terça-feira, 2 de agosto de 2022

Alpine: Equipa confirma Piastri como piloto titular... logo desmentido pelo piloto!


A Alpine confirmou esta terça-feira que o australiano Oscar Piastri é seu piloto para a temporada de 2023, substituindo o espanhol Fernando Alonso. O anúncio é feito um dia depois do asturiano de 41 anos ter dito que iria correr pela Aston Martin em 2023.

Otmar Szafnauer, Director da Equipe BWT Alpine de F1, comentou sobre o piloto de 21 anos, considerado por muitos como um grande talento: 

“Oscar é um talento brilhante e raro. Estamos orgulhosos de o ter feito crescer e apoiado ao longo da sua carreira. Através da nossa colaboração ao longo dos últimos quatro anos, vimo-lo evoluir para um piloto que está mais do que pronto para subir à Fórmula 1. No seu papel de piloto de reserva, tem estado com a equipa na pista, na fábrica e em testes, onde demonstrou a maturidade e rapidez necessárias para assegurar a promoção. Juntos acreditamos que a nossa dupla proporcionará a continuidade necessária para alcançarmos o nosso objetivo a longo prazo de lutar por vitórias e títulos”.

Contudo, pouco depois deste anúncio, o piloto australiano afirmou na sua conta do Twitter que isto aconteceu... sem o seu consentimento!

"Acabei de saber no final desta tarde que, sem o meu consentimento, a Alpine F1 divulgou um comunicado de imprensa no qual estarei pilotando para eles no próximo ano. Isso está errado e não assinei contrato com a Alpine para 2023. Não serei piloto deles na próxima temporada", disse o piloto australiano, na sua conta do Twitter.

Segundo se conta nos bastidores, Piastri poderá ter assinado um pré-acordo com a McLaren para a próxima temporada. A razão tem a ver com Mark Webber, ex-piloto e agora seu manager, que insatisfeito por a Alpine não lhe ter dado os testes que tinha garantido sob contrato - cerca de cinco mil quilómetros, num carro de 2021 - decidiu partir para outros lados, perguntando quem estaria interessado no seu pupilo. A McLaren, que está a abril um vasto rol noutras categorias - IndyCar e em breve, a Endurance - quer ter alguns pilotos debaixo de sua asa para poder decidir quem serão os melhores. 

Só que estão a entrar em alguns problemas contratuais, como aconteceu há algumas semanas com o espanhol Alex Palou, o campeão de 2021 da IndyCar, que é da Chip Ganassi, mas assinou um acordo com a equipa de Woking em 2023, pensando na chance da Formula 1. Mas não avisou os responsáveis da Chip Ganassi, que decidiram processá-lo!


De qualquer forma, Piastri, de 21 anos, e natural de Melbourne, faz parte da equipa de Enstone desde 2018, onde primeiro, triunfou no Campeonato da Eurocup de Fórmula Renault em 2019, para depois vencer o Campeonato de Fórmula 3 da FIA de 2020, vencendo três títulos de pilotos consecutivos ao conquistar o ceptro do Campeonato de Fórmula 2 da FIA na temporada de 2021.

Promovido como piloto de reserva da Alpine no início da temporada de 2022, desde então tem sido submetido, sob a orientação da equipa e com o seu completo apoio financeiro, a um programa de treinos intensivos e abrangente de testes privados no chassis A521 de 2021, que venceu um Grande Prémio, e no simulador da fábrica, em Enstone, no sentido de o preparar para o próximo grande passo, que é a Formula 1.

Resta saber... em qual equipa.

No Nobres do Grid deste mês...


Quando começarem a ler estas linhas, é provável que Kalle Rovanpera já tenha triunfado em mais um rali do WRC, já que o Rali da Finlândia acontecerá no final deste mês. Depois de um tempo onde os franceses Sebastien Loeb, e depois, Sebastien Ogier, terem dominado o panorama mundial dos ralis, o WRC, parecia que o equilíbrio seria a norma. Contudo, a temporada de 2022 ainda chegou a meio e em sete ralis, cinco deles foram ganhos por um prodígio dos ralis que está a caminho de ser o mais novo campeão do mundo de sempre. 

Mas o que está por trás disto é alguém que, sendo filho de um piloto de ralis, começou desde muito cedo a se preparar para este momento." (...) 

Quando refiro a "muito cedo", falo de ele, aos nove anos, andar num Toyota Startlet com o assento modificado para acomodar a sua curta altura, com um navegador ao lado. Os percursos poderiam ser fechados, em lagos congelados no inverno, mas via-se que, desde cedo, aprendeu a andar num carro de ralis e a ver como é que o carro funcionava e fazer as devidas reparações em casos de avarias e acidentes. Aos 17 anos, ele conseguiu uma autorização especial da Federação finlandesa de automobilismo para poder participar numa prova do WRC, em 2017, e desde 2020 que anda a espalhar classe ao volante de um Toyota Yaris Rally1.

E é sobre Kalle Rovanpera, este prodígio vindo da Finlândia que conto este mês no Nobres do Grid. 

Youtube Formula 1 Video: As comunicações da Hungria

O fim de semana húngaro esteve cheio de coisas interessantes em terlos de comunicação entre piloto e equipa, especialmente quando tivemos um Sergio Perez a espirrar enquanto fazia uma volta rápida num dos treinos livres!

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

A imagem do dia


Sejamos honestos: todos fomos apanhados de surpresa com o anúncio desta segunda-feira da chegada de Fernando Alonso à Aston Martin, em 2023. Mas a realidade, lendo especialmente este artigo da Autosport britânica, pode-se explicar estas movimentações como uma questão de oportunidade e de não perder tempo. É que entre o anúncio da retirada de Sebastian Vettel e este anúncio não demorou mais que cinco dias. O alemão anunciou a retirada na quarta-feira a Lawrence Stroll, na véspera do anúncio público, e a partir dali a máquina se colocou em movimento, para evitar todo um mês (ou mais) de especulações. Trataram tudo o mais rapidamente possível.

Mas para tratar isso de um dia para o outro, digamos assim, então, já deveriam ter uma ideia. Não digo que o alemão tivesse avisado que iria embora antes da data prevista, mas se creio que umas simples observações sobre o seu comportamento, ao longo desta temporada, poderiam entender tal coisa. E não ficaria admirado se não tivessem andado a "apalpar o terreno" para saber da abertura de uma possível entrada deste ou daquele piloto para a equipa a partir de 2023. Quero acreditar - e tudo indica nesse sentido - que Alonso era o plano A.

Mas há outra boa chance porque Alonso aceitou o desafio da Aston Martin. A Julianne Cerasoli, no seu Twitter, falou que desde há algum tempo que o piloto espanhol queria um contrato de duas temporadas para continuar, algo do qual a Alpine não queria, apenas uma temporada, dada a sua idade. Numa situação onde ambos os lados ainda estavam num impasse, a situação da equipa de Silverstone deverá ter sido a que Lawrence Stroll ter dado as condições que ele queria. Ou seja, correr até à temporada de 2024 e se calhar, ainda mais. Nessa altura, ele terá 43 anos, a idade que Michael Schumacher tinha em 2012, a sua última temporada na Formula 1.

Agora que sabemos disto tudo, resta saber o que ele fará numa equipa que em 2022, é nona no campeonato, com 20 pontos. Os pilotos entram ali para serem mais valias. Alonso terá de entrar ali para mostrar que com ele, a equipa evolui. E o seu currículo, por mais impressionante que seja, tem problemas grandes. O primeiro dos quais é que não vence corridas desde 2013, em Espanha, e desde 2015 que não consegue melhor posição que décimo na geral, que é onde está agora, nesta temporada.

A sensação que tenho disto tudo? Ao apostar na experiência, poderá ser que consiga evoluir alguma coisa nos carros verdes. Mas não no sentido de pódios ou vitórias. O seu tempo, receio bem, poderá ter passado.   

Noticias: Aston Martin confirma Fernando Alonso para 2023


A Aston Martin não perdeu tempo: depois de, na quinta-feira, Sebastian Vettel ter anunciado a sua retirada no final da temporada, esta segunda-feira anunciou que Fernando Alonso será seu piloto para 2023, correndo ao lado de Lance Stroll. A duração do contrato será, aparentemente, de "várias temporadas".   

"Toda a equipa está muito entusiasmada para trazer a incrível experiência de Fernando e o ritmo fantástico, assim como a sua experiência de corrida. O recrutamento de um talento especial como o do Fernando é uma clara declaração de intenções de uma organização que se comprometeu a desenvolver uma equipa de Fórmula 1 vencedora.", disse a Aston Martin, em comunicado oficial.

Lawrence Stroll, o proprietário da equipa, afirmou que a contratação de Alonso faz parte de uma estratégia ambiciosa que pretende alcançar os triunfos, e também é a concretização de uma aspiração antiga.  

“Conheço e admiro o Fernando há muitos anos e sempre foi claro que ele é um vencedor empenhado como eu. Propus-me reunir as melhores pessoas e desenvolver os recursos e a organização adequados para ter sucesso neste desporto altamente competitivo, e esses planos estão agora a tomar forma em Silverstone. Pareceu natural, portanto, convidar o Fernando para fazer parte do desenvolvimento de uma equipa vencedora, estabelecemos muito rapidamente nas nossas recentes conversas que temos as mesmas ambições e valores, e foi fácil confirmar o nosso desejo de trabalhar em conjunto”.

Do lado do piloto, ele explicou que o projeto da Aston Martin é de alcançar os triunfos, apesar de neste ano, não esteja numa boa colocação em termos de campeonato - são nonos no campeonato, com 20 pontos.  

“A Aston Martin está claramente a aplicar a energia e o compromisso de vencer, e é por isso uma das equipas mais excitantes da Fórmula 1 atualmente. Conheço Lawrence e Lance há muitos anos e é óbvio que eles têm a ambição e a paixão de ter sucesso na Fórmula Um. Tenho observado como a equipa tem atraído sistematicamente pessoas com pedigree vencedor e tomei consciência do enorme empenho nas novas instalações e recursos em Silverstone. Hoje, ninguém mais na Fórmula Um demonstra uma visão maior e um empenho absoluto em vencer e isso torna-se numa oportunidade excitante para mim”, começou por dizer o piloto das Astúrias, em comunicado oficial.

“Ainda tenho fome e ambição de lutar para estar na frente e quero fazer parte de uma organização empenhada em aprender, desenvolver e ter sucesso. Todos nós sabemos que há muito a fazer para chegar à frente, que devemos aplicar toda a nossa energia no trabalho conjunto para encontrar performance. A paixão e o desejo que vi convencem-me a manter o meu prazer e empenho no desporto. Pretendo vencer novamente e, por conseguinte, tenho de aproveitar as oportunidades que me parecem certas”, concluiu.

Alonso, de 41 anos, conhecerá em 2022 a sua quinta equipa na sua carreira, depois de Minardi, Renault (três vezes), McLaren (duas vezes), Ferrari.

domingo, 31 de julho de 2022

A imagem do dia


"Spin and win". Fazer um pião e triunfar. Já aconteceu no automobilismo. E hoje aconteceu mais uma dessas, graças a Max Verstappen, nesta tarde, na Hungria. Partindo de décimo na grelha, aproveitou bem a estratégia delineada por Hannah Schmitz, a engenheira da Red Bull, para aproveitar da melhor maneira a desvantagem que tinha à partida desta corrida.

Provavelmente, Max poderia pensar na vitória como algo difícil. Mas se calhar, um pódio poderia ser uma possibilidade. Mas depois desta corrida, a sua vantagem no campeonato alargou-se para 80 pontos, antes de ir para férias. Isto quer dizer que, se mantiver esta distância - ou até alargá-la - poderá ser bicampeão em Austin, no GP dos Estados Unidos, independentemente do que conseguir na corrida de sprint do GP de Itália.

Verdade: a Ferrari andou esta tarde a dar tiros nos pés, para desespero dos "tiffosi", porque não foi a primeira vez. E se calhar, nem será a última. E muitos que torcem pelos "vermelhos" queriam que isto fosse como no futebol: trocar tudo e todos de quatro em quatro corridas. Não é assim que funciona, estão na modalidade errada. Bem sei que eles estão a desesperar porque lhes disseram que tinham, por fim, um excelente carro e uma dupla de pilotos capaz. Mas depois querem que haja uma hierarquia, dar tudo ao Charles Leclrc e ao Carlos Sainz Jr, os restos, como acontecia nos tempos do Schumacher. 

Problema é que isto não funciona dessa maneira.

E chegados às "férias de verão", o mais interessante é que Max tem toda esta distância depois de ter conseguido... 25 pontos após as três primeiras provas do ano. Ainda se lembram disso? E Leclerc tinha 71? Chegamos à conclusão de que ele conseguiu transformar estes 36 pontos de desvantagem em 80 de avanço. Agora imaginem se tivesse ficado na frente do monegasco, ou pontuado nas corridas do Bahrein e da Austrália...

Recuperar de um início destes não é para qualquer um. É para quem tem estofo de campeão. E Max, por muito que os seus "antis" não queiram ver, tem esse estofo.

Agora, o que o regresso das férias acabará por nos trazer? O neerlandês tem uma almofada valiosa do qual irá trazer multidões de gente aos circuitos de Spa e de Zandvoort. Se conseguir triunfar nesses dois, alarga a sua vantagem e se calhar, esperará sentado pelos erros dos outros, se fizerem. E quando acabar as corridas europeias e desembarcarem em Singapura, no início de outubro, é provável que andaremos a contar as corridas até ao "match point" de 2022. E da maneira como as coisas andam, o neerlandês e a Red Bull podem alugar o COTA (Circuit of the Americas), em Austin, para os festejos de campeão. 

Formula E: Di Grassi foi o melhor na segunda corrida de Londres


Lucas di Grassi foi esta domingo o melhor na segunda corrida em Londres, dando mais uma vitória à Venturi. O piloto brasileiro superou Jake Dennis e o neerlandês Nyck de Vries. Stoffel Vandoorne foi o quarto, mas o facto de ele ter sido o único dos da frente a pontuar significava que tinha uma mão e meia no troféu de campeão. Quanto a António Félix da Costa, voltou a pontuar na quinta posição. 

Na partida, Jake Dennis aguentou as investidas de Lucas di Grassi, enquanto Antonio Giovinazzi aguentou as de Felix da Costa, enqanto atrás, Oliver Rowland sofria um acidente e com danos, foi para as boxes e parar de vez.

Na segunda volta, Vergne ficou parado na pista, depois de ter batido no muro. A sua posição foi o suficiente para que o Safety Car fosse chamado para a pista. Outro que também saia da corrida era o Dan Ticktum, que parou o seu carro numa das escapatórias do traçado londrino. 

A prova recomeçou quando faltavam 36 minutos para o final, e o primeiro a ir ao Attack Mode foi Nyck de Vries, que era quinto, tentando apanhar o DS de Felix da Costa. A seguir veio Sebastien Buemi, o sexto, mas a ação acontecia mais a frente, quando Felix da Costa tentou passar Giovinazzi e acabou por ser ultrapassado por De Vries. Na volta seguinte, ele foi ao modo de ataque, mantendo-se em quinto.

A corrida do italiano foi perturbada quando os comissários o penalizaram por excesso de uso de energia, caindo no pelotão, enquanto na frente, Dennis ficava confortável, distanciando-se de Di Grassi, que por sua vez, estava longe de De Vries e Felix da Costa, que lutavam pelo terceiro posto. A 25 minutos do final, o português voltou ao terceiro posto, passando o neerlandês da Mercedes.

Entretanto, Di Grassi tinha ido ao Attack Mode e ficou na traseira de Dennis, mas o britânico conseguiu resistir ao assédio do brasileiro da Venturi. Atrás, Felix da Costa tinha ido de novo ao Attack Mode e perdia o terceiro posto para De Vries, ao mesmo tempo que tinha a companhia de Mitch Evans, da Jaguar. Entretanto, Dennis foi de novo ao Attack Mode e perdia o comando para o brasileiro. Atrás, Felix da Costa não resistiu aos ataques de Evans e ficou com a quarta posição.

A 16 minutos do final, foi a vez de Di Grassi de ir ao Attack Mode e passou a pressionar Jake Dennis, mas o britânico defendia-se bem. Atrás, Stoffel Vandoorne, que era sexto, ia para o Attack Mode para tentar apanhar Felix da Costa. O belga conseguiu apanhá-lo e passá-lo, ainda no tempo de duração do Attack Mode. Na frente, Dennis aguentava Di Grassi na luta pela liderança.

A pouco mais de oito minutos, Jake Dennis foi para a sua última ativação do modo de ataque, sendo passado por Di Grassi, que por sua vez, era ameaçado por Nyck de Vries. Os três estavam afastados mais ou menos afastados, e provavelmente, o britânico não iria conseguir recuperar o comando.

Na parte final, Mitch Evans falhou a travagem a uma das chicanes, porque o seu Jaguar tinha ficado sem potência. Lucas Di Grassi caminhou para a vitória, enquanto Dennis segurava De Vries no segundo posto, subindo ao pódio pela segunda vez seguida, enquanto Vandoorne, com o seu quarto posto, era virtualmente campeão, na frente de Felix da Costa. 

No campeonato, Vandoorne tinha 185 pontos, contra os 149 de Evans, os 144 de Mortara e os 128 de Vergne. Aliás, o belga foi o único dos quatro primeiros a pontuar neste domingo em Londres. A Formula E agora rumará à Ásia, onde se estreará em Seul no fim de semana de 13 e 14 de agosto.    

Formula 1 2022 - Ronda 13, Hungaroring (Corrida)


Domingo em Budapeste parecia ser um de potenciais emoções. Com os Mercedes na frente, parecia que as coisas poderiam ser mais equilibradas, ou se quiserem, naquela que iria ser a última corrida antes das férias. A Red Bull andou a noite toda a ver se os seus carros estavam em forma e tentarem uma corrida de recuperação, porque, da maneira como tinham corrido as coisas, chegar ao pódio seria uma vitória. É nestas alturas em que ter uma boa vantagem vale a pena.  

Contudo, à medida que a hora da corrida se aproximava, o tempo começava a ficar ameaçador. Mas muitos acreditavam as chances de chuva, embora serem altas, não aconteceria no tempo da corrida. E o vento ajudava nesse campo.


Mas foi ainda com a pista em seco que aconteceu a volta de apresentação e a partida. Aliás, todos alinhavam com slicks. Gasly iria alinhar nas boxes. Na partida, Russel saiu bem, enquanto os Ferrari tentavam superá-lo. Hamilton subia para quinto, enquanto os Red Bull tentavam passar para a frente. Mas logo depois, entrou o Virtual Safety Car, porque Albon e Stroll bateram e deixaram destroços na pista.

Na volta 3, limpa a pista, a corrida voltou ao seu ritmo normal com Russell ainda na frente. Ocon estava na frente de Alonso na Alpine, mas o veterano espanhol agora tinha de aguentar os ataques de Max. Pouco depois, o neerlandês livrou-se de ambos e agora era sexto, atrás de Hamilton. Na rádio, KMag, décimo, recebia a mensagem que a pista estaria seca para a próxima meia hora.

Nas voltas seguintes, Russell continuava no comando, com os Ferrari seguindo-o como uma sombra. Na volta 18, o piloto da Mercedes entrou nas boxes para trocar para médios, deixando a liderança para Leclerc. A seguir, veio Sainz Jr. que saiu para a pista atrás de Russell e Ocon, com Leclrc ainda na frente. quase todos tinham calçado médios. E na volta 21, Leclerc foi às boxes, deixando a liderança para Russell. O monegasco regressou para a pista na frente de Sainz Jr, como muitos dos ferraristas acham que deveria acontecer sempre: uma hierarquia desde o dia um.


Pouco depois, Leclerc ficou perto o suficiente de Russell para que tentasse passar com o DRS ligado. Contudo, na primeira ocasião, o britânico defendeu-se muito bem e a liderança continuou nas mãos do piloto da Mercedes. Mas na volta 31, nova tentativa do monegasco deu certo e ele ficou com o comando da prova. 

Contudo, enquanto isto acontecia, Max queixava-se do tempo: "está a escorregar cada vez mais", queixava-se na rádio. E pouco depois, na volta 35, depois de ter ido para as boxes, Yuki Tsunoda fez um pião e caiu para o fundo do pelotão. Bandeira amarela na zona, mas a corrida continuou. 


Enquanto não se sabia bem se iria chover mais ou não, Max decidiu colocar duros no seu carro para ir até ao fim, e logo a seguir, boa parte do pelotão foi às boxes colocar duros. Irónicamente, e de forma mais lenta, a pista estava cada vez mais escorregadia. Mas isso não incomodava Verstappen, que passou primeiro Russell, depois Leclerc. Querem ver que o neerlandês iria ser o vencedor desta corrida? Se sim, não iria ser com piões. Quando passou por cima do corretor, e o carro escapou de traseira para um 360º, vendo, entretanto, passar o Ferrari de Leclerc, teve sorte que o carro continuasse a funcionar nesse momento aflitivo.

Entretanto, as pessoas olhavam para os céus para saber se ainda iria entrar em ação a tempo de influenciar a corrida. Até lá, a estratégia era de tentar ser mais esperto uns contra os outros. E quando os Ferrari começaram a chamar os seus carros, as suas escolhas eram, no mínimo, duvidosas. Os pneus duros não aqueciam da forma mais rápida, e com isso, os seus carros eram ultrapassados pelos Mercedes para ficarem atrás de Verstappen, que liderava. Quem diria! 

A parte final foi assinalado por um problema da parte de Valtteri Bottas, que ficou sem potência no seu Alfa Romeo. Safety Car Virtual, insuficiente para desfazer os erros dos outros e o neerlandês arrancou para a meta, perante o júbilo dos energéticos, naquela que provavelmente foi a vitória mais inesperada da temporada, até então. 

E claro, atrás dele, os Mercedes, que pela segunda corrida consecutiva, colocavam os seus pilotos no pódio. Hamilton na frente de Russell. E Leclerc acabava em sexto, passado até por Sergio Perez. 


No final da cerimónia do pódio, faziam-se as contas. Agora, Max tem 80 pontos de vantagem sobre a Ferrari, no início das férias de verão. Não só era o último a rir em relação aos erros nas estratégias de Maranello sobre Leclerc e Sainz Jr, como estava tão confortável que poderia marcar a festa para Austin, o lugar mais provável onde fazer a festa do bicampeonato. Com sorte e os azares dos outros, o neerlandês podia bem, e ele sabe perfeitamente.

Agora, é descansar, porque nas duas corridas seguintes, os autódromos estarão todos pintados de laranja.

Youtube Formula 1 Video: Poderá o GP de França ser salvo?

Já sabemos, é mais do que oficial: a Formula 1 não volta à França em 2023. Mas num tempo onde a competição deixa a Europa porque procura o dinheiro da Ásia, Médio Oriente e especialmente, a América, o Josh Revell faz uma pergunta que muitos também fazem: será que o GP de França, aquele que começou tudo o que conhecemos sobre o automobilismo, no inicio do século XX, poderá ser salvo, com outro grande Prémio? 

Outros lugares, como Dijon, Magny-Cours, Charade, Montlhéry ou Le Mans? Uma pista urbana no centro de Paris? ou uma pista construída de raíz? Bem, vejam este video para verem como esta pergunta pode ter uma resposta bem mais difícil que se julga.

sábado, 30 de julho de 2022

Formula 1 2022 - Ronda 13, Hungaroring (Qualificação)


É verdade que a Formula 1 está em corrida, de circuito para circuito, aproveitando as curtas distâncias que estão a percorrer na Europa, mas os poucos dias entre Paul Ricard (ou Le Castelet, o lugar onde situa o circuito) e Budapeste serviram perfeitamente para que Sebastian Vettel fizesse o que foi o anúncio do ano até então: de que se iria reformar no final da temporada. Causou ondas de choque tal declaração, apesar de uma cera maneira, era algo que começava a ser especulado. As declarações do resto do pelotão, homenageando o ser humano que é demonstram que, rivalidades à parte, era alguém tremendamente apreciado por todos. 

Contudo, neste sábado, apesar de continuar o duelo entre Ferrari e Red Bull, com os energéticos cada vez mais confortáveis, graças aos enganos dos cavalos rampantes de Maranello, iria haver mais um elemento que poderia entrar e baralhar tudo: a chuva. 


Pelo menos, no terceiro treino livre, os que se safaram melhor foram os Williams de Nicholas Latifi e o de Alex Albon. Depois do que li, pensei: mas regressamos aos anos 90?

Mas não. Antes da qualificação, as garotas tiveram a sua corrida na W Series, e a pista estava mais que seca, e as nuvens estavam afastadas. Menos de dez por cento de chances de chuva perto da hora da qualificação, logo... foi bom enquanto durou, Williams.

A qualificação começou com os Ferrari a serem os primeiros na pista, e com a Mercedes e a Red Bull a irem mais tarde. Mas foi logo na sua primeira tentativa que Max Verstappen marcou um tempo respeitável de 1.19,020. Mas pouco depois, os Ferrari entraram em cena e marcaram 1.18,561 para Carlos Sainz Jr. Charles Leclerc tentou marcar melhor, mas apenas conseguiu 1.18,806. E logo a seguir, Max Verstappen conseguiu 1.18,509.

Na segunda parte da Q1, Lewis Hamilton conseguiu 1.18,374, indo para cima da tabela de tempos. George Russell era o segundo, 33 centésimos mais lento. Mais abaixo, era a luta para fugir aos úlyimos lugares. Nicholas Latifi quase conseguiu um tempo que permitia passar para a Q2, mas um erro na última curva o impediu de seguir.  

E quando o tempo chegou ao zero, eis o que aconteceu: entre os eliminados na Q1 foram os Alpha Tauri, os Williams de Lattifi e Alex Albon - foi bom enquanto a ilusão durou, rapazes! - e o Aston Martin de Sebastian Vettel.

E passamos para a Q2, poucos minutos mais tarde.

Os Mercedes voltaram a ser os primeiros a ir para a pista. Depois vieram os Ferrari, mas o primeiro tempo de relevância veio da McLaren, quando Lando Norris conseguiu 1.18,121. Durou pouco, porque Max Verstappen obteve 1.17,703. Sérgio Perez veio atrás dele e conseguiu o terceiro melhor tempo. Mas... os comissários decidiram anular esse tempo, por afirmar que ele tinha ido fora dos limites. Só que... não foi. E o tempo foi restituído. Mas quando foi, era já nono, porque por essa altura, gente como Fernando Alonso tinha melhorado. 

 E a parte final, ficou ainda pior para o mexicano da Red Bull. Estava de fora do "top ten" e precisava do tempo para lá entrar. Na sua volta rápida, Magnussen ficou no seu caminho e prejudicou-o. Nas boxes, viu, desolado, viu o Alfa Romeo de Valtteri Bottas e o Alpine de Estaben Ocon melhorarem seus tempos e o tirarem da Q3.

E a acompanhá-lo, ficaram o outro Alfa de Gunangyou Zhou, os Haas de Mick Schumacher e Kevin Magnussen e o Aston Martin de Lance Stroll.

A Q3 tinha os dez felizes contemplados a andarem com os moles da Pirelli, e o primeiro a marcar um tempo era Esteban Ocon, com 1.17,985, antes de Sainz Jr melhorar com 1.17,505. Mas Max Verstappen, que estava na pista para tentar marcar um tempo... começou a ter problemas. Não tinha potência. E encostado às boxes, iria ver o resto da Q3 dessa forma, garantindo... o décimo tempo.

A Ferrari estava mais à vontade para a primeira fila, e parecia que iria monopolizar. Lá tentarem melhorar os seus tempos, mas não foram suficientes porque George Russell ficou com o primeiro posto, com 1.17,377. Surpreendente? Parecia que sim. E pior: por muito que os carros vermelhos tentassem, não conseguiram desalojar o britânico da Mercedes. 


No final, a qualificação revelou algo inesperado, com o resultado de George Rusell. Num circuito tão travado como a da Hungria, resta saber se a Mercedes fará das sus fraquezas forças e decida baralhar um pouco mais este campeonato.

W Series: Powell bate Chadwick e vence em Budapeste


Pela primeira vez no campeonato, Jamie Chadwick não ganhou uma corrida. Esta tarde, no Hungaroring, a britânica Alice Powell levou a melhor sobre a líder do campeonato, com a neerlandesa Beitske Visser no lugar mais baixo do pódio. 

Depois de na véspera ter sido a "polewomen", e Chadwick não ter conseguido mais do que o quinto lugar na grelha, no dia de hoje, com a pista a secar depois de uma chuvada de manhã, durante o treino livre da Formula 1, Alice Powell largou na frente da corrida, que tinha começado atrás do Safety Car. Chadwick passou para quarta, aproveitando alguma confusão no pelotão, no qual Nerea Marti tinha sido a mais prejudicada, caindo para o fundo do pelotão. 

Dez minutos na corrida, Chadwick estava na traseira de Marta Garcia, tentando-a passar, o que aconteceu pouco depois. Agora tinha na frente Beitske Visser, a terceira, enquanto atrás, Abbie Eaton tinha saltado de sétima para quarta. Mas quando a filipina Bianca Bustamante bateu no muro, e pouco depois, ficara parada na entrada das boxes, o Safety Car foi acionado e as pilotos ficaram próximas umas das outras. Por esta altura, Chadwick tinha passado Visser e era segunda, na traseira de Powell. 

Na parte final, foi mostrada a bandeira verde e ali, Chadwick pressionou Powell pela liderança, numa luta entre britânicas, mas no final ela aguentou as investidas da líder. E pela primeira vez nesta temporada, uma piloto que não Chadwick subia ao lugar mais alto do pódio. Marta Garcia é quarta classificada, enquanto a japonesa Juju Noda conseguiu os seus primeiros pontos, ao ser nona classificada, na frente da brasileira Bruna Tomaselli.

No campeonato, Chadwick continuava a liderar, com 143 pontos, contra os 68 de Powell, que subiu ao segundo posto, empatado com Visser. Abbi Pulling era a quarta, com 65 pontos.

Agora, a W Series voltaria à ação a 2 de outubro, em Singapura.

Formula E: Jake Dennis foi o melhor na primeira corrida de Londres


O britânico Jake Dennis foi o vencedor da primeira corrida de Londres, que aconteceu nesta tarde no ExCeL de Londres, o recinto indoor da capital britânica. Ele, piloto da Andretti, conseguiu superar Stoffel Vandoorne, da Mercedes, aguentando os ataques da parte do piloto belga que aconteceram ao longo da corrida. Nyck de Vries foi o terceiro, na frente de Nick Cassidy, da Envision. Quanto a António Felix da Costa, de 11º na grelha, terminou novamente nos pontos, ao ser sétimo.

Na partida, Dennis manteve o primeiro posto, seguido por Vandoorne, enquanto mais atrás, Sam Bird e Ediardo Mortara se envolveram num acidente, com o suíço a ficar sem a asa dianteira, enquanto o britânico abandonava a prova. Quem também se envolvia no incidente foi Jean-Eric Vergne, mas ele pode seguir.

Lucas di Grassi foi o primeiro a ativar o seu modo de ataque, enquanto continuavam os toques. O brasileiro tocava a traseira de Oliver Rowland, com o piloto da Venturi a danificar a asa dianteira. Frijns foi o segundo a ir ao modo de ataque, seguido por Buemi e Gunther, este último tentava apanhar Nick Cassidy. Atrás, Felix da Costa também ia para o Attack Mode, caindo para 11º.


Na frente, Dennis aguentava os Mercedes, que também estava em modo de ataque, com De Vries a passar Sergio Sette Câmara para ser terceiro. Contudo, a passagem pelo Attack Mode não resultou em alterações nos três primeiros. 

Quando faltavam cerca de 25 minutos para o final, alguns pilotos passaram para o segundo modo de ataque, um deles Felix da Costa, que tentava subir posições. Conseguiu passar Lotterer e foi atrás de Frijns, que o passou quando faltavam 20 minutos. Quem foi logo a seguir ao Attack Mode foi Nyck de Vries e Sergio Sette Câmara, que o seguia como sombra. Enquanto AFC passava Frijns, Rowland encostava às boxes e dava o dia por terminado, sendo a segunda desistência da corrida.

Acabados os modos de ataque entre os pilotos da frente, Dennis tinha mantido a liderança para Vandoorne, com este atrás dele para esperar por uma boa oportunidade para o passar. Atrás, Evans tinha passado Felix da Costa para ser oitavo, e pouco depois, Nick Cassidy, com o seu Attack Mode ativado, passou Oliver Askew para ser quinto e depois, apanhou Sette Câmara para ser quarto. 

Na parte final da corrida, o piloto brasileiro perdia posições para ver se conseguia chegar ao final com energia nas suas baterias. Era oitavo a quatro minutos do final, enquanto a direção de corrida penalizava Di Grassi pela colisão que tinha causado no início da corrida. 

No último minuto, Felix da Costa passou Sette Câmara, que ficava sem energia, enquanto na frente, Cassidy atacava De Vries para tentar ser terceiro. Apesar dos ataques do piloto neozelandês da Envision, De Vries resistiu e ficou com o lugar mais baixo do pódio. Na frente, Jake Dennis conseguiu a vitória, na frente de Stoffel Vandoorne.

No campeonato, Vandoorne lidera com 173 pontos, contra os 149 de Mitch Evans e os 144 de Eduardo Mortara, que não pontuou. Felix da Costa tem agora 106 pontos e subiu para quinto na geral. 

A segunda corrida do campeonato acontecerá amanhã.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Youtube Formula 1 Video: As reações à retirada de Sebastian Vettel

Em Budapeste, o pelotão começava a instalar-se para a corrida do final de semana quando soube da notícia da retirada de Sebastian Vettel. E eles, cada um à sua maneira, elogiaram o piloto, e sobretudo, o ser humano que apoia causas relevantes. 

Noticias: Mais atores confirmados para "Ferrari"


O filme de Michael Mann sobre Enzo Ferrari está em andamento, e se sabemos que Adam Driver será o Commendatore, esta sexta-feira soube-se mais alguns nomes. Patrick Dempsey, por exemplo, estará na pelicula a fazer o papel de Piero Taruffi, o italiano que ganhou uma corrida em 1952, e Jack O'Connell encarnará Peter Collins, o britânico amigo de Mike Hawthorn, vice-campeão do mundo em 1956 e morto no GP da Alemanha de 1958, em Nurburgring. 

O enredo do filme situa-se em 1957, quando Ferrari passa por uma série de dificuldades financeiras, desportivas e pessoais. Está quase falido, o seu filho Dino morre e o espanhol Alfonso de Portago causa um acidente que mata oito pessoas durante as Mille Miglia e a opinião pública o castiga como causador de acidentes mortais. E para piorar as coisas, na Formula 1, os seus carros são batidos em pista pelo Maserati de Juan Manuel Fangio, especialmente no GP da Alemanha, numa das suas maiores demonstrações de pilotagem do argentino. 

Curiosamente, o papel de Alfonso de Portago cabe ao ator brasileiro Gabriel Leone.

As rodagens começarão na próxima segunda-feira, 1 de agosto, em Modena. 

quinta-feira, 28 de julho de 2022

A imagem do dia


Ontem, tarde da noite, fui dar uma olhada no Instagram e me disseram que o Sebastian Vettel, sempre avesso a redes sociais, tinha criado uma conta por ali. A notícia tinha-se espalhado e decidi seguir. Pus-me à conversa com um amigo meu e ele falou sobre a chance de ele anunciar a sua retirada. Todos já tinham ideia de que ele ia-se embora, mas pensávamos que diria isso mais tarde, depois das férias, por exemplo.  

Afinal, ele criou a conta para algumas horas mais tarde sentar-se numa cadeira de plástico e anunciar a sua retirada da Formula 1. Provavelmente com mais de 300 corridas no bolso, quatro títulos mundiais, 52 vitórias na sua carreira, 122 pódios, 57 pole-positions e 38 voltas mais rápidas. E foi um dos poucos pilotos a dar a primeira vitória a mais de uma equipa: à Toro Rosso, em 2008, e à Red Bull, no ano seguinte.  

“Tive o privilégio de trabalhar com muitas pessoas fantásticas na Fórmula 1 nos últimos 15 anos – há muitos para mencionar e agradecer”, disse, na sua mensagem.

“A decisão de me retirar foi difícil para mim e passei muito tempo a pensar nisso; no final do ano quero ter mais tempo para refletir sobre o que focarei a seguir; está muito claro para mim que, sendo pai, quero passar mais tempo com minha família.

“Mas hoje não se trata de dizer adeus. Em vez disso, trata-se de agradecer – a todos – principalmente aos fãs, cujo, sem apoio apaixonado, a Fórmula 1 não poderia existir”.

Essa é a parte do piloto que a certa altura marcou uma era na Formula 1. Entre 2010 e 2013, era dominador, contra todo um pelotão cheio de excelentes pilotos que iam desde Lewis Hamilton, Kimi Raikkonen e Fernando Alonso, até gente como Michael Schumacher, Nico Rosberg, Mark Webber e Felipe Massa, que reparavam no piloto que tinha um grande carro por trás. E mesmo quando dominava, havia os que aceitavam muito mal esse domínio. Um bom exemplo que retive na memória foi no GP da Índia de 2012, quando Alonso, no seu duelo com o alemão, disse que era o que era "por causa de Adrian Newey", ou seja, era mais o carro que o piloto. Mas isso aconteceu sempre, não foi só naquele momento.

Nestes anos todos, sempre o admirei por causa da sua humanidade. É ultra-protetor da família - há muitas poucas fotos da sua mulher, quase nenhumas dos seus descendentes e qualquer foto caseira.

Aliás, ele disse a seguinte frase na mensagem de despedida: "Quantos Sebs existem?"

"Minha cor preferida é o azul, sou curioso, fascinado por pessoas inteligentes, tolerante, impaciente, gosto de chocolate, do cheiro de pão quente e de fazer as pessoas rirem." Isso não me lembro de ouvir de muito piloto, obcecado, desenhado para ganhar e mais nada. Bem vistas as coisas, desses pilotos que tem redes sociais, quase ninguém fala dos seus gostos pessoais. Mostram mais os carros que têm, casa, barcos e pouco mais. Ao mostrar, escondem-se. Que paradoxo!

Agora, recentemente, ele começou a olhar para o mundo à volta e reparou que passa por uma transformação do qual não poderá ficar indiferente. Não sei se foi por causa da pandemia que o fez olhar para esse mundo à volta. Não faço ideia se os eventos do Canadá, em 2019, e a sua ira por uma decisão que achou injusta, o fez quebrar algo dentro dele, na sua maneira competitiva, e achou que a partir dali, não conseguiria mais nada e se calhar, o sol se punha na sua carreira. Eu disse na altura que, se estivesse a calçar os seus sapatos, iria a Maranello no dia seguinte e apresentaria a minha demissão como piloto. Mas creio que ele deveria ter visto algo mais, ou se calhar teria a esperança de que as coisas iriam dar a volta, quer ali, quer depois, quando assinou pela Aston Martin.

Felizmente, pude ver a carreira dele do princípio ao fim. Do "puto maravilha" de Monza, com uma das vitórias mais improváveis da história da Formula 1, e que quase tirou um título a Lewis Hamilton, em Interlagos, até a alguém que decidiu montar uma corrida de karts na Arábia Saudita para garotas, no sentido de defender os direitos das mulheres naquele país, e o protetor dos pilotos mais novos, como o Mick Schumacher, da mesma maneira que o pai, Michael, o olhava embevecido, quando entregava troféus de vencedor no kart. 

Em suma, hoje soube que o piloto mais humano que já vi na Formula 1 iria pendurar o capacete. Agora iremos saber o que fará depois.