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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

A imagem do dia (II)

 

Paulo Gonçalves só desistia se não podia mais. A imagem que escolhi hoje, que passa exatamente um ano da sua morte mostra tudo que ele era: determinado a correr, competitivo, puxado pela adrenalina. Isto aconteceu em 2014, e mostra ele, afastado da sua moto em chamas, chorando porque não podia continuar. Nós, que assistimos ao seu choro, também derramamos lágrimas porque achávamos que aquilo que tinha acontecido tinha sido injusto.

Temos pena que ele nunca tenha vencido um Dakar à geral. Esteve sempre perto, era competitivo, e respeitado pelos adversários. Tanto que este ano, gente como Toby Price e Ricky Brabec, que competiram ao seu lado, colocaram o seu nome e a bandeira portuguesa nos seus capacetes e fatos para homenagear "Speedy" Gonçalves. Porque era bom no que fazia e eles sofriam com ele.

Passado um ano, e em pleno Dakar saudita, vê-se as motos e os carros a passarem pelas dunas e não se deixa pensar nele. Ainda por cima, ele tinha decidido em 2020 que aquele iria ser o seu último em termos competitivos. O destino chegou mais cedo à meta que ele, e é disso que temos saudades, porque sempre que o viamos em cima de uma moto, não interessa de qual marca, ele nos fazia sorrir de orgulho e chorar de tristeza, porque dava tudo.  

domingo, 12 de janeiro de 2020

A imagem do dia

O "Speedy" foi-se. E quando se vai alguém que admiramos, ao volante de qualquer coisa que gostamos, de modo repentino, fica o vazio, depois do choque inicial. Nunca ganhou o Dakar, mas foi o que esteve mais perto, ao ser segundo classificado em 2015. E do que fez das vitórias nas etapas, e das quedas aparatosas que o levou para o hospital, merecia ter subido ao lugar mais alto do pódio.

O Dakar é aquilo que um dia disse Thierry Sabine (outro das vitimas deste rali, a propósito...): um desafio para os que partem, um sonho para os que ficam. Mas o desafio não é vencer no rali mais dificil do mundo. Chegar ao fim sem um osso partido, sem um carro totalmente desfeito, ter sangue frio para saltar uma duna ou um monte a 180 km/hora, sem se perder no rastro no GPS, sem pensar que uma queda a 150 km/hora poderá ser a última. Ou sobreviver a um rali num dia onde estão 45 graus ao sol e o corpo pode entrar em colapso por causa de uma hiprtermia ou de uma forte desidratação.

O pessoal anda hoje a lembrar onde estavam quando quinze anos antes, o italiano Fabrizio Meoni teve a sua queda mortal. O Dakar ainda era em África, e as pessoas entraram em choque, não só por causa do que aconteceu, mas também por causa do seu carisma (o video dele a amaldiçoar o GPS é imortal...) e de sempre lutar pela vitória. Falar do seu acidente mortal depois de falar dos seus feitos em etapas anteriores, é claro que é um baque. Ainda mais quando é um dos "nossos".

Este ano, o "Speedy" tinha estado nas bocas do mundo por causa de uma avaria que tinha tido na terceira etapa, onde esperou seis horas por um motor novo, depois do anterior se quer quebrado. Não baixou os braços, e quando voltou ao rali, andava sempre entre o "top ten" nas etapas, mesmo irremediavelmente atrasado na geral. Sabia dar o exemplo dos que não desistem. Só se partisse algo no seu corpo é que saia. E era se doía muito...

Mas hoje foi-se. Nunca estamos preparados, e o pior é quando acontece a um dos nossos. E esta dor é de alma, porque foi por causa dessa atitude de "nunca desistir" que ficou na memória de muitos. E o choro compulsivo do Matthias Walkner, no final desta etapa, diz tudo para todos nós. Não precisamos de dizer mais nada. 

Agora, fica a lenda, que o Dakar já o tinha chamado há algum tempo. Ars lunga, vita brevis, Speedy.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Dakar 2019 - Etapa 5 (Moquegua - Arequipa)

Na véspera do dia de descanso, em Arequipa, Sebastien Loeb foi o melhor pela segunda vez neste rali, apesar de algumas queixas por causa da falta de tratamento por parte da organização.

Entre Maquegua e Arequipa, Loeb tomou a dianteira, depois de Stephane Peterhansel se ter atrasado, tendo perdido 28 minutos para o piloto francês. O nove vezes campeão do mundo de ralis bateu Nasser Al-Attiyah por mais de nove minutos, mas quem lidera o campeonato é Peterhansel, com 26 minutos e 28 segundos de avanço sobre o qatari da Toyota.

Nani Roma é terceiro na geral, a 34 minutos e 33 segundos, seguido pelo polaco Kuba Przygonski, a 38 minutos e 12 segundos. Loeb passa a quinto, a quarenta minutos exatos.

Nas motos, Sam Sunderland foi o melhor, em vários aspectos. Não só venceu a etapa como ainda ajudou Paulo Gonçalves, cuja prova terminou hoje da pior forma, com uma queda que causou um ligeiro traumatismo craniano e uma fratura na mão esquerda. E lá se foi a maior esperança de um "top ten" português neste Dakar. 

Os quase onze minutos que perdeu a ajudar o piloto da Honda foram depois compensados pela organização, e acabou por subir ao segundo lugar da geral, agora a 59 segundos do americano Ricky Brabec.

Amanhã é dia de descanso no Dakar, com a caravana a pernoitar em Arequipa.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Dakar: Paulo Gonçalves não vai participar

O "motard" português não vai participar no Dakar de 2018 devido a problemas físicos. Paulo Gonçalves será substituído pelo chileno José Ignacio ‘Nacho’ Cornejo, piloto que estava de prevenção e vê assim cair-lhe nas mãos a oportunidade de fazer um Dakar com a equipa oficial da Honda. A decisão foi tomada ontem, após o ‘shakedown’ que foi realizado, em Lima. Aí, o piloto de Esposende, segundo conta a sua assessoria de imprensa à Lusa, sentiu dificuldades físicas na transposição das dunas, que fez com que abdicasse da sua presença no evento organizado pela Amaury Sport Organisation.

As dúvidas sobre a sua participação apareceram há cerca de duas semanas, por alturas do Natal, quando sofreu uma queda enquanto treinava em São Bartolomeu de Messines, que deixou dores num ombro e magoou uma perna. Depois de consultar especialistas médicos em Portugal e Barcelona foi decidido que Gonçalves viajaria até ao Peru e que só após o ‘shakedown’ seria tomada a decisão final sobre a participação ou não na 40ª edição do Dakar.

Desiludido, Gonçalves espera recuperar rapidamente para estar presente na próxima edição da competição. “Devido a um pequeno incidente, durante uma sessão de treinos, contraí umas lesões que me impedem de competir no Dakar com todas as garantias necessárias. Agora vou tentar recuperar o mais rápido possível para assim regressar brevemente à competição”, referiu.

Esta decisão, aliado à operação ao apêndice que sofreu esta semana Mário Patrão, e à prolongada lesão de Hélder Rodrigues, faz com que os motards nacionais no Dakar fiquem reduzidos a dois, Joaquim Rodrigues e Fausto Mota.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Dakar 2017: Etapa 7, La Paz - Uyuni

Deveria ter sido uma etapa-maratona, mas a sétima etapa do Dakar, que liga hoje as cidades de La Paz e Uyuni, no total de 622 quilómetros, 322 dos quais estavam inicialmente previstos para serem em troços cronometrados, antes de ontem ter sido reduzido para 161 quilómetros em troço contabilizado devido ao mau estado do piso, rendeu algumas coisas interessantes na classificação do Dakar, depois dos dois dias de descanso que tiveram em terras bolivianas - recorde-se que a sexta etapa, entre Oruro e La Paz, foi cancelada devido ao mau tempo.

Nos automóveis, os Peugeot foram os melhores. Stéphane Peterhansel superiorizou-se ao seu colega de equipa, Sébastien Loeb, por apenas 48 segundos e dilatou a vantagem no topo da classificação geral. Agora, ambos estão separados por um minuto e cinco segundos e parece que eles serão os favoritos à vitória final. Giniel de Villiers, o sul-africano da Toyota, foi o terceiro na etapa, a três minutos e 33 de Peterhansel, enquanto que Mikko Hirvonen foi o quarto e o melhor dos Mini nesta etapa.

Na geral, depois de Peterhansel e Loeb, está Nani Roma, que foi apenas sexto nesta etapa e está agora a 11 minutos e sete segundos da liderança, mais do que suficiente para manter a pressão sobre os Peugeot.

Nas motos, o americano Ricky Brabec levou a melhor sobre Paulo Gonçalves por meros um minuto e 44 segundos, e alcançou a sua primeira vitória em etapas no Dakar. Sam Sunderland foi o terceiro, terminando a quatro minutos e 43 segundos do vencedor, na frente de Joan Barreda Bort, quarto, a seis minutos e 51 segundos.

“Estou orgulhoso com o trabalho que tenho vindo a realizar, estou nesta altura muito perto de entrar no top 10, embora o meu objetivo inicial fosse terminar entre os cinco primeiros. Vamos ver o que vai dar esta semana”, explicou Brabec, no final desta etapa.

“Não foi uma jornada longa, mas foi muito difícil. Teve muita navegação sobre tudo a partir do quilómetro 90. Consegui alcançar durante a etapa o Sam Sunderland e ao mesmo tempo preservar a moto, pois estamos numa etapa maratona. Nesse sentido estou contente porque a moto está impecável”, comentou Paulo Gonçalves, ao chegar a Uyuni.

Na geral, Sunderland continua a liderar, com 17 minutos de vantagem sobre o chileno Pablo Quintanilla, e 22 minutos e 16 segundos sobre Adrien van Beveren. Paulo Gonçalves é o oitavo, a uma hora e cinco minutos da liderança, enquanto que Joaquim Rodrigues e Hélder Rodrigues (sem qualquer tipo de parentesco) estão às portas do "top ten" sendo 11º e 13º classificados, respectivamente.

Amanhã, a oitava etapa ligará Uyuni, na Bolivia, a Salta, na Argentina, num total de 892 quilómetros, 492 dos quais em troço cronometrado.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dakar 2017: Etapa 5 - Tupiza - Oruro

A quinta etapa do Dakar, a primeira a ser feita totalmente em terras bolivianas nesta edição de 2017, ligou as localidades de Tupiza e Oruro, no total de 692 quilómetros, 447 dos quais em troços cronometrados. Contudo, esta foi uma etapa dura, não só em termos de altitude - mais uma vez, andaram acima dos 3500 metros - como o mau tempo fez das suas. Tanto que esta foi encurtada, depois de alguns ribeiros terem transbordado com tanta água. Aliás, esta zona da Bolivia tem sido afetada no último mês com o mau tempo. A especial cronometrada acabou por ter "meros" 219 quilómetros.

A primeira grande novidade foi a desistência de Carlos Sainz. Apesar do forte capotamento que tinha sido vitima no dia anterior, ele acabou por chegar ao fim da etapa, mas os estragos no seu Peugeot eram tão grandes que simplesmente achou que o melhor seria deitar a toalha ao chão. Assim sendo, a Peugeot, que parecia estar destinada ao domínio, depois da desistência de Nasser Al Attiyah, sofreu a sua primeira grande baixa na sua equipa. 

E nas motos, se ontem falamos que Joan Barrreda Bort tinha sido penalizado um uma hora por ter reabastecido em local inapropriado, descobriu-se também que Paulo Gonçalves também foi penalizado, mas em 48 minutos, pelos mesmos motivos. Logo, caiu de quinto para o 16º posto da geral, a mais de uma hora do primeiro. 

Mas na marca do leão, nem tudo foram más noticias. Sebastien Loeb foi o grande vencedor do dia, ganhando sobre Nani Roma por meros 44 segundos. Stephane Peterhansel perdeu um minuto e meio na etapa, enquanto que Cyril Després foi quarto, perdendo dez minutos... e a liderança. Mikko Hirvonen é outro dos perdedores do dia, ao chegar à meta 40 minutos depois do vencedor, caindo para o quinto posto da geral.

Assim, Peterhansel lidera, com uma vantagem de um minuto e nove segundos sobre Loeb, e quatro minutos e 54 segundos sobre Després, e cinco minutos e 35 segundos sobre Nani Roma.

Nas motos, o britânico Sam Sunderland foi o mais veloz, numa etapa onde Paulo Gonçalves esteve em destaque, ao ser segundo classificado, a sete minutos do piloto britânico. Pablo Quintanilla perdeu 15 minutos na etapa, e em consequência, perdeu também a liderança para... Sunderland. Outro dos perdedores foi Matthias Walkner, perdeu mais de vinte minutos e caiu para o 20º posto na etapa, e é quinto na geral. Mas ficou na frente de Barreda Bort, que perdeu mais 37 minutos e caiu para a 22ª posição da geral. Adrien Van Beveren foi o terceiro na etapa, e agora é também o terceiro na geral.

Amanhã, o Dakar segue em terras bolivianas, rumando de Oruro para La Paz, a capital, num troço com o total de 786 quilómetros, 527 dos quais em troços cronometrados.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Dakar 2016: Peterhansel e Price são os vencedores, mas X-Raid contesta

O Dakar chegou à meta, em Rosário, duas semanas depois de ter começado em Buenos Aires, e Stephane Peterhansel foi o grande vencedor, e conseguindo algo inédito: doze vitórias, seis dos quais em motos, e os restantes em automóveis. A sua última vitória foram em 2013, com o Mini da X-Raid.

No final da última etapa, o pódio foi ocupado por ex-pilotos de ralis. Sebastien Loeb foi mais veloz do que Mikko Hirvonen em um minuto e 13 segundos e venceu a etapa, enquanto que Nasser al-Attiyah foi o terceiro melhor, a um minuto e 36 segundos do vencedor, empatado com Cyril Després, noutro Peugeot.

Contudo, pouco depois do final do rali, a X-Raid fez saber que irá apelar dos resultados finais à Federação Francesa de Desporto Automóvel (FFSA) devido à polémica com o reabastecimento dos Peugeot, nomeadamente a do francês Stephane Peterhansel, o vencedor deste Dakar. O apelo terá de ser analisado num prazo máximo de 30 dias, e caso seja dada razão à X-Raid, a pena é pesada: entre seis horas de penalização à desclassificação, o que poderia alterar as coisas neste "rally-raid".

Nas motos, o vencedor na etapa final foi para o chileno Pablo Quintanilla, que assim consolidou o seu terceiro lugar na classificação, com um minuto e 41 segundos de vantagem sobre Kevin Benavides, enquanto que Hélder Rodrigues foi o terceiro, ficando assim com o quinto lugar final. O piloto português da Yamaha ficou nesta etapa a dois minutos e 37 segundos do vencedor. Toby Price foi o quarto, a 4 minutos e 22 segundos, mas comemorou por fim a sua primeira vitória neste Dakar, e a primeira de um australiano neste "rally-raid". E claro, a KTM comemorou uma dupla, já que Stefan Svitko, o segundo da geral, também anda nas máquinas austriacas.

Assim, o Dakar 2016 chega ao seu final. Para o ano, há mais!

Geral: Carros

1º - Peterhansel/Cotteret (FRA) [Peugeot] 45:22.10 minutos
2º - Al Attiyah (QAT)/Baumel (FRA) [Mini] a 34.58
3º - De Villiers (ZAF)/Von Zitewitz (GER) [Toyota] a 1.02,47
4º - Hirvonen (FIN)/Perin (FRA) [Mini] a 1.05.18
5º - Poulter/Howe (ZAF) [Toyota] a 1.30,43

Geral: Motos

1º - Price (AUS) [KTM] 46:13.26 minutos
2º - Svitko (SVK) [KTM] a 37.39
3º - Quintanilla (CHL) [Husqvarna] a 53.10
4º - Benavides (ARG) [Honda] a 57.28
5º - Rodrigues (POR) [Yamaha] a 57.29

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Dakar 2016: Attiyah e Meo vencem, Gonçalves cai e desiste

A etapa de hoje, percorrida entre La Rioja e San Juan, no total de 712 quilómetros, 431 dos quais feitos em especial cronometrada, largaram as areias e voltaram às especiais duras de terra e algum cascalho. Contudo, nos bastidores, corria a polémica devido à penalização de Paulo Gonçalves em quase 50 minutos, em circunstâncias muito pouco esclarecedoras, e com uma explicação pouco convincente por parte da ASO.

A etapa começou com um atraso de meia hora devido aos helicópteros, que não conseguiram estar na zona da partida antes da hora marcada porque ficaram retidos devido a não terem chegado a tempo antes do escurecer no dia anterior. Feito o arranque, após a chegada dos helicópteros, a etapa ficou marcada pela queda de Paulo Gonçalves, que foi evacuado para o hospital e ficou sob observação. 

Nos automóveis, o melhor foi Nasser Al-Attiyah, que conseguiu um avanço de... nove segundos sobre o segundo classificado, Stephane Peterhansel. Sebastien Loeb é o terceiro, a 14 segundos, enquanto que Giniel de Villiers é o quarto, a dois minutos e 37 segundos.

Na geral, Peterhansel continua a dominar o Dakar, com uma vantagem de 51 minutos sobre Nasser Al Attiyah, enquanto que Giniel de Villiers era o terceiro, a uma hora e 17 segundos da liderança. Mikko Hirvonen é o quarto, com mais cinco minutos de distância sobre o piloto sul-africano da Toyota. Outro Toyota, o de Leeroy Poulter, é o quinto, a uma hora e 46 minutos.

Já nas motos, agora com Gonçalves de fora, Toby Price é cada vez mais o lider, e a KTM vai mais uma vez ser a vencedora no Dakar. A etapa foi ganha pelo francês Anthony Meo, numa KTM, com 18 segundos de vantagem sobre Toby Price. O chileno Pablo Quintanilla foi o terceiro, gastando mais dois minutos e 48 segundos do que o vencedor. O português Hélder Rodrigues, da Yamaha, foi o quarto, a seis minutos e 12 segundos.

Na geral, Price é cada vez mais líder, com 35 minutos e doze segundos sobre Stefan Svitko, enquanto que Anthony Meo é o terceiro, a 43 minutos e 46 segundos de Price, num monopólio da KTM. Pablo Quintanilla é o quarto, a 45 minutos e 19 segundos, enquanto que Helder Rodrigues é agora o sexto da geral, com uma desvantagem de uma hora, dois minutos e um segundo, mas com Kevin Benavides a cinco minutos.

Amanhã, o Dakar sai de San Juan e ruma a Villa Carlos Paz, no total de 931 quilómetros, 481 dos quais em especial cronometrada para as motos, 237 para os automóveis e quads. 

Geral: Carros

1º - Peterhansel/Cotteret (FRA) [Peugeot] 37:42,20
2º - Al Attiyah (QAT)/Baumel (FRA) [Mini] - a 51.55 minutos
3º - De Villiers (ZAF)/ Von Zitewitz (GER) [Toyota] - a 1.17,24
4º - Hirvonen (FIN)/ Perin (FRA) [Mini] - a 1.22,47
5º - Poulter/Howie (ZAF) [Toyota] - a 1.46,36

Geral: Motos

1º - Price (AUS) [KTM] 40:08,30 minutos
2º - Svitko (SVK) [KTM] a 35.12
3º - Meo (FRA) [KTM] - a 43.46
4º - Quintanilla (CHL) - a 45.19
5º - Benavides (ARG) [Honda] - a 57.35
6º - Rodrigues (POR) [Yamaha] - a 1.02,01 minutos

Um final conveniente

Paulo Gonçalves caiu esta manhã nas areias argentinas, entre La Rioja e San Juan, e foi encontrado inconsciente. Já foi transportado para o hospital e espera-se mais noticias ao longo desta tarde, pois está em observação.

A queda do piloto da Honda é "o final conveniente da ASO", digamos assim. Como sabem, na véspera, a organização decidiu penalizar o piloto português em mais de 50 minutos, um dia depois da confusão que foi na etapa-maratona à volta de Jujuy, onde ele furou o radiador da sua Honda, ao mesmo tempo que a etapa era neutralizada após o CP1. Se na terça-feira celebrávamos uma situação que ia da desistência inevitável até a algo próximo de um milagre,  esta madrugada conhecíamos uma penalização do qual a ASO teve muita dificuldade em explicar, e ainda por cima, não tinha a ver nem com uma mudança de motor (que acabou por não acontecer) nem com o que se passou entre a CP1 e a CP2, que no minimo, poderemos dizer que foi uma confusão. E muitos até falavam que eles se lembraram do tempo que tinha sido deduzido na sexta-feira, quando ele parou para ajudar o austríaco Matthias Walkner, que tinha caído e fraturado o fémur.

E não falamos só do "portuguesinho contra o mundo". A estranha decisão da organização a favor de Stephane Peterhansel, quando foi do polémico reabastecimento em zona proíbida, protestada pela X-Raid e do qual a ASO decidiu que era legal porque, apesar de não ser recomendado, passava porque tinha sido "numa estrada de ligação", não convenceu ninguém no "bivouac", e Sven Quandt, o lider da X-Raid, esteve bem perto de ordenar aos seus carros para que abandonassem de imediato o rali e mostrando que a organização, este ano liderado por Nani Roma, era premeável a pressões de que existisse um vencedor francês. E como sabem, temos um francês, numa máquina francesa, a liderar nos carros. E já agora, nas motos, com a penalização (e queda) do "Speedy" e os problemas que passa hoje Toby Price, quem é o grande beneficiado? Um francês, Alain Meo, num KTM. Está aqui no seu segundo ano, e vai ao pódio! Pois é...

No final, são pequenos episódios que vão minando a credibilidade desta organização, e claro, do rali Dakar. Um Dakar onde hoje, por coincidência, passam 30 anos sobre a morte do seu fundador, Thierry Sabine. E isso faz-nos lembrar que este rali, não há muito tempo, esteve perto de não se realizar este ano, depois de Chile e Peru terem "tirado o tapete" por causa de razões meteorológicas. Esta organização está em crise, é certo, mas as suas decisões fazem nos pensar se todos podem participar nela, desde que o vencedor seja francês. E se Sebastien Loeb fez o que fez este ano, então poderemos esperar mais domínio gaulês nos próximos anos, uma vez que o alsaciano se adaptar aos "rally-raids"...

Enfim, as melhoras para o Paulo, e que em 2017 venha numa máquina imbatível, numa excelente equipa e que tenha os deuses (e a organização) do seu lado...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Dakar 2016: Peterhansel e Price mantêm liderança, Sainz desistiu

A etapa de hoje do Dakar, que liga as cidades de Belén e La Rioja, no total de 561 quilómetros, 278 dos quais cronometrados, foram percorridos em dunas de areia, foi extremamente complicada para carros, motos e camiões. Entre os carros, as grandes novidades foram a desistência de Carlos Sainz, vitima de problemas no seu Peugeot, o atraso de Nasser Al Attiyah, que capotou o seu Mini e perdeu mais de meia hora, atrasando-se inevitavelmente na classificação geral, tudo isso beneficiando o lider do Dakar, o francês Stephane Peterhansel, que venceu com cinco minutos e 40 segundos de vantagem sobre Cyril Després, e 26 minutos e 16 segundos sobre Giniel de Villiers, no seu Toyota.

Já nas motos, o dia começou com a mensagem de que Paulo Gonçalves não teve de trocar de motor. Os danos limitaram-se a um pistão, e isso obrigou apenas a mexer e não trocar de motor, logo, acabou por não ser penalizado em quinze minutos, tal como se temia. Logo, de uma possível desistência, a sorte acumulada fez com que "apenas" caísse para a terceira posição no inicio desta etapa.

Aqui, a dureza do terreno foi igual para todos, mas o melhor foi o eslovaco Stefan Svitko, com uma vantagem de dois minutos e 54 segundos sobre o argentino Kevin Benavides, e cinco minutos e 47 segundos sobre Toby Price, o líder da geral. Gonçalves foi o quarto, a seis minutos e um segundo, enquanto que Hélder Rodrigues foi o sexto, a doze minutos e um segundo do vencedor. Entre eles ficou o chileno Pablo Quintanilla.

Na geral, Price lidera com 23 minutos e 12 segundos de vantagem sobre Stefan Svitko, enquanto que Paulo Gonçalves é o terceiro, a 34 minutos e 15 segundos, continuando a ser o melhor dos Hondas, e alargando a distância para Pablo Quintanilla, o melhor dos Husqvarna. Helder Rodrigues é o sétimo, e 56 minutos da liderança neste Dakar, e o melhor dos Yamaha.

Amanhã, a caravana do Dakar sai de La Rioja e ruma para San Juan, num total de 712 quilómetros, 431 dos quais serão percorridos em troços cronometrados. 

Geral: Automóveis

1º - Peterhansel/Cotteret (FRA) [Peugeot] 32.44,59 minutos
2º - Al-Attiyah(QAT)/Baumel(FRA) [Mini] a uma hora
3º - De Villiers (SAF)/Von Zitewitz (GER) [Toyota] a 1.12:31
4º - Hirvonen (FIN)/Perin (FRA) [Mini] a 1.23:51
5º - Després/Castera (FRA) [Peugeot] a 1.50:47

Geral: Motos

1º - Price (AUS) [KTM] - 34.49,04 minutos
2º - Svitko (SVK) [KTM] - a 23.12
3º - Gonçalves (POR) [Honda] - a 34.15
4º - Quintanilla (CHL) [Husqvarna] - a 42.49
5º - Meo (FRA) [KTM] - a 44.04
6º - Benavides (ARG) [Honda] - a 45.10
7º - Rodrigues (POR) [Yamaha] - a 56.17

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A imagem do dia

Paulo Gonçalves, numa imagem de hoje, tirada pelo fotógrafo português André Lavadinho. Para o motarda da Honda, este foi um dia com sentimentos mistos. O radiador furado poderia ter significado o fim do Dakar para ele, mas no final, acabou por ser bafejado pela sorte. É como seres atropelado por um carro, mas poderes andar pelo teu próprio pé, só com nódoas negras.

Numa etapa onde as máquinas e os pilotos aguentaram um calor sufocante no deserto argentino, a etapa nas motos durou apenas 82 quilómetros - parada após o primeiro checkpoint" - e por essa altura, o piloto português da Honda perdia apenas três minutos para Toby Price, o lider da etapa (e da classificação) e tudo isso acontecia antes do radiador furado por causa do ramo de um arbusto. Contudo, a mudança no motor irá dar uma penalização de 15 minutos, o que a contar com mais os três perdidos, poderá ter colocado o piloto português fora da luta pela vitória, mas não longe de um pódio.

No final, desabafou na sua página do Facebook:

"Um sonho nunca acaba!

Lutámos, acreditámos, mas nunca desistimos.

Paulo Gonçalves teve um pé fora do Dakar 2016 mas graças à anulação de parte da "especial" reservada para o dia de hoje, devido às elevadas temperaturas, falta de segurança e dificuldades acrescidas para o pelotão, vê possível a sua continuidade na prova e em luta pelo pódio final. A mecânica será etapa das próximas horas para o piloto português que amanhã espera voltar ao ataque na maior prova de TT do mundo", comentou.

Nada mau para quem chegou a anunciar a desistência do rali... aliás, acho que foi muita sorte!

Dakar 2016: Sainz é o grande vencedor, Loeb e Gonçalves atrasam-se

Hoje era um dia especialmente duro no Dakar, com a realização da segunda etapa maratona, à volta da localidade argentina de Belén, no sopé dos Andes, e onde as areias do deserto iriam fazer a sua aparição, numa etapa-maratona com 436 quilómetros, 285 dos quais em especial cronometrada.

A etapa maratona começou primeiro com uma "espada de Dâmocles" nos bastidores, quando a X-Raid protestou o reabastecimento de Stephane Peterhansel, que tinha sido feito, aparentemente, fora do sitio estabelecido. No final, a organização analisou as imagens e concluiu que era legal, pois tinha sido feito numa estrada de ligação, sem ter de haver qualquer penalização.

Para além disso, os mecânicos conseguiram reconstruir o carro de Sebastien Loeb, bastante danificado ontem após um valente capotamento a 30 quilómetros do final da etapa. Mas isso parece que não lhe valeu de muito, pois atrasou-se em mais de 40 minutos em relação à concorrência, afundando-se ainda mais na classificação.

Ao mesmo tempo, o Dakar sofreu outro acidente mortal, quando um camião da assistência de Lionel Baud - que esteve envolvido num atropelamento mortal no domingo, em terras bolivianas - sofreu um acidente de tráfego, envolvendo um camião e um carro, resultando na morte de uma pessoa e ferimentos graves em mais quatro pessoas. 

Assim sendo, nos carros, o grande vencedor foi Carlos Sainz, conseguindo assim a sua 23ª vitória em etapas, com uma vantagem de... dez segundos sobre o holandês Van Loon, no seu Mini. Mikko Hirvonen foi o terceiro, a 17 segundos do vencedor, enquanto que Giniel de Villiers foi o quarto, a 38 segundos de Sainz. Stephane Peterhansel foi o sétimo, a nove minutos e 12 segundos do seu companheiro de equipa.

Nas motos, Toby Price levou a melhor, enquanto que Paulo Gonçalves atrasou-se bastante devido a um radiador furado. O piloto português da Honda chegou seriamente a pensar desistir do Dakar, mas a neutralização da etapa após o primeiro "waypoint", ele foi rebocado por um dos seus "aguadeiros", o italiano Paolo Ceci, até ao "bivouac", para fazer as devidas reparações. Isso quer dizer que o piloto português poderá perder apenas... três minutos para o australiano, mas será penalizado em cerca de cinco pelo facto de trocar o motor. Uma contrariedade que poderia ter sido bem pior...

Na etapa propriamente dita, atrás do australiano ficou o argentino Kevin Benavides, a sete minutos e dez segundos, enquanto que o KTM do eslovaco Stefan Svitko foi o terceiro, a dez minutos e 33 segundos. Já Helder Rodrigues teve uma queda sem importância, acabando a etapa no nono posto, subindo para o sexto lugar da geral. 

Amanhã, o Dakar sai de Belén, rumo a La Rioja, num total de 561 quilómetros, dos quais 278 serão feitos em especial. 


Geral: Carros

1º - Sainz/Cruz (ESP) - [Peugeot] - 28:39,24 minutos
2º - Peterhansel/Cottret (FRA) - [Peugeot] a 7.03
3º - Al-Attiyah (QAT)/Baumel (FRA) - [Mini] a 14.38
4º - Hirvonen (FIN)/Perin (FRA) - [Mini] a 34.50
5º - De Villiers(SAF)/Von Zittevitz (GER) - [Toyota] a 53.18

Geral: Motos

1º - Price (AUS) [KTM] 29:53,15 minutos
2º - Svitko (SVK) [KTM] a 24:47
3º - Quintanilla (CHL) [Husqvarna] a 32.14
4º - Benavides (ARG] (Honda] a 33.05
5º - Meo (FRA) [KTM] a 40.37
6º - Rodrigues (POR) [Yamaha] a 46.51

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Dakar 2016: nova liderança nos carros e nas motos

Depois do dia de descanso, o Dakar voltou à estrada para a segunda parte do rally-raid, em terras argentinas, num percurso entre Salta e Belén, num total de 766 quilómetros, dos quais 393 são cronometrados. Com o dia dedicado às reparações de carros, motos, quads e camiões, os pilotos encaram agora a segunda parte deste rali no sentido de saber se será mais húmido que a primeira parte, e o tempo incomodará mais uma vez o percurso deste rali, que agora vai a caminho do seu final, em Rosário.

Nas motos, o lider Paulo Gonçalves começou o dia ao ataque, ganhando mais de meio minuto a Toby Price, mas na parte final, o australiano melhorou bastante com o seu KTM e conseguiu vencer a etapa com um avanço de cinco minutos e 17 segundos sobre o português (que sofreu uma queda pelo caminho), que foi o segundo na especial, sendo agora o novo líder da geral, com uma vantagem superior a dois minutos. O chileno Pablo Quintanilla foi o terceiro na etapa, e concolidou o quarto posto da geral, pois o terceiro é ocupado pelo eslovaco Stefan Svitko, que está a 14 minutos e 14 segundos do primeiro. Já Hélder Rodrigues foi o sexto na etapa, e continua no sétimo posto da geral, mas agora aproximou-se do sexto posto, que é ocupado pelo francês Anthony Meo.

“Foi um dia relativamente normal" começou por dizer Gonçalves. "Ganhei tempo para quem saiu à minha frente e perdi em relação a quem partiu atrás de mim. Amanhã espero recuperar parte do tempo que perdi hoje”, continuou.

“Foi uma etapa bastante difícil com muita navegação. Sabia que ao sair da terceira posição os que pilotos que iam partir atrás de mim iam ganhar tempo. Acabei por ter uma queda bastante violenta a meio da especial numa zona fora de estrada bastante ondulada e rápida. Tive alguma sorte em não me ter magoado. Na moto apenas tive um problema na torre, que acabou por partir. Na parte final vim bastante devagar a segurar na torre com a mão para chegar sem problemas de maior”, continuou.

Em relação aos automóveis, a Mini tentou reagir ao dominio dos Peugeot, com Nasser Al Attiyah a marcar o ritmo face aos Peugeot. Durante o tempo todo, o piloto do Qatar esteve na frente, com o segundo lugar a pertencer a Carlos Sainz, a 12 segundos, e com o terceiro posto a Stephane Peterhansel, a meros 31 segundos. Sebastien Loeb atascou-se numa duna, perdendo mais de oito minutos nesse processo. Contudo, o piloto francês capotou a atrasou-se ainda mais, perdendo mais de uma hora e dez minutos e pelo menos a liderança para Stephane Peterhansel.

Até ao momento, Peterhansel tem uma vantagem de dois minutos e nove segundos sobre Carlos Sainz, e com Nasser Al Atiyah a ficar a catorze segundos e 43 do líder.

Amanhã, o Dakar partirá para uma especial-maratona à volta da cidade de Belén, num total de 436 quilómetros, dos quais 285 serão em especial cronometrada.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Dakar 2015: Meo e Sainz os mais velozes, Gonçalves lidera nas motos

A etapa de hoje entre Uyuni, na Bolivia, e Salta, na Argentina, no total de 793 quilómetros, 353 dos quais feitos em especial cronometrada, foi complicada, pois durante algum tempo esteve suspensa devido às fortes chuvas que caíram naquela zona da Bolívia, alargando os vários ribeiros que correm naquela região. Após algum tempo de pausa determinada pela organização, a etapa foi retomada por alturas do quilómetro 350.

Mas a etapa também foi marcada pelo atropelamento mortal de um espectador de 63 anos ao quilómetro 82, ainda em terras bolivianas. Aparentemente, ele foi apanhado pelo carro do francês Lionel Baud, que seguia na 48ª posição da geral.

Nos automóveis, tivemos uma dupla da Peugeot, com o melhor a ser Carlos Sainz, com uma vantagem de 38 segundos sobre Sebastien Loeb e três minutos e 22 segundos sobre Nasser Al Attiyah. Com isso, Loeb voltou ao comando do rali, com uma vantagem de pouco menos de três minutos, na véspera do dia de descanso. Stephane Peterhansel foi o quarto, com um tempo cinco segundos superior ao piloto qatari. 

Nas motos, a etapa foi bem dura. Joan Barreda Bort desistiu com um motor partido e Matthias Walkner, terceiro classificado à entrada desta etapa, caiu forte e partiu uma perna. Nesse campo, foi assistido por Paulo Gonçalves, que o ajudou a chamar os meios de socorro e ficou ao seu lado durante mais de dez minutos até que estes chegassem, num gesto elogiado por todos.

"No início da especial, parei para ajudar Matthias Walkner, que tomou uma queda, e eu fiquei com ele até que o Pablo Quintanilla chegou", começou por dizer no final da etapa. "A primeira parte da etapa teve alguma navegação, mas, em seguida, o perfil era semelhante ao que era há dois dias atrás, com muitos rios. Na segunda parte da especial, depois do sector neutralizado, estava chovendo muito e eu estava muito cauteloso, pois parecia neve. O clima melhorou um pouco no final", continuou. 

"Estou bastante satisfeito com a etapa de hoje, até agora. Se eu puder repetir isso na segunda semana, eu certamente ficaria muito contente, mas acho que as etapas seguintes serão muito diferentes, então vamos a ver", concluiu.

No final, descontado o tempo que ele perdeu a assistir o austriaco da KTM, ainda ganhou cinco minutos sobre Toby Price, numa etapa ganha pelo francês Antoine Meo. Gonçalves foi segundo, a um minuto e 57 segundos de Meo, enquanto que Helder Rodrigues foi o quarto classificado, a quatro minutos e 58 segundos do vencedor da etapa.

No final do dia, Gonçalves alarga a sua liderança para cinco minutos e vinte segundos sobre Price, enquanto que Stefan Svitko é o terceiro, a doze minutos. Antoine Meo é o quarto, a 21 minutos e cinco segundos, mas assediado por Kevin Benavides (a 21.31 minutos) e Helder Rodrigues (a 23.23 minutos)

O Dakar estará amanhã em dia de descanso, com a caravana de regresso a terras argentinas, em Salta.

O homem do dia

O rali Dakar é um lugar diferente. Não é só o "rally raid" mais famoso do mundo, não é só um dos mais duros, onde uma queda pode significar o fim (e não falo só da corrida), mas onde pode acontecer as melhores manifestações de desportivismo. E foi o que aconteceu hoje, em terras bolivianas, quando o austriaco Matthias Walkner, que era o terceiro classificado da geral, caiu duro no chão da sua KTM e quebrou uma perna. E quem o assistiu durante mais de dez minutos até que chegasse o socorro? Nada mais, nada menos do que o líder da categoria, o português Paulo Gonçalves.

Não é a primeira vez que isto acontece neste Dakar. Há dois dias, falei-vos do que fez a espanhola Laia Sanz, quando assistiu um motard francês na zona de Jujuy, na Argentina, assistindo-o enquanto não chegava o socorro, para o poder evacuar para o hospital mais próximo.

Mas o mais fantástico deste dia é que apesar de todos os gestos, o piloto português mantêm - e alarga a sua liderança! Com o australiano Toby Price, o seu mais direto perseguidor, a perder tempo, e feito o devido desconto, o piloto português acabou por ser segundo na etapa, perdendo apenas para o francês Antoine Meo, e numa altura em que os da frente estão a sofrer muito. É que para além de Walkner, Joan Barreda Bort desistiu com o motor partido.

Amanhã é dia de descanso, em Salta, mas este Dakar já esta a ser marcado pela dureza. E por estes gestos. Independentemente disto acabe ou não com o lugar mais alto do pódio (que merece), este gesto que teve hoje já é o suficiente para ganhar todo o nosso respeito e admiração. Todo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Dakar 2016: Loeb perde a liderança, Gonçalves mantém o comando nas motos

A etapa de hoje à volta de Uyuni, em terras bolivianas, provou ser de autêntica maratona... e de autêntica tareia para os concorrentes. Sebastien Loeb perdeu muito tempo e o comando para Stephane Peterhansel, enquanto que Paulo Gonçalves tem a liderança por um fio, depois de nova vitória de Toby Price, enquanto que Joan Barreda Bort atrasou-se, com problemas na sua moto Honda e Ruben Faria caiu ao chão, fraturando o pulso direito.

Nos carros, a etapa de 542 quilómetros cronometrados resultou em mais uma tripla da Peugeot, com Stephane Peterhansel a bater Carlos Sainz por meros 17 segundos, enquanto que sebastien Loeb atrasou-se um pouco e ficou a oito minutos e 15 segundos do vencedor da etapa. Nasser Al Attiyah foi o quarto, a oito minutos e 51 segundos.

Na classificação geral, a vitória de Peterhansel e a distância que conseguiu sobre Loeb foi mais do que suficiente para que o veterano assumisse a liderança com uma vantagem de 27 segundos sobre loeb, com Carlos Sainz a rodar na terceira posição, a cinco minutos e 55 segundos do primeiro. Nasser Al Attiyah é o melhor dos não-Peugeot, no quarto posto, a quinze minutos e dezanove segundos.

Nas motos, o dia não foi muito bom para as cores portuguesas. Se Paulo Gonçalves já se adaptou melhor e acabou no terceiro posto, mantendo a liderança (apenas 35 segundos separam ele de Toby Price), já Ruben Faria teve azar, caindo na etapa e fraturando o pulso, sendo evacuado de helicóptero para o hospital mais próximo e terminando ali a sua participação no Dakar. A Husqvarna pardia ali o seu ponta de lança na prova. Quanto a Hélder Rodrigues, foi o quinto na especial.

Em termos de etapa, Toby Price voltou a vencer, numa dupla da KTM (o austriaco Matthias Walkner foi o segundo) e também onde Joan Barreda Bort e Kevin Benavides tiveram problemas e atrasaram-se muito. O espanhol parou duas vezes na etapa, e depois descobriu-se que tinha partido o motor, e o argentino perdeu mais de quinze minutos e meio, caindo para a oitava posição. 

Na especial, Gonçalves continua a liderar, com os tais 35 segundos de diferença para Toby Price, enquanto que o terceiro classificado é Walkner, agora a dois minutos e 50 segundos da liderança. Hélder Rodrigues é agora o sexto, a vinte minutos e doze segundos do lider, mas não anda muito longe do quinto, o chileno Pablo Quintanilla.

Amanhã, a caravana do Dakar sairá de Uyuni para regressar a terras argentinas, mais concretamente a Salta, numa etapa que levará 793 quilómetros, 353 dos quais em especial cronometrada.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Dakar 2016: Peterhansel vence, Gonçalves é o novo lider nas motos

A quarta etapa do Rali Dakar de 2016, um percurso de 429 quilómetros cronometrados à volta de San Salvador de Jujuy, na Argentina, onde os mecânicos não poderão tocar nas máquinas, fez com que Stephane Peterhansel e Paulo Gonçalves fossem os vencedores desta etapa, beneficiando da penalização de Joan Barreda Bort em cinco minutos. Isso fez com que o piloto português passasse a ser o novo lider nas motos. Ruben Faria  foi o segundo na etapa, consolidando o quinto lugar na classificação geral. 

Começando nos carros, o dia foi dominado de novo pelos Peugeot, com uma tripla, mas desta vez foi Stephane Peterhansel o grande vencedor, assinando a sua 66ª vitória em especiais, onze segundos mais veloz do que Carlos Sainz. Sebastien Loeb foi o terceiro na etapa, mas mantêm a liderança no rali. Nasser Al Attiyah foi o quarto, e o melhor dos Mini, na frente de Cyril Després e do árabe Yazid Al-Rahji.

Na geral, Loeb mantêm a liderança com quatro minutos e 48 segundos de vantagem sobre Peterhansel, enquanto que Nasser Al Attiyah é o terceiro, a onze minutos e nove segundos do piloto francês. 

Nas motos, a etapa foi dominada pelo duelo entre Barreda e Gonçalves, com o espanhol a levar a melhor, ficando ambos separados por um minuto e 49 segundos. Contudo, o resultado foi ótimo para o piloto da Honda, pois subiu ao terceiro lugar da geral, agora a dois minutos e meio do seu companheiro da marca japonesa.

“Foi uma etapa rápida. Ultrapassei alguns pilotos, o que foi bom, apesar de ter passado muito tempo no pó de alguém. Tudo correu bem. Não tive problemas mecânicos. Estou na posição perfeita para atacar o segundo dia da etapa maratona”, referiu o piloto valenciano da Honda.

“Foi uma primeira etapa maratona rápida. Estava perto do Kevim Benavides antes de reabastecer, mas depois cometi um pequeno erro que me custou algum tempo. No final não terminei muito longe do primeiro lugar. Era importante trazer a moto em bom estado. Estou contente por mim e pela Honda”, comentou o piloto de Esposende.

Mas pouco depois, os organizadores decidiram penalizar Barreda em cinco minutos, caindo para o quarto lugar na etapa e fazendo com que o piloto português não fosse só declarado como o vencedor da etapa, como também é o novo lider da geral, com uma vantagem de dois minutos e 17 segundos sobre Kevin Benavides.

Já Ruben Faria foi o segundo, a quatro minutos e 24 segundos do vencedor, continuando a ser o ponta de lança da Husqvarna neste Dakar. Apenas a dois segundos de Faria ficou o local Kevin Benavides, que consolidou o segundo posto da geral. Com este resultado, Faria subiu ao quinto posição da geral.

Quanto a Helder Rodrigues, foi apenas o 14º na etapa, mantendo o 14º posto da geral.

Amanhã, o Dakar sairá de San Salvador de Jujuy para entrar em terras bolivianas, acabando a etapa em Uyuni, no total de 624 quilómetros, 327 dos quais em troço cronometrado.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Dakar 2016: Loeb volta a ser o melhor, Barreda Bort vence nas motos

O terceiro dia do Rali Dakar, a acontecer entre Termas de Rio Hondo e San Salvador de Jujuy, em terras argentinas, terminou tal como ontem, com Sebastien Loeb a vencer a sua segunda especial consecutiva e a alargar a sua vantagem para cinco minutos sobre a concorrência. 

Na etapa de hoje, o piloto francês conseguiu ser o melhor sobre o seu companheiro de equipa, Carlos Sainz, em um minuto e 23 segundos, enquanto que Nasser Al Attiyah foi o terceiro, a um minuto e 25 segundos do piloto francês. Giniel de Villiers foi o quarto, a dois minutos e dois segundos, mais 47 segundos do que o finlandês Mikko Hirvonen. Já Carlos Sousa chegou na 27ª posição a Jujuy, depois de ter dito que teve problemas mecânicos na especial do dia anterior.

Na geral, Loeb lidera, com um avanço de cinco minutos e três segundos sobre De Villiers, enquanto que Stephane Peterhansel é o terceiro, a cinco minutos e 15 segundos. Hirvonen é o quarto, a cinco minutos e 52 segundos, enquanto que Nasser Al-Attiyah é o quinto, a seis minutos e 39 segundos. Já Carlos Sousa subiu para o 69º posto, recuperando 25 lugares.

Nas motos, os melhores foram todos Honda. Juan Barreda Bort foi o melhor na etapa, com um avanço de dois minutos e 26 segundos sobre o argentino Kevin Benavides e dois minutos e 32 segundos sobre Paulo Gonçalves. Ruben Faria, na sua Husqvarna, foi o sétimo na etapa, a cinco minutos e 387 segundos do vencedor, enquanto que Helder Rodrigues atrasou-se um pouco.

No final, Barreda Bort afirmou: “Hoje foi um bom dia, depois de ontem ter aberto a pista, o que tornou as coisas mais difíceis. Tive um bom ritmo num dia que foi fácil, sem navegação. Apenas tive de dar tudo e manter-me concentrado. As diferenças são mínimas, pelo que o mais importante é estar a lutar com os pilotos e esperar pelas etapas de maior dificuldade”.

Já Ruben Faria explicou à Autosport portuguesa que iniciou a “especial com um ritmo calmo seguindo mais uma vez a estratégia delineada. A cerca de 80km do fim da especial reparei que algo estava errado quando quis trocar de gasolina do depósito traseiro para o dianteiro, percebi nessa altura que estava a ficar sem gasolina o que me obrigou a rolar muito devagar até final perdendo algum tempo para os primeiros”.

Na geral, Barreda Bort lidera, mas tem um avanço de "apenas" de 14 segundos sobre o eslovaco Stefan Svitko, e 48 segundos sobre Kevin Benavides. Paulo Gonçalves é o quarto, a um minuto e 48 segundos, mais dois segundos do que Charles Duclos. Ruben Faria é oitavo, a três minutos e 57 segundos, enquanto que Helder Rodrigues é 15º, a oito minutos e 25 segundos,

E não deu para mais, porque quando os camiões passaram, o piso cedeu, fazendo com que a especial fosse anulada.

A etapa de amanhã, a quarta será um especial de maratona, à volta de San Salvador de Jujuy, no total de 629 quilómetros, dos quais 429 serão em troços cronometrados. E vai ser uma etapa bem dificil, pois andarão a mais de 3500 metros, e no final do dia, os mecânicos não poderão tocar nos veículos, indo diretamente para parque fechado.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Dakar 2015 - Final

A edição do Dakar de 2015 terminou este sábado, na ligação entre Rosário e Buenos Aires, e esta foi feita com muitas dificuldades devido à chuva que se fez sentir, e que interrompeu o percurso no quilómetro 101, dos 174 que fazia parte desta derradeira etapa. Sendo assim a etapa foi dada como terminada, e o vencedor foi o eslovaco Ivan Jakes, com Paulo Gonçalves a ser terceiro classificado, mas a consolidar o segundo lugar da geral, igualando o resultado alcançado por Ruben Faria em 2013.

Se Marc Coma foi o melhor - e alargando o triunfo da KTM prar 14 seguidas - já a Honda terá de esperar mais um ano para conseguir quebrar esse designio, já que não ganha desde 1989, com o francês Gilles Lalay, ainda o rali corria em terras africanas. Parecia que iria ser este ano, mas os problemas de Joan Barreda Bort e a penalização de Paulo Gonçalves fizeram com que Marc Coma elevasse para cinco as vitórias na categoria, a segunda seguida. E claro, mais uma vitória para a marca austriaca de motos.

Ruben Faria terminou o Dakar na sexta posição, enquanto que Hélder Rodrigues alcançou o 12º posto na geral, o pior desde que começou a correr no Dakar. Apesar das duas vitórias em etapas, os problemas que teve com a sua Honda e o facto das coisas terem corrido mal no Salar de Uyuni, comprometerem o seu resultado.

Contudo, tão interessante ainda é saber que no "top ten" neste rali está uma mulher. A espanhola Laia Sanz terminou o Dakar na nona posição, batendo um recorde com 34 anos, quando a francesa Christine Martin acabou no décimo posro na edição de 1981. Uma das pilotos oficiais da Honda, não deixou de agradecer a eles no final: "Obrigado! Especialmente à Honda HRC por acreditarem em mim e me darem uma moto tão boa e à KH-7 por todo o apoio no Dakar", disse a piloto de 29 anos.

Já nos automóveis, Nasser Al Attiyah conseguiu vencer o Dakar pela segunda vez na sua carreira no seu Mini, conseguindo uma vantagem de 35 minutos e meio sobre o sul-africano Giniel de Villiers. O pódio ficou fechado com outro Mini, o do polaco Kristof Holowczyic. Já o português Carlos Sousa, na sua primeira experiência com o Mitsubishi Brasil, acabou no oitavo lugar da geral, apesar de todos os problemas que suportou ao longo do rali com a suspensão.

Contudo, a grande desilusao foi com a Peugeot. Após a desistência de Carlos Sainz devido ao capotamento, no Chile, Stephane Peterhansel foi o melhor da marca, no 11º posto, a mais de três horas do vencedor. O facto de ser o primeiro ano de Dakar e o desenvolvimento no 2008 poderá servir de desculpa, mas as expectativas que foram criadas eram altas.

Acabou este Rally Dakar. Amanhã será a consagração dos sobreviventes, e em 2016, haverá mais nas areias sul-americanas.  

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Dakar 2015 - Dia 13

Com as motos e os carros a fazerem a etapa mais longa do Dakar, entre Termas de Rio Hondo e Rosário, no total de 1024 quilómetros, mas apenas 298 quilómetros em especial cronometrada, as coisas parecem estar definidas na classificação geral, agora que resta apenas uma etapa para terminar este Dakar. Apesar de nas motos, Toby Price ter sido o vencedor e Paulo Gonçalves ter conseguido recuperar três minutos e 23 segundos sobre Marc Coma, o espanhol é praticamente o vencedor deste rali nas motos, dado que a diferença entre os dois é de 17 minutos e 40 segundos.

“O Dakar não está terminado, falta mais um dia de corrida. Estou na segunda posição, mas nada está garantido. Tudo pode acontecer ainda, positiva ou negativamente. Mas estou muito feliz por mim e por toda a equipa HRC, e por todo o trabalho que tem vindo a ser feito. O Joan Barreda esteve na frente da corrida até ao Salar de Uyuni, mas perdeu o comando devido a um problema causado pela água no motor. Se terminarmos o Dakar no pódio já será bom”, afirmou.

Hélder Rodrigues foi o oitavo na etapa, a oito minutos e 40 segundos do vencedor, enquanto que Ruben Faria terminou hoje na vigésima posição, a 16 minutos e 21 segundos de Price.

Em termos de classificação geral, está tudo definido, com Coma a caminho da quinta vitória no Dakar, controlando a aproximação de Paulo Gonçalves. Ruben Faria é o sexto e ainda poderá alcançar a sensação espanhola Laia Sanz, que está a quatro minutos do piloto português. Já Hélder Rodigues é o 11º da geral, a mais de três horas e 27 minutos de Coma.

Já nos automóveis, o grande vencedor foi local. Orlando Terranova foi o melhor a bordo do seu Mini, conseguindo uma vantagem de 30 segundos para o segundo classificado, o russo Vladimir Vassyliev. Outro argentino, Emiliano Spataro, foi o terceiro com o seu Renault Duster. Nasser Al Attiyah foi o quarto, mas conseguiu um avanço de sete minutos sobre Giniel de Villiers, que nesta etapa foi apenas o 12º classificado.

Carlos Sousa foi o sexto classificado na etapa, a apenas um minuto e 52 segundos do vencedor, mas conseguiu aqui o seu melhor resultado neste Dakar. Agora, ele está no oitavo lugar, mas têm bernard Ten Brinke mesmo a seu lado: um minuto e 47 segundos separam ambos os pilotos.

Amanhã é a última etapa, entre Rosário e Buenos Aires, com 393 quilómetros ao todo, dos quais 174 são feitos em troço cronometrado.