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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

The End: Mário Poltronieri (1929-2017)

Mário Poltronieri, o mítico comentador televisivo da Formula 1 para a RAI italiana, morreu esta quarta-feira aos 87 anos na sua casa de Milão. Foi comentador dos Grandes Prémios por 23 anos, entre 1971 e 1994.

Nascido a 23 de novembro de 1929 na mesma cidade, o seu pai foi Alberto Poltronieri, um dos mais conhecidos violinistas do país,  foi piloto de automóveis na década de 50, especialmente na Abarth, onde foi piloto de testes. Entre 1954 e 57, ajudou a conseguir 112 recordes de velocidade pela marca, antes de passar para a televisão, especialmente a partir de 1961, num programa chamado "Ruote e Strade", onde ensinava dicas de condução. Com o tempo, passou para o comentário, primeiro no basket, depois naquilo no qual era o seu lugar, o automobilismo.

Em 1971, torna-se comentador dos Grandes Prémios de Formula 1, primeiro a solo, depois com outros colaboradores, desde o ex-piloto Clay Regazzoni até outros colegas como Ezio Zermiani, passando por Gianfranco Palazzoli, comentou mais de 400 Grandes Prémios ao longo da sua carreira, muitos deles terminando com vitórias da Ferrari, desde Jacky Ickx a Alain Prost, passando por Niki Lauda, Gilles Villeneuve, Michele Alboreto e Gerhard Berger, entre outros.

Mesmo depois de reformado, em 1994, Poltronieri continha a ser chamado para diversos programas na área, quer na RAI, que depois noutros canais, como a Eurosport. Mas o mais interessante é ver que em 1999 se envolveu na politica, nomeadamente nas eleições europeias desse ano, num partido do centro, liderado por Lamberto Dini. Contudo, não conseguiu ser eleito.

Com o tempo, Poltronieri teve a mesma aura mística que tem Murray Walker na Grã-Bretanha, Heinz Pruller na Áustria ou Galvão Bueno no Brasil. A sua longevidade e a sua voz entrou na mente de uma geração de pessoas que se sentava nas mesas das famílias daqueles domingos à hora do almoço, no centro da Europa. De uma certa forma, naquele país, é maus um pedaço da sua infância que se vai. Ars lunga, vita brevis, Mário. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O susto de Martin Brundle

Martin Brundle pode ter sido modesto na Formula 1, mas tem vitórias em Le Mans e uma carreira bem eclética noutras categorias do automobilismo, especialmente na Endurance. Depois de pendurar o capacete, decidiu ser comentador de Formula 1 na Sky Sports, acabando por ser um excelente comentador, do nível a que James Hunt foi nos anos 80 e 90 na BBC, ao lado de Murray Walker, tirando a parte do "politicamente incorreto"...

Pois bem, Brundle revelou por estes dias que teve um ataque cardíaco de menor grau durante o GP do Mónaco de 2016, quando ele correu para o pódio, onde iria ser o "speaker". "Tive um pequeno ataque cardíaco enquanto estava no pódio", revelou à Motorsport, enquanto estava no Autosport Imternational Show, em Birmingham. "Acabei depois por ser operado, colocando-me um "stent" de 23 milimetros no meu ventrículo esquerdo". 

Brundle, atualmente com 57 anos, ficou a recuperar o tempo suficiente parar correr numa das corridas de suporte das 24 Horas de Le Mans, onde acabou por fazer... a pole-position, a bordo de um carro de LMP3, terminando a corrida na segunda posição. Nada mau, quando ele correu contra pilotos com idade para serem seus filhos. Mas tudo isto aconteceu depois dos médicos o autorizarem a correr.

"Eu pensava que não poderia fazer a corrida [Road to Le Mans]. Mas o responsável da cardiologia disse para mim: 'Pode fazer a corrida. Apenas não esqueça dos seus anticoagulantes'.

"Então eu chamei Zak [Brown] e o Richard [Dean, chefe de equipa da United Autosports] - então fiz 75 voltas no carro da Palmer Sports. Tinha hematomas no meu peito, mas eu amo Le Mans e pensava: 'Eu não vou perder isso".

"Acabamos a corrida no segundo lugar, o que foi pena, mas dirigir um protótipo fora do pitlane em Le Mans é extraordinário. Você fica um pouco suado, fica um pouco assustado. Sinto falta desse sentimento. Vou fazê-lo novamente este ano, se eu conseguir uma nova chance.

"Eu converso com outros pilotos sobre isso, como DC [David Coulthard] e ele me diz 'Martin, cresça, você não é mais um piloto de corrida'. E Damon, e outros. Eu sou um pouco como Rubens Barrichello, eu mal posso esperar para voltar em um carro. Eu sou duro em relação a isso.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Youtube Motorsport Interview: Os 90 anos de Murray Walker

As lendas no automobilismo não são só os pilotos, os engenheiros ou dos diretores e fundadores de equipa. Por vezes são também as pessoas que nos levam as emoções de uma corrida, ou seja os apresentadores. Se o Brasil atura Galvão Bueno, na Grã-Bretanha, durante anos, ouviam Murray Walker. E hoje, ele comemora o seu 90º aniversário.

Atualmente na reforma, Murray Walker é lembrado com carinho e respeito pelos seus pares, especialmente com os comentários que fazia ao lado de James Hunt. E também as pessoas recordam com carinho os seus "murrayismos", ou seja, os momentos em que ele disse coisas que não deveria dizer...

Hoje, em entrevista ao podcast do James Allen, ele afirmou: “Não sinto ter 90 anos. Acho que quando tens uma paixão na vida, e para mim essa paixão é o automobilismo, é algo que te faz continuar. Estou em ótima forma e espero continuar por muitos mais anos no automobilismo".

E ele têm razão: no últimos tempos, Walker passou por problemas de saúde: uma fratura na bacia em junho, quando fazia um cruzeiro no Reno, na Alemanha, e pouco depois, detectaram-lhe um cancro abdominal na sua fase inicial, do qual esteve a fazer tratamentos para o debelar.

E hoje mesmo, o jornalista Mario Muth colocou no seu canal no Youtube uma entrevista com o próprio Walker, onde em cerca de uma hora, fala como tudo começou, e o que faz comentar sobre automobilismo, numa carreira que dura há mais de 60 anos.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Youtube Motorsport Video: os agradecimentos de Murray Walker

Como é sabido, Murray Walker, o mítico comentador da BBC, atualmente com 89 anos, passou por um mau bocado. No inicio de junho, escorregou num barco quando fazia um cruzeiro na Alemanha e fraturou a pelvis, e pouco tempo depois descobriu que tinha um cancro. Contudo, parece que as coisas estão bem melhores para ele. Quase curado da fratura, disse agora que o tratamento para o seu problema de saúde era tal que dispensava quimioterapia, o que são boas noticias. E demonstra que com a idade que têm, é mais rijo que se esperava.

Assim sendo, gravou uma mensagem que passou no fim de semana do GP húngaro, agradecendo o apoio prestado.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Algumas palavras sobre Murray Walker

De férias e com uma má Net, inevitavelmente postarei pouco neste espaço por estes dias. Mas ontem soube que o "gigantesco" Murray Walker, que fará 90 anos em outubro, foi-lhe diagnosticado um cancro linfático nas suas fases iniciais. O mítico comentador da BBC por mais de três décadas - reformou-se em 2002 - foi-lhe diagnosticado com a doença quando fazia exames após a sua queda num barco na Alemanha, fraturando a bacia.

Walker disse que o seu cancro foi apanhado nas fases iniciais e espera que terá uma rapida recuperação. Ele confia até nos genes, já que a sua mãe viveu até aos... 101 anos! Era engraçado ver o Tio Murray centenário, a comentar alguma corrida de 2024, provavelmente com algum dos pilotos do atual pelotão...

Walker é o equivalente inglês ao Galvão Bueno. Mas ao contrário do comentador brasileiro, ele abraçava os seus enganos que mandava no ar, em direto. Existem "t-shirts" de Walker com as suas frases miticas, do género: "Se não estou enganado... e estou MESMO enganado!" e a dupla que fazia com James Hunt, entre 1981 e 1993, ecoou nas mentes de toda uma geração.

Hoje em dia, posso dizer que não há um substituto de Murray Walker. Na Sky Sports, temos alguém nessa função como o David Croft, mas francamente não ligo muito nele quando temos alguém muito bom a comentar como o Martin Brundle. E com outros comentadores como Johnny Herbert, Damon Hill e Eddie Jordan, na Sky e o David Coulthard, na BBC, a função do profissional já não é tão importante como era no tempo de Murray Walker. Basta um bom piloto com bons conhecimentos de jornalismo.

Contudo, toda a gente reconhece que, apesar dos disparates que ele mandava, valia a pena ouvir Murray Walker naquelas tarde de domingo, da mesma forma que ouviam os acordes de "The Chain", dos Fleetwood Mac, pois sabiam que era o sinal do inicio da transmissão da BBC, e podiam ver os seus pilotos favoritos, fossem eles britânicos ou não. O Joe Saward resumiu a admiração existente a ele a uma frase: "tesouro nacional". E é verdade.  

domingo, 26 de maio de 2013

Noticias: Murray Walker sofre acidente na Alemanha

O jornalista britânico Maurice Hamilton deu a noticia esta tarde: o veterano - e lendário - comentador britânico Murray Walker foi esta tarde hospitalizado devido a uma queda num barco num cruzeiro pelo Rio Reno, na Alemanha. O lendário comentador da BBC, atualmente com 89 anos - vai fazer 90 em outubro - fraturou a pélvis e um dos joelhos e poderá ficar no hospital durante um mínimo de três semanas.

Walker, que comentou corridas desde a década de 60 até 2002, altura em que se retirou, fez uma dupla lendária com o ex-piloto James Hunt, entre 1981 e 1993, altura em que este morreu, vítima de ataque cardíaco.

Desejo ardentemente as rápidas melhoras a esta lenda das transmissões televisivas da Formula 1.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Nestes tempos, a experiência conta

Em 2010 saudamos o regresso da Sauber à competição, passada a fase da BMW. Relutantemente, o suiço Peter Sauber saiu da sua reforma dourada e meteu mãos á obra para manter de pé uma estrutura com mais de trinta anos, dezassete dos quais na Formula 1, num verdadeiro espírito garagista, só tendo paralelo com Sir Frank Williams.

Delegou responsabilidades em algumas pessoas, incluindo o seu filho Alex, e reactivou uma velha ligação, com a Ferrari, que lhe forneceu motores e caixas de velocidades. E escolheu para piloto um jovem muito promissor, de seu nome Kamui Koboyashi, imbuido ao que dizem de um verdadeiro espírito kamikaze, mas cujo talento é inversamente proporcional de um Yuji Ide, por exemplo.

Mas também escolheu como piloto titular um veterano muito experiente, principalmente em termos de testes: o veterano espanhol Pedro de la Rosa. A sua carreira pode não ter ido por ali além, pois somente tem um pódio e uma volta mais rápida, mas as dezenas de milhares de quilómetros que acumulou em testers, principalmente ao serviço da McLaren, fazem com que seja uma mais-valia para as equipas, numa era onde os testes estão reduzidos a pouco mais do mínimo, sendo impossibilitados de testar após o inicio da época, excepto se forem um novo piloto. De uma certa maneira, o regresso dos velhos pilotos à categoria máxima do automobilismo não acontece só por puro "marketing"...

Pedro Martinez de la Rosa faz hoje 39 anos. Quatro anos depois da sua última corrida na Formula 1, cuirosamente o mesmo GP do Brasil de 2006 onde Michael Schumacher se retirava temporariamente das pistas, está de volta ao trabalho como piloto titular em 2010, numa máquina que, pelos últimos testes, mostra ser algo bem feito, capaz de não passar vergonhas, e quem sabe, dar um ou outro pódio aos pilotos. Seria algo interessante para a carreira do actual presidente da GPDA (Grand Prix Drivers Association), cujo inicio numa Arrows, na já distante temporada de 1999, lhe proporcionou um ponto, o primeiro que a Espanha ganhou em onze temporadas, desde o sexto lugar de Luis Perez-Sala, no GP da Grã-Bretanha de 1989. Veio antes de Fernando Alonso, é certo, mas o seu prestigio em Espanha não saiu beliscado, tanto mais que nestes últimos tempos era o comentador técnico dos Grandes Prémios pelos canais televisivos Antena 3 e no La Sexta, ao lado de Antonio Lobato.

Cumpleãnos Feliz, Pedro! E boa sorte para 2010.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O piloto do dia - Martin Brundle

Na Formula 3, foi o maior rival de Ayrton Senna. Na Formula 1, nunca foi mais do que um bom piloto de segunda linha, mas nos Sport-Protótipos foi um dos melhores da sua categoria, correndo na Jaguar e tornando-se campeão do Mundo de Sport-Protótipos e vencendo as 24 Horas de Le Mans. Actualmente, depois da sua retirada competitiva, cuida da carreira do seu filho, enquanto comenta a Formula 1 na BBC. No dia em que comemora o seu 50º aniversário, é dia para falar acerca de Marin Brundle.

Nascido a 1 de Junho de 1959 na cidade de King’s Lynn, Brundle começou a correr aos 12 anos, quando modificou um Ford Anglia para começar a correr numa pista de rallycross perto da sua casa. Mais tarde, começou a correr em Turismos, algo fora do vulgar para um piloto de monolugares, mas teve a sua chance em 1979, ao correr na Formula Ford 2000. No final desse ano, teve a ousadia de escrever uma carta a um dos melhores pilotos de então, Tom Walkinshaw. O seu objectivo era o de correr um dos seus carros, um BMW. Walkinshaw gostou da carta e concordou.

Em 1980, Brundle venceu o campeonato de Formula Ford 2000, mas a falta de patrocínio para evoluir nos monolugares fez com que corresse de novo nos Turismos, num Audi da equipa de Stirling Moss. Mas não desistiu dos monolugares e em 1982 transferiu-se para a Formula 3. Após um ano de adaptação, parecia que a temporada de 1983 poderia ser de consagração. Mas deu de caras com um rival muito bom: o brasileiro Ayrton Senna.

Senna, pilotando pela West Surrey Racing, e Brundle, pela Eddie Jordan Racing, competiram numa temporada onde as suas rivalidades em pista entraram para a história desse campeonato. Senna ganhou as nove primeiras corridas da temporada, sempre com Brundle na segunda posição. Nunca desistindo, o piloto inglês procurou a sua primeira vitória na competição, e conseguiu-a na décima ocasião, provando que o piloto brasileiro podia ser batido. O inglês e o brasileiro competiram pelo título até à última corrida do ano, quando Senna levou a melhor. Mesmo assim, ambos conseguiram o que queriam: a entrada na Formula 1.

Ken Tyrrell sempre procurou pilotos rápidos e jovens para a sua equipa, e viu em Brundle um excelente piloto para complementar com o alemão Stefan Bellof. Ambos iriam competir na única equipa que não tinha motores Turbo, mas a sua rapidez compensava a pouca potência dos carros. Estreou-se no GP do Brasil de 1984, e cedo começou a marcar pontos, sendo o seu melhor resultado um segundo lugar no GP de Detroit. Mas no final dessa corrida, os comissários de pista viram o seu carro e verificaram que este se encontrava abaixo do peso regulamentado. A FISA decidiu desclassificar os carros durante toda a temporada e os pontos de Brundle foram-lhe retirados. Contudo, nessa altura, estava em convalescença devido a um acidente feio em Dallas, onde durante a sessão de treinos embateu o seu carro no muro e fracturou ambos os tornozelos.

No ano seguinte, continuou na Tyrrell, primeiro com motores Cosworth e depois com o Renault Turbo, mas ele foi incapaz de marcar qualquer ponto, enquanto que os seus companheiros Bellof e o italiano Ivan Capelli fizeram-no. Mas em 1986, conseguiu oito pontos ao serviço da Tyrrell, com o melhor resultado um quarto lugar na última prova do ano, na Austrália.

Em 1987, Brundle passa para a alemã Zakspeed, onde com um carro que não lhe dava possibilidades para rodar com os pilotos da frente, consegue apenas dois pontos, em Imola, que viriam a ser os únicos da história da construtora.

Nesse mesmo ano, o piloto inglês, sempre a necessitar de fundos para prosseguir a sua carreira, decidiu tentar a sua sorte nos Sport-Protótipos. Foi para a equipa oficial da Jaguar, onde participou pela primeira vez nas 24 Horas de Le Mans, com o dinamarquês John Nielsen. Não terminou a corrida. Em 1988, sem qualquer lugar na Formula 1, continua na equipa oficial da Jaguar, e venceu cinco das onze provas (Jarama, Monza, Silverstone, Brands Hatch e Fuji), mas não conseguindo vencer nas 24 Horas de Le Mans. Mas mesmo num ano sem Formula 1, Brundle deu um salto para substituir um adoentado Nigel Mansell, no GP da Bélgica. Brundle terminou em sétimo lugar.

Em 1989, passa para a Brabham, que tinha voltado à Formula 1 após um ano de ausência, e conseguiu quatro pontos para a marca. Mas esta foi uma passagem temporária, pois em 1990 voltou para os Sport-Protótipos, ao serviço da Jaguar, venceu as 24 Horas de Le Mans, em conjunto com John Nielsen e o americano Price Cobb. No campeonato, Brundle ganhou em silverstone e conseguiu 19 pontos, numa temporada dominada pelos protótipos da Sauber-Mercedes.

Em 1991, regressa à Formula 1, e de novo ao serviço da Brabham, ao lado de Mark Blundell, que viria depois a ser seu amigo e parceiro de negócios na empresa 2MB, que detêm juntos actualmente. Brundle consegue dois pontos na penúltima prova do ano, no Japão, que foram os últimos pontos da equipa na história da Formula 1. No final do ano, foi contratado pela Benetton para ficar ao lado do jovem alemão Michael Schumacher. Ao fim de oito anos, e então com 32 anos, Brundle tinha finalmente um bom carro para poder andar maias constantemente nos lugares da frente. Foi em 1992 que conseguiu os seus primeiros pódios da carreira, com o melhor resultado um segundo lugar em Monza. No final do ano, conseguiu 38 pontos e o sexto lugar do campeonato, a sua melhor classificação de sempre.

Em 1993, passa para a Ligier, onde consegue mais um pódio em Imola, e a terminar o ano com 13 pontos e o sétimo lugar final. No ano seguinte passa para a McLaren, substituindo na equipa o seu rival Ayrton Senna. Numa época de transição, com motor Peugeot e com Mika Hakkinen a seu lado, conseguiu um segundo lugar no Mónaco, 15 dias depois da morte do seu rival na Formula 3. No final desse ano conseguiu 16 pontos e o sétimo lugar final. Volta à Ligier em 1995, onde tem de partilhar o lugar com o japonês Aguri Suzuki. O seu melhor resultado foi um terceiro lugar em Spa-Francochamps, e os sete pontos conquistados valeram-lhe o 13º lugar final.

Em 1996, passa para a Jordan, onde corre ao lado de Rubens Barrichello. Na primeira prova do ano, apanha o susto da sua vida: na primeira volta do GP da Austrialia, que se estreava no circuito de Melbourne, uma travagem mal calculada faz com que salte por cima do McLaren de David Coulthard e o seu carro desfaz-se em dois. Incrivelmente, Brundle sai ileso do acidente. Até ao final do ano, Brundle consegue oito pontos e o 11º lugar final. No GP do Japão desse ano, Brundle, então com 37 anos, chega ao final da corrida na quinta posição. Viria a ser a sua última corrida na Formula 1.

A sua carreira na Formula 1: 158 Grandes Prémios, em doze temporadas (1984-89, 1991-96), nove pódios, 98 pontos no total. Para além disso, tem seis vitórias no Mundial de Sport-Protótipos, bem como o título mundial em 1988. Foi também vencedor das 24 Horas de Le Mans em 1990, ao serviço da Jaguar.

Após a sua carreira competitiva na Formula 1, Brundle continuou nos Sport-Protótipos, onde correu as 24 horas de Le Mans até 2001 por equipas como a Bentley, Nissan e Toyota, com o objectivo de conseguir uma segunda vitória, algo que nunca conseguiu. Por essa altura, tinha começado a sua segunda vida como comentador na BBC. Tinha começado em 1989 e quando a Formula 1 passou para a ITV, seguiu-os e tornou-se co-comentador ao lado do legendário Murray Walker, fazendo análise ás corridas de uma forma tão boa ou melhor do que James Hunt. Os seus comentários valeram-lhe a eleição como melhor comentador desportivo por quatro vezes, entre 1998 e 2006. Para além disso, trabalhou no British Racing Drivers Club. Também foi manager de David Coulthard e agora está concentrado na carreira do seu filho Alex Brundle, que neste momento é piloto de Formula 2.

Fontes:


http://en.wikipedia.org/wiki/Martin_Brundle
http://www.grandprix.com/gpe/drv-brumar.html
http://www.itv-f1.com/ITVTeam_Bio.aspx?name=Martin_Brundle

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Noticias: BBC já divulgou a sua lista de comentadores

A BBC, cadeia britânica que no próximo ano vai voltar a transmitir os Grandes Prémios, divulgou ontem a sua lista de comentadores de Formula 1, constituida por cinco elementos. Para além de Martin Brundle e Johnatan Legard, que eram os comentadores regulares da ITV, também o ex-patrão da Jordan, Eddie Jordan, e o ex-piloto da Red Bull e da McLaren, David Coulthard, farão parte da equipa.

"A paixão pelo desporto ainda está muito viva e, como tal, fiquei muito entusiasmado com a hipótese de partilhar a minha visão e as minhas experiências através da cobertura da BBC", afirmou Coulthard no comunicado da cadeia de televisão.

Mas o melhor reservo para o fim. A BBC anunciou também que o mítico comentador Murray Walker irá participar nas transmissões televisivas, numa "presença regular". Recorde-se que Walker tem agora 85 anos...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Ele está de volta!

Pois é, meus amigos! Murray Walker, o legendário comentador inglês de Formula 1, vai sair temporariamente da sua reforma dourada, para comentar a Silverstone Classic, uma corrida de carros antigos que se vai passar no mitico circuito inglês.




O comentador, agora com 84 anos, dedicou mais de 50 anos à "causa" da F1, com "tiradas" absolutamente inesquecíveis, vai falar aos microfones da Motors TV no mesmo sitio onde começou a comentar, há quase 60 anos(!) "Estou contente por regressar ao local onde, em 1949, realizei o meu primeiro comentário ao vivo, e logo com aqueles magníficos carros que tantas vezes falei durante todos estes anos.", referiu.


Os comentários dele, sempre espirituosos, deram origem a algo que mais tarde foi chamado de "Murrayismos", onde se define como frases absolutamente dispratados acerca de situações ocorridas no "calor do momento". Alguns desses belos exemplos podem ser vistos aqui, ou mesmo este, ocorrido em 1986, no Autódromo do Estoril.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

O piloto do dia - James Hunt

Na semana em que se disputa o GP de Inglaterra, é altura de contar a história de um dos mais “coloridos” pilotos de sempre da Formula 1, que teve uma alcunha que rimava com “desastre” e que no final da sua carreira foi, provavelmente, o melhor ajudante que Murray Walker jamais teve. Falo-vos de James Hunt, um dos campeões do mundo mais inesperados de todos os tempos, mas que o mereceu inteiramente!

James Simon Wallis Hunt nasceu a 29 de Agosto de 1947 (se tivesse vivo teria 59 anos). Era filho de um corretor da bolsa bem sucedido, logo teve educação nos melhores colégios ingleses. A sua intenção era de licenciar-se em Medicina, mas aos 18 anos, foi ver uma prova de carros e ficou apaixonado. Começou a correr com um Mini Cooper modificado, e depois passou para a Formula Ford e Formula Três. Foi aí que o seu estilo rápido e agressivo levou a alguns acidentes espectaculares, fazendo com que ganhasse uma alcunha para o resto da sua vida: “Hunt the Shunt” (Hunt, o acidentado).


Um episódio para acrescentar à sua lenda, contada na versão inglesa da Wikipédia: em 1970, numa prova em Crystal Palace, Dave Morgan colocou Hunt fora da pista. Este, furioso, foi ter com Morgan e esmurrou-o! Apesar das fortes críticas pela sua atitude, nada de especial foi feito.


Aos poucos, competiu na Formula 3, e depois na Formula 2. Em 1972, conhece Alexander Hasketh, um jovem Barão com muito dinheiro e pouco juízo. Era a parceria perfeita, que os levou á Formula 1. Compraram um March de Formula 2 e outro de Formula 1, fazendo com que em 1973, Hunt fizesse dois campeonatos, com relativo sucesso. A estreia de Hunt foi no GP do Mónaco, onde não acabou a corrida, mas em França, terminou a prova em sexto lugar. Mas o melhor estava para vir: um terceiro lugar na Holanda e um segundo em Watkins Glen fizeram com que Hunt terminasse em oitavo lugar no campeonato, com 14 pontos e dois pódios.


Em 1974, Hunt e Hesketh, juntamente com Harvey Poselwaithe, criaram a Hesketh, que não foi levado muito a sério pelos seus rivais. Por incrível que pareça, o dinheiro gasto para construir e manter uma equipa de Formula era migalhas para a fabulosa fortuna de Lord Hesketh, cujo estilo de vida abalou fortemente a Formula 1 da altura: festas regadas a álcool e mulheres, onde Hesketh levava o seu iate privado e o seu Rolls-Royce aos circuitos, para espanto da audiência. Hunt não ficava atrás: para além de ser um ávido fumador e bebedor, o seu gosto por mulheres era insaciável. Chegou até a colocar no seu fato a seguinte frase: “Sexo – o Pequeno-Almoço dos Campeões.”


Mas os resultados de Hesketh e Hunt cedo deixaram os seus adversários pensar: ganhou o BRDC International Trophy, em Silverstone, uma prova extra-campeonato, que espantou os seus correligionários, e nas provas oficiais, conseguiu três pódios, obtendo no total 15 pontos e o oitavo lugar da classificação geral.


Mas foi em 1975 que Hunt e Hesketh alcançaram o auge. A vitória no GP da Holanda mostrou que apesar do seu estilo de vida, Hunt era mesmo um piloto talentoso. O britânico conseguiu mais três pódios, acabando a temporada no quarto lugar, com 37 pontos.


Contudo, a fama teve um preço: Hesketh estava a ficar sem dinheiro e tinha dificuldade em arranjar patrocínios. Hunt pensava que a sua vida iria ficar para trás quando a McLaren procurava um substituto para Emerson Fittipaldi, que tinha saído da equipa para ajudar na aventura brasileira da Copersucar-Fittipaldi.


Em 1976, Hunt chaega à McLaren, e este torna-se no seu melhor ano da sua carreira. Transforma-se no maior rival de Niki Lauda - que fora das pistas era um dos seus melhores amigos - e os duelos tornam-se épicos. Apesar de ter começado mal a temporada, ganha em Espanha, depois de uma primeira desclssificação, devido a protestos par parte da Ferrari. Vence novamente em França, e é desqulificado em Inglaterra, depois de ter provocado uma carambola na primeira curva do circuito de Brands Hatch.


Mas a partir de Nurburgring, quando Niki Lauda tem o seu acidente quase fatal, que as suas (pequenas) esperanças de ganhar o título mundial se engrandecem. Nas seis provas seguintes, ganha quatro, enquanto que Lauda, depois do seu dramático regresso em Monza (onde foi quarto), o melhor que consegue é um terceiro lugar em Watkins Glen. Na última prova, no circuito japonês de Fuji, sob forte tempestade, Lauda encosta à "box" e abandona volutáriamente, enquanto que Hunt consegue navegar à chuva para ser terceiro, e ganhar o título mundial por um ponto (69 pontos - belo número... - contra 68 de Lauda).


Para além das seis vitórias, o inglês conseguiu mais duas presenças no pódio, oito "pole-positions" e duas voltas mais rápidas. tinha conquistado o direito de usar o numero 1 na temporada de 1977.

Nesse ano, o M23 foi bom, mas não conseguiu superar os Ferrari de Niki Lauda e Carlos Reutmann, em melhor forma. Mesmo assim, Hunt ganhou nos circuitos de Silverstone, Watkins Glen e Fuji. Ainda foi mais três vezes ao pódio e fez mais seis "pole-positions" e três voltas mais rápidas. No final do campeonato, classificou-se na quarta posição, com 40 pontos, a 32 pontos do campeão, Niki Lauda.


As coisas em 1978 pioraram muito na McLaren, com o aparecimento do Lotus 79, com o efeito-solo no seu auge. o M26, que substituiu o M23, não estava preparado para tal coisa, apesar de ter sido renovado a meio da época, e a motivação de Hunt começou a decair. O melhor que conseguiu foi um terceiro lugar em França, o único pódio na época. No final da época, tinha conseguido somente oito pontos e o 13º lugar na classificação, com um pódio.


Para piorar as coisas, em Monza, o seu eventual substituto e amigo Ronnie Peterson tem um acidente grave, e irá morrer no dia seguinte. Hunt é um dos pilotos que tira Peterson do carro em chamas (os outros foram Clay Regazzoni e Hans Stuck), e culpa o novato Riccardo Patrese, da Arrows, pelo sucedido. A coisa foi tão bem sucedida, que o italiano é impedido de participar em Watkins Glen. Ora, o acidente tinha sido provocado... pelo próprio Hunt, que iniciou a sequência destruidora, ao bater no carro de Patrese e em consequência, no Lotus do infortunado piloto sueco.

No final da época, Hunt muda-se para a Wolf, como substituto de Jody Scheckter, que tinha emigrado para a Ferrari. Mas a sua motivação estava em baixo, bem como a sua vida pessoal, que estava numa fase turbulenta (estava em período de divórcio). Para piorar as coisas, o carro não era competitivo. Após o GP do Mónaco, onde não conseguiu terminar, decide largar de vez a Formula 1. Tinha 31 anos.


A sua carreira na Formula 1: 93 Grandes Prémios, em sete temporadas, Campeão do Mundo em 1976, dez vitórias, 14 pole-positions, oito voltas mais rápidas, 23 pódios, 187 pontos no total.


A sua vida na pós-Formula 1 foi turbulenta. Debateu-se ao longo da década de 80 com problemas de alcoól e depressão, muitos ods seus negócios falharam, o que fez com que ficasse à beira da bancarrota. Mas ao mesmo tempo, tornara-se comentador da BBC nos Grandes Prémios, ao lado de Murray Walker. Os seus comentários eram no mínimo... coloridos, e muitas das inimizades dos seus tempos de piloto ainda ecoavam. Por exemplo: só dizia mal de Riccardo Patrese, muito tempo depois do acidente de Peterson, ou uma vez afirmou que o estilo de condução de René Arnoux, então num fim de carreira inglório na Ligier, como "sendo uma m****". Em directo!


Mas no final da sua vida, o seu estilo já era muito mais calmo. Tinha largado o alcóol e deixara de fumar tido dois filhos e a vida estabilizada, e um dos seus "hobbys" era a criação de pássaros. Mas isso não foi suficiente. Morreu a 15 de Junho de 1993 na sua casa em Wimbledon, nos arredores de Londres, de ataque cardíaco. Tinha 45 anos.


E eis a vida de um dos mais polémicos e carismáticos pilotos do seu tempo. As suas excêntricidades foram lenda no seu tempo (costumava levar o seu cão a restaurantes caros em Londres) e foram copiadas nos tempos que se seguiram. Dois dos pilotos que nos tempos mais recentes foram comparados a Hunt foram Eddie Irvine e David Coulthard.