domingo, 6 de julho de 2008

O piloto do dia - Luigi Musso

Não é frequente eu ir aos anos 50, mas hoje é uma data especial, pois faz agora cinquenta anos que este piloto morreu. Hoje falo de um "gentleman driver", aristocrata apaixonado pelos automóveis, e numa época importante para os pilotos italianos, foi considerado como um dos melhores do seu tempo. Hoje falo de Luigi Musso.

Nasceu a 28 de Julho de 1924 em Roma, como o mais novo de três irmãos de um abastado diplomata. Praticou vários desportos na adolescência, como o hipismo, o tiro aos pratos e a esgrima, todos desportos de elite, mas o automobilismo foi a sua paixão, graças aos feitos dos seus irmãos mais velhos. E foi graças aos carros que não só os igualou, como os superou.

Em 1950, estreia-se no automobilismo, na Volta a Itália, a bordo de um pequeno Gianni de 750cc, onde correu bem até bater... numa estátua de Garibaldi. Dois anos depois, convenceu um dos seus irmãos a emprestar um Stanguellini para correr em provas de Turismo um pouco por toda a Itália. Os bons resultados alcançados fizeram com que a Maserati o contratasse em 1953 para o programa de jovens pilotos, ao lado de Sergio Mantovani e Emilio Gilleti. Musso aproveitou bem a oportunidade, e tornou-se em 1953, campeão italiano de Turismos, na classe de 2 Litros.

Ainda em 1953, estreia-se na Formula 1, mais concretamente no GP de Itália, onde terminou em sétimo lugar, numa condução partilhada com Mantovani. Em 1954, continuou na Maserati, mas concentrou-se mais nas competições de Turismos, como as Mille Miglia ou as 24 Horas de Le Mans. Contudo, teve boas corridas de Formula 1, onde ganhou o GP de Acerbo, uma prova extra-campeonato, e no final do ano, fez as duas últimas provas da temporada, terminando em segundo lugar no GP de Espanha, em Barcelona.

Em 1955, correu uma temporada completa na Maserati, onde foi terceiro no GP da Holanda, mas achando que não tinha muitas chances na equipa, mudou-se no final do ano para a Ferrari, onde se debatiam com dificuldades, correndo até com um antigo carro da Lancia, o D50. Foi nesse carro que Musso alcançou a sua unica vitória na competição, o GP da Argentina. Mas essa vitória foi... partilhada, com o heroi da casa, Juan Manuel Fangio.

Na corrida, Fangio fizera a pole-position, mas desistira na volta 22 devido a um problemas na bomba do combustível, e a Ferrari ordenou a Luigi Musso para que entregasse o carro ao piloto argentino, para que pudesse continuar. Assim foi, e no final da corrida, Fangio partilhou metade dos pontos com Luigi Musso, pois era ele que conduzia o carro no inicio da corrida.

No resto do ano, Musso sofreu com um mau caro e não tornou a pontuar. Mas noutras categorias, teve bons resultados, como o segundo lugar nas 12 Horas de Sebring, mais uma vez com Fangio a seu lado, e as Mile Miglia, onde terminou em terceiro. Mas um acidente grave na prova de Nurburgring, o colocou incapacitado para o resto da temporada.

Em 1957, a Ferrari finalmente tinha um bom carro, o 801, mas tinha dificuldades em conseguir ser um carro vencedor devido aos Maserati 250. Musso voltou em força, conseguindo dois segundos lugares em França e Inglaterra, e uma volta mais rápida na etapa francesa. Os 16 pontos conquistados nesse ano deram-lhe o terceiro lugar na classificação final.

Entretanto, nos Turismos, as coisas correm-lhe melhor. Ganha os 1000 Km de Buenos Aires no inicio desse ano, e depois a Targa Florio. Mas quando o seu amigo Eugenio Castelloti morre, nums testes em monza, torna-se no piloto de topo da Ferrari. Se por um lado poderia ser uma honra, por outro significava que tinha maior responsabilidade, e mais pressão para ganhar. E na Ferrari, dava-se tudo, ou morria-se tentando.

Em 1958, era piloto da equipa de Formula 1, ao lado dos ingleses Mike Hawthorn e Peter Collins. As coisas começaram bem para ele, quando foi segundo na Argentina e no Mónaco. Mas nesses dois casos, Musso tinha sido batido pelo pequeno Cooper de motor traseiro, e isso era uma afronta para Enzo Ferrari, e uma pressão ainda maior para a equipa.

Em Reims, no GP de França, Musso fora segundo na grelha, atrás de Hawthorn, mas o italiano queria ganhar a corrida, por vários motivos, agluns legítimos, outros nem tanto. Falava-se que tinha dívidas de jogo enormes, e que o prémio servia para cobrir essas dívidas. Também a pressão que Enzo Ferrari tinha sobre os seus pilotos para darem o máximo, e o facto de ser superado por pilotos ingleses não deve ter feito muito bem para o ego italiano... O facto é que na décima volta, Musso entra demasiado rápido na Curve Muizon, e capota várias vezes, projectando-o para fora do carro. Granvemente ferido, é transportado para o hospital de Rouen, onde morre no final do dia, aos 33 anos de idade.

Fontes:

GP Memória - França 1958

Há cinquenta anos atrás, um grande vulto da história da Formula 1, Juan Manuel Fangio, fazia em Reims a sua última corrida da sua carreira, no mesmo circuito onde se tinha estreado na Europa, quase dez anos antes. E a reverência que os pilotos tinham por ele era tal, que Mike Hawthorn, o vencedor dessa corrida, decidiu não o ultrapassar, em sinal de respeito. E a corrida foi marcada pelo acidente mortal de Luigi Musso.

Mas vamos por partes. Quando a Formula 1 chega a Reims, para o Grande Prémio de França, os ingleses da Vanwall. liderados por Stirling Moss, Tony Brooks e Stuart Lewis-Evans, são os claros favoritos, contra as máquinas da Scuderia Ferrari, pilotadas por... dois ingleses: Peter Collins e Mike Hawthorn. Outros dois carros foram inscritos pela equipa oficial, para o italiano Luigi Musso e para um jovem aristocrata alemão, Volfgang Von Trips.

Para além das cinco equipas oficiais (Ferrari, BRM, Vanwall, Lotus e Cooper), havia uma míriade de Maseratis 250 privados, já que a equipa oficial tinha-se retirado no final de 1957, quando Fangio conquistara o seu quinto título mundial. Três desses Maserati era pilotados por americanos: Phil Hill, Troy Ruttman (vencedor das 500 Milhas de Indianápolis em 1952) e Carrol Shelby.

Juan Manuel Fangio regressava à Europa nesse ano, como se fosse numa digressão de despedida das pistas. tinha sido um ano duro para ele: em Fevereiro, tinha sido raptado em Cuba durante dois dias por partidários de Fidel Castro, em luta contra o regime de Batista, no sentido de causar apoio à causa (e conseguiu). Agora, em França, mostrava que aos 47 anos, era hora de agradecer ao público pelo carinho dispensado nestes anos todos.

Nos treinos, o Ferrari Dino 246 de Mike Hawthorn, que estreava uma nova suspensão, foi o melhor, seguido por Luigi Musso, e a completar a primeira fila, ficara o BRM do americano Harry Schell. Fangio era o oitavo na grelha, e dos três americanos, Hill era o melhor, no 13º lugar da grelha. Von Trips, que não conseguiu marcar tempo, partia do 21º e último lugar da grelha. O melhor dos Vanwall era o de Tony Brooks, em quinto.

Na partida, Schell toma a liderança, mas rapidamente é ultrapassado por Hawthorn, seguido de Musso, Brooks e Collins. Na quinta volta, Collins atrasa-se devido a um despiste, que fez com que o acelerador ficasse preso. Na décima volta, Musso, que se tinha livrado de Schell e partia à busca de Hawthorn, despistou-se na Curva Muizon (uma rápida curva à direita), e capotou várias vezes, com o piloto a ser projectado fora do carro. Gravemente ferido, foi transportado para o hospital, mas morreu no final do dia.

Entretanto, alheios ao drama, Hawthorn seguia na frente, enquanto que Tony Brooks, agora segundo, teve que desistir na volta 16, quando a caixa de velocidades falhou. Em seguida, a equipa chamou Stuart Lewis-Evans para dar lugar a Brooks no seu carro. Assim fez, mas não foi muito mais longe: o motor explodiu à 35ª volta.

Sem Brooks, a luta pelo segundo lugar continuou entre Jean Behra (BRM), Stirling Moss (Vanwall) e... Juan Manuel Fangio (Maserati). Fangio atrasou-se com uma paragem nas boxes, e Behra desistiu uma avaria no injector de combustível, na volta 41. Assim, Moss fica com o segundo lugar, e Volfgang von Trips acaba em terceiro. Juan Manuel Fangio foi quarto, na sua última corrida da sua carreira. A reverência por ele era tal que quando Mike Hawthorn o reconheceu, recusou dobrá-lo, em sinal de respeito.


Fontes:

Formula 1 - Ronda 9, Silverstone (Corrida)



Quando a corrida é em chuva, tudo pode acontecer. Tudo menos uma coisa: não ver Lewis Hamilton no lugar mais alto do pódio. O piloto inglês pode ser acusado de muita coisa, mas ele é muito bom à chuva!

Tirando Hamilton, o mundo parece que ficou ao contrário para a concorrência: nunca pensei ver um brasileiro que odiasse chuva, mas... ele existe. Chama-se Felipe Massa, e fez bailado na pista inglesa e terminou em primeiro... a contar do fim! Mesmo Nelson Piquet Jr., enquanto esteve na pista, dava-se tão bem que até ultrapassou o seu companheiro Fernando Alonso.

E o Rubens Barrichello, claro... acho que depois desta corrida, a Honda devia dar-lhe de imediato mais um ano de contrato, como forma de recompensa ao primeiro pódio da marca em três épocas, e do piloto em quatro, desde a infame corrida de Indianápolis... Fez-me lembrar as corridas de trás para a frente do John Watson, na McLaren.

A volta 28 foi o momento decisivo da corrida, quando a chuva volta a cair em em força no circuito inglês, causando despistes vários, e as desistências de alguns dos candidatos à vitória, como o BMW de Robert Kubica, e Nelson Piquet Jr. Tive pena que ele tivesse desistido... Entretanto, Felipe Massa, Mark Webber e Heiki Kovalainen lutavam, por vezes ingloriamente, para conseguir manter-se em pista e mesmo Lewis Hamilton não escapou a umas incursões na relva...

Mas depois da tempestade, veio a bonança, e o sol apareceu em força, fazendo com que a pista secasse um pouco e acontecesse mais algumas batalhas interessantes, como a que Raikonnen, Kovalainen e Alonso tiveram pelo quarto lugar. Os finlandeses (primeiro o da Ferrari, e depois o da McLaren) levaram a melhor, e o piloto espanhol ainda se teve de defender nas voltas finais dos ataques do Toyota de Jarno Trulli e do Williams de Kazuki Nakajima, para conseguir manter o seu sexto lugar.

Agora, meus amigos... o campeonato está ao rubro! Massa, Raikonnen e Hamilton têm ambos 48 pontos, Kubica tem 46 e Heidfeld 38. Acho que nem a NASCAR ou a IRL tem este ano uma tabela tão competitiva assim... Daqui a 15 dias, em Hockenheim, vai ser um bom tira-teimas.

GP2 - Silverstone (Corrida 2)

A segunda corrida da jornada inglesa da GP2 foi optima para Bruno Senna, e péssima para Alvaro Parente. No caso do primeiro, aproveitou para ganhar à chuva, ao bom estilo do seu tio, já o piloto português teve uma colisão na primeira volta com o belga Jerôme D'Ambrosio, e ficou preso na gravilha.

"O que posso dizer? É extremamente desapontante, mas depois de dois carros entrarem em pião á minha frente nada podia fazer. As condições climatéricas eram terriveis e agora só quero esquecer este fim de semana e avançar para Hockenheim", dizia um desiludido Parente após a corrida.

Já Senna teve uma corrida brilhante. Depois de partir do terceiro posto, chegou rapidamente à liderança, segurando-a nas difíceis condições do traçado inglês, até à bandeira de xadrez. A acompanhá-lo no pódio, esteve outro brasileiro, Lucas di Grassi, e o italiano Giorgio Pantano, que consolidou assim a sua liderança no campeonato, com 50 pontos, mais onze que Bruno Senna. Alvaro Parente, sem pontuar pela quarta vez consecutiva, é agora o setimo classificado na tabela.

A próxima jornada dupla será dentro de duas semanas, em Hockenheim.

sábado, 5 de julho de 2008

GP2 - Silverstone (Corrida 1)

Giorgio Pantano venceu esta tarde a primeira corrida do fim de semana inglês da GP2, no circuito de Silverstone, numa corrida onde Alvaro Parente foi mais uma vez, infeliz: um pião logo na segunda volta, quando rolava na 13ª posição, fez com que acabasse a corrida no 16º lugar final.

Mas na frente, a corrida foi mais emocionante: Bruno Senna, que partia na "pole-position" teve uma má corrida, com pelo menos um pião, terminando no sexto posto. Já Giorgio Pantano, depois de ficar na terceira posição aós a sua paragem nas boxes, fez uma corrida de recuperação para ir buscar o francês Romain Grosjean e o brasileiro Lucas di Grassi, que conseguiu, vencendo por quatro segundos de vantagem.

Grosjean, que esteve toda a corrida com problemas de aderência, perdeu o terceiro lugar a favor do indiano Karun Chandook e do suiço Sebastien Buemi, mas ficou à frente de Bruno Senna. A fechar os pontos ficaram o austro-arabe Andreas Zuber e o italiano Luca Fillipi.

Formula Renault - O Formiga já ganha!

Para além da Formula 1, GP2 (Silverstone) e IRL (Watkins Glen), temos este fim de semana a Formula Renault NEC 2.0, no circuito alemão de Oberschleben. E na primeira jornada dupla do fim de semana alemão, António "Formiga" Felix da Costa já vence!

O piloto português da 16 anos, na sua primeira época nos monolugares, conseguiu ontem a sua primeira "pole-position" da sua carreira, e na corrida, esteve sempre ao ataque, efectuando ainda a volta mais rápida da corrida. Um verdadeiro "barba, cabelo e unhas"! Esta primeira vitória na competição conseguiu-a com uma vantagem de cinco segundos sobre o segundo classificado, o finlandês Daniel Aho.


Grande Formiga, grande! Amanhã é a segunda corrida do fim de semana alemão.

Formula 1 - Ronda 9, Silverstone (Qualificação)

E em Silverstone... fez-se história. Uma prinmeira fila completamente unica, com Heiki Kovalainen a fazer a sua primeira pole-position da sua carreira, e Mark Webber a levar a Red Bull à sua melhor posição de sempre.

O piloto finlandês conseguiu o seu "tempo-canhão" de 1.21,049 nos instantes finais da qualificação, batendo Kimi Raikonnen, que ainda se viu relegado pra a terceira posição, quando viu o Red Bull de Mark Webber a fazer melhor do que ele. Ao seu lado, na segunda fila, partirá o inglês Lewis Hamilton, no outro McLaren-Mercedes.



A terceira secção de qualificação viu algumas surpresas agradáveis na grelha, como os sexto e sétimo postos dos pilotos da Renault, com Fernando Alonso a superar Nelson Piquet Jr., mostrando que a marca do losangulo continua a sua boa forma. No oitavo posto ficou o Toro Rosso de Sebastien Vettel, fazendo algo que não acontecia desde o inicio da época.



Quem teve uma má qualificação foi Felipe Massa, que não foi além do nono tempo, uma das piores qualificações de sempre desde que está na Ferrari. Mas quem não marcou tempo, devido a problemas mecânicos, foi Robert Kubica, no seu BMW Sauber, e não foi além do décimo posto. O seu companheiro Nick Heidfeld foi melhor, largando amanhã do quinto lugar da grelha.



Quem também teve más qualificações foram os Honda. Jenson Button não passou da Q1, e Rubens Barrichello ficou apenas um lugar mais à frente, conseguindo um prestação deveras negativa. Os Toyota desiludiram (apesar de terem recorrido à ajuda do Batman...), com Timo Glock, que depois de rumores o terem apontado a sua substituição por Kazuki Nakajima, a ser 12º, melhor do que o seu companheiro Jarno Trulli, que ficou pela 14ª posição da grelha...



A corrida tem lugar amanhã, às 13 horas.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Formula 1 - Ronda 9, Silverstone (Treinos Livres)

Felipe Massa e Heiki Kovalainen lideraram as tabelas nos dois treinos livres de hoje no circuito de Silverstone. O piloto da Ferrari mostrou-se nos primeiros treinos livres, ao marcar um tempo de 1.19,575 segundos, apesar de ter feito menos voltas que os seus adversários, pois despistou-se na Curva Abbey após passar uma mancha de óleo. Os McLaren de Lewis Hamilton e Heiki Kovalainen fosram segundo e terceiro classificados, respectivamente, com tempos muito próximos de Massa. Kimi Raikonnen, no segundo Ferrari, foi quarto.

Na segunda sessão de treinos livres, foi Kovalainen que levou a melhor, mas o seu tempo, de 1.19,989 segundos, foi quatro centésimos mais lento do que no primeiro treino livre. Em segundo ficou o Red Bull de Mark Webber, seguido por Lewis Hamilton, no outro McLaren, e do veterano David Coulthard, no segundo Red Bull. Felipe Massa não conseguiu mais do que o oitavo tempo (1.20,943 segundos) e Kimi Raikonnen foi 12º (1.21,275 segundos)

Nesta segunda sessão, os pilotos efectuaram séries de voltas maiores e com mais gasolina nos depósitos, exprimentando já as especificações de corrida, com os Red Bull a deixarem boas indicações, contrariamente á BMW, que continua algo apagada. Mas as qualificações contam sempre outra história...

GP2 - Silverstone (Qualificação)

A ronda inglesa começou mal para Alvaro Parente, pelo menos nos treinos. Numa qualificação em que Bruno Senna foi o "poleman", tendo a seu lado o francês Romain Grosjean, o piloto português não foi além do 17º posto na grelha, a mais um segundo e meio de Senna.

Parente esteve durante muito tempo com o 13º lugar da grelha, após o primeiro conjunto de pneus, mas quando fez a sua segunda e derradeira tentativa, viu a sua volta rápida interrompida devido ao pião do austro-árabe Andreas Zuber, que obrigou à amostragem de bandeiras amarelas. O seu companheiro na Supernova, o espanhol Andy Soucek, vai partir da sétima posição da grelha.

A primeira corrida é amanhã, a partir das duas da tarde, hora de Lisboa.

Donnington vai receber a Formula 1 em 2010

A FIA anunciou esta manhã que o circuito de Donnington Park vai ser a sede do GP de Inglaterra a partir de 2010.


Depois de meses de especulação, e de vários avisos por parte de Bernie Ecclestone e Max Mosley para que se fizessem obras de construção e outras modificações no circuito inglês, a FIA conseguiu um acordo com Tom Wheatcroft, o proprietário do circuito de Donnington, para que albergasse o GP de Inglaterra a partir de 2010, e nas próximas dez temporadas. Os proprietários prometerem investir mais de 100 milhões de libras em modificações, para cumprirem os critérios da FIA.

Acerca deste negócio, o presidente da FIA, Max Mosley, afirmou: "O desenvolvimento previsto para o Circuito de Donington irá ficar em consonância com os mais altos "standards" actuais, que se podem esperar, pelo que os adeptos britânicos irão ter o circuito que merecem."

Bernie Ecclestone lamenta que os responsáveis de Silverstone não tenham conseguido encontrar apoios que lhes permitissem realizar os melhoramentos que se impunham: "Bastava uma ínfima percentagem do que o governo inglês vai gastar com os Jogos Olímpicos para se conseguir isso mesmo. Pelo menos acabou-se a incerteza! O contrato está assinado, pelo que o futuro do GP da Grã-Bretanha está seguro."

O Circuito de Donnington já albergou uma vez uma corrida de Formula 1, em 1993, sob o nome de Grande Prémio da Europa. Essa corrida, disputada à chuva, foi ganha por Ayrton Senna, num McLaren - Corsworth, depois de uma primeira volta espectacular, ultrapassando seis carros para alcançar a liderança.

GP Memória - França 1993

Três semanas depois de Montreal, a Formula 1 voltava à Europa, mais concretamente ao circuito de Magny-Cours, palco do Grande Prémio de França, a oitava prova do Mundial daquele ano. Nessa altura, a FIA anunciou que iria banir no final daquele ano todas as ajudas electrónicas ao carro, como a suspensão activa, que dava tanta vantagem aos Williams.

Entretanto, Ayrton Senna e Ron Dennis finalmente tinham decidido um acordo em que o piloto brasileiro continuaria a correr na equipa até ao final daquela temporada, mas que na temporada seguinte, poderia correr onde quisesse. Isso implicaria que estava livre de procurar outra equipa, e Senna, obcecado em ser o melhor, queria a Williams, sabendo que Prost não continuaria para além de 1993...

Na Ferrari, a equipa estava a bater no fundo. Gerhard Berger e Jean Alesi estavam a pagar o preço por ter um mau carro nessa temporada, e pouco podiam aspirar a uns lugares no pódio. Para mudar o estado de coisas, contrataram como director desportivo um ex-navegador de ralies francês, e que tinha feito um excelente trabalho na Peugeot, quer nos ralies, quer nos Sport-Protótipos. Chamava-se Jean Todt, e nos 15 anos seguites, iria ajudar a revolucionar da marca do Cavalino Rampante...

Nos treinos, os Williams dominaram, mas quem fez a "pole-position" não foi Prost, mas sim... Damon Hill! O inglês cometeu o "pecado" de ser o melhor na terra do seu companheiro Alain Prost, na primeira "pole-position" da sua carreira, que teve de se contentar com o segundo lugar.

Na segunda fila, uma surpresa: os Ligier-Renault de Marin Brundle e Mark Blundell ficaram com o terceiro e quartos postos, mostrando a boa forma dos Ligier-Renault, já que corriam em sua casa (o circuito de Magny-Cours era a sede da Ligier...)

Na terceira fila, Ayrton Senna partilhava-o com o Ferrari de Jean Alesi, enquanto que na quarta fila, o alemão Michael Schumacher tinha a seu lado o brasileiro Rubens Barrichello, no Jordan-Hart. A fechar o "top-ten" ficaram outras duas surpresas: os Larousse-Lamborghini de Eric Bernard e Phillipe Alliot.

Na corrida, Hill e Prost partiram na frente, seguidos pelos dois Ligiers, Senna, Schumacher e Alesi. Na volta quatro, Barrichello sobre para sétimo, ao ultrapassar Alesi. Na volta 14, quando Blundell estava a tentar ganhar uma volta ao Tyrrell de Andrea de Cesaris, o carro virou e colocou o inglês fora de prova. A meio da corrida, foi a vez dos pilotos fazerem a sua troca de pneus, e Hill perde tempo com uma troca mal sucedida, deixando Prost na frente, posição essa que não perdeu até final.

Com os Williams a garantir a dobradinha, a luta era para o lugar mais baixo do pódio. Senna e Schumacher lutaram por ela, mas neste dia, o melhor foi o alemão da Benetton. Brundle ficou com o quinto posto, enquanto que a luta pelo último lugar pontuável aconteceu entre Barrichello e o segundo McLaren de Michael Andretti, no qual saiu vencedor o americano da McLaren.

Noticias: Red Bull renova contrato com Mark Webber

No mesmo dia em que David Coulthard anunciou a sua retirada, a Red Bull aproveitou para anunciar que o seu outro piloto, o australiano Mark Webber, iria continuar na equipa por mais uma época.



"Estamos felizes por anunciar que estendemos a nossa relação para 2009", disse o director da Red Bull, Christian Horner, à http://www.autosport.com/. Com esta extensão do contrato, o piloto australiano de 31 anos vai ficar na equipa pela terceira temporada consecutiva.


"Foi um acordo muito fácil." disse o piloto. "Estando num bom ambiente, onde se respira ambição e onde as partes estão satisfeitas com a temporada que estamos a fazer até agora", concluiu.


Ainda não se sabe quem será o seu companheiro, mas desde há semanas que a imprensa fala no alemão Sebastian Vettel, que corre neste momento na equipa-satélite, a Toro Rosso.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Noticias: David Coulthard anuncia o seu abandono

O piloto escocês David Coulthard anunciou esta tarde em Silverstone que abandonará a Formula 1 no final desta época.


"Gostava de anunciar a decisão de me retirar da Formula 1 no final desta época. Permanecerei envolvido no desporto com consultor da Red Bull Racing, focando-me nos testes e no desenvolvimento dos monolugares da equipa. Manterei a mente aberta no que a possíveis alternativas para correr no futuro diz respeito, noutra forma qualquer de desporto automóvel, portando nada de pendurar o capacete." declarou.


Actualmente com 37 anos, é um dos veteranos da Formula 1, estando em competição desde 1994, quando foi escolhido na Williams para substituir Ayron Senna, morto após o GP de San Marino. Ao longo de 237 Grandes Prémios, em 15 épocas (1994-2008), passou pela Williams (1994-95), McLaren (1996-2004) e Red Bull (2005-08), conseguindo treze vitórias, a primeira das quais no GP de Portugal de 1995, 12 "pole-positions", 62 pódios (o último dos quais no Canadá) e 533 pontos até agora. A sua melhor classificação de sempre foi o título de vice-campeão do Mundo em 2000, a bordo de um McLaren.


Antes da Formula 1, fora vice-campeão inglês de Formula 3 em 1991, tendo ganho a Formula 3 Masters em Zandvoort, e o GP de Macau, todos no mesmo ano. Em 1993, foi terceiro classificado no Europeu de Formula 3000, atrás do vencedor, o francês Olivier Panis, e do vice-campeão, o português Pedro Lamy.


Na minha modesta opinião, saindo cedo ou tarde (mais tarde do que devia, diga-se...) marcou uma era na Formula 1. Ganhou muitas corridas, mas nunca teve aquele estofo de campeão, como tinha o seu companheiro da McLaren, Mika Hakkinen. Fico sempre com a sensação que foi um optimo segundo piloto, e nada mais. Que seja feliz noutras categorias, sempre pode tentar as 24 Horas de Le Mans...

Perguntei ao Luis Vasconcelos o seguinte:

P - Até que ponto o projecto American Honda é diferente da Super Aguri, que foi abandonado há cerca de dois meses?

R - Os dois projectos não tem nada a ver um com o outro. A Super Aguri nasceu permatura, pela necessidade de encontrar um volante para Takuma Sato, cujo afastamento da equipa honda tinha cuasado grande consternação no Japão. Foi a Honda que pagou tudo em 2006 e 2007. E foi por não qurer continuar a pagar que a Honda cortou o crédito à equipa de Silverstone.


Já no caso da equipa de Ken Anderson, a honda só vai ter a lucrar, pois vai receber pelos motores, e - caso os americanos os queiram comprar - pelas caixas de velocidades e os KERS. Teremos aqui uma relação fornecedor- cliente, com a unica diferença em relação ao mercado normal ser a Honda America a pagar estas contas, como parceira da equipa de Anderson. De resto, o americano tem investidores para arrancar e competir em 2009, estando em negociações com diversas empresas de base americana para o patrocinarem no ano que vêm.


Se Aguri Suzuki teve três meses para colocar de pé a sua equipa, já Ken Anderson está a trabalhar neste projecto há mais de um ano, tem à sua disposição o mais completo túnel de vento que existe - projectado por ele e no qual muitas marcas e equipas testam diariamente - e parece ter os meios necessários para um arranque tranquilo na formula 1, mesmo que se admite ter ambições limitadas nos primeiros anos.

GP Memória - França 1988

Depois de Detroit, a Formula 1 estava de volta à Europa, com a realização do Grande Prémio de França, que se realizava no circuito de Paul Ricard. Todos sabiam que isto era um "affaire" entre Alain Prost e Ayrton Senna, logo, nesta corrida queria saber se Prost ganharia em casa, ou então seria o brasileiro a continuar a sua sequência de vitórias vindas das duas últimas corridas, no Canadá e no circuito urbano de Detroit.

E de facto, quaisquer esperanças de uma surpresa foram logo desvanecidas nos treinos: os McLaren ocupavam a primeira fila, mas surpreendente, foi Alain Prost a levar a melhor sobre Ayrton Senna. Na segunda fila ficaram os Ferrari de Gerhard Berger e Michele Alboreto, e na terceira ficaram os Benetton de Thierry Boutsen e de Alessandro Nannini. Na quarta fila estavam os Lotus de Nelson Piquet e Satoru Nakajima, e a fechar o "top ten", ficaram o Williams-Judd de Nigel Mansell e o March de Ivan Capelli.

Entre os quatro não-qualificados, para além do Tyrrell-Judd de Julian Bailey e o Coloni-Ford de Gabriele Tarquini, a surpresa maior foi a não qualificação dos Ligier de René Arnoux e de Stefan Johansson, que corriam em casa... Piercarlo Ghinzani tinha sido excluído por falhar um controle de peso, algo obrigatório nessa altura.

No dia da corrida, Domingo, 3 de Julho de 1988, estava sol e calor, e muitos espectadores na pista para ver a corrida. Prost parte na frente, com Senna em segundo, tendo logo a seguir os dois Ferrari e o Lotus de Piquet, que consegue ultrapassar os Benetton. Enquanto que os McLaren seguiam na frente sem serem incomodados, mais atrás, nos lugares secundários, é que havia emoção: na volta 17, Thierry Boutsen para nas boxes para não mais sair, devido a problemas electricos, e na volta 23, Gerhard Berger perde o seu terceiro lugar para Michele Alboreto, devido a despiste.

Na volta 34, é a vez de Senna ir para as boxes, e quando três voltas depois foi a vez de Prost fazer a sua troca de pneus, o brasileiro conseguiu ficar na frente dele. Nas dez voltas seguintes, parecia que a ordem estava establecida, mas a partir da volta 45, Senna tem dificulades com os retardatários, e permite a aproximação de Prost. Para piorar as coisas, Senna tinha perdido uma velocidade na sua caixa, e estava e ter uma passada mais lenta. Essa aproximação foi tal que na volta 61, o francês estava em cima dele e conseguiu ultrapassá-lo, voltando ao comando da corrida, para não mais a largar.

No final da corrida, Prost celebrava a sua quarta vitória do ano, contra as três de Senna. Os Ferrari ficaram com o terceiro e quarto lugares, com Alboreto a levar a melhor sobre Gerhard Berger. Para fechar os pontos, ficaram o Lotus-Honda de Nelson Piquet e o Benetton-Ford de Alessandro Nannini.

Fontes: