terça-feira, 9 de junho de 2009

A entrevista a Barrichello

Ontem à noite, falei-vos das declarações que o Rubens Barrichello (ou 1B, como chama o Ron Groo) fez em Lisboa acerca da sua actual condição e da Formula 1. Agora, esta manhã, o jornal português Público colocou um video e respectiva entrevista, onde fala com mais pormenor dos assuntos que abordei noutro post. Eis a transcrição completa, e o video podem ver aqui.

Rubens Barrichello, de 37 anos, fez nesta segunda-feira uma paragem em Portugal para uma série de entrevistas. O segundo classificado do Mundial deste ano ainda acredita no título, apesar de estar a 26 pontos do companheiro de equipa, o britânico Jenson Button. Em dez minutos de conversa com o PÚBLICO, o piloto mais velho da F1 falou ainda dos mais novos, de Schumacher, de Senna e do seu sonho de ser campeão.


O Brasil ainda procura um campeão pós-Senna. O que falta?


Não sei dizer. Sem querer ser arrogante, acho que, com toda a minha aprendizagem e com todo o talento que Deus me deu, já poderia ter sido campeão. Mas é uma grande busca. É um mundo excelente de oportunidades, de aprendizagem e eu gostaria muito de ser o campeão mais velho da história [Fangio, aos 46, foi o mais velho de sempre; nos anos mais recentes, Damon Hill, com 36, foi o campeão mais veterano].

Acha que é possível este ano?

Sim.



Mas matematicamente já não depende de si. Mesmo que ganhe todas as corridas, o Button pode ficar em segundo e ser campeão...


Faltam 100 pontos ainda. Tenho de pensar no lado positivo. Se fosse a pensar no lado negativo, nem estaria a correr este ano.


Está numa situação em que a Brawn pode ser tentada a apostar mais no Button. Tem alguma indicação nesse sentido?


Não sei. Para a Brawn, é muito importante o campeonato de construtores e, desde que o campeonato de pilotos fique do lado da Brawn, não sei se se importa muito para um lado ou para o outro.


Não teme que o Button esteja a ser favorecido?


Nada a declarar. Tenho de acreditar que a equipa não tem razão para fazer isso.


O que é que distingue a Brawn? É uma equipa que não existia há meses e que aparece em primeiro lugar...


É uma equipa que aprendeu muito com os erros e que aprendeu a montar o pacote técnico. O motor Mercedes e os pneus slicks vieram só ajudar o carro. Surpreendeu-nos, porque esperávamos ser competitivos, mas não tão competitivos.


Encontra algum paralelo entre a actual situação e o que viveu na Ferrari, no tempo do Schumacher?


Só pelo lado competitivo do carro, que é superior [aos outros]. Em relação ao relacionamento, não tem nada a ver.


A Ferrari é uma equipa que permite esse sonho, mas, por outro lado, teve o Schumacher ao seu lado. Alguma vez se arrependeu de ter ido para a Ferrari?


Não. Nunca me afligiu o facto de competir contra um dos melhores. Se eu tenho condições para ser campeão, tenho de bater o melhor.


Acha que ainda é possível ficar na história como algo mais do que o piloto com mais presenças em Grandes Prémios?


Na Fórmula 1, só ficam aqueles que realmente acabam por ser bons. Houve muita gente boa que passou, ficou o seu tempo e depois foi embora. Acredito que estou lá não por ser bonito ou por ter pouco ou muito cabelo. Acredito que acreditam no meu talento e, com certeza, é a isso que se deve a minha permanência.


Quando olha para trás, que impacto teve aquele acidente de Ímola [no fim-de-semana em que morreu Senna] na sua carreira?


A única mossa que deixou é que o nariz ainda é torto. Acho que todas as dificuldades nos dão oportunidade de ser melhores. Aquele fim-de-semana foi péssimo para um jovem de 22 anos que almejava ser o melhor da F1. Perdi um ídolo, perdi muita memória. Hoje recordo-me de quase tudo, mas não do acidente. Mas não ficou nada que me tornasse mais lento. Se isso tivesse acontecido, já teria parado há muito tempo, principalmente quando nasceram os meus filhos. Hoje, mesmo com a idade que tenho, muitas vezes acabo por ser um irresponsável na pista e é dessa forma que tem de ser para conduzir um F1.


O que faltou para ser campeão?


Os dados todos juntos. Já estive num carro competitivo, mas não tinha o suporte da equipa. Tive o Schumacher a bater, eu na pista para ganhar a corrida do Brasil em 2003 e acabou a gasolina.


São situações... Faltou sorte?


Não acredito em sorte, nem coincidência. Você faz um trabalho para você mesmo e é esse pensamento que vai levar-te onde queres. O Button tem sobressaído muito neste início de época, porque tem acreditado muito nele. Cabe-me acreditar mais em mim e observar menos o lado e fazer o meu papel.


Como vê estas discussões entre as equipas e a FIA sobre o futuro da F1?


A definição exacta é que hoje em dia o mundo da Fórmula 1 é feio. É um mundo de guerra, com cada um a querer mostrar mais poder do que o outro. Acredito e espero que, como dizemos no Brasil, tudo acabe em pizza. Quer dizer, que tudo chegue a um final da melhor forma possível. Espero que exista um só campeonato de F1 no ano que vem, em que as estrelas estejam competindo. E com mais equipas. Sou da época em que ia ao Rio de Janeiro e às cinco horas da manhã pulava o muro, porque havia 32 carros numa pré-classificação.


A F1 está pior do que há 16 anos, quando entrou?


No sentido de competição, não, porque hoje é tão árduo como no passado, mas no sentido do espectáculo sim.


Dos pilotos mais novos, quem mais o impressiona?


Hamilton, Vettel, Kubica, Alonso. Esses pilotos são, com certeza, os pilotos do futuro.


Algum deles é comparável aos grandes ídolos do passado, como Senna?


Eles vão ter de fazer muito ainda para poderem ser marcados como ídolos. Mas também é muito difícil comparar épocas na F1.


Mas, para si, o Senna será o melhor?


Vai ser difícil de bater. Haverá gente que diz que o Schumacher é melhor do que o Senna. Não competi na mesma equipa que o Senna e fica difícil a comparação. Mas o Schumacher era um fora-de-série, não tenham dúvidas.

Troféu Blogueiros - As notas do GP da Turquia

E pronto, já estão no ar as notas que demos aos pilotos de Formula 1 no GP da Turquia. Nâo houve muita contestação às notas, creio, e eu até nem fui muito mauzinho... dei cinco valores ao Rubens Barrichello!

Claro, estão livres de comentar.

GP Memória - Suécia 1974

Quinze dias depois do Mónaco, os suecos andavam em polvorosa, pois o seu ídolo local tinha voltado a ganhar, e esperavam que ele repetisse o feito em Anderstorp, o local da corrida. Com a enorme quantidade de inscritos, os organizadores reduziram as qualificações a 27 entradas. Havia algumas alterações na grelha, devido a algumas lesões sofridas por alguns pilotos. Hans Stuck e Arturo Merzário, lesionados, foram substituídos respectivamente por dois locais: Reine Wissell (March) e o dinamarquês Tom Belso (Iso-Marlboro), depois de inicialmente ter inscrito o australiano Richard Robarts, que tentava um regresso depois da sua passagem pela Brabham.


Na Shadow, Brian Redman sai da equipa para ser substituído por outro local, Bertil Roos. Na BRM, somente Henri Pescarolo e Jean-Pierre Beltoise é que alinhavam, pois o carro de Francois Migault, fortemente danificado no Mónaco, não pode ser recuperado a tempo.


Nos treinos, os melhores foram os Tyrrell de Patrick Depailler e Jody Scheckter, com o francês a levar a melhor. Na segunda fila estavam os dois Ferrari de Niki Lauda e Clay Regazzoni, que ficaram à frente do herói local Ronnie Peterson, que mostrava com o quinto lugar a boa forma do velho Lótus 72. Ao seu lado ficava o Hesketh de James Hunt. O segundo Lótus de Jacky Ickx era sétimo, tendo a seu lado o Shadow de Jean-Pierre Jarier. A fechar os dez primeiros ficaram o McLaren de Emerson Fittipaldi e o Brabham de Carlos Reutmann. Na 24ª posição ficava o Surtees de José Carlos Pace, que tinha lutado todo o fim-de-semana com problemas de direcção no seu carro. Iria ser a última vez que correria pela equipa de John Surtees.


No dia da corrida, perante um céu limpo, 60 mil espectadores entre os quais o Rei da Suécia, Carlos Gustavo, tudo estava a postos para a partida. Quando os carros arrancaram, Scheckter e Peterson ultrapassam Depailler, enquanto que Reutmann faz uma partida melhor e consegue saltar para o sexto posto, atrás dos dois Ferrari. As coisas se mantêm assim até á nona volta, quando Peterson tem de desistir com uma falha na caixa de velocidades, desiludindo os milhares de fãs que vieram aplaudir o seu herói. Assim, os dois Tyrrell ficavam isolados na frente, seguidos pelos dois Ferrari.


Na volta 24, nova alteração. A caixa de velocidades do Ferrari de Clay Regazzoni cede e no seu lugar vai o Hesketh de James Hunt, que umas voltas antes tinha ultrapassado o Brabham de Reutmann, que tinha problemas (uma fuga de óleo, que o iria parar na volta 31). Com isto, os dois últimos lugares pontuáveis ficaram com os McLaren de Fittipaldi e do neozelandês Dennis Hulme.


Na frente, os dois Tyrrell se mantinham imperturbáveis, com Lauda e Hunt a persegui-los. Passado a metade da corrida, o austríaco começou a sofrer de problemas de estabilidade no seu carro, devido a um defeito num dos braços da suspensão, que o tornavam inguiável. Hunt apanhou-o na volta 66 e apossou-se do terceiro lugar. Quatro voltas mais tarde, a caixa de velocidades do Ferrari quebrava-se de vez. Antes, na volta 56, Dennis Hulme tinha desistido com um problemas de suspensão.


Todos esses problemas não afectavam os Tyrrell, que mantinha Scheckter na frente e Depailler na segunda posição. Nenhum deles tinha vitórias no seu currículo, e na Suécia, um deles iria dar a Ken Tyrrell a sua primeira vitória em dez meses. Ambos rodavam juntos, mas não se ultrapassavam, e ficaram assim até à meta. Jody Scheckter tornava-se no primeiro sul-africano a ganhar um Grande Prémio oficial de Formula 1, num fim-de-semana de sonho para a Tyrrell, com Patrick Depailler no segundo lugar, e no seu primeiro pódio da carreira. James Hunt completava o pódio, e nos restantes lugares pontuáveis ficaram o McLaren de Emerson Fittipaldi, o Shadow de Jean-Pierre Jarier e o Lola de Graham Hill. Para o veterano piloto inglês, então com 46 anos, seria a última vez que iria pontuar na sua carreira.


Fontes:


http://en.wikipedia.org/wiki/1974_Swedish_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr242.html

Noticias: Barrichello fala em guerra de poderes na Formula 1

Rubens Barrichello passou hoje por Lisboa e alertou para o risco do momento que a Fórmula 1 vive por causa das alterações nos regulamentos da Federação Internacional do Automóvel (FIA) para 2010. "A Fórmula 1 está a passar por um momento de risco sério e não acho que seja bonito", disse o piloto da BrawnGP ao jornal desportivo Record, no Aeroporto da Portela, quando estava em trânsito para o Brasil.

Barrichello falou ainda que "os pilotos estão a favor de uma regra clara que seja boa para todos", sem deixar de criticar a FIA. "Essa ideia da FIA impor dois tipos de campeonatos num só não é favorável para a Fórmula 1", esclareceu. Quanto à hipótese de um boicote dos pilotos, recusa a ideia. "O que está a ser melhor organizado para o futuro da Fórmula 1 está a ser melhor conseguido pela FOTA do que pela FIA", acentuou.

Em relação ao corte de custos que a FIA quer impôr em 2010, com um tecto salarial de 40 milhões de euros, Barrichello discorda profundamente da ideia: "Não pode haver uma imposição. Concordo que haja um limite, mas uma equipa que hoje tem um orçamento em torno dos 200/150 milhões de dólares, é inaceitável reduzir para 40", pois, assinalou, "muitas pessoas perderão o emprego e muitas coisas da Fórmula 1 não poderão continuar".

Para finalizar, falou sobre as equipas que se falam que poderão entrar em 2010, nomeadamente a Prodrive, Lola e Epsilon. "É difícil saber o que existe realmente. Afinal de contas, a Fórmula 1 é um mundo movido a muito poder, a muito dinheiro", afirmou o veterano brasileiro 37 anos, e que com 276 Grandes Prémios, é o piloto com mais corridas no actual campeonato.

Formula 1 em Cartoons - Bruno Mantovani (Turquia)

O Pilotoon do Bruno Mantovani, esta semana, mostra a verdadeira posição de Rubens Barrichello no GP da Turquia, deste Domingo. De facto, mais tarde ou mais cedo iria haver um Brawn GP a não concluir a corrida, mas isso aconteceu na sétiuma corrida do campeonato, e ainda por cima foi no "azarão de serviço": Rubinho!



Amanhã ou depois deve aparecer a charge animada. Tenho que ver no que vai dar!

Jackie Stewart, 70 anos - A biografia (1ª Parte)

Poucos foram os que tiveram um impacto tão tremendo na história da Formula 1, não só em termos competitivos, mas também no campo do marketing e da segurança, fazendo dela a sua causa durante a sua carreira e depois dela. Para muitos, era o “escocês voador”. Para outros, foi o primeiro piloto da era moderna da Formula 1. Era escocês, foi tri-campeão do Mundo, foi comentarista e construtor de automóveis. Deteve o recorde de vitórias na Formula 1 durante 14 anos. E tudo isto, vindo de alguém que era disléxico. Hoje falo de Jackie Stewart.


James Young Stewart nasceu a 11 de Junho de 1939 na cidade de Dons, no sul da Escócia. O automobilismo corria na família, pois o seu pai, Robert Stewart, era dono de uma garagem da Jaguar na sua terra natal e tinha sido um corredor de motos, participando no Man TT entre o período das duas guerras. O seu irmão mais velho, Jimmy Stewart (1931-2008), também se tinha envolvido na competição automobilística, correndo na famosa Ecurie Ecosse, tendo participado no GP de Inglaterra de 1953, ao volante de um Cooper-Climax.


Jackie era mau aluno na escola, e cedo se virou para os desportos motorizados. Anos mais tarde, já retirado da competição, soube que a razão para esse mau desempenho: era dislexico. Anos mais tarde, na sua autobiografia, referiu esse tempo na escola como “negro. Quando era um jovem rapaz lutando para sobreviver na escola [por causa da dislexia], o mundo parecia um lugar muito negro. Descobri a minha salvação no mundo das corridas, porque, numa altura de confusão interior e necessidade de referências, foi o meu irmão mais velho que carregou a tocha e mostrou-me o caminho, transportando-me numa espécie de carpete mágico do ambiente selvagem e escuro da escola para o mundo mágico, glamoroso e iluminado do automobilismo.”, contou.


Contudo, dois acidentes graves em que envolveu o seu irmão, nomeadamente as 24 Horas de Le Mans, em 1954, e os 1000 km de Nurburgring, no ano seguinte o fizeram com que se retirasse da competição, e a família o dissuadisse o jovem Jackie de correr. Assim, o jovem rapaz, ávido por desportos, passou a praticar tiro aos pratos. Tornou-se tão bom que falhou por pouco a qualificação à selecção nacional inglesa que iria participar nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960.


Por essa altura, já se tinha envolvido na garagem do seu pai, onde conhece um dos clientes, chamado Barry Filer. Em 1961, Filer convida o jovem de 22 anos para testar os seus carros no circuito de Oulton Park no campeonato local de Turismos, onde ganha por quatro vezes. Isso faz aumentar os índices de confiança de Stewart, e em 1962 vira piloto profissional e a equipa do seu irmão, a Ecurie Escosse. As suas performances são boas e no final do ano de 1963, um jovem “team manager” convida-o para dar umas voltas num Cooper de Formula 3, ao lado do experiente Bruce McLaren. Em poucas voltas, Stewart iguala os tempos do neozelandês, e este regressa à pista para melhorar a sua performance. Stewart não se fez rogado e respondeu, melhorando esses tempos. No final do dia, vendo o talento desse jovem, contratou-o para a temporada de Formula 3 em 1964. O homem que o iria contratar era Ken Tyrrell, e nesse dia começava uma parceria que duraria até ao final da carreira do piloto escocês, nove anos depois.


Nesse ano, Stewart vence a sua primeira corrida, em Snetterton, de forma absolutamente dominadora, com um avanço de 44 segundos sobre a concorrência. Era o inicio de uma temporada esmagadora para o piloto escocês e para a Cooper da equipa de Ken Tyrrell. A meio da época, a Cooper ofereceu-lhe um lugar na sua equipa de Formula 1, mas declinou a oferta, preferindo concentrar-se na sua temporada vitoriosa na Formula 3. No final do ano, seria campeão com sete vitórias, e mais algumas em eventos prestigiantes como o GP do Mónaco.


Entretanto, as ofertas para correr na Formula 1 continuaram. Foi fazer um teste com a Lótus, e Colin Chapman ficou impressionado com a sua rapidez, bem como Jim Clark. Chapman ofereceu-lhe um lugar na equipa, mas este declinou a oferta, preferindo correr na sua equipa de Formula 2. Correu em Clermont-Ferrand, onde num circuito difícil (era o Nurburgring francês) chegou ao fim na segunda posição. Após ter ganho o campeonato de Formula 3 e de ter impressionado na Formula 2, Stewart estava preparado para correr na Formula 1. Aceitou a oferta da BRM para correr na temporada de 1965 ao lado de Graham Hill. Tinha 25 anos de idade e iria ganhar 4000 libras de salário anual. Nunca se tinha pago tão bem para um estreante!


A sua estreia oficial foi no GP da Africa do Sul de 1965, em Kyalami. Descobrindo os limites do carro, não foi muito longe nos treinos, mas conseguiu chegar ao fim na sexta posição, sendo um dos poucos a pontuar, até então, na sua corrida de estreia. Na corrida a seguir, no Mónaco, fez tudo bem e consegue o seu primeiro pódio da carreira, seguido por dois segundos lugares em Spa-Francochamps e Clarmont-Ferrand, sendo superado nessas duas ocasiões apenas por Jim Clark. Consegue mais outro pódio em Zandvoort, um segundo lugar, sendo apenas batido por… Jim Clark.


A sua primeira época competitiva superava todas as expectativas, com quatro pódios em seis corridas. Mas o melhor estava para vir, quando a Formula 1 chegou a Monza, palco do GP de Itália. Partindo da terceira posição da grelha, atrás de Jim Clark, John Surtees e Graham Hill, lutou com esses três pilotos pela liderança, até que Clark e Surtees tiveram problemas e abandonaram. Os BRM ficaram com os dois primeiros lugares, e todos julgavam que Stewart iria ceder a liderança a Hill. Mas na última volta, o inglês perdeu o controle do seu carro na Parabólica e cedeu a liderança para Stewart, vencendo a sua primeira corrida da carreira. No final do ano, conseguiu 33 pontos e o terceiro lugar no campeonato do Mundo, a melhor classificação de um “rookie” até 2007.


Para além disso, Stewart correu nas 24 horas de Le Mans, com o carro - turbina da Rover, sem grande sucesso, e na Formula 2, com o CooperT75, também sem grandes resultados.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana concentra-se em três eventos: o GP da Turquia de Formula 1, as 24 Horas de Le Mans, que terão lugar no próximo fim de semana, e a Race of Champions, que teve lugar no fim de semana que passou no Estádio do Dragão, no Porto.



A capa mostra um Jenson Button exultante, com a sua sexta vitória do ano, em sete provas, e com um título que diz tudo: "Button leva rivais ao tapete", com subtítulos que mostram o sentimento dos seus rivais nesta altura do campeonato, onde tudo indica que o piloto da Brawn GP é o campeão inevitável da temporada de 2009.




Para além disso, temos as 24 Horas de Le Mans. E sendo uma revista portuguesa, foca-se nas esperanças portuguesas de conseguir algo inédito: uma vitória. Pedro Lamy, a bordo de um dos veiculos oficiais da Peugeot, é a melhor hipótese. Mas não se pode esquecer que só na categoria LMP1 temos Tiago Monteiro no seu Oreca (com Bruno Senna como seu companheiro), Miguel Ramos no seu Aston Martin oficial e João Barbosa, no seu Pescarolo-Judd. Portanto, o "Está na Hora, Lamy!" que serve de título, também poderia ser "Está na Hora, Miguel!", ou "Está na Hora, Tiago!". Especialmente este último caso...

Formula 1 em Cartoons - Laser Car Design (Turquia)

Mais um blogger a fazer o seu cartoon do "aborrecido Grande Prémio da Turquia", onde a concorrência, aparentemente, já anda chateada com o dominio de Jenson Button nesta temporada. E pediu a Sebastien Vettel para ver se o parava. Mas os resultados não correram como o esperado...

Noticias: FOTA decidiu banir KERS em 2010

Não sei se tem a ver com a guerra que está a levar com a FIA, mas não me admiraria: a FOTA decidiu este fim de semana em Istambul que iria deixar de usar o sistema de recuperação da energia cinética, ou KERS. A razão? O elevados custos de manutenção do mesmo dispositivo, para além de nesta época, a maioria das equipas não estar a usar o sistema.




Apesar da BMW Sauber ter insistido na manutenção do KERS para 2010, o facto de todas as outras equipas da Associação não quererem aquele dispositivo e o facto de não existir qualquer obrigatoriedade para a sua utilização na próxima temporada, levou a FOTA a abandoná-lo. "Nós votámos a favor do KERS mas, como sucedeu com todas as outras decisões da FOTA até agora, seguimos a [decisão da] maioria", afirmou Mario Theissen, director desportivo da BMW em Istambul.

Jackie Stewart, 70 anos!




No próximo dia 11, um dos maiores pilotos de sempre comemorará 70 anos de vida. Jackie Stewart é considerado como o primeiro piloto profissional de Formula 1, pois surgiu numa altura de transição, entre uma era de "gentleman-drivers", nos anos 60, para uma onde se começou a preocupar-se mais com aspectos como o "marketing", a publiciade e a... segurança.



Foi o primeiro paladino da segurança, mesmo indo contra a opinião dominante. mas sabia que esse era o seu caminho, pois tinha visto demasiados amigos a morrerem em competição, alguns deles os seus melhores amigos, como Jim Clark, Jochen Rindt e Francois Cevért. Estabeceu uma parceria imbatível com Ken Tyrrell, que lhe deu os seus três títulos mundiais, embora o primeiro veio sob a capa da Matra International, em 1969.



Depois da sua carreira competitiva na Formula 1, Stewart tornou-se num dos melhores comentadores de televisão nos Estados Unidos e na Austrália, e nos anos 90 ajudou a carreira do seu filho Paul Stewart. Ambos depois elaboraram uma equipa, que depois passou para a Formula 1, apoiada pela Ford, onde em três temporadas, venceu uma corrida, tornando-se bem sucedido como piloto como construtor, algo que só Jack Brabham e Bruce McLaren conseguiram.



Pelos seus feitos, foi condecorado como Cavaleiro pela Rainha de Inglaterra e hoje goza de um imenso prestígio quer dentro, quer fora da Formula 1. E em homenagem a ele, vou colocar ao longo da semana a sua biografia e os seus feitos como piloto e pessoa. Como "teaser", meto o videoclip "Supreme", do cantor Robbie Williams, onde ele compete contra Stewart para o título mundial.

Formula 1 em Cartoons - F1Database (Turquia)

Com o Grande Prémio da Turquia concluido, começam, claro, os rescaldos da corrida e as tiradas humoristicas da Blogosfera. O primeiro é o F1 Database, do Bruno Santos, que decidiunum dos seus quadros, falar sobre a discussão entre FOTA e FIA, referente ao tecto salarial para 2010. Eis o texto que acompanhava esta foto...


"Max Mosley elaborou um regulamento muito contestado, onde os times ficariam limitados a um teto de 40 milhões de euros e ganhariam benefícios, ao contrário dos outros times, o que certamente criará uma divisão na pista entre os carros. As equipes atuais se manifestaram contra e agora os pilotos resolveram apoiar a causa. Todos se reuniram no QG da Toyota para discutir o problema de redução de gastos:"

domingo, 7 de junho de 2009

Noticias: FOTA reage a futuras deserções

Depois das deserções de Williams e Force India, que foram imediatamente suspensas da FOTA, e para evitar que Max Mosley fique a rir-se nesta batalha, as restantes equipas decidiram elaborar um acordo de penalização no valor de 50 milhões de dólares, para dissuadir futuras deserções para o lado da FIA.

Segundo o jornal inglês Sunday Times, Ferrari, Mercedes-Benz, Toyota, Renault e BMW assinaram esta manhã em Istambul um acordo em que qualquer destas equipas será penalizada em 50 milhões de dólares caso abandone a FOTA nos próximos 30 dias. Como durante esse tempo, acontecerão eventos como a confirmação das inscrções para o campeonato de 2010, e o braço de ferro entre FOTA e FIA está cada vez mais forte do que nunca, com Max Mosley absolutamente irredutivel na questão do tecto orçamental ( é o lado jogador em acção...), a ideia de um campeonato paralelo é cada vez mais real...

Na sua coluna do 'Sunday Times', o ex-piloto e comentador da BBC Martin Brundle resume muito bem o que terá de suceder: "alguém vai ter de capitular em prol da Formula 1". Mas parece que ninguém quer perder a face...

IRL - Ronda 6, Texas Motor Speedway

Quinze dias depois de Helio Castro Neves ter ganho pela terceira vez na sua carreira as 500 Milhas de Indianápolis, o piloto brasileiro da Penske voltou às vitórias na oval da Texas Motor Speedway, ganhando pela terceira vez este ano e mostrando que é um forte candidato ao título da IRL em 2009, algo que ainda falta ganhar na sua carreira.


A corrida foi dominada pela Penske, com o australiano Ryan Briscoe a dominar as operações durante 160 das 228 voltas ao circuito, apesar de no inicio da corrida ter sido dominado pelo Chip Ganassi do escocês Dario Franchitti. Contudo, cedo a perdeu a favor do piloto da Penske. Castro Neves era terceiro, atrás de Franchitti, mas na volta 85 passou o escocês e depois de uma ronda de pitstops, a dupla australo-brasileira ficou com as duas primeiras posições, sem oposição de Scott Dixon, agora o terceiro.


A corrida não teve grande história até à volta 170, quando um acidente envolvendo A.J. Foyt IV provocou a então terceira bandeira amarela da prova. Houve nova troca de pneus, e os homens da Penske entraram ao mesmo tempo, com o brasileiro a ser mais rápido e a assumir a liderança de vez. Ainda teve de conter os constantes ataques do australiano até ao final, mas manteve o sangue frio para controlar a prova e garantir a sua segunda vitória do ano.


Depois de Castro Neves e Briscoe, Scott Dixon completou o pódio, seguido por Marco Andretti, Dario Franchitti e Danica Patrick.


No final da prova, Castro Neves estava eufórico: "Parece um sonho! Na primeira vez em que eu entrei no carro em Long Beach, eu perguntei se isso era um sonho e [o chefe de estratégias da equipa] Tim Cindric disse que era realidade. Certamente parece um sonho, mas eu entendo que não é. E isso é uma boa notícia. A Penske fez um trabalho incrível hoje", afirmou.

GP2 - Ronda 3, Turquia (Corrida 2)

A corrida desta manhã, em Istambul, deu a Lucas di Grassi a sua primeira vitória do ano, enquanto que para Alvaro Parente, a sua tipica corrida de recuperação fez com que chegasse ao décimo lugar final, partindo da 20ª posição. O piloto do Porto ficou na frente do seu companheiro, Karun Chandhok, que terminou na 14ª posição.


Foi uma prova sem grande história, pois os seis primeiros ficaram definidos rapidamente. Lucas di Grassi, que partia nos lugares da frente, não teve grandes problemas em levar o carro da Racing Engineering ao seu primeiro triunfo do ano, nunca sendo incomodado nem por Javier Villa, nem pelo russo Vitaly Petrov. Nico Hülkenberg, Pastor Maldonado e Alberto Valério completaram os pontos sem se incomodarem mutamente.

Depois da corrida de ontem era difícil hoje alcançar um bom resultado. Dei o meu máximo, ataquei do princípio ao fim, mas não era possível fazer mais. O carro do Mortara tinha uma velocidade de ponta muito elevada, o que me impediu de alcançar o nono posto. Tudo poderia ter corrido melhor aqui na Turquia, mas acabei por cometer um erro... Penso que poderemos ser bastante competitivos nas próximas provas, dado que o carro está muito mais rápido e penso que ainda podemos melhorar um pouco”, concluiu o piloto português.

Quanto ao luso-angolano Ricardo Teixeira, da Trident Racing, voltou, como tem sido hábito desde o início da temporada, a mostrar que ainda não tem andamento para a maioria do pelotão da GP2. Nesta corrida conseguiu levar o seu carro ao 18º posto da geral, terminando à frente dos dois acidentados pilotos da equipa Fisichella Mostor Sport: Andreas Zuber e Luiz Razia.

Na classificação geral, o russo Vitaly Petrov comanda, com 33 pontos, mais dois do que Romain Grosjean, e mais 15 do que o terceiro classificado, o belga Jerome D'Ambrosio. A competição regressará dentro de duas semanas, para a ronda de Silverstone, no mesmo fim de semana competitivo da Formula 1.

Formula 1 - Ronda 7, Turquia (Corrida)

Ao contrário do que é habitual, este ano o vencedor não foi o primeiro a sair da pole-position. Mas o homem que marcou o seu nome na lista dos vencedores é um velho conhecido: Jenson Button. Pela sexta vez este ano, o piloto inglês da Brawn GP ganhou a corrida, numa temporada que está a ser cada vez mais monótona, e que cada vez mais se está a tornar num passeio para ele, pois cada vez mais se torna evidente quem vai ser o novo campeão do mundo de 2009.



Se Button é o grande vencedor, pode-se dizer que o grande derrotado é Sebastien Vettel. Era o "poleman", numa pista onde todos os vencedores anteriores conseguiram-no, depois de partir no primeiro lugar da grelha. Hoje, foi diferente: Button levou a melhor na partida, passando Vettel, que cometeu um erro ao sair ligeiramente de pista, e com o seu companheiro Rubens Barrichello a fazer a pior corrida do ano. O veterano piloto brasileiro partiu mal, atrasou-se, despistou-se quando disputava uma posição com Heiki Kovalainen, desistiu no final da corrida com a caixa de velocidades partida. Por causa deste desastre turco, o seu companheiro de equipa foge na liderança do campeonato e agora tem cada vez mais perto os dois homens da Red Bull.



Button, que tinmha o carro mais pesado, graças ao "génio da tática" Ross Brawn, conseguiu segurar Sebastien Vettel, especialmente depois da primeira paragem nas boxes. Nas seguintes, Vettel teve um mau jogo de pneus e permitiu a ultrapassagem do seu companheiro Mark Webber, que fez o seu melhor resultado do ano, embora tenha optado por uma tática mais conservadora do que o seu companheiro. No final, pode-se dizer que Vettel arriscou e... perdeu. O seu terceiro lugar foi o máximo daquilo que conseguiu salvar.

O resto não teve grande história: Jarno Trulli foi quarto classificado, colocando de novo a Toyota nos lugares de destaque, depois do desastre monegasco, Nico Rosberg conseguiu a sua melhor posição do ano com o seu Williams-Toyota, Felipe Massa foi regular e acabou na sexta posição, seguido por Robert Kubica, que conseguiu os seus primeiros ponto do ano, e por fim o alemão Timo Glock fechou os pontos, numa corrida nada emocionante. Aliás: quando via a corrida, mais me sentia na pele de Homer Simpson quando vê o "2001 - Odisseia no Espaço": boceja, semicerra os olhos e grita: "Boooring!!!"

Mais atrás, viamos Kimi Raikonnen, Fernando Alonso, Heiki Kovalainen e Lewis Hamilton fora da zona dos pontos. Ver o inglês a terminar a corrida na 13ª posição final é confrangedor, pois a sua defesa do título mundial é a pior desde 1997, quando Damon Hill correu na Arrows. Mas para ver esta performance, tenho que recuar 29 anos no tempo e lembrar-me de Jody Scheckter, no seu pífio Ferrari 312T5, a tentar marcar pontos com ele, sem grandes hipóteses de tal. Que a ordem anterior esteja virada para baixo, é um facto. Mas ver Hamilton a arrastar-se nas pistas, com um carro mau, menos de um ano após ter sido campeão do mundo, simplesmente é triste. Já não acredito em ver Hamilton no pódio este ano...

Em contraste com os acontecimentos na pista, nos bastidores, as coisas aquecem a cada minuto. Desde reuniões, ameaças de boicote e afins, a FOTA decidiu cerrar fileiras, para evitar deserções para a FIA, como fizeram Force India e Williams. 12 de Junho é sexta-feira, e muito pode acontecer. E a 19 de Junho, começam os treinos para o GP de Inglaterra, em Silverstone. Que tipo de Formula 1 irá aparecer nesse dia?