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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Noticias: FIA afasta Masi da direção de corrida


A FIA divulgou esta tarde, quase ao mesmo tempo que a Ferrari apresentava o seu SF-75, as suas conclusões sobre as decisões tomadas no GP de Abu Dhabi, e afastar Michael Masi do seu posto, substituindo por duas pessoas: o alemão Niels Wittich e o português Eduardo Freitas. Para além disso, a FIA criará uma sala de controlo, que assistirá o diretor de corrida de uma forma semelhante ao sistema VAR no futebol, e removerá as comunicações rádio entre diretor de corrida e diretores de equipa durante os Grandes Prémios.

Freitas é atualmente o diretor do WEC, o Mundial de Resistência, logo, também o das 24 Horas de Le Mans, enquanto Wittich cumpre a mesma função no DTM, o campeonato de turismos alemão.

Para além disso, a FIA voltou a pedir a Herbie Blash que ocupe o cargo de adjunto, como fazia no tempo de Charlie Whitting. 

Falando sobre as decisões, Mohhamed bin Sulayem, o presidente da FIA, referiu que este plano é o resultado de um consenso entre ele, o presidente da Formula 1, Stefano Domenicalli, e os patrões das equipas de Formula 1, que incluiem Toto Wolff, da Mercedes, e Christian Horner, da Red Bull.

“Niels Wittich e Eduardo Freitas atuarão alternadamente como diretor de prova, auxiliado por Herbie Blash como conselheiro sénior permanente. Michael Masi, que realizou um trabalho muito desafiador por três anos como diretor de corridas de F1 após Charlie Whiting, receberá uma nova posição na FIA.", começou por dizer. 

"Apresentei este plano completo aos membros do Conselho Mundial de Automobilismo e ao Senado, que deram total apoio. Com este plano, a FIA abre caminho para um novo passo na arbitragem da Formula 1. Sem os árbitros, não há desporto. Respeito e apoio dos árbitros é a essência da FIA. É por isso que essas mudanças estruturais são cruciais em um contexto de forte desenvolvimento e expectativas legítimas de pilotos, equipes, fabricantes, organizadores e, claro, os fãs.”. concluiu.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Um apaixonado do automobilismo, como nós

Sempre achei os comissários de pista uma classe à parte, porque são o último resquício de apaixonados pelo automobilismo, seja ele a Formula 1, ou outra competição automóvel qualquer. A diferença entre um fã normal, como eu e você, e eles é que sabem o que fazer em caso de colisão ou qualquer objeto que esteja na pista, porque foram treinados para isso. O Paulo Abreu ou o Marcel Araujo dos Santos, vulgo o "Tintin", sabem explicar melhor do que eu, porque foram - e são - comissários de pista, que adora o que fazem e sacrificam tempo às suas famílias para poderem estar nos circuitos, quase na primeira fila, e a ajudar quem mais precisa.

O automobilismo é perigoso e o "risco zero" é um mito do qual as pessoas devem estar conscientes. Nada está a salvo de uma fatalidade, por muita segurança que exista. É certo que se aperfeiçoa, mas nada se pode fazer quando um comissário deixa cair um rádio comunicador, escorrega na pior altura possível, centímetros de um trator que rebocava um carro de Formula 1, acabando por o matar. É a primeira vez em doze anos que houve um acidente fatal num fim de semana de Grande Prémio, e tal como tinha acontecido em 2000, em Monza, e em 2001, em Melbourne, a vitima foi um comissário de pista, a tal pessoa que está na primeira fila a assistir a tudo.

Um testemunho impressionante do que aconteceu foi o recolhido pelo Luiz Fernando Ramos, vulgo o Ico, que falou com Diego Mastroianni, voluntário nesse GP do Canadá, e falou no seu blog o que aconteceu. 

“Eu sabia o portão que abririam no final da prova para entrarmos na pista e ver a cerimonia do pódio e me posicionei ali nas voltas finais. Os fiscais com a grua recuperaram o carro da Sauber depois do acidente e ficaram no canto esperando a corrida acabar. Depois eles começaram a ir devagar em direção aos boxes. Tinha a grua e alguns fiscais, uns atrás, uns do lado e um na frente que ficava equilibrando um pouco o carro porque ele fica pendurado por um ponto só e balança muito.", começa por descrever. 

"Tudo aconteceu muito rápido. Eu era o primeiro na correria das pessoas entrando na pista. Quando eu vi, ele tropeçou, caiu e acho que a pessoa que estava dirigindo a grua não teve tempo de reagir. Depois, rapidamente eles pararam a grua e os outros foram ver o que aconteceu. Eu tive a reação de parar e ver se eu poderia ajudar, mas logo já se criou um entorno com seguranças e eu não tinha o que contribuir. Foi uma fatalidade que aconteceu em questão de segundos. Fiquei por quase uma hora sem sair do lugar ali de tão chocado que eu fiquei com a cena. É muito triste mas, enfim, foi realmente um infortúnio muito grande”.

Ao contrário do que alguns possam pensar, esta gente não é amadora. São pessoas continuamente treinadas para estas situações, que sendo apaixonadas, tentam fazer o seu melhor num fim de semana que é extremamente exigente, e em muitos aspectos, a troco de nada ou quase nada. Só mesmo para ver os carros de perto. São heróis anónimos que merecem todo o nosso respeito e admiração. O que aconteceu ontem pode perfeitamente acontecer uma empresa qualquer, numa situação qualquer, em qualquer parte do mundo, todos os dias. É muito raro e é um tremendo azar. Isto vai demonstrar que por muito bons ou perfeitos que sejamos, o mundo que nós conhecemos é naturalmente imperfeito. Caso contrário, o Universo  tal como o conhecemos, nem sequer existia.

No final, curvo-me em tributo ao comissário, que tal os dois últimos há mais de doze anos, pagaram o preço mais alto de todos por querer estar onde mais queria estar, quando poderiam estar noutros lados, totalmente a salvo e junto dos que mais amam.

Noticias: Comissário mortalmente atropelado em Montreal

Um comissário de pista morreu esta tarde após o GP do Canadá, atropelado por um dos guindastes que serve para rebocar um dos carros que estava parado na berma. Segundo o diretor da corrida, Fabian Durmontier, o guindaste, que recolhia o Sauber de Esteban Gutierrez, não viu um dos comissários, cujo nome não foi divulgado, a tropeçar e a cair (aparentemente, estava a recolher o seu rádio), fazendo com que passasse por cima ele. Socorrido de imediato, foi transportado para o hospital de Notre-Dâme, em Montreal, em estado critico, vindo depois a morrer.

Segundo Durmontier, o comissario tem mais de dez anos de experiência no local, bem como o operador da máquina, cujo nome também não foi divulgado.

"Uma roda gigantesca passou sobre seu corpo, então há fraturas. É isso que sabemos até o momento. Há danos nos pulmões e no cérebro? Acreditamos que não." declarara Jacques Bouchard, diretor do centro médico do autódromo ao "Montreal Gazette", pouco depois da chegada do infortunado comissário.

Pouco depois, confirmou-se o pior. Assim sendo, esta é a primeira morte numa corrida desde o GP da Austrália de 2001, quando outro comissário foi atingido pelos destroços do BAR de Jacques Villeneuve. Antes, em setembro de 2000, no circuito italiano de Monza, outro comissário, Paolo Gisberti, tinha também sido atingido pelos destroços de um dos carros envolvidos numa carambola que aconteceu na Variante Roggia, a segunda chicane do circuito. 

sábado, 31 de janeiro de 2009

Noticias: Sistema KERS preocupa os comissários de pista

O sistema de recuperação de energia cinética, ou o KERS, está a levantar preocupações em relação à sua segurança, e o mais recente caso surgiu com os comissários de pista, que manifestaram preocupações sobre o manuseamento dos monolugares após situações de avaria ou acidente, pois caso ainda estejam activos, as suas vidas vão estar em risco.




Segundo o site inglês GPUpdate.com, vários comissários, dos diversos circuitos que farão parte do Mundial de Formula 1, manifestaram a sua preocupação, pois por exemplo, a FIA ainda não forneceu equipamento suficiente aos comissários para poderem manusear os carros, e temem não efectuar o seu trabalho da melhor forma possivel. Um comissário de Silverstone, que perferiu não ser identificado, explicou a situação desta forma: "Somos cerca de 350 pessoas no GP de Silverstone e esperamos ter estas luvas 'mágicas' para todos? Pessoalmente, não acredito nisso. Talvez venhamos a ter um par de luvas por posto, o que significa que apenas precisamos de 26 pares o que é um problema quando existem 6 a 10 comissários por posto", apontou esse comissário.

O KERS ainda não se estreou em corrida, e as preocupações aumentam...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O demasiado protagonismo dos comissários de pista

Se na história da Belgica, fui quase que obrigado a concordar com a decisão dos comissários de pista, na penalização do Lewis Hamilton a Kimi Raikonnen, achei que aquilo que aconteceu no Japão, com a penalização a Felipe Massa, Lewis Hamilton e Sebastien Boudais como um exagero absurdo. Quando o Ico perguntou no Domingo, no seu post se penalizariam os pilotoas pelas suas manobras, fui radical: não, não os penalizaria. E porquê? Pela razão mais simples: são incidentes de corrida.

Quando vi a penalização do piloto inglês, pensava que tinha a ver com o incidente com Felipe Massa. Mas afinal foi por causa da travagam na primeira curva, na primeira volta do circuito. Agora penalizam-se pilotos por decisões baseadas no instinto do momento?

É um bocado estranho falar disto três dias depois da corrida, e a quatro dias de outra corrida decisiva para o título mundial, mas acho que até é o momento ideal para falarmos sobre isto, porque tenho a sensação que no Domingo, vai acontecer algo que pode ficar na história da Formula 1. E não vai ser pelos bons motivos.

Desde ontem, a FOM está a disponiblizar vários videos sobre os incidentes de Domingo, tentando de uma certa forma, justificar a decisão dos comissários de pista. Vão ver, e tirem as vossas conclusões. Mas continuo a achar que não são mais do que incidentes de corrida, e que os comissários estão a ser os protagonistas do jogo, e aquilo que andam a fazer é uma interpretação mais estrita dos regulamentos, quase que a levar o campeonato até Interlagos. Agora, fazem isso para beneficiar a Ferrari? Se sim, para quê? Se fosse no ano passado, eu saberia a razão...

Hoje vem uma declaração do Niki Lauda, apontando e criticando o demasiado protagonismo dos comissários em Fuji: "A coisa que mais me preocupa é que os Comissários Desportivos estão a envolver-se demasiado na tentativa de controlar o que os pilotos estão a fazer", disse o ex-piloto austriaco na cadeia de televisão RTL, de onde é comentador. Lauda achou que a penalização de Hamilton um exagero: "Tudo o que ele fez foi travar tarde demais, o que lhe é permitido fazer. Os comissários só deveriam envolver-se caso algo sério suceda"

Outra visão sobre o que se passou vem no Blog do Ico. Ele falou em Fuji com o ex-piloto austriaco Alexander Wurz. É uma conversa que vale muito a pena ser lida, pois no meio disto tudo, afirmou a seguinte frase: "Existem trinta centímetros entre o coração e a mente e parece que é no coração que trabalha. Nós, que estamos de fora, temos minutos para ver a cena e analisá-la. Já ele teve de tomar a decisão em fracção de segundo. É inevitável que vá agir de forma instintiva".

O Ico sugere que os Comissários de Pista sejam ex-pilotos de Formula 1. Acho que sim, tem experiência de pista, e saberiam julgar da melhor forma os incidentes. Ter administrativos a fazer esse trabalho cheira a favor politico, e assim, as discussões sobre a justeza ou não das penalizações nunca mais acabam...