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sábado, 2 de novembro de 2019

Youtube Motorsport Testing: Jesse versus Roborace

Cada vez mais se observa o que será o Roborace. Uma competição autónoma onde o piloto deixa de ser importante para ser a máquina, numa cada vez mais complicada operação algorítmica. Neste video, do canal do Youtube "Now You Know", o Jesse irá estar dentro do carro da Roborace, onde será conduzido por um dos DevBots num video que vale a pena ver.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Youtube Motorsport Testing: O carro auto-guiado da Roborace

A Roborace vêm aí, isso é um facto. O seu potencial para revolucionar o automobilismo é mais do que óbvio, e os seus engenheiros andam a desenvolver os carros, numa "temporada Alpha", e em breve - talvez 2020 ou 2021 - teremos carros realmente sem condutor competindo uns contra os outros. Já tivemos carros destes a andar a 300 km/hora em linha reta, e é uma questão de tempo até fazerem uma volta sem condutor num circuito qualquer, tão rápido quanto um carro com piloto.

Neste video, Tom Scott decide andar num dos carros da RoboRace, em Silverstone, e conta como foi. 

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Youtube Motorsport Video: A primeira corrida autónoma de automobilismo

A RoboRace está a causar um misto de curiosidade e medo. E discretamente estão a acontecer as primeiras experiências em circuitos, como o de Monteblanco, no sul de Espanha. E por estes dias, dois carros decidiram fazer uma corrida entre si... sem condutor. Eis o video dessa prova.

domingo, 7 de julho de 2019

Youtube Racing Demonstration: Roborace em Goodwood

A RoboRace é uma competição que está a aparecer no horizonte, e é revolucionária... para o bem e para o mal. E neste sábado, em Goodwood, fez uma nova demonstração das suas capacidades. 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Youtube Sport Video: Como a inteligência artificial modifica o desporto

Costumo seguir muito o Joe Scott, um americano que fala imenso sobre todo o tipo de tecnologia. E esta semana, nos seus "random thursdays" (quintas ao acaso, numa tradução aproximada), fala sobre a influência da IA (Inteligência Artificial) no desporto. 

E o que têm a ver com este canal dedicado ao automobilismo? Tudo. Quase metade do video é dedicado à RoboRace, a série que a Formula E está a fazer onde os carros serão totalmente autónomos, sem condutor, e neste ano estão na "temporada Alpha", como eles chamam. Vale a pena ver.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Youtube Roborace Testing: A velocidade de um carro sem condutor

O teste aconteceu em dezembro, mas vale a pena falar dele. A RoboRace anda nos testes para aquilo que batizaram de "temporada Alpha", ou seja, a primeira temporada onde haverá corridas de carros sem condutor. Os testes estão a acontecer no circuito de Monteblanco, no sul de Espanha, e parece que estão a correr como previsto.

Mas em dezembro, o pessoal pegou num dos carros que vão participar na competição e decidiu acelerar até ao limite. Eis o resultado: quase 300 km/hora. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

No Nobres do Grid deste mês...

No próximo dia 15 a Formula E volta à acção em mais uma temporada, a quinta. E esta é importante porque é onde se estreia o novo carro, o Gen2, e onde as corridas foram totalmente redesenhadas em termos de duração. Se antes havia uma paragem para trocar de carro, agora as provas vão levar o bólido até ao fim, em provas de 45 minutos, mais uma volta. E terá mais uma equipa a competir, a HWA, que trata normalmente da Mercedes no DTM alemão.

O carro da Gen2 - oficialmente chamado de Spark SRT05e - não é só radical em termos de design. Para além de levar o Halo, das rodas cobertas e de uma dispositivo traseiro que o faz agarrar à estrada de tal forma que dispensa uma asa traseira, as baterias são da McLaren Applied Technologies, e terão uma capacidade máxima de 250 kW. Para além disso, terão também um "boost"de 25 kW extra que será usado em determinadas partes do circuito, numa espécie de "Mario Kart".

E em termos de pilotos, a crescente popularidade da competição está a atrair pilotos importantes. Felipe Massa vai participar pela Venturi, enquanto Stoffel Vandoorne, sem lugar na McLaren, vai correr pela estreante HWA, ao lado de Gary Paffett, vindo da DTM. Outras estreias são Alexander Sims, que vai para a BMW Andretti, e Pascal Wehrlein, que depois da Formula e 1 de uma nova temporada no DTM em 2018, estará na Formula E ao serviço da indiana Mahindra.

(...)

Mas para além disso, haverá corridas em paralelo. A Jaguar I-Pace Trophy estará presente, uma competição monomarca consistindo de vinte carros elétricos da marca inglesa, mas também estará presente a Roborace. E este é um conceito totalmente novo: a da condução autónoma, sem piloto por trás. A temporada de 2019 está batizada de "Alpha".

Primeiro que tudo, há dois chassis: o da Roborace, projeto de Daniel Simon - que em 2011 desenhou o Hispania HRT F111 - que não terá lugar para o condutor, tornando-se no primeiro automóvel autopropulsionado a competir. Contudo, para além disso, temos o DevBot, basicamente um chassis LMP3 da Ginetta, com controlos que o fazem andar por ele mesmo. Desde meados de 2016 que tem andado em testes em vários circuitos, desde Silverstone até a demonstrações nas várias pistas onde passa a Formula E. Na sua primeira demonstração, em Buenos Aires, no inicio de 2017... ambos os DevBot colidiram um com o outro!

"Os acidentes fazem parte do processo de desenvolvimento, se não tivéssemos acidentes era um sinal que não estávamos a ser rápidos no desenvolvimento. Na pista há menos variáveis, o que nos permite focar-nos em algoritmos relacionados com a corrida, como o estilo de condução. Queremos criar um ambiente onde seja mais fácil evoluir a tecnologia e as pistas são fechadas, o que significa que carro pode bater sem magoar ninguém", declarou Di Grassi em Lisboa, quando participou na web Summit. (...)

Dentro de semana e meia começa a Formula E, com um novo carro e mais uma equipa na competição, a HWA, apoiada pela Mercedes. As corridas serão diferentes, pois deixarão de trocar de carro a meio da prova, e as corridas durarão 45 minutos. Para além disso, haverá uma competição paralela, sem condutor, o RoboRace, onde os carros aprenderão a conduzir mais velozmente e eles se aproximarão das performances dos pilotos.

É uma revolução no automobilismo, quer queiramos, quer não. Existe muita gente que torce o nariz e é contra este tipo de coisas, mas não se pode parar o progresso. E ainda por cima, estas novas competições estão a criar novos fãs, e a Formula 1 sente isso como se fosse uma mossa e uma ameaça ao seu futuro.

Eles já desejam adaptar-se aos novos tempos, mas Alejandro Agag, o diretor da competição, já disse à Liberty Media que detêm o exclusivo... até 2039. Tudo isto pode ser lido este mês no Nobres do Grid.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Formula E: Revelado o DevBot 2.0 e a temporada Alpha

A Roborace começará já na primavera de 2019, em simultâneo com o campeonato da Fórmula E. Em principio, serão seis carros a participar na competição, com mais bólidos a aparecer em 2020, na "temporada Beta". Todas as equipas terão o mesmo hardware e só algumas partes do software poderão ser modificadas, pois é o objectivo do campeonato que os engenheiros se concentrem em evoluir apenas os algoritmos de condução autónoma.

Contudo, o carro usado será o DevBot, logo, terá espaço para um eventual piloto, pois a tecnologia ainda não está suficientemente desenvolvida para evitar possiveis tropeções e acidentes. Contudo, eles acreditam que em 2021 a tecnologia estará suficientemente desenvolvida para implementar os carros desenvolvidos por Daniel Simon.

Entretanto, esta semana, Lucas Di Grassi veio a Lisboa, para participar na Web Summit, e sendo o CEO da competição, ele detalhou o estado atual dos carros e falou sobre como dentro de alguns anos, a tecnologia terá impacto tanto no desporto, quanto no dia a dia dos condutores comuns. 

Em declarações captadas pela revista portuguesa online Exame Informática, Di Grassi admitiu que o carro autónomo ainda não é tão rápido quanto ele: "No início era 25 por cento mais lento do que eu, mas agora só já é 6% mais lento. Isto é uma prova que os algoritmos que controlam o carro estão a melhorar", afirmou. 

Apesar de "tropeções" como acidentes ao longo do processo de desenvolvimento, o piloto brasileiro desvaloriza esses acontecimentos: 

"Os acidentes fazem parte do processo de desenvolvimento, se não tivéssemos acidentes era um sinal que não estávamos a ser rápidos no desenvolvimento. Na pista há menos variáveis, o que nos permite focar-nos em algoritmos relacionados com a corrida, como o estilo de condução. Queremos criar um ambiente onde seja mais fácil evoluir a tecnologia e as pistas são fechadas, o que significa que carro pode bater sem magoar ninguém", declarou. 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A "Temporada Alpha" da Roborace

Já foram revelados os primeiros planos da primeira temporada da Roborace, que poderá acontecer no final desta década. Lucas di Grassi, num artigo que escreveu para a Autosport britânica, explicou os planos da primeira série com carros autónomos, afirmando que a primeira temporada poderá começar em 2019. 

Batizado de "Temporada Alpha", o carro terá cerca de 400 cavalos e pesará à volta de mil quilos, tração traseira e dois motores. Todos terão o mesmo chassis, mas o desenvolvimento cabe às equipas que os terão. E elas tanto podem ser construtoras, como também outros parceiros, como as universidades, combinando o melhor do ser humano com a tecnologia e a inteligência artificial, numa tecnologia "open source".

"Nós iremos nos envolver com as universidades, pois acreditamos que as corridas podem atrair um grande número de talentos e ajudar as empresas a escolher o melhor para si. O mercado de engenheiros de software altamente sofisticados está apenas crescendo e podemos fornecer uma plataforma muito interessante com a qual eles podem trabalhar", escreve di Grassi.

"Em suma, a Roborace está aqui porque a indústria está a migrar para a automação e queremos que o automobilismo permaneça relevante. A primeira corrida acontecerá na primavera de 2019 com carros idênticos - a única diferença são os pilotos, humanos e máquinas, que serão escolhidos e desenvolvidos livremente pelas equipes", concluiu.

Apesar de ele avançar com uma data, resta saber qual vai ser o calendário, algo do qual nada se sabe ainda.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

E se o Roborace resgatar o passado?

Desde que se soube da realização da Roborace, a competição de carros guiados autonomamente, sem condutor, existe uma grande expectativa sobre o que isto irá ser, bem como uma multidão de "puristas" que afirmam isto não ser automobilismo ou ser a morte do automobilismo. Contudo, caso comecem a ler este artigo vindo originalmente no site e-racing365.com, provavelmente terão mais razões por considerar isto como um sacrilégio.

Bryn Balcombe, o chefe de estratégia da Roborace, fala que se pensa em usar os dados gravados no passado pelas equipas de Formula 1 com o intuito dos carros imitarem os estilos dos pilotos ao volante. Ou seja, poder replicar estilos de pilotos atuais como os de Lewis Hamilton ou Sebastian Vettel, ou até de pilotos do passado, como Michael Schumacher ou Ayrton Senna, no sentido de poder dar um elemento de personalidade aos carros. Por outras palavras, dar "alma" a carros sem condutor.

"Uma coisa que nos perguntam [muito] é se podemos replicar um piloto humano existente ou um piloto humano histórico", começou por dizer Balcombe.

“Então, você pode colocar Lewis Hamilton no simulador e, em seguida, pegar os dados do simulador e usá-los para criar uma versão AI de Lewis Hamilton, que é o piloto do carro? Ou até mesmo se Ayrton Senna pode voltar, como futuro piloto de IA?", continuou.

"Se você olhar para os dados que a McLaren tem sobre a história de condução do Senna e sobre o que a Williams também tem, você pode pegar isso e criar o que seria uma representação realista de Senna e do seu estilo de condução", concluiu.

Balcombe acredita que a Roborace poderá ser um encontro entre os estilos de condução do passado, presente e do futuro, todos numa pista, e poderia servir como tira-teimas sobre quem são os melhores de sempre. Mas ele também acredita que essa abordagem permitirá que os espectadores que assistam a estas corridas se associem aos participantes, apesar da ausência de um motorista humano. As equipas poderão ajustar os estilos de condução de seus carros para desfazer as "personalidades de corrida" que são vistas no automobilismo hoje.

"Quando você assiste à Fórmula 1, não consegue ver o rosto do piloto. O modo como os pilotos de corrida se expressam é pela forma como o carro é controlado. Quando você assiste a um jogo de ténis, por exemplo, é muito mais fácil ver suas expressões e também a maneira como eles se movem."

“Com um piloto de Fórmula 1, você vê isso pela maneira como controlam o veículo e a maneira como interagem com os outros. A partir disso, você sabe se eles são agressivos ou passivos. Acreditamos que o software que está dentro desses veículos será diferenciado. Ele será produzido por equipes diferentes e eles colocarão pesos diferentes lá sobre quão agressivo ser ou não, ou quão difícil de guiar."

“A partir disso, o público verá personalidade. Eles se conectarão a uma ou outra equipa, com base nas ações do veículo. Essa é uma maneira de fazer isso", concluiu.

A Roborace afirma que irá fazer uma nova demonstração no final do ano, enquanto continuam os testes para o melhoramento do estilo de condução dos carros autónomos.

Em suma, é fascinante, mas ao mesmo tempo pode ser perigoso. Muitos não aceitariam a ideia de rever os seus ídolos em carros sem condutor. Muitos dizem neste momento que a partir da altura em que existir corridas deste tipo, o automobilismo como conhecemos está morto. Mas de uma certa maneira, isto é uma evolução, um não significa a supressão do outro, pois continuarão a existir corridas de carros com condutor, é apenas mais uma chance fantástica de vermos automobilismo. 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

A imagem do dia

O protótipo do Roborace, esta sexta-feira, em Goodwood Festival of Speed, basicamente a sua primeira demonstração pública como carro autónomo. Meti o video directamente na página do Facebook deste sítio, e se forem ver, os comentários são quase todos desfavoráveis, a denegrir o trabalho dos engenheiros. Não coloco aqui os comentários, recomendo que vão lá para ler.

Isto acontece no mesmo fim de semana de encerramento de mais uma temporada de Formula E, com uma jornada dupla em Nova Iorque. E também se sabe que no final do ano acontecerá a primeira temporada do Electric GT, a primeira competição elétrica de Turismos.

De uma certa forma, é um novo mundo que aí vêm, quer queiramos, quer não. Ao contrário das pessoas que foram ali dizer cobras e lagartos daquele carro, há quem observe tudo isto e sabe que é uma ideia das coisas que aí vêm. Pessoalmente, acho que todos vão conviver: a Formula 1 convive com a Formula E e complementam-se, não concorrem. Na próxima temporada, haverá um novo carro, e nas corridas, os carros irão do inicio até ao fim, em provas de 45 minutos, deixando de acontecer as trocas de carros a meio da corrida.

Já vi os protótipos dos carros autónomos. São lentos, mais lentos que os carros a electricidade conduzidos, logo, os temores deles são infundados. Mas aquilo do qual viram a vida toda vai mudar. É assim, é como em tudo na vida. E quem se queixa são pessoas de meia idade. Para os garotos novos, que se calhar estão a ver isto pela primeira vez, provavelmente poderá ter sido um momento em que ficaram curiosos com isto. Mas sei que a nova geração está fascinada com a electricidade, com os carros elétricos e com a Formula E, e vêm os carros normais, a obsessão das pessoas por determinado barulho que o carro faz como uma picuinhice... de velhotes. 

E isso faz-me lembrar de uma conversa que um amigo meu, o Sal Chiaparreta, me falou quando esteve com o Dan Gurney, há uns anos, no Peterson Auto Museum, em Los Angeles. A certa altura, ligaram um dos carros expostos, um dos Eagle de IndyCar, creio, e o filho do Sal tapou os ouvidos por causa do barulho. Disse depois que não tinha gostado por causa do barulho e dos fumos. E pouco depois, o pai do garoto e o Dan Gurney conversaram sobre aquilo que ele disse. Ele respondeu algo parecido com "somos dinossauros, mas fomos felizes dinossauros".

Se calhar, a melhor maneira de vermos isto tudo é assim. Admitir que somos dinossauros e gozar o momento enquanto pudermos, antes que a nova geração tome conta das coisas.  

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Youtube Motorsport Presentation: RoboRace em Goodwood

O carro da RoboRace vai fazer a sua aparição em Goodwood para fazer a sua primeira passagem pela rampa de 1800 metros, no sentido de promover a série que aparecerá dentro em breve, e será a primeira competição autónoma, sem condutor, do mundo. 

Eis as imagens da sua apresentação.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Youtube DevBot Challenge: Ryan Trueck vs RoboRace


Estamos em fim de semana de Formula E e o americano Ryan Tuerck, um famoso "drifter", foi desafiado a dar umas voltas com o DevBot, que é o prtótipo do futuro RoboRace. E tudo isto aconteceu há um mês, quando a Formula E esteve em Roma. 

O resultado é aquele que se pode ver neste video.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Tecnologia ou emoção?

Não era algo do qual queria escrever no final do ano, mas por estes dias dei de caras com um artigo da revista americana "Popular Mechanics". Ali, discutia-se sobre como é que a Formula 1 iria lidar com os carros elétricos e a tecnologia subjacente. Houve entrevistas com Ross Brawn e Toto Wolff sobre essa matéria, e ambos diziam que a ideia da Formula 1 se tornar eletrica estaria fora de questão para a próxima década.

Contudo, o artigo também falou de outra coisa. Primeiro que tudo, uma declaração de Wolff, o diretor da Mercedes: "A Fórmula 1 é um espetáculo audiovisual. Nós precisamos ficar chocados com a velocidade dos carros, ao olhar para eles e [também] pelo som dos motores". E segundo, a revista fala sobre um dilema: manter a tecnologia e fazer da competição em espectáculo caro, ou para embaratecer a competição, deve-se abdicar da ideia do avanço tecnológico em favor de um espectáculo puro e duro, agora que a Formula 1 está a ser governada por uma firma americana, a Liberty Media?

Eis um excerto do artigo, que coloca essa questão desta forma:

"Os motores híbridos [V6 Turbo] definitivamente trazem a inovação, mas eles são um pouco curtos em termos de emoção sensorial.

'Essa é a coisa embaraçosa', diz Ross Brawn, diretor-gerente de automobilismo da Fórmula 1, mais tarde naquele dia, num quarto de hospitalidade hermeticamente branco, dois edifícios e uma estrada mais adiante do circuito. "Todo mundo lembra o quão alto os carros costumavam soar". Outro V-8 grita na pista, seu som agudo entra no nosso santuário com ar condicionado, enquanto ele lança um sorriso. Brawn, que trabalhou com carros de Formula 1 desde o final da década de 1970, lembra um tempo onde se soava bem alto. "Nós costumávamos ter motores [cujo som] nos magoava os ouvidos", diz ele. Então, os híbridos chegaram e, "de repente você poderia conversar normalmente ao lado deste motor", ele diz.

Isso sugere questões existenciais para a Fórmula 1: no nosso futuro ambientalmente amigável, a série de corrida mais avançada do mundo ainda impulsionarão as inovações que impulsionam nossos carros de estrada, ou se tornarão em desporto puro, com o entretenimento como único objetivo? Ou poderia um campeonato totalmente elétrico ultrapassar a Formula 1 como o laboratório mais veloz do planeta Terra?"

Desde a primeira corrida de sempre, em 1894, que a tecnologia e a competição estiveram sempre de mão dada. Para conseguirem superar a concorrência, os construtores usaram sempre inovações nos carros que mais tarde colocariam nos seus carros de estrada, que apresentariam aos seus clientes, para efeitos de segurança, conforto e mobilidade. Um bom exemplo foram os travões (freios) de disco, usados pela Jaguar nas 24 horas de Le Mans de 1955, bem mais eficazes do que os travões de tambor que eram usados nos outros carros. 

Mas qualquer nova inovação trazia algo que poderia ser batizado de "unfair advantage", mas tal coisa seria sempre superada por outra do qual a concorrência arranjaria sempre maneira de superar, ou ficar na frente. Sempre foi assim ao longo do século XX. E a Formula 1 foi o laboratório por excelência dessa inovação tecnológica, apesar das crescentes regras que apertaram a possibilidade de inovação. 

É sabido que em 2021 irão aparecer novas regras na Formula 1, e as ideias passam por uma maior simplificação dos motores. Ter apenas um sistema de regeneração de energia, seja ele um MGU-K ou MGU-H, e também uma forma de aumentar o ruído dos motores, causa de imensas queixas desde 2014, altura em que os motores V6 Turbo foram introduzidos.

E é aí onde quero chegar: o fã de hoje em dia não quer saber de que tecnologia vai ser colocada no seu carro do dia-a-dia. Como é regido por emoções, deseja algo que lhe faça arrepiar, e acha que o ruído ensurdecedor dos V8 seria melhor, afirmando ser "a essência da Formula 1". Ler as caixas de comentários das redes sociais não é a melhor politica, mas há quem ainda chore pelos V10 e V12 atmosféricos, dizendo que os tempos de há 25 anos eram os melhores e que agora é tudo "nutella", usando a linguagem dos nossos dias.

Contudo, não quer saber que fora do seu casulo, está a acontecer uma revolução lá fora. Os carros elétricos são uma realidade, várias marcas fazem modelos para a estrada e já se contam por mais de três milhões os carros elétricos a circular nas estradas de todo o mundo. Apesar de ser uma minoria, toda a gente sabe que em 2018 surgirão modelos como Tesla Model 3 ou o Jaguar-I-Pace, carros que chegarão à classe média. A Tesla quer vender meio milhão de carros neste ano que vai entrar e é capaz de chegar a esse ponto.

Mas o fã não quer saber disso. Acha a Formula E uma "farsa", apesar de não querer saber que vão entrar oito marcas na competição, e que menospreza o seu barulho, comparando-os a liquidificadores. Ainda acha que esses carros são lentos, tem pouca autonomia e que em três anos, as suas baterias estão totalmente desgastadas. E que estão a ser obrigados a fazer por ordens governamentais. Nada mais longe da verdade, mas isso só demonstra que a sua mente parou algures em 1976.

E chegamos a este ponto, do qual provavelmente Ross Brawn e a Liberty Media deverá estar a pensar com os seus botões: a Formula 1 deve abdicar da tecnologia em favor do espectáculo?

Se formos ver bem as coisas, na América, as competições automobilisticas favorecem o espectáculo a favor das tecnologias. Os carros são semelhantes - vide a IndyCar e a NASCAR - e a tecnologia é tão igual que não permite muito desenvolvimento. Aliás, este está muito, mas muito limitado, porque querem que haja equilibrio entre pilotos. Querem uma prova decidida na última curva da última volta da última corrida do campeonato, ou seja, querem Interlagos 2008 a cada duas semanas, mas nem sempre isso acontece. Contudo, eles sabem que é isso do qual fazem com que as pessoas discutam isso na segunda-feira de manhã, e provavelmente venda mais carros da marca vencedora.

Avanços tecnologicos ou de aerodinâmica não existem. É verdade que poupam nos engenheiros e nos projetistas, mas a ideia do automobilismo como mesa de ensaio, acabou. E de uma certa forma, não ficaria admirado que é isso que eles desejam. Só que há certas coisas que a Formula 1 tem que essas competições já não. As equipas constroem o seu chassis, por exemplo, e algumas equipas gostariam de construir os seus motores, nem que seja por uma questão de orgulho. São linhas vermelhas dos quais ninguém quer ultrapassar.

Mas se a Liberty Media decidir que a Formula 1 deve abdicar progressivamente da tecnologia para dar lugar ao espectáculo, de uma certa forma, está a dar razão aos espectadores. Mas reparem nisto: boa parte dessas pessoas (e isto vem de um estudo de 2014) tem em média 35 anos, e tende a envelhecer. A migração da Formula 1 para canais fechados e temáticos cortou o cordão a uma geração mais nova, e para mais, começa a olhar para os carros elétricos como algo bom e está crescentemente a hostilizar os MCI (motores de combustão interna). E vocês sabem que as pessoas envelhecem e morrem, para dar lugar a uma nova geração, que não tem mais os pensamentos da geração anterior.

De uma certa forma, privar a Formula 1 do seu futuro poderá significar que correrá o risco de desaparecer numa ou duas gerações, porque os gostos mudam. A nova Formula E poderá ser a competição onde se pode albergar a tecnologia? Pode, mas por agora não. Os chassis e as baterias são iguais, embora haja liberdade nos "powertrains", onde poderão usar nos carros de estrada, que progressivamente serão mais velozes, mais potentes e as baterias serão mais duráveis. E mesmo a ideia de que os carros param a meio das corridas para fazerem uma troca de chassis, vai acabar em 2019, quando surgirem os novos chassis e baterias da competição, que terão de aguentar toda a corrida.

E ainda poderá aparecer outra competição onde a tecnologia poderá ter um papel importante. A RoboRace pode ser um "sideshow" à Formula E, mas o propósito é revolucionário: um carro autónomo a dar voltas a um circuito, tentando completar num tempo progressivamente mais veloz do que um carro humano. Dados os avanços recentes na tecnologia dos carros autónomos, feitos por empresas como a Tesla, Apple, Google e outros, esta competição poderá ser o berço de algo que poderá fazer avançar a tecnologia bem dentro do século XXI, dando os avanços necessários em relação à condução e à segurança. Apesar dos fãs torcerem o nariz, a ideia é apeladora.

A tecnologia no automobilismo continua a ser essencial, e vai fazer sempre parte dela. Contudo, a ideia de que certa competição tenha de ser a tal, isso poderá sempre mudar. Agora, o risco de transformar algo vibrante a algo irrelevante é o risco que se corre. Vivemos tempos interessantes de se seguir, isso é verdade, e a Formula 1 está no meio disto.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Youtube Motosport Demonstration: Roborace, ano dois

As máquinas da Roborace continuam a ser desenvolvidas, à medida que se aproxima da sua primeira corrida. E ontem, eles colocaram um video sobre um duelo entre homem e máquina. Neste caso... entre mulher e máquina. Nikki Shields é jornalista e entusiasta da Formula E e foi desafiada a fazer algumas voltas a bordo do DevBot, para ver se é mais veloz do que o "software" que vai ser instalado no carro para fazer as voltas.

O resultado final? Vejam só.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Roborace e as corridas sem piloto

Já se sabe desde há algum tempo que os engenheiros estão a trabalhar na condução autónoma. O potencial é enorme - reduzir os acidentes de viação em 90 por cento e o fim dos engarrafamentos tal como conhecemos hoje em dia - e há empresas que estão a trabalhar muito nesse sentido. Desde marcas de carros como a Tesla, até... empresas de tecnologia como a Google e a Apple, com maiores ou menores resultados. Os testes estão a acontecer em força e não fiquemos admirados se em 2020 comecemos a ver os primeiros sistemas a serem comercializados e usados "en masse".

Mas a tecnologia foi um pouco mais além: a competição automobilística. Desde meados de 2015 que sabemos que a Formula E está a desenvolver o conceito de "Roborace". Eles anunciaram que iriam construir uma competição com carros autónomos, sem piloto, do qual iriam fazer correr na duração de um Grande Prémio. A primeira grande demonstração aconteceu este final de semana, em Buenos Aires, com dois carros... e não correu lá muito bem, porque um dos carros bateu e o outro acabou por vencer. Mas evitaram um cão que passeava na pista...

"Um dos carros estava a realizar uma manobra, quando ele foi realmente acelerou numa esquina bastante acentuada e tocou na barreira de proteção", disse à BBC Justin Cooke, o chefe de marketing da Roborace.

Apesar de tudo, ele considerou que a demonstração foi positiva: "É realmente fantástico para nós, porque quanto mais vemos esses momentos, mais somos capazes de aprender e entender o que era o pensamento por trás do computador e seus dados. O carro foi danificado, com certeza, mas pode ser reparado. E a beleza é que nenhum motorista sairia magoado porque... eles não estão lá", concluiu.

A coisa interessante sobre estes carros é que, ao contrário do que passa quando temos carros comandados por controle remoto, eles aqui usam dados de computador. Inteligência artificial, e o controlo por uma espécie de radar, para ver onde andam os carros à sua frente, e sensores para evitar colisões caso o carro à frente seja sujeito a uma travagem brusca. A organização da Roborace disse que existirão mais demonstrações até ao final da temporada, antes de no final deste ano, termos pelo menos dez carros a participar na primeira temporada desta competição.

Agora que vemos que a competição autónoma está a acontecer, queremos saber se é isto que queremos. Não digo que isto seja o futuro do automobilismo - não é, digo desde já - mas sim, um futuro para o automobilismo. Quero acreditar que isto vai ser um desses futuros, da mesma forma que a automação vai ser um futuro para o trabalho nos seres humanos, e que nem todos os trabalhos serão ocupados por autómatos ou androides, daqui a vinte anos. Daquilo que li e aprendi da história, e especialmente da história do automobilismo, uma competição como a Roborace é importante. Mas não vejo a Formula 1, ou a Endurance - nem mesmo a Formula E! - ser subsistida por uma competição sem pilotos. 

Aliás, eu considero que todos têm espaço, porque queremos ver pilotos a guiar, e é disso do qual vejo muita a gente a queixar-se hoje em dia. Os críticos podem falar de disparates como o ruído do motor, mas tem coisas que falam com razão, como o excesso de eletrónica que tirou ao piloto a sua capacidade de pilotar. Há muitas coisas que os pilotos têm à mão, como controle de tração, direção assistida, DRS, KERS, asas móveis... parece que facilitaram as coisas. Eles desejam que os pilotos lidem com "cavalos selvagens", sem auxiliares eletrónicos, apenas com mecânica e alguma aerodinâmica. Em suma, o seu maior desejo é que estes pilotos lidassem para sempre com máquinas construídas em 1976, apenas com os seus chassis feitos de fibra de carbono.

Mas vamos ver a coisa de outra forma: gostaríamos de ver essas máquinas a se guiarem sozinhas? Pensem bem: uma McLaren sem Fernando Alonso ao volante? Uma Ferrari sem Sebastian Vettel ou Kimi Raikkonen? Tirando a Ferrari e a McLaren (em menor grau), torcemos por pilotos, não tanto por equipas. E vamos ser honestos, sem os pilotos, o automobilismo perde metade da graça.

Não sou daqueles que dizem que vai ser uma curiosidade e vai desaparecer no futuro. Vi muitos "profetas da desgraça" e predizerem que coisas como o automóvel ou o avião não teriam futuro, e deu no que deu. Uma competição como a RoboRace não é uma ameaça aos pilotos, porque já se demonstrou ao longo da História que há lugar para toda a gente. Poderá haver uma competição destas, mas vai ser mais uma que alinhará ao lado das 24 Horas de Le Mans, com pilotos humanos a guiar máquinas potentes. Uma RoboRace é útil para a tecnologia que nos guiará, um dia, para o espaço sideral em enormes naves especiais, para escavar minas em asteróides, sem a presença humana, por exemplo. E isso é importante.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Formula 1 em Cartoons - O novo companheiro de equipa de Hamilton (Cire Box)

Com o anuncio do novo companheiro de equipa na Mercedes a tardar - a marca já disse que isso só vai acontecer em 2017 - há quem ache que deveriam pensar noutras alternativas. A RoboRace, nova competição que pretende dispensar o piloto, poderá ser uma boa alternativa para o lugar de Nico Rosberg...

"E se ele for o companheiro de equipa ideal de Lewis em 2017? Não pagamos salário, não há ordens de equipa, não há acidentes e conflitos... a tranquilidade!", diz um sombreado Niki Lauda.


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Youtube Motorsport Demonstration: DevBot, o protótipo autónomo

A Roborace vai ser uma realidade a partir de 2017, mas já existe um protótipo a ser testado pelas equipas com vista à sua aplicação, nas corridas de suporte da Formula E. O protótipo DevBot é um carro eletrico inteligente que se guia sem piloto, mas que ainda o tem para monitorizar tudo. 

De acordo com a organização do evento, o DevBot passa por permitir que as equipas desenvolvam o seu software e o hardware para o Robocar. E para além disso, o DevBot está equipado com o mesmo sistema propulsor, sensores, computadores e tecnologia de comunicação do Robocar.

E o carro? Será apresentado no final do ano, com o modelo a ser desenhado por Daniel Simon. Por agora, podem ver o video do DevBot, filmado em Silverstone.