quarta-feira, 23 de abril de 2008

Extra-Campeonato: Terramoto em São Paulo

O Brasil, por norma, não é palco de catástrofes naturais desta natureza. Mas por volta das 18 horas de ontem, um sismo de magnitude 5.2 na escala de Richter abalou cinco estados brasileiros e a cidade de São Paulo, a maior metrópole da América Latina. O epicentro do sismo foi no Oceano Atlântico, a cerca de 215km da cidade de São Vicente, no estado de São Paulo e a 10km de profundidade na crosta terrestre. Foi o sismo mais forte que o país sentiu em 85 anos.

Houve mais susto do que estragos materiais (rachaduras nas paredes e evacuação de prédios mais frágeis por precaução). Mas o impacto psicológico ficou: desde ontem à noite que o sismo é o assunto em destaque nas rádios e televisões da zona, e centenas de pessoas acorreram a Internet para registar as suas impressões sobre o terremoto. Em menos de uma hora, estava aberta uma comunidade no Orkut (o Hi5 lá do sitio) - 'Terremoto 22/4/08 - Sobrevivi!', com mais de 200 utilizadores registados. Até já começaram a fazer-se t-shirts, "comemorando" o acontecimento...


Bom, a unica coisa que posso dizer aos meus amigos brasileiros, para além da minha solidariedade, é esta: bem-vindos ao clube! Afinal de contas, eu vivo num país onde de quando em quando se sente uns terramotos (o sul de Portugal fica na zona de colisão entre as Placas Europeia e Africana), e ainda temos os Açores (não falem disto a um açoriano. Eles riem-se na vossa cara.), que frequentemente sofrem abalos sismicos. Aliás, a cidade de Angra do Heroísmo foi arrasada no Dia de Ano Novo de 1980...

GP2 - A antevisão

Este fim de semana começa no Circuito de Montemeló, nos arredores de Barcelona, mais um campeonato de GP2, que muitos afiguram como um dos mais equilibrados de sempre. Numa altura em que se estreia o novo carro da Renault, que vai ficar até 2010, muitas são as perguntas que estão no ar: Quem será o favorito? Quem se surpreenderá? Até que ponto haverá equilibrio?


Em relação aos favoritos, temos que apontar os repetentes como os principais candidatos à vitória. Nomes como o brasileiro Bruno Senna, o italiano Luca Fillipi e Giorgio Pantano (já com passagem pela Formula 1), o indiano Karun Chandook, o inglês Mike Conway, o russo Vitaly Petrov, são alguns dos pilotos que podem aspirar ao título.

Já para nós, a GP2 vai nos interessar devido ao envolvimento de Alvaro Parente. O actual campeão da World Series by Renault alinha este ano na Super Nova, ao loado do dinamarquês Christian Bakkerud, e sendo uma equipa veterana nesta categoria, tal como a DAMS. Mas as equipas favoritas são a ART e a iSport. Na primeira estão Luca Fillipi e Romain Grosjean, o francês que há algumas semanas atrás ganhou o título da GP2 Asia, enquanto que na segunda estão alojados Chandook e Senna.

Em entrevista ao jornal português Autosport, Parente falou das suas aspirações e expectativas sobre o que pode acontecer esta temporada: "o meu objectivo será chegar o mais à frente possível. Para a primeira corrida vamos concentrar-nos em encontrar amelhor afinação o mais rapidamente possível". afirmou.

A adaptação do carro teve alguns obstáculos: "a direcção, que é mais pesada do que estou habituado. Como houve muitos pilotos a reclamar, aDallara fez algumas alterações, mas tive que aumentar o meu regime de preparação física".

E quanto ao equilibrio do actual pelotão? "As equipas que se têm mostrado mais competitivas, como a iSport, ou a ART, devem continuar nos lugares cimeiros", comentou. E quanto ao calendário, tem uma ambição: "Espero também andar bem no Mónaco, pois gostaria de repetir a vitória da World Series by Renault". concluiu.

Outras equipas a ter em conta são a Campos Grand Prix e a Racing Engeneering. A Campos tem Petrov e o inglês Ben Hanley, que não tem sido grande coisa no último GP2 Asia. Já a Racing Engeneering, de origem espanhola (tal como a Campos), tem doi veteranos como dulpa: Pantano e o espanhol Javier Villa.

Também se pode falar de outras cartas no baralho, como a Arden, que tem como dupla o suiço Sebastian Buemi ao volante, acompanhado pelo holandês Yelmer Buurman.

Eis o calendário completo:


26/27 Abril - Barcelona
10/11 Maio - Istambul
25 Maio - Monaco
21/22 Junho - Magny Cours
5/6 Julho - Silverstone
19/20 Julho - Hockenheim
2/3 Agosto - Budapeste
23/24 Agosto - Valência
6/7 Setembro - Spa-Francochamps
13/14 Setembro - Monza

Mulheres Corredoras - Bia Figueiredo

Depois da vitória de Danica Patrick, andei a ver outras mulheres corredoras com potêncial para serem tão boas ou melhores do que ela. E acabei por descobrir uma, vinda de um país algo improvável: o Brasil. Pois é, hoje vou apresentar-vos a Bia Figueiredo.

Ana Beatriz Caselato Gomes de Figueiredo nasceu a 18 de Março de 1985, em São Paulo, no Brasil. Começou a sua carreira cedo, aos 9 anos, no karting. Até 2002, correu em campeonatos estaduais, nacionais, sul-americanas e mundiais, com boas classificações, sendo o melhor um vice-campeonato nacional, nesse ano.

Em 2003, passou para a Formula Renault brasileira, onde foi a "Rookie do Ano" e conseguiu duas voltas mais rápidas. No ano seguinte, acaba na quinta posição do campeonato de Formula Renault e em 2005 é terceira no campeonato, ganhando três corridas e fazendo quatro "pole-postions".

Em 2006, marcha para a Formula 3 sul-americana, onde consegue ser quinta no campeonato, com uma pole-position e cinco pódios no campeonato. O ano de 2007 é mais irrelevante, onde a melhor coisa que fez foi fazer um fim de semana de A1GP na China, onde não conseguiu grandes resultados.

No final de 2007 muda-se para os Estados Unidos, onde vai guiar para a Indy Pro Series, a categoria de acesso para a IRL, a bordo de uma das melhores equipas da categoria, a Sam Schmidt Motorsports, tendo como seu companheiro Richard Antinucci, sobrinho do ex-piloto de Formula 1 Eddie Cheever.

E Bia (ou Ana Beatriz, como quer ser conhecida), já deu cartas: na segunda prova do ano, nas ruas de St. Petersburg, já subiu ao pódio, na terceira posição. E só não ganhou na corrida seguinte devido a um despiste. Actualmente, é quinta classificada na Indy Pro Series. Quem sabe se ela não será a grande rival de Danica Patrick num futuro próximo?

Fontes:

terça-feira, 22 de abril de 2008

Quem fala assim...

... não é gago! Pelo menos se atentarmos às declarações de Luca de Montezemolo, o presidente da Ferrari. Em declarações emitidas hoje à agência Reuters, ele afirmou que não desejaria ter Fernando Alonso na Scuderia, ao lado de Kimi Raikonnen, pois para ele, acima de tudo estão os resultados da equipa.

"Fazer a alinhar lado a lado Raikkonen e Alonso significaria prejudicarmo-nos a nós próprios." , referiu Montezemolo ao jornal italiano Gazzetta dello Sport.


Até prova em contrário, é uma declaração a afirmar a sua confiança na actual dupla de pilotos. Como ambos já ganharam este ano e dão-se bem, é um contraste com o que aconteceu à McLaren em 2007. Montezemolo também é competente, um bom gestor com provas mais do que dadas, muito ao contrário do Commendatore... E com isso, talvez as hipóteses de Alonso na Scuderia no ano que vêm diminuiram bastante, não acham?

Extra-Campeonato: Quest, you naughty boy!

Richard Quest é daqueles tipos que dá gozo vê-lo. Jornalista (embora licenciado em Direito), trabalou durante muitos anos na BBC, nomeadamente na área financeira. Desde 2001 é jornalista da CNN, fazendo programas como o "Business International" e o "Quest". De estilo um pouco excêntrico, sempre gostei da sua abordagem jornalistica, um pouco mais excêntrica do que o normal.

Contudo, essa excêntricidade apanhou-o. Na passada sexta-feira, a policia de Nova Iorque apanhou-o no Central Park, nu, com uma corda no pescoço e outra nos genitais, um brinquedo sexual aos seus pés e em companhia masculina. Nada de anormal (Quest é homossexual assumido), mas o anormal desta situação é que ele foi apanhado com posse de droga, mais concretamente, mentafetamina. E por causa disso, a NYPD deteve-o e depois foi libertado sob fiança.

Agora, decidiu tirar seis meses de licença sabática para fazer uma "terapia" (de tudo, presume-se), começo a perguntar-se se aquele estilo era mesmo dele ou era de estimulante. Caso seja a segunda hipótese, qual será? A das cuecas de aço?

Noticias: Pilotos temem regulamentos de 2009

Após os testes da semana passada, em Barcelona, onde se experimentaram algumas das regras de 2009, como os pneus "slicks" e o aquecimento sem os cobertores, os pilotos do actual pelotão e o ex-piloto Michael Schumacher expressaram as suas apreensões em relação aos novos regulamentos, especialmente no que respeita à proibição dos aquecedores:


O presidente da Grand Prix Drivers Association (GPDA), Pedro de la Rosa, deixou bem claro considerar a não utilização do pré-aquecimento dos pneus perigosa, "porque é impossível andar a umnível aceitável na primeira volta, quando saímos das boxes. Sendo três ou quatro segundos por volta mais lentos do que é normal, seremos como chicanes móveis, mas quando os pilotos estiverem a lutar por uma posição, as coisas serão ainda mais complicadas.", disse em declarações captadas pelo Autosport português.


Jà Michael Schumacher alinha no mesmo diapasão: "Só os pilotos é que vão perder se esta regra não for revista. Toda a gente tem dezenas de cobertas para pneus e ninguém vai poupar dinheiro se não as utilizarmos. Dificultam a vida aos pilotos, pioram a segurança e ninguém ganha nada com esta nova regra."


Jà Giancarlo Fisichella decidiu usar o humor para dizer o que pensa dos novos regulamentos, repetindo o que já tinha dito em Dezembro: "Manter o carro na pista na volta de saída das boxes é só o segundo problema que temos para resolver. Porque o primeiro é evitar acertar no muro das boxes quando aceleramos!"


Uma coisa é certa: até Dezembro, há muito trabalho pela frente, e tem que se fazer muito para que as coisas corram bem já em 2009, sob o risco de termos situações muito complicadas na próxima época...

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O "caso do dia" continua, parte II

O jornal Público continua hoje a comentar a sua "noticia" sobre o subsidio de dois milhões de Euros dados ao Tiago Monteiro, quando da sua passagem pela Formula 1 em 2005 e 2006. Desta vez, colocam as declarações do secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, que afirmou que foi um acto perfeitamente normal.



"'Foi um acto da mais completa normalidade, foi publicado na relação de participações financeiras que fizemos em 2006 a todas as federações e todos os eventos desportivos', afirmou Laurentino Dias à margem de um almoço com a selecção portuguesa de judo, que recentemente participou no Europeu da modalidade, em Lisboa."


(...) "'Esse foi o apoio possível do Estado na participação de Portugal na Fórmula 1. Foi numa altura em que o Estado verificou que não havia nenhuma empresa disponível para conceder esse apoio último e o Estado teve que cumprir a sua obrigação', explicou Laurentino Dias, lembrando que o montante em causa, na Fórmula 1, corresponde 'quase a um nome no retrovisor de um automóvel'".

Os comentários dos leitores? A santa ignorância do costume. Todos a dizerem que "enquanto se fecham hospitais e escolas, dão-se milhões a um queque do Porto para correr entre o devagar e o devagarinho". Primeiro que tudo, o subsidio foi dado antes deste governo ter decidido fechar escolas com menos de cinco alunos e maternidades onde nasciam menos de um bebé por dia (os acontecimentos são de 2005, os fechos começaram em 2006). Quando não se faz o devido contexto dos eventos, as pessoas confundem alhos com bugalhos e ainda pensam que o Tiago ainda corre na Formula 1. Sim, num país onde para assistir a um Grande Prémio, temos que pagar mais um extra na TV Cabo, é obvio que as pessoas ainda pensam que o Tiago corre na Formula 1...


Dou - vos outro exemplo: o torneio de ténis do Estoril, que este ano foi ganho pelo Roger Federer, é disputado há quase 20 anos num estádio com bancadas provisórias. Há anos que se luta para que o Estado (o complexo do Jamor é propriedade do Estado) construa lá um "court central" definitivo. Esse sim, é um verdadeiro escândalo. Não sei quando é que isso vai para a frente, mas já começaram a dizer que tal coisa "é um desperdício de dinheiros públicos", com as ladaínhas do costume. Garanto que esse estádio seria tudo, menos um elefante branco...


Este foi um dos melhores investimentos que este Estado poderia fazer, por este montante, para promover o turismo e o nome de Portugal. Muito melhor que os "Allgarves" do Pinho e quejandos... Se o carro tiver o nome “Portugal” de alguma forma evidenciado, faz publicidade junto de um público que nos interessa bastante, e tem um impacto em termos de números de pessoas enorme. A santa ignorância ignora isso. Estas pessoas têm que começar a lembrar que sem o Desporto, o nome de Portugal lá fora não valeria nem um centésimo do que é hoje. E estariamos muito mais miseráveis que somos agora.

As novas do Autódromo do Algarve

Poucos meses depois do lançamento da construção do Autódromo de Portimão, recebi ontem, via mail, as mais recentes fotografias do andamento da obra. foram tiradas pelo Pedro Branco, ao qual, desde já, agradeço. Já andava com ideias de pedir à "vasta audiência" se alguém tinha visitado por estes dias as obras do Autódromo. Agora, sei que alguém fez esse favor, ufa!


Pelas fotos, que já agora, foram tiradas este fim de semana, mostram essencialmente a zona da parte de trás bancada principal (foto 1), e zona da recta da meta, com a bancada central logo em frente (foto 2). Vê-se que até Novembro há muito que fazer, mas que as obras estão a todo o vapor...


Em breve, espero trazer mais fotos. Até lá!

IRL - Ronda 4, Long Beach

A última prova da história da CART terminou com um australiano como vencedor. Will Power foi o vencedor, dominando todas as 83 voltas do circuito, depois de superar Justin Wilson na partida da corrida disputada nas ruas da cidade californiana.


Se na liderança soube-se logo quem seria o vencedor, nas posições seguintes houve emoção. Justin Wilson não aguentou mais do que 12 voltas, o canadiano Alex Tagliani ficou em segundo, pressionando Power para a liderança, mas um erro na segunda paragem nas boxes fez com que caisse para o sétimo posto final. Quen se aproveitou disso foi o francês e ex-piloto da Super Aguri, Franck Montagny, que ficou o segundo lugar até ao final da corrida.


A completar o pódio, o mexicano Mario Dominguez foi terceiro. Enrique Bernoldi foi o melhor dos brasileiros em pista, ao ser quarto classificado. Dos outros, Bruno Junqueira foi 12º, Antonio Pizzonia foi 16º, Roberto Moreno e Mario Moraes desistiram.


Agora que se desceu o pano à CART, a IRL volta com todos os seus pilotos na semana que vêm, na oval de Kansas City.

domingo, 20 de abril de 2008

A capa do Autosport desta semana

Ralies, GP2, IRL e Formula 1. Tudo num fim de semana interessante, onde o devido destaque é um Rali do Futebol Clube do Porto, do campeonato nacional de Ralies, onde Bruno Magalhães ganhou de fio a pavio, no seu Peugeot 206 S2000.


Destaque também vai para Alvaro Parente. A uma semana do inicio do campeonato GP2, vai-se saber quais são as expectativas que existem sobre o actual campeão da World Series by Renault. E tambem o jornal falará sobre a histórica vitória de Danica Patrick na oval japonesa de Motegi, a primeira mulher a ganhar uma corrida na principal categoria de "open wheels" nos Estados Unidos.

Ainda o "caso do dia" para o jornal Público...

Como seria de esperar, num país que está mais preocupado com os tiros nos pés de um partido laranja ou nas falcatruas de "salvadores da pátria", ninguém ligou nenhuma à "caixa" que o jornal Público meteu na sua primeira página. Aliás, nem mesmo o próprio jornal pega no assunto...



Porém, há uma excepção: o "Diário de Noticias" de hoje falou que o apoio de dois milhões de Euros fez parte de um pacote de mais empresas, totalizando cerca de 12 milhões de Euros, o suficiente para pagar um lugar no pelotão da Formula 1. Quem o afirmou foi Duarte Cancella de Abreu, que ajudou o Tiago na sua aventura na Formula 1.



Ele afirma que um dos pontos do acordo era a distribuição de "merchandising" com o logotipo do Turismo de Portugal nos vários circuitos do pelotão. Diz que distribuia uma média de 200 a 300 T-shirts, bonés e outros artigos. Pode ser uma ninharia, mas durante o tempo em que esteve na Formula 1, o nome de Portugal foi falado em todo o lado, nos 365 dias do ano.




Reparem, foi um patrocinio claro e sem espinhas. Foi devidamente noticiado, só que passou despercebido à maioria dos portugueses. E porquê? Ora, quando temos uma imprensa desportiva, como a nossa, onde 90 por cento das noticias são dedicadas ao futebol, qualquer iniciativa feita por outras modalidades passa completamente ao lado, e só olham para ela com "olhos de ver" quando alcançam um resultado relevante. O terceiro lugar do Monteiro, naquela pseudo-corrida em Indianápolis foi comemorado como se de uma vitória fosse, e onde se esqueceu do resto. Durante dois anos, as pessoas viam um logotipo do Turismo de Portugal na carenagem do carro, e ele fez publicidade ao Turismo português, ao lado do José Mourinho e da Mariza. Ainda se lembram disso?



Pois é, esquecem-se disso tudo no dia seguinte...



E por acaso já se esqueceram quanto custou construir 10 estádios de futebol do Século XXI, alguns de raíz, para receber um evento unico, que durou apenas quatro semanas? Foram quase 600 milhões de Euros. E que desses 10 estádios, seis são autênticos "elefantes brancos"? Dois milhões não são uma gota no deserto. São uma pechincha!


Outro facto: os nossos atletas que vão aos Jogos Olimpicos, alguns deles são devidamente patrocinados por empresas, recebem subsidios do Estado, desde bolsas até facilidades nos estudos. Porque é que não falam disso? Jà que acham que o patrocinio do Estado a um piloto de Formula 1 "é um escândalo", porque não falar dos nossos atletas olimpicos, todos subsidiados pelo Estado?



No fim, chegamos à mesma conclusão: o jornal "Público" fez um péssimo serviço. Como disse o forista Cagado1, no Fórum do Autosport: "Cada vez mais a imagem do jornalista de referência em Portugal assume contornos de um Homer Simpson bem falante que se dedica a mexer-se o menos possível da sua secretária."


Salvo os devidos exageros, não me admiraria que o jornalista que fez o artigo, que falou com o pai do Tiago e com outras fontes governamentais, deve ter feito sem sequer levantar o rabo da cadeira para falar com as pessoas. Porque é que não falou com o Duarte Cancella de Abreu ou com os seus colegas especializados? Não lhe convinha, não é? Ora, para uma coisa dessas, basta eu, que não tem guita nenhuma e escreve este blogueco...



E quando leio as reacções dos "leitores", no mesmo canto do jornal, não faz nem rir nem chorar. Faz-me corar de vergonha com a ignorância que lá anda.



Honestamente, espero que o Alvaro Parente e o Filipe Albuquerque consigam chegar à Formula 1. E que os proprietários do Autódromo de Portimão consigam trazer de volta o Grande Prémio de Portugal, pois sei que ambos seriam excelentes mais-valias para o nosso país. E muito mais lucrativos que os "elefantes brancos" chamados estádios. Ao Estado português, quero fazer um pedido: não hesitem em ajudá-los! É muito melhor investimento que este futebol macrocéfalo, que vive acima das suas posses, que vive obcecado pelo "penalty" e vê vigaristas a surgir em cada esquina...



Caros governantes, continuem a apoiar o nosso automobilismo. Apesar de ser um desporto poluente, é um investimento seguro e honesto. As multidões são bem comportadas, são cultas e educadas, não são controladas à entrada e saída dos autódromos, não há claques fanáticas, não há corrupção (somente espionagem industrial e taras de dirigentes). Garanto até que esses investimentos são uma pechincha, comparada com o retorno em termos de mercado. Afinal, num país sem industria relevante, o Sol, as pessoas e a História são o nosso trunfo. E as 19 milhões de pessoas que nos visitam todos os anos são a melhor prova disso...

IRL - Ronda 3, Motegi (2ª parte)... e um pouco de Long Beach

E à segunda tentativa... fez-se história! Danica Patrick tornou-se, esta madrugada, na primeira mulher a ganhar uma prova da IndyCar, e também na primeira mulher a ganhar um evento importante no automobilismo desde 2003, altura em que Jutta Kelinschmidt ganhou o Rali Dakar.


Sem chuva a atrapalhar, a prova foi mais tática que emocionante. Na volta 150, Danica foi para as boxes, onde encheu o depósito, assim evitando um "splash and dash" que o então líder, o neozelandês Scott Dixon, fez a 11 voltas do fim. Economizando combustível até então, partiu logo para o ataque, passando o então lider, o brasileiro Helio Castroneves, na penultima volta. Dixon acabou em terceiro.


Agora que Danica Patrick venceu a primeira corrida, os seus fãs já não lhe perguntam quando vai ganhar, mas sim quando vai ganhar outra. Que impacientes... No campeonato, Castroneves é o lider, com 112 pontos, seguido por Dixon, com 100 e Danica com 98.


Entretanto, no final desta tarde vai haver o GP de Long Beach, reservada apenas para os carros da ex-CART, e onde Justin Wilson, da Newman-Haas, largará da pole-position, batendo o canadiano Alex Tagliani. O melhor brasileiro na grelha é Enrique Bernoldi, que vai sair da oitava posição da grelha.

Extra-Campeonato II: Corridas fora do vulgar

Nâo é só na publicidade que encontro coisas esquisitas. É também nas corridas.




Está está hoje no Blog do Ico. É uma tipica tarde de corridas, realizadas no circuito de Zandvoort, no dia 1 de Agosto de 1978, algumas semanas antes da Formula 1 chegar nesse circuito. Casa cheia, uma tarde bem passada, e entre os concorrentes estava o futuro piloto de Formula 1 Huub Rothengarter. Mas o fora do vulgar no meio disto tudo são o tipo de corridas que eles fazem. Um espectáculo!

Extra-Campeonato: Publicidade fora do vulgar

Já vi muito anuncio, mas apesar de este ser um pouco amador, este é muito melhor do que muitos dos que andam a ser feitos pelas agências. E dá para umas risadas, apesar de ser um assunto sério!

O piloto do dia - Phil Hill

A pessoa que hoje vai ser referênciada é um piloto que hoje em dia conhecem por ser o primeiro americano a ser campeão do mundo de Formula 1. Mas o que muitos não sabem é que ele é muito mais do que isso. Tem a particularidade de ter ganho na primeira e última competição que participou, foi vencedor das 24 Horas de Le Mans e das 12 Horas de Sebring por três vezes, e foi um dos melhores pilotos jamais pilotou na Ferrari. E porque hoje faz 81 anos, falo de Phil Hill.

Phil Toll Hill Jr. nasceu a 20 de Abril de 1927, na cidade de Miami, na Florida. aos 9 anos, mudou-se com a familia para Santa Monica, na California, onde parendeu a conduzir automóveis em tenra idade. Cedo se tornou numa verdadeira obssessão, e aos 19 anos, em 1946, foi um dos doze fundadores do California Sportscar Club, e era dono de um MG TF. Em 1948, participa na sua primeira prova, no Carrell Speedway, perto de Los Angeles, onde foi o vencedor.

Dois anos depois, participa na primeira corrida em Peeble Beach (agora sede de uma exposição de automóveis antigos, o mais famoso da América), e em 1952, corre num Ferrari privado, de Allen Guiberson, na Carrera Panamericana, onde termina em sexto. No ano seguinte, participa pela primeira vez nas 12 Horas de Sebring, de novo num Ferrari, onde não consegue terminar a corrida. Algum tempo depois, na Panamericana desse ano, ao lado de Richie Ginther, sobreviveram por sorte a um acidente com um Ferrari 340 Mexico Vignale.

Em 1954, continua nas corridas de sport, onde obteve boas prestações nas 12 Horas de Sebring e na Carrera Panamericana, ainda com Ginther a seu lado. Na corrida mexicana, acaba em segundo, atrás de Umberto Magioli. No inicio de 1955, depois de acabar em segundo as 12 Horas de Sebring, com Carrol Shelby como seu companheiro, Luigi Chinetti, o homem da Ferrari nos Estados Unidos, convida-o para fazer parte da NART nas 24 Horas de Le Mans. Nâo caba a corrida, e assiste ao horrivel acidente de Levegh, que mata mais de 80 pessoas no circuito francês. No final de 1955, vai às Bahamas e ganha a Speed Week de Nassau.

Isso foi o suficiente para que Chinetti desse boas referências dele a Enzo Ferrari, e lhe desse um carro oficial para as 1000 km de Buenos Aires, onde correria ao lado do belga Olivier Gendebien. Acabaram em segundo. A partir daqui, torna-se num dos pilotos oficiais da Ferrari para os Carros de Turismo, indo viver para Itália. Guiando para a equipa oficial, e com pilotos que iam desde o Marquês Alfonso de Portago, até ao francês Maurice Trintignant, passando pelos pilotos da casa Umberto Magioli e Eugenio Castelloti, Hill acaba em terceiro nos 1000km de Nurburgring, desiste nas 24 Horas de Le Mans e ganha o GP da Suécia.

Depois de uma temporada 1957 sem grande história, a de 1958 é totalmente diferente: começa em Janeiro, ao ganhar os 1000 km de Buenos Aires e as 12 Horas de Sebring, tendo como companheiro o inglês Peter Collins. Em Junho, torna-se no primeiro americano a ganhar as 24 Horas de Le Mans, tendo Olivier Gendebien a seu lado. Nesta altura, começava a ficar frustrado pelo facto de Enzo Ferrari não lhe dar uma hipótese de guiar um dos seus carros de Formula 1. Assim sendo, a sua estreia, no GP de França em Reims, onde terminou na sétima posição, foi a bordo de um Maserati 250, inscrito pela Ecurie Bonnier.
Contudo, a sua chance de guiar pela Scuderia não tardava, mais pelas circunstâncias trágicas: Em pouco mais de três Grandes Prémios, o italiano Luigi Musso (Reims) e o inglês Peter Collins (Nurburgring) sofriam acidentes fatais, e Enzo Ferrari deu-lhe um volante, com instruções para ser o escudeiro de Mike Hawthorn, na sua caminhada para o título mundial. Em Monza, palco da sua estreia, causou boa impressão, lutando com Hawthorn, Stirling Moss e Stuart Lewis-Evans (ambos pela Vanwall) pelas posições da frente. No final, Hill foi terceiro e fez a volta mais rápida da corrida.

Na corrida seguinte, em Marrocos, repete o terceiro lugar, mas tem que ficar atrás de Hawthorn para que o inglês pudesse ganhar o título mundial, já que o seu principal rival, o seu compatriota Stirling Moss, tinha que ganhar e rezar para que o seu adversário ficasse abaixo do terceiro lugar. Assim não aconteceu e Hawthorn pode retirar-se com o título no bolso. Os nove pontos alcançados deram-lhe o 10º posto final.

Em 1959, as coisas na Ferrari foram um pouco piores, pois era uma altura cem que os Coopers de motor traseiro começaram a dominar os circuitos do Mundial. Phil Hill conseguiu três pódios e uma volta mais rápida em Monza, terminando no quarto posto do campeonato, com 20 pontos. Em 1960, as coisas correriam melhor, ao ganhar no inicio do ano os 1000 km de Buenos Aires, e na época de Formula 1, ganha a sua primeira prova, em Monza. Acaba a temporada na quinta posição, com 16 pontos e uma volta mais rápida.

No inicio de 1961, novos regulamentos entravam em acção, onde os motores eram de 1.5 Litros. A Ferrari, que se tinha empenhado para construir uma máquina vencedora logo na sua primeira temporada, apresentou o Tipo 156 "Nariz de Tubarão": pronto na primeira prova, no GP do Mónaco, começou a ganhar corridas na prova seguinte, na holanda, através de Wolfgang Von Trips. Phil Hill ganharia a prova seguinte, na Belgica, e acaba em segundo em Aintree e em terceiro no Nurburgring. Entretanto, nos Turismos, ganha pela segunda vez as 24 Horas de Le Mans, com Gendebien ao seu lado. No inicio desse ano, ambos tinham ganho as 12 Horas de Sebring.

Quando a Formula 1 chega a Monza, a luta pelo título era entre Hill e von Trips. Todos sabiam que o título ficaria nas mãos da Ferrari, restava saber quem seria o piloto que levaria o ceptro. Von Trips era o favorito, mas na volta 2, depois de se ter atrasado na partida, tem uma colisão com o Lotus de Jim Clark, e o seu Ferrari desgovernado vai para cima dos espectadores, matando a ele e a mais 14 espectadores. Phil Hill ganha a corrida e conquista o título, com 34 pontos, mas as comemorações foram amargas.

Em 1962, o Tipo 156 continuava, mas cedo foi batidos pelas máquinas britânicas da Lotus, com o seu modelo 25, e o BRM P57, que iria dar a Graham Hill (sem relação de parentesco) o seu título mundial. O melhor que o piloto americano conseguiu foram três pódios, sendo o melhor um segundo lugar no Mónaco. Nos Turismos, ganha uma terceira vez as 24 Horas de Le Mans, mas era um paliativo para o que acontecia na equipa. Entretanto, as tensões dentro da Ferrari agudizavam entre Enzo Ferrari e parte da sua equipa técnica, e no final do ano, um grupo de engenheiros, liderado por Carlo Chiti, pelo projectista Giotto Bizzarini e pelo manager Romolo Tavoni, entre outros, saem da Ferrari para fundar a Automobili Turismo e Sport (ATS).

Phil Hill e Giancarlo Baghetti juntaram-se a eles, julgando que assim poderiam desafiar a Ferrari no seu campo. Os resultados foram desastrosos, e nenhum dos dois conseguiu qualquer ponto. Em 1964, passou para a Cooper, mas os seus dias de glória de ambos (piloto e equipa) já iam longe. Hill apenas conseguiria um sexto lugar em Brands Hatch. Entretanto, ajudava a Ford a desenvolver o projecto GT40 para tentar bater os Ferrari em Le Mans.

Em 1966, junta-se a outro americano, Jim Hall, que desenvolvia o protótipo Chaparral, que iria ter mais tarde uma radical asa traseira, o primeiro carro de turismo a ter um desses dispositivos, bem antes da Formula 1. Hill, com Jo Bonnier a seu lado, ganhou os 1000 km de Nurburging, a bordo de tal carro. ainda ganhou mais uma prova importante, o BOAC Race of Champions de 1967, de novo no Chaparral, e ao lado do inglês Mike Spence, antes de pendurar o capacete de vez.

Regressado aos Estados Unidos, tornou-se comentador no canal de TV ABC, abriu uma parceira com Glenn Vaughn uma oficina de recuperação de carros antigos, e mais recentemente tornou-se colaborador para a revista Road & Track Magazine. Ainda serve como membro do juri no concurso de Pebble Beach, onde desfilam os mais belos e valiosos carros antigos da actualidade.

Teve um filho, Derek, que em tempos tentou seguir os passos do seu pai, mas após três más temporadas na Formula 3000 europeia, em 2004, voltou aos EUA e trabalha como instrutor de condução na California.
Fontes: