sábado, 10 de julho de 2021

Formula E: Gunther foi o melhor na primeira corrida em Nova Iorque


Max Gunther foi o melhor na corrida deste sábado em Brooklyn, nos arredores de Nova Iorque. O piloto alemão foi melhor que Jean-Eric Vergne, na sua DS Techeetah, e Lucas di Grassi, no Audi. Quanto a António Félix da Costa, ficou fora dos pontos, na 12ª posição, mas não perdeu muitas posições no campeonato porque Edoardo Mortara também não pontuou. 

Com pouco mais de metade do campeonato, Mortara tinha um avanço de dez pontos sobre Robin Frijns e 12 sobre António Félix da Costa e René Rast. 


Na partida, Cassidy saiu bem, com Lynn que falhou a travagem, fazendo-o perder algumas posições. Com isso Vergne aproveitou bem e ficou com o segundo posto. As coisas ficaram assim nos primeiros cinco minutos, com Buemi a conseguir subir para terceiro. O primeiro a ir ao Attack Mode foi Alex Lynn, que o fez cair para oitavo. Recuperou apenas um lugar para Wehrlein, numa altura em que Max Gunther de Lucas di Grassi também iam ao Attack Mode.

Quando faltavam 35 minutos, Cassidy foi ao Attack Mode, reagindo à pasagem de Vergne por lá na volta anterior. Ele manteve o comando, mas o francês preseguia-o, tentando surpreendê-lo nalguma travagem. Quase ao mesmo tempo, Lynn voltava a passar pelo Attack Mode, para não perder tempo e lugares.

No minuto 14 da corrida, Wehrlein e Lynn bateram forte na travagem para o gancho, perdendo posições. Wehrlein terminou ali a sua corrida, enquanto o piloto da Mahindra perdia posições, mas o carro estava intacto. Mais ou menos nessa altura, Di Grassi ia pela segunda vez ao Attack Mode, passando Buemi para ser quarto. 

A 27 minutos do final, o Jaguar de Mitch Evans estava parado no primeiro sector, devido a, aparentemte, problemas técnicos. Havia bandeiras amarelas por agora, mas a corrida prosseguia. Mas três minutos depois, a organização decidiu colocar momentaneamente a corrida em Full Course Yellow. Quando voltou, Cassidy aguentava Vergne, com Frijns a passar Buemi, para ser sexto. 

A quinze minutos, foi a vez de Jake Dennis que abrandou devido a problemas técnicos do seu carro, ao mesmo tempo que Alex Sims foi o maior prejudicado numa tentativa musculada de ultrapassagem. Na frente, Cassidy aguentava Vergne, Gunther e Di Grassi. 

Perto do final, Vergne ataca Cassidy no gancho para a liderança, mas quem aproveitou foi Gunther, que ficou com o comando. Cassidy cai para quarto, com Di Grassi a atacar o comando, mas não saiu de terceiro. Até à bandeira de xadrez, não houve alterações, e Max Gunther conseguiu a sua primeira vitória, na frente de Vergne e Di Grassi. 

Na classificação geral, Mortara continua na frente, mas agora tem a companhia de Robin Frijns, ambos com 72 pontos. Vergne é o terceiro, com 68. A próxima corrida acontecerá amanhã. 

Formula E: Nick Cassidy foi o melhor na qualificação nova iorquina


O neozelandês Nick Cassidy, da Virgin, foi o melhor na primeira qualificação americana, que aconteceu nesta tarde em Brooklyn. Ele conseguiu ser mais veloz que Sebastien Buemi, mas um erro do piloto suíço na sua volta decisiva, deitou tudo a perder. Quanto a António Félix da Costa, no seu DS Techeetah, não conseguiu melhor que o 13º posto da grelha, um lugar na sétima fila, bem melhor que Edoardo Mortara, o atual líder, que bateu e acabou com o último tempo da qualificação.

Com qualquer um a ter uma grande chance de liderança, depois de ter saído de Puebla com os primeiros ao alcance de uma mera vitória, a qualificação americana iria ser bem interessante para saber quem se sairia melhor na luta pelo título. 

Para o Grupo 1, que tinha Edoardo Mortara, Robin Frijns, António Félix da Costa, René Rast, Mitch Evans e Nyck de Vries, todos decidiram sair cedo para a pista, para fazer pelo menos duas voltas, excepto o piloto português, que fez uma. Contudo, foi Frijns que saiu melhor, 0,1 segundos mais lento que Félix da Costa. Mortara foi o pior de todos e ele, definitivamente, não iria participar na SuperPole.

No Grupo 2, com toffel Vandoorne, Jake Dennis, Oliver Rowland, Jean-Éric Vergne, Sam Bird e Pascal Wehrlein, havia dúvidas sobre a presença de Bird, que se acidentara no primeiro treino livre, mas ele fez a suas voltas. Contudo, azar dos azares, o Nissan de Rowland bateu forte na traseira dele e ambos ficaram de fora. Bandeiras vermelhas por parte dos comissários, e nova tentativa para os pilotos desse grupo. Ali, Jean-Eric Vergne brilhou, marcando um tempo 0,4 melhor que o de Robin Frijns. 

Para o terceiro gripo, com Lucas Di Grassi, Nick Cassidy, Alexander Sims, Alex Lynn, Maximilian Günther, André Lotterer, os pilotos andaram bem distantes uns dos outros para evitar surpresas desagradáveis. Cassidy foi o melhor nesse grupo, mas não bateu Vergne na geral, Max Gunther ficou a seguir.

A parte final, com os pilotos que sobraram - Oliver Turvey, Sérgio Sette Câmara, Sébastien Buemi, Norman Nato, Tom Blomqvist, Joel Eriksson - houve uma surpresa agradável, com Buemi a fazer o melhor tempo desta qualificação. Mas foi o único que avançou. 

Na SuperPole, entraram Buemi, Vergne, Wehrlein, Cassidy, Gunther e Lynn.

Aqui, o primeiro na pista foi o piloto britânico da Mahindra, onde conseguiu 1.09,538, um tempo razoável. Aguentou Gunther, que foi 76 centésimos mais lento, mas Nick Cassidy fez um tempo canhão que o colocou na pole, com 1.09,338. Vergne e Wehrlein também foram à pista para o tentar deslojar, mas sem sucesso. Assim, o piloto da Virgin conseguiu levar a melhor pela primeira vez na temporada. 

sexta-feira, 9 de julho de 2021

A imagem do dia


A grande ironia da carreira de Carlos Alberto Reutemann, morto esta quarta-feira aos 79 anos de idade, é que ele nunca ganhou na sua Argentina natal. Teve aquela quebra que partiu o coração de muitos em 1974 quando ficou sem gasolina a duas voltas do final e quando liderava confortavelmente, e o seu grande desgosto quando em 1980, também teve problemas e desistiu, quando parecia que a vitória era uma forte possibilidade. Mas em compensação, conseguiu quatro pódios, incluindo dois segundos lugares em 1979 e 1981, este numa corrida ganha por Nelson Piquet, e no dia do seu aniversário natalício, 12 de abril.

Mas em contraste, tem quatro vitórias no Brasil. Triunfou primeiro em 1972, em Interlagos, na corrida experimental que todas as provas tinham de passar para serem aceites no calendário. No seu Brabham, e no rescaldo da pole-position que tinha feito umas semanas antes em Buenos Aires, aproveitou a desistência de Emerson Fittipaldi para chegar ao lugar mais alto do pódio. Depois, a sério, acabaria por ganhar em 1977, 78 e 81, todas elas com significado. Sobre as edições de 1978, em Jacarépaguá e com todo um público a gritar "quebra! quebra!" porque atrás dele estava o Copersucar de Fittipaldi, e a de 1981, que acabou com um acto de desobediência que ficou na história da Formula 1, já foi falado e será até ao fim dos tempos. Então, hoje se dedica a falar sobre a edição de 1977, em Interlagos.

No rescaldo da surpreendente vitória de Jody Scheckter em Buenos Aires, com Reutemann a chegar em terceiro, atrás do Brabham de José Carlos Pace, a Formula 1 estava em Interlagos, num janeiro tipicamente caloroso e onde os espectadores eram refrescados à mangueirada para aguentar as inúmeras horas à espera da corrida. Reutemann foi batido na qualificação por James Hunt por 70 centésimos de segundo, com Mario Andretti em terceiro, depois de um incêndio no seu motor no dia anterior. 

Na partida, foi surpreendido por Pace, que fizera um tremendo arranque de quinto na grelha. O argentino passou Hunt e foi em perseguição do seu ex-companheiro de equipa na Brabham até que na sétima volta, ambos tocaram-se, com o brasileiro a ir às boxes, perdendo muito tempo. Hunt ficou com a liderança, mas na volta 22, teve de ir às boxes para meter pneus novos. Reutemann ficou com a liderança, mas pelo meio, tinha outro grande obstáculo: a curva 3 de Interlagos.

Naqueles tempos, a versão que usavam era a dos 6940 metros, uma espécie de intestino grosso onde o anel externo era decididamente veloz. Mas fazer a curva 3 a fundo era um enorme desafio, e um erro deitava tudo a perder. E naqueles tempos, havia as redes de proteção, que seguravam carros em caso de despiste. Contudo, num dos acidentes, uma das redes foi para o meio da pista, fazendo com que os carros tivessem de passar com ainda mais cuidado, para não caírem na armadilha. 

Mas nem todos foram assim: gente como Patrick Depailler, Tom Pryce e Jacques Laffite não evitaram a armadilha da curva 3 e caíram nela, algo do qual nos nossso dias teria sido evitada com a entrada dos comissários em pista e o Safety Car, por exemplo. Mas como se sabe, era outro século...

No final, Hunt fora passado por Reutemann na volta 23, suficiente para ir às boxes e colocar pneus novos. Subiu lugar após lugar, mas não o suficiente para apanhar o argentino, que ia dar à Ferrari a primeira vitória do ano e ficava no comando do campeonato, com 13 pontos. Lauda fora apenas terceiro e estava acossado naqueles tempos, porque em Maranello, não tinham esquecido o seu gesto em Fuji, no final do ano anterior. O argentino era o querido da equipa, e confiavam nele os melhores materiais.

O resto é conhecido: o austríaco fez das fraquezas forças, foi metódico e pragmático, e conquistou o título antes do pelotão da Formula 1 chegar a Monza. Ali, deitou a bomba de que iria para a Brabham por um valor bem chorudo e deixou toda a gente na mão. Reutemann limitou-se a ser quarto no campeonato, porque aquele triunfo em Interlagos acabou por ser o único daquela temporada.

Endurance: IMSA, FIA e ACO chegam a acordo sobre os LMDh



Agora é oficial: os protótipos LMDh poderão competir na IMSA, o campeonato americano de Endurance, a partir da temporada de 2023. O acordo entre todos foi anunciado esta tarde e permitirá a que todas as marcas que já anunciaram a sua intenção de participar na Endurance de se inscreverem e correrem em ambos os campeonatos. Ou seja, tanto podem fazer Le Mans como Daytona e Sebring, por exemplo.  

Nessa reunião técnica, todas as partes chegaram a um acordo que visa equilibrar o desempenho destes diferentes tipos de carros (sobretudo o grupo motopropulsor e o conjunto de tração às quatro rodas) para que os carros LMH possam competir no IMSA. A elegibilidade dos LMH exigirá também um acordo comercial individual entre cada fabricante e o IMSA, que respeite os seus regulamentos desportivos.

O que conquistamos como grupo há algumas semanas em Paris tem o potencial de revolucionar os Sport-Protótipos em todo o mundo”, disse o presidente da IMSA, John Doonan. “O palco está armado para uma categoria superior altamente competitiva que incluirá muitos dos maiores fabricantes mundiais, apresentando tecnologia relevante nas corridas de endurance de maior prestígio do mundo. Coletivamente, temos a oportunidade de nos envolver com a próxima geração de fãs de Resistência e elevar o nosso desporto aos níveis mais altos. Não posso estar mais orgulhoso do espírito de colaboração entre nossa equipe IMSA, nossos colegas na ACO e FIA, e todos os nossos parceiros automotivos.”, concluiu.

Do lado da ACO, Pierre Fillon também se mostrou satisfação no acordo alcançado.

Este anúncio surge da nossa ambição de construir um futuro comum para as corridas de resistência”, começou por dizer Fillon. “Todos nós trabalhamos juntos para alcançar este acordo histórico e gostaria de agradecer sinceramente a todas as partes interessadas. É uma notícia maravilhosa para as equipas e fãs e traça um futuro brilhante para a resistência.

Formula E: Felix da Costa quer lutar pelo título


No fim de semana onde a Formula E regressa à ativa, nas ruas de nova Iorque, a batalha pelo título está ao rubro, com os primeiros dez classificados do campeonato separados por 22 pontos. Ali, tudo pode acontecer e um dos interessados em tirar uma boa pontuação é António Félix da Costa. Terceiro classificado do campeonato, com 60 pontos, e a doze do primeiro, o piloto de Cascais quer voltar a ser feliz numa pista onde andou bem na sua última participação, em 2019.

O piloto da DS Techeetah disse que agora, é atacar a liderança do campeonato e tentar revalidar o título.

"Marcar bons pontos e manter-me na luta do título. Estamos a entrar na reta final da temporada, faltam seis corridas, duas delas este fim-de-semana aqui em Nova Iorque, portanto é fundamental estarmos fora de toques e confusões e procurar trazer o máximo número de pontos para casa. É claro que estar no grupo 1 da qualificação me dificulta a vida, mas por outro todos os mus rivais diretos na luta do titulo estão lá comigo, portanto é dar tudo na qualificação para ser melhor que eles e arrancar o mais á frente possível. Vamos para a luta com toda a confiança e motivação", afirmou.

O circuito de Brooklyn, desenhado no terminal de cruzeiros da cidade, tem 2320 metros de extensão e um total de quatorze curvas. Dali se vê a Estátua da Liberdade, um dos marcos da cidade.

A jornada dupla terá corridas no sábado e domingo, e no primeiro dia, a prova está marcada para as 21:30, hora portuguesa, com transmissão na Eleven Sports e na Eurosport 2, enquanto no domingo, a prova acontecerá por aqui pelas 18:30, nos mesmos canais.

Youtube Automotive Video: A história da Lancia, contada por Josh Revell

A Lancia é uma marca mítica, sobretudo no automobilismo. Sendo de origem italiana, os seus carros são belos por causa dos trabalhos em termos de desenho com firmas como Pininfarina, Bertone e outros. E tem um enorme palmarés no desporto, especialmente nos ralis, mas também passou pela Formula 1 e Endurance. 

Hoje em dia, a Lancia é uma sombra. Nas mãos da Fiat há mais de meio século, está relegada a um modelo, o Ypsilon, que se vende muito bem em Itália - e apenas lá - precisa que a marca mãe a relance. E o Josh Revell, aproveitando os videos do Top Gear, decidiu fazer um para falar do que foi a marca, a sua história - como a Ferrari, foi fundada por um ex-piloto de automóveis - do que ela fez em termos desportivos e porquê ela tem de regressar a palcos maiores. 

quinta-feira, 8 de julho de 2021

A imagem do dia (II)


As curtas passagens de Carlos Reutemann pelo Mundial de Ralis foram sempre pontuais e locais. E a história da sua participação na edição de 1985 é digna de ser contada porque é uma situação lateral aos eventos daquele fatídico rali para Ari Vatanen

A Peugeot dominava a competição naquele ano graças ao fabuloso 205Ti16, um carro digno do Grupo B e o melhor do pelotão até, provavelmente, à chegada do Lancia Delta S4, que tinha supercompressor e turbocompressor... mas não tinha direção assistida. E claro, ainda tínhamos carros como o Audi Quattro, por exemplo. Reutemann, que não corria desde 1982, foi atraído pela ideia através de Jean Todt, então diretor da Peugeot Sport. Convenceu-o, e a organização também ajudou, dando-lhe o numero 1 para colar no carro. Iria ser navegado pelo francês Jean-Francois Fauchille, mas na realidade, ele foi pouco mais do que um passageiro, porque as suas capacidades como piloto foram mais usadas, e ele tinha pouca prática a ler o caderno de notas do seu navegador. Deixou que o seu instinto levasse a melhor. E cumpriu, repetindo o que tinha feito cinco ano antes, a bordo de um Fiat 131, no mesmo rali.

Mas o lugar mais baixo do pódio de Reutemann - um feito que ninguém ainda conseguiu até aos dias de hoje, apesar de recentemente termos tido Kimi Raikkonen e Robert Kubica - ficou marcado pelo grave acidente de Ari Vatanen logo no primeiro dia do rali. O acidente aconteceu quando eles passavam por um ribeiro, num buraco que a água tinha escondido, e esse acidente orográfico acontecera devido a cheias recentes naquela parte do país, quando os carros rumavam a Córdoba. Apesar de Vatanen e Timo Salonen, seu compatriota e companheiro de equipa terem feito reconhecimentos naquele lugar, não havia certezas quando fosse a prova a sério.

Quando ambos passaram por ali, a diferença entre o sucesso e o acidente foi o instinto. Salonen abrandou, Vatanen passou por ali a 170 km/hora e capotou diversas vezes no ar. Pior: os apoios do seu "bacquet" quebraram-se e ele andou aos trambolhões dentro do cockpit, agravando ainda mais os seus ferimentos. Acabou com vértebras fraturadas, costelas partidas e perfurações no pulmão, tudo potencialmente fatal. Foi evacuado para Helsínquia num jato privado, pago pela Peugeot, e as operações salvaram-lhe a vida, apesar da longa reabilitação física e psicológica. De uma certa maneira, foi isso que decidiu o campeonato a favor de Salonen.

Mas tudo isso de uma certa forma empalideceu o feito que Reutemann tinha feito ao conduzir uma das máquinas mais potentes do Mundial de Ralis. Quase a brincar, sem compromissos, mostrou o seu talento ao volante e o instinto de evitar as armadilhas de uma prova tão dura como aquela. E claro, muitos pensariam o que teria feito se tivesse sido mais sério no automobilismo. Mas ser mais sérios implicaria ser menos humano, e ontem, Todt, agora presidente da FIA, elogiou-o, chamando-o um dos seus ídolos e homenageando-o pelos seus feitos automobilísticos. E qualquer máquina que usava, depois de uma certa adaptação, não tinha mais segredos para ele. 

Formula E: Anunciado o calendário para 2022


A FIA anunciou esta quinta-feira o calendário provisório da Formula E para 2022, e há muitas novidades. Abre com uma ronda dupla em Ad Diriyah, em janeiro, e acaba em Seul, na Coreia do Sul, também de forma dupla, no fim de semana de 13 e 14 de agosto. Outra grande novidade é que o calendário será alargado para 16 provas, quatro delas rodadas duplas.

As grandes novidades serão corridas na Cidade do Cabo, na África do Sul, a 26 de fevereiro, Vancouver, a 2 de julho, e a rodada dupla em Seul. Mónaco continua no calendário, a 30 e abril, e com a mesma pista usada pela Formula 1. Duas rondas estão por confirmar: uma na China, a 19 de março, e outra a 4 de junho, cujo local ainda são se sabe, mas é provável que seja na Europa. 

Depois da apresentação, a pouco mais de dois dias da ronda dupla da competição em Nova Iorque, calendário será enviado para o Conselho Mundial da FIA no sentido de ser aprovado. 

Eis o calendário completo:

28-29 janeiro - Ad Diriyah (Arábia Saudita) 
12 de fevereiro - Cidade do México (México) 
26 de fevereiro - Cidade do Cabo (África do Sul) 
19 de março - China* 
9 de abril - Roma (Itália) 
30 de abril - Mónaco 
14 de maio - Berlim (Alemanha) 
4 de junho - por definir 
2 de julho - Vancouver (Canadá) 
16-17 de julho - Nova Iorque (Estados Unidos) 
30-31 de julho - Londres (Reino Unido) 
13-14 de agosto - Seul (Coreia do Sul)

* a confirmar

A imagem do dia


Se estivesse vivo, Jo Siffert teria feito 85 anos nesta quarta-feira. Um grande piloto de origens humildes, nascido em Friburgo, adorava automobilismo e era muito bem a guiar qualquer máquina que caísse nas suas mãos, fossem carros de Formula 1 ou de Endurance, especialmente os Porsches, quer os 908, quer os 917, carros no qual foi mais conhecido. 

Curiosamente, nunca venceu mas 24 Horas de Le Mans, ao contrário do seu companheiro de equipa e muitas vezes seu rival interno, o mexicano Pedro Rodriguez, triunfador em 1968 ao lado do belga Lucien Bianchi

A sua carreira foi longa, durou quase uma década, mas somente em 1970 é que se sentou num carro oficial. E foi num March, cujo salário foi pago pela Porsche, que queria fazer de tudo para evitar que fosse recrutado pela Ferrari. Mas como privado, entre 1962 e 1969, conseguiu boas performances, incluindo a vitória no GP da Grã-Bretanha de 1968, a bordo do Lotus 49, num duelo com o Ferrari do neozelandês Chris Amon.

Contudo, aquele que provavelmente deve ser a sua maior performance de sempre na sua carreira. E onde vem essa foto. Foi tirada em Zeltweg, na Áustria, e ele tinha conseguido a sua segunda vitória na carreira, e a primeira do ano na BRM. A equipa estava de luto depois da morte do próprio Rodriguez, numa corrida da Interserie alemã no circuito de Norisring, em Nuremberga. Siffert foi capaz de pegar na equipa neste momento angustioso, e tentar levar a equipa para a frente. 

Na veloz Zeltweg, de repente... o carro estava perfeito. Numa temporada onde Jackie Stewart dominava, aquela corrida iria ser o de consagração para o escocês, caso acontecesse algumas circunstâncias, como por exemplo, se o seu maior rival, Jacky Ickx, não pontuasse. 

Mas quem surpreendeu a todos foi Siffert, que conseguiu o melhor tempo, e a sua segunda pole-position da sua carreira, depois de ter feito isso no GP do México de 1968, a bordo do Lotus 49 da Rob Walker Racing. Ficara na frente dos Tyrrell, e na partida, foram os carros de Stewart e Cevért que o assediaram para lhe tentar tirar a liderança. Mas com o passar das voltas, viu a concorrência cair de lado, especialmente Stewartm que acabou a corrida em estrondo, quando a sua suspensão frente-esquerda cedeu e a roda se soltou. Cevért foi atrás dele, mas seis voltas depois o seu motor cedeu. E pelo meio, Ickx ficou sem motor e o escocês comemorava matematicamente o seu segundo título mundial.

Parecia que Siffert ia alegremente a caminho da vitória, mas a poucas voltas do final, sofreu um furo lento. Ele aguentava o ritmo, esperando que fosse o suficiente para cruzar a meta, mas quem se aproximava era Emerson Fittipaldi, no seu Lotus, que não estava a ter uma grande temporada e tinha a chance de alcançar também a vitória. Foi duro, a diferença diminuía bastante, mas no final, quatro segundos separaram ambos. Com vantagem para o suíço.

A vitória foi extremamente popular entre o público e os pilotos. Siffert era popular, e tudo isto foi um grande alento e uma injeção de moral para uma equipa que perdera uma das suas referências um mês antes. As coisas melhoraram um mês depois, em Monza, quando Peter Gethin, que substituiu Rodriguez, deu nova vitória à equipa, numa corrida de "sprint". E tudo indicava que as coisas poderiam ser melhor para 1972, mas a 24 de outubro desse ano, em Brands Hatch, onde três anos antes tinha vencido pela primeira vez, sofria o seu acidente fatal. Poucos dias depois, em Friburgo, 50 mil pessoas estavam a assistir ao cortejo fúnebre, liderado por um Porsche 917 com as cores da Gulf. 

W Series: Abbi Pulling estreia-se em Silverstone


A britânica Abbi Pulling, de 18 anos, irá ter a sua estreia na W Series na ronda de Silverstone, a terceira do campeonato só para mulheres. A sua estreia será pela Puma Team, e é apadrinhada por Alice Powell. Atualmente piloto da Formula 4 britânica, ela tinha sido escolhida como piloto de reserva após os testes da categoria.

Eu não estaria onde estou agora sem Alice. Toda a minha perspetiva mudou quando comecei a trabalhar com ela no ano passado. Ela está constantemente treinando ou fazendo algo para beneficiar sua corrida - a quantidade de trabalho que ela coloca é louca e de alto padrão. Ela abriu meus olhos e me fez perceber o quão duro eu preciso trabalhar para alcançar meu objetivo de chegar à Formula 1, que parece realista graças a ela. Alice me ajudou tecnicamente, mentalmente e fisicamente e meus resultados melhoraram muito. O teste de pré-temporada da Série W em Anglesey não poderia ter sido muito melhor para mim e irei para Silverstone me sentindo competitiva.", afirmou.

Já Powell está feliz pela oportunidade que a W Series concedeu a ela, e espera que isso seja essnecial para o seu crescimento como piloto.

Estou muito feliz por Abbi porque ela merece totalmente esta oportunidade. Comecei a trabalhar com ela em agosto de 2020 em todos os elementos de ser um piloto de corrida. No final do ano passado, ela se aproximou de mim para que pudéssemos treinar juntos todos os dias para melhorar seu condicionamento físico e também fazer muitos simuladores de trabalho. A sua ética de trabalho é extremamente boa e isso permitiu-lhe passar do karting aos monolugares.", começou por dizer.

Abbi é um talento sério. Ela não tinha muita experiência em monolugares porque o orçamento era um problema, então é ótimo que a W Series tenha lhe dado essa chance no palco maior. Com as oportunidades e o apoio certos, Abbi pode ir até o fim e atingir seu objetivo de chegar à Fórmula 1. Estamos brincando sobre correr juntos em Silverstone e, embora correremos muito se nos enfrentarmos, vai ser justo. Eu sei que ela vai trabalhar muito para alcançar um ótimo resultado na estreia e será um momento de orgulho para mim vê-la correr no fim de semana do Grande Prêmio da Grã-Bretanha.”, concluiu.

Atualmente a cumprir a sua segunda temporada na Formula 4 britânica, está no sexto lugar do campeonato, com dois pódios na última ronda, em Brands Hatch. 

WRC: Apresentado o novo Ford Rally1


A Ford aproveitou o fim de semana de Goodwood para apresentar o novo Puma Rally1, o carro que usará no WRC a partir de 2022. Com uma potência de 380 cavalos de um motor 1.6 Ecoboost, aliado a um motor elétrico de 100 kW e uma bateria de 3,9 kWh, o novo veículo de competição também reflete o empenho da Ford numa aposta a 100% na eletrificação. A primeira demonstração acontecerá neste final de semana, com o francês Adrien Formaux ao volante, e Matthew Wilson, piloto de testes da Ford M-Sport, passando, depois, a ser utilizado como carro de desenvolvimento e preparação da época de 2022.

A Ford está totalmente empenhada num futuro eletrificado e a intensidade imposta pelo mundo da competição tem sido responsável por muitas das inovações que atualmente surgem nos nossos modelos de estrada”, começou por comentar Mark Rushbrook, Diretor Global da Ford Performance. “O Ford Puma Rally1 da M-Sport irá pôr à prova a potência híbrida e comprovar que a tecnologia é capaz de proporcionar um desempenho emocionante”.


O sistema híbrido do Puma Rally1 funciona com princípios semelhantes aos do Puma EcoBoost Hybrid de produção. O propulsor capta a energia normalmente perdida durante as fases de travagem e desaceleração e armazena-a numa bateria que pode alimentar o motor elétrico, para melhorar a eficiência de consumos do modelo ou fornecer um aumento de performance, a qual, no caso do Puma Rally1, pode ascender a 100 kW, em aumentos múltiplos de potência máximos de três segundos durante a competição, isto a juntar à potência do motor de combustão, que é igual a este ano de 2021: 380 cavalos.

A nova era dos modelos WRC é um dos maiores avanços tecnológicos da disciplina até à data. A introdução da tecnologia híbrida significa que os automóveis serão mais potentes do que nunca, ao mesmo tempo que refletem, diretamente, os propulsores utilizados pelas versões homólogas de estrada”, começou por dizer Malcolm Wilson, Diretor Geral da M-Sport. 

A mudança para o Puma é muito emocionante, uma vez que é um modelo com historial nos ralis. O carro está fantástico, pelo que mal posso esperar para o ver à partida do famoso Rali Monte Carlo, no início de 2022. O lançamento deste novo carro em Goodwood é, também, muito especial, sendo um dos eventos mais icónicos do calendário desportivo. Eu e toda a estrutura da M-Sport esperamos continuar esta muito bem-sucedida parceria com a Ford, apresentando resultados e mantendo a Ford na vanguarda durante esta nova e muito excitante era dos ralis”, concluiu.


Depois desta apresentação, resta esperar pela concorrência, que ainda está a desenvolver os seus carros para a próxima temporada, a primeira com os novos regulamentos. 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

The End: Carlos Reutemann (1942-2021)


O antigo piloto de Formula 1 e senador argentino Carlos Reutemann morreu na tarde desta quarta-feira na clinica de Santa Fé, aos 79 anos de idade. Reutemann estava internado desde meados de maio devido a uma hemorragia digestiva, bem como uma anemia persistente. Senador desde 2003, tinha sido governador da província de Santa Fé entre 1991 a 1995, e de novo entre 1999 e 2003, altura em que assumiu o seu lugar no Senado.

Nascido a 12 de abril de 1942 em Santa Fé, Carlos Alberto "Lole" Reutemann era neto de suíços, e filho de uma mãe italiana e um pai argentino. Começou a correr aos 23 anos, em 1965, ao volante de um Fiat 1500 no Turismo Carrera. Depois de vencer corridas no Turismo Carrera e na Formula 1 Mecanica Argentina, em 1970, foi para a Europa correr na Formula 2 através do Automóvel Club Argentino. Com um chassis Brabham, acabou como vice-campeão em 1971, batido apenas pelo sueco Ronnie Peterson. Nesse ano, andou num Porsche 917 nos 1000 km de Buenos Aires ao lado de Emerson Fittipaldi.

As suas performances foram suficientes para arranjar um lugar na Brabham na Formula 1, na temporada de 1972, ao lado de Wilson Fittipaldi e Graham Hill. E logo na sua prova de abertura, em Buenos Aires, leva o público ao delírio ao fazer a pole-position. Ele é um dos quatro pilotos a conseguir isso na sua primeira corrida, a par de Giuseppe "Nino" Farina, em 1950, Mário Andretti, em 1968 e Jacques Villeneuve, em 1996. Conseguirá os seus primeiros pontos em Mosport, mais tarde nessa temporada, com um quarto lugar. Pelo meio, venceu o GP do Brasil, em Interlagos, mas a prova era extra-campeonato.

No ano seguinte, alcançou o primeiro pódio, com o terceiro lugar em Paul Ricard, palco do GP de França, e repetiu em Watkins Glen, de novo no terceiro posto, conseguindo 16 pontos e o sétimo lugar do campeonato. Por esta altura, corria na Ferrari com a sua equipa de Endurance, onde ao lado do australiano Tim Schenken, participou nas 24 Horas de Le Mans, não terminando a corrida. 


Foi em 1974 que alcançou os seus primeiros sucessos. Com um carro novo, o BT44, esteve muito perto de triunfar em Buenos Aires quando um problema de combustível na última volta tirou a chance de triunfar em casa. Mas duas corridas mais tarde, em Kyalami, acabou por chegar ao lugar mais alto do pódio, a primeira vitória de um argentino desde 1957 e a primeira da Brabham desde 1970... naquele mesmo lugar, com Jack Brabham ao volante. Mais duas vitórias, em Zeltweg, e em Watkins Glen, com dobradinha, ao lado do brasileiro José Carlos Pace, fizeram com que acabasse com 32 pontos e o sexto posto. Apesar do carro ser um dos melhores do pelotão em 1975, apenas triunfou no Nurburgring Norschleife, mas a consistência dos seus resultados deu-lhe o terceiro lugar, com 37 pontos. 

Em 1976, a Brabham assinou um contrato de fornecimento de motores à Alfa Romeo e o piloto argentino passou por um mau bocado, conseguindo apenas um quarto lugar no GP de Espanha. Desiludido com o rumo dos acontecimentos, aceita uma oferta para correr na Ferrari após o acidente de Niki Lauda em Nurburgring. A sua primeira prova foi em Monza, numa corrida marcada pela recuperação de Lauda, 40 dias após o seu acidente.


Prosseguindo em 1977 pela Ferrari, venceu em Interlagos, mas foi apenas a única vitória do ano, apesar de ter tido cinco pódios. No ano seguinte, após a saída de Lauda e a chegada do canadiano Gilles Villeneuve, teve provavelmente a sua melhor temporada até então, com vitórias no Brasil e em Long Beach, depois de partir da pole-position. Repetiu a pole no Mónaco, e chegou a liderar o campeonato nessa altura, mas a entrada em cena dos Lotus 79 terminaram com as suas aspirações ao campeonato. Foi terceiro, com 48 pontos e mais duas vitórias, em Brands Hatch e Watkins Glen, mas no final do ano, mudou-se para a Lotus, ficando com o lugar do malogrado Ronnie Peterson.

Apesar do bom arranque do campeonato, com pódios em quatro corridas, incluindo segundos lugares na Argentina e Espanha, o Lotus 79 estava ultrapassado e conseguiu apenas 20 pontos e o sétimo lugar da geral. Para se manter competitivo, rumou à Williams em 1980 para ficar com o lugar de Clay Regazzoni. Guiando o FW07 contra Alan Jones, foi regular, conseguindo 42 pontos e a vitória no GP do Mónaco.

Ainda nesse ano, decidiu fazer uma coisa diferente: a bordo de um Fiat 131, participou no Rali Codasur, prólogo do Rali da Argentina, onde terminou na terceira posição. Até agora é o único piloto que tem pódios na Formula 1 e no Mundial de Ralis. 


Em 1981, continuou na Williams, mas no GP do Brasil, entra em guerra com a equipa, ao negar ceder o comando a Alan Jones para este poder vencer a corrida. Acabou por triunfar - seria a sua quarta vitória em terras brasileiras - mas a partir dali se tornou num estranho e sentiu a hostilidade da equipa. A sua regularidade lhe deu mais pódios e nova vitória no GP de Bélgica, em Zolder. Chegou a ter uma vantagem de onze pontos para a concorrência, mas a partir da segunda metade da temporada, perdeu grande parte dessa vantagem para Nelson Piquet.

Tudo acabou na última prova do ano, no estacionamento do casino Ceasar's Palace, em Las Vegas. Reutemann tinha vantagem na grelha face a Nelson Piquet, mas a corrida correu mal para o argentino. Vitima de problemas na caixa de velocidades, acabou fora dos pontos, enquanto via Piquet ser quinto e ser campeão do mundo. Curiosamente, meses antes, a Formula 1 esteve na África do Sul, numa corrida onde Reutemann triunfou na frente de Piquet. A corrida não contou, mas se tivesse, o argentino teria sido campeão por dois pontos...

Apesar de ter considerado abandonar a Formula 1 de imediato, decidiu continuar na Williams em 1982. Conseguiu um segundo lugar na primeira corrida do ano, na África do Sul, mas depois do GP do Brasil, decidiu que iria embora de vez, depois de 146 Grandes Prémios, 12 vitórias, seis pole-positions, seis voltas mais rápidas e 298 pontos oficiais, dos 310 conquistados na realidade. Apesar de naquela altura, ele poderia ter sabido sobre os futuros desenvolvimentos no seu país - estava-se a semanas da invasão argentina às ilhas Falkland - na realidade, segundo contou anos depois Patrick Head, tinha sido a falta de motivação que fez tomar essa decisão.

Em 1985, reapareceu para correr num lugar inesperado: nos ralis. Pilotou um dos 205 Turbo da equipa oficial da Peugeot e conseguiu mais um terceiro lugar, numa prova marcada pelo acidente grave de Ari Vatanen.


A partir de 1990, ele começa a ter a sua segunda vida como politico. E tudo graças a Carlos Menem, que toma posse como presidente nesse ano e cujo filho foi piloto de ralis. O Partido Justicialista decide convidá-lo para ser governador da sua província natal, Santa Fé, e foi eleito em 1991 e tornou-se num governador popular, ficando até 1995. Sem poder candidatar-se à reeleição, apenas regressou em 1999 para um segundo mandato, que ficou marcado pelo "corralito" de 2001, que afetou todo o país, Santa Fé incluído. Decidiu implementar uma politica de austeridade que embora impopular,  deixou as finanças em melhor estado que o resto do país. Ao contrário da primeira vez, não ficou todo o mandato como governador, pois em 2003 resolveu candidatar-se como senador, que foi eleito na chapa do mesmo Partido Justicialista. 

Apesar do seu "low profile", a sua popularidade foi suficiente para que existisse movimentos no sentido de se candidatar à presidência da República, mas sempre rejeitou essas movimentações. Reeleito sucessivamente, estava no seu último mandato, pois a falta de saúde que teve nos últimos quatro anos fez pensar na retirada de cena.

Reutemann sai de cena como sendo um dos maiores pilotos da sua geração. Para os argentinos, não só ele é considerado como o melhor piloto depois de Juan Manuel Fangio, como tiveram o grande desgosto de não o terem visto como campeão do mundo. Outros o viram como um excelente piloto, que num dia bom era imparável, mas num dia mau, era péssimo. Até diziam que não tinha o "killer instinct" dos campeões do mundo. 


Mesmo assim, fez parte de uma geração que está a ver os seus ídolos partir, sinal de que a vida continua e o sol põe-se para todos. O que fica é o legado. Ars longa, vita brevis, Lole. 

WRC: Seis Horas de Fuji canceladas


A FIA e a ACO anunciaram esta manhã que a ronda japonesa do Mundial de Endurance, as Seis Horas de Fuji, foi cancelada devido à pandemia. No seu lugar haverá agora uma rodada dupla no Bahrein, com o primeiro evento - uma corrida de seis horas - a ter lugar a 30 de Outubro e o segundo, uma corrida de oito horas, concluindo a temporada no fim de semana seguinte.

Pierre Fillon, do ACO, fez o anuncio e deixou a promessa que Fuji regressa em 2022: “A instabilidade atual exige adaptabilidade. Tendo consultado várias partes, dada a situação sanitária, não iremos a Fuji. Será realizada uma ronda de substituição no Bahrein. Os meus sinceros agradecimentos à equipa da organização japonesa que fez tudo o que pôde para acolher o evento. Já estamos ansiosos pelo evento do próximo ano”.

O anuncio do cancelamento das Seis Horas de Fuji poderá colocar uma sombra sobre as provas restantes que ainda estão marcadas nas terras do Sol Nascente, nomeadamente o GP do Japão de Formula 1, marcado para o dia 10 de outubro em Suzuka. Com o MotoGP, previsto para Motegi, já cancelado, e também com a desmarcação do GP da Austrália a ter acontecido no inicio da semana, existem crescentes dúvidas sobre a realização de uma corrida que não aconteceu em 2020 devido à pandemia. E caso o pior aconteça, que alternativa é que a Formula 1 terá para cumprir um calendário de 23 provas. 

O final melancólico de Juan Pablo Montoya na Formula 1


[Juan Pablo] Montoya chega à McLaren depois de quatro temporadas ao serviço da Williams-BMW. O colombiano, então com 29 anos, tinha atrás de si um caminho de sucesso nos monolugares que tinha começado a ser trilhado em 1994 na Barber Saab Pro Series, e teve o seu auge na vitória na Formula 3000, em 1998, antes de rumar para a CART e ganhar em 1999, pela Chip Ganassi, no lugar de Alex Zanardi, que tinha ido para a Formula 1. Depois de duas temporadas nas categorias americanas, onde pelo meio triunfou nas 500 Milhas de Indianápolis, foi chamado para a categoria máxima do automobilismo em 2001, construindo uma reutação de ser veloz e ousado, especialmente quando conseguiu ultrapassar de forma agressiva Michael Schumacher no inicio do GP do Brasil de 2001, numa passagem no S de Senna. E pouco meses depois, em Monza, conquistou a sua primeira vitória.

O conjunto Williams-BMW era potente e veloz, e muitas das vezes lidava contra Ralf Schumacher, que estava no seu auge. E claro, ambos eram os maiores opositores de Michael Schumacher, que dominava na Formula 1 graças à Ferrari. Em 2003, lutou pelo título mundial até à penúltima prova, acabando no terceiro posto, com 82 pontos, menos onze que o do campeão, Michael Schumacher. E em 2004, na qualificação do GP de Itália, fez a volta mais rápida até então, a uma média horária de 262,242 km/hora, um recorde que demorou quinze anos a ser batido, e na altura foi por Lewis Hamilton, no seu Mercedes.

Mas nessa temporada, desenvolvimentos na Williams fizeram com que a relação entre piloto e equipa não estivesse tão harmoniosa assim. Primeiro, o nariz que a equipa usou, embora reconhecível, não era eficaz, e o colombiano nunca gostou, e depois, a decisão de assinar pela McLaren na segunda metade de 2003, fez com que ele não tivesse acesso aos melhores materiais, embora também o facto da BMW ter decidido que iria embora da equipa no final da temporada de 2005 - tinha feito uma proposta para comprar a Williams, algo que Frank Williams recusou - também tinha contribuído para isso.

Assim sendo, Montoya quis deitar tudo para trás quando partiu rumo a Woking, para a sua segunda equipa na Formula 1. E estava disposto a fazer disto um novo capitulo da sua carreira, uma de esperança... mas acabou sendo de pesadelo.



UMA FALSA PARTIDA


Juan Pablo Montoya podia saber guiar, mas não era o piloto em melhor forma do mundo. Muitos até acusavam que a sua atitude desleixada em relação à forma física o impedia de ser tão veloz quando devia, e assim sendo, começou a fazer dieta e exercício físico. Mas mesmo se a parte da forma fisica era cuidada, do lado do chassis, poderia ter a confiança de Adrian Newey, que desenhava desde 1997 os chassis da marca de Woking. Mas em 2005, o McLaren MP4-20 não parecia ser o melhor chassis que o mago aerodinâmico tinha desenhado, e para piorar as coisas, Montoya começou a queixar-se de problemas de direção. Ele achava que o volante "não estava ligado com o carro".

Apesar de tudo, o começo da temporada nem foi mau de todo, com um sexto lugar em Melbourne e um quarto posto na corrida seguinte, em Sepang, na Malásia, resultados bem melhores que os alcançados por Kimi Raikkonen. Mas poucos dias depois, a equipa anunciou que Montoya se lesionara a jogar ténis e não poderia participar nas corridas do Bahrein e Imola. Contudo, a realidade parecia ser diferente, porque na realidade, ele estaria a andar de bicicleta e lesionara o tornozelo e não o ombro, como se tinha dito.

O problema é que isso tinha causado um enorme mal estar dentro da McLaren, uma equipa altamente profissional, e Ron Dennis, um patrão absolutamente exigente. O próprio Newey disse que "ele se desgraçou quando fraturou o tornozelo a jogar ténis depois da sua performance na Malásia"...

(...)

Apesar dos bons resultados, cedo se soube [em 2006] que Fernando Alonso iria para a McLaren em 2007, e nada se sabia muito bem do destino de Kimi Raikkonen. Na realidade, o finlandês já estava bem encaminhado para ser piloto da Ferrari nessa temporada, logo, o colombiano até poderia ter uma chance de ficar, se desse uma boa temporada. Mas o seu temperamento não era muito apreciado em Woking, e não esqueceram do que acontecera com a história do seu acidente.

Os primeiros resultados do ano foram marginalmente melhores do que no ano anterior, e um terceiro lugar em Imola até deu algum alento, mas as suas performances mercuriais, aliados a problemas no MP4-21 não ajudaram muito nas performances do colombiano. E em maio, o segundo lugar no GP do Mónaco, atrás do vencedor Fernando Alonso, mostravam que até conseguia tirar o melhor do carro e das circunstâncias. (...)

Há 15 anos, a carreira de Juan Pablo Montoya na Formula 1 acabou de forma melancólica ao serviço da McLaren. Um carro difícil de ser lidado, problemas físicos causados por um acidente doméstico, intercalados com grandes performances em pista, como a sua vitória no GP da Grã-Bretanha de 2005, e a sua relação difícil com Ron Dennis, tudo isso contribuiu para a sua partida a meio da temporada de 2006, a caminho da NASCAR, onde faria uma carreira meritória.

Tudo isso e muito mais falo este mês no site Nobres do Grid.  

Youtube Formula One Video: As comunicações rádio da Áustria

Depois do GP austríaco, com mais uma vitória dos pilotos da casa, eis as melhores comunicações de rádio dos eventos do final de semana no Red Bull Ring.