terça-feira, 18 de maio de 2010

Há trinta anos, o amor que os separava e os vulcões que rebentavam, no dia de um GP do Mónaco

Durante muitos anos, as pessoas me admiravam o facto de gostar dos New Order e não ser fã dos Joy Division. A razão que dava, e continua a ser válido hoje em dia, é que não gostava do tipo de musica, demasiado deprimente para mim. Hoje em dia, as coisas estão um bocado mas esbatidas, pois fico espantado como uma pessoa como Ian Curtis ter precisado apenas de 23 anos para que hoje em dia, exactamente trinta anos após o seu desaparecimento, todos os amantes de musica recordem este dia e reconheçam o seu impacto na musica e nas suas vidas.

Vi o "24 Hour Party People", do Michael Winterbotton, com o Steve Coogan a fazer o papel de Tony Wilson, e no inicio do filme, vi as epilepsias de Curtis em pleno palco, para logo após essa cena, passar para aquela em que vai para a cozinha da sua casa e pendurar-se numa corda. Achei uma ideia demasiado simplista de alguém que lia William S. Burroughs e Franz Kafka e ouvia Jim Morrison, Iggy Pop e David Bowie. O filme "Control", de Anton Corbjin, que seguiu Curtis durante um tempo, colocou as coisas de forma mais justa, e deu uma imagem melhor do que tinha dele.

Mais do que um sujeito deprimido, fiquei com a ideia de ele ser alguém em busca de algo mais. Tinha casado demasiado cedo, tinha uma filha de meses e uma relação extra-conjugal com Annik Honoré, uma jornalista belga. Tudo isto em conjunto com uma epilepsia que tinha sido detectada há algum tempo e que tinha levado à deterioração do seu estado de saúde. Com tudo isso a contecer, era preciso uma mentalidade de titânio para aguentar todas estas pressões.

Mas desconhecia-se que depois de morto tinha deixado um impacto sobre toda uma geração, especialmente quando nessa altura não havia ainda a MTV e foram raros os seus concertos. Aliás, quando morreu, tinha somente actuado na Grã-Bretanha e pouco mais. Estava prevista uma digressão nos Estados Unidos na altura da sua morte, arranjada por Wilson e a sua Factory. Depois de morrer, os outros membros da banda, Stephen Morris, Peter Hook e Bernard Sumner decidiram formar os New Order, com uma carreira autónoma de sucesso nos vinte e cinco anos seguintes.

Quase à mesma hora, numa outra ponta do nosso planeta Terra, um geografo da Sociedade Nacional de Geografia Americano, de seu nome David Alexander Johnston, espera no seu posto por aquilo que poderia ser o seu maior momento da sua carreira. Havia semanas que observava o vulcão St. Helens, um pico de Quando este explodiu, teve tempo de enviar uma mensagem: "Vancouver, Vancouver. É agora!". Seria a última vez que os seus colegas o ouviam.

O monte de Sta. Helena explodiu lateralmente às 8:32 minutos desse dia 18, após um terramoto de 5.1 graus de magnitude localizado no vulcão. As nove horas de diferença horária entre o Pacifico e a Europa, poderemos dizer que o vulcão esperou para que a corrida acabasse para fazer-se explodir, numa erupção de grau 5, largando cinzas a 24 mil metros de altura, depositando cinzas em onze estados. Isto colocaria as cinzas do actual Eyjafjallajokull num canto... O vulcão perdeu 400 metros de altura (de 2.950 metros a 2.550 metros) e a devastação atingiu uma área de 16 quilómetros quadrados. A paisagem, que antes da erupção era o de um verde luxuriante, com um lago pelo meio, virou uma paisagem lunar.

Quanto a David, seu corpo nunca foi encontrado, eventualmente devastado pela torrente de lama e cinzas do "lahar" subsequente. Daniel Johnson foi uma das 57 pessoas mortas na explosão do vulcão, um dos mais poderosos da segunda metade do século XX. E poderiam ser muito mais, caso as autoridades não tivessem evacuado boa parte da zona semanas antes. Apesar de tudo, os prejuizos ascenderam na altura a mil milhões de dólares, resultado da destruição imediata de 200 casas, 27 pontes, mais de 30 quilómetros de estradas e vias férreas, entre outros.

Hoje em dia, o Monte de Sta. Helena e a paisagem à volta é um Parque Nacional, e o posto de observação foi batizado com o nome de David Johnson, honrando a sua memória.

E tudo isto acontecia enquanto boa parte do mundo via o Grande Prémio do Mónaco. Quando Derek Daly voava sobre os seus colegas, Ian Curtis estava pendurado na cozinha de sua casa e o vulcão St. Helens estava prestes a explodir. Engraçado como este dia em especial ficou marcado nas mentes das pessoas um pouco por todo mundo. Por mais do que um motivo.

Troféu Blogueiros - Ronda 6, Mónaco

E eis as notas do Troféu Blogueiros em relação ao GP do Mónaco. Como é obvio, cada cabeça, sua sentença, mas eu julgava que as pessoas seriam um pouco mais duras para com o Michael Schumacher, confesso. A nota 4 tem mais a ver com a classificação final do que a sua manobra "Dick Vigarista", afirmo.

A mesma coisa se aplica no caso do Fernando Alonso. Não ia dar nota oito só por causa da corrida, porque analiso todo o fim dxe semana, e não esta ou aquela manobra. Sempre foi esse o meu critério e daqui bão saio. A mesma coisa se aplica ao Lucas Di Grassi. Sinceramente, não vi nada que o fizesse sobressair no fim de semana, a não ser que acabou a corrida.

Enfim, já justifiquei as minhas opções. Até à próxima corrida!

GP Memória - Monaco 1980

Depois de Zolder, o pelotão da Formula 1 estava no Mónaco, palco da sexta prova do ano, certamente o mais glamoroso dos palcos do calendário. Sem mudanças no pelotão da Formula 1, desta vez tinham de lutar contra um critério ainda mais apertado para se qualificarem, pois apenas existiam vinte lugares para os 27 pilotos inscritos desta vez.

Com uma qualificação muito dura, o melhor foi o Ligier de Didier Pironi, que embalado com o feito de Zolder, conseguiu o melhor lugar da grelha nas ruas do Principado, tendo a seu lado o Williams de Carlos Reutemann. Na segunda fila se instalavam o segundo Williams de Alan Jones e o Brabham de Nelson Piquet, enquanto que na terceira estavam Jacques Laffite, no segundo Ligier, e o Ferrari de Gilles Villeneuve, que aproveitava as ruas do Mónaco para atenuar o mau chassis que tinham naquele ano. O Alfa Romeo de Patrick Depailler era o sétimo a partir, sinal do desenvolvimento que aquele chassis estava a ter nas mãos do piloto francês. Ao seu lado estava o seu companheiro Bruno Giacomelli. E a quinta fila, fechando o "top ten" estava o Tyrrell de Jean Pierre Jarier e o McLaren do novato Alain Prost.

Aqui já estava metade da grelha, mas dos pilotos não qualificados para a prova, havia algumas revelações: o McLaren de John Watson e o Brabham de Ricardo Zunino eram os mais surpreendentes, enquanto que o Fittipaldi de Keke Rosberg, o Osella de Eddie Cheever, o Ensign de Tiff Needell e os Shadow de Geoff Lees e Dave Kannedy faziam parte deste lote.

E mesmo os que se qualificaram, havia alguns "close calls". Os cinco últimos da grelha eram pilotos de cartaz. Por esta ordem, Jean-Pierre Jabouille, Jody Scheckter, o campeão do mundo de 1979, Emerson Fittipaldi, Mario Andretti e René Arnoux fechavam o lote...

No dia da corrida, o tempo estava nublado, mas o piso estava seco. Os carros alinharam para a corrida, e quando esta foi dada, Pironi manteve a liderança, seguido por Reutemann, Laffite e Depailler, que conseguiu passar Piquet. Mas logo atrás começava o caos, quando o Tyrrell de Derek Daly não conseguiu parar e saltou por cima de vários carros, causando uma carambola. No incidente, ele, o seu companheiro Jarier, o McLaren de Prost e o Alfa Romeo de Giacomelli ficaram logo de fora. Jan Lammers também estava danificado, mas após uma longa reparação, pode continuar na corrida. Acabaria não classificado, a 14 voltas do vencedor.

A corrida continuava, com Jones a passar Reutemann nas curvas seguintes, e o australiano passava a perseguir o francês da Ligier. A corrida ficou assim até que o diferencial do Williams de Jones cedeu na volta 24, deixando a parseguição às mãos de Reutemann, seguido por Laffite, Depailler e Piquet.

As coisas se mantêm até perto do segundo terço da corrida, quando começa a chover de forma fraca. Nessa altura, o motor Alfa Romeo de Depailler já tinha explodido, quando o veterano francês ia a caminho do terceiro posto, enquanto que Pironi já se debatia com problemas na caixa de velocidades, especialmente com a terceira marcha. Na volta 54, Pironi perde o controle do seu carro na curva do Casino e bate, entregando o comando a Reutemann, não o largando até ao final. Atrás dele vinha o Ligier e Laffite e o Brabham de Piquet, mas ambos estavam solidamente incrustrados nas suas posições, sem ninguém que os incomodasse. E foi neste sentido que os pilotos viram a bandeira de xadrez nas ruas do principado. Bem a tempo, pois a chuva já caia com mais força nesse momento...

Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Arrows de Jochen Mass, o Ferrari de Gilles Villeneuve e o carro de Emerson Fittipaldi, a duas voltas do vencedor. Para Mass e Villeneuve, iriam ser os melhores resultados do ano, e para o veterano brasileiro de 33 anos, seria a última vez que pontuaria na Formula 1.

Fontes:

http://www.grandprix.com/gpe/rr334.html
http://en.wikipedia.org/wiki/1980_Monaco_Grand_Prix

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Youtube Formula 1 Classic: Red Bull comemora no Mónaco



OK, foi ontem, mas para mim já faz parte da história. A Red Bull conseguiu aqui a sua primeira vitória no Mónaco, e agora está na situação de lierar ambos os campeonatos, de Pilotos e Construtores, com Mark Webber, o vencedor, e Sebastien Vettel, empatados na primeira posição na tabela, com 78 pontos!

É claro que este feito merece ser celebrado, e a motorhome da equipa tem uma pequena piscina que foi usado por eles para comemorarem em estilo, por Webber, Vettel... e a restante equipa. Definitivamente, a cada dia que passa, a Red Bull ganha adeptos, pois nesta Formula 1 macambúzia e polémica, eles são completamente diferentes. Trabalham, ganham e divertem-se!

E não foi só na piscina. Também comemoraram no mar!

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana tem a ver com a vitória de Mark Webber no GP do Mónaco, que o piloto australiano comemorou... com um salto para a piscina. É isso que é mostrado na capa da revista portuguesa. "Webber dá banho no GP do Mónaco" é o título da capa.

A partir desse título, os subtítulos sobre esta corrida falam sobre o rescaldo do GP monagasco, nomeadamente a actual classificação do campeonato ("Webber e Vettel empatados na liderança do Mundial"), que demonstra a liderança da Red Bull e a derrota dos seus principais rivais ("Ferrari e McLaren afundam-se na tabela"), e o caso da corrida ("Schumacher e Alonso envolvidos em nova polémica").

Para além da Formula 1, outra grande noticia do fim de semana competitivo foi a vitória de Pedro Lamy nas 24 Horas de Nurburgring, no seu BMW M3 GT2, conseguida ao lado de Augusto Farfus, Jorg Muller e Uwe Alzen. E para o piloto português, é especial, pois é a quinta vitória da sua carreira. "Pedro Lamy é o novo recordista das 24 Horas de Nurburgring". Na verdade, o título induz em erro, pois na verdade, apenas igualou o recorde detido até agora pelo alemão Marcel Tiemann.

Para finalizar, uma referência para o Campeonato Português de GT, onde César Campaniço e João Figueiredo venceram a prova de Portimão, ao volante do Audi R8 GT. "Quem para o Audi de Campaniço e Figueiredo?"

Youtube Rally: Sordo testa o novo modelo da Citroen WRC



Apesar de faltarem cerca de dez dias para o sexto rali do ano, em paragens portuguesas, as marcas começam a testar as várias máquinas que estarão na estrada no ano que vêm. E se este fim de semana a BMW confirmou em Nurburgring que irá participar no Mundial de 2011, através da Mini, que será preparada pela Prodrive de David Richards, também nesta semana a Citroen esteve em Corbiéres, no sul de França, para preparar o seu modelo DS3 WRC, nas mãos de Dani Sordo.

O motor do carro é ainda o 2.0 litros, o mesmo que equipa os modelos C4 WRC, mas aparentemente tem um restritor de potência que o coloca ao nível dos 1.6 litros Turbo, que poderá ser o escolhido pela FIA não só para o WRC, como também pela Formula 1, este a partir de 2013.

Enfim, deixo-vos o video para ficarem com uma ideia do novo carro.

Grand Prix (chapter twelve)

(continuação do capitulo anterior)

Passada uma hora, as nuvens abriam-se e davam lugar aos raios de sol dessa Primavera que mal tinha chegado ao circuito de Thruxton. Os carros estavam alinhados na grelha, agora com piso seco, da maneira como tinham cortado a meta, ou seja, Antti Kalhola era o primeiro e Alexandre Monforte o terceiro, tendo entre eles o Tecno de Patrick Van Diemen. Um Jordan e dois Tecnos, numa pista de velocidade pura, onde provavelmente os favoritos à vitória estariam logo a seguir, com os Matras de Gilles Carpentier e de Pierre de Beaufort, pois todos sabiam que os Matras eram melhores máquinas do que os Jordan e os Tecno, especialmente em piso seco.

Nas boxes, o grupo tinha observado ambos os jovens pilotos. Não poderiam ser mais constrastantes: um era loiro com cabelos longos e pele clara, enquanto que o outro tinha pele mais escura, tinha cabelo escuro e cabelo mais curto. O finlandês parecia desmazelado, ocupado com o funcionamento do seu carro quase obssessivamente, enquanto que o sildavo se apresentava imaculado, limpando o seu capacete de forma cuidada, enquanto que os mecânicos estavam à volta dele. Mas pouco depois, ele estava também à volta da máquina, vendo se tudo estava no seu lugar, para que não tivesse qualquer surpresa mecânica quando voltasse ao volante.

Gilles Carpentier também estava de volta á sua máquina. Ouvia atentamente às explicações dos seus mecânicos sobre o estado da sua máquina e as hipóteses de chegar ao fim. A segunda bateria seria dali a pouco, mas para vencer a corrida, tinha não só bater os adversários que estavam à sua frente, como também de ganhar uma distância considerável sobre eles. E Gilles tinha de recuperar cinco segundos, o que convenhamos, não era uma tarefa fácil. Mesmo com a melhor máquina do pelotão.

Nas boxes, John O'Hara abordou a sua irmã para falar:


- Viemos aqui para ver um piloto e acabamos por descobrir dois, afirmou a sorrir.
- É verdade, mas acho que eles ainda estão muito 'verdes'. E acho que Pete deve pensar a mesma coisa.
- Bom, vou perguntar isso, afirmou. Virando a cabeça em direcção a ele e a Mike Weir, perguntou:
- Então, que acharam dos novatos?
- A continuar assim estarão mortos dentro de três semanas, afirmou Mike. Demasiado bons, demasiado irresponsáveis, sentenciou. Mas só vi uma corrida. Quero ver esta até tirar uma conclusão definitiva.
- Eu também quero os ver nesta bateria, afirmou Pete. Têm potencial, agora veremos se sobrevivem a esta corrida, concluiu.


Pouco depois, o "speaker" de serviço anuncia que faltam três minutos para o inicio da segunda bateria. Os pilotos entram nos seus carros, enfiam os seus capacetes na cabeça, as suas luvas de protecção, os mecânicos apertavam os seus cintos de segurança em alguns dos seus carros. Nem todos os carros tinham esse dispositivo, pois nem toda a gente tinha, ou queria isso. O Jordan de Antti Kalhola, sendo mais velha que o resto do pelotão, não tinha esse dispositivo, mas os Tecnos e os Matras tinham um cinto de quatro pontos nos seus cockpits, pois eram mais novos e o tinham, pois as construtoras já começavam a consciencializar-se sobre a segurança dos seus pilotos.

Quando um novo aviso soou nos altifalantes, a corrida iria começar em menos de um minuto. Os motores começaram a funcionar e os carros estavam prontos para arrancar dali. Uma pessoa, certamente o director do circuito, tinha uma bandeira verdade na sua mão para dar a partida da prova. Depois de um compasso de espera, a partida foi dada, com os carros lançados rumo à primeira curva.

Como seria de esperar, os Matras azuis passaram para a frente na primeira curva, mas Beaufort sai um pouco na sua trajectória, aproveitada pelo duo para o tentar ultrapassar em termos de potência, algo que o conseguem, apesar das defesas do piloto mais velho. Van Diemen fica atrás de Beaufort, a uma distância segura, mas sem tentar atacar, pois já tinha a vantagem que queria devido ao resultado da primeira corrida.

Mas para Kahola e Monforte, a batalha era outra. Tinham de apanhar Carpentier e bater um ao outro para serem os vencedores da corrida de Thruxton. O francês era o lider, mas não conseguia ganhar a vantagem que queria, porque os outros dois não o deixavam. Mesmo com máquinas inferiores ao Matra, conseguiam dar luta.

Entre eles, Monforte tinha de estar à frente do finlandês para anular a desvantagem que tinha, cerca de um segundo, para ser o vencedor do conjunto das mangas. Tinha uma boa máquina, mas os Matras oficiais eram melhores, especialmente nas corridas de velocidade pura. Contudo, o despiste de Beaufort tinha lhe facilitado a vida, e partiu em perseguição do francês.

Carpentier puxava pelo carro, mas Monforte não ficava para trás. E ele também tinha algumas dificuldades para se afastar de Kalhola, pois ele, mesmo com uma máquina inferior, dava tudo para não os perder, especialmente nas travagens, onde carregava no pedal uns segundos mais tarde, para ganhar velocidade nas curvas. À medida que a corrida chegava a meio, Carpentier era o lider, mas Monforte seguia atrás, e Kalhola não rolava muito longe, mas estava a correr nos limites. E os três tinham cavado distância sobre os mais velhos, que já era de três segundos.

O duelo a três era à distância, e eles davam o máximo. Parecia algo aborrecido, mas sabia-se que com aquelas máquinas, a hipótese de quebra ou falta de concentração devido aos pilotos que dobravam podia ser real, logo, a corrida só terminaria quando passasem pela bandeira de xadrez. Quantos e quantos não perderam corridas de resultado certo com a meta à vista?

E a corrida de Thruxton não seria excepção, especialmente quando a impaciência de Antti levou a melhor. Lutando com um carro inferior, aproximava-se de um grupo de retardatários quando chegou à curva final, mais lenta do que as outras. Para não perder tempo com eles e deixar fugir Monforte, travou mais tarde com o seu Jordan. Mas esse mais tarde foi tarde demais: as rodas tocaram-se e o Jordan branco e azul voou para fora da pista, parando com a suspensão danificada. Se aguentasse mais um pouco, tinha um pódio certo, mas a impetuosidade dos seus 19 anos levou a melhor. Ficava para a próxima corrida...

- Que pena, afirmou John O'Hara.
- Ainda está muito verde, mas tem potencial, respondeu Pete. Só espero que sobreviva até chegar à Formula 1, concluiu.
- E quem vai ganhar?
- Parece que é o sildavo. Ele não se descolou do francês. São bons, os dois.
- Tem é de chegar primeiro ao fim, não é? respondeu Sinead, intrometendo-se na conversa.


À entrada da última volta, Carpentier e Monforte seguiam juntos na liderança. O francês tentou tudo por tudo para se afastar do piloto da Tecno, mas não o conseguiu, fazendo com que isto fosse uma "vitória de Pirro", pois precisava de cinco segundos de diferença para ser o vencedor. Afinal, não conseguiu mais do que um segundos de avanço, muito por mérito de Monfrte, que conseguiu dar o máximo para não se descolar do piloto do Matra.

Parecia que as coisas iriam acabar dessa maneira, e assim foi: Carpentier cruzou a meta, mas o vencedor era o sildavo de 22 anos, vindo de um país sem tradição automobilistica. Naturalmente, comemorou a vitória agitando os punhos no ar, contente pelo feito. Pierre de Beaufort ficou com o terceiro posto, á frente de Patrick Van Diemen e Peter Reinhardt.

No pódio, o piloto recebeu uma enorme coroa de louros, acompanhado por um troféu da organização. Cumprimentou os dois pilotos da Matra e colocou-se em sentido, embora com um sorriso, para ouvir o hino do seu país.

Na boxe, o grupo via a cerimónia e dizia de sua justiça:


- São bons, os três, afirmava Mike Weir. Acho que o Pierre nos convidou para ver o Gilles Carpentier, e penso que é um bom piloto. Mas...
- Aqueles dois encheram o olho. O finlandês tem muito talento, o sildavo tem mais cabeça. Gostei dos dois, são bons pilotos para a década que aí vem, aposto, concluiu Pete.
- Ah sim, os dois são bons. É melhor aproveitar agora, porque quando chegarem, eles vão levar tudo à frente, comentou John O'Hara, com um sorriso.


Beaufort e Capentier chegaram-se ao grupo, e o mais velho fez as apresentações.

- Gilles, quero apresentar os meus amigos. Este é Mike Weir, o homem da Weir Automotive, que tem um lugar para ti em Le Mans, se quiseres...
- Eu quero, se ele deixar, respondeu o mais novo.
- Acho que sim, tens potencial para isso, sentenciou Mike.
- Como vai, sr. Aaron? perguntou Gilles.
- Ando bem. És bom piloto, Gilles, respondeu Pete.
- Soube que vai formar uma equipa. Tem piloto?
- Tenho. É este senhor que está a meu lado, respondeu Pete, apresentando John O'Hara.
- Como vai?
- Vai ser campeão do Mundo, tenho a certeza! exclamou John O'Hara.
- Obrigado pelos elogios, ahah, respondeu soltando uma risada.

- E eu sou a Sinead, a irmã de John, aformou, estendendo a mão.

Gilles retribiui o gesto, sem desviar o olhar dos olhos verdes esmeralda da irmã de John. O cumprimento demorou por mais um pouco, e logo todos repararam no gesto. Antes que alguém interviesse, Gilles respondeu um pouco baixo:

- É um prazer conhecê-la, Sinbad.
- É Sinead, querido, afirmou sorridente.
- Pois é, desculpa
, reagiu, retirando a mão de forma um pouco atabalhoada, causando o sorriso dos presentes.

- Pelos vistos não tem muito jeito para as senhoras... afirmou Pete.
- ... e com ela, só sob o meu cadáver, concluiu jocosamente John, antes de lhe dar uma forte palmada nas costas. Acho que ganhaste o dia, rapaz, concluiu John.

Entre Mike e Pierre, ambos acederam sobre Gilles, afirmando.

- É ele que queres?
- É.
- Então temos negócio, afirmou.

A seguir, ambos apertaram as mãos, selando o acordo.

(continua)

domingo, 16 de maio de 2010

As novidades sobre o caso da professora que posou para a Playboy

Aviso: este post contêm imagens para maiores de 18 anos. Estão por vossa conta e risco, se forem menores!

Os mais recentes desenvolvimentos do caso da professora que posou nua para a Playboy são aqueles que estava mais ou menos à espera, confesso. A rapariga de 27 anos foi transferida para o Arquivo Municipal de Mirandela, e claro, apareceram grupos e sondagens a defender a rapariga, Bruna Real de seu nome. E claro, soube-se mais algumas coisas sobre ela. É daquelas modelos que tirou um curso para ter um "backup", caso as coisas não dessem muito certo. Ela fez bem, para ser sincero.

O ensaio não custou mais do que 700 euros, o equivalente a um mês de salário daquilo que ganha em Mirandela, e como disse, era um daqueles ensaios secundários. Ou seja... não era nem a famosa, nem a playmate do mês. E por causa disso... arrisca-se a sê-lo. Ou julgam que eles não iriam aproveitar a ocasião. Ah pois, nada como uma bela polémica para aumentar as vendas! E soube-se hoje que recusou recentemente um novo ensaio, alegando que não queria perder dias de aulas, onde lecionava uma cadeira de actividades extracurriculares numa escola de Ensino Básico. Ou seja, crianças de 8 e 9 anos. Um interessante caso de uma beleza inteligente.

"O que eu fiz foi apenas tirar umas fotos e não vejo por que não posso voltar a dar aulas. Eu não fiz mal a ninguém.", disse numa entrevista ao jornal Correio da Manhã. Algo que é apoiado pela mãe: "Apoiei a minha filha quando ela decidiu fazer a sessão fotográfica para a revista Playboy, não estou arrependida de o ter feito e vou apoiá-la em tudo quanto a mesma necessitar, principalmente neste momento em que mentes perversas vêem maldade onde não existe.", afirmou ao jornal Diário de Noticias.

Entretanto, já foi formado um grupo de apoio à rapariga no Facebook, claro. Até agora conseguiu a adesão de 22.193 membros, o que mostra o impacto que isto está a ter por aqui. Vamos a ver como é que isto vai acabar, mas com tudo o que está a passar, provavelmente o tiro pode ter saído pela culatra...

A quinta de Lamy no Nordschleife

O Nurburgring Nordschleife é o Inferno Verde, tal como disse certo dia o escocês Jackie Stewart. De facto, mesmo com o advento da segurança nos circuitos e nos carros, o desafio que o circuito ainda demonstra incute nos pilotos um grau de respeito por ela. E qualquer um que ganhe alguma prova naquele circuito é um herói, na minha opinião.

Portanto, ver esta tarde a vitória de Pedro Lamy nas 24 Horas de Nurburgring, com um BMW M3 GT2, em conjunto com o brasileiro Augusto Farfus e os alemães Uwe Alzen e Jörg Muller, e perante 220 mil espectadores, é um excelente feito para o baixinho piloto da zona de Alenquer. Ainda por cima, uma semana depois de vencer pela segunda vez na carreira os 1000 km de Spa-Francochamps, ao lado de Sebastien Bourdais e Simon Pagenaud.

"Estivemos sempre em luta directa pelos lugares cimeiros. Sabíamos que a concorrência estava muito forte, mas jamais baixámos os braços. Durante 24 horas estivemos sempre ao ataque, numa tentativa de perder o menos tempo possível nas boxes e com isso conseguir ganhar terreno em pista", começou por referir.

"Depois de estarmos bastante tempo na segunda posição, acabamos por alcançar a liderança na derradeira hora de corrida. Apesar de problemas na caixa de velocidades, conseguimos manter o andamento e cortámos a linha de meta na primeira posição. Foi uma corrida bastante intensa, onde a BMW Motorsport mostrou todos os seus créditos. A equipa foi fantástica a todos os níveis e acho que estamos todos de parabéns.", concluiu.

Vendo as coisas desta forma, aos 38 anos, Lamy tem um impressionante palmarés na Endurance. Afinal de contas, esta é a sua quinta vitória nas 24 horas de Nurburgring, e já ganhou por duas vezes os 1000 km de Spa-Francochamps, só para referir os seus feitos mais recentes. Aliás, em tudo por onde passou, sempre foi um dos melhores, excepto na Formula 1. Mas ele já deixou isso para trás há muito.

Agora vem mais um desafio, que são as 24 Horas de Le Mans. Inscrito numa equipa oficial, é um dos favoritos à vitória com o seu 908 HDi, e corre ao lado de dois franceses, portanto a vitória é possivel. Já subiu ao pódio em 2006, quem sabe se dentro de um mês, estaremos a comemorar mais um importante feito para o automobilismo português? Adoraria!

Era previsto: Schumacher penalizado em 20 segundos

Era esperado, não é? A FIA não foi de modas e decidiu punir a manobra de Michael Schumacher na última curva do Grande Prémio do Mónaco, ultrapassando o Ferrari de Fernando Alonso na curva Anthony Nogués com vinte segundos de penalização, caindo para o 12º lugar final, ficando fora dos pontos.

Apesar da manobra ser genial, o artigo 40.13 dos Regulamentos Desportivos é claro nesse aspecto: "Se a corrida chegar ao seu termo enquanto o safety car estiver em pista este entrará no pitlane no derradeira volta e os carros deverão terminar a corrida sem ultrapassagens." Assim sendo, quando as pessoas viram a manobra, a penalização já era visto como inevitável. Schumacher lá tentou justificar o injustificável: "Acho que estava em sexto e ouvi a mensagem 'pista livre'. Isso significa que o safety car foi embora, a zona do acidente estava limpa, então achei que podia ir", afirmou, em declarações captadas pelo sitio Tazio.

Podemos dizer que após quase 20 anos de convivência de Schumacher na Formula 1, e sabendo todos nós dos seus episódios duvidosos, só estavamos à espera, neste seu regresso à Formula 1, se ele iria ter a oportunidade de fazer alguma falcatrua. Tal como aconteceu da última vez, em 2006, o Mónaco é o palco ideal das suas manobras duvidosas. Quem sabe, nunca esquece...

Claro, a Mercedes já disse que iria apelar da decisão. Está no seu direito, mas o chato é descobrir que um dos comissários de pista, o ex-piloto de ocasião se perferirem, é... Damon Hill. Pois é, isto pode não acabar por aqui.

Assim, Alonso ficou com o sexto lugar final, com Nico Rosberg a ficar no sétimo posto, os Force India de Adrian Sutil e Vitantonio Liuzzi a serem respectivamente oitavo e nono classificados e o Toro Rosso de Sebastien Buemi a ficar com o último lugar pontuável.

Formula 1 2010 - Ronda 6, Mónaco (Corrida)

No calendário desde 1955, após uma prova inicial em 1950, o Mónaco é um clássico da Formula 1. Já vimos imensas corridas disputadas sob chuva, sob sol, e no tempo que as caixas de velocidade eram manuais, eram feitas em média à volta de 4200 passagens de caixa. E não todas elas foram emocionantes...

E este ano foi algo parecido com uma procissão. Numa semana em que Portugal recebeu o Papa Bento XVI, com três procissões para o povo ver, assisti à quarta procissão da semana. A culpa não é de Mark Webber, que esteve bem ao liderar de ponta a ponta, sem erros naquele que é o melhor carro do pelotão, mas os que estavam atrás de si, que não conseguiram apanhar o australiano. E como os que assistem as corridas querem ver ultrapassagens a torto e a direito, para eles, isto só despertou o sono.

Mas houve ultrapassagens e emoção, sim senhora. Fernando Alonso conseguiu recuperar de último até ao sexto lugar, numa excelente corrida, e o Safety Car apareceu por quatro vezes em pista. Primeiro para tirar o Williams de Nico Hulkenberg, depois para tirar o outro Williams de Rubens Barrichello, a terceira vez para reparar um bureiro deslocado na Curva Massenet e por fim para retirar o Lotus de Jarno Trulli, que ficou encavalitado no Hispania de Karun Chandhok. Assustou, mas não houve nada de especial.

E isso aconteceu a três voltas do fim, fazendo com que todos pensassem que a corrida iria acabar com o Mercedes SLS AMG. Um imbróglio para descalçar por parte dos Comissários de pista, que queriam ver como é que isto não acabaria sob o super-carro cinzento. No final, ele retirou-se nos metros finais da corrida, mas logo a seguir... outra polémica. Quando os carros passam por La Rascasse e iam a caminho da Curva Anthony Nogués, Michael Schumacher aproveita um deslize de Fernando Alonso para forçar uma manobra de ultrapassagem... e consegue. Este "ratice" de Schumacher, não só demonstrou que o seu lado "Dick Vigarista" nunca o abandonou, fez com que a corrida não passase para os arquivos da história como uma chata procissão liderada pelos carros energéticos...

E se acontecer, será uma injustiça, principalmente para Robert Kubica. O piloto da Renault está a aproveitar estas ocasiões para brilhar a bordo de um carro e de uma equipa bastante subestimada no inicio da época, após o seu "esvaziamento" por parte da marca-mãe. E depois de colocar à venda o seu segundo lugar, "comprado" por Vitaly Petrov, pensava-se que iriam penar no meio do pelotão. Afinal, ao chegarmos o primeiro terço da temporada, Kubica já chegou ao seu segundo pódio... e claro, um pódio monopolizado pelos motores franceses.

E Mónaco foi-se. Agora teremos Istambul, rumando para a modernidade "tilkiana". Veremos ser será muito ou muitissimo aborrecida...

sábado, 15 de maio de 2010

GP2 - Ronda 2, Corrida 2 (Mónaco)

A segunda corrida do fim de semana monegasco foi corrido nos mesmos moldes do primeiro: 26 homens loucos tentando passar uns aos outros, e o melhor seria aquele que sobrevivesse e cortasse a meta na primeira posição. E aqui, o melhor foi o belga Jerome D'Ambrosio, piloto de testes da Renault, que no seu DAMS aproveitou bem a posição que largava na grelha para conseguir a sua primeira vitória do ano, à frente do holandês Gierdo van der Garde e do francês Jules Bianchi. O venezuelano Johnny Ceccoto Jr, o brasileiro Luiz Razia e o espanhol Sergio Perez completaram os lugares pontuáveis.

Como sempre, foi uma prova atribulada. Na partida, cinco carros cortaram a chicane de Ste. Devôte, entre os quais Pastor Maldonado e o ORT de Fabio Leimer, e foram penalizados com um "drive through", queimando definitivamente as suas corridas. No final, Maldonado foi um discreto 11º classificado, enquanto que Leimer foi 17º. Depois, um acidente com o carro de Alberto Valério obrigou à intrdução do Safety Car, que lá ficou durante cinco voltas. Depois a corrida prosseguiu sem interrupções até final.

A GP2 regressa dentro de duas semanas, no circuito turco de Istambul.

The End: Loris Kessel (1950-2010)

O antigo piloto suiço Loris Kessel morreu esta manhã na cidade de Montagnola após uma longa batalha contra uma leucemia, que lhe debilitava há cerca de dois anos. Tinha 60 anos de idade e foi um dos muitos pilotos do fundo do pelotão que puluaram as grelhas nos anos 70. Mas a carreira de Kessel é muito mais eclético do que meia dúzia de participações na Formula 1, pois esteve na Formula 3, Formula 2, ralis e tinha até uma equipa que participava no Ferrari Challenge.

Nascido a 1 de Abril de 1950 em Lugano, no cantão de Ticino, a mesma cidade que tinha visto nascer Clay Regazzoni dez anos antes, Kessel começou a sua carreira nos ralis no inicio da década, até que mudou-se para a Formula 3 em 1973, correndo até ao ano seguinte. Em 1975, Kessel mudou-se para a Formula 2 para correr pela Ambrosium Racing, num chassis March-BMW. Conseguiu um pódio em Hockenheim, no terceiro posto, e conseguiu mais um quarto lugar na segunda passagem pelo circuito alemão, algumas semanas mais tarde. Acabou a época na 15ª posição, com sete pontos.

Em 1976, junta dinheiro para dar o salto para a Formula 1. A RAM Racing, equipa de John McDonald, tinha comprado no inicio da época dois chassis Brabham BT44B, para os alugar a pilotos que estivessem dispostos a isso. Kessel foi o primeiro deles, sendo o segundo o espanhol Emilio de Villiota. Kessel não conseguiu qualificar-se em Jarama, mas depois a conseguiu na prova seguinte, no circuito belga de Zolder, onde terminou na 12ª posição. Iria ser depois a sua melhor classiifcação de sempre.

Naquele ano, correu ainda em Anderstorp, Paul Ricard, onde voltou a não qualificar, Silverstone e Zeltweg. Cinco provas com resultados modestos.

No ano seguinte, Kessel decidiu participar no projecto da Apollon, um chassis que tinha como base um chassis Williams FW03, desenhado por John Clarke, e foi redesenhado para estar mais actualizado em termos de aerodinâmica. Kessel foi o escolhido para correr no carro na unica vez que ele esteve em prova, no GP de Itália, em Monza. E foi um feito, pois era um carro muito lento, e a equipa tinha tentado levar o carro ao longo da temporada, mas nãlo o conseguiram devido a problemas com o transporte.

No final, Kessel tinha seis provas, em duas temporadas, conseguindo zero pontos.

Após isso, Kessel volta à Formula 3 em 1978, onde não consegue grandes resultados, ficando aí até 1980, onde passa para a Formula 2 em 1981, sem sucesso também. Em 1982 ruma para a Endurance, onde participa nas edições de 1983 e 85 das 24 horas de Le Mans, sem grandes resultados. Após isso, deixa de lado o automobilismo para se dedicar ao negócio de automóveis que monta na sua Lugano natal.

Em 1993, regressa às 24 Horas de Le Mans, a bordo de um Porsche 962C da equipa alemão Obermeier Racing, ao lado de dois alemães, e termina num honroso sétimo lugar final. Será provavelmente o seu melhor resultado em muito tempo. Pouco depois, monta a sua equipa, a Loris Kessel Racing, para correr na GT italiana, e um dos seus pilotos será o italiano Alex Caffi, que também teve a sua passagem pela Formula 1 no final da década de 80 e inicio da de 90.

E agora... Ars lunga, vita brevis.

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Loris_Kessel
http://www.kesselracing.ch/home.htm
http://www.f1total.net/faster/modules.php?name=Enciclopedia&op=content&tid=470&janela=1

Formula 1 2010 - Ronda 6, Mónaco (Qualificação)

Sob céus claros, a qualificação deste clássico da Formula 1 é um espectáculo digno de ser visto, pois ali é o unico sítio onde um erro, um unico erro, é suficiente para o colocar fora de pista. E mesmo os campeões do mundo não escapam: Fernando Alonso bateu forte no terceiro treino livre na curva Massenet, anterior ao Casino, e não conseguiu participar na qualificação devido à extensão dos estragos. O resultado é que ele vai partir do último lugar. Já imaginaram, um Ferrari ao lado do Hispania de Karun Chandhok? Pois é... só no Mónaco!

"Não tive qualquer problema mecânico. O que aconteceu foi que eu bloqueei as rodas da frente e bati nos rails", justificou o piloto asturiano ao jornal espanhol Marca.

Passado o primeiro choque, começou a qualificação propriamente dita. Na Q1, com o tempo limpido, os estreantes ficaram no seu lugar, com a Lotus de Heikki Kovalainen a ser a melhor, batendo os Virgin e Hispania, com Bruno Senna à frente de Karun Chandhok. Mas o mais interessante é que aqui no Mónaco, o melhor tempo de Kovalaianen ficou a menos de um segundo que o Toro Rosso de Jaime Alguersuari.

Por esta altura, Felipe Massa tinha feito o melhor tempo, mas no Q2, foi a vez de Nico Rosberg a fazer o melhor tempo, com o Red Bull de Mark Webber e o McLaren de Lewis Hamilton a ficarem logo atrás. A qualificação continuou só com mais um incidente de relevo, quando o "rookie" russo Vitaly Petrov bateu em Ste. Devote e causou a amostragem de bandeiras amarelas. E claro, o treino do russo ficou-se por ali... No final da Q2, os eleitos foram o Ferrari de Massa, os Mercedes, os McLaren, os Red Bull, o Renault de Robert Kubica, o Williams de Rubens Barrichello, e o Force India de Vitantonio Liuzzi, que bateu de forma algo surpreendente um Adrian Sutil num circuito onde costuma se dar bem.

E chegados ao Q3, quem abre as hostilidades é... Robert Kubica. O piloto da Renault faz primeiro um tempo-canhão de 1.14,284 segundos, o que força os outros a reagir, sendo o melhor deles o de Mark Webber, que desce do segundo 14 e faz 1.13,826 segundos, conseguindo a sua segunda pole-position consecutiva, e mantêm o monopolio da Red Bull em 2010 no lugar mais apetecivel da grelha.

Com a primeira flia definida na dupla Webber-Kubica, que demonstra a boa forma da Renault neste tipo de circuitos, a segunda fila terá o segundo Red Bull de Sebastien Vettel, definitivamente a demonstrar que a Red Bull é o melhor carro do pelotão, tendo a seu lado o Ferrari de Felipe Massa. Depois vem Lewis Hamitlton, Nico Rosberg, que superou Michael Schumacher, um discreto Jenson Button, o Williams de Rubens Barrichello e o Force India de Vitantonio Liuzzi.

"É fantástico estar na pole e a equipa fez um grande grande trabalho. Ter a pole em todas as corridas é muito bom para nós e para a Renault. É um bom resultado para a equipa, por isso temos de capitalizá-lo amanhã", disse depois o "poleman" Webber na conferência de imprensa. Espero que ele saiba que amanhã, dia de Grande Prémio, as 78 voltas à pista neste circuito citadino podem ser aparentemente chatas. Mas quem o conhece, sabe que essa "chatice" costuma ser demolidora...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Extra-Campeonato: A polémica do momento e uma hipócrisia mental

Aviso: as imagens colocadas neste post só são recomendáveis para maiores de 18 anos. Menos do que isto... estás por tua própria conta e risco!

Se não é a piada do mês, para lá caminha. Como é do conhecimento geral, a nossa Playboy existe há um ano, e todas as polémicas que tenho ouvido neste último ano tem mais a ver com a falta de pagamento às modelos mais famosas, ou então o caso em que deram, alegadamente, 800 euros à Rute Marlene para ser a capa. Ouvem-se rumores de que os donos da revista que tem os direitos de publicação em Portugal tem dívidas por toda a parte, a última das quais à primeira gráfica, que tentou colocar uma providência cautelar por dívidas a rondar os 50 mil euros.

Só que hoje, a polémica não tem a ver com as falcatruas da directoria. Agora tem a ver com o conteúdo. Na edição deste mês, veio-se a descobrir que uma das modelos em questão é uma professora de 25 anos, chamada Bruna e colocada em Mirandela, no interior do país, e dava aulas a miudos do ensino básico. Digo "dava-a", porque alguns pais "ofendidos" fizeram queixa contra ela e a Direcção de Educação local decidiu suspendê-la por tempo indeterminado.

Segundo a direcção da escola, a atitude da profissional foi considerada como "incorrecta" e, por isso, adiantou José Pires Garcia, o seu responsável “é preciso tomar uma atitude depressa. Aparecer numa revista sem roupa não é compatível com a função de educadora”, lamentou, lembrando que “mantê-la no agrupamento seria nocivo para a comunidade escolar”. Em suma: corre o risco de ser despedida.

Engraçada, esta suspensão "moral". Não vejo tais celeridades em casos de professoras que faltem sistemáticamente às aulas, por exemplo. Ainda hoje, via na TV um caso de uma professora de Matemática que faltou sistemáticamente às aulas o ano inteiro e a Direcção de Educação só se moveu agora, no final do ano lectivo. São casos diferentes, mas gostaria de ter viso o mesmo tipo de celeridade, confesso...

Confesso-me espantado pelo caso. Para mim, aquela nudez não é por ali além. É artistico, nada mais, nem é daquelas ditas "badalhocas". Aliás, ela está na revista como parte de um "conceito". Não é a famosa nua, nem a Playmate do Mês! Numa era em que a teconologia está ao alcance de toda a gente, é usual os casais a filmarem-se em pleno acto sexual e a colocar na Internet. Pior, a filmarem-se a fazer sexo em locais públicos em pleno dia! E não falo do "estrangeiro", falo daqui mesmo.

Neste caso em particular, eu "cheiro" em todo este caso a hipócrisia das pessoas, que provavelmente têm os seus telhados de vidro. Provavelmente alguns destes queixosos devem ir frequentemente aos bares de alterne existentes nos arredores da cidade, para largar dezenas, senão centenas de euros para se enrolarem com uma estrangeira, para não falar dos bordéis em Espanha, que não fica muito longe dali. Em suma, quando leio os motivos pelos quais suspenderam a professora, eu chamo-os simplesmente de "hipócritas".

Sou honesto: os badalhocos são eles. Não é a rapariga que posou nua, que eventualmente terá a sua carreira prejudicada por uns tempos, mas depois o pessoal se esquece do que passou e a vida continua como de costume. Ela deve ter feito isso como um extra de algum trabalho de modelo que tenha feito antes, e por mim, fez bem. Claro, a consequência é que agora não pode sair à rua. Sempre que algum rapaz da sua terra a ver, vai imaginá-la toda nua. Ah... punheteiros!

Mas compreendo tudo isto. A polémica acontece porque ela é professora. Tendo essa profissão, as pessoas acham que ela seria uma "má influência para as crianças". Outro preconceito! As pessoas acham que as pessoas que posam ali só podem ser cantoras, atrizes, dançarinas, etc. Professoras, advogadas, médicas, enfermeiras, policias? "Não, não, não pode ser, isso nunca!" Santa idiotice... temos de limpar o mais depressa possivel certos preconceitos judaico-cristãos que ainda existem nas nossas cabeças. Foram demasiados séculos a elogiar a violência e a vilipendiar o sexo, algo que deveria ter sido o contrário! A beleza do ser humano devia ser património da humanidade e não ser insultada por pseudo-talibans que provavelmente vão a uma praia de nudstas com um binóculo na mão, com a outra num dito cujo em posição de mastro de bandeira. Os badalhocos são eles, e não ela!

E reparem: com isto tudo, a revista esgotou-se na cidade e arredores, a Playboy é falada por outros motivos que não as "falcatruas" de que é acusada e a rapariga ganhou fama, demonstrando que neste rectângulo à beira-mar plantado, ainda há imensas mentalidades tacanhas.

Em suma: este caso seria cómico se não fosse trágico. Mas é tipico de mentalidades tacanhas. Espero e desejo que o povo de Mirandela ponha a mão na consciência e entenda que cometeram um grande disparate. E eles, tal como a direcção de educação local deve um pedido de desculpas a ela por a terem lixado temporariamente a vida.