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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

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Agora que Helmut Marko foi "chutado" da Red Bull, terminando assim uma era na equipa, e de certa forma, do automobilismo, dedico-me a falar sobre a sua carreira como piloto. Que teve o seu brilho, antes de um acidente o obrigar a interrompê-la de forma precoce. 

E o que vemos por aqui? Apesar de ter sido modesto na Formula 1 - apenas dez corridas, em duas temporadas incompletas - pelo meio conseguiu alguns feitos impressionantes na Endurance, como ganhar as 24 horas de Le Mans e ter sido segundo classificado na Targa Florio, recuperando tempo e batendo o recorde de volta que ainda hoje perdura. 

Marko nasceu em Graz, a 27 de abril de 1943. Na adolescência, cruzou-se e fez amizade com outro rapaz, que se tinha radicado na cidade depois da guerra: Jochen Rindt. Marko seguiu as suas pisadas, mas não de imediato, porque... os estudos vierem primeiro. Foi para a Universidade de Graz e doutorou-se em Direito (daí o Dr.) em 1967, numa altura em que o seu amigo Rindt já era piloto de Formula 1 de pleno direito. 

Claro, decidiu seguir os seus passos. Começou a guiar carros em 1968, num Triumph, antes de ir para a Formula Vê. Campeão pela Kaimann, em 1968, no ano seguinte foi para a Formula 3 pela McNamara, onde também os ajudava nas questões legais. 

Em 1970, consegue a sua grande oportunidade na Endurance. A equipa Martini tinha um 908 e convidou Marko para participar nas 24 horas de Le Mans, e ao lado do seu compatriota Rudi Leis, consegue chegar ao fim na terceira posição, e o primeiro na classe de 3 litros. 

A temporada seguinte começa na Formula 2, sem resultados de relevo, antes de em junho, correr nas 24 Horas de Le Mans, desta vez no 917K da Martini Racing, ao lado do neerlandês Gijs van Lennep. Sem saberem, tinham corrido num chassis feito de magnésio - material leve, mas inflamável - e ambos acabaram por ganhar a corrida um um recorde de distância que ficou até 2010: 5335,3 quilómetros, a uma média de 222,304 km/hora. 

Pouco tempo depois, tem a sua chance de Formula 1. O seu amigo Rindt tinha morrido menos de um ano antes, e ele decidira correr no GP da Alemanha a bordo de um McLaren M7C, com três anos, pela Ecurie Bonnier. Contudo, problemas burocráticos (John Surtees queria que corresse para ele, porque tinha um contrato pré-assinado) o impediram de participar. 

Contudo, na corrida seguinte, na Áustria, ele recebe um convite de Louis Stanley, dono da BRM, para correr com eles. Com o apoio da Marlboro Austria, ele entra com o chassis P153, enquanto o resto da equipa corre com os P160, mais atualizados. Acaba na 11ª posição, que viria a ser o seu melhor resultado do ano, na mesma corrida onde se estreava outro compatriota seu, Niki Lauda. 

Para 1972, começa a correr para a Alfa Romeo, num Tipo 33, e o primeiro teste foi na Targa Florio. Correndo ao lado do italiano Nanni Galli, competiu contra os Ferrari, que também corriam nas suas Barchettas. E a corrida dele, na parte final, foi digna de um piloto temerário: quando Galli entregou o carro a ele, tinha um atraso de dois minutos para o Ferrari de Arturo Merzário, que dividia o volante com Sandro Munari. Numa pista de 72 quilómetros, conseguiu baixar os tempos, até fazer uma volta em 33 minutos e 41 segundos, a uma média de 128,253 km/hora. 

Acabou por participar nas 24 horas de Le Mans desse ano, ao lado de Vic Elford, mas a corrida acabou para eles na 19ª hora, com problemas de transmissão.

No meio disto tudo, continuava a correr na Formula 1, pela BRM. Os resultados melhoravam, mas sem pontuar. Um oitavo lugar no chuvoso GP do Mónaco foi o seu melhor. Mas no GP de França, que naquele ano aconteceria na pista de Clermond-Ferrand, o sexto melhor tempo na grelha - e o melhor, de longe, dos BRM nesse final de semana - deu-lhe esperanças de um bom resultado. E estava num bom momento: a equipa tinha-lhe dado o P160B, o melhor dos chassis. Mas era 15 centímetros mais alto que o P153, que guiava até então. 

Marko partiu bem e lutava por pontos quando na volta oito, uma pedra vinda do March de Ronnie Peterson atingiu o seu visor e fez-lhe um furo. A pedra atingiu o seu olho esquerdo e conseguiu parar o carro sem bater. Apesar dos socorros, tinha ficado cego desse olho - hoje em dia, anda com um prótese ocular. 

Anos depois, em 2017, contou acerca do seu acidente e a sua vida pós-carreira ao site da Formula 1:

"Uma lesão no olho é muito dolorosa. Tiveram de suturar o olho, por isso cada piscar de olhos era um horror. Passei muitas noites sem dormir, até porque ainda estava convencido de que o desporto automóvel era a única razão para viver. E então, numa dessas noites em branco, tive de confessar a mim mesmo: acabou, preciso de fazer outra coisa da vida. É aí que se cai num buraco negro. Mas depois percebi que existe vida depois das corridas, e algo mudou na minha cabeça de um momento para o outro – não voltei a entrar num carro de corridas durante os 30 anos seguintes. Eu sabia, naquela altura, que nunca mais conseguiria competir a alto nível e não queria acabar como "piloto amador". Agora, posso dizer que sou muito feliz e sinto-me um sortudo por ter sobrevivido a este período apenas com a perda de um olho."

Acabava ali a primeira parte da sua carreira. A segunda aconteceria uns anos depois, depois de ter montado alguns hotéis na sua cidade natal, como empresário de pilotos, e depois, montar a sua equipa de automóveis e a sua associação com a Red Bull. Como se costuma afirmar, o resto é história.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

GP Memória - França 1972

A temporada de 1972 era mais curta do que o habitual, e uma das ausências era a pista holandesa de Zandvoort, que devido a razões de segurança, decidiu passar por uma profunda operação de renovação, com uma camada de asfalto nova, escapatórias e barreiras de segurança. Uma operação que iria custar mais de um milhão de dólares, mas só estaria pronta para competição em 1973.

Esse quase um mês entre as duas corridas da Belgica e da França foi aproveitado por algumas equipas para participarem no "GP da Republica Italiana", disputado no autódromo de Vallelunga, nos arredores de Roma. A corrida tinha sido vencida por Emerson Fittipaldi, na frente do Surtees de Andrea de Adamich e do Tecno de Nanni Galli.

Neste tempo, Jackie Stewart conseguira descansar o suficiente para voltar à forma na corrida francesa, a bordo do seu Tyrrell. A equipa decidira alinhar com três carros, oferecendo uma terceira máquina a um telento local, pois era mesmo da zona de Clermond-Ferrand. O seu nome era Patrick Depailler. Na McLaren, com Peter Revson indisponivel nesse fim de semana, devido a compromissos na USAC, ele foi novamente substituido por Brian Redman.

A Ferrari também lidava com ausências, pois Mário Andretti estava ausente para correr nos Estados Unidos e Clay Regazzoni estava lesionado num braço, depois de ter jogado uma partida de futebol. No lugar do piloto suiço, veio o italiano Nanni Galli, da Tecno, enquanto que na equipa italiana, o lugar foi ocupado pelo britânico Derek Bell. Para finalizar, o sul-africano Dave Charlton corria num Lotus 72 da Scuderia Scribante.

Na qualificação, o melhor foi o Matra de Chris Amon, que conseguira ser mais veloz do que o McLaren de Dennis Hulme. Jackie Stewart parecia estar recuperado da úlcera e fez o terceiro melhor tempo, na frente do belga Jacky Ickx. O australiano Tim Schenken era o quinto, no seu Surtees, seguido pelo BRM de Helmut Marko. Francois Cevért era o sétimo, na frente de Emerson Fittipaldi e a fechar o "top ten" estavam o March de Ronnie Peterson e o segundo Surtees de Mike Hailwood.

Na partida, Amon largou melhor do que Hulme, seguido de Stewart, Ickx e Marko. Nas voltas seguintes, Fittipaldi começou a ganhar posições, chegando ao quinto posto depois de passar Schenken, Hailwood e Marko. Na nova volta, depois de passar o austriaco da BRM, Fittipaldi passa por uma zona de berma, onde uma pedra lançada do seu Lotus atinge Marko, causando um buraco na sua viseira e cegando-o no  olho esquerdo. A carreira do austriaco, como piloto, terminava naquele momento.

Na frente, Amon era o lider, com Stewart e Hulme atrás. As coisas ficariam assim até à volta 17, quando o neozelandês sofre um furo e tem de ir ás boxes trocar de pneus. A partir dali, enceta uma recuperação, batendo várias vezes a volta mais rápida e tentando apanhar os pilotos da frente. A mesma coisa iria acontecer a Hulme, que também parou para trocar de pneus e caiu imenso na classificação.

Isso fez com que Stewart ficasse cada vez mais na liderança, com Ickx no segundo posto e Fittipaldi no terceiro. Pouco depois, contudo, Ickx foi também vítima de um furo e perdeu uma volta para os líderes, fazendo com que Fittipaldi chegasse ao segundo posto. Atrás, Amon tinha apanhado Peterson e Cevért, e com o poder do seu motor Matra, passou ambos os pilotos para poder reclamar o terceiro posto.

No final, Stewart vencia pela segunda vez no ano, mas com o seu rival Fittipaldi no segundo lugar, a recuperação tinha sido pouco significativa. Chris Amon era o terceiro, seguido pelo segundo Tyrrell de Francois Cevért, o March de Ronnie Peterson e o Surtees de Mike Hailwood. 

segunda-feira, 6 de julho de 2009

GP Memória - França 1969

Depois de Zandvoort, a Formula 1 chegava a Clermont-Ferrand, mais concretamente ao desafiador circuito de Charade, naquela que iria ser a sua quarta mudança consecutiva, depois de Reims (1966) Le Mans, Circuito Bugatti (1967) e Rouen-Les Essarts (1968) Longo (8055 metros) estreito e muito sinuoso (era comparado com Nurbrugring), tinha uma lista de inscritos muito pequena: apenas 13 participantes.


A Lotus alinhava com três carros: dois 49 oficiais para Jochen Rindt e Graham Hill e um Lotus 63 de quatro rodas motrizes para o inglês John Miles, que fazia aqui a sua estreia na Formula 1. Na Matra, Jackie Stewart e Jean-Pierre Beltoise faziam as honras da casa, enquanto que a McLaren alinhava com Bruce McLaren e Dennis Hulme. A Brabham só levava Jackie Ickx para Charade, dado que Jack Brabham tinha tido um acidente em Silverstone e enconstrava-se a recuperar dos ferimentos sofridos no tornozelo. Também a Ferrari levava um carro, para Chris Amon. A BRM primava-se pela ausência, depois da má estreia do seu carro, o P139, e do consequente despedimento do seu projectista Tony Rudd.

Em compensação, havia alguns privados, como Vic Elford, que corria num McLaren, Jo Siffert, no Lotus da Rob Walker Racing, o suiço Silvio Moser, que corria num Brabham ou Piers Courage, que conduzia uma Brabham inscrito por Frank Williams.



Nos treinos, Jackie Stewart dominou completamente, fazendo a pole-position com dois segundos de vantagem sobre o segundo na grelha, o McLaren de Dennis Hulme. Na segunda fila estavam Jochen Rindt e Jacky Ickx, enquanto que na terceira fila ficavam respectivamente Jean-Pierre Beltoise e Chris Amon, no unico carro que não era Cosworth. Bruce McLaren partia da sétima posição, tendo a seu lado Graham Hill. A fechar o "top ten" estavam o Lotus de Jo Siffert e o McLaren de Vic Elford. John Miles era 12º no seu carro de quatro rodas motrizes.



A corrida foi um passeio para Stewart, que tinha ganho três das quatro corridas disputadas nesse ano. Saindo da frente na largada, não mais a perdeu até ao final das 38 voltas ao circuito francês. Logo a seguir vinha Hulme, que ficou com a segunda posição até à volta 13, altura em que foi para a boxe com o roll bar frontal partido, cedendo essa posição a Jacky Ickx. Contudo, o piloto belga estava a ser pressionado por Beltoise, que tentava ficar com o lugar e proporcionar à multidão da casa uma "dobradinha" da Matra. Entretanto, a estreia de John Miles e do seu carro de quatro rodas motrizes tinha acabado logo na primeira volta, devido a uma avaria na bomba de combustivel.

A luta entre Ickx e Beltoise continuou corrida fora até à ultima volta, altura em que Beltoise desferiu o seu ataque final e o belga cometeu um erro, que permitiu a ultrapassagem do piloto francês, e a tão ansiada dobradinha para a Matra, com Ickx a ficar com o lugar mais baixo do pódio. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram Bruce McLaren, o inglês Vic Elford, no seu McLaren privado e o Lotus de Graham Hill.



Fontes: