quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Youtube Motorsport Video: Os onboards de Abu Dhabi

E a temporada acabou, não sem os onboards desse último fim de semana da temporada, que foi tão movimentada como as outras. São de minutos de espectáculo.

Agora... só em 2020.

Youtube Rally Ride: uma volta com o Subaru Impreza 97 WRC

Dar voltinhas em carros clássicos é alguma coisa, especialmente se são carros de rali. Mas se os anos 80 são a década de eleição, por causa dos Grupo B, mais recentemente, os Subaru Impreza WRC começaram a ser objetos de desejo de colecionistas, como o Henry Catchpole, do Carfection, descobriu, ao dar umas voltas no carro que deu ao piloto escocês a vitória no Rali da Argentina, mas também participou no rali Safari e no Rali da Indonésia.

Aproveitem e vejam o video.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Youtube Racing Interview: Uma entrevista com Rubens Barrichello

O pessoal do podcast oficial da Formula 1 faz entrevistas bem interessantes a ex-pilotos. E esta semana decidiu publicar a entrevista a Rubens Barrichello, que como sabem, esteve 18 temporadas em equipas como Jordan, Stewart, Ferrari, Honda, Brawn GP e Williams.

Ao longo de hora e meia, o piloto brasileiro, agora com 47 anos, conta sobre como foi a sua carreira, de momentos que passou com Ayrton Senna e Michael Schumacher, de momentos controversos, como o GP da Áustria de 2002, entre outras coisas.

Noticias: Formula E ganha estatuto de campeonato do mundo

Depois de seis anos, a Formula E ganha estatuto de campeonato mundial. O acordo foi hoje anunciado em Paris da parte da FIA, que já sancionava o campeonato desde a sua primeira edição. A partir de 2020-21, todos os que alcançarem títulos, quer de pilotos, quer de Construtores, serão considerados como campeões do mundo.

Para Alejandro Agag, fundador e presidente da Fórmula E, é um desejo tornado realidade: “Sempre foi nossa ambição ser um dia um campeonato do mundo da FIA. Tudo o que fizemos até agora tinha como objetivo este momento específico. Conseguir o feito e receber o estatuto de campeonato do mundo da FIA dá mais credibilidade ao que já é uma fórmula completa e um produto desportivo espetacular.“

“Este acordo e anúncio colocam a Fórmula E no topo das corridas internacionais de monolugares. Foi um esforço tremendo de muitas pessoas envolvidas e nada disso seria possível sem o apoio do presidente da FIA, Jean Todt e da federação, além da dedicação e compromisso demonstrados pelas nossas equipas e parceiros.”

“Agora podemos dizer que conseguimos. Mas é apenas o começo de um novo capítulo sob a bandeira do Campeonato Mundial de Fórmula E da ABB FIA.”, concluiu.

Jean Todt declarou as razões porque decidiu avançar com um reconhecimento que se devia há muito, especialmente depois das chegadas, esta temporada, de mais construtores como a Mercedes e a Porsche.

“A criação e desenvolvimento da Fórmula E tem sido uma grande aventura”, começou por dizer Todt. “Estou orgulhoso por hoje confirmarmos o estatuto de campeonato do mundo da FIA. Desde que começamos esta caminhada, a Fórmula E, sem dúvida, foi crescendo cada vez mais. Num curto espaço de tempo, a série mostrou-se relevante para a indústria automóvel, com mais dois grandes fabricantes a entrar no campeonato no início da temporada atual, elevando o número total para dez", continuou.

"O compromisso e o profissionalismo dos fabricantes e das respectivas equipas refletem-se na qualidade da lista de pilotos, que melhora a cada temporada. Desde a primeira corrida em Pequim 2014 e com todos os E-Prix depois disso, a Fórmula E provou que o conceito de corrida elétrica funciona. Saúdo sinceramente a Fórmula E como o mais recente campeonato mundial da FIA”, concluiu.

A próxima ronda da competição acontecerá a 10 de janeiro, em Santiago do Chile.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

No Nobres do Grid deste mês...

No passado dia 21 de novembro, fui enfim a uma sala de cinema na cidade onde moro para poder ver "Le Mans'66, o Duelo", ou "Ford vs Ferrari". O filme, realizado por James Mangold, tem Christian Bale no papel de Ken Miles, e Matt Damon no de Carrol Shelby, o homem que fez os Cobra e apimentou o Mustang, que o chamou de "carro de secretária", quando foi apresentado ao bólido que iria marcar uma geração.

Mas o bólido que domina o filme é o GT40, o carro que tem esse nome por causa da sua distância ao chão - 40 polegadas - e porque é o resultado de um desafio lançado por Enzo Ferrari, quando Henry Ford II quis comprar a Scuderia, e o Commendatore diz não, depois de ver as condições que apresentavam no seu contrato.

(...)

Para além disso, a história também seria uma história americana. De quando eles eram os "underdogs" e bateram uma equipa europeia dominante, no seu próprio quintal, na Europa. E em 1966, a prova com mais prestígio eram as 24 Horas de Le Mans, ainda antes da Formula 1 tomar conta das antenas e as mentes dos fãs do mundo inteiro. Não se vê a história do lado da Ferrari, é por isso que não se vê um dos pilotos mais importantes da altura, o britânico John Surtees.

(...)

E é isso o que este filme se trata: a relação humana entre duas personagens que tiveram carreiras no automobilismo, e que fizeram parte de uma das maiores aventuras automobilísticas, numa altura em que o céu era o limite. Nos anos 60, queriam ir á Lua e ter os carros mais potentes de estrada. Há uma cena onde Lee Iaccoca fala sobre isso numa reunião da Ford, que começa com "Sabem o que fizeram os nossos homens quando voltaram da guerra? Fizeram bebés. E agora eles chegam ao final da adolescência com dinheiro no bolso para comparar carros velozes". É essa a essência do filme: capturar um tempo despreocupado que não volta mais. (...)

Este foi o mês em que lançaram "Ford vs Ferrari", o filme de James Mangold, o segundo filme "hollywoodiano" sobre automobilismo em menos de uma década. Era um filme antecipado por muitos que aproveitaram para ver o filme assim que puderam. E como disse ali em cima, saí da sala completamente satisfeito por assistir a um bom filme, apesar de saber que seria uma história americana, com um argumento hollywoodiano, e que não estragou muito a história real. e sendo uma história americana, fixou-se na relação entre duas pessoas que ajudaram muito na concretização do objetivo: Carrol Shelby, antigo piloto e depois construtor, e Ken Miles, um britãnico que emigrou para a California e ajudou a desenvolver os GT40 até morrer, num acidente de testes em agosto de 1966, a testar a versão J do GT40.

Nesse campo, o filme foi excelente, e ambos os atores fizeram bem os seus papéis, bem como alguns dos secundários. Desconhece-se se irá entrar na corrida para os prémios da Academia, os Óscares, mas há quem garanta que sim. Isso só veremos no inicio do ano que vêm.

Para ler o resto, sigam o link para o Nobres do Grid. 

Endurance: FIA cancela Seis Horas de São Paulo

A FIA e a WEC cancelaram as Seis Horas de São Paulo, previstas para janeiro de 2020. Já se falava de problemas com a organização desde há algum tempo, e eu mesmo na véspera tinha recebido más noticias sobre este assunto, e hoje confirmou-se: não haverá os carros de endurance na pista brasileira. No seu lugar haverá as Seis Horas de Austin, no Texas, previstas para o fim de semana de 22 a 23 de fevereiro.

De acordo com a ACO, uma das promotores do Mundial de Endurance, eles entenderam que a promotora não cumpriu com os seus critérios, logo, esta foi retirada do calendário. Segundo o comunicado oficial, a categoria afirma que os problemas "não são com a cidade de São Paulo nem com o Autódromo José Carlos Pace [Interlagos]. São estritamente com a promotora local."

Segundo conta hoje o site brasileiro Grande Prêmio, os organizadores não pagaram a taxa prevista à FIA, e eles também não tinham arranjado nenhum patrocinador "master" para apoiar a prova.

"Primeiramente, precisamos agradecer Bobby Epstein e o Circuito das Américas por nos acomodarem com pouco tempo restante. É uma excelente praça, e nossos fãs, competidores e media estão assegurados que teremos ótimas corridas na América do Norte, não só uma, mas duas vezes em dois meses", começou por dizer Gerard Neveu, o presidente do Automobile Club de L'Ouest (ACO).

"Obviamente [estamos] muito infelizes [por] estar nesta situação. O WEC lamenta esta situação e se sente triste pela cidade de São Paulo e os milhares brasileiros fãs de automobilismo. Nossa maior preocupação era com os competidores e parceiros, e trabalhamos duro para achar uma solução que oferecesse o mínimo de perturbação possível", acrescentou o dirigente.

A última vez que a Endurance foi a Interlagos foi em 2014, numa prova vencida pelo Porsche de Romain Dumas, Marc Lieb e Neel Jani.

Youtube Motorsport Racing: A segunda corrida da Formula E em Ad Diriyah

Depois de ter colocado a primeira corrida da Formula E em paragens sauditas, com vitória de Sam Bird, no seu Virgin, é a vez de colocar aqui a corrida que deu o triunfo a Alexander Sims, o seu primeiro na competição, 

Youtube Motorsport Video: Cinco razões para seguir a Formula E


O nosso amigo Nolan, do Donut Media, decidiu ir ao ePrix de Nova Iorque, em julho, e dedidiu fazer um video dando cinco razões porque deveremos ver a Formula E. Algumas das razões são interessantes, e também o video mostra o ambiente desta competição, muito interessante.

domingo, 1 de dezembro de 2019

A imagem do dia

Por fim, acabou aquele que deve ter sido o campeonato mais longo até agora. Vinte e uma provas, de março até dezembro, e ano que vêm existirão 22, com a estreia do Vietname, e o regresso da Holanda, em Zandvoort. Lugares novos e o regresso dos clássicos, numa era onde desde 2014, a Mercedes é rei e senhor.

Mas á lugares do qual se questiona o lugar. Entende-se o porquê: dinheiro. Como essa gente a têm, pode-se tudo. E eles cobram o extra por ser a última prova do ano, que poderá ter o potencial para decidir campeonatos. Mas não este ano, pois Lewis Hamilton conseguiu-o em Austin, há mais de um mês.

Contudo, esta corrida para cumprir calendário rivalizou com Paul Ricard no quesito "aborrecimento". Quem viu na televisão, contou os minutos e as voltas até que ela acabasse, e os duelos não existiram ou duravam pouco tempo. Aliás, a única anormalidade foi... a avaria temporária do DRS! Em suma, uma corrida para boi dormir. A única coisa que vale a pena é o cenário, a corrida noturna, algo que já existe em Singapura e Bahrein. E a corrida de hoje mostrou que ali, as boas provas são uma excepção. Os fãs não gostam, querem clássicos, querem coisas do qual valem a pena saltar da cadeira.

O que é pena, pois a Formula 1 tem de merecer mais. Especialmente numa altura em que sabemos quem será o campeão. 

Youtube Motoring Video: O mais antigo automóvel a circular


O automóvel é algo que existe há mais de 130 anos. A "carruagem sem cavalos" foi um sonho que durou séculos, como a capacidade de voar como os pássaros, mas quando aconteceu, durou mais uma geração até se massificar. Então, era um meio de transporte de ricos e privilegiados.

Hoje em dia, vivemos nova evolução, mas é interessante reparar que em pleno século XXI, ainda hajam carros do século XIX a circular. Máquinas complicadas - a maneira como guiamos só acabou por ser definida depois da I Guerra Mundial, há cem anos - mas o que espanta é, algures na Alemanha, haja um Benz Victoria de 1894 ainda a circular, com matricula e tudo!

E é isso que este video da Deutsche Welle mostra.

Formula 1 2019 - Ronda 21, Abu Dhabi (Corrida)

E a longa temporada acaba aqui. Desde há uma década a esta parte, este entreposto do deserto, uma das cidades-estado dos Emirados Árabes Unidos, consegue superar Dubai e monta na zona de Yas Marina, um complexo automobilístico que têm o seu quê de entretido, mas do qual os fãs mais hardcore não se convencem e questionam a sua existência. Só os justifica porque o cenário, mas especialmente o dinheiro, assim o obriga.

Não foi uma corrida histórica. Aliás, se não existisse, não nos importaríamos. Contudo, a marca é importante, e as petromonarquias banhadas de ouro negro estão dispostas a pagar rios de dinheiro para ter estas manifestações desportivas. E como a Formula 1 precisa de dinheiro, qual prostituta de luxo, para pagar às equipas, sempre exigentes, como filhotes de águia, lá ela aceita, colocando exigências porque é a corrida de fecho do campeonato, etc...

Ontem, não houve história: as Mercedes dominaram, Lewis Hamilton, o campeão do mundo, foi o melhor, num carro bem equilibrado, adiante de um Valtteri Bottas que por ter trocado de motor por causa da explosão em Interlagos, iria ser o último da grelha.

E quanto a hoje... depois de Hamilton ter largado na frente, com um Max Verstappen a ficar no segundo posto, antes de ser passado por Charles Leclerc, o britânico foi-se embora, deixando o resto a brigar pelas migalhas, digamos assim. E cedo se descobriu que não havia DRS ligado, logo, as asas não poderiam ser mexidas. Os puristas aplaudiam, pois iriam ver o que seria uma corrida sem esse dispositivo artificial. Bom, espero que tenham tirado as suas conclusões... se saíram das suas nuvens, não é?

Com isso, a corrida transformou-se, progressivamente, num longo suporífero. A única coisa de interessante que se viu foram as estratégias de corrida. Primeiro, com a Ferrari a decidir-se por duas paragens, em vez do um que a maior parte das equipas decidiram fazer, ainda por cima, com a Mercedes a parar o mais tarde possível, especialmente Bottas, que vinha do fundo do pelotão.

A estratégia da Ferrari não foi grande coisa. Vettel chegou a ser sexto, atrás de Alexander Albon, por causa da segunda paragem, mas depois recuperou a posição. Em contraste, Charles Leclerc foi o segundo, antes de ser atacado por Max Verstappen que aproveitou uma travagem para fazer uma ultrapassagem musculada para se apossar do segundo posto. E tudo isso numa altura em que Hamilton não era - aliás, nunca foi - ameaçado na sua liderança.

No final, Hamilton venceu, na frente de Verstappen e Leclerc, que estava a ser assediado por Bottas para ficar com o lugar mais baixo do pódio. Largaram-se os foguetes para comemorar tudo o que se deveria comemorar: os títulos da Mercedes e de Hamilton - que fazia aqui a sua corrida numero 250, a propósito - o final de um campeonato que começa a ser demasiado longo para toda a gente. Mas em 2020 haverá mais, em novos lugares e novos cenários, provavelmente com o mesmo resultado. Ou talvez não.

Youtube Motorsport Video: O primero ePrix de Ad Diriyah, na íntegra

Como é sabido, a Formula E voltou em força na semana passada com a jornada dupla em terras sauditas. Na primeira prova, Sam Bird levou a melhor e conseguiu ser o primeiro piloto a vencer em todas as temporadas da Formula E até agora, numa corrida que teve o seu quê de emocionante.

Assim sendo, eis o video da corrida na íntegra. 

sábado, 30 de novembro de 2019

A imagem do dia

Algures no verão de 1984, Ayrton Senna ouve Domingos Piedade sobre um assunto que não deve ser lá muito bom. E pego essa altura por causa de algumas das coisas que ambos fizeram juntos, e um grande sarilho no qual ele esteve evolvido.

A primeira coisa que se deve dizer é que a sua chance de correr num carro de Endurance deve-se a Domingos Piedade. Foi nos 1000 km de Nurburgring, em 1984, pouco depois da Joest ter vencido as 24 Horas de Le Mans com Karl Ludwig e Henri Pescarolo. Ali, Senna fez um turno com o próprio Pescarolo e o sueco Stefan Johansson. Ele afirmou mais tarde que nunca gostou muito da experiência, mas Domingos disse algo diferente:

"O seu comportamento com o Porsche 956 da minha equipa foi exuberante, divino. Depois de sete voltas ao volante de um carro que lhe dera totalmente desconhecido, numa categoria nova para ele, Ayrton alcançou todo o mundo na pista e nas 65 voltas em que pilotou o carro da New Man foi simplesmente o mais rápido em pista, batendo senhores como Bellof, Mass, Ickx, Bell, Pescarolo, Winkelhock, Boutsen, Wollek, Patrese e outros.", contou, anos depois, na biografia sobre Senna escrita pelo Francisco Santos.

Contudo, pouco tempo depois, Senna envolveu-se uma complicação. Sem conhecimento da chefia da Toleman, começou a negociar com a transferência para a Lotus. Peter Warr estava enfeitiçado pelas suas performances na Formula 1 e na Formula 3, no ano anterior, e conseguiu fazer com que fosse para a Lotus em 1985, no lugar de Nigel Mansell. O acordo foi anunciado no fim de semana do GP da Holanda, mas Alex Hawkridge, aparentemente, foi o último a saber. E ele ficou furioso. Decidiu castigá-lo, não o colocando no carro no GP de Itália, em Monza, onde no seu lugar foi... Stefan Johansson, que foi quarto com o carro.

Em Monza, Senna via tudo nos bastidores, altamente frustrado com tudo o que se passava, e Domingos acompanhava-o para ver se mantinha a cabeça fria com todo o rebuliço à volta. Sem poder competir, chegou a fazer comentário do fim de semana italiano por uma televisão - desconheço qual - e os conselhos que ele deu fizeram-o pensar se ele não queria ser seu empresário. Domingos Piedade, que tinha a tarefa de ser o "manager" de Michele Alboreto, mais os seus afazeres na Joest, recusou. Mas não deixaram de ser amigos até ao final de vida do brasileiro, dez anos depois.

Domingos Piedade não foi um português normal. Viveu trinta anos na Alemanha, participou em duas vitórias nas 24 horas de Le Mans, aconselhou e ajudou pilotos portugueses no estrangeiro, ajudou na Copersucar-Fittipaldi, foi manager de Michele Alboreto e do próprio Emerson Fittipaldi, chegou a ser um dos diretores da AMG, e no final da carreira, foi ser o diretor do Autódromo do Estoril, onde ajudou a trazer a MotoGP para Portugal, com sucesso. Conheceu Michael Schumacher quando ele era um mero mecânico num kartódromo em Kerpen, perto da fronteira com a Bélgica, porque era amigo dos seus filhos. Como conhecera Senna, ainda ele andava no kart.

E sempre que podia, comentava Grandes Prémios com Adriano Cerqueira e José Pinto, nos anos 80, e com João Carlos Costa e Jorge Alexandre Lopes, nos anos 90 e no inicio do século. A sua voz pausada e algo arrastada, a contar estórias de bastidores, ficou nos ouvidos dos amantes de automobilismo neste retângulo à beira-mar plantado.

Morreu hoje aos 75 anos, e estava doente havia algum tempo. Fica um legado nada pequeno. Ars lunga, vita brevis.

Formula 1 2019 - Ronda 21, Abu Dhabi (Qualificação)

E por fim, esta longa temporada chega ao seu término. Pela primeira vez desde 1963, teríamos corrida em dezembro, e a tendência parece ser de cada vez mais provas, num calendário cada vez mais longo. Tanto que até os relacionamentos tremem. Claro que, se uns se separam e outros acolhem novas vidas, o campeão queixa-se que nem sequer tem tempo para cuidar da sua matilha de cães...

Sabia-se que Lewis Hamilton tinha a sua vida facilitada com a noticia de que Valtteri Bottas, seu companheiro de equipa, iria substituir o motor e a caixa de velocidades - tinha quebrado no Brasil - e iria partir do último posto. Não que fosse fazer muita mossa, mas com Max Verstappen e os Ferrari, ele poderia ser mais um a complicar.

Com a paisagem habitual, numa pista que não emociona ninguém, sejamos honestos, a qualificação começava no lusco-fusco e com temperaturas amenas. Máquinas e pilotos começaram a ir para a pista na ideia de tentar marcar logo os seus tempos, para usar os jogos disponíveis e escolher qual deles iria usar no dia seguinte. Quase todos andavam com os moles, e ao fim de um certo tempo, os melhores lá apareciam, como Mercedes, Red Bull e Ferrari. E claro, Lewis Hamilton fez o seu melhor, com Alex Albon não muito atrás, mostrando que sabia andar.

Se na frente era assim, no final desta Q1, entre os que ficavam para trás, para além dos Williams, que quase têm lugar cativo, os carros de Giovinazzi e Raikkonen, bem como o Haas de Romain Grosjean - grande surpresa - faziam-lhes companhia. Aliás, nesse duelo pessoal, Kevin Magnussen levou a melhor por meros quatro centésimos.

Para a Q2, um pouco mais do mesmo: todos colocaram moles nos seus carros, para os fazer funcionar e ter para escolher na corrida de amanhã. Não houve assim grandes coisas, grandes novidades, apesar de Charles Leclerc ter mostrado ao que vinha e ficou com o melhor tempo, 91 centésimos na frente de Hamilton, com Bottas atrás e Vettel no quarto posto.

E entre os vencedores e vencidos, praticamente tudo normal: McLaren e Renault entraram, Racing Point e Toro Rosso ficaram de fora. Foi Sérgio Perez que ficou com a "fava", batido por Nico Hulkenberg, este que fazia a sua última corrida na Formula 1.

Para a Q3, a primeira fase nem sempre é uma coisa de interesse, porque é mais para marcar tempo e volta depois para as boxes, quase como se eles podem ir à vontade. É na última tentativa que as coisas acontecem. E foi aí que houve sarilho na Ferrari, quando Vettel passou primeiro que Leclerc, mas o monegasco não o conseguiu antes das luzes ficarem vermelhas, um pouco como aconteceu em Monza. Pode-se falar de uma má coordenação, ou vingança do alemão sobre o monegasco, mas isso aconteceu, e ele não ficou feliz...

Mas isso não impediu que os Mercedes ficassem com as duas primeiras posições, com Lewis Hamilton a ficar com a 88ª pole-position da sua carreira, alargando o seu recorde. Max Verstappen era o terceiro, adiante dos carros vermelhos. E nem Vettel foi melhor que Leclerc, porque na sua tentativa, perdeu muito no terceiro setor do circuito de Yas Marina. Alex Albon era sexto, no outro Red Bull, na frente de Lando Norris.

Assim acabava a última qualificação do ano. Hamilton não estava lá desde o GP da Alemanha - quatro meses, mais dia, menos dia - e a pole serviu como que a dar inicio ao final perfeito que ele deve desejar ter para este fim de semana. Veremos como será amanhã.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Formula E: Equipas cautelosas sobre ePrix de Santiago

O cancelamento do Rali do Chile, esta quinta-feira, parece não ter abalado a confiança da Formula E sobre a realização do ePeix de Santiago, marcado para o dia 10 de janeiro de 2020. Quer a organização, quer as equipas estão a monitorizar atentamente os acontecimentos na capital, Santiago do Chile, para saber se a prova tem todas as garantias de segurança necessárias para poder ir adiante.

"Atualmente, o calendário é o que é anunciado, [ou seja], estamos correndo em Santiago, mas claramente todos nós, como equipas, apenas expressamos um pedido para ter uma atualização sobre a situação", disse James Barclay às equipas de Fórmula E numa declaração captada pelo site e-racing365.

“As operações da Fórmula E (FEO) estão monitorizando absolutamente a situação, e Alberto [Longo] tem mantido muito próximo com o governo e o setor privado para garantir que a situação, se algo se desenvolver ainda mais, tenha uma visão. Precisamos muito seguir a direção da Fórmula E por várias razões. Fundamentalmente, como promotor, eles nos dizem se é apropriado corrermos para lá em termos de perspectiva de segurança.

"Acho que o foco do lado de todos é que estamos correndo em Santiago agora. A situação está sendo monitorizada pelo FEO, e sabemos que eles tomarão a decisão certa.”, concluiu.

A cautela em relação a Santiago não é a mesma que tiveram em relação a Hong Kong, que também vive agitação social nas ruas da cidade-estado desde meados do ano, mais do que suficientes para o seu cancelamento da edição de 2020, que estava previsto para março do ano que vêm.