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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Youtube Automotive Video: A estranha industtria automóvel norte-coreana

Sabe-se há muito tempo que o reino eremita da Coreia do Norte tem uma relação... complicada com os automóveis e a sua industria. O que não faltam são estórias sobre automóveis, desde uma compra de Volvos suecos dos quais... se esqueceram de pagar, até Mercedes que alegadamente construíram, para propagandear uma "industria" nacional de automóveis, mas na realidade... poderão ter comprado alguns Mercedes. 

E é sobre todas estas estórias que o Donut fez este video, do país mais fechado do mundo. 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Youtube Motoring Vídeo: Como é a industria automóvel na Coreia do Norte?

O quê, a Coreia de Norte fabrica automóveis?

Aparentemente, sim. Não em grande número como no sul, a nação da Hyundai, Kia, Ssangyong e outros, mas aparentemente, eles fazem, no meio dos preparativos militares, e das sanções. Resta saber quem os compra, porque isto não é exportável. Bem pelo contrário.

Sobre isso, o pessoal do Donut Media fez este filme para ficarmos com uma ideia de como são as coisas no Reino Eremita. 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Formula 1 e os perigos da geopolitica asiática

Apesar de ter escrito no Primeiro de Abril, este não é um assunto do qual possamos brincar por estes dias.  Sou grande fã de automobilismo, mas também adoro seguir a geopolitica internacional. E quem acompanha as noticias por estes dias, sabe que se vivem momentos de tensão em certas partes do continente asiático, especialmente quando temos uma imprevisibilidade chamada Kim Jong-un, o jovem líder da Coreia do Norte.

É certo que a Formula 1, e Bernie Ecclestone em particular não lhe interessa nada disso. O dinheiro que ele pede para que esses países possam acolher o Mundial é o único fator determinante, logo, temos a competição a rolar por países como o Bahrein, por exemplo. Que como sabem, desde 2011 vive uma agitação social entre a maioria xiita e a minoria sunita, do qual faz parte a família real. Tem havido centenas de prisões, alguma repressão, mas as coisas andaram calmas nos últimos tempos. Ou se preferirem, as manifestações não tem acontecido com tanta frequência.

Contudo, faltam agora 21 dias para o Grande Prémio e os ativistas decidiram aumentar a intensidade das manifestações, com um único alvo em em mente: o Grande Prémio. Toda a gente sabe que essa é a única manifestação que coloca a pequena ilha do Golfo Pérsico nas bocas do mundo, e como se vê desde 2011, o problema não foi resolvido. Os receios de que isto poderá ficar ainda mais violento são grandes, mas nem a Formula 1 - que ganha cerca de 45 milhões de dólares por ir lá - nem as autoridades desejam que isto seja perturbado, apesar de todos no meio (mecânicos, engenheiros e patrocinadores) estarem no mínimo  assustados. Afinal de contas, estão a lidar com uma pessoa que nos anos 70 e 80, levava a Formula 1 a uma Africa do Sul em pleno "apartheid", onde havia um forte boicote desportivo. Até o rugby, o desporto nacional daquele país, já não jogava mais em terras sul-africanas graças às pressões internacionais para o boicote. Acabou por ser em 1985 que a Formula 1 cedeu, depois de uma corrida atribulada.

Claro, muito provavelmente a Formula 1 acabará por correr no Bahrein. Eventualmente, o exército mobilizará a sua tropa e o local do circuito será isolado do resto do país, provavelmente, para garantir a segurança de toda a gente e evitar perturbações durante o fim de semana da corrida. As autoridades podem - e têm poder - para fazer com que a corrida aconteça "à porta fechada". Mas mesmo que a Formula 1 diga que não é politica e não quer saber da politica, mesmo que haja pessoas que protestem pelo facto da politica externa se interfira na Formula 1, não se consegue fugir dela. E claro, a cada ano que passa em que o pelotão da Formula 1 vai ao Bahrein, lentamente a sua reputação sofrerá uma erosão. A sua capacidade de atrair novos patrocinadores será mais complicada, pois passará a ideia de que a Formula 1 irá a qualquer lugar, desde que paguem o que está combinado, e provavelmente, poderá danar a reputação do automobilismo e afugentar mais patrocinadores.

Mas para além disso, pode haver outros problemas no horizonte. As tensões nas últimas semanas na península coreana têm sido mais altas do que o costume, devido ao facto de o novo lider da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ter anunciado que tinha rompido o armistício com a Coreia do Sul, ativo desde 1953 e declarado o estado de guerra entre ambas as Coreias, algo que já tem a acumular desde o final do ano passado, com o lançamento do foguetão balistico e a realização de mais um ensaio nuclear, o terceiro.  

Muitos dizem que isto não vai resultar em nada. A esses, dou os parabéns. É que das três, uma: ou são otimistas, ou conseguem ler o futuro ou então falaram por estes dias com o filho do Querido Líder. Mas permitam-se que faça o papel de pessimista: caso o pior acontecer, pode não ser só uma guerra entre as duas Coreias. Países como o Japão e a China poderão envolver-se no assunto, não porque queiram, mas porque o regime de Pyongyang pode decidir de tal forma. Um bom exemplo disso são as bases americanas existentes no Japão, que não fica muito longe da península coreana. Basta apenas que caia um míssil em solo japonês para alargar o conflito, por exemplo.

Em suma: num cenário de pesadelo, poderíamos a capital, Seoul, arrasada diariamente por peças de artilharia vindas do outro lado da fronteira - a Zona Desmilitarizada está a apenas 35 quilómetros - enquanto que um ou vários misseis, lançados pelos norte-coreanos, caíssem ou em solo japonês, fosse em Honshu (a maior ilha do arquipélago japonês) ou em Okinawa. Uma guerra de curta duração seria inevitável, mas não se saberia quando - e como iria acabar.

O problema seria se isso calhasse quando a Formula 1 andaria de novo em paragens asiáticas, a partir de setembro. O GP da Coreia do Sul seria a 6 de outubro, uma semana antes do GP do Japão, no circuito de Suzuka. Apesar do circuito coreano ficar bem longe de Seoul e da fronteira, para chegar lá, toda a gente tem de passar por Seoul ou Incheon, que são cidades bastante perto do paralelo 38, ou seja, a fronteira.

Em jeito de conclusão, os problemas estão aí. E varrê-los debaixo do tapete não é a melhor politica, porque aparecerão sempre. E a Formula 1 não pode estar eternamente a fazer de avestruz.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Youtube North Korea Mandness: Kimi Raikkonen, o Querido Piloto


Descobri isto esta tarde, e este video já tem uns meses: alguém aproveitou um noticiário da Coreia do Norte para fazer um elogio a Kimi Raikkonen, neste caso em particular, quando o finlandês regressou aos pódios, no Bahrein. 

O video foi feito pela cadeia de rádio X3FM, da Finlândia, e tem os tipicas "pérolas" norte coreanas, como "Todos os 'tiffosi' estavam deleitados com o sucesso do jovem Raikkonen na cidade de 'Espoonyang', apesar do porco imperialista Vettel ter sido declarado o vencedor. 'Kim Il Raikkonen' foi declarado com o vencedor moral da corrida, como foi comprovado pelas estatisticas feitas pelos nossos peritos coreanos. Assim sendo, será dedicado um mural ao nosso vencedor."

Ainda há tempo para "uma corrida local, com carros militares antigos, onde Kim Jong-un foi o mais do que óbvio vencedor, enquanto que, como de costume, Mikko Hirvonen ficou com o segundo lugar".

Enfim, só visto.

domingo, 14 de outubro de 2012

Formula 1 2012 - Ronda 16, Coreia do Sul (Corrida)

Confesso que acordei madrugada com a musica "Road to Nowhere" dos Talking Heads a zumbir nos ouvidos. E pensaria que seria a musica ideial para colocar no iPod do meu carro de aluguer, se estivesse na Coreia do Sul a caminho de Yeongnam. Seria como que alguém decidisse construir um circuito algures no Tocatins (no caso brasileiro) ou ao lado da barragem do Alqueva (no caso português) e ali se realizasse um Grande Prémio de Formula 1, graças à idiotice do promotor local do qual Bernie Ecclestone alegremente suga o seu dinheiro, qual Conde Drácula dos tempos modernos...

É essa a minha descrição de Yeongam, onde o público dorme nos moteis mais desenhados para outras atividades, e onde a grande atração desse ano é um cantor que já foi visto 400 milhões de vezes no Youtube. E digo isso porque a organização - que não é nada boba - convidou-o para dar animação à corrida. Não sei se convenceu o anãozinho a dançar Gangnam Style... mas se tivesse feito, teria feito o meu dia.

A qualificação tinha mostrado a tendência atual da Formula 1: a Red Bull, depois do dominio em Suzuka, tinha colocado ambos os carros na primeira fila da grelha de partida. Mas se Mark Webber tinha sido o melhor, os olhos estavam todos em Sebastian Vettel, que em caso de vitória, passaria Fernando Alonso no comando do campeonato e estaria melhor lançado rumo a um eventual tricampeonato consecutivo. Alonso era o quarto na grelha, depois de Lewis Hamilton, e o melhor que poderia fazer era minimizar os estragos, ou seja, ser melhor que o piloto da McLaren e ficar com o lugar mais baixo do pódio, e esperar que mais adiante, a Ferrari arranje uma solução para superar os Red Bull. 

A partida começou com uma confusão cada vez mais habitual, mas... na Curva 3. E desta vez, Romain Grosjean não sai culpado. Os eventos nessa curva aconteceram ao mesmo tempo em que Sebastian Vettel conseguiu passar Mark Webber, depois de terem ficado lado a lado na reta interna, mais atrás, a confusão acontecia com Kamui Kobayashi a travar mal (já tinha danificado a sua asa na primeira curva) e a levar consigo Nico Rosberg e a Jenson Button. Os dois pilotos acabaram ali a sua corrida, enquanto que o japonês da Sauber, com uma asa quebrada e um pneu furado, arrastou-se para as boxes. Mais tarde, os comissários de pista penalizaram Kobayashi com um "drive through".

Curiosamente, o acidente aconteceu na zona de DRS, com destroços na pista e um carro parado na berma, o de Rosberg, e isso fez com que as bandeiras amarelas ficaram a ser agitadas, impedindo o uso do DRS até à décima volta.

A partir dali, não houve grande coisa, mas a partir da na volta 13 houve a primeira ronda de paragens na boxe. Não houve grandes passagens por lá, excepto com Hamilton a aproximar-se de Alonso para o terceiro posto, mas nada de especial. A partir dali, o grande interesse da corrida foi a lenta agonia de Lewis Hamilton, que perdeu lugares para Felipe Massa e Kimi Raikkonen, mas ambos reagiram bem, com o inglês a retomar o quinto posto. Mas depois Hamilton foi para as boxes, decidindo mudar uma estratégia de três paragens.

Após isso, as coisas voltaram ao aborrecimento. A não ser que Felipe Massa começava a ser mais veloz do que Fernando Alonso, algo invulgar nesta época e na história. Da boxe, eles pediam a Massa para fazer de guarda costas, para ver se o "Principe das Asturias" não perdesse mais pontos.

E a partir dali, o grande motivo de atenção passou a ser... o relvado artificial. Explica-se: na antepenultima curva antes da meta, um conjunto de relva artificial tinha sido arrancado graças à ação dos carros de Formula 1 que passavam constantemente por ali, e crescentemente começaram a ser um perigo para os pilotos e seus carros. E claro, algum carro tinha de levar com um pedaço grande. Foi o McLaren de Lewis Hamilton que tendo uma tarde má, onde perdeu até para os Toro Rosso - antes do "tapete mágico" - não podia ficar ainda pior.

No final, com Psy a dar a bandeirada - pena que não tivesse sido feito em Gangnam Style... -  Sebastian Vettel foi o melhor, numa corrida dominadora por parte do alemão, a frente de Mark Webber e Fernando Alonso. O alemão igualou Jim Clark e Niki Lauda em numero de vitórias, numa dobradinha da Red Bull, na frente de Mark Webber e do Ferrari de Fernando Alonso. Lewis Hamilton, mesmo com um pedaço de relva artificial no seu carro, e pressionado por Sergio Perez, acabou em décimo e marcou um ponto.

No final, todos respiraram aliviados: o aborrecido GP da Coreia chegava ao fim, e todos podiam sair daquele pequeno inferno no meio de nenhures o mais rapidamente possível  No pódio. Adrian Newey aparecia com o seu mais novo projeto, uns óculos de proteção contra jorros de champanhe, sinal de que pelos lados de Salzburgo, tudo estava a correr maravilhosamente bem. Dali a algumas horas, no deserto americano, iria saltar Felix Baumgartner, e esperava-se que as coisas corressem bem para que o dia fosse perfeito para o lado dos energéticos.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Youtube Music Weirdness: A-HA tocado por acordeonistas... coreanos



Descobri esta noite na BBC: imaginem um "hit" dos anos 80 tocado trinta anos depois noutro instrumento musical, como o acordeão. Até aqui tudo bem, mas mais impressionante ainda é que isto é tocado por mãos... norte-coreanas, o país mais fechado do mundo.

Isto acontece graças a Morten Traavik, um empresário musical norueguês que busca intercâmbios culturais entre a Europa e a Ásia. Traavik é também o organizador do Festival Musical de Kirkenes, a cidade mais a norte da Noruega, bem acima do Circulo Polar Ártico. Segundo Traavik, estes acordeanistas, encontrados Escola de Musica Kum Sung, em Pyongyang, são dos mais talentosos que jamais viu na sua carreira.

"Quando fui à Coreia do Norte, emprestei-lhes o CD dos A-HA com o 'Take On Me' numa segunda feira. Na quarta-feira de manhã, tinham aprendido a canção, sem erros e sem ajuda exterior. Isto demonstra que tem excelentes capacidades", comentou. Pouco depois, gravaram um video que está a ter um grande sucesso: mais de um milhão de visitas em dez dias.

"É mais do que óbvio que são estudantes brilhantes, com excelentes técnicas musicais. Estão interessadas em todas as formas de musica, especialmente as musicas da Noruega, compostas por Edvard Grieg". E em relação ao video, explica que é a típica reação de pessoas interessadas numa sociedade coletivizada, como a Coreia do Norte. "As pessoas [na Noruega] estão espantadas como é que eles se conseguem divertir na Coreia do Norte. E creio que isso faz quebrar uma série de preconceitos que as pessoas têm sobre eles", concluiu.

Os acordeonistas estão neste momento em Kirkenes, a participar no "Barents Spektakel", que termina este domingo. E garanto-vos que este não é a única música que ouvi desse tempo em mãos norte-coreanas. O "Brother Louie", dos "míticos" Modern Talking, é outra musica que já foi tratada por mãos norte-coreanas...

sábado, 31 de dezembro de 2011

O meu ultimo post de 2011

Este é o meu último post de 2011. Foi um ano comprido, mas memorável em todos os aspectos. Acho que para o mal e para o bem, vai ser um ano que ficará para a Historia pelos eventos que aconteceram no Norte de Africa, pela quantidade de "estátuas", de ditadores que foram derrubados, e até executados. Khaddafi morto, Mubarak derrubado... quem poderia imaginar isso em dezembro de 2010? Ninguém, nem mesmo os escritores de ficção cientifica.

Mas o ano de 2011 ficou marcado pelo tsunami no Japão e a morte do Querido Líder, o Kim Jong-il. Confesso que no primeiro caso, fiquei impressionado pelo fato dos helicópteros japoneses terem filmado uma catástrofe em andamento, do qual todos nós vimos acontecer nas nossas televisões em todo o mundo. E da destruição subsequente, aprendemos a ouvir falar de um lugar desconhecido até ao dia 11 de março daquele ano: Fukushima. Local de uma central nuclear que não aguentou o forte terramoto e a subsequente devastação causada pelo tsunami. Aprendemos a comparar aquilo com Chernobyl, e pensamos que como seria possível ver outra vasta destruição, sete anos depois de outro tsunami, no Sudeste Asiático. 

No segundo caso, as multidões chorosas pela passagem do féretro do Querido Líder, sob neve, em Pyongyang. Em muitos aspectos, era genuíno, o que me faz pensar se tudo aquilo não será o exemplo bem sucedido de uma lavagem cerebral. E o jovem e gordo líder, Kim Jong-un, continua o mistério do pais mais misterioso do mundo, e que tem armas nucleares. O que vai acontecer a seguir? Mais do mesmo ou alguma abertura, como acontece agora em Cuba?

Contiudo, o ano de 2011 ficou também marcado a ferro e fogo no automobilismo. Tivemos o domínio dos Sebastiões, na Formula 1 e nos ralis, e nunca um nome foi tão dominador como este. A concorrência bem lá tentou, mas foi quase uma inutilidade, onde andaram a recoilher as migalhas. Uma vitória aqui e ali, e pouco mais. Talvez em 2012 as coisas mudem, mas por agora, não creio. Temos de esperar pelo... inesperado. Mas este ano de 2011 vimos acidentes mortais no desporto que mais amamos. Vimos, por exemplo, um Dan Wheldon no seu melhor e dpeois no seu pior. Mal sabiamos que a sua inesperada vitória significou também a seu último grande feito em vida. Meses depois, iriamos ver em direto o seu acidente mortal, na veloz oval de Las Vegas, perseguindo um prémio de cinco milhões de dólares.

Mas também o ano de 2011 foi o último de muita gente. Elizabeth Taylor, Amy Winehouse, Steve Jobs... todos que foram importantes num tempo que agora ficou para trás. Fazem agora parte dos livros de história, estão gravados em filme, voz e outros meios para serem vistos nas gerações que vêm a seguir. De uma certa forma, garantiram a sua imortalidade, pois a cada geração que virá, serão vistos e ouvidos. E muitos ficarão admirados e fascinados por aquilo que fizeram. Tal como eu, um "petrolhead" fico admirado por certas pessoas que morreram antes de eu ter nascido. E assim, a imortalidade.

O que quero desejar para 2012? Melhor do que 2011. Que não seja tão marcante como 2011. Que não aconteça um terramoto tão devastador como no Japão. Que mais ditadores sejam derrubados. Que a crise se alivie. Que o Euro seja salvo, e que os nossos lideres estejam mais inspirados. Queria que fossemos bem sucedidos no campeonato europeu de futebol e batessemos o nosso recorde de medalhas nos Jogos Olimpicos. Que o campeonato de Formula 1 e de ralis sejam mais equilibrados e quem sabe, com outros vencedores. Que haja mais "fair-play" e que saibam que há mais vida para além do clube de futebol que apoiam ou o piloto de vence. Que consciencializem que há mais vida para além disto tudo. E que pensem que 2012 NÃO SERÁ o ano que acabará o mundo. Se querem acreditar numa coisa, agarrem mas é na vossa companheira - ou companheiro - e pratiquem o que vai no Kama Sutra. É muito mais credível do que o horóscopo da vossa revista ou jornal.

Enfim, que tenham um grande 2012, é o que desejo a todos.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Para comunistas...



A Coreia do Norte é o país mais fechado do mundo. Se não o é, é dos mais fechados, mas não acredito que haja um país ainda mais fechado do que esse. E como sabem por estes dias, Kim Jong-il foi-se no passado dia 17, vítima de ataque cardíaco e o seu funeral foi ontem, debaixo de neve, na capital, Pyongyang.

O mais interessante neste país que cultivou os valores estalinistas até à exaustão - o culto da personalidade e os "gulags", para não falar das grandes fomes que assolaram o país nos últimos quinze anos - e de orgulhosamente falar do "juche", ou seja, a autodeterminação em tudo, incluindo em termos de produção - ver carros ocidentais no cortejo fúnebre é no mínimo, surreal. Ou então, podemos dizer que a elite norte-coreana tem bom gosto...

Explico: o carro que levou o caixão do Querido Líder é um bem americano Cadillac de 1976, com o caixão no tejadilho, para que a população, que apanhava um frio glacial, pudesse chorar à vontade à passagem do féretro do "Querido Líder". Depois, veijo o cortejo de Mercedes Classe S e uns modestos Volkswagen Passat, estes certamente fabricados na China. E dos veículos militares, para além dos tanques russos, tinham Mercedes Classe G a fazer guarda de honra.

Assim sendo, com tantas manifestações da cultura ocidental, fica-se a perguntar: então e os ZIL russos? Onde andam os Ladas, os Volgas, os GAZ construidos na gloriosa era soviética? Nas sucateiras de Pyongyang? Ou será que ali já se nota a influência do pragmatismo chinês, mesmo no regime mais fechado do mundo, onde só se passa, quase até ao enjoo, as marchas militares e as enormes bandas? De uma certa forma, é um mistério... mas que é uma ditadura como qualquer outra, é. E todos os ditadores tem gostos excêntricos. Basta pensarmos no Muhammar Khadaffi, no Mobutu Sesse Seko, no Saddam Hussein...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

The End: Kim Jong-Il (1942-2011)


Já me ia deitar para o meu sono de beleza quando li, pelas três da manhã, no Twitter da Al Jazeera, que tinham acabado de morrer o Kim Jong-il. Num fim de semana onde ficamos tristes com as mortes da Cesária Évora, no sábado, e do Vaclav Havel, no domingo, a noticia da morte do "Querido Lider", aos 69 anos, parece que nos deu uma espécie de macabro equilibrio entre os "bons" e os "maus da fita".

Contudo, parecia que ele tinha andado morto durante todo este final de semana. As autoridades norte-coranas disseram que ele bateu as botas no sábado de manhã, dentro de um comboio. Resta saber se estava a caminho de Pequim, para tratamento, ou então estava a viajar para outro canto do pais. O funeral vai ser no próximo dia 28 de dezembro, em Pyongyang, provavelmente sobre neve e muito frio, e as pessoas, genuinamente, chorarão baba e ranho, como vi no funeral do seu pai, em 1994.

A Coreia do Norte é o país mais fechado do mundo. E o seu povo foi tão bem sucessivamente moldado que tenho aquele receio de que no dia em que eles começarem a ver que há um mundo fora de Pyongyang e os programas de TV com paradas militares eternas e bandas militares enormes, tenham uma espécie de colapso mental. E também tenho outro receio, esse partilhado com o resto do mundo: que o seu filho, descrito por alguns como "Brilhante Camarada", Kim Jong-un, seja ainda mais radical do que o pai e o avô. Daí que neste momento, o exército sul-coreano esteja em alerta, e a Bolsa de Seoul tenha caído quase cinco por cento após o anuncio da morte do Kim Jong-il.

Quanto ao resto, não me perguntem quando é que aquele pesadelo acabará. Nem como, porque suspeito que alguns dos malucos que andam por ali queiram acabar com um estoiro. Afinal, eles têm armas nucleares...

Para finalizar, como já faltam cerca de doze dias para o final do ano, estou a ver que vai ser marcante. Muhammar Khadaffi, Osama Bin Laden e agora Kim Jong-il, terminaram as suas vidas este ano. São três ditadores - ou personagens sanguinárias, o que perferirem - que de uma certa forma marcaram as nossas vidas. E estes três, de um conjunto de algumas dezenas que abandonaram a vida para entrar nos livros de História - dois deles, Cesária Évora e Vaclav Havel, encantaram-se ao mesmo tempo que o Kim - nos assombrarão por muito, mas muito tempo.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Extra-Campeonato: Tiramos a barriga de misérias

Que este era um jogo em que não ganhar significava ter a qualificação em perigo, sim, era certo. Que desejavamos vencer, nem que seja um a zero, sim, era verdadeiro. Quer queriamos ver o "ketchup" vertido, definitivamente sim. Mas neste mundial onde ver mais do que um golo por jogo é quase tão fantástico como ver elefantes a voar e galinhas com dentes, o 7-0 que aplicamos à Coreia do Norte tem algo de surreal.

Depois de ver, por exemplo, a Nova Zelândia empatar com a Itália, achei que isto iria ser como em 2002: os europeus a irem para casa e alguma selecção desconhecida nas meias-finais, como aconteceu à Coreia do Sul, embora ache que naquele ano eles foram "levados ao colo"... contudo, a Holanda salva um pouco este Mundial, ao vencer os seus jogos.

Mas esta tarde, vi algo irreconhecível: num palco chuvoso, na cidade do Cabo, vi os coreanos a jogar pelo jogo e a abdicarem do "autocarro à frente da baliza". E mesmo com o 1-0 ao intervalo, nunca pensei ver em meros 42 minutos, a avalanche de golos que assisti pela televisão. E golos para todos os gostos! Mesmo com o Cristiano Ronaldo na sua "urucubaca", pois mandou uma à trave antes de marcar aquele seu golo estranho, que deu na altura o 6-0.

Esta tarde, verteram o ketchup e tiraram a barriga de misérias, é um facto. Mas no final... só conseguiram apenas três pontos, pois aqui ainda não tem o sistema de pontuação do rugby, que dá pontos extra às goleadas. Foi uma exibição de encher o olho, algo que acho que só tinha visto no Alemanha-Austrália e nos jogos da Argentina e Holanda. Mesmo o Brasil-costa do Marfim teve um final mais condizente com o "Rocky" do que propriamente com um jogo de futebol. E com um arbitro francês. Será que em 2010 tudo o que vem de França só faz lembrar m****?

Enfim, agora estamos muito mais aliviados. Na sexta-feira, podemos jogar com o Brasil mais para o gozo e o prestígio do que para os pontos. Que é para isso que as pessoas pagam bilhete, não é? E espero que o Querido Líder não fuzile os seus jogadores no regresso a casa. Gosto do Tae-Se...

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Extra-Campeonato: Kim Jong-Il estará a morrer?

A Coreia do Norte é o país mais fechado do mundo.Os seus 23 milhões de habitntes estão isolados do resto do mundo, graças à mão de ferro de uma ditadura marxista que governa o país há quase 60 anos. O povo coreano está dividido há quase 5 anos, depois da Guerra da Coreia (1950-53), através do Paralelo 38, a ultima fronteira da Guerra Fria. A protecção da Coreia do Sul está garantida graças à ajuda de 23 mil soldados americanos, que lá estão graças a um acordo com a Coreia do Sul, pois teoricamente, ambos os países estão em guerra.

Em 1994, Kim Il Sung, o fundador da Coreia do Norte, morre. Sucede-se o seu filho, Kim Jong-Il, e parece que tudo continua na mesma: enquanto se dedicam ao seu passatempo nacional, as paradas e os desfiles militares, o povo morre à fome, graças a desastres naturais que arruinaram as colheitas em dois anos consecutivos. O povo também não sabe que o seu vizinho do sul tornou-se, depois da guerra, numa das nações mais desenvolvidas da Ásia.

Parece que está tudo na mesma, mas há rumores recentes de que Kim Jong Il, de 65 anos, está gravemente doente. O jornal sul-coreano Chonsun Jilbo afirmou na segunda-feira, citando fontes de vários serviços secetos da zona (China, Coreia do Sul, Japão), que Kim tem problemas cardíacos e sofre de diabetes. Essas fontes ainda afirmam que a recente mudança das chefias militares, bem como a criação e uma Junta militar, servem para preparar a transição do poder, e escolher um sucessor entre os filhos de Kim Jong Il.

O mais velho, Kim Jong-Nam, de 36 anos, seria o sucessor natural, mas um escândalo no Japão, em 2001, quando este tentava entrar nesse país com um passaporte falso, poderá ter aruinado essas hipóteses. Outra coisa contra: apesar de ser do agrado dos chineses, é a favor de uma abertura politica maior que aquele que o seu pai fez.

Os seus irmãos mais novos também são boas hipóteses, mas são demasiado novos para ascender ao poder: Kim Jong-Cul tem 26 anos e Kim Jong-Um tem 23. Ambos têm como sua mãe Ko Yung-Hee, uma actriz que morreu em 2004. Mas também não se pode excluir a sua actual mulher, Kim Yok, que parece não gostar de Kim Yong-Nam. Consta-se que a sua tentativa de assassinio, em Novembro de 2004, teve a iniciativa de partidários da sua madrasta, apoiada pelos outros dois meios-irmãos...

Enfim, o futuro está incerto na Coreia do Norte. Mas uma coisa é certa: quando morrer, os funerais vão durar meses. Vamos ver manifestações de choradeira colectiva nas ruas de Pyongyang, como vi há 13 anos, quando morreu Kim Il Sung, num culto da prsonalidade até ao extremo. E depois? Isso causa receio em todas as chancelarias da zona: Tóquio, Pequim e Seoul receiam qualquer transferência de poder nessa ditadura comunista, a mais fechada do mundo, onde não existe Internet, e as frequências de rádio são fixas...