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domingo, 20 de julho de 2014

Henry Surtees, cinco anos depois

"O Henry seguiu o seu coração desde o momento em que se sentou num kart pela primeira vez. Ele conseguiu equilibrar de forma séria a vida escolar com o automobilismo, tendo recentemente terminado os seus exames. O mundo acenava-lhe e ele estava a ter sucesso na liberdade para se concentrar no automobilismo.

Apesar do azar na carreira, ele revelou ser um dos [jovens] com maiores possibilidades de chegar ao topo. Apesar da sua idade, ele mostrou maturidade, perspicácia técnica e rapidez. Mais importante do que tudo isso, ele era uma boa pessoa e um filho e irmão carinhoso. A sua perda será sentida profundamente".

John Surtees, 20 de julho de 2009.

Ainda se lembram o que faziam a 19 de julho de 2009? Para quem já se esqueceu, eu vos digo: era um domingo. Um domingo normal de corridas, neste caso em particular, em Brands Hatch, um dos clássicos do automobilismo. Soube do acidente quando via uma das corridas do WTCC que acontecia nesse fim de semana nesse circuito. A Formula 2 tinha acabado de ser reavivada, e era seguida com interesse, principalmente quando se soube que um dos jovens pilotos que lá corrida era um rapaz de 17 anos chamado Henry Surtees, filho da lenda John Surtees, piloto campeão do mundo em duas e quatro rodas.

Ele tinha na véspera subido ao pódio, o seu primeiro na categoria. Um terceiro lugar que seria algo ótimo para impulsionar a sua carreira nos monolugares, que começara dois anos antes, com passagens pela Formula Renault e Formula 3 britânica. Contudo, naquele domingo à tarde, ele fazia a sua corrida quando apareceu na sua direção a roda de um dos seus competidores, Jack Clarke. Mesmo com o HANS e com todos os restantes suportes de segurança, que deveriam garantir a sua sobrevivência, o impacto foi suficientemente forte para lhe causar um traumatismo craniano fatal. Aos 18 anos de idade.

Lembro-me dessa tarde, especialmente de uma forma que não mais me largou: acompanhei tudo nas redes sociais. Tinha descoberto o Twitter há uns meses e tinha tido uma primeira amostra do seu poder quando morreu Michael Jackson, algumas semanas antes. Depois de ler os primeiros relatórios sobre a gravidade da situação, acompanhei os "tweets" e verifiquei que a falta de noticias vindas quer do hospital, quer das autoridades do circuito ou da Formula 2 só poderiam indicar o pior. E esse "pior" veio por volta das oito da noite, seis horas depois do acidente. E depois senti um arrepio pela espinha, de saber tudo aquilo como uma confirmação dos teus piores receios. Iria voltar a sentir esse arrepio dois anos depois, quando Dan Wheldon teve o seu acidente fatal na oval de Las Vegas. 


"É irónico que o seu pai tenha sido um dos sobreviventes de uma era onde a cada fim de semana, os pilotos estavam pairando sobre um fino fio de navalha, desconhecendo se aquele seria a sua última corrida das suas vidas, antes que um furo, uma suspensão quebrada ou um excesso deles os embatesse contra uma árvore e ceifasse a sua vida. É irónico que John Surtees, que foi dos poucos que se tornou construtor e teve uma equipa de Formula 1 (e que teve um dos seus pilotos a morrer, o austríaco Helmut Koennig), sobreviveu a Jim Clark, Lorenzo Bandini, Jochen Rindt ou Bruce McLaren, para depois passar pela pior das tragédias: perder um filho em competição. 

E a ironia é que acontece numa era onde os acidentes mortais em competição são, agora, um acontecimento raro. Muito raro mesmo. Mas acontece. E no final, Henry Surtees teve o mesmo destino que Mike Spence, nas 500 Milhas de Indianápolis de 1968, ou do austríaco Marcus Hottinger, numa corrida de Formula 2 em Hockenheim, em 1980. E não teve a sorte de Vittorio Brambilla, no GP de Itália de 1978..."

Aqueles eram tempos estranhos. Achariamos que aquilo que aconteceu com Surtees tinha sido uma mera fatalidade, mas uma semana depois, na Hungria, Felipe Massa leva com uma mola vinda do carro de Rubens Barrichello e fica gravemente ferido, ficando fora de prova para o resto daquela temporada. E depois lembramos de como o automobilismo continuava a ser perigoso, e de como uma fina linha vermelha separa a vida da morte. A sorte que Massa teve naquele fim de semana no Hungaroring foi a sorte que o jovem Surtees não teve oito dias antes num circuito que têm o nome do seu pai numa das curvas.

Apesar de ser raro haverem acidentes mortais nos nossos dias, sofremos quando acontecem. Desde 2009 passamos por mais choques destes no automobilismo. Dan Wheldon e Sean Edwards são dois exemplos que lembro agora de acidentes fatais numa era em que ficamos com a ilusão de que os acidentes mortais não acontecerão mais. No caso de Wheldon, como no caso de Surtees, passamos pelo mesmo: o choque de termos assistido em direto pela televisão passou depois pelo silêncio que era cada vez mais ensurdecedor à medida que os minutos e as horas passavam e não ouvíamos nada do outro lado. E e interpretávamos esse silêncio como que o pior tinha acontecido. Nessa altura, tinha descoberto o poder das redes sociais e ali se sentia uma comunidade unida na solidariedade e na dor de a nossa modalidade favorita ter sofrido mais um dia negro na sua longa história.

É por isso que nunca vou esquecer de Henry Surtees e daquela tarde de domingo. E na altura, como agora, recordo uma velha frase de Graham Hill: "Se algum dia o pior acontecer, é porque pagamos o preço da felicidade em vida". 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Noticias: Sims escala o Kilimanjaro em honra de Henry Surtees

Li isto ontem no Twitter e hoje a noticia aparece no site brasileiro Total Race: o britânico Alexander Sims irá escalar o Monte Kilimanjaro, o mais alto de África, nos próximos dias. A ideia é de arranjar fundos para a Fundação Henry Surtees, fundada pelo seu pai em 2010 e que cuida de pessoas com lesões cerebrais. 

“Decidi levantar dinheiro para a fundação porque, tendo sido companheiro de Henry na F-Renault, ele está no meu coração. A fundação ajuda pessoas afetadas por lesões celebrais a tocarem suas vidas”, disse o piloto, que correu na GP3 em 2011 pela Status GP, onde foi companheiro de equipa do português Antonio Felix da Costa. 

A escalada vai ser financiada pela Virgin Money Giving e durará nove dias, e todas as doações serão revertidas para a fundação. Quanto a Henry Surtees, a sua história é conhecida: filho do lendário John Surtees, nasceu em 1991 e morreu a 18 de julho de 2009 no circuito de Brands Hatch numa prova de formula 2, depois de ter levado na cabeça com o pneu de Jack Clarke.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A um jovem que deveria ter feito hoje vinte anos

Dear Henry:

A vida é injusta, nós sabemos disso neste mundo. Mas no teu caso, nem chamo de injustiça, tenho outro nome a dar: sacanagem. Deverias estar hoje a comemorar o teu 20º aniversário, provavelmente devias estar a combinar a festa com os teus amigos, a receber as imensas mensagens de parabéns no Facebook e no Twitter. Não sei onde é que tu estarias a competir, se estivesses por lá. Talvez estivesses no Bahrein, na GP2 Asia Series, a ver o que se passava da janela do teu hotel. Não sabemos. Aquele maldito pneu, naquela tarde de Domingo em Brands Hatch, impediu-te de sabermos o que estarias a fazer agora.

Eras o filho de uma lenda. Se calhar cresceste a olhar e admirar os troféus do teu pai, de leres e ouvires as histórias contadas por ele e depois teres encontrado dentro de ti o teu "bichinho" de competição. Não sei se ao correres, sentias a pressão das pessoas que te olhavam e esperavam que fizesses os mesmos feitos do teu pai, ele que tinha feito um pouco de tudo, até, imagina tu! Construir a sua equipa de Formula 1.

O teu pai disse, depois de teres ido embora, o seguinte: "O Henry seguiu o seu coração desde o momento em que se sentou num kart pela primeira vez. Ele conseguiu equilibrar de forma séria a vida escolar com o automobilismo, tendo recentemente terminado os seus exames. O mundo acenava-lhe e ele estava a ter sucesso na liberdade para se concentrar no automobilismo.

"Apesar do azar na carreira, ele revelou ser um dos [jovens] com maiores possibilidades de chegar ao topo. Apesar da sua idade, ele mostrou maturidade, perspicácia técnica e rapidez. Mais importante do que tudo isso, ele era uma boa pessoa e um filho e irmão carinhoso. A sua perda será sentida profundamente".

De uma certa forma, ele tinha razão: quando li os teus feitos pela primeira vez, creio que ainda andavas na Formula Renault, achei que tinhas potencial para acabar na Formula 1 e andares ao lado de Sebastien Vettel ou de Lewis Hamilton. Ou então, se acabasses na Indy Car Series, ao lado de um Ryan Briscoe, Scott Dixon ou um Hélio Castro Neves, numas 500 Milhas de Indianápolis, a disputar taco a taco pela vitória. Enfim, agora é tudo um grande "e se..." no qual só poderemos imaginar.

Eis a grande ironia deste Universo no qual cada vez mais acredito que joga dados a todo o momento: o teu pai andou em tudo que tinha rodas, duas e quatro. Foi campeão em todas e foi um herói de uma geração. Admirado na Grã-Bretanha e em Itália. Um dos poucos no qual Enzo Ferrari respeitava (espero que ele te tenha contado que fazes anos no mesmo dia que ele...) e passou por um periodo dificil da história do automobilismo, onde era algo parecido com uma guerra. Quase todas as semanas se lamentava uma morte em pista, e ele viu desaparecer de súbito alguns dos seus rivais, que respeitava: Wolfgang Von Trips, Jim Clark, Lorenzo Bandini, Bruce McLaren, Ludovico Scarfiotti, Jocjen Rindt... e envelheceu para contar a história.

Depois viu-te a ti a nascer, a crescer, a ver-te apaixonado pelos automóveis e a quereres continuar o legado do teu pai, e depois viu-te naquele Sábado à tarde, no pódio de Brands Hatch, um circuito onde uma das curvas tem o seu nome. E no dia seguinte, tudo acabou. Por mais um segundo ou menos um segundo, estarias aqui a comemorar o teu aniversário, mais uma década onde, quem sabe, poderias estar na Formula 1 ou na Indy, a continuar o legado do teu pai. Foi um tremendo azar, aquele dado que resultou que só pudesses andar por este mundo durante dezoito breves anos. Fico com a sensação que esse foi o preço a pagar pelo fato do teu pai ter sobrevivido para contar a história.

Agora? Bom, só poderemos honrar-te e dizer que um dia, houve um piloto que prometia ser bom, mas teve muito pouco tempo para o demonstrar. Fazes-me lembrar a história de Roger Williamson, que nos anos 70, toda a gente o via admirado na Formula 3 britânica, a ganhar campeonatos atrás de campeonatos e prometia ser grande até ter morrido na sua segunda corrida da sua carreira, em Zandvoort... Para mim, ao olhar para as tuas fotografias nos anos em que me restarem neste planeta, não farei sem sentir algum desgosto no meu coração. Afinal terás dezoito anos para todo o sempre...

Pode ser um dia nos vemos por aí, Henry. Caso aconteça... até lá!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Henry Surtees, um ano depois

Um ano voa depressa. Bem depressa mesmo. Ao Verão sucede o Inverno, e do Inverno vem a Primavera e com ele o Verão, uma verdadeira rotação da Terra, 365 dias. E quando chegamos de novo ao dia 19 de Julho, lembramo-nos o que faziamos nesse dia de Domingo. Recordo das pessoas perguntarem no Twitter sobre a condição de Henry Surtees, e que não tinham noticias dele desde que o viram naquele helicóptero, a caminho do hospital, onde foi confirmada a sua morte cerebral.

No ano passado disse que aquilo deveria ter sido um golpe cruel no pai, John Surtees, que sobrevivera a uma das piores eras para se conduzir, onde os amigos mortos foram às dezenas, quer como piloto, quer depois como construtor, para no final testemunhar à pior das perdas, que é a de um filho.

E mesmo aqueles quase não viram, por omissão ou outra, o acidente mortal de Henry Surtees, ou os mais novos, que não tiveram consciência da periculosidade que é o automobilismo, ou que as memórias de Imola eram difusas ou inexistentes, tiveram um encontro com essa realidade com o acidente de Felipe Massa, atingido pela mola do Brawn GP do seu compatriota Rubens Barrichello, e que por pouco, milimetros talvez, não acabou com a sua carreira.

Na semana que passou, li o post que o Mike Vlcek escreveu sobre a sua visita a Brands Hatch, descrevendo o desafiador circuito do condado de Kent e ele não esqueceu Henry Surtees. Lembrou-nos, mais para que não esqueçamos do que se trata, que o automobilismo é uma modalidade perigosa, por muita segurança que ela tenha. Ainda bem que existe e reduziu a mortalidade a um mínimo. Mas uma morte no automobilismo é sempre uma a mais, que nos faz perder a inocência.

E ontem quando vi o acidente do Seat Leon de Francisco Carvalho, em que dois comissários de pista fugiram desesperados para evitarem ser atingidos pelos destroços de um Leon a voar, vejo até que ponto tudo isto é uma questão de sorte e de azar. De como na vésperas da sua morte, vi um Henry Surtees contente, no pódio, a comemorar aquele que era o seu melhor resultado do ano, com os pais a assistir, felizes pelos feitos do seu filho.

O automobilismo é uma maravilha. Mas continua perigoso.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O tributo a Henry Surtees

O fim de semana da Formula 2, em Donington Park, não podia ser completo sem este gesto simbólico: às 9:30 da manhã de ontem, antes das corridas do dia, na grelha de partida estava o carro numero 7 de Henry Surtees. E todos estavam à volta do seu carro, silenciosos, em tributo para o jovem falecido no passado dia 18 em Brands Hatch, vítima da roda solta de Jack Clarke.




Todos estavam lá, fizeram um minuto de silêncio e rumaram as suas vidas. Mas creio que todos eles não conseguiram dissipar os pensamentos sobre ele e o que aconteceu há um mês atrás. É uma prova de que o automobilismo é perigoso e que de quando em quando, por muito que não queiramos e tudo façamos para a evitar, alguém paga o preço máximo. E o susto de Felipe Massa foi há três semanas...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Noticias: John Surtees fala sobre o filho Henry

Três semanas após a morte do seu filho Henry, John Surtees, o campeão do Mundo de Formula 1 de 1964, fala sobre a vida e a carreira do seu filho. Em entrevista à BBC, ele considera que o seu acidente mortal do passado dia 19 de Julho, durante a prova de Formula 2 no circuito inglês de Brands Hatch, foi "anormal". "Porque é que aquela roda conseguiu se soltar e viajar a uma velocidade anormal?" questiona. "Estava a falar com o Bernie Ecclestone acerca desse mesmo assunto. Esta morte não vai ser em vão, porque irão acontecer progressos na segurança dos cockpits. É a maneira como se trabalha neste desporto.", concluiu.

Comparando com o seu tempo em competição, onde as mortes em pista eram frequentes, Surtees referiu: "Eu corri num periodo onde as mortes no desporto eram uma verdadeira tragédia, parcialmente devido à concepção dos circuitos e devido à maneira como os carros eram construidos. Só mais tarde, quando chegou mais dinheiro ao automobilismo é que se começou a investir fortemente na segurança. Hoje em dia, este desporto é muito mais seguro do que outras coisas mais triviais. Esta é a ironia da situação", afirmou.

Quanto ao seu filho em particular, John Surtees afirmou que ele tinha acabado de fazer os exames de final de curso do ensino secundário, e referiu o seu estado de espírito: "Era um homem diferente daquele período. Estava aliviado do estado de stress e podia concentrar-se verdadeiramente naquilo que mais gostava. Antes da corrida fatídica, fui ter com ele na grelha, cumprimentei-o e desejei-lhe boa sorte para a corrida. Mal sabia que estavamos a despedir-nos". concluiu. A familia considera agora constituir uma Fundação em seu nome.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Noticias: Surtees foi ontem a enterrar, FIA abre inquérito

Passou despercebido no meio das noticias sobre a saída da BMW e o regresso de Michael Schumacher, mas aconteceu. Ontem foi a enterrar Henry Surtees, o filho de John Surtees, morto num acidente de Formula 2 no passado dia 19 de Julho no circuito de Brands Hatch.


O funeral aconteceu na Worth Abbey, no West Sussex, perto da sua escola onde andou até há algumas semanas, quando terminou o ensino secundário. O piloto de 18 anos foi enterrado no cemitério adjacente à igreja.


Entretanto, a FIA, aproveitando quer os acidentes dele e de Felipe Massa, ordenou na passada Segunda-feira a abertura de um inquérito para saber a existência ou não de falhas na segurança em ambos os acidentes. As conclusões preliminares apontam que, no caso do piloto brasileiro, o capacete teve um papel fundamental no facto deste acidente não ter tido maiores consequências.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

5ª Coluna: Triunfos e Tragédias do Automobilismo

A 5ª Coluna desta semana já está no ar no sitio onde ela costuma ser publicada, o site da SCN Sportcanal. Lá falo sobre os acontecimentos do passado fim de semana, e em termos de Formula 1 foquei mais sobre as entradas e saídas que aconteceram no pelotão e referi as dúvidas que tenho sobre o novo recruta da Toro Rosso, Jaime Alguersuari. Eis um excerto:



(...) É um pouco cruel lançá-lo às feras numa altura destas, ainda mais sabendo que está numa época de aprendizagem na World Series by Renault, onde conquistou no Domingo passado o seu primeiro pódio na categoria. Creio que ele vai ter a sua oportunidade cedo demais, na minha opinião, mas tem muito mais experiência do que conduzir um Formula 1 em linha recta. Aliás, foi ele que inaugurou o Autódromo do Algarve em termos de monolugares, numa demonstração a bordo de um Toro Rosso. E outra coisa: não creio também que seja outro prodígio na Formula 1, como foi Sebastian Vettel. Apesar de ter palmarés, como campeão da Formula 3 britânica em 2008, não demonstrou ter algum talento fora do vulgar. E creio, até, que ele não vai fazer grande número nas provas que faltam correr. Arrisco até que vai ser um “Thackwell II”… (...)



Também falo sobre a morte de Henry Surtees e a segurança nos dias de hoje. Para ler o artigo completo, podem seguir neste link.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um tributo de pai, para o filho

De todos os tributos vindos do mundo do automobilismo que estão a aparecer esta manhã a homenagear Henry Surtees, nada mais arrepiante do que aquele que o seu pai, John Surtees, deu ao seu filho de 18 anos, falecido ontem numa prova de Formula 2 em Brands Hatch. Esta manhã publicou uma curta declaração á imprensa:


"O Henry seguiu o seu coração desde o momento em que se sentou num kart pela primeira vez. Ele conseguiu equilibrar de forma séria a vida escolar com o automobilismo, tendo recentemente terminado os seus exames. O mundo acenava-lhe e ele estava a ter sucesso na liberdade para se concentrar no automobilismo.


"Apesar do azar na carreira, ele revelou ser um dos [jovens] com maiores possibilidades de chegar ao topo. Apesar da sua idade, ele mostrou maturidade, perspicácia técnica e rapidez. Mais importante do que tudo isso, ele era uma boa pessoa e um filho e irmão carinhoso. A sua perda será sentida profundamente".

A ver esta declaração, recordei um dos concorrentes do seu pai, Graham Hill. Certo dia disse isto: "Se algum dia o pior acontecer, é porque pagamos o preço da felicidade em vida". A nós só nos resta honrar a memória da sua curta carreira.

domingo, 19 de julho de 2009

Requiem para Henry Surtees

Este é Henry Surtees, ontem à tarde, em Brands Hatch, comemorando o seu pódio na primeira corrida do fim de semana da Formula 2. Piloto da Carlin, tinha "matado o borrego" depois de uma série de maus resultados na sua temporada de Formula 2, depois de ter conseguido um sétimo lugar na ronda de abertura, em Valência. Pelo meio, tinha conseguido uma "pole-position" em Brno, e tudo indicava que teria uma boa temporada de estreia numa categoria que se reactivara este ano, depois de 25 anos de ausência.

Mal sabiamos nós que o piloto, de 18 anos, filho do lendário campeão de duas e quatro rodas, John Surtees, teria mais 24 horas de vida. Esta tarde foi atingido na cabeça por uma das rodas do seu concorrente James Clarke. Levado para o hospital, os médicos confirmaram a sua morte esta noite. Tinha apenas 18 anos.


Quando vi as imagens do acidente, da viseira aberta e a marca do pneu no seu capacete branco, fiquei preocupado. Mas, julgava eu, que dispositivos como o HANS (Head and Neck Suport) pudessem ser suficientes para aguentar os impactos de objectos vindos de outros sitios. Afinal, foi insuficiente.


É irónico que o seu pai tenha sido um dos sobreviventes de uma era onde a cada fim de semana, os pilotos estavam pairando sobre um fino fio de navalha, desconhecendo se aquele seria a sua última corrida das suas vidas, antes que um furo, uma suspensão quebrada ou um excesso deles os embatesse contra uma árvore e ceifasse a sua vida. É irónico que John Surtees, que foi dos poucos que se tornou construtor e teve uma equipa de Formula 1 (e que teve um dos seus pilotos a morrer, o austriaco Helmut Koennig), sobreviveu a Jim Clark, Lorenzo Bandini, Jochen Rindt ou Bruce McLaren, para depois passar pela pior das tragédias: perder um filho em competição.


E a ironia é que acontece numa era onde os acidentes mortais em competição são, agora, um acontecimento raro. Muito raro mesmo. Mas acontece. E no final, Henry Surtees teve o mesmo destino que Mike Spence, nas 500 Milhas de Indianápolis de 1968, ou do austriaco Marcus Hottinger, numa corrida de Formula 2 em Hockenheim, em 1980. E não teve a sorte de Vittorio Brambilla, no GP de Itália de 1978...


Costuma-se diser que "sobrevivemos para contar a história". Mas uma morte no desporto que amamos, é uma morte a mais. E nós, amantes deste desporto, estamos hoje a sofrer por dentro.

Ultima Hora: Grave acidente na Formula 2 envolve filho de John Surtees



A corrida desta tarde na jornada dupla da Formula 2 no circuito de brands Hatch, vencida pelo espanhol Andy Souceck, ficou marcada pelo grave acidente do inglês Henry Surtees, filho do lendário piloto de duas e quatro rodas, John Surtees.


Surttes Jr., de 18 anos, foi atingido pela roda traseira do piloto Jack Clarke, quando este se despistou numa das curvas do lendário circuito inglês. Surtees, que seguia atrás, ficou inconsciente e seguiu em frente, batendo forte no muro de protecção na curva Barry Sheene, obrigando a intervenção do Safety Car.


Retirado do carro pelos paramédicos, foi levado primeiro para o centro médico do circuito, tendo depois sido levado de helicóptero para um Hospital em Londres. Ainda é desconhecido o estado de saúde do piloto inglês.


Jonathan Palmer, dono dos direitos da categoria, e ex-piloto de Formula 1 nos anos 80, deu uma declaração em evidente consternação. "Gostaria de expressar minha grande tristeza com a lesão de Henry. Um acidente como este obviamente eleva o nível de preocupação, e aguardamos mais notícias do hospital sobre a condição dele. Este é claramente um momento muito preocupante para John e Jane Surtees [pais de Henry]. Nossos pensamentos estão com eles e forneceremos todo o apoio que pudermos.", comentou.


Nascido a 18 de Fevereiro de 1991, Surtees Jr. começou a correr em 2006 na Ginetta GT Junior Championship, terminando na terceira posição no campeonato. No ano seguinte passou para a Formula BMW, onde venceu uma corrida e terminou na sexta posição no campeonato britânico. Para além disso, teve passagens curtas pela Formula BMW alemã e Formula Renault 2.0 britânica.


Em 2008, continuou a correr na Formula Renault 2.0 britânica, pela equipa Manor, onde terminou na 12ª posição, e teve curtas passagens pela Formula 3 britânica, com alguns resultados interessantes. Este ano passou para a Formula 2, onde corria pela Motorsport Vision, a equipa de Jonathan Palmer. Até agora, tinha conquistado alguns resultados de relevo, nomeadamente uma pole-position em Brno e um terceiro lugar na primeira corrida de Brands Hatch, realizada ontem.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Mais um filho de campeão na Formula 2!

A organização da rescuscitada Formula 2, competição que vai ser organizada pela FIA e pela Motorsport Vision de Jonathan Palmer, anunciou hoje que Henry Surtees vai participar na nova competição. O jovem piloto de 17 anos é filho de John Surtees, e é o mais recente filho de ex-piloto que se junta a esta competição, depois do seu compatriota Alex Brundle (filho do ex-piloto e actual comentador da BBC, Martin Brundle).


"A Formula 2 é uma grande oportunidade para mim. É verdade que os tempos andam difíceis para encontrar patrocinadores, portanto o conceito da competição veio na altura certa. Sei que existem imensos jovens talentos que querem vir para aqui. Vai ser um ano duro, mas este tipo de competição é daquilo que ando à procura. Estou ansioso por conhecer o novo carro", afirmou Surtees Jr. ao site GPUpdate.net.


Já o pai, lendário piloto John Surtees (unico campeão do Mundo em duas e quatro rodas), apoia a ideia do regresso da Formula 2 e da sua ideia por detrás: "Acho que é fantástico. A minha ultima vitória foi ao volante de um Formula 2, e temos que dar a jovens talentos como o meu filho uma oportunidade para mostrar os talentos numa série como esta. Apesar de ter estado ausente das corridas durante quase 25 anos, temos que trazer alguma simplicidade às formulas de acesso", declarou.


Henry Surtees começou no karting, e em 2006 passou para os monolugares, ao ser terceiro classificado no troféu Ginetta Junior. No ano seguinte fez a Formula Renault 2.0 UK, onde foi sexto classificado em 2008, e foi vice-campeão na Winter Series, comptição onde teve como rival o português Antonio Felix da Costa. Em 2008 correu duas provas na Formula 3 britânica, na National Class (que detêm os chassis mais antigos), e deu boa conta de si, vencendo uma corrida e subindo ao pódio noutra ocasião.