segunda-feira, 9 de junho de 2008

Extra-Campeonato: os raios não caem duas vezes...

Entre as 20:30 e as 21 horas, a Polónia inteira deveria estar feliz. Viu o seu piloto a fazer história na Formula 1, a bordo de um carro alemão, e ia-se estrear em fases finais de europeus, contra a... Alemanha!




Pensavam eles que as coisas poderiam sair a dobrar, que bateriam a poderosa "Mannschaft", pedindo até ao seu treinador, o holandês Leo Benhakker, que trouxessem "as suas cabeças" (e que deu tanto brado na semana que passou). Ora, a Alemanha nunca tinha perdido com a Polónia em fases finais, e eles lá cumpriram, em Klangerfurt: 2-0, dois golos de Lukas Podolski, que tem origem... polaca.


Alemanha, Polónia... está tudo ligado. E o jogo foi na Austria, o país natal de um certo senhor de bigode ridiculo, mas que fez muitos estragos há cerca de 70 anos...

A capa do Autosport desta semana

Qualquer dia teriamos de falar sobre Robert Kubica. O homem que no ano passado se safou de boa de se sentar ao lado de João Paulo II depois do seu papado, entrou finalmente na galeria de vencedores, juntamente com a BMW. Numa corrida que promete sempre emoção, ele conseguiu superar as armadilhas da pista e dos seus adversários (estava ao lado do Hamilton...), e ganhou pela primeira vez na sua carreira. O título é inteiramente justificado.


Por outro lado, num canto um pouco mais pequeno, temos Pedro Lamy, a lembrar-nos que na próxima semana teremos outra prova mítica: as 24 Horas de Le Mans. E num ano onde os Peugeot dominam as pistas europeias, as hipóteses de ver um português no lugar mais alto do pódio são imensas. Isto é, se ganharem o duelo com a Audi...

domingo, 8 de junho de 2008

Formula 1. Ronda 7, Canadá (Corrida)

Quando falamos em Canadá, e no Circuito Gilles Villeneuve, ficamos todos felizes. E porquê? Pois sabemos que é uma corrida onde tudo pode acontecer. Entradas do Safety-Car por tudo e por nada, acidentes espectaculares e erros crassos dos pilotos (até há o "Muro dos Campeões", que premeia os que batem nesse belo local...)

Ora, nesta corrida eu vi: Lewis Hamilton fazer um erro de principiante, à saída das boxes, e levou Kimi Raikonnen consigo. Vi Rubens Barrichello, Timo Glock e David Coulthard serem lideres de corrida. Vi Fernando Alonso andar muito mais à frente do que o normal, antes de bater, e no final, alguém tinha que se estrear: Robert Kubica estreou-se na galeria dos vencedores, numa estreia multipla: o primeiro polaco a ganhar uma corrida de Formula 1, a primeira vitória da BMW Sauber (e logo uma dobradinha!), e o primeiro polaco a liderar um mundial. E na mesma pista onde um ano antes apanhou o maior susto da sua vida...

Outros vencedores? A Red Bull e a Toyota. Foi um autêntico "bodo aos pobres". David Coulthard foi terceiro, e logo na primeira vez que pontua este ano, vai ao pódio! Timo Glock foi outro vencedor no Canadá, ao ser quarto classificado nesta pista, à frente de Felipe Massa e do seu companheiro, Jarno Trulli.

Outros vencedores foram Rubens Barrichello e Sebastien Vettel. Quando o azar acontece aos outros, alguns aproveitam. O veteranissimo brasileiro e o jovem alemão arriscam-se a fazer desse lote de "sortudos", pois é a segunda vez consecutiva que acabam nos pontos nesta temporada.

No final, não choveu, mas tivemos uma secção da pista a desfazer-se e muita emoção à mistura. E não choveu! Ainda bem, pois a seguir vem Magny-Cours, a verdadeira antítese de Montreal em termos de emoção...

IRL - Ronda 8, Texas Motor Speedway

Na rápida oval do Texas, e com calor e algum vento, disputou-se a segunda corrida nocturna da IRL nesta temporada. E pela terceira vez neste campeonato, o neozelandês da Chip Ganassi, Scott Dixon, foi o vencedor, numa corrida que terminou pela segunda vez consecutiva sob bandeiras amarelas.



De facto, foi a quatro voltas do fim que ocorreu o momento decisivo: depois de nova relargada, causada pela batida do brasileiro Enrique Bernoldi, e de o então lider, Vitor Meira, ter parado para reabastecer, a luta pela liderança tinha-se reduzido ao Chip Ganassi do piloto neozelandês, ao Andretti-Green de Marco Andretti e o surpreendente Ryan Hunter-Reay. E quando faltavam quatro voltas para o fim, Reay bate em Andretti, na tentativa de o ultrapassar por fora da Curva 4 da tri-oval texana, fazendo com que o maior sortudo fosse Scott Dixon.



Esta batida fora a oitava que houve ao longo da corrida, fazendo um total de 58 voltas sob bandeira amarela, o que em 225 voltas, é muito. O segundo classificado foi Helio Castroneves, outro sortudo da noite, pois na 115ª volta, depois de mais um reabastecimento, excedeu a velocidade nas boxes e teve que fazer um "drive-through". Quase perdeu uma volta para o lider, mas recuperou e terminou no pódio. O seu comapnheiro na Penske, o australiano Ryan Briscoe, que ganhara há uma semana em Milwaukee, acabou em terceiro.


Quanto ás mulheres que estavam no pelotão, Danica Patrick foi décima, a uma volta do líder, e Milka Duno foi 17ª classificada, a duas voltas do vencedor.

sábado, 7 de junho de 2008

Extra-Campeonato: Começamos bem!

A minha ideia era nem falar sobre o Euro-2008, que começou hoje, mas como as coisas até correrram bem para nós, vou abrir excepções. Pelo menos, enquanto isto durar...

Primeiro que tudo, porque não queria falar disto? Bom, porque aqui não se fala de futebol, mas sim de carros. Com uma ou outra excepção, este é um blog automobilistico. E depois, escapar da maluqueira que invadiu as nossas TV's sobre a Selecção (o passado Domingo, dia em que a Selecção partiu para a Suiça, foi demais! Fugi todo o dia da televisão...) não é fácil. Para mim, perfiro ver as coisas primeiro, e comemorar depois.

Mas vamos à "vaca fria": se tivessemos aproveitado todas as oportunidades que tivemos, teriamos batido o "record" dos campeonatos. Podemos ter ganho por 2-0, mas se o outro golo do Pepe tivesse contado, e as bolas aos ferros também, os turcos sairiam dali com um 6-0, pelo menos. Acho que era a concretização do "sketch" dos Gato Fedorento...

Os turcos não se viram no jogo, fomos nós que fizemos as despesas da partida: mais passes, mais posse de bola, mais cantos, mais remates à baliza... e estamos a falar de uma Turquia que ainda tem muitos elementos que fizeram parte da selecção que seis anos antes, foram terceiros classificados no Mundial Coreia/Japão...

No final, o Pepe e o Raul Meireles fizeram o que tinham a fazer, e colocaram-nos na liderança do grupo. Agora o próximo jogo é na quarta-feira, contra a República Checa. As coisas não vão ser tão fáceis assim, pois eles têm muitos e bons jogadores como Thomas Ufjalusi, Petr Cech ou o Jan Koller, aquela torre de 2.02 metros.


Querem ver um país a parar às 5 da tarde de um dia de semana? Vejam o nosso...

Formula 1 - Ronda 7, Canadá (Qualificação)

A sessão de qualificação do GP do Canadá, que decorreu no final desta tarde no Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, deu a "pole-position" a Lewis Hamilton, o piloto inglês da McLaren, que partirá ao lado do polaco Robert Kubica, da BMW, numa qualificação onde os Ferrari ficaram mais para trás do que o habitual.


O piloto inglês da McLaren, que conquistou no Circuito Gilles Villeneuve o seu primeiro Grande Prémio na sua carreira, no ano passado, foi sempre o melhor piloto nas três partes desta sessão de qualificação, assinando um tempo final de 1.17,886, o unico que ficou abaixo do minuto 18.

Ao seu lado irá partir o polaco Robert Kubica, que cada vez mais se mostra em forma, com este segundo lugar na grelha. Kubica chegou a estar na pole nos minutos finais, mas uma volta canhão de Hamilton impediu que ele comemorasse a sua segunda "pole-piosition" do ano. Entretanto, na segunda fila, ficarão o finlandês Kimi Raikonnen, em Ferrari, e o espanhol Fernando Alonso, que conseguiu um bom quarto posto, um contraste com o 15º lugar alcançado pelo seu companheiro, Nelson Piquet Jr...

Quanto a Felipe Massa, não foi além do sexto posto, ficando até atrás de Nico Rosberg, que levou o seu Williams a um meritório quinto lugar, depois de ter liderado a tabela de tempos na sessão livre desta manhã. Rubens Barrichello foi outra sensação desta qualificação, ao conseguir levar o seu Honda à terceira fase, obtendo o nono tempo na grelha de partida. Um claro contraste com Jenson Button, que não conseguiu melhor do que o 19º tempo...

Destaque ainda para Mark Webber, que conseguiu mais uma vez levar o seu Red Bull para o 10º lugar, enquanto que David Coulthard não conseguiu mais do que o 13º tempo.

A qualificação foi muito má para os Toro Rosso: Sebastien Vettel não participou devido a um acidente no final da terceira sessão de tempos livres, e o STR3 ficou tão danificado que não pode participar, e partirá amanhã das boxes. Sebastien Bourdais será penalisado em cinco lugares, pois teve que trocar de caixa de velocidades.

Amanhã, pelas 18 horas portuguesas, vai se ver quem é o melhor. Isto é, se sobreviverem à chuva...

Noticias: Spa-Francochamps fica até 2012

O jornal belga "Le Soir" anuncia na sua edição de hoje que a FIA e os proprietários do circuito de Spa-Francochamps chegaram esta semana a um acordo para extender o contrato até 2012 para albergar o Mundial de Formula 1.




"Demos um passo bastante importante, mas ainda queremos estender nosso compromisso até 2015", declarou Jean-Claude Marcourt, o ministro da economia da Valónia, a região onde está situada a pista.


Este circuito mítico, e 7,012 metros, é não só um dos mais longos do Mundial, mas também é famoso pelo seu tempo instável nos fins de semana em que recebe o Mundial de Formula 1. Uma excelente noticia para os adeptos do automobilismo (incluindo eu!)

GP Memória - Detroit 1983

Duas semanas depois do GP da Belgica, a Formula 1 fazia a sua primeira paragem em terras americanas, num circuito de rua que se tinha estrreado no ano anterior, o circuito de Detroit, a "capital do automóvel" americana, quiçá com a ideia de atrair potenciais construtores para a Formula 1...



Sendo um circuito de rua, era uma pista tão ou mais travado do que o Mónaco, logo, os carros aspirados tinham mais chances de brilhar na sua batalha com os motores Turbo, logo, pilotos como Keke Rosberg, por exemplo, podiam ter uma grande chance de brilhar. 

Os 15 dias entre Spa e Detroit tiveram uma novidade importante: A Lotus decidu contratar Gerard Ducarouge, que estava sem emprego desde que tinha sido despedido da Alfa Romeo, algumas semanas antes. Nas semanas seguintes, a sua influência iria ser notada, ao redesenhar o Lotus 92 e construir o chassis 93T (Turbo), o primeiro de uma série de carros que iria rescuscitar a Lotus para a sua última grande fase da sua carreira. Entretanto, a RAM não viaja para Detroit, porque o seu piloto, o chileno Eliseo Salazar, decide abandonar a equipa, e arranjar outro piloto iria demorar algum tempo.


Os treinos demonstram que os carros com motor Turbo dominam, mas os aspirados têm uma palavra a dizer. Se os quatro primeiros são Turbo - Arnoux (Ferrari), Piquet (Brabham), Tambay (Ferrari), De Angelis (Lotus) - o quinto é o suiço Marc Surer, num Arrows - Cosworth, seguido do Tyrrell - Cosworth de Michele Alboreto. Eddie Cheever, no sétimo posto, é o melhor Renault, muito à frente de Alain Prost, que fora apenas o 13º colocado. Niki Lauda e John Watson, os pilotos da McLaren, estavam pior classificados: o austriaco era 18º, o inglês 21º.

No dia da corrida, sob céu limpo e 70 mil espectadores a assistir, viram a primeira largada a ser abortada quando Andrea de Cesaris, no seu Alfa Romeo, agitou as mãos em sinal de desespero. Com a largada abortada, nova partida foi feita, e desta vez, quem ficou parado a ver os carros a passar foi... o Ferrari de Patrick Tambay. Piquet e Arnoux partiram para a frente, com o piloto da Brabham a levar a melhor, seguidos pelo Lotus de Elio de Angelis, do Tyrrell de Michele Alboreto e do Alfa Romeo de De Cesaris. Piquet e Arnoux imprimiram um ritmo forte, ao qual o Lotus de De Angelis não aguentou, desistindo à quarta volta. Contudo, o brasileiro não aguentou o ritmo do francês e deixou-o passar na nona volta, pensando mais na estratégia para chegar ao fim nos pontos.

Entretento, Rosberg ultrapassara De Cesaris e Alboreto, e agora era terceiro classificado, e a aproximar-se de Piquet. Na volta 19, ultrapassa o piloto da Brabham, claramente mais leve do que os outros carros, e dez voltas mais tarde, faz o seu primeiro reabastecimento. No regresso, fica atrás de Piquet, Arnoux e Alboreto, mas o francês da Ferrari debate-se com problemas eléctricos e na volta 31 encosta de vez. Agora, é Piquet na frente, com Rosberg e Alboreto mais atrás. Todos imaginavam que Piquet fizesse a sua paragem, mas não o fez. Quem diria, a equipa que tinha reinventado o reabastecimento, optara por uma estratégia contrária...

Contudo, o segundo classificado, Michele Alboreto, estava a aproximar-se de Piquet, rapidamente! Todos suporam que haveria um duelo nas voltas finais, mas o brasileiro da Brabham teve um furo lento e teve que ir à boxe para trocar de pneus. Isto tudo foi a dez voltas do fim.

Assim, Michele Alboreto caminhou tranquilamente para uma vitória inesperada, pois naquela temporada, ainda não tinha pontuado na sua Tyrrell. Este resultado não foi só a sua segunda vitória na sua carreira, poucos meses depois de outra vitória numa pista citadina americana, em Las Vegas, mas também foi a 155ª e ultima vitória de um motor Cosworth DFV, que tão bons resultados tinha tido desde 1967. E era também a última vez que um carro do "Tio" Ken subia ao lugar mais alto do pódio, andando mais 15 épocas no pelotão até à sua venda para a BAR...




Fontes:



http://en.wikipedia.org/wiki/1983_United_States_Grand_Prix_East
http://jcspeedway.blogspot.com/2008/06/histria-25-anos-do-grande-prmio-estados.html
http://gpinsider.wordpress.com/2008/06/05/ha-25-anos-alboreto-leva-ultima-vitoria-do-dfv/

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Petites nouvelles de Montreal!

Esta eu li na quarta-feira, mas só posto aqui hoje: parece que vai chover a sério no Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal. Pelo menos hoje vai cair aguaceiros, e quanto a Sábado e Domingo as coisas não andam muito longe, embora o dia de corrida, as possibilidades serão menores: 55 por cento. Se isso acontecer, acredito em duas coisas:


1 - Que Lewis Hamilton pode ganhar em Montreal,

2 - Que Robert Kubica faz uma excelente corrida. Pode até ganhar!


Segunda "petite nouvelle", contada pelo Ico e pelo Felipe Maciel: os organizadores estiveram quase a expulsar... Joann Villeneuve. E isso mesmo! A viuva do Gelles e mãe do Jacques estava no paddock, a assinar autógrafos do seu livro de memórias quando um funcionário mais zeloso decidiu excercer a sua "autoridade". A coisa ficou feia, mas foi resolvido quando a Ferrari deslocou um credencial de convidada para ela. O excesso de zelo já roça o ridículo! Qualquer dia, os fiscais andam armados e tem ordens para matar...


Terceira "petite nouvelle": Mr. Hamilton decidiu dar cabo do carro. Não o Lewis, mas sim o seu pai, Anthony. E o carro em questão não era um Mercedes, mas sim um Porsche Carrera GT. Felizmente, ninguém ficou ferido, e o carro nem ficou muito danificado, apesar de ter entrado num parque infantil, a 300 metros de casa. "Este é meu primeiro acidente em quase 30 anos de carta e tinha que acontecer justamente com o carro de outra pessoa", lamentou. Ao menos não foi com um Mercedes, caso contrário quem pagava era o filho...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A foto do dia

A foto vi-a no Fórum do Autosport, graças ao forista Mits 650 (Antonio Carvalhal). E de 1969, numa corrida extra-campeonato, no circuito inglês de Oulton Park.


Os pilotos são, pela ordem de proximidade, Graham Hill, Jackie Stewart e o neozelandês Chris Amon. A foto, tirado ao nivel dos pilotos, demonstra a tensão que existe antes da partida, concentrados em tentar ser melhor do que os outros num momento tão decisivo como os primeiros metros de uma corrida. como disse, anos mais tarde, Nelson Piquet: "Pode não se ganhar uma prova no momento partida, mas muitas das vezes se perde".

Ele está de volta!

Pois é, meus amigos! Murray Walker, o legendário comentador inglês de Formula 1, vai sair temporariamente da sua reforma dourada, para comentar a Silverstone Classic, uma corrida de carros antigos que se vai passar no mitico circuito inglês.




O comentador, agora com 84 anos, dedicou mais de 50 anos à "causa" da F1, com "tiradas" absolutamente inesquecíveis, vai falar aos microfones da Motors TV no mesmo sitio onde começou a comentar, há quase 60 anos(!) "Estou contente por regressar ao local onde, em 1949, realizei o meu primeiro comentário ao vivo, e logo com aqueles magníficos carros que tantas vezes falei durante todos estes anos.", referiu.


Os comentários dele, sempre espirituosos, deram origem a algo que mais tarde foi chamado de "Murrayismos", onde se define como frases absolutamente dispratados acerca de situações ocorridas no "calor do momento". Alguns desses belos exemplos podem ser vistos aqui, ou mesmo este, ocorrido em 1986, no Autódromo do Estoril.

Noticias: Montezemolo quer Mosley fora da FIA

O presidente da Ferrari, Luca de Montezemolo, quebrou hoje o seu silêncio em relação ao escândalo de cariz sexual que Max Mosley se viu envolvido, e que culminou na terça-feira com um voto de confiança por parte da FIA, defendendo a sua demissão antes do fim do mandato.


Em declarações à Agência Italiana de notícias ANSA, Montezemolo referiu acreditar que "Mosley deve perceber que há alturas em que tem de abandonar o lugar por razões de credibilidade.".


Contudo, o presidente da Ferrari afirmou que caso Mosley saísse da FIA, seria necessário alguém com o seu carisma, experiência, competência e equilíbrio, para continuar à frente dos destinos do organismo máximo do desporto automóvel: "Se olharmos para o que o Max fez em todos estes anos, por exemplo pela segurança, ou pela celeridade do veredicto do caso de espionagem o ano passado, o meu julgamento não pode deixar de ser positivo. Se ele sair precisamos de alguém como ele."


Conta lá: é o Jean Todt que queres, não é?

quarta-feira, 4 de junho de 2008

GP Memória - Espanha 1978

O Grande Prémio de Espanha foi um "tira-teimas" para definir muita coisa num campeonato que estava a ser disputado entre a Lotus e a Ferrari, pelo menos até à entrada em cena do Lotus 79, em que venceu convincentemente, através de Mario Andretti, na corrida anterior, no vircuito belga de Zolder. Agora, nas quentes paragens espanholas do apertado circuito de Jarama, iria-se ver se o carro continuaria ou não, o seu desempenho portentoso.


Desta vez, a Lotus já tinha dois modelos 79 para Andretti e o seu companheiro de equipa, Ronnie Peterson. Tinham até um novo patrocinador, a firma de máquinas fotográficas Olympus. Isso implicou o desaparecimento definitivo da equipa Hesketh, que após seis temporadas onde teve James Hunt como seu piloto-charneira (e uma vitória na Holanda, em 1975), fechava de vez as suas portas.


Quem também não tinha aparecido na grelha foi a Martini, que tinha como seu piloto o jovem René Arnoux. Mas esta era uma aparição temporária, pois voltaria para correr mais tarde. Contudo, a grelha tinha 29 inscritos, o que implicaria uma pré-qualificação. Quem ficou com a fava foi o Theodore de Keke Rosberg. Na qualificação, dos 28 participantes, quatro juntaram-se à multidão, para assistir ao Grande Prémio da bancada: os McLaren privados do local Emilio de Viliota e de Brett Lunger, o ATS de Alberto Colombo e Artur Merzário, no seu carro pessoal.

Quanto aos lugares da frente na grelha, era o obvio: Andretti e Peterson monopolizam a primeira fila da grelha, com os Lotus 79, seguidos na segunda fila pelo Ferrari de Carlos Reutmann e pelo McLaren de James Hunt, e na terceira fila pelo outro Ferari de Gilles Villeneuve, e pelo Brabham-Alfa Romeo de Niki Lauda. Emerson Fittipaldi partia do 15º posto no seu Copersucar.



Na partida, os Lotus são surpreendidos pelo McLaren de Hunt, que lidera nas primeiras cinco voltas da corrida, sempre pressionado pelo carro negro e dourado de Andretti, já que Peterson se atrasou e circulava no nono lugar. Na sexta volta, o piloto americano finalmente ultrapassa o inglês da McLaren e afasta-se do resto do pelotão.

Entretanto, Peterson faz uma corrida de recuperação, primeiro ultrapassando o Wolf de Scheckter, e depois aproveitando os atrasos de Villeneuve e a desistência de Patrese para rolas na quinta posição após a volta 29, quando sobe mais um lugar com a ida de Reutmann às boxes, para colocar pneus novos.

Estando nessa posição, batalhava com o Ligier de Jacques Laffite e o Brabham de John Watson pelo terceiro lugar, quando o acaso fez com que o inglês se atrapalhasse com o trânsito, e ambos os pilotos ultrapassaram-no, na volta 35. Uma volta mais tarde, o sueco sobe para terceiro, aproveitando a oportunidade para passar o piloto francês. Parte então à conquista do segundo lugar, que ainda pertencia a Hunt, e à volta 53, apanha-o. O inglês, pouco tempo depois, é ultrapassado por Laffite e por Lauda, caindo para o quinto lugar, mas na volta seguinte, quando o motor de Lauda explode, recupera uma posição.

Contudo, é sol de pouca dura: Hunt é ultrapassado pelo Wolf de Scheckter e pelo Brabham de Watson, e fica na sexta posição. lugar que fica até ao final da corrida.

Quando a bandeira de xadrez é mostrada, na volta 75, Andretti e Peterson tinham conseguido a segunda dobradinha seguida, e o Lotus 79 era uma máquina cada vez mais inalcançavel. Agora, Mario Andretti era cada vez mais líder, com 36 pontos, mais dez do que o seu companheiro Peterson.
Fontes:

Bolides Memoráveis: Renault RE40 (1983)

O carro que rivalizou com o Brabham BT52 na temporada de 1983 era uma máquina admirável, pois conseguiu aliar duas coisas que nem sempre se dão bem: um bom motor e um excelente chassis. Ainda mais numa era de transformação como foi a primeira temporada após o fim do efeito-solo, o Renault RE40 deveria ter sido o chassis que consagraria a Renault como campeã do mundo. Mas não foi.

Após a abolição do efeito-solo, no final da temporada de 1982, a Renault decidiu projectar um carro para se adaptarem à era Turbo, que eles próprios tinham iniciado, cinco anos antes. Projectado por Michel Tetu, e desenvolvido por Bernard Dudot e Jean-Claude Miegot, a ideia era o de recuperar um pouco o "groundforce" perdido, cujos regulamentos impunham um fundo plano, decidiram fazer umas asas traseiras maiores, pois era ali onde se situava o motor. Para além disso, iriam construir o carro em fibra de carbono, algo que a McLaren e a Lotus já tinham feito nas temporadas anteriores, com bons resultados em termos de segurança.

O carro foi exaustivamente testado, para evitar as constantes quebras que os tinham afligido nas duas temporadas anteriores. Apesar de se ter transformado um carro muito mais fiável, tiveram um "calcanhar de aquiles": os turbocompressores. Algumas das quebras que tiveram nesse ano, e mais tarde lhes custaram o título mundial, foram devidos aos turbocompressores.

Contudo, isso não impediu de terem boas prestações nesse ano, após a sua estreia em Long Beach: Alain Prost ganhou quatro provas (França, Belgica, Inglaterra e Austria) e e quase ganhou o título mundial, enquanto que o seu companheiro, o americano Eddie Cheever, conseguiu quatro pódios. No final, a Renault foi vice-campeã do mundo, quer no campeonato de pilotos, quer no dos construtores. Mas a sensação de que eles tinham construido o melhor chassis de sempre, e a frustração de não terem ganho os títulos aos quais teriam ambicionado, levou a que comecassem a desinvestir e a retirar-se como construtor no final da temporada de 1985.

Chassis: Renault RE40
Projectistas: Jean-Claude Miegot, Michel Tetu, Bernard Dudot
Motor: Renault 1.5 Turbo V6
Pilotos: Alain Prost e Eddie Cheever
Corridas: 14
Vitórias: 4 (Prost 4)
Pole-Positions: 3 (Prost 3)
Voltas Mais Rápidas: 3 (Prost 3)
Pontos: 79 (Prost 57, Cheever 22)
Titulos: Nenhum (2º lugar no campeonato de Pilotos e Construtores de 1983)

terça-feira, 3 de junho de 2008

As reacções à permanência do "Tio Max" na FIA

As consequências da recondução de Max Mosley à frente dos destinos da FIA estão a trazer consequências, e a ideia de crise, ou até cisão, paira no ar. O ADAC (Automóvel Clube Alemão) decidiu que se irá retirar dos grupos de trabalho existentes na FIA, como forma de protesto pela decisão desta manhã.


"Lamentamos e não compreendemos a decisão! Para nós esta é razão suficiente para terminar a nossa colaboração nos Grupos de Trabalho da FIA com efeitos imediatos. A ADAC irá manter esta atitude enquanto Max Mosley mantiver o seu cargo como Presidente da FIA." disse o orgão, em comunicado para a Imprensa.


Outro membro, a Associação Americana de Automobilismo, afirmou, através do seu presidente, que está desapontado com o desfecho da reunião, e que irá ponderar os passos a seguir, e a hipótese de saída da FIA é um possibilidade: "Não me parece que este desfecho seja consistente com a forma como esta instituição deve ser governada. Apesar de ser um caso do foro privado de Max Mosley, é natural o interesse da imprensa, pelo que seria desejável que tivesse resignado, de modo a evitar que a FIA pudesse ser afectada por este caso. Sair de membros da FIA? É uma das possibilidades..."


Contudo, outro dos membros da FIA, a britânica Motor Sports Association, concorda com a decisão, e acha que é tempo de seguir em frente. Em comunicado, a MSA refere que "(...) respeita a decisão oriunda da votação e insiste que, para bem do desporto, se deve colocar para trás das costas este assunto, seguir em frente e que para isso pretende continuar a trabalhar de forma construtiva como membro da FIA."


Com isto tudo, acho que a tempestade não se amainou. Muito pelo contrário: parece que o pior está para vir...