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domingo, 30 de março de 2014

A nova era dos pilotos anoréticos?

Quase ao mesmo tempo, li hoje algo que já tinha ouvido falar por alto, mas não sabia que as coisas tinham chegado a este extremo: pilotos de Formula 1 a fazerem dietas para poderem "caber nos carros". Este domingo de manhã, o jornalista Kevin Eason, do jornal The Times, referiu algo grave: um piloto de Formula 1 desmaiou por causa dessas situações de dietas extremas. O piloto não foi referido, mas a situação aconteceu numa corrida que o jornalista descreveu como "com muito calor e humidade".

Já se sabia de antemão, quando foi anunciado o novo peso dos carros com  motor turbo, que os pilotos provavelmente teriam de fazer perdas de peso, semelhantes ao que fizeram em 2009, quando surgiram os KERS, e soube-se na altura que os pilotos fizeram dietas, mas não tão extremas como se ouve agora. Para dar um exemplo, Button admitiu que anda a fazer uma rigorosa dieta, para manter o carro no peso ideal: “Sauna, sala de vapor, não beber ou comer até depois da qualificação”, afirmou Button. E Lewis Hamilton, o vencedor deste GP da Malásia, admite que ha pilotos a fazer dietas mais extremas.

Isso está a levantar alarmes, e o ex-médico da Formula 1, Gary Hartstein, escreveu esta manhã no seu blog que a situação é perigosa: "Estou chocado e muito preocupado com este desenvolvimento. Estou também apreensivo acerca da reação potencial da FIA, na tentativa de mitigar essa insanidade. Ah, e eu acho que nós precisamos ser gratos a Louis e Jenson por terem sido honestos sobre isso.", começou por comentar.

"Isto é uma loucura, e mais do que isso: é muito preocupante. Obviamente, as implicações de um piloto ficar mal-disposto no comando de um míssil de cruzeiro terrestre [que é um carro de Formula 1] são enormes - para esse piloto e para os seus companheiros, e para as outras. E a mensagem que isto envia para o público, e cada jovem piloto de karts até a GP2 é óbvia - de treinarem para a semana após cada corrida, depois deitem tudo pela janela fora na semana anterior da próxima. Sim, essa é a mensagem que deve ser enviada ao público. Brilhante. 

Não preciso entrar em detalhes sobre o porquê de este regime de inanição e desidratação é ridícula do ponto de vista médico. 

Isso tem que parar. E isso tem que parar agora. E, dadas as pressões competitivas deste desporto, isso não vai ser fácil. E, dadas as implicações para a segurança do público, os comissários de pista, e os outros pilotos, não será suficiente para emitir alguma declaração "coxa", incentivando os motoristas a não agir como supermodelos nos tempos do "heroín-chic" dos anos 90." continuou Hartstein.

Definitivamente, parece que está a surgir uma situação potencialmente perigosa por parte dos pilotos. Causados por eles mesmos ou incentivados pela FIA, parece ser uma situação de causa-efeito. Mas a ideia de pilotos passarem fome para conseguirem mais meio segundo sobre a concorrência, parece ser uma coisa que pensava que aconteceria no mundo da moda. E como toda a gente que ouve isto agora, receio que se pague um preço demasiado alto.  

terça-feira, 12 de novembro de 2013

2014, o nascimento da "Formula Pénis"?

Quando Adrian Newey avisou toda a gente que os carros de 2014 arriscavam a ser feios, pouca gente ligou, ou muita gente ficou em alerta, esperando o pior.  Mas esta tarde, a hipótese ganhou força através da britânica Autosport, graças a um desenho feito por Craig Scarborough (@ScarbsF1), e a ser verdade, é mau demais.

Já se sabia desde há algum tempo que os bicos dos bólidos em 2014 iriam ser bem mais baixos aerodinamicamente, para diminuir a sua influência face aos motores Turbo V6 de 1.6 litros, mas desconhecia-se que existissem "pontas" dos quais as pessoas iriam fazer imediatamente comparações. 

E esta... quanto mais embaraçosa, melhor.

Quero acreditar que seja apenas um ensaio, e outros tipos de narizes aparecerão. Mas parece que a Formula 1 está a chegar a um ponto em que é mais um embaraço de si mesma, depois de no ano passado terem aparecido os "ornintorrincos", agora são os "macacos narigudos"...

Veremos.

Será que Bernie Ecclestone quer fazer um GP da Indonésia no Bornéu? É que estes narizes... perdão, macacos, vêm de lá.

sábado, 3 de agosto de 2013

Vende-se: coleção sobre Ayrton Senna

É uma coleção única que está à venda desde há uns dois dias num site de leilões aqui em Portugal. Um senhor de Cascais decidiu colocar à venda a sua coleção pessoal de memorabilia de Ayrton Senna. Para além das estatuetas do piloto nas suas várias fases - incluindo quando ele ergueu o seu troféu no GP do Brasil de 1991 - tem os carros dele nos tempos de Formula Ford, Formula 3 e Formula 1. Para além disso, tem capacetes e um busto pintado, livros, quadros, edições do "Senninha" e... uma caneta.

O preço? Ele pede 8250 euros por toda a coleção. Não sei se é caro ou não... Eis o link: http://cascais-cascais.olx.pt/coleccao-unica-ayrton-senna-iid-433780871

terça-feira, 29 de maio de 2012

Bólides Memoráveis - Williams FW08 (1982-83)

O carro que trago hoje foi a tentativa da Williams para se manter no topo, dpoies de terem tido uma história de sucesso com o FW07. Foi um chassis mais simples e tão eficar como o anterior, e mostrou-se ainda competitivo durante boa parte da sua segunda época, com um motor datado como o Cosworth V8, que perdeia progressivamente potência para os carros com motor Turbo. O Williams FW08, contudo, fez história ao dar a Keke Rosberg as suas primeiras vitórias e o título mundial, e também resultou numa variação que se tornou tão veloz que a FIA recompensou... banindo-o. A partir de agora, falo do Williams FW08.

No inicio de 1982, o FW07 já ia no seu terceiro ano. Depois de dois anos bem sucedidos, onde o carro foi guiado por Alan Jones e Carlos Reutemann, e que deu um título mundial de pilotos e dois de Construtores, o carro estava a dar os sinais de desgaste, e tinha de se pensar num sucessor. Patrick Head decidiu então desenhar o seu sucessor, com base num carro com sucesso garantido. Feito ainda em aluminio, disposto em colmeia, era uma evolução do chassis anterior, mas com uma nova frente, mais angulada, para que fosse eficaz arerodinâmicamente. Havia uma entrada de ar lateral, para refrigerar o motor Cosworth V8, e a caixa de velocidades ainda era de cinco marchas, construída pela Hewland. Em suma: um chassis simples e eficaz.

Em termos de pilotos, as coisas andavam agitadas dentro da equipa. Alan Jones decidiu retirar-se da competição, depois de ter vencido o campeonato em 1980, e Carlos Reutemann pensava fazer o mesmo, depois da equipa lhe ter ostensivamente deixado de o apoiar, após o episódio de Jacarépaguá, onde o argentino desobedeceu às ordens de Frank Williams para que cedesse o primeiro lugar a favor de Jones. Contudo, Frank Williams persuadiu-o a ficar na equipa em 1982, colocando a seu lado o jovem finlandês Keke Rosberg, vindo da Fittipaldi.

Contudo, Reutemann sai da equipa após o GP do Brasil, e depois de Mário Andretti ter corrido por uma vez, em Long Beach, o lugar foi para o irlandês Derek Daly, que tinha vindo da Theodore. O FW08 estreia-se em Zolder, onde às mãos de Keke Rosberg, faz uma boa corrida, terminando na segunda posição. O finlandês consegue novo pódio em Zandvoort, chegando ao fim na terceira posição, e aproveita esta sua regularidade para entrar na luta pelo título.

Em Brands Hatch, palco do GP da Grã-Bretanha, Rosberg consegue a sua primeira "pole-position" da carreira, onde apesar de não ter chegado ao fim, causa boa impressão. E com os azares a acontecer a Didier Pironi, especialmente depois do GP da Alemanha, Rosberg começa a ser encarado, a par de John Watson, como candidato ao título. Quase vence em Zeltweg, batido em cima da linha pelo Lotus de Elio de Angelis, mas em Dijon, palco de um extemporâneo GP da Suiça, por fim, o finlandês vence a sua primeira corrida da sua carreira. Em Las Vegas, última prova do ano, o finlandês é quinto classificado e conquista o título mundial.

Na pré-temporada, o FW08 sofre modificações para ficar em conformidade com os novos regulamentos, que fizeram abolir o efeito-solo, fazendo com que se construissem novos radiadores laterais, um chassis que ficaria conhecido como o a versão C, porque ao mesmo tempo, a versão B iria ser o desenvolvimento de uma ideia que tinha aparecido no ano anterior. Esse carro, com quatro rodas traseiras, tinha uma tração bastante superior aos demais e Patrick Head tinha por fim resolvido os problemas com a caixa de velocidades, o grande "handicap" deste tipo de carros. 

O FW08B poderia ser a grande arma que a equipa tinha contra os carros com motor Turbo, especialmente por causa da fenomenal aderência que tinha à saída das curvas mais lentas, mas pouco depois, a FIA decidiu que os carros tinham de ter apenas quatro rodas. Alguns argmentavam que tinha sido porque estava a ser muito mais veloz do que os carros de quatro rodas, mas Head refuta: "Era demasiado pesado por causa do "hardware" que trazia, e iria ser um desafio para fazer baixar o peso que tudo aquilo tinha. Mas alguém na FOCA disse que aquelas seis rodas iriam causar confusão nas boxes e iria disparar os custos, então, a FISA decidiu regulamentar que os carros de Formula 1 poderiam ter apenas quatro rodas". 

Assim sendo, coloca a versão C ao serviço de Rosberg e do seu novo companheiro de equipa, o francês Jacques Laffite, e faz uma boa exibição em Jacarépaguá, conseguindo a pole-position e acabando na segunda posição, mas pouco depois foi desclassificado, devido a uma confusão nas boxes, durante uma manobra de reabastecimento. O carro era menos veloz contra os motores Turbo, como o Renault e a Ferrari, mas nas pistas citadinas, mais lentas, o carro conseguia saer devidamente competitivo. Rosberg vence no Mónaco, perante chuva e uma excelente estratégia nas boxes, e é segundo em Detroit, batido pelo Tyrrell de Michele Alboreto, que viria a ser a última vitória de um motor Cosworth V8.

A partir da segunda metade do ano, o carro deixou de ser competitivo, pois a equipa decidiu apostar no novo chassis, agora com motor Turbo, pois a equipa tinha conseguido acordar com a japonesa Honda um contrato de fornecimento de motores a partir da temporada de 1984. Contudo, o novo carro ficou pronto antes, e estreou-se na última prova do ano, na Africa do Sul, ainda com mais um chassis FW08C nas mãos do seu piloto de testes, Jonathan Palmer, que se estreou no GP da Europa, em Brands Hatch.

Pouco tempo antes, a meio do ano, no circuito de Donington Park, Frank Williams decidiu ceder um dos chassis FW08 para dar a um jovem piloto de Formula 3 o seu primeiro contacto com a Formula 1. O seu nome era Ayrton Senna e nesse ano, estava a dominar o campeonato britânico, contra rivais como Martin Brundle. Frank Williams ficou impressionado com o desempenho de Senna, sabendo que iria ter futuro na categoria máxima do automobilismo. 

Ficha Técnica:

Chassis: Williams FW08
Projetista: Patrick Head
Motor: Cowsorth DFV V8 de 3 litros
Pneus: Goodyear
Pilotos: Keke Rosberg, Derek Daly, Jacques Laffite, Jonathan Palmer
Corridas: 27
Vitórias: 2 (Rosberg 2)
Pole-Positions: 2 (Rosberg 2)
Voltas Mais Rápidas: 0
Pontos: 80 (Rosberg 61, Laffite 11, Daly 8)
Títulos: Mundial de pilotos em 1982 (Keke Rosberg) 

domingo, 20 de março de 2011

O Benetton B186, o primeiro carro da nova gerência

“O carro era como que uma bomba em circuitos como Spa-Francochamps, Zeltweg e Monza. O poder era inacreditável, mas o ‘turbo lag’ era terrivel. Tu colocavas o pedal a fundo no inicio da curva, mas só sentias o poder na saída. E se falhasses o ponto de travagem por cinco ou dez metros era inevitável, despistavas-te.

Em Zeltweg, por exemplo, na reta antes da Bosch Kurwe, o carro lançava-se com os seus 1400 cavalos... e continuava a aumentar. Sentias que estavas a viajar num foguetão”.

Era assim que Gerhard Berger descrevia o Benetton B186, o primeiro carro desenhado sob nova gerência. A Benetton tinha comprado em meados de 1985 a equipa Toleman como forma de divulgar a sua marca pela Formula 1, algo que fazia desde os finais dos anos 70, primeiro através de um patrocinio pessoal a Riccardo Patrese, e depois patrocinando as equipas Tyrrell e Alfa Romeo.

Desenhado por Rory Bryne, tinha o potente, mas pouco fiável, motor BMW Turbo de quatro cilindros em linha. Apesar das muitas desistências, quando chegava ao fim, dava nas vistas: duas pole-positions, três voltas mais rápidas e a vitória, a primeira de sempre, através de Gerhard Berger, no GP do México. Para ler o resto da história, sempre pode ir ao Pódium GP, através deste link.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Hispania vai correr. Mas acabará a temporada?

Não sei se importa falar sobre isto, mas digo na mesma. Bem sei que é "chover no molhado" e que toda a gente já falou sobre as sérias dúvidas sobre a capacidade de correr uma segunda temporada, que é um "cadáver adiado", etc, etc, mas acho que agora que os testes chegaram ao seu final, dar a minha opinião sobre a Hispania não faz mal algum, mesmo que não fuja à regra.

Na passada sexta-feira, no dia da apresentação do novo chassis, disse algures que se o calendário tivesse desenrolado como o previsto, já teria acontecido o campeonato do Mundo, ou seja, estariam nas mesmas condições do que em 2010 em termos de apresentação do novo carro: sem "shakedown" e os pilotos tinham pouco ou nenhum conhecimento do F111. No dia a seguir à apresentação do carro, teria sido o dia da rodagem do novo carro, mas afinal, houve um problema burocrático com algumas peças da suspensão. Não direi que é de bradar os céus, mas ficas a pensar que de onde é que vieram as peças. Suiça? China? Russia? India? Brasil? É que da Alemanha à Espanha, existe uma coisa chamada "espaço Shengen" onde não existem quaisquer barreiras á circulação de pessoas e mercadorias...

Também quero acreditar que na Hispania se tenham aprendido as lições de 2010, especialmente no capítulo de "como não fabricar um carro". Quero acreditar que com os testes que fizeram no inicio da época, tenham experimentado novos componentes no F110 e que estes se encaixem no "novo" carro - deve ser mais um F110 com traseira modificada para caber a caixa de velocidades da Williams - e que comecem a empreender a tarefa quase impossível de superar a Virgin e sair do findo do pelotão.

Sempre acreditei que iriam começar a temporada de 2011, e ali eles vão, a caminho da Austrália, com o indiano Narain Kartikeyan e o italiano Vitantonio Liuzzi como pilotos. Um regressa depois de seis temporadas de ausência, o outro foi despedido da Force India e provavelmente usou o dinheiro da indemnização para continuar a correr. Devem adorar imenso a Formula 1 ou são autênticos viciados em adrenalina para estarem dispostos a correr em verdadeiras "cadeiras elétricas", e ainda por cima trazem dinheiro consigo - pelo menos o indiano - para injetar alguma vivacidade e esperança de não terminar todos os Grandes Prémios nos últimos lugares.

O chato é que o novo chassis vai para a Austrália sem ser testado propriamente, nem para um misero "shakedown". Tal como em 2010, acho que as declarações de Colin Kolles soam a pretenciosismo. Coisas que eu li como esta, dita na sexta-feira passada, são motivo de risota geral: "Penso que o nosso carro é mais rápido do que o do ano passado. De forma significativa. Temos a secção traseira da Williams, um motor Cosworth, um conjunto que nos consegue levar aos dez primeiros e terminar em sexto no campeonato. Não há nada de errado com isso. Temos aerodinâmica renovada, pelo que tudo parece mais promissor. Temos pilotos com maior experiência e tudo deverá ser melhor. No papel, parece melhor, penso".

Diz bem o Kolles: pensa. A realidade costuma ser mais dura.

Acho que toda a gente na equipa torce para que uma construtora seja louca a suficiente para comprar o seu lugar. Se é esse o caso, espero que o preço seja o suficiente para sair dali com o investimento recuperado, no mínimo.

domingo, 6 de março de 2011

A história do Lotus 98T, um dos mais potentes da Formula 1

"Após a subita morte de Colin Chapman, em Dezembro de 1982, a Lotus teve um período complicado, onde primeiro se tentou adaptar aos motores Renault Turbo, e depois a construir um chassis tão bom como aqueles que a mente de Chapman costumava tirar. A meio de 1983, depois do fracasso do primeiro modelo com motor Turbo, o 93T, contrataram o francês Gerard Ducarouge, que, depois das passagens pela Renault e Alfa Romeo, ajudou na tentativa de recuperação do prestigio perdido, construindo os modelos 94T e 95T. A terceira peça para essa recuperação veio com a chegada, no inicio de 1985, de um jovem prodígio brasileiro, então com 25 anos: Ayrton Senna. Com ele, a Lotus obtinha no Autódromo do Estoril a sua primeira vitória em três temporadas. Nesse ano, com o modelo 97T, a marca conseguira três vitórias no campeonato e o quarto lugar no Mundial de Construtores."

"Antes de começar a temporada de 1986, surgiram algumas especificações por parte da então FISA. Uma delas era o de reduzir os depósitos de combustivel para os 195 Litros, no sentido de reduzir o consumo por parte dos motores Turbo. Isso levou a que muitos carros ficassem pelo caminho nas voltas finais, e a serem empurrados pelos pilotos nos metros finais da corrida, por exemplo... Assim, para lidar com os novos regulamentos, Gerard Ducarouge criou o Lotus 98T, um chassis de menor dimensão." (...)

É assim que começa a história do chassis Lotus 98T, que este ano comemora o seu 25º aniversário da sua participação no Mundial de Formula 1. Certamente um dos melhores daquela temporada, a par do Williams FW11 e do McLaren MP4-2, este já no seu terceiro ano competitivo, não tem um palmarés tão rico como os outros dois. Apenas têm duas vitórias, ambas com Ayrton Senna ao volante, e foi o carro onde o nobre escocês Crichton-Stuart, mais conhecido nas corridas por Johnny Dumfries, teve a sua unica temporada na categoria máxima do automobilismo.

Para ler toda a história, basta ir ao sitio do costume, o Pódium GP.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Brabham BT49, a história de um chassis campeão

Sempre admirei os trabalhos de Gordon Murray. Este ano comemora o seu 65º aniversário e já desenhou carros geniais, primeiro na Brabham, depois na McLaren, e depois nos carros comuns, desde o McLaren F1, de 1992, até o T25, um microcarro que consegue ser mais pequeno do que o Smart.

Entre 1979 e 1982, a Brabham passa por um revivalismo, após os seus anos com o motor Alfa Romeo. Murray afirmou até que quando desenhou e desenvolveu este carro sentia que estava a tirar férias, depois dos tempos em que se via desafiado com o motor Flat-12 da Alfa Romeo, que era mais guloso do que os habituais Cosworth V8. Esse chassis, o Brabham BT49, voltou a colocar a equipa no rumo das vitórias e deu a um jovem piloto, o brasileiro Nelson Piquet, o seu primeiro título mundial de pilotos.

Nos trinta anos desse título, o assunto que hoje falo no site Pódium GP é sobre o Brabham BT49, um dos melhores chassis do pelotão nesse principio dos anos 80.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

The End: Derek Gardner (1931-2011)

O britânico Derek Gardner, o homem que desenhou os primeiros carros da Tyrrell entre 1970 e 1977, morreu esta sexta-feira aos 79 anos em Lutterworth, na Grã-Bretanha.

Hoje pode ser um nome algo esquecido, mas durante a década de 70, Derek Gardner foi o primeiro projectista da Tyrrell e um dos mais bem sucedidos no seu ramo. Máquinas como o Tyrrell 001, uma evolução do March 701 de 1970, dos modelos 003 e 006, os carros que deram os títulos mundiais de 1971 e 1973 a Jackie Stewart, foram desenhados por ele. Mas também foi o homem que teve a ideia do P34, o primeiro chassis de seis rodas da Formula 1, estreado há 35 anos em Jarama e que durou duas temporadas, pilotado pelas mãos de Jody Scheckter, Patrick Depailler e Ronnie Peterson.

Nascido a 19 de Setembro de 1931 no Warwickshire, Gardner licenciou-se em engenharia e a sua entrada no mundo da Formula 1 acontece no final dos anos 60, quando trabalhava na Ferguson, desenvolvendo os sistemas de quatro rodas motrizes. A Ferguson tinha sido chamada em meados de 1969 para ajudar a desenvolver o sistema de suspensão do Matra MS84, o seu carro de quatro rodas motrizes, e Gardner conheceu Ken Tyrrell. Ele gostou do seu trabalho e convidou-o para ficar na sua equipa para a temporada de 1970. No inicio do ano, após Tyrrell e Matra se terem separado devido à relutância de Ken Tyrrell em usar o motor Matra V12 - e de ter um contrato com a Cosworth para usar os V8 - Tyrrell adquiriu chassis da March. Mas pediu a Gardner para que desenhasse um chassis próprio.

O SP - Secret Project - foi desenhado e construido na garagem de Gardner e somente ele, Tyrrell e Stewart é que tinham conhecimento do projecto. O carro estava pronto no final do Verão de 1970 e foi usado pela primeira vez no GP do Canadá desse ano, depois... de uma partida de golfe entre Stewart e Tyrrell, ganha por uma tacada. O carro causou impacto, fazendo a pole-position na sua primeira corrida, em Mont-Tremblant, apesar de não ter terminado qualquer uma das três corridas de 1970.

Mas em 1971, Gardner desenvolveu o 001 e o 002 (um chassis especial para Francois Cevért, que era mais alto do que Stewart) e esses esforços resultaram no chassis 003, estreado no circuito catalão de Montjuich, onde o escocês venceu oito corridas nas duas temporadas seguintes, dando a Stewart e a Tyrrell os títulos de Pilotos e Construtores.

O chassis foi usado em 1972, mas Stewart não foi capaz de bater o Lotus 72 de Emerson Fittipaldi e no final do ano, Gardner e Tyrrell lançaram o chassis 005, desenvolvido depois para o chassis 006. Com o 005, Stewart venceu as duas últimas corridas de 1972 e no ano seguinte, o 003 deu ao escocês o seu terceiro e último título mundial. Mas também foi o chassis onde o francês Francois Cevért perdeu a sua vida, na qualificação para a última prova do ano, o GP dos Estados Unidos de 1973, no circuito de Watkins Glen.

Em 1974, com uma nova dupla, o sul-africano Jody Scheckter e o francês Patrick Depailler, Gardner desenvolveu o chassis 007, um desenvolvimento do 006, mas não conseguiu mais do que duas vitórias, ambas conseguidas pelo jovem sul-africano. A equipa continuava a estar na linha da frente, a ser regular nos pódios, mas Gardner precisava de melhorar a performance dos seus carros, especialmente para resolver problemas relacioandos com a aderência dos carros em curva. E foi aí que surgiu a ideia do chassis P34 de seis rodas.

Como na altura os carros tinham na frente rodas de 14 polegadas, Gardner julgava que colocando duas rodas de dez polegadas cada, a aderência seria maior e assim, o carro ganharia velocidade em curva e em consequência, vantagem sobre os seus adversários. O conceito era tão radical que a primeira vez que Garnder abordou Ken Tyrrell sobre esse assunto foi durante um vôo transatlântico, e somente após alguns copos de whisky...

Mostrado à imprensa no final de 1975, foi um carro radical e dividiu opiniões. Jody Scheckter detestava o carro, enquanto que Patrick Depailler adorava-o e desenvolveu-o exaustivamente no sentido de melhorar a sua performance. O desenvolvimento compensou com uma dobradinha no GP da Suécia de 1976, com o sul-africano a vencer, e o francês no segundo lugar. Ao longo de uma temporada e meia, conseguiu mais uma pole-position e três voltas mais rápidas, mas em 1977, o carro sofreu uma diminuição da sua performance, especialmente porque a Goodyear não queria fazer mais pneus de dez polegadas.

Por essa altura, Gardner tentava convencer Tyrrell de que a introdução de um sistema de controlo eletrónico no seu carro poderia ser uma boa maneira de desenvolver o carro. Contudo, Tyrrell não ficou convencido e Gardner, que ficara crescentemente cansado da Formula 1, decidiu abandonar a Tyrrell a meio de 1977, aceitando um cargo de director de engenharia na Borg-Warner, onde desenvolveu sistemas electrónicos de embraiagem. Ao longo de uma longa carreira como desenhador, também projectou barcos de recreio. Ars lunga, vita brevis.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Bólides Memoráveis - Tyrrell 020 (1991-93)

No inicio dos ano 90, a Tyrrell vive um breve ressurgimento. Ainda com o velho Ken Tyrrell ao leme e tendo no seu seio pilotos capazes como Michele Alboreto e Jean Alesi, e com chassis bem desenhados por um homem capaz como Harvey Postlethwaite, torna-se numa equipa capaz de lutar pela vitória, mesmo com os escassos recursos que tem ao seu dispor, comparados com equipas como McLaren, Ferrari ou Williams. Contudo, os resultados obtidos em 1990 com o chassis 019, o primeiro com o bico levantado, faz com que a equipa receba mais dinheiro e motores mais capazes como o Honda V10. E é nessa altura em que nasce o chassis do qual falamos hoje: o Tyrrell 020.

No final de 1990, Ken Tyrrell acerta um contrato com a Honda no sentido de fornecer o seu motor V10, e o seu projectista Postlethwite, em conjunto com George Ryton, decidem desenhar uma evolução do 019, aproveitando o que havia de melhor nesse chassis mas com uma nova traseira, adaptada ao motor Honda V10. E é assim que nasce o chassis 020.

Com Jean Alesi de saida para a Ferrari, Tyrrell escolhe o italiano Stefano Modena para o substituir, ao lado do japonês Satoru Nakajima. Aparecem patrocinadores de peso e o chassis está pronto na primeira prova do ano, na cidade americana de Phoenix. A Tyrrell porta-se bem nesta corrida e consegue o quarto (Modena) e o quinto lugares (Nakajima) respectivamente. Os bons resultados na corrida inicial estendem-se nas provas seguintes, nomeadamente em Imola, onde seguem no terceiro e quarto postos antes de desistirem em pouco mais de duas voltas, e o segundo lugar na grelha de partida no Mónaco, através de Modena.

O ponto alto dessa temporada vai ser o GP do Canadá onde, ao final de algumas promessas frustradas por problemas mecânicos, Stefano Modena conta com uma boa corrida e alguma sorte pelo meio para chegar ao fim no segundo posto. Mas este será a melhor performance da equipa na temporada, pois à medida que esta avança, se nota que o maior peso do motor V10 e a menor eficácia dos pneus Pirelli irá prejudicar as performances do carro. Para piorar as coisas, Postlethwaite sai da Tyrrell para ajudar Peter Sauber e a Mercedes na sua equipa de Sport-Protótipos a elaborar mais tarde o C12, o primeiro chassis do suiço na Formula 1, e o carro sofre com a falta de evolução ao longo de 1991. No final, consegue doze pontos e o sexto lugar na classificação de construtores.

No final de 1991, a Honda decide concentrar-se somente no seu motor V12, dando o V10 à preparadora Mugen, que o desenvolverá mediante pagamento. Quando disseram a Ken Tyrrell que o desenvolviam mediante o pagamento de oito milhões de dólares, o velho Ken foi à procura de outros motores e descobriu a jovem Ilmor, uma preparadora com algum prestigio na Indy e consituida por dois engenheiros: o suiço Mario Illien e o britânico Paul Morgan. O motor era mais leve em cerca de trinta quilos e chassis foi adaptado para acolher o motor, redesenhando por exemplo os radiadores para satisfazer as suas necessidades.

Rebatizado de 020B, teve boas performances no inicio do ano às mãos do veterano Andrea de Cesaris, onde conseguiu como melhor resultado um quarto lugar no GP do Japão e oito pontos no final da temporada. Um claro contraste com o outro piloto da equipa, o francês Olivier Grouillard, que não conseguiu qualquer ponto e fez ganhar mais alguns cabelos brancos a Tyrrell devido ao seu comportamento errante em pista...

Contudo, a Tyrrell estava em algum aperto, pois estes motores lhe tinham custado 9 milhões de dólares para os obter e desenvolver - apesar do grande apoio da Elf - e quanto a Yamaha lhes disse que estavam dispostos a fornecer motores de graça, depois da má experiência na Jordan, Ken Tyrrell aceitou. Manteve Andrea de Cesaris e aceitou o jovem japonês Ukyo Katayama, e o chassis foi de novo adaptado, desta vez por Ryton e Mike Coughlan, para acolher o seu terceiro motor em três temporadas.

Contudo, o motor Yamaha era pouco desenvolvido, pouco fiável, algo pesado e os pilotos sofreram. Nem sequer terminaram as cinco primeiras corridas do ano devido às várias quebras do motor, e por esta altura já se descobria que o chassis desenhado por Coughlan, o modelo 021, era um desastre. Assim, a estreia foi adiada e tentou-se puxar pelo 020 até que os problemas do novo chassis fossem minoradas. Este estreou-se a meio da temporada, em Silverstone, mas não melhorou as coisas, acabando com a equipa a não conseguir qualquer ponto nesse ano. Coughlan foi-se embora e Postlethwaite voltou, para desenhar o 022, o chassis de 1994.

Para finalizar, se quiserem ver um destes modelos à escala 1/20, podem ir ao blog do Pedro Costa, o Mania dos Carrinhos, onde concluiu no final do ano passado a sua montagem. Lá podem ver os passos dados, bem como o modelo final.

Ficha Técnica:

Carro: Tyrrell 020
Projectistas: Harvey Postlethwaithe, George Ryton e Mike Coughlan (020B e 020C)
Motores: Honda V10 de 3.5 litros (1991) Ilmor V10 (1992) Yamaha V10 (1993)
Pneus: Pirelli (1991) Goodyear (1992-93)
Pilotos: Stefano Modena, Satoru Nakajima, Andrea de Cesaris, Olivier Grouillard, Ukyo Katayama.
Corridas: 41
Vitórias: 0
Pole-positions: 0
Voltas Mais Rápidas: 0
Pontos: 20 (Modena 10, De Cesaris 8, Nakajima 2)

Fontes:

Santos, Francisco: Formula 1 1991/92, Ed. Talento, Lisboa, 1991
Idem, Formula 1 1992/93, Ed. Talento, 1992
Idem, Formula 1 1993/94, Ed. Talento, 1993

sábado, 25 de dezembro de 2010

Bólides Memoráveis: Williams FW14 (1991-92)

Ao longo da sua carreira com mais de trinta anos, Adrian Newey transformou-se num dos mais bem sucedidos desenhadores de chassis na história da Formula 1, com uma carreira sem paralelo, comparado com nomes como Colin Chapman, na Lotus, Gordon Murray, na Brabham e McLaren, John Barnard, na McLaren e Ferrari, ou Ross Brawn, na Ferrari e Brawn GP. Conseguindo desenhar alguns dos carros mais brilhantes desde o inicio da década de 90, as suas criações conseguiram vencer sete títulos de Construtores, primeiro na Williams, depois na McLaren e agora na Red Bull. Na véspera do seu 52º aniversário, e quando se comemora o seu mais recente título com o Red Bull RB6, falo sobre o chassis no qual venceu o seu primeiro título mundial: o Williams FW14.

Após ter sido contratado à March em Agosto de 1990, Newey comaçou a trabalhar no desenvolvimento do chassis do ano seguinte, que em principio seria uma evolução do FW13. Mas habituado a trabalhar numa equipa com recursos limitados, como a March, com os recursos superiores, Newey aproveitou a situação para colocar as suas ideias, acabando por fazer um chassis mais radical que o anterior, no sentido de dar à Williams e à Renault, a fornecedora de motores, um chassis vencedor.

Os esboços iniciais foram mostrados a Frank Williams, que usou isso como “arma de isco” para atrair à sua equipa um Nigel Mansell que, então com 37 anos, estava determinado a retirar-se da Formula 1, depois de dois anos frustrantes na Ferrari. O chassis, construído em fibra de carbono, era mesmo avançado para o seu tempo, pois estava artilhado de eletrónica: uma caixa de velocidades semi-automática, controlo de tracção e suspensão activa. Era um carro tão sofisticado e tão fácil de guiar que Mansell disse certa vez que “qualquer macaco era capaz de guiar este carro”.

Com Mansell a bordo da equipa, a substituir o belga Thierry Boutsen, que tinha rumado à Ligier, e tendo como companheiro de equipa outro veterano, o italiano Riccardo Patrese, o carro esteve pronto a tempo de correr na primeira prova do campeonato, o GP dos Estados Unidos, em Phoenix. Nessa prova, Patrese e Mansell partiram da segunda fila, mas ambos desistiram devido a problemas na caixa de velocidades, algo que os iam perturbar nas primeiras corridas dessa temporada. Problemas esses aproveitados por Ayrton Senna, no seu McLaren, que ganhou as quatro primeiras corridas do ano. Nesse periodo, o melhor que os pilotos da Williams conseguiram foram dois segundos lugares, em Interlagos (Patrese) e no Mónaco (Mansell).

Só no México é que o carro alcançou a sua primeira vitória, e através de Riccardo Patrese. E poderiam ter conseguido antes, no Canadá, caso Nigel Mansell não tivesse colocado a sua caixa de velocidades em ponto morto a meia volta do final, entregando de bandeja o primeiro lugar a Nelson Piquet...

Mas isso significava que os problemas de juventude tinham sido resolvidos, e o carro poderia mostrar todo o seu potencial. Mansell aproveitou para vencer três provas seguidas, umas das quais em Silverstone, onde ficou famoso por ter dado boleia a Senna na sua volta de desaceleração, após o carro do seu rival ter ficado parado por falta de gasolina. A partir dali, Mansell e Williams lutaram pelo título contra a McLaren e Ayrton Senna, mas um parafuso mal apertado no Estoril e um despiste à décima volta do GP do Japão, em Suzuka, fizeram com que o título caisse nas mãos do piloto brasileiro, bem como o título de Construtores ter ido parar à McLaren. Mas o chassis ainda tinha imenso potencial para dar, e a Williams decidiu continuar com ela para a temporada de 1992, enquanto que o FW15 não estava pronto.

Na pré-época de 1991/92, a Williams melhorou todos os aspectos eletrónicos do carro, desde a caixa de velocidades semi-automática até a suspensão activa, passando pelo ABS e o controlo de tracção, transformando-o num carro cada vez mais controlado eletronicamente, facilitando a vida dos dois pilotos, Patrese e Mansell.

E foi uma temporada dominadora. Mansell venceu as primeiras cinco provas do ano, quatro delas em dobradinha com Patrese, aniquilando a concorrência e quase transformando a temporada de 1992 num facto consumado. Senna somente venceu no Mónaco, somente porque Mansell teve um furo lento a sete voltas do fim e quando voltou, estava atrás de Senna. Somente as ruas estreitas do Principado impediram-no de passar o brasileiro até à bandeira de xadrez.

Mansell conquistou o título na Hungria, em inicios de Agosto, a cinco provas do fim, e o desenho e a filosofia do FW14 tornou-se num guia para as outras equipas, até que a FIA decidiu banir certas ajudas eletronicas no final da temporada de 1993. Quanto à equipa, a dupla de sonho desfez-se no final do ano quando Mansell soube que Frank Williams tinha contratado Alain Prost para a equipa na temporada de 1993. Com a sua má experiência na Ferrari ainda latente, Mansell decidiu ir embora da Williams e da Formula 1, aceitando a proposta da Newman-Haas para correr na CART e alcançar o título de 1993.

Quanto ao FW14, este foi substituido pelo FW15C, que deveria ter corrido em 1992, mas a eficácia do chassis anterior fez adiar a sua estreia por um ano.

Ficha Técnica:

Chassis: Williams FW14
Projectista: Adrian Newey e Patrick Head
Motor: Renault V10 de 3.5 Litros
Caixa de Velocidades: Williams semi-automática se seis velocidades
Pilotos: Nigel Mansell e Riccardo Patrese
Corridas: 32
Vitórias: 17 (Mansell 14, Patrese 3)
Polé-Positions: 21 (Mansell 16, Patrese 5)
Voltas Mais Rápidas: 19 (Mansell 11, Patrese 8)
Pontos: 289 (Mansell 180, Patrese 109)

Títulos: Mundial de Construtores de 1992, e de Pilotos (Nigel Mansell)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Bolides Memoráveis: Williams FW17 (1995)

Há quinze anos, os dois maiores candidatos ao título tinham o mesmo motor, e tentavam com os seus chassis, bater um ao outro. No caso da Williams, o seu chassis era radicalmente diferente dos anos anteriores, para conseguir superar o desenho e as capacidades do seu rival, Michael Schumacher. Apesar de não ter conseguido isso, e por causa disso o chassis que hoje apresento ter sido menorizado, o Williams FW17, de 1995, desenhado por Adrian Newey tem uma particularidade: é o primeiro carro de nariz levantado desenhado por ele. E foi também a semente dos chassis seguintes, o FW18 e FW19, que deram à Williams dois títulos de Construtores. E hoje conto-lhe a história.

Depois do pesadelo da temporada de 1994, com o chassis FW16 a sofrer primeiro com a perda da eletrónica, e depois com os desastres na pista, Adrian Newey decidiu desenhar um carro que permitisse cortar com o passado recente, um novo começo bem preciso numa equipa que tinha passado por muito naquele ano. O novo desenho apresentava um nariz levantado na frente, um chassis redesenhado, feito de fibra de carbono, com um motor Renault V10 de 3 litros, caixa semi-automática de seis velocidades feita pela Williams.

Em termos de pilotos, Frank Williams decidiu manter Damon Hill, enquanto que dava uma oportunidade a tempo inteiro a David Coulthard, depois da experiência a tempo parcial no ano anterior, já que Nigel Mansell, então com 41 anos, tinha ido para a McLaren tentar manter a sua carreira.

O chassis era bem desenhado, mas havia pequenos problemas por resolver. A suspensão traseira, por exemplo, sofreu atrasos na construção dos seus componentes e teve de ser totalmente adaptada do modelo anterior. Somente em Portugal, com o FW17B é que entrou em acção a inicialmente projectada por Newey. Para piorar as coisas, sofreu pequenos problemas de ordem eletrónica, especialmente no carro de David Coulthard, que lhe prejudicaram em algumas corridas. Logo, todos esses pequenos problemas acabaram por prejudicar as performances dos dois pilotos ao longo do campeonato, apesar das duas vitórias iniciais por parte de Damon Hill em Buenos Aires e Imola. Isso acabou por beneficiar claramente o Benetton de Michael Schumacher, cujo modelo B195, desenhado por Rory Bryne, era uma evolução menos radical do B194.

No GP de Portugal, em Setembro, a Williams trouxe a "evolução B" para a pista, com a nova traseira, difusor uma caixa de velocidades melhorada. Os resultados melhoraram bastante, com Coulthard a conseguir a sua primeira vitória da sua carreira naquele fim de semana, e Damon Hill a vencer na última prova do ano, na Austrália. Mas esta evolução não impediu de Schumacher conquistar o bicampeonato em Aida, no Japão, a três provas do final do campeonato.

Contudo, o FW17 não foi um fracasso total. Sendo um projecto totalmente novo, teve os devidos problenas de juventude, mas serviu de base para os dois chassis seguintes, o FW18 e o FW19, que deram ambos os títulos nos dois anos seguintes.

Ficha Técnica:

Chassis: Williams FW17
Projetista: Adrian Newey
Motor: Renault V10 de 3 litros
Pilotos: Damon Hill e David Coulthard
Corridas: 17
Vitórias: 5 (Hill 4, Coulthard 1)
Pole-Positions: 12 (Hill 7, Coulthard 5)
Voltas Mais Rápidas: 6 (Hill 4, Coulthard 2)
Pontos: 118 (Hill 69, Coulthard 49)

Fontes:

Santos, Francisco: "Formula 1 1995-96", Ed.Talento, Lisboa, 1995.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Bólides Memoráveis: Renault RE60 (1985)

Este foi o último chassis que a Renault fez antes da sua primeira retirada da Formula 1 como construtora. Há 25 anos, o chassis RE60 respresentou o canto do cisne de da construtora francesa que tinha deixado uma marca na história da categoria máxima do automobilismo ao introduzir nela os motores Turbo de 1.5 litros. Apesar dessa tecnologia se ter tornado bem sucedida, a Renault falhou no objectivo principal: vencer o título de construtores. E hoje falo deste chassis, bem como o seu último ano na Formula 1.

Após uma temporada de 1984 algo apagada, o RE60 foi projectado para 1985 por Jean-Claude Migeot, com a assitência de Bernard Dudot, a partir do chassi RE50. Feito em fibra de carbono, acolhia o motor V6 Turbo, de 1.5 litros da marca, que dava cerca de 750 cavalos em corrida. Mantendo os dois pilotos da temporada anterior, o francês Patrick Tambay e o britânico Derek Warwick, pensava-se que seria um chassis capaz de fazer melhor do que no ano anterior e recuperar alguma da competitividade perdida a favor da McLaren, Williams e Lotus, que usava os mesmos motores, e cujo carro era projectado por um ex-colaborador seu, Gerard Ducarouge.

Apesar dos bons resultados iniciais, com dois pódios no Estoril e em Imola, o chassi revelou-se um desastre. Não só não conseguia ser mais veloz do que os anteriormente referidos, como também começava a perder para outras marcas como a Ferrari e a Ligier, que também tinha motores Renault. Assim, o carro teve de ser redesenhado no meio da época, e em Paul Ricard apareceu uma nova evolução, o RE60B, que não melhorou as coisas. O antigo chassis lhes tinha dado doze pontos até ali, com a nova versão, só conseguiram mais quatro.

No GP da Alemanha, corrido no circuito de Nurburgring, a Renault onscreveu um terceiro carro para outro piloto francês, que tinha feito parte da temporada na Brabham: Francois Hesnault. O terceiro chassis, um RE60 mais antigo, continha uma câmera de filmar acopolada no cockpit, numa experiência de transmissão televisiva que se estava a fazer desde há algum tempo. A experiência de Hesnault durou pouco tempo, pois desistiu na oitava volta, com a embraeagem partida.

Por esta altura, a Renault, então uma companhia estatal, tinha vários problemas de ordem laboral, entre outros, e a administração achou por bem que, dado que a equipa não estava a ter resultados em pista, terminar a aventura da equipa de fábrica, mantendo a construção e fornecimento de motores a equipas como a Lotus, Ligier e Tyrrell. Assim, depois de terem boicotado o GP da Africa do Sul devido a ordens directas do gabinete do presidente Francois Miterrand, fizeram uma última participação no GP da Austrália, em Adelaide, onde nenhum deles terminou a corrida. Só voltariam como equipa em 2002, após a aquisição da equipa Benetton.

Ficha técnica:

Chassis: Renault RE60/RE60B
Projectista: Jean-Claude Migeot e Bernard Dudot
Motor: Renault V6 Turbo de 1.5 Litros
Pneus: Goodyear
Pilotos: Patrick Tambay, Derek Warwick e Francois Hesnault
Vitórias: 0
Pole-Positions: 0
Voltas Mais Rápidas: 0
Pontos: 16 (Tambay 11, Warwick 5)

Fontes:

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Bolides Memoráveis: Lotus 102 (1990-92)

Num mês de Dezembro algo parado em termos de noticias, acho por bem voltar a fazer algo que que fiz no passado com bons resultados: biografias de carros que passaram pela Formula 1. Hoje vou falar de um chassis de uma equipa que está agora nas bocas do mundo, mas que quando foi construído, há vinte anos, foi o símbolo de uma equipa em dificuldades. A sua duração, bem como a quantidade de motores que recebeu, é um reflexo disso. Hoje falo do Lotus 102, e das suas variantes.

Após uma temporada de 1989 relativamente apagada, a Lotus consegue um acordo com a Lamborghini, que com os seus motores V12 desenhados por Mauro Forgheri, demonstrava algumas promessas de bons resultados na Larrousse na temporada de 1989. Assim sendo, e com o apoio da Camel, o projectista Frank Dernie desenha o Lotus 102, uma evolução do 101 do ano anterior, adaptado a um motor maior do que o Judd V8. A equipa iria ter uma nova dupla, já que Nelson Piquet e Satoru Nakajima tinham ido para novas paragens, e os escolhidos eram os britânicos Derek Warwick, vindo da Arrows, e Martin Donnelly, que tinha feito uma boa temporada na Formula 3000 e era piloto de testes da Arrows, que tinha tido uma prmieira experiência no GP de França do ano anterior.

Toda a gente confiava de que a combinação teria potencial para melhorar o desempenho da equipa. Rupert Mainwarring, o team-manager da equipa, estava confiante de que iriam conseguir um minimo de 40 pontos na temporada de 1990, mas revelou-se exactamente o contrário. O motor era algo pesado, muito quebradiço e glutão, comparativelmente aos V12 da Honda e da Ferrari. E isso ressentiu-se na temporada, pois Warwick somente conseguiu três pontos, tendo como melhor resultado um quinto lugar no GP da Hungria. Era a pior temporada da Lotus até então.

E para piorar as coisas, dois acidentes viriam a testar a resistência de tudo e todos. Em Setembro, na primeira volta do GP de Itália, em Monza, Derek Warwick perde o controle do seu carro à saída da Curva Parabolica e bate forte nos rails. Warwick sai do carro a correr, sem lesões. Contudo, semanas depois, o seu companheiro, Martin Donnelly bate forte nos treinos de sexta-feira do GP de Espanha, em Jerez, e fica gravemente ferido. O carro bate em frente aos rails, na rápida curva Ferrari e o chassis desintegrou-se. O norte-irlandês sobrevive, mas os seus ferimentos foram suficientemente graves para não mais voltar à Formula 1. No seu lugar, corre Johnny Herbert.

Com todos estes problemas, para piorar as coisas, a R.J. Reynolds decide puxar o tapete e não patrocinar mais a Lotus, e esta fica sem dinheiro. No final do ano, fica também sem os motores italo-americanos e a sua situação é periclitante. Após semanas em que se falava do seu encerramento, dois funcionários da marca, Peter Collins e Peter Wright, adquirem os direitos da Team Lotus e voltam a correr em Janeiro. A temporada iria ser disputada com dois pilotos novos: o finlandês Mika Hakkinen e o britânico Julian Bailey.

O chassis, agora na versão B, tinha de ser adaptado aos motores Judd e Collins contrata o argentino Enrique Scalaboni para essa tarefa. A temporada foi penosa, com o segundo lugar a ser "alugado" a pilotos com algum dinheiro. Bailey fica na equipa as primeiras cinco corridas, mas após o seu falhanço na qualificação do GP do Mónaco, é subsituido por Johnny Herbert. Mas o britânico estava a correr na Formula 3000 Internacional e tinha de falhar quatro corridas, tendo sido substituido pelo alemão Michael Bartels. Contudo, ele era demasiado lento e nunca consegue qualquer qualificação. Mas no meio de uma má época, um raio de sorte, quando conseguem três pontos no GP de San Marino, em Imola, com Hakkinen no quinto posto e Bailey no sexto, na sua unica qualificação do ano...

Ao longo do ano, Collins e Wright conseguem compôr as coisas, pagando as contas e planeando a nova temporada. Em 1992, há dinheiro suficiente para desenhar o novo chassis, o modelo 107, e arranjar dinheiro para um motor mais potente, o Ford HB. Mas pelo meio, constroem uma versão C para albergar uma experiência com um V12 da Isuzu, uma firma japonesa de veiculos comerciais, que na altura tinha uma ligação com a General Motors. Contudo, após uma bateria de testes no final da época de 1991, o projecto aborta.

Assim, a Lotus encara a temporada de 1992 com o seu primeiro chassis novo em três temporadas. Mas o carro só ficará pronto no GP de San Marino, em Imola, e nas quatro primeiras corridas do ano, terão de usar o velho chassis 102, agora na sua versão D, adaptado ao novo motor e com novas evoluções. Johnny Herbert fica definitivamente com o lugar, ao lado de Hakkinen, que mostra ser um bom piloto. Ambos conseguem pontuar, com dois sextos lugares (Herbert na Africa do Sul, Hakkinen no Brasil), mostrando que com o novo pacote, o chassis não tinha perdido competitividade. Contudo, após a não qualificação de Hakkinen em Imola, pois Herbert serviu-se do novo chassis, foi a sua última aparição competitiva antes de ir para o museu.

Ficha Técnica:

Chassis: Lotus 102
Projetista: Frank Dernie
Motores: Lamborghini V12 de 3.5 Litros (1990), Judd V8 de 3.5 Litros (1991) e Ford HB V8 (1992)
Pilotos: Derek Warwick, Martin Donnelly, Johnny Herbert, Mika Hakkinen, Julian Bailey, Michael Bartels
Corridas: 37
Vitórias: 0
Pole-Positions: 0
Voltas Mais Rápidas: 0
Pontos: 8 (Warwick 3, Hakkinen 3, Bailey 1, Herbert 1)

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Lotus_102
http://www.ultimatecarpage.com/car/1410/Lotus-102-Lamborghini.html

sábado, 20 de março de 2010

Bólides Memoráveis - Lotus 99T (1987)

Este foi o primeiro carro representou uma nova era na Lotus naqueles anos 80. Foi o primeiro carro amarelo, com as cores da Camel, foi o primeiro com motores Honda, e foi o primeiro carro com suspensão activa, e no qual Senna pode lutar mais sériamente pelo título, embora de forma mais mitigada do que faria depois pela McLaren. E este foi também o carro que deu a Satoru Nakajima a sua primeira oportunidade na Formula 1. Na véspera do 50º aniversário natalicio de Ayrton Senna, falo de um dos bólidos que o brasileiro guiou: o Lotus 99T.

Desenhado por Gerard Ducarouge e Martin Ogyilvie, o Lotus 99T foi uma evolução natural do modelo anterior o 98T, mas desta vez a sua traseira foi modificada para poder caber o motor Honda Turbo de 1.5 litros, que apareceu para substituir o Renault Turbo, que abandonava temporariamente a Formula 1 para se concentrar em construir um novo motor para 1989, ano em que os Turbo seriam abolidos. Construido em fibra de carbono, a sua parte traseira tinha a forma de garrafa de Coca-Cola, uma aplicação que tinha sido experimentada com êxito nos McLaren MP4/1 e MP4/2, desenhados por John Barnard.

Contudo, a grande novidade deste modelo era a suspensão activa. Um principio pensado por Colin Chapman como forma alternativa ao efeito-solo, abolido em 1982, e que começou a ser ensaiado no momento em que este morreu, o principio foi aperfeiçoado até então. A ideia era manter uma altura constante no carro, evitando por exemplo as ondulações do asfalto, fazendo com que o carro, que então tinha um fundo plano, fosse mais eficaz. Contudo, este principio vinha com um senão: era demasiado pesado para ser usado, e prejudicava a performance e a velocidade de ponta. Ducarouge tentou compensar isso, tentando desenhar um sistema mais leve, daí que este só tenha sido usado no final da época.

Em termos de equipa, com a chegada dos motores Honda, veio o japonês Satoru Nakajima, uma exigência da marca. Aos 34 anos, Nakajima já não era muito novo para se estrear na categoria máxima do automobilismo, mas atraiu muita atenção no país do Sol Nascente, onde se tornou num ídolo, a par de Senna. E Nakajima também ficava famoso por outra coisa: ele iria ter uma câmera de TV acopolada no seu carro, e este o iria acompanhar ao longo dessa época.

O inicio da temporada não foi bom para Senna, que desistiu no Brasil, mas em San Marino fez a pole-position, a unica do ano, e subiu ao pódio no segundo lugar, enquanto que Nakajima conseguia o seu primeiro ponto da carreira, ao acabar a corrida na sexta posição. Depois de ser colocado para fora por Nigel Mansell em Spa-Francochamps, fez uma prova sem mácula no Mónaco, onde conseguiu a sua primeira das cinco vitórias no Principado, seguido por outra em Detroit. O triunfo nas ruas da cidade americana acabou por ser a 79ª e última vitória da marca fundada por Colin Chapman na Formula 1.

Apesar de no resto da época ter sido superado pelos dois Williams, que também tinham motores Honda, Senna conseguiu ser regular e terminar constantemente no pódio, destacando-se três segundos lugares em Hungaroring, Monza e Suzuka, bem como dois terceiros lugares em Silverstone e Hockenheim. no final da época, Senna terminou na terceira posição do campeonato, com duas vitórias e mais seis pódios. Quanto a Nakajima, foi quarto classificado em Silverstone e conseguiu sete pontos nesta sua época de estreia. No final do ano, a Lotus foi terceira no campeonato, mas Senna foi para a McLaren, que tinha conseguido assinar um acordo de motores com... a Honda. Uma era terminava, outra era iria começar.

Ficha Técnica:

Chassis: Lotus 99T
Projectistas: Gerard Ducarouge e Martin Ogyilvie
Motor: Honda Turbo de 1.5 Litros
Pneus: Goodyear
Pilotos: Ayrton Senna e Satoru Nakajima
Corridas: 16
Vitórias: 2 (Senna 2)
Pole-positions: 1 (Senna 1)
Voltas Mais Rápidas: 3 (Senna 3)
Pontos: 64 (Senna 57, Nakajima 7)

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Lotus_99T
http://www.ultimatecarpage.com/car/1460/Lotus-99T-Honda.html

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Bolides Memoráveis: Parnelli VPJ4 (1974-76)

Numa altura em que assistimos à novela da possivel entrada (ou não) da Team USF1, e no mesmo dia em que comemoramos os 70 anos de vida de Mario Andretti, o último americano a vencer um título e um Grande Prémio de Formula 1, é interessante falar hoje de um dos projectos de equipa americana que surgiram a meio dos anos 70, a par da Penske e da Shadow, bem como a Wolf, mas esta tinha uma origem canadiana. O bólide que falo hoje foi o unico carro que esta marca fez durante a sua breve estadia na Formula 1, e tinha tudo para dar certo. Contudo, a história mostra-nos que um bom projecto não resiste muito tempo quando a entidade que impulsiona tal projecto abandona os palcos passado pouco tempo. Foi o que aconteceu neste caso. Hoje falo do Parnelli VPJ4.

Rufus Parnell "Parnelli" Jones é um dos melhores pilotos da sua geração. Nascido a 12 de Agosto de 1933 no Arkansas, começou a sua carreira nos "dirt tracks" na sua adolescência antes de passar para as pistas. Em 1961 foi o "Rookie do Ano" nas 500 Milhas de Indianápolis e dois anos depois, venceu a prova, depois de ter feito a "pole-position". Em 1967, tentou a sua sorte num carro a turbina, ideia de Andy Granatelli, o homem por detrás da STP Oil Treatment, que colocou uma turbina construida pela Pratt & Whitney. Dominou a corrida, mas perdeu-a a puocas voltas do fim, com a transmissão partida. Para além destes feitos em Indianápolis, foi tricampeão da USAC Sprint Car Series.

Em 1968, Parnelli Jones deixa de lado as pistas e começa a sua sorte como construtor. Conhece Velco "Vel" Miletich, um homem de negócios a trabalhar para a Firestone e antigo jogador de futebol americano, e establecem-se em Torrance, na California, contratando elementos experientes para a sua equipa. E cedo dá frutos: com Al Unser e um chassis Lola, vencem as 500 Milhas de Indianápolis de 1970. No ano seguinte, ganham o campeonato USAC, com Joe Leonard, e começam a construir o seus próprios chassis. Para isso, contratam os serviços de Maurice Philippe, que tinha saído da Lotus, e Mario Andretti para pilotar um dos seus carros a partir de 1972.

Os dois anos seguintes foram algo penosos para a equipa Parnelli onde apesar de construirem bons chassis, não eram suficientemente vencedores. Contudo, em 1974, Andretti tenta persuadir Jones e Miletich para construir um projecto para as suas amibições de Formula 1. Com a ajuda de Philippe, constroem o VPJ4, inspirado essencialmente no Lotus 72.

O projecto vai para a frente com a ajuda da Firestone, o fabricante americano de pneus, providenciado por Miletich, e a equipa marca a sua estreia nas rondas americanas de 1974. Contudo, os testes iniciais estavam a ser desastrosos, quando se descobriu que Andretti era mais lento que alguns carros de... Formula 5000! Contudo, decidiu-se modificar o carro, alterando a geometria da suspensão, colocando barras mais duras, com a ajuda externa de um jovem engenheiro chamado John Barnard. No GP do Canadá, em Mosport, o carro estava pronto para estrear, ao mesmo tempo que outra marca americana, a Penske, que decide arrancar da reforma Mark Donahue, amigo pessoal de Roger Penske.

O carro porta-se bem nos treinos, colocando-se a meio da tabela, e Andretti chegou ao fim no sétimo lugar, à porta dos pontos. Na corrida seguinte, em Watkins Glen, surpreende muita gente ao ser terceiro na grelha de partida, a meros 231 centésimos da pole-position. Contudo no dia seguinte, o carro tem problemas eléctricos, o que associado a ajuda externa para empurrar o carro, lhe valeu a desclassificação da corrida.

Estes resultados foram os suficientes para que a Parnelli arrancasse para uma temporada completa em 1975. Mas no inicio do ano, uma contrariedade perturba os seus planos: a Firestone decide abandonar o projecto após o GP da Argentina, deixando-os sem grandes alternativas. Mudaram rapidamente para a Goodyear, e o carro lutava no meio da tabela por lugares meritórios.

Pouco depois, o carro recebe uma nova entrada de ar e o desempenho melhora rapidamente. Após ter sido de novo sétimo em Interlagos, Andretti e a Parnelli participam no International Trophy de Silverstone, onde acabam num meritório terceiro lugar. E na corrida seguinte, no circuito catalão de Montjuich, Andretti brilha. Com um carro que funcionava bem nos circuitos de rua, mais irregulares para a suspensão suave que tinha, Andretti coloca o seu carro no quarto lugar da grelha e aproveita o caos que tinha sido o fim de semana catalão, onde alguns pilotos ameaçaram abandonar a corrida devido ás péssimas condições de segurança.

Na partida, Andretti se vê na confusão entre os carros da Ferrari, que abandonam, e o March de Vittorio Brambilla, mas consegue aguentar e continuar na segunda posição, atrás do Hesketh de James Hunt. Quando este abandona por despiste, Andretti torna-se no primeiro americano a liderar uma corrida num carro americano desde 1967, e o seu ritmo era grande, o suficiente para ganhar vantagem sobre a concorrência.

Contudo, na volta 16, a suspensão cede (provavelmente devido ao choque inicial com Brambilla) e bate no muro de protecção. Mas foi o sificiente para marcar a volta mais rápida, e essa foi uma corrida onde tudo aconteceu, acabando na volta 29 com um acidente ainda mais forte, quando a asa traseira do Hill de Rolf Stommelen cedeu e voou sobre uma área de espectadores, matando cinco deles.

Depois do carro ter sido modificado para correr em Indianápolis, voltou à competição no GP da Suécia, onde Andretti andou bem e terminou no quarto lugar, dando à equipa os seus primeiros pontos. Não corre na Holanda devido aos seus compromissos nos Estados Unidos, mas volta para o GP de França, onde termina a corrida no quinto lugar, conseguindo mais dois pontos. Era uma boa temporada para a equipa, mas Parnelli e Miletich não estavam com o espírito virado para a Formula 1, tanto mais que já não permitiram mais testes com o carro, pois lutavam para ser competitivos na USAC e na Formula 5000. Aliás, a partir desta altura, quem aguentava o projecto era Andretti e quando os testes foram proibidos, o desempenho do carro degradou-se.

Contudo, no final de 1975, deram mais uma chance e em Watkins Glen, Andretti começou a corrida da quinta posição, mas uma falha na suspensão na nona volta causou um fim permaturo no fim de semana de corridas. no final, a temporada até tinha sido boa para uma estreante, mas Parnelli e Miletich não tinham grande atenção em relação à Formula 1, pois era na América onde tinham feito nome. Essencialmente, este projecto era para as ambições de Andretti, que não era americano de nescimento, que queria marcar o seu nome na Formula 1. Contudo, avançaram para mais uma temporada, em 1976, com uma versão B do VPJ4.

A Parnelli não se inscreveu para a primeira corrida da temporada, no Brasil, mas apareceram na prova seguinte, na Africa do Sul. O carro portou-se bem e acabou a corrida na sexta posição, ganhando mais um ponto. Alinhou na prova seguinte, em Long Beach, mas no momento em que Andretti sentava no carro, um jornalista o abordou acerca do final do projecto, algo que ele... não sabia. A noticia foi recebida com choque, pois ele deixou o motor ir abaixo no momento da partida. Lá largou, mas no final só deu para 15 voltas, pois uma fuga de água ditou o abandono.

Com o final dessa corrida, Andretti e Parnelli foram cada um para o seu lado, com o americano a aceitar imediatamente um convite de Colin Chapman para substituir Ronnie Peterson na Lotus, e prosseguir a sua aventura na Formula 1 que lhe deu, duas temporadas mais tarde, o seu tão ansiado título mundial. Quanto a Parnelli, continuaram a marcar nome nos Estados Unidos durante o resto dos anos 70 e 80, especialmente quando desenvolveram um motor Cosworth Turbo, predecessor do Cosworth DFX, desenvolvido pela preparadora principal, com enorme sucesso na CART.

Ficha Técnica:

Chassis: Parnelli VPJ4
Projectista: Maurice Philippe
Motor: Cosworth V8 de 3 litros
Piloto: Mario Andretti
Corridas: 16
Vitórias: 0
Pole-Positions: 0
Voltas mais Rápidas: 1 (Andretti 1)
Pontos: 6 (Andretti 6)

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Vel%E2%80%99s_Parnelli_Jones_Racing
http://www.f1rejects.com/teams/parnelli/profile.html