quarta-feira, 23 de março de 2016

Youtube Motorsport Show: O especial de Guy Martin sobre Formula 1


Semana passada coloquei um video que era o "teaser" sobre um programa de televisão onde uma moto iria ser testada contra um Formula 1, ou se preferirem, o especial de "Speed", o programa feito por Guy Martin sobre velocidade, e que tinham ido para Silverstone para estar à frente de um Red Bull RB8, de 2012, com o escocês David Coulthard ao volante.

O programa foi para o ar na quinta-feira, no Channel Four britânico, mas já está no Youtube para poder ser visto na integra. Portanto, quando puderem, tirem uma hora do vosso dia e assistam a isto.

As imagens do dia






A Porsche também mostrou as modificações e a nova pintura do seu modelo 919. A coisa boa disto tudo é que as fotos foram tiradas em Portimão, no Autódromo Internacional do Algarve... 

O alinhamento é o mesmo de 2015: Mark Webber, Brendon Hartley e Timo Bernhard, os campeões do mundo, andarão no carro numero 1, enquanto que Romain Dumas, Neel Jani e Marc Lieb vão correr no bólido numero 2.

As imagens do dia (II)




E com a Porsche a mostrar o seu carro, a Toyota também o fez, mas o TS050 é um carro totalmente original, ao contrário da Porsche e da Audi. As três marcas estão agora a experimentar os seus carros no "Prólogo", que acontece no Circuito de Paul Ricard, mas pelos vistos, parece ser uma máquina que é capaz de bater o pé aos alemães...

O aviso dos pilotos à Formula 1

Sabia-se que os pilotos não tinham ficado muito contentes com a história da qualificação australiana e das regras que tem vindo a ser estabelecidas ultimamente na categoria máxima do automobilismo. E nos últimos tempos, muitos tem vindo a dizer que não são nem tidos, nem achados, nestas questões. E se é certo que não tem falado muito e a GPDA é uma associação adormecida, quando acorda, muitas vezes é sinal de que eles, os pilotos, estão a chegar a um ponto de ebulição. 

E hoje, eles lançaram um comunicado no qual criticam fortemente as entidades que gerem a Formula 1, bem como a direção que eles tem vindo a apontar nos últimos tempos, pedindo uma reestruturação no modelo, que já acham obsoleto.

Ali, lê-se:

"Sentimos que algumas das regras - quer no lado desportivo, quer no lado técnico - são disruptivas, não atendem os problemas que afetam o nosso desporto e em certos aspectos, podem comprometer o seu futuro. Sabemos que entre os dirigentes desportivos - sejam eles donos de equipa, acionistas, e a entidade governamental - todos tem as melhores intenções".

Os pilotos concluíram que o processo de tomada de decisões do esporte é obsoleto, evitando que progresso seja alcançado. Isso reflete negativamente, evitando que seja adequado para a próxima geração de fãs e comprometendo o crescimento global.

"Gostaríamos de apelar aos donos e acionistas da Formula 1 que considerem uma reestruturação do seu próprio governo. As direções e decisões futuras da Formula 1, sejam elas no curto ou no longo prazo, desportivas ou técnicas, devem ser baseadas em um grande planeamento. Tal planeamento deve refletir os princípios e valores da Formula 1

A Formula 1 se estabeleceu, indiscutivelmente, como o pináculo do automobilismo e, como tal, um dos desportos mais populares do mundo. Nós, pilotos, seguimos juntos para oferecer nossa ajuda para manter a Formula 1 neste nível e além, fazendo-a adequada, quer para os próximos anos, quer para as próximas gerações

"É importante apontar que esta carta é escrita no melhor interesse de todos, e não deve ser vista como um ataque cego e desrespeitoso”, conclui o comunicado, assinado por quatro pilotos: O presidente, Alexander Wurz, e os veteranos Jenson Button, Sebastian Vettel e Fernando Alonso.

Apesar de ser uma critica algo suave - as mudanças são recomendadas - pode-se entender que os pilotos, que são os principais interessados e são os que dão a cara em todo este caso, estão a chegar a um ponto onde estão a ficar fartos das constantes modificações nas regras, onde não são nem tidos, nem achados em todo este processo. E vendo as coisas desta forma, quase nunca são chamados para discutir as regras. Não tem voz no Grupo de Estrategia, não tem voto nas regras quando são discutidas e aprovadas, apesar de serem eles a dar a cara no meio disto tudo. E claro, serem bem pagos.

Resta saber se isto é um aviso para algo mais. Apontaram os problemas e estão preocupados com o futuro. O grande problema no meio disto tudo é que não tem uma agenda alternativa para pensar no que deveria ser a Formula 1 no futuro, em termos técnicos, de calendário ou estruturais. Que se vive numa espécie de guerra surda, isso todos começam a observar, mas não é algo que não saibamos. Mas a não ser que algo bem radical vá acontecer, não veremos mudanças a curto prazo, porque um dos principais obstáculos tem 85 anos e não deseja retirar-se enquanto viver...

terça-feira, 22 de março de 2016

Formula 1 em Cartoons: Austrália (Cire Box)



O Cire Box costuma fazer uma banda desenhada para cada Grande Prémio, com o resumo da corrida, e de uma certa forma até é bem divertido de se ver, porque nem toda a gente entende francês, não é? Mas posso dizer que o que o Romain Grosjean está a dizer para as boxes da Haas é que paga as bebidas, depois do sexto lugar alcançado...

WEC: Conhecidos mais detalhes do Audi R18 de 2016

A Audi mostrou os detalhes finais do seu R18 para a nova temporada da Endurance, que começa com aquilo que chamam de "Prólogo", ou seja, a sessão de testes que vai ser feita em Paul Ricard. O carro tem agora uma potência de 6MJ (megajoules), aumentando a sua eficiência para os 50 por cento. O seu novo MGU (sistema de recuperação de potência) passa agora a ter 350kw, com uma potência a rondar os 476 cavalos, que vai ser transferido para as rodas dianteiras. Com um motor a dar carca de 500 cavalos - mas do qual terá de consumir menos combustível, o carro terá quase mil cavalos e será capaz de acompanhar os carros da Porsche e da Audi nas várias provas do campeonato WEC, incluindo as 24 Horas de Le Mans.

Também há algumas alterações nos chassis, como novas aberturas, para impedir que o carro voe em pista, uma nova caixa de velocidades, e um redesenho dos pontos de ancoragem na suspensão, o que faz com que o carro tenho um comportamento diferente em curva.

A Audi vai ter este ano dois carros presentes, para as triplas André Lotterer, Bernard Treuleyer e Marcel Fassler para o carro numero 7, enquanto que Lucas di Grassi, Loic Duval e Oliver Jarvis vão correr com o carro numero 8. 

Youtube Formula E Racing: O video da corrida do México


Alguns dias depois da corrida, coloco aqui o video completo do que foi a quinta prova do Mundial de Formula E, que decorreu no Autódromo Hermanos Rodriguez, na Cidade do México. uma corrida que, como todos sabem, acabou inicialmente com a vitória de Lucas di Grassi, mas que acabou com a sua desclassificação e posterior vitória para o belga Jerome D'Ambrosio, com Sebastien Buemi no segundo posto, e com isto, ficou com o comando do campeonato.

segunda-feira, 21 de março de 2016

A imagem do dia (II)

Bom saber que nunca o esquecemos. Mas o que gosto mais são os desenhos que se faz dele, como este, do Bruno Mantovani.

Se quiserem ver o meu álbum do Ayrton Senna no Pintrest, podem seguir este link: https://pt.pinterest.com/palexteixeira/ayrton-senna-da-silva-1960-1994/

São os domínios que passam para a História

No domingo, depois de ver a corrida australiana, vi as redes sociais e muitos se queixavam de ter visto mais do mesmo, com a Mercedes a dominar a corrida, resultando numa dobradinha com Nico Rosberg à cabeça, seguido por Lewis Hamilton. Muitos vinham com a ladainha do costume, dizendo que com eles à cabeça, a Formula 1 tinha morrido, tinha-se tornado aborrecida e que antigamente era bom, etc. Nada que não saibamos, para ser honesto.

Contudo, eu, que posso afirmar-me como sabedor da história do automobilismo, sei perfeitamente que aquilo que estavam a ver e do qual afirmam ser "uma chatice", é mais habitual do que pensam. Aliás, é o cenário dominante. Se formos ver as coisas desde os anos 30, o único período em que a incerteza foi rei aconteceu nos anos 70, e essa acontecia porque havia algo que dominava: o motor, Cosworth V8. De uma certa maneira, temos na nossa mente uma ilusão de um período que ficou para a história de forma mais empolada do que se esperava.

Vamos recuar mais de 80 anos no tempo até hoje (ou seja, antes mesmo da Formula 1 começar) e contabilizar os domínios. O resultado é este:

1934-39: Flechas de Prata (Mercedes e Auto Union)
1940-45: II Guerra Mundial
1949-51: Alfa Romeo
1952-53: Ferrari
1954-55: Mercedes
1959-60: Cooper
1961: Ferrari
1963: Lotus
1965: Lotus
1969: Matra-Tyrrell
1971: Tyrrell
1975-77: Ferrari
1978: Lotus
1984: McLaren
1986-87: Williams
1988-90: McLaren
1992-93: Williams
1996-97: Williams
2000-04: Ferrari
2009: Brawn GP
2010-13: Red Bull
2014-presente: Mercedes

Com mais ou menos percentagem de vitórias, poderemos dizer que desde 1950, as temporadas onde uma equipa dominou sobre as outras contabilizam pouco mais de metade: 38. E em certos casos, o dominio foi ainda maior do que vivemos atualmente. Por exemplo, entre o GP da Grã-Bretanha de 1950 e a mesma corrida de 1951, a Alfa Romeo, venceu todas as corridas, ou seja, nove.

O mais interessante foi que muitos desses domínios aconteceram após a mudança de regulamentos na Formula 1. O mais interessante foi o de 1961, quando a Ferrari construiu um carro para o novo regulamento de motores com 1.5 litros aspirados, que lhe deu cinco das oito vitórias nessa temporada, duas para Phil Hill, outras tantas para Wolfgang von Trips e uma para Giancarlo Baghetti.

E os três mais recentes domínios também aconteceram graças a mudanças nos regulamentos. A da Red Bull surgiu após Adrian Newey ter aproveitado os regulamentos que surgiram em 2009 (a Brawn GP aproveitou o facto da a FIA ter sancionado o chassis de Ross Brawn, apesar do seu difusor não estar totalmente de acordo...), e a da Mercedes também foi depois de nova mudança nos regulamentos, no final de 2013, com a introdução do motor V6 turbo de 1.6 litros. 

Em muitos aspectos, a ideia de mudar de regulamento para acabar com o domínio de uma equipa por vezes é um tiro que sai pela culatra...

Hoje em dia, não há mais aquilo que acontecia num passado não muito distante, que era quando determinada equipa se adiantava num determinado ano, a concorrência recuperava no ano seguinte, fazendo melhores produtos. O exemplo mais conhecido foi quando Colin Chapman aperfeiçoou o efeito-solo, em 1978, e no ano seguinte ficou sem vitórias porque a concorrência fez melhores chassis do que ele, como Ligier, Ferrari e Williams. Hoje em dia restrições orçamentais, de testes, e de material (lembrem-se, os motores e as caixas de velocidades estão contadas, e sempre que mudam, eles são penalizados) fazem com que o melhor no primeiro ano do novo regulamento fique lá até que o mudem, porque não há muito por onde recuperar o tempo perdido.

Mas o mais interessante nisto tudo são os legados históricos, ou seja, aquilo do qual são feitos livros e filmes. E podemos ir a um exemplo em particular, a temporada de 1982. Digo isto porque nesse ano, tivemos onze vencedores diferentes em dezasseis corridas, e o seu campeão, Keke Rosberg, venceu com apenas uma vitória no seu currículo. Acham que há livros sobre esse ano? Não. Fala-se mais dos boicotes, das greves e dos acidentes mortais desse ano do que dos diferentes vencedores das corridas. Desse ano, lembramos mais do acidente de Gilles Villeneuve em Zolder, da greve de Kyalami, das desclassificações de Jacarépaguá e dos 14 carros que alinharam em Imola do que, por exemplo, a dobradinha da Renault em Paul Ricard ou da vitória de Elio de Angelis em Zeltweg. Aliás, só recordamos dessa corrida porque foi a última de Chapman vivo e porque o italiano venceu por meio carro sobre... Rosberg.

E hoje em dia, muitos desprezam o feito do pai de Nico, porque foi mais regular e não mais... dominador. O ser humano tem preferências estranhas...

Acho que já chegaram a uma conclusão óbvia: são os domínios que passam à história, não as incertezas. Oitenta anos depois, ainda nos lembramos dos Mercedes e da Auto Union, e sabemos quem foi Rudi Caracciola, Tazio Nuvolari, Bernd Rosemeyer ou Hans Stuck. E depois da guerra, onde é que Juan Manuel Fangio e Stirling Moss conseguiram muitas das suas vitórias. E claro, toda a carreira de Jim Clark, boa parte das vitórias de Jackie Stewart, boa parte do dominio de Niki Lauda, o campeonato de Mário Andretti, as vitórias de Alain Prost e de Ayrton Senna... preciso continuar?

É uma chatice, mas é assim que as coisas funcionam. E quando vejo pessoas a defender o contrário, nem é tanto contrariar a história, é quase um insulto aos engenheiros que perderam noites a fio para conseguir algo que Mark Donohue chamou um dia de "Unfair Advantage", a Vantagem Injusta. É esse o objetivo do automobilismo, em termos tecnológicos: bater a concorrência, dominar o campeonato, alcançar títulos, estabelecer um legado, expor as máquinas nos museus quando se reformarem. E sempre foi assim desde os seus primórdios. Querer o contrário é ir até contra o ser humano. E ver as modalidades onde essa incerteza acontece, como a IndyCar, veremos que é uma série monomarca, em termos de chassis. Se querem incerteza, então a Formula 1 teria de ser algo parecido, e não creio que é algo que os adeptos queiram.

Costuma-se dizer que a Historia é escrita pelos vencedores. No automobilismo, é mesmo assim, apesar de discutirmos - e tentarmos convencer-nos - de que acontece o contrário.

Formula 1 em Cartoons - Austrália (Cire Box)

Não é preciso dizer muito sobre a corrida australiana, como mostra o Cire Box. As imagens falam por si. 

A imagem do dia

"Creio que estejam a falar de mim", foi o que Fernando Alonso escreveu na sua conta de Instagram, quando publicou esta foto. Bem, capacidade para rir de si mesmo lá tem...

Formula 1 em Cartoons - Austrália (Pilotoons)

Como seria de esperar, o acidente de Fernando Alonso foi o momento da corrida australiana. E para Bruno Mantovani, o piloto das Astúrias deve ter visto a vida toda a passar-lhe em frente...

domingo, 20 de março de 2016

A imagem do dia (II)

Na história da Endurance americana, apenas onze pilotos alcançaram aquilo que Luiz Felipe Derani, de 23 anos, alcançou este ano: vencer em Sebring e Daytona. E as vitórias acontecem precisamente 50 anos depois de Lloyd Ruby e Ken Miles terem feito o mesmo nos Ford GT40.

Valeu a pena ver as 12 Horas de Sebring este ano. Foi emocionante por causa das tempestades na Florida, que inerromperam a prova por duas horas - ficou mais umas "Dez Horas de Sebring" do que outra coisa... - mas no final, o LMP2 de Derani, um Ligier-Honda, conseguiu superar os Corvettes da Action Express, um deles guiado pela tripla luso-brasileira constituida por Christian Fittipaldi, Filipe Albuquerque e João Barbosa.

As constantes interrupções juntaram toda a gente, e os recomeços eram sempre tensos, especialmente na parte final da competição. E foi nessa altura que Derani brilhou. com ele dentro do carro, aproveitou sempre a travagem à curva sete para passar os carros que estavam na sua frente.

E foi no final, sempre no final, que os pilotos manifestam a sua marca. Com o Ligier a demorar mais tempo para reabastecer e trocar de pneus, caiu para terceiro por causa dos Corvettes, que não trocaram de pneus e meteram o necessário para chegarem ao fim. Com ele a correr atrás do prejuízo, não perdeu os carros de vista e conseguiu passá-los no meio do trânsito, alcançando a vitória.

E tudo isto de um piloto que meses antes, parecia ter a carreira num limbo depois de sair da Formula 3 europeia pela porta pequena... as coisas mudam radicalmente, e parece que o Brasil descobriu um novo herói automobilistico, pelo menos na Endurance.

Formula 1 2016: Ronda 1, Austrália (Corrida)

Como dizia o Visconde de Lampedusa no seu livro "O Leopardo", "e preciso mudar tudo para que tudo fique na mesma". De uma certa forma, foi a metáfora deste Grande Prémio: houve agitação, para no final vermos os Mercedes nos lugares do costume, com a Ferrari logo atrás. Nico Rosberg foi o vencedor, trinta anos depois do pai ter feito o mesmo, mas em Adelaide, aproveitando o mau arranque de Lewis Hamilton. Mas o grande destaque dessa corrida foi a bandeira vermelha mostrada a meio da prova, quando Fernando Alonso bateu na traseira do Haas de Esteban Gutierrez e voou na gravilha. Felizmente foi só fibra de carbono e o piloto conseguiu sair do carro ileso, mostrando assim que os carros de Formula 1 são mesmo muito seguros.

A parte chata é que a bandeira vermelha aconteceu quando a Ferrari - leia-se, Sebastian Vettel - tinha feito uma tática para apanhar as Flechas de Prata, colocando pneus médios. Se não fosse isso, provavelmente os ataques que Vettel fez a Hamilton para tentar desfazer a dobradinha poderiam ter tido outro desfecho. Mas isso está nos campos do "talvez", e na realidade, o alemão ficou com o terceiro posto, na frente do Red Bull de Daniel Ricciardo, do Williams de Felipe Massa... e do Haas de Romain Grosjean. De "ameaça" no inicio da sua carreira, tornou-se num excelente piloto, dando à sua equipa novata os oito primeiros pontos da sua história. Claro, Felipe Nasr fez melhor no ano passado, mas ali "só" chegaram onze carros, enquanto que em 2016, foram dezasseis os que cruzaram a meta. 

O dia com céu azul, ao contrário dos últimos dois dias, e para começo de trabalhos, iniciou-se com as pessoas ainda a falarem sobre a qualificação de ontem, do qual todos... odiaram. Resultado final, os donos de equipa reuniram-se (mais a FIA e o tio Bernie) e decidiram por unanimidade deitar fora este modelo de qualificação e ficar com o antigo antes da próxima corrida, no Bahrein. Todos ficaram felizes, mas isto foi mais um sinal de que o pessoal anda um pouco como galinha sem cabeça, na sua obsessão por dar o máximo de espectáculo possível.

A largada começou por ser surpreendente, para quem esperava mais do mesmo. Lewis Hamilton largou mal e Sebastian Vettel aproveitou bem, para ficar com a liderança, superando Nico Rosberg. Na curva, Hamilton foi apertado pelo seu companheiro de equipa e cairia mais alguns lugares, cruzando a meta no sétimo posto, sendo superado por Max Verstappen e Felipe Massa. Kimi Raikkonen, por exemplo, superou toda a gente e já era segundo, para gaudio dos "tiffosi". E quem também tinha dado "o pulo do gato" tinha sido Pascal Werhlein, que da última fila, acabava a primeira volta na 14ª posição, na frente dos Haas, Sauber e do problemático Renault de Kevin Magnussen.

Nas voltas seguintes, Hamilton subia para o quarto posto, enquanto que Ricciardo passava Massa e era quinto. Mas o inglês não conseguia aproximar-se do Toro Rosso do filho de Jos Verstappen, que era tão ou mais eficiente do que o Mercedes e consolidava o lugar mais baixo do pódio... mesmo com um motor Ferrari do ano passado.

Na volta 14, Vettel entrou nas boxes para meter pneus médios e a liderança passava para Raikkonen, e quando voltou, passou facilmente Hamilton. Rosberg também foi às boxes, para fazer a mesma coisa, e parecia que o baile iria prosseguir quando Fernando Alonso se aproximou da traseira do Haas de Esteban Gutierrez... e causou estrago.

O acidente do piloto das Asturias foi aparatoso, a lembrar outro acidente que aconteceu no mesmo local vinte anos antes, com o Jordan de Martin Brundle. Como em 1996, a corrida ficou interrompida com bandeiras vermelhas, e como nesse ano, o piloto saiu dali ileso, a olhar para a amalgama de fibra de carbono que tinha sobrado do seu McLaren.

Demorou cerca de vinte minutos para limpar os detritos e tirar o carro de Alonso e Gutierrez dos seus lugares, e quando voltou, tinha menos um elemento: o indonésio Rio Haryanto estava fora de corrida devido a problemas no seu Manor.

A corrida recomeçou com Vettel a tentar distanciar-se dos Mercedes com os supermacios, e Raikkonen estava a tentar a mesma coisa quando na volta 23, o motor deu de si e abandonou a corrida, deixando as coisas cada vez mais para... os alemães, já que Hamilton estava trancado atrás do Toro Rosso de... Carlos Sainz Jr. E somente se livrou dele quando este foi às boxes.

E foi da Toro Rosso que veio uma grande confusão. Max Verstappen entrou nas boxes, mas eles não estavam prontos para ele. As coisas demoraram muito e só voltou para a pista na 11ª posição, deitando fora uma grande chance de pódio, e claro, reclamando da equipa. E não ficaria por ali, quando mais tarde pediu para eles que Sainz o deixasse passar. Só que isso não aconteceu e o junior ficou ainda mais irritado... e a quatro voltas do fim, perdeu o controlo do seu carro. A sua sorte é que foi o suficiente para pontuar. No décimo posto, mas pontuou.

Vettel parou na volta 36 e voltou à pista com supermacios, pois a Ferrari decidiu que ele iria tentar apanhar Rosberg com um ritmo de qualificação. Este decidiu andar com médios, pois sabia que estes funcionariam. Aliás, algo que foi testado vezes sem conta em Barcelona, no mês passado... Hamilton também parou, e no meio disto tudo, ficou com o segundo posto, depois de passar Massa e Ricciardo ter parado nas boxes.

No final, Hamilton resistiu aos ataques de Vettel e ficou com o segundo posto, provando que ter pneus médios compensou para o carro que têm, mas também foi os seus talentos a conduzir que o fizeram merecer o segundo posto, depois de tudo o que tinha passado. A Ferrari demonstrou que tinha performance, mas não chegou para paranhar os Flechas de Prata. E atrás, os mais felizes eram os americanos. Na comunicação para as boxes, Romain Grosjean disse tudo: "isto foi uma vitória para nós". Ele tem razão: eles podem não ter muitas mais chances de pontuar ao longo desta temporada...

As imagens do dia


Se estivesse a ver isto em 1982, com os carros de aluminio, estaria a falar sobre o trágico fim do piloto que estava dentro dele, como aconteceu nesse ano a Gilles Villeneuve. Mas de ali até aos dias de hoje, tudo mudou. E agora, falamos que o piloto saiu ileso de um acidente aparatoso, que tem tudo para ser o mais impressionante da temporada. 

Numa só geração, os carros de Formula 1 evoluiram imenso, e os engenheiros decidiram reduzir os riscos de morte a (quase) zero. E a cada acidente destes, temos de agradecer a eles por fazer com que os pilotos saiam dali ilesos.