardíaco em Janeiro de 1966. Foi então que os russos revelaram o seu verdadeiro nome, algo que até então estava no segredo dos Deuses. Antes disso, chamavam-no de "Engenheiro-Chefe".segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Extra-Campeonato: 22 anos à espera de ir ao espaço
Desde o passado dia 8 que o vaivém espacial Endeavour está no espaço, com o objetivo principal de continuar a construir a Estação Espacial Internacional (EEI), levando neste caso mais um segmento do painel solar, o Integrated Truss Segment, uma nova viga para a estrutura centras da EEI, que tem como função refrigerar as linhas de força, além de servir como um separador entre dois módulos.
A missão é constituida por sete astrounautas, seis americanos e um canadiano. Uma das tripulantes é Barbara Morgan, de 55 anos, que estava à espera desta missão há 22 anos. E porquê? Porque fazia parte do programa "Um Professor no Espaço", cuja primeira pessoa a ir era Christa McAuliffe, que esta a bordo do vaivem espacial Challenger no dia 28 de Janeiro de 1986, quando explodiu passados 73 segundos de vôo. Barbara Morgan era a suplente...
"Naquela manhã de 28 de Janeiro de 1986, ela ficou em terra a ver elevar-se no céu o vaivém onde seguia a colega Christa McAuliffe, a primeira professora a ir ao espaço. Ao fim de 73 segundos, o inacreditável acontecia. O Challenger desintegrava-se. As imagens desse instante ficaram gravadas na memória colectiva: o fumo esbranquiçado com a forma de um V gigantesco, contra o azul do céu...
Christa McAuliffe, de 36 anos, era a vedeta dessa missão do Challenger. A agência espacial dos Estados Unidos ia levar para o espaço, pela primeira vez, um cidadão comum. McAuliffe era professora (ensinava Inglês e História) e planeava dar aulas em directo enquanto o Challenger orbitasse a Terra. Barbara Morgan, então com 34 anos, era a segunda escolha, a professora suplente, caso alguma coisa impedisse McAuliffe de ir para o espaço.
Tinham ambas sido seleccionadas em 1985, entre 11 mil candidatos que concorreram ao programa Professores no Espaço. Entre Setembro de 1985 e Janeiro de 1986, McAuliffe e Morgan treinaram com os seis tripulantes do Challenger, no Centro Espacial Johnson, em Houston, no Texas.Mas nada impediu McAuliffe de ir para o espaço naquela manhã de 28 de Janeiro de 1986. Nenhum dos tripulantes sobreviveu. Era a primeira grande catástrofe da NASA, que deixaria Barbara Morgan e o programa Professores no Espaço durante muitos anos em terra, pois a agência acabou com os voos de civis.
Morgan não virou as costas perante a tragédia. Quando a NASA a convidou para ser embaixadora espacial da América com o título pomposo de "professora no espaço nomeada", ela aceitou. "Era uma decisão realmente importante para mim. Mas era fácil de tomar. Tínhamos miúdos de todo o país a ver o que faziam os adultos numa situação difícil", diz numa entrevista publicada no site da NASA. Assim, pouco tempo após um golpe tão rude na credibilidade da agência, fez-se à estrada. Entre Março e Julho de 1986, correu os Estados Unidos a dar palestras.
Um sonho por telefone
No Outono daquele ano, regressou à Escola Primária de McCall, no Idaho, onde dava aulas. Mas continuou sempre a colaborar com a Divisão de Educação da NASA, em palestras ou como consultora na área da educação.
Só que o bichinho que a fez candidatar-se a professora no espaço mantinha-se vivo, desde o dia em que ouviu falar desse programa. Um momento de que se recorda bem: "Eu e o meu marido estávamos sentados no sofá a ouvir as notícias, como fazíamos sempre. E apareceu o Presidente Reagan a dizer que iam enviar um professor para o espaço. Levantei-me e disse: "Uau!"", conta Barbara Morgan. O marido dela, o escritor Clay Morgan, ripostou: "Porquê um professor? Por que não um escritor?". É que ele adorava poder voar, diz a mulher.
No final dos anos 90, o programa Professores no Espaço sofreu uma reviravolta, dando lugar a um novo programa chamado Astronauta Educador. Um professor poderia agora tornar-se astronauta, tal como um cientista ou um piloto de aviões. Em 1998, Barbara Morgan foi então seleccionada para integrar o corpo de astronautas da NASA. Outro dia vivo na sua memória.
"De manhã, antes de ir para a escola, recebi um telefonema do nosso administrador [da NASA], Dan Goldin, e do director do Centro Espacial Johnson, George Abbey. Fui para a escola, como nos outros dias", conta a professora agora astronauta. "Queria que os meus colegas soubessem. Eles fazem parte disto tudo há muitos, muitos anos, e estávamos todos desejosos de que esse dia chegasse. Houve uma grande excitação na minha escola e por todo o país." Tal como ela, outros três professores pertencem agora ao corpo de astronautas da NASA.
Ao fim de dois anos de treino intenso, a professora transformou-se em astronauta de corpo inteiro e passou a desempenhar várias funções, em particular no controlo de missões espaciais, onde funcionava como elo de comunicação com as tripulações no espaço. Só que um astronauta tem sempre o sonho de ir lá acima. "Ao longo dos anos, sempre soube que um dia aconteceria", comentou a professora-astronauta, citada pela BBC Online. "Só não sabia quando."
Dar aulas em órbita
A notícia tão aguardada chegaria em Dezembro de 2002. "Estávamos todos de mãos dadas, à espera do anúncio das próximas tripulações. É muito divertido, independentemente das tripulações anunciadas." Disseram-lhe que voaria em 2003, depois da missão do vaivém Columbia. Mas, a 1 de Fevereiro de 2003, a NASA vivia a segunda tragédia. O Columbia explodia no regresso da missão, os sete tripulantes morriam. Nesse momento, Barbara Morgan estava na sala de controlo de missão e tudo voltou à sua memória, o Challenger, Christa McAuliffe...
Os críticos voltaram a acusar a NASA de pôr os astronautas em risco, sabendo, tanto no caso do Challenger como no do Columbia, que existiam, de facto, problemas de segurança. Mas se há uma palavra que descreve Barbara Morgan, é perseverança. Assim, aos 55 anos, chegou finalmente a vez de esta mãe de dois filhos adultos ser a vedeta da próxima missão da NASA. Por volta da próxima meia-noite (em Portugal), o vaivém Endeavour fará a primeira tentativa de descolagem, para uma missão de 11 a 14 dias destinada a continuar com a construção da Estação Espacial Internacional que, por exemplo, receberá estrutura de suporte de mais painéis solares. "Estou muito entusiasmada quanto ao voo, a ver a Terra do espaço pela primeira vez, a sentir a ausência de gravidade e a viver e trabalhar na Estação Espacial Internacional."Ela vai ser a astronauta atrás dos braços robotizados do vaivém e da estação espacial, com os quais irá mover diversos equipamentos. "Vou ter a sorte de trabalhar com ambos os braços..."
Também dará aulas do espaço e terá à sua guarda milhares de sementes de manjericão, que, no regresso à Terra, serão distribuídas por escolas. Em estufas terrestres, os estudantes poderão comparar o crescimento das plantas viajadas com aquelas que nunca saíram do planeta. "Sei que as pessoas vão lembrar-se do Challenger, o que é uma coisa boa. Também vão pensar em todas as pessoas que têm trabalhado muito para continuar o trabalho de Christa", sublinha. "Os meus filhos e o meu marido estão preocupados com os riscos. Mas sabem que a exploração espacial é importante."
E a NASA espera polir uma imagem desgastada por duas catástrofes e, nos últimos tempos, por sucessivos escândalos. No início do ano, uma astronauta tentou matar uma rival amorosa, namorada de outro astronauta. Em Julho, foi revelado que já partiram para o espaço astronautas embriagados, que constituíam uma ameaça para a segurança do voo.
Depois de 21 anos à espera de chegar ao espaço, há agora quem chame a Barbara Morgan "mamã da NASA". Será a norte-americana mais velha a estrear-se no espaço (mais velho do que ela só mesmo o astronauta Karl Henize, que fez o baptismo espacial aos 58 anos, em 1985). Verdade se diga, com tudo o que se tem passado, a agência espacial dos Estados Unidos até parece precisar de uma figura materna.
















