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segunda-feira, 18 de maio de 2020

A imagem do dia

Há quarenta anos, a 18 de maio de 1980, Ian Curtis matava-se e o vulcão St. Helens decidiu entrar em erupção, num dos mais espectaculares da história em tempos recentes. Mas também nesse dia, um domingo, acontecia o GP do Mónaco, onde Carlos Reutemann foi o vencedor numa corrida que teve tanto de tenso como de espectacular.

E começou com o incidente que se vê na foto, onde Derek Daly "voou" contra os carros de Bruno Giacomelli (Alfa Romeo), Alain Prost (McLaren) e de Jean-Pierre Jarier (Tyrrell). Gilles Villeneuve e Nelson Piquet safaram-se de boa, pois no final acabaram por pontuar. E neste incidente, todos desistiram, mas não ficaram feridos.

Depois disto, foi um duelo entre Williams e Ligier. Alan Jones, Carlos Reutemann, Didier Pironi e Jacques Laffite, todos lutaram pela vitória nas complicadas ruas do Mónaco, esperando por um erro ou qualquer problema mecânico para poderem triunfar. E foi o que aconteceu: na volta 26, Jones desistiu com problemas no seu diferencial, deixando a liderança a Pironi.

Sem Jones, Reutemann começou a pressionar o francês, que duas semanas antes tinha vencido a sua primeira corrida na Formula 1, em Zolder. A pressão não era fácil, pois o argentino era incomodado pelo outro Ligier de Jacques Laffite. Pironi parecia estar a aguentar as intenções de Reutemann, mas na volta 54, perdeu o controle do seu carro e bateu na curva do Casino, à entrada da descida do Mirabeau, numa altura em que as núvens já cobriam Monte Carlo a ameaçavam chuva. 

No final, Reutemann levou a melhor, na sua primeira vitória em quase ano e meio, a primeira ao serviço da Williams - e a única do ano - na frente de Laffite e de Nelson Piquet. E para Jochen Mass e Emerson Fittipaldi, estes foram as últimas vezes que pontuaram nas suas carreiras. Tudo isto num dia de há 40 anos, nas ruas do Mónaco.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Doze inacreditáveis auto-eliminações (parte 1)


O GP de Espanha deste domingo, em Barcelona, ficou indelevelmente marcado pela eliminação de ambos os Mercedes logo na primeira volta, deixando para o resto do pelotão a oportunidade de brilhar, com o melhor a ser o jovem holandês Max Verstappen, que aos 18 anos de idade, se tornou no mias jovem vencedor de sempre num Formula 1, e logo na sua primeira corrida na Red Bull!

Contudo, este incidente onde os pilotos da mesma equipa levam a rivalidade até às ultimas consequências, prejudicando-se a si mesmos e à sua equipa, não é uma absoluta novidade na Formula 1. Aliás, nos últimos 40 anos, tem havido vários incidentes onde as aspirações de uma equipa terminam num só incidente, com um a ser eliminado por outro. E isso incluiu o acidente mais famoso da história da Formula 1, bem como mais algumas outras envolvendo campeões do mundo. E também na primeira volta.


Eis doze casos que aconteceram ao longo dos últimos 40 anos, numa matéria que vai ser dividida em duas partes.


1 - Montjuich 1975


Uma das corridas mais polémicas da história do automobilismo, devido às parcas condições de segurança, o GP de Espanha de 1975, o último a disputar no Parc Montjuich, foi também palco de uma incrivel auto-eliminação entre os pilotos da equipa dominante, ou seja, entre os Ferrari de Clay Regazzoni e... Niki Lauda.

No incidente, também houve mais algumas vitimas colaterais, como por exemplo o Parnelli de Mário Andretti, que sofreu um toque do March de Vittorio Brambilla, na confusão da partida. As consequências não foram imediatas, mas aconteceram algumas voltas mais tarde, quando a suspensão do seu carro cedeu, não sem ter feito a volta mais rápida. Quanto aos Ferrari, nenhum deles prosseguiu, mas não estragou a amizade entre eles, nem a caminhada de Lauda para o título mundial. 


2 - Mónaco 1980


Largar no Mónaco é sempre um procedimento complicado, e muitas das vezes, as corridas acabam na primeira curva para muita gente. E em 1980, a primeira curva foi nefasta para alguns pilotos, entre eles... os Tyrrell de Derek Daly e Jean-Pierre Jarier.

Na largada, o piloto irlandês falhou completamente a travagem e subiu para cima do Alfa Romeo de Bruno Giacomelli, levando consigo o McLaren de Alain Prost... e o outro Tyrrell de Jean-Pierre Jarier. O acidente eliminou esses quatro carros logo na curva de Ste. Devote, mas não causou feridos em particular. Apenas uma noite sem parar dos mecânicos para fazer os devidos reparos...


3 - Adelaide 1985


A última prova do campeonato de 1985 era uma estreia: o GP da Austrália, corrido nas ruas de Adelaide. Uma prova de atrito, vencida por Keke Rosberg, na terceira vitória consecutiva para os Williams-Honda, que começavam a mostrar o potencial que iriam largar no ano seguinte. A acompanhar estavam os Ligier-Renault de Jacques Laffite e Philippe Streiff.

Mas isso esteve muito perto de não acontecer. Na penultima volta, Streiff tentou uma manobra arriscada para passar o seu companheiro de equipa e chegar o mais à frente em termos de corrida. A manobra, que aconteceu no gancho, correu mal para ambos os pilotos, que acabaram com um pneu furado no caso de Laffite, e um braço da suspensão no caso de Streiff, mas ambos acabaram a corrida e conseguiram juntos dez pontos para a equipa de Guy Ligier. Mas Streiff (que conseguiu ali o seu único pódio da sua carreira) foi despedido da equipa francesa e foi correr no ano seguinte para a Tyrrell.


4 - Suzuka 1989


Primeira parte da "III Guerra Mundial", como chamam alguns dos entendidos. Em 1989, o duelo entre Ayrton Senna e Alain Prost tinha começado quando - alegadamente - o brasileiro não cumpriu um pacto com o francês sobre quem ficaria na frente naquela corrida. A partir dali, foi um duelo sem tréguas pelo comando do campeonato, favorável ao francês graças aos problemas mecânicos do brasileiro.

Mas na parte final do campeonato, Senna tentava recuperar alguma coisa, apesar de ter sido tocado por Nigel Mansell no GP de Portugal. O brasileiro ganhara em Jerez e precisava de vencer nas duas corridas que faltavam para ter uma chance de campeonato. Senna fizera a pole. mas Prost largou melhor na partida, ficando com o comando até que na volta 43, ao chegar à chicane, Senna tenta uma manobra de ultrapassagem, com o francês a "trancá-lo". Ele abandonou imediatamente o carro, mas Senna ficou dentro, voltando à corrida através da chicane, o que resultou depois na sua desclassificação.

Prost ficou com o campeonato, mas no ano seguinte, quando ambos voltaram a enfrentar-se na primeira curva da primeira volta, Prost já era da Ferrari e Senna estava ainda na McLaren.


5 - Monza 1993


Não é bem uma auto-eliminação, porque quando aconteceu, eles estavam a passar pela bandeira de xadrez, logo, contou o resultado, mas não poderemos deixar de referir o bizarro incidente entre Christian Fittipaldi de Pierluigi Martini nos metros finais do GP de Itália de 1993, ambos num Minardi. O sobrinho de Emerson Fittipaldi lutava pelo sétimo posto (que na altura não contava para os pontos) com o italiano Pierluigi Martini quando na reta da meta, ambos se desentenderam na trajetória e o carro do piloto brasileiro decidiu dar uma cambalhota no ar, perante o espanto de todos.

Felizmente, o Minardi caiu "de pé" e o brasileiro escapou incólume de um acidente que poderia ter acabado bem pior. Mas tem uma excelente história para contar aos netos!


6 - Mónaco 1995


Quinze anos depois da manobra que eliminou os Tyrrell, o Mónaco foi palco de mais confusão em Ste. Devôte, onde entre os eliminados estavam membros da mesma equipa. Na partida, Michael Schumacher e Damon Hill seguiram em frente, mas atrás, David Coulthard teve problemas e sofreu um toque que eliminou os Ferrari de Gerhard Berger e Jean Alesi, fazendo com que a corrida fosse interrompida.

Na realidade, o toque aconteceu porque o escocês estava a ser apertado pelos Ferrari naquela zona, e acelerou para se desembaraçar deles. Mas Alesi tocou na traseira do Williams, e este tocou no carro de Berger. No meio da confusão, os Ferrari também se tocaram um no outro. 

Contudo, os três pilotos tiveram sorte. A corrida ficou interrompida e cada um deles foi para os seus carros de reserva. Berger chegou ao fim no terceiro posto, enquanto que Alesi e Coulthard acabaram por desistir. 

Mas o azar entre pilotos da Ferrari não acabou só ali. Meses depois, noutra pista mítica do campeonato...


(continua amanhã)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A foto do dia (II)

O irlandês Derek Daly "voa" sobre alguns carros, entre os quais o Tyrrell do seu companheiro de equipa, o francês Jean-Pierre Jarier. Na largada daquela prova, em 1980 (faz hoje 35 anos), Daly chegou a Ste. Devôte e acabou por subir na traseira do Alfa Romeo de Bruno Giacomelli, acabando por levar atrás dele o McLaren de Alain Prost e o carro do seu companheiro de equipa, Jean-Pierre Jarier.

Gilles Villeneuve e Nelson Piquet por pouco não foram levados atrás, e Jochen Mass não ficou com uma roda no seu carro. Incrivelmente, os carros foram retirados da pista numa só volta, e não houve nem bandeiras amarelas, nem os carros tiveram de se apertar para passar ali. Isso só mostra que eles eram profissionais altamente treinados nestas situações. E falamos de um tempo em que os acidentes eram bem mais frequentes e as possibilidades de morte eram bem maiores.

Em suma, esta carambola não deu mais para umas fotografias espetaculares, para colorir os jornais desportivos do dia seguinte.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Bólides Memoráveis - Tyrrell 009 (1979-80)

O bólido que falo desta vez trata-se de uma das várias "cópias" que as equipas de Formula 1 fizeram para seguir o chassis dominante no seu tempo. O Tyrrell 009 foi uma tentativa de aproveitar o desenho do Lotus 79 para fazer um chassis tão eficaz como o carro de Colin Chapman, e de uma certa maneira, tornou-se num carro eficaz, embora sem dar as vitórias que a equipa de Ken Tyrrell deveria querer. 35 anos depois de ter corrido, hoje falo do Tyrrell 009.

Desenhado por Maurice Philippe, o modelo 009 era um monocoque feito de alumínio, com um motor Cosworth V8 acopolado a ela, e em muitos aspectos era praticamente um clone do Lotus 79, o que demonstrou que pouco ou nada se aproveitou do modelo anterior, o 008, também um desenho de Maurice Philippe. 

Contudo, copiar parece ter sido eficaz, pois o carro tornou-se num pontuador regular ao longo da temporada. Apresentado no inicio do ano em Paul Ricard, tinha uma dupla francesa como pilotos: Didier Pironi e Jean-Pierre Jarier, que tinha substituido Patrick Depailler, que tinha partido para a Ligier. Na primeira corrida do ano, na Argentina, ambos os carros entraram nos oito primeiros da grelha, embora nenhum deles tenha chegado ao fim. Os primeiros pontos foram conseguidos na corrida seguinte, no Brasil. quando Didier Pironi conseguiu o quarto posto, e na Africa do Sul, a terceira prova do ano, Jarier conseguiu melhor, sendo o terceiro classificado.

Em Zolder, opnde conseguiram um novo patrocinador, a fábrica de eletrodomesticos Candy, Pironi conseguiu novo pódio, um terceiro posto, algo que Jarier voltou a dar em Silverstone, a meio do ano, antes de ficar de fora por duas corridas, devido a lesão, e substituído por Geoff Lees na Alemanha, e por Derek Daly na Austria. Nas corridas americanas do final do ano, a equipa coloca um terceiro chassis para Daly, mas o destaque foi para Pironi, que conseguiu o quarto pódio do ano, um terceiro posto, em Watkins Glen.

Ao todos, estes pilotos ajudaram a Tyrrell a conseguir o quinto lugar no campeonato de construtores, com 28 pontos e quatro pódios, um desempenho semelhante ao que tinham feito no ano anterior, mas sem vitórias. O que não sabiam era que este desempenho só viria ser igualado... dez anos depois.

No inicio de 1980, Pironi vai para a Ligier, e no seu lugar veio Derek Daly, que viu confirmada a sua permanência, depois das três corridas feitas na temporada anterior. Na primeira prova do ano, em Buenos Aires, Daly recebe uma recompensa inesperada quando consegue o quarto lugar. O 009 ainda é guiado por Daly e Jarier em mais duas provas desse ano, até ser substituído pelo modelo 010.

Ficha Técnica:

Chassis: Tyrrell 009
Projetista: Maurice Philippe
Motor: Cosworth DFV V8 de 3 litros
Pneus: Goodyear
Pilotos: Jean-Pierre Jarier, Didier Pironi, Geoff Lees e Derek Daly
Corridas: 18
Vitórias: 0
Pole-Positions: 0
Voltas Mais Rápidas: 0

Pontos: 31 (Jarier 14, Pironi 14, Daly 3) 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Bólides Memoráveis - Williams FW08 (1982-83)

O carro que trago hoje foi a tentativa da Williams para se manter no topo, dpoies de terem tido uma história de sucesso com o FW07. Foi um chassis mais simples e tão eficar como o anterior, e mostrou-se ainda competitivo durante boa parte da sua segunda época, com um motor datado como o Cosworth V8, que perdeia progressivamente potência para os carros com motor Turbo. O Williams FW08, contudo, fez história ao dar a Keke Rosberg as suas primeiras vitórias e o título mundial, e também resultou numa variação que se tornou tão veloz que a FIA recompensou... banindo-o. A partir de agora, falo do Williams FW08.

No inicio de 1982, o FW07 já ia no seu terceiro ano. Depois de dois anos bem sucedidos, onde o carro foi guiado por Alan Jones e Carlos Reutemann, e que deu um título mundial de pilotos e dois de Construtores, o carro estava a dar os sinais de desgaste, e tinha de se pensar num sucessor. Patrick Head decidiu então desenhar o seu sucessor, com base num carro com sucesso garantido. Feito ainda em aluminio, disposto em colmeia, era uma evolução do chassis anterior, mas com uma nova frente, mais angulada, para que fosse eficaz arerodinâmicamente. Havia uma entrada de ar lateral, para refrigerar o motor Cosworth V8, e a caixa de velocidades ainda era de cinco marchas, construída pela Hewland. Em suma: um chassis simples e eficaz.

Em termos de pilotos, as coisas andavam agitadas dentro da equipa. Alan Jones decidiu retirar-se da competição, depois de ter vencido o campeonato em 1980, e Carlos Reutemann pensava fazer o mesmo, depois da equipa lhe ter ostensivamente deixado de o apoiar, após o episódio de Jacarépaguá, onde o argentino desobedeceu às ordens de Frank Williams para que cedesse o primeiro lugar a favor de Jones. Contudo, Frank Williams persuadiu-o a ficar na equipa em 1982, colocando a seu lado o jovem finlandês Keke Rosberg, vindo da Fittipaldi.

Contudo, Reutemann sai da equipa após o GP do Brasil, e depois de Mário Andretti ter corrido por uma vez, em Long Beach, o lugar foi para o irlandês Derek Daly, que tinha vindo da Theodore. O FW08 estreia-se em Zolder, onde às mãos de Keke Rosberg, faz uma boa corrida, terminando na segunda posição. O finlandês consegue novo pódio em Zandvoort, chegando ao fim na terceira posição, e aproveita esta sua regularidade para entrar na luta pelo título.

Em Brands Hatch, palco do GP da Grã-Bretanha, Rosberg consegue a sua primeira "pole-position" da carreira, onde apesar de não ter chegado ao fim, causa boa impressão. E com os azares a acontecer a Didier Pironi, especialmente depois do GP da Alemanha, Rosberg começa a ser encarado, a par de John Watson, como candidato ao título. Quase vence em Zeltweg, batido em cima da linha pelo Lotus de Elio de Angelis, mas em Dijon, palco de um extemporâneo GP da Suiça, por fim, o finlandês vence a sua primeira corrida da sua carreira. Em Las Vegas, última prova do ano, o finlandês é quinto classificado e conquista o título mundial.

Na pré-temporada, o FW08 sofre modificações para ficar em conformidade com os novos regulamentos, que fizeram abolir o efeito-solo, fazendo com que se construissem novos radiadores laterais, um chassis que ficaria conhecido como o a versão C, porque ao mesmo tempo, a versão B iria ser o desenvolvimento de uma ideia que tinha aparecido no ano anterior. Esse carro, com quatro rodas traseiras, tinha uma tração bastante superior aos demais e Patrick Head tinha por fim resolvido os problemas com a caixa de velocidades, o grande "handicap" deste tipo de carros. 

O FW08B poderia ser a grande arma que a equipa tinha contra os carros com motor Turbo, especialmente por causa da fenomenal aderência que tinha à saída das curvas mais lentas, mas pouco depois, a FIA decidiu que os carros tinham de ter apenas quatro rodas. Alguns argmentavam que tinha sido porque estava a ser muito mais veloz do que os carros de quatro rodas, mas Head refuta: "Era demasiado pesado por causa do "hardware" que trazia, e iria ser um desafio para fazer baixar o peso que tudo aquilo tinha. Mas alguém na FOCA disse que aquelas seis rodas iriam causar confusão nas boxes e iria disparar os custos, então, a FISA decidiu regulamentar que os carros de Formula 1 poderiam ter apenas quatro rodas". 

Assim sendo, coloca a versão C ao serviço de Rosberg e do seu novo companheiro de equipa, o francês Jacques Laffite, e faz uma boa exibição em Jacarépaguá, conseguindo a pole-position e acabando na segunda posição, mas pouco depois foi desclassificado, devido a uma confusão nas boxes, durante uma manobra de reabastecimento. O carro era menos veloz contra os motores Turbo, como o Renault e a Ferrari, mas nas pistas citadinas, mais lentas, o carro conseguia saer devidamente competitivo. Rosberg vence no Mónaco, perante chuva e uma excelente estratégia nas boxes, e é segundo em Detroit, batido pelo Tyrrell de Michele Alboreto, que viria a ser a última vitória de um motor Cosworth V8.

A partir da segunda metade do ano, o carro deixou de ser competitivo, pois a equipa decidiu apostar no novo chassis, agora com motor Turbo, pois a equipa tinha conseguido acordar com a japonesa Honda um contrato de fornecimento de motores a partir da temporada de 1984. Contudo, o novo carro ficou pronto antes, e estreou-se na última prova do ano, na Africa do Sul, ainda com mais um chassis FW08C nas mãos do seu piloto de testes, Jonathan Palmer, que se estreou no GP da Europa, em Brands Hatch.

Pouco tempo antes, a meio do ano, no circuito de Donington Park, Frank Williams decidiu ceder um dos chassis FW08 para dar a um jovem piloto de Formula 3 o seu primeiro contacto com a Formula 1. O seu nome era Ayrton Senna e nesse ano, estava a dominar o campeonato britânico, contra rivais como Martin Brundle. Frank Williams ficou impressionado com o desempenho de Senna, sabendo que iria ter futuro na categoria máxima do automobilismo. 

Ficha Técnica:

Chassis: Williams FW08
Projetista: Patrick Head
Motor: Cowsorth DFV V8 de 3 litros
Pneus: Goodyear
Pilotos: Keke Rosberg, Derek Daly, Jacques Laffite, Jonathan Palmer
Corridas: 27
Vitórias: 2 (Rosberg 2)
Pole-Positions: 2 (Rosberg 2)
Voltas Mais Rápidas: 0
Pontos: 80 (Rosberg 61, Laffite 11, Daly 8)
Títulos: Mundial de pilotos em 1982 (Keke Rosberg) 

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Bólides Memoráveis - Williams FW08 (1982-83)

Mais de dez anos após a sua estreia no pelotão da Formula 1, Frank Williams tinha finalmente o sucesso que tanto alcançava. Em 1979, tinha apresentado o FW07, que com as suas evoluções, tinha dado finalmente, em 1980 e 81, os seu primeiro título mundial de pilotos, através do australiano Alan Jones, e de construtores. Em 1981, as guerras internas entre Jones e o argentino Carlos Reutmann impediram-no de alcançar um segundo título mundial de pilotos, que caiu no colo de Nelson Piquet. No final desse ano, Alan Jones tinha decidido retirar-se da competição, e dado lugar a um jovem finlandês, vindo da Fittipaldi: Keke Rosberg.


O chassis FW08 desenhado por Patrick Head e Neil Oatley, era mais compacto do que o modelo anterior, para que tivesse uma maior eficiência aerodinâmica em termos de efeito-solo, já que as saias tinham sido banidas. Albergava um motor Cosworth V8 de 3 Litros, que já começava a ser pouco potente para os poderosos motores Turbo que vinham a caminho. Para além disso, tinham a já habitual caixa de cinco velocidades da Hewland.



Com os habituais atrasos no desenvolvimento do carro, aliado aos problemas politicos que a Formula 1 atravessava nessa altura, que culminaram no boicote das equipas inglesas ao GP de San Marino, o novo FW08 só se estreou no trágico GP da Belgica, em Zolder. Foi uma bos estreia, pois terminou a corrida na segunda posição, não muito longe do vencedor, John Watson. Ele e o irlandês Derek Daly (que tinha substituido Carlos Reutmann, após a sua saída da equipa, no Brasil) fizerem uma temporada que não foi muito proveitosa para a equipa, mas que se revelou um grande golpe de sorte para o finlandês.



Rosberg conseguiu a sua primeira "pole-position" da carreira em Brands Hatch, mas uma avaria no sistema de combustível o fez parar na volta 50. conseguiu mais dois pódios, na Alemanha e na Austria, perdendo a vitória por milímetros a favor do Lotus de Elio de Angelis, mas por fim, teve a sua chance de ganhar uma corrida na etapa seguinte, o circuito francês de Dijon-Prenois, que era palco do GP da... Suiça! No final, os azares alheios deram-lhe o título mundial, com 44 pontos, o primeiro que um finlandês alcançava na sua história.



Contudo, Frank Williams tinha problemas para resolver. Precisava de um motor Turbo, pois estes eram definitivamente mais pontentes do que os normais Cosworth aspirados. Enquanto não o conseguia, decidiu testar uma versão B do carro, com... seis rodas. Este "six wheeler", que dava muito mais tracção em curva, era um desenvolvimento de algo que tinham testado no ano anterior com o FW07. Quando começaram a bater recordes de pista em Donington e Paul Ricard, a FISA reagiu e baniu os "seis rodas" para 1983.


Assim sendo, converteu-se o FW08 para uma versão C, para acomodar as novas especificações. O fundo era plano, tinha pontões laterais, para fazer refrigerar o motor, mas a falta de um motor turbo os colocava em desvantagem face à concorrência. entretanto, Keke Rosberg tinha um novo companheiro, o francês Jacques Laffite.



Na primeira metade da temporada, Rosberg conseguia levar o carro regularmente nos pontos, e quando a oportunidade aparecia, não o desperdiçava. O melhor exemplo disso foi no Mónaco. No fim de semana, o mau tempo foi rei, mas quando a hora da corrida se aproximava, viu que não caia chuva, logo, decidiu partir com pneus "slick", enquanto que os outros iam com pneus de chuva. Esta aposta compensou, e na partida, ganhou um avanço que lhe deu uma improvável vitória. Ainda conseguiu mais um pódio, em Detroit, outro circuito citadino, mas na segunda metade da temporada, o carro já não tinha ritmo para apanhar ou acompanhar os carros com motor Turbo. No final da época, Frank Williams finalmente tinha o seu motor, proveniente da Honda, que tinha feito o seu regresso à Formula 1 através de um pequeno construtor, a Spirit. Com a marca japonesa, um novo capitulo da marca iria começar.


Chassis: Williams FW08

Projectista: Patrick Head e Neil Oatley

Motor: Cosworth DFV V8 de 3 Litros

Pilotos: Keke Rosberg, Derek Daly, Jacques Laffite, Jonathan Palmer

Corridas: 26
Vitórias: 2 (Rosberg 2)
Pole-Positions: 1 (Rosberg 1)
Voltas Mais Rápidas: 0
Pontos: 81 (Rosberg 62, Laffite 11, Daly 8)
Títulos: Campeão do Mundo de Pilotos em 1982 (Keke Rosberg)


Fontes:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Williams_FW08
http://www.ultimatecarpage.com/car/3240/Williams-FW08-Cosworth.html
http://4rodinhas.blogspot.com/2007/06/williams-fw08-keke-rosberg-1982.html

terça-feira, 18 de março de 2008

O piloto do dia - Derek Daly

Sem encontrar ninguém importante que faça anos hoje, decidi andar para trás no calendário para ver quem andou a comemorar o seu aniversário natalício. Quando descobri o Derek Daly, através do João Carlos Viana, para mim foi uma "mina de ouro". Não só pela sua história de vida, mas também porque há muito que queria fazer a sua biografia. Quanto ao "discreto", só se for por brincadeira, pois todos os irlandeses que conheci são todos menos calados. Afinal, foram eles que inventaram a cerveja Guiness...

Nascido a 11 de Março de 1953 em Dundrum, perto de Dublin (fez agora 55 anos), Derek Daly começou tarde a sua carreira automobilistica. Aos 17 anos começou a competir nos Stock Cars irlandeses, sendo campeão em 1972. Contudo, para continuar a correr, precisava de financiamento, e como era difícil arranjar, mudou-se para a Austrália... para trabalhar em minas de cobre! Depois de conseguir dinheiro suficiente voltou a Inglaterra em 1976 parra correr na Formula Ford inglesa e irlandesa, num Hawke.

Nesse ano, depois de ganhar o campeonato irlandês, participou no Formula Ford Festival, no circuito de Brands Hatch, que nesse ano ganhou o título de "Tribute to James", em homenagem a James Hunt, o campeão daquele ano. Corrido debaixo de chuva, Daly conseguiu ultrapassar todos os obstáculos e chegou à final, vencendo com categoria.

Isso foi o suficiente para que Derek McMahon, que tinha a sua própria equipa na Formula 3 inglesa, o contratar para a temporada de 1977. Correndo na BARC Series, e tendo como opositor um jovem brasileiro chamado... Nelson Piquet, Daly ganhou as cinco provas finais do campeonato, tornando-se campeão.O passo seguinte chamava-se Formula 2, e ele foi contratado pela Chevron para correr o Europeu. Nesse ano, mostra-se competitivo e ganha duas corridas em Itália (Mugello e Vallelunga), terminando o ano na terceira posição, atrás do italiano Bruno Giacomelli (campeão) e do suiço Marc Surer (vice-campeão).

Entretanto, o talento de Daly tinha sido captado por equipas de Formula 1, e a Hesketh precisava desesperadamente de dinheiro para sobreviver. Depois do Grande Prémio da Africa do Sul, houve uma corrida extra-campeonato, o BRDC International Trophy, no circuito de Silverstone. Eles convidam Daly para correr, e ele aceita. Numa pista totalmente encharcada, Daly surpreende tudo e todos ao liderar a corrida, logo na primeira volta! Infelizmente, ele despistou-se, devido à quebra do seu visor...

Mas ele já tinha dado nas vistas, e depois de três não-qualificações com o Hesketh, Daly mudou-se para a Ensign, e corria por eles quando o calendário da Formula 2 não coincidia com o da Formula 1. Aliás, Nelson Piquet teve a sua estreia na Alemanha porque nesse fim de semana, Daly estava a correr uma prova de Formula 2... no final do ano, no Canadá, conseguiu levar o seu Ensign a um sexto lugar final, numa corrida marcada pela chuva. Esse ponto deu-lhe o 19º posto final.

Em 1979, Daly repartiu a temporada entre a Formula 2, onde correr no Project Four de Ron Dennis, e a Formula 1, onde corria pela Ensign. Foi uma época mais ou menos frustrante, pois se na formula 2, somente ganhou uma prova, no final do ano, na Formula 1, o Ensign era cada vez mais um carro do fundo do pelotão, coleccionando não-qualificações. Contudo, no final do ano, Ken Tyrrell deu-lhe uma chance para correr no seu terceiro carro nos GP's do Canadá e Estados Unidos.

Em 1980, Daly torna-se piloto a tempo inteiro na equipa do "Tio Ken" e faz uma boa temporada, acabando em quarto lugar em duas ocasiões: Argentina e Inglaterra. Mas Daly foi protagonista em mais duas corridas daquele ano, pelas piores razões: no Mónaco, causou uma carambola que o atirou ao ar e provocou a desistência dele, do seu comapnheiro de equipa Jean-Pierre Jarier e do Alfa Romeo de Bruno Giacomelli. Na Holanda, protogonizou outro vôo, na famigerada Curva Tarzan, onde bateu no muro de pneus... e escapou ileso. No final desse ano, conseguiu seis pontos e ficou na 11ª posição do campeonato.

Em 1981, muda-se para a March, com o apoio da cerveja Guinness, mas foi uma mudança "de cavalo para burro". Não teve muitas chances de se qualificar, e o seu melhor foi um sétimo lugar na Grã-Bretanha. Em 1982, começa a temporada na Theodore, e as coisas caminhavam para outra época sem resultados de relevo, quando a sorte bateu-lhe à porta.

A Williams ficara sem Carlos Reutmann após o GP do Brasil, e tinham contratado Mario Andretti para correr o GP de Long Beach. Tendo apoiado o boicote da FOCA ao GP de San Marino, em Imola, Frank Williams sabia que precisava de alguém para secundar o finlandês Keke Rosberg. Virou-se para Derek Daly, que prontamente aceitou.

Depois de uma estreia discreta em Zolder, esteve quase a ganhar no Mónaco, numa das corridas mais confusas da Formula 1, onde ninguém sabia se haveria alguém a cortar a meta! Daly tinha tido um acidente no inicio da corrida, e ficou sem asa traseira e com a caixa de velocidades danificada. Contudo, conseguiu prosseguir mais ou menos bem até perto do fim, e todos achavam que ele iria cortar a meta em primeiro lugar, pois estava atrás de Riccardo Patrese e de Andrea de Cesaris, que tinham desistido antes. Só que a 300 metros da meta, a caixa de velocidades foi-se de vez e a sua melhor chance de ganhar esfumou-se. No final, classificou-se na sexta posição.



Continuou a conseguir regularmente classificações nos pontos, com três quintos lugares em Detroit, Zandvoort e Brands Hatch, e na última corrida do ano, em Las Vegas, foi sexto, protegendo Keke Rosberg dos ataques da concorrência, e ajudando-o a ser campeão do mundo, numa corrida ganha por Michele Alboreto. Contudo, essa seria a sua última corrida na Formula 1.

A sua carreira na Formula 1: 64 Grandes Prémios, em cinco temporadas (1978-82), 15 pontos.

Ainda em 1982, estreia-se na Formula Indy, e no ano seguinte, consegue qualificar-se pela primeira vez para as 500 Milhas de Indianápolis, onde seguia na nona posição quando o seu motor rebentou. No ano seguinte, após algumas boas prestações, sofre o seu pior acidente da sua carreira, na oval de Michigan. Parte os tornozelos, a pelvis, a perna direita, a mão direita e duas costelas, entre outras fracturas. Sofre várias cirurgias, e fica meses em fisioterapia, para além de sofrer várias cirurgias ao longo de três anos. contudo, regressará as competições e correrá na CART até 1989.

Após isso, para para os Sport-Protótipos, onde correr pela Jaguar, classificando-se em quarto lugar nas 24 Horas de Le Mans de 1988, e terganho pela Nissan, as 12 Horas de Sebring em 1990 e 1991. Após isso, retirou-se da competição e fixou residência nos Estados Unidos, onde se naturalizou americano. A partir de 1995, passou a ser comentador televisivo, primeiro na CBS Sports, e depois na ESPN, cobrindo a CART e a Formula 1.

Actualmente, é "motivational speaker" para a Motorvation, fundada por si, para além de dirigir a Derek Daly Academy, uma escola de pilotagem, onde Sylverster Stallone foi um dos seus alunos, quando se preparou para o filme "Driven" (sim, aquela comédia de filme sobre a CART...), e também ajuda a desenhar circuitos quer nos Estados Unidos, quer na América Latina.

Fontes: