quarta-feira, 13 de maio de 2020

A imagem do dia

Os carros da Alfa Romeo alinhados no paddock de Silverstone, palco do GP da Grã-Bretanha de 1950.
 
Há precisamente 70 anos, em Silverstone, começava a Formula 1. E foi o culminar de um longo caminho que tinha começado algum tempo antes. Mais de uma década antes, para ser mais preciso. Em 1938, a CSI, a Comission Sportive International, decidiu criar um regulamento para as "voiturettes", que tinam uma motorização de 1.5 litros sobrealimentados. A Alfa Romeo reagiu, criando o 158 Alfetta (traduzido: Pequeno Alfa) carro estreou-se na Coppa Acerbo de 1938, às mãos de Emilio Villoresi, e parecia que estaria ali protegido dos dominantes carros alemães da Mercedes e Auto Union. Quando a 10 de junho de 1940, a Itália declarou guerra à França e Grã-Bretanha, o automobilismo ficou congelado por seis anos, e os Alfettas foram para um celeiro para se abrigarem das bombas aliadas.

Em 1946, no final da guerra, o automobilismo voltou e os regulamentos foram mudados para permitir carros de até 4,5 litros aspirados, e a Alfa Romeo aproveitou bem para desenvolver os seus motores para ter cerca de 300 cavalos, dos 200 iniciais. Tornou-se na máquina mais vitoriosa dos Grandes Prémios que tinham renascido do pós-guerra, nas mãos de pilotos como Villoresi, Giuseppe "Nino" Farina e Achille Varzi. Este último morreu nos treinos do GP da Suíça de 1948, e cedo foi substituído pelo argentino Juan Manuel Fangio.

Sem rivais à altura - a Alemanha só foi autorizada a voltar a competir em 1950 e alguns dos seus chassis Mercedes e Auto Union ficaram no lado soviético - esta estava pronta para correr no GP da Grã-Bretanha de 1950. Havia a concorrência da Ferrari, que tinha sido estabelecida em 1947, mas ainda não era uma ameaça latente, e também havia a Maserati e as francesas Talbot-Lago e Simca-Gordini, mas eram atores secundários, ainda a lamberem as feridas do pós-guerra. E a britânica BRM era uma operação bem recente. Mas a ideia que se passa é que como uma formula desenvolvida há mais de uma década serviu para uma marca se preparar para uma competição do qual nem sequer tinha sido pensada. E quando a ocasião aconteceu, dominou os eventos até aparecer uma nova formula de motores, do qual a Alfa Romeo aproveitou para ir embora da competição e apenas regressar um quarto de século depois.

Rumor do Dia: Ricciardo a caminho da McLaren?

Depois da saída de Sebastian Vettel e da possibilidade de Carlos Sainz Jr. estar a caminho da Ferrari como seu substituto, fala-se agora que Daniel Ricciardo poderá estar a sair da Renault e ficar com o lugar do espanhol, e correr ao lado de Lando Norris. O jornalista italiano Leo Turrini afirmou à Radio 24 Itália que Daniel Ricciardo deverá ser substituto de Sainz. Ao comentar a ida de Sainz para Maranello, Turrini revelou que Ricciardo já terá acordo com a equipa de Woking:

“Sainz é um piloto sólido ”, começou por dizer. “Mas também é preciso dizer que em vários anos ele alcançou apenas um pódio, mesmo que nunca tenha tido grandes meios à sua disposição. Não é o nome que aquece o coração. Ricciardo? Parece que ele já assinou contrato com a McLaren.”, concluiu.

Se for o australiano de 30 anos o escolhido, ele sairia da equipa francesa sem qualquer pódio na temporada de 2019, sido apenas nono classificado, com 54 pontos e um quarto posto em Itália como o melhor resultado. O seu contrato com a marca do losango termina no final de 2020.

Caso todas estas movimentações sejam verdadeiras, isso significa que a Renault deixa uma vaga aberta para quem queira preencher. Com Esteban Ocon como piloto principal, a segunda vaga pode ser preenchida por alguém que seja interessante para guiar, provavelmente tão jovem quanto esta geração, mas não se pode descartar algum veterano que fique com a vaga, como por exemplo, Fernando Alonso. Mas o espanhol terá 40 anos em 2021 e não sei se estaria disposto a ser "humilhado" pela nova geração.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Formula 1: Leclerc agradece a Vettel

A noticia do final da relação entre Sebastian Vettel e a Scuderia Ferrari causou diversas reações no meio, sendo que a mais relevante foi a de Charles Leclerc, o seu companheiro de equipa. O monegasco de 22 anos, que chegou em 2019 na Scuderia, vindo da Alfa Romeo, causou um impacto imediato, nem sempre foi fácil a partir da segunda metade da temporada, com os casos entre ambos a surgirem com mais frequência, especialmente em Interlagos, no Brasil.

Leclerc usou as redes sociais para agradecer pela sua convivência e por tudo o que aprendeu com ele.

“Foi uma grande honra para mim ser teu companheiro de equipa. Tivemos alguns momentos tensos na pista. Alguns muito bons e outros que não terminaram como nós dois queríamos, mas sempre houve respeito, mesmo que não fosse percebido dessa maneira do lado de fora. Nunca aprendi tanto como aprendi contigo como meu companheiro de equipa. Obrigado por tudo Seb.”

Leclerc chegou à Ferrari e no seu primeiro ano terminou na quarta posição, com duas vitórias, uma em Spa-Francochamps e outra em Monza, complementando com mais cinco pole-positions, dez pódios e quatro voltas mais rápidas. E o provável substituto de Vettel poderá ser o espanhol Carlos Sainz Jr, cujo anuncio oficial poderá ser feito no final da semana.


Noticias: Vettel abandona a Ferrari

Sebastian Vettel
e a Ferrari anunciaram esta terça-feira o seu divórcio para o final desta temporada. Depois de cinco anos de bons serviços, ambas as partes decidiram que 2020 será o final desta associação do qual não deu títulos, e na última temporada tinha sido tumultuosa devido à chegada do monegasco Charles Leclerc.

“O meu relacionamento com a Scuderia Ferrari terminará no final de 2020. Para obter os melhores resultados possíveis neste desporto, é vital que todas as partes trabalhem em perfeita harmonia. A equipa e eu percebemos que não há mais um comum desejo de permanecer juntos até o final desta temporada. Os assuntos financeiros não tiveram parte nesta decisão conjunta.Não é assim que penso quando se trata de fazer certas escolhas e nunca será.", começou por dizer o piloto alemão no comunicado oficial.

"O que está a acontecer nos últimos meses levou muitos de nós a refletir sobre quais são nossas verdadeiras prioridades na vida. É preciso usar a imaginação e adotar uma nova abordagem para uma situação que mudou. Eu próprio reservarei o tempo necessário para refletir sobre o que realmente importa quando se trata do meu futuro.", continuou.

"A Scuderia Ferrari ocupa um lugar especial na Fórmula 1 e espero que obtenha todo o sucesso que merece. Finalmente, quero agradecer a toda a família Ferrari e, acima de tudo, aos seus “tifosi” em todo o mundo, pelo apoio que eles me deram ao longo dos anos. O meu objetivo imediato é terminar a minha longa jornada com a Ferrari, na esperança de partilhar mais alguns momentos bonitos juntos, para adicionar a todos aqueles que desfrutamos até agora“, concluiu.

Já do lado da Ferrari, Mattia Binotto agradeceu o profissionalismo do piloto alemão e louvou as suas contribuições para a equipa.

"Sebastian já faz parte da história da Scuderia, com as suas 14 vitórias, tornando-o o terceiro piloto mais bem-sucedido da equipa, enquanto também é o piloto que marcou mais pontos. Nos nossos cinco anos juntos, ele terminou entre os três primeiros do campeonato de pilotos por três vezes, dando uma contribuição significativa à presença constante da equipa nos três primeiros da classificação dos construtores."

"Em nome de todos na Ferrari, quero agradecer ao Sebastian pelo seu grande profissionalismo e pelas qualidades humanas que demonstrou nestes cinco anos, durante os quais partilhamos tantos grandes momentos. Ainda não conseguimos conquistar um título mundial juntos, o que seria um quinto para ele, mas acreditamos que ainda podemos tirar muito proveito desta temporada incomum de 2020 “, declarou.

Ainda não se sabe quem é o seu sucessor, mas em Espanha, avança-se que Carlos Sainz Jr. irá para o seu lugar na temporada de 2021. 

Já em relação ao futuro do piloto de 32 anos, tetracampeão do mundo, especula-se que poderia estar a caminho da McLaren, mas também a ideia de uma retirada da Formula 1 não está colocada de parte. Desde meados do ano passado que Vettel se tem vindo a manifestar algum descontentamento com os rumos da Formula 1, especialmente com os novos regulamentos e a motorização híbrida. Mas a ideia de continuar a carreira na McLaren, especialmente numa altura em que a marca de Woking está a expandir as suas operações para outras áreas como a Endurance e a IndyCar, poderá atrair o piloto alemão para ser mais versátil nas suas opções.

Veremos no que ele irá decidir. 

Noticias: Formula 1 não será sujeita a medidas de quarentena na Grã-Bretanha

Com a Formula 1 ainda à espera do calendário definitivo da temporada - apesar de se saber que começará a 5 de julho em Red Bull Ring, na Áustria - surgiu esta segunda-feira a noticia de que quando chegarem à Grã-Bretanha, os mecânicos, engenheiros e demais membros das equipas de competição não serão sujeitos às medidas de quarentena. A revelação surgiu na Reuters, graças a uma fonte do governo britânico, onde na sequência do anuncio de uma quarentena de 14 dias a todos os que entrassem no país após o fim de maio, existirá uma exceção para o desporto, incluindo, claro está a Formula 1, que tem previstas duas corridas em Silverstone, para lá de albergar sete das 10 equipas do atual pelotão. Ambas as partes estariam a negociar essa excepção.

Apesar de tudo, Ross Brawn, Diretor-Geral da Formula 1, continuará a implementar medidas para as corridas de abertura da época no sentido de eitar espalhar o irus no pelotão e evitar criar uma segunda onda: 

“Todos serão testados e existirá uma autorização antes de entrarem no paddock. Depois, de dois em dois dias serão testados enquanto estiverem no paddock e isso será feito com uma autoridade autorizada e consistente. Vamos ter ainda restrições na forma como as pessoas se deslocam e temos de criar um ambiente que, em si mesmo, seja efetivamente uma pequena bolha de isolamento. As equipas ficarão dentro dos seus próprios grupos e não se misturarão com outras”, disse.

Em principio, o GP da Grã-Bretanha acontecerá a 19 de julho, depois de duas provas na Áustria, marcadas para os fins de semana de 5 e 12 de julho. Ainda aconteceria uma segunda corrida em solo britânico até voltarem à Europa continental, onde eventualmente correriam uma nova jornada dupla em terras húngaras.  


segunda-feira, 11 de maio de 2020

Endurance: Brabham quer ir a Le Mans em 2023

A Brabham, que recente voltou a ser construtora, vê com bons olhos colocar o seu Brabham BT62 na edição de 2023 das 24h de Le Mans. David Brabham, o seu diretor desportivo, disse que os novos regulamentos ajudam a pensar na ideia de competir na maior corrida da Endurance como forma de regressar às pistas, quase três décadas depois de deixarem de competir na Formula 1.

“Os progressos realizados pela Brabham Automotive são uma grande satisfação minha. O meu pai venceu o Grande Prémio da Grã-Bretanha em 1966 num Brabham, e aí fizemos história. Competir e vencer as 24h de Le Mans com um Brabham é algo que queremos fazer.”, afirmou.

O modelo que a Brabham quer levar do BT62 para as pistas é o Ultimate Track, que desenvolve 700 cavalos de potência, com um motor V8 de 5,4 litros, naturalmente aspirado. Resta saber em que categoria iria cair, embora o mais adequado seria o GTE-Pro, caso montem uma equipa oficial no WEC. 

domingo, 10 de maio de 2020

Youtube Motorsport Video: Dez momentos de desportivismo


Nestes 70 anos de Formula 1, houve sempre momentos de desportivismo, com pilotos a tentarem salvar outros de uma morte certa. Sem olharem para a sua própria saúde, muitos desses momentos foram captados em câmara. Nestes dez exemplos, metade deles foram de salvamento, sendo o mais conhecido o de Niki Lauda em Nurburgring, onde foi salvo por quatro pilotos: o americano Guy Edwards, o italiano Arturo Merzário, o britânico Guy Edwards e o alemão Harald Ertl.

Ali, há outros, desde as tentativas de salvamento de Ronnie Peterson e Roger Williamson, até ao salvamento de Clay Regazzoni no GP da África do Sul de 1973, tirado das chamas pelo Surtees de Mike Hailwood. E também o dia em que Ayrton Senna salvou Eric Comas da morte, nos treinos do GP da Bélgica, em Spa-Francochamps.

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Hoje passa meio século sobre este momento. Um duelo a dois entre alguns dos melhores pilotos do pelotão de então, e que acabou na última curva da última volta, algo que só se voltará a ver 38 anos depois, no GP do Brasil de 2008, ainda por cima, essa prova era a última dessa temporada e decidiria um título mundial.

Neste 10 de maio de 1970, nas ruas de Monte Carlo, Jochen Rindt e Jack Brabaham lutavam pela vitória na terceira corrida dessa temporada. Brabham tinha vencido na Africa do Sul, aos 44 anos de idade, e em Espanha, fora Jackie Stewart a triunfar, com o seu chassis March. Ele tinha feito a pole-position nas ruas do Principado, mas na volta 27, um problema com o seu motor, que começou a trabalhar mal, o obrigou a abandonar a prova, deixando Brabham no comando. 

Parecia que o australiano ia a caminho da sua segunda vitória no campeonato, provavelmente, lançando-se a caminho de um quarto titulo mundial. Contudo, o Lotus de Jochen Rindt estava no seu encalço. Depois do fracasso que foi a apresentação do modelo 72, em Jarama, Rindt ficou com o 49 para esta prova, e depois de largar da oitava posição, aproveitou as desistências para chegar ao segundo lugar, na volta 62, para começar a aumentar o seu ritmo e assediar o velho Brabham. 

No inicio da última volta, parecia que Brabham iria levar a melhor. Rindt não se aproximava o suficiente para elaborar manobras de ultrapassagem, e parecia tudo decidido. Mas nos metros finais, o australiano tentava se defender uma uma manobra do austríaco, mas ele escorregou numa parte pouco usada e acabou por bater num conjunto de fardos. Rindt passou-o calmamente, e a manobra tinha sido tão inesperada, que o comissário que segurava a bandeira de xadrez deixou-o passar porque esperava Brabham! 

Pouco depois, o erro foi corrigido e Rindt, depois de ser abraçado por Colin Chapman e Nina, a sua mulher, foi levado para o pódio, onde recebeu os louros e ouviu o hino. O que ninguém sabia é que esta seria a última vitória do chassis 49, e a primeira de uma temporada de sonho para o austríaco. Que acabaria subitamente, menos de quatro meses depois.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Youtube Motorsport Video: A recuperação de North Wilkesboro

North Wilkesboro é icónico para a NASCAR. Este pequeno circuito da Carolina do Norte é um dos "originais" da competição, tendo participado na competição desde 1949 até 1996, ano em que encerrou as suas atividades. Desde então, a pista caiu em decadência. com os edifícios a degradarem-se, para tristeza dos fãs mais "hardcore" da competição, pois para eles, estas pistas são a ligação entre o tipo de pilotos que competiam aos fins de semana enquanto durante a semana tentavam fugir à policia com os seus carros cheios de alcool contrabandeado nas suas bagagens...

Neste último inverno, Dale Earnhardt Jr. liderou um conjunto de pessoas com o objetivo de restaurar North Wilkesboro o mais possível, o mais próximo da sua antiga glória. Tudo isto para poder ser escaneado por laser para depois ser apresentado na plataforma virtual iRacing, para poder ser corrido por uma nova geração de pilotos. Neste video, pode-se ver os trabalhos de restauro, bem como clips de corridas que teve como maior vencedor Richard Perry, com 15 vitórias, e também viu triunfar outros como Darrel Waltrip, Dale Earnhardt Sr., Carl Yarborough, Terry Labonte, Junior Johnston, entre outros. 

quinta-feira, 7 de maio de 2020

IndyCar: Temporada arranca no Texas

A IndyCar arranca a 6 de junho na oval do Texas, mostrando que estão a postos para o recomeço da temporada. Mas será sem espectadores na bancada, anuncia a organização.
 
"Estamos felizes e prontos para iniciar a temporada da NTT IndyCar Series no Texas Motor Speedway", começou por dizer o presidente da IndyCar, Jay Frye. “Trabalhamos em estreita colaboração com [o gerente da Texas Motor Speedway] Eddie Gossage, toda a equipe da TMS e funcionários da saúde pública em um plano de ação que garantirá a segurança dos participantes do evento, além de um empolgante retorno à competição de nossos pilotos, equipas e espectadores um pouco por todo o mundo", continuou.

"Os Estados Unidos precisam de competições ao vivo e não vão acreditar no que vêem quando o Genesys 300 entrar em suas salas de estar na TV do Texas. Um dos maiores eventos desportivos do mundo, o Indy 500, foi adiado para agosto por coronavírus, de modo que toda essa energia reprimida, antecipação, frustrações e ansiedade estarão batendo no sistema nervoso dos pilotos. Normalmente, o Genesys 300 resulta em um acabamento fotográfico de 220 mph [350 kph].”

A organização decidiu aplicar medidas estritas para o controlo dos membros das equipas, comissários e profissionais da comunicação social, e isso incluiu coisas como diretrizes estritas de acesso que limitam o número de pessoas no local, sistemas de triagem de saúde administrado a todos os participantes, testes fornecidos a todos que entram na instalação, juntamente com diretrizes sobre o uso, protocolos de distanciamento social em vigor e cuidadosamente mantidos e um "layout" revisto da competição para aumentar o distanciamento.

Em julho, se tudo correr bem, haverá o GP de Indianápolis, sete semanas antes das 500 Milhas, previstas para o dia 23 de agosto.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Noticias: Ecclestone admite que teria sabotado a Formula E

Bernie Ecclestone
admite que teria feito de tudo para dar cabo da Formula E. O antigo patrão da Formula 1 afirmou que, caso fosse mais novo, ou tivesse aparecido duas décadas antes, teria encarado a competição elétrica como ameaça e teria feito de tudo para que não crescesse. Numa entrevista à britânica Autocar, afirmou que agora é muito tarde para isso, já que eles alcançaram o seu objetivo, que era de conseguir o maior número possível de construtores e que todos falassem da competição.

"Tenho pena das pessoas que dirigem a Formula 1 agora, pois precisam considerar o impacto da Fórmula E. Eu teria enterrado. Teria guardado todos os argumentos. Não teria acontecido se eu estivesse lá."

"Agora todos estão falando apenas de carros elétricos, então seria um pouco corajoso ir contra isso", admitiu. "Parece que a chamada geração mais jovem não está mais interessada em carros em geral. Suponho que dentro de alguns anos não haverá nada para se empolgar com um carro. Se for um carro elétrico para todos, será o mesmo.", concluiu.

Sobre os carros elétricos em geral, ele afirma que é o produto em si, e não a marca, é que ficará na memória, ao contrário da Ferrari, que para ele, só a a marca será suficiente para sobreviver para além da Formula 1.

"Acho que Tesla um dia será esquecido, mas a Ferrari nunca será esquecida. Outras pessoas farão carros elétricos. Hoje são líderes, mas em breve não serão especiais. Com o que as pessoas realmente se importam? É o fato de os carros serem elétricos, não a própria marca. Isso não vai durar para sempre".

"A marca da Ferrari é tão forte que eles podem se afastar da Formula 1 e ainda ser grandes. Mesmo quando não estão ganhando na Formula 1, você pode perguntar a um homem na rua que ganhou o título mundial e ele diria apenas Ferrari",concluiu.

A reputação de Ecclestone como alguém que fez a Formula 1 é grande, e exemplos de como lidou com a concorrência aconteceram no inicio da década de 1990, quando a FIA mudou as regras da Endurance, para que tivessem a motorização de 3.5 litros, iguais aos da Formula 1, para atraírem as equipas de fábrica como a Porsche e a Mercedes, e pouco depois, em 1994, quando alegadamente incentivou Tony George, dono do circuito de Indianápolis, a criar uma série paralela à CART, para tentar atrair os pilotos americanos para a Formula 1 e evitar que alguns campeões do mundo atravessassem o oceano, como Nigel Mansell tinha feito em 1993. 

Noticias: Zak Brown quer calendário de 14 corridas em 2020


O patrão da McLaren acha que o possível calendário para 2020 poderá ser demasiado ambicioso em tempo de pandemia, e acha que um calendário de 14 a 15 corridas, em dez locais diferentes, quase todos na Europa, seria melhor num tempo excepcional. Numa entrevista à motorsport.com, Zak Brown acha que este número era aquele usado pela Formula 1 por muito tempo, e ter três corridas por mês poderá ser excessivo para os membros das equipas, que até agora estão nas fábricas ou em casa, tentando passar incólume perante esta pandemia.

“A Fórmula 1 está a tentar um calendário com 15 circuitos e 18 corridas. Sou um pouco mais pessimista do que isso, apostaria em 14 a 15 corridas em 10 circuitos.”, começou por dizer.

“Acho que faremos algumas corridas na Áustria, algumas em Silverstone. Se começarmos a ter problemas com viagens, acho que poderemos ver jornadas duplas noutros circuitos. Eu não acho que essa seja a intenção, mas vou assumir que vamos ter uma falha, ao longo do caminho. Embora a Áustria esteja pronta e talvez Silverstone esteja pronta, com portas fechadas, não sabemos se a segunda vaga [do vírus] virá. Acho que será quando embarcarmos em aviões e tivermos que voar para o exterior, que o risco começará a aumentar potencialmente. Há conversas sobre mais corridas na Europa. O calendário foi de apenas 16 corridas durante algum tempo. Então, para mim, de 14 a 15 corridas, será um campeonato muito completo”.

Questionado sobre a FOM e como eles andam a reagir à pandemia, Brown disse que os pagamentos continuam a ser feitos e elogia Jean Todt pela sua postura no meio deste problema.

“Eles continuam a pagar. Eles ajudaram algumas equipas, não tenho exatamente certeza de quais, mas acho que é bom porque todas as equipas podem precisar de alguma ajuda. Acho que eles estão a fazer o possível para voltar às corridas, o que nos protege economicamente.”

“Estou muito impressionado com Jean Todt [presidente da FIA]. Eles estão a tomar boas decisões, boas recomendações e o Jean, em particular, está a pressionar muito no limite do orçamento. É necessário, e era necessário antes disso. Desde que todos nós lidemos bem com [a crise] e nos inclinemos para o problema, acho que há oportunidades. Acho que é perigoso se colocarmos a cabeça na areia, se assumirmos que tudo se resolverá. Isso é perigoso”, concluiu.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Noticias: McLaren quer levar Button e Alonso para a IndyCar


A McLaren poderá usar Jenson Button, Jimmie Johnson e Fernando Alonso para a IndyCar no futuro, segundo conta Zak Brown. A chance foi levantada pelo CEO da McLaren por estes dias, num podcast para a motorsport.com, dizendo que havia conversações adiantadas para que o piloto espanhol participasse no GP de Indianápolis, a prova antes das 500 Milhas, disputado no circuito construído para a Formula 1. 

Para além disso, também pensou em Jenson Button para a ronda de Road America, mas ainda antes do congelamento da temporada por causa do coronavirus, tinha descartado o britânico por falta de tempo para testes. Já Jimmie Johnson, que se vai embora da NASCAR no final desta temporada, mostrou interesse em correr no terceiro carro da McLaren Arrow num teste que tinha sido inicialmente marcado para abril, e depois andar em algumas corridas ao lado do mexicano Pato O'Ward e do britânico Oliver Askew.

"Eu falei com os três", declarou Brown. “Todos os três realmente gostam das corridas da IndyCar. Todos os três querem correr. Todos os três são extremamente competitivos. Eu acho que a IndyCar acabou de sair com uma restrição nos testes, então, infelizmente, isso pode tornar mais difícil esta temporada, porque eu acho que nenhum deles iria querer entrar em um carro, sabe, 'a frio' nos treinos de sexta-feira.", continuou.

“Acho que eles são profissionais e sabem que o automobilismo é competitivo demais para pensar que eles podem entrar sem uma quantidade adequada de testes. Mas eu diria que todos os três pilotos ... não ficaria surpreso em ver um ou todos os três num IndyCar em algum momento, e acho que seria muito emocionante", concluiu.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

No Nobres do Grid deste mês...


(...) Em 1955, Moss, então com 25 anos, é contratado pela Mercedes para ser seu piloto ao lado de Juan Manuel Fangio e dos alemães Karl Kling e Hermann Lang, este último ativo desde os tempos dos Grand Prix dos anos 30, quando corria ao lado dos Auto Union, no domínio alemão das pistas. O pai de Stirling, Alfred Moss, tinha insistido no talento do seu filho, mas Neubauer tinha desconfianças. Para fazer quebrar essa desconfiança, Moss pai adquire um Maserati 250F e consegue um terceiro posto no GP da Bélgica de 1954, suficiente para ser contratado pela equipa para o resto da temporada.

No ano seguinte, Moss é contratado pela Mercedes, graças aos seus dotes de condução. É muito jovem, comparado com os pilotos mais maduros, como Fangio e Kling, ambos então com 43 anos, ou Lang, com 45. E naquele ano, existiam muitas provas para a equipa alemã competir, e esperavam eles, ganhar. A primeira das quais eram as Mille Miglia, uma prova de longa distância entre Brescia e Roma, e regresso, totalizando cerca de 1600 quilómetros, ou as Mil Milhas. Nesse ano, iria acontecer no fim de semana de 30 de abril e 1 de maio.

A Mercedes tinha inscrito oficialmente quatro Mercedes na corrida: um para Moss, outro para Fangio, outro para Kling e outro para Hans Hermann. Moss escolheu outro britânico, Dennis Jenkinson, então jornalista da Motorsport e piloto com experiência nos sidecars - tinha sido campeão do mundo em 1949 - para ser seu navegador. Jenkinson decidiu levar consigo um rolo de papel onde ia ditar as notas dos obstáculos e dos cruzamentos existentes no caminho, de forma a que Moss pudesse ir à vontade na sua condução e ser o mais veloz possível. Para além disso, tinham estado a treinar durante meses nas estradas italianas, e eram um dos favoritos à vitória. Fangio, por exemplo, decidiu guiar sozinho todo o caminho. (...)

Depois das Mille Miglia, a Mercedes apontou armas para a próxima grande prova do calendário, as 24 Horas de Le Mans. Fangio e Moss, que tinham 18 anos de diferença entre eles, começavam a ter uma relação de respeito um com o outro, com o mais velho a vê-lo como um possível sucessor, e do qual poderia ensinar algo ao mais novo. E por uma vez guiaram juntos: nessas 24 Horas de Le Mans,  que aconteceria no fim de semana de 11 e 12 de junho, partilhariam um carro, numa equipa que teria mais dois carros: um com André Simon e Karl Kling, e outro com o americano John Fitch e o francês Pierre "Levegh". Essa foi a infame edição onde "Levegh" perdeu o controle do seu carro quando o Jaguar de Mik Hawtohrn travou à sua frente com os seus travões de disco, e causou o acidente que matou mais de 80 espectadores.

Com esse acidente, as coisas mudaram: Moss e Fangio estavam a caminho da vitória quando a marca alemã decidiu retirar os carros da prova, e no rescaldo, grande parte dos organizadores decidiu cancelar as corridas de Formula 1 do calendário. A Suíça, por exemplo, proibiu as provas de circuito até aos dias de hoje, abrindo recentemente a excepção à Formula E. Naquele verão, o automobilismo esteve muito perto de terminar, devido à falta de segurança, que começava a ser intolerável.

Mas houve poucas corridas que se mantiveram. Grã-Bretanha era uma delas, e nesse ano iriam correr em Aintree, numa pista desenhada na mítica pista de cavalos nos arredores de Liverpool. Os Mercedes dominram nos treinos, ficando com quatro dos primeiros cinco lugares da grelha, o único a incomodá-os foi Jean Behra, terceiro no seu Maserati. Mas na corrida, eles andaram à vontade, com Fangio na frente, seguido por Moss. O britânico passou-o na terceira volta, até ir às boxes, onde o argentino ficou de novo na frente. Depois das paragens, Moss ficou na primeira posição, enquanto Fangio o seguia de perto.

O jovem britânico pensava que iria ver um sinal das boxes, de Neubauer, para que deixasse passar o argentino e ficar com o primeiro lugar, mas dali, nada apareceu. As coisas foram assim até à meta, quando Moss atravessou no primeiro posto, perante o júbilo dos locais. Afinal de contas, era o primeiro britânico a vencer em casa. No final, perguntou a Fangio se o deixou ganhar. Este negou: "não, hoje simplesmente foste o melhor". O argentino manteve a narrativa até morrer, e Moss foi para a tumba convencido do contrário. (...)

Stirling Moss morreu a 12 de abril, com 90 anos de idade, depois de uma longa vida onde andou uma parte a correr e vencer provas, algumas delas de modo épico, e depois do seu acidente em 1962, em Goodwood, a recuperar e a contar as histórias da sua carreira, como um herói vivo de uma era onde um erro e era praticamente "a morte do artista".

Moss era o último grande representante de uma era onde correu ao lado de Juan Manuel Fangio, Alberto Ascari, Mike Hawthorn e Jim Clark, correu em carros da Mercedes, Maserati e Lotus, e nunca correu em Ferraris, pelo menos na Formula 1. E paradoxalmente, ficou mais famoso pelos títulos que esteve quase a ganhar a não conseguiu, mas acima de tudo, foi capaz de permanecer nas mentes de toda uma geração de amantes de automobilismo.

E com a sua morte, é uma era a chegar ao fim. Sobre ele, conto três grandes momentos da sua carreira, recordados este mês no Nobres do Grid.   

domingo, 3 de maio de 2020

Noticias: Agag afirma que a Formula E pode voltar ainda este ano

A Formula E está parada, como todas as outras competições, mas Alejandro Agag espera retomar a competição num futuro próximo. Com as provas de Londres e Nova Iorque canceladas, as últimas do calendário inicial, Agag acha que novas corridas poderão entrar, em algumas pistas europeias, sem espectadores.

“Vamos tentar fazer pelo menos mais duas ou três corridas com portões fechados. Eu acho que isso deverá ser possível no mês de agosto. Mas, ninguém sabe ao certo”, começou por dizer numa entrevista à Reuters.

Agag também disse que são grandes as chances de manter todo o restante do calendário apenas com corridas realizadas na Europa, mas uma decisão neste sentido ainda não foi tomada.

“Acho que noventa por cento delas estarão na Europa. Ainda temos uma opção fora da Europa que estamos vendo, mas decidiremos mais tarde.”

Fala-se que poderá haver uma ronda dupla em Valencia, palco dos testes de pré-temporada, bem como outra ronda dupla em Portimão, e ambas as provas poderiam acontecer à porta fechada, para cumprir as regras sanitárias de distanciamento. A temporada de formula E de 2019-20 está interrompida desde o dia 29 de fevereiro, com a ronda de Marrakesh, a quinta do campeonato, e com o português António Félix da Costa a liderar, com 67 pontos, mais onze que o neozelandês Mitch Evans, que tem 56.