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quarta-feira, 11 de outubro de 2023

A imagem do dia (II)





Gentleman drivers, aventureiros com a paixão da Formula 1 sempre existiram. Mas no final dos anos 70 e inicio dos anos 80, isso tinha diminuído bastante por causa da quantidade de equipas que apareciam, que preenchiam as grelhas de partida, e faziam os seus próprios chassis. Mas existiam um ou outro privado, com a sua própria estrutura, gerindo os chassis dos outros. E nesse final dos anos 70, existia na Grã-Bretanha um campeonato nacional, o Aurora Series, onde pilotos corriam em chassis com um ou mais anos, experimentando as máquinas mais potentes, caso viessem da Formula 3 ou Formula 2, e claro, tentar a sua sorte na categoria máxima do automobilismo.

Um dos pilotos era o espanhol Emílio de Villota. Nascido a 26 de julho de 1946 em Madrid, desde 1972 que competia internacionalmente, primeiro nos GT's com o Seat 124, e depois, a partir de 1976, nos monolugares, com a ideia de participar na Formula 1. A última tentativa espanhola tinha sido quatro anos antes, com o catalão Alex Soler-Roig, que correram com Lotus, March e BRM, sem resultados.

De Villota chegou à Formula 1 no GP de Espanha de 1976 com um Brabham BT44B inscrito pela RAM Racing - curiosamente, ao lado de outro espanhol, Emílio Zapico, que corria num Williams FW04 - e ambos não conseguiram se qualificar. De Villota continuou nos anos seguintes, montando uma equipa e correndo com um McLaren M23, em 1977, antes de se virar para a série britânica, onde correu com um Lotus 78 em 1979, vencendo e andando na luta pelo título. 

Em 1980, ele tinha um Williams FW07, um dos carros do momento, e pretendia participar no GP de Espanha, que iria acontecer a 1 de junho. Mas nessa altura, a Formula 1 estava ao rubro com uma guerra entre a FISA e os construtores, representados pela Formula One Constructors Association, ou FOCA, dirigidos pelo patrão da Brabham, Bernie Ecclestone. Em causa estava uma multa de dois mil dólares aplicada aos pilotos que não participaram na conferência de imprensa do GP do Mónaco. As equipas queriam pagar a multa, mas Jean-Marie Balestre, o presidente da FISA, fez questão que os pilotos pagassem, caso contrário, seriam excluídos. A coisa ficou tão quente que existia o risco real de cancelamento do GP de Espanha, que iria acontecer a 1 de junho, e só com intervenção do rei Juan Carlos I que isso não aconteceu. 

Como se resolveu? Tirando a corrida das mãos da FISA e colocando no da RACE, o Real Automóvil Club de España. Logo, deixa de estar no calendário da Formula 1.

Contudo, houve repercussões. As equipas FISA - Ferrari, Renault, Alfa Romeo - retiraram-se, Balestre afirmou que esta corrida seria retirada do calendário, não contaria para os pontos, e apenas 22 pilotos alinharam, todas FOCA, e todos com motor Cosworth. E isso incluiu De Villota, no seu Williams. 17º na grelha, em 22 carros - ficou na frente dos Fittipaldi! - a corrida começou pelas 16 horas, depois de um atraso de duas horas por causa de se tentar chegar a um acordo de última hora entre as duas partes. 

Quando a corrida começou, debaixo de um calor de 38ºC, Carlos Reutemann fica na frente, sendo perseguido por Alan Jones e Jacques Laffite. E à medida que as voltas aconteciam, os carros não resistiam ao calor. Problemas de travões, e motores a explodirem faziam encolher o pelotão. Reutemann e Lafite lutam um contra outro na corrida... 

Até que na volta 35, ambos encontram o Williams de De Villota. Que ia levar com uma volta de atraso.

Quando ele viu Reutemann nos espelhos, meteu-se por uma linha interior para que o argentino passasse. Mas Laffite aproveitou a oportunidade para tentar uma manobra arriscada e bateu na traseira do Williams do espanhol. Na manobra, Reutemann foi também atingido e os três acabam por desistir. Os dois primeiros no momento, o espanhol algumas curvas mais tarde. 

No final, Alan Jones ganha a corrida. Apenas seis carros chegam ao fim, e no dia seguinte, a FISA considera que a corrida não conta para os pontos. Aliás, a FISA multou todas as equipas em 1400 dólares cada uma. 

De Villota voltaria a correr em 1982, num March, em cinco corridas. Não se qualificou em nenhuma delas, e entrou na história para ser o último privado a participar em corridas de Formula 1. 

Hoje conto a sua história para homenagear a a sua filha, Maria de Villota, que morreu faz agora 10 anos, um ano depois de um acidente com um chassis da Marussia, no Reino Unido, ter causado fraturas cranianas e a perda do seu olho direito. A autora hispano-venezuelana Rocio Romero escreveu hoje um texto em sua homenagem.

sábado, 11 de outubro de 2014

Maria de Villota, um ano depois

Muitos se lembraram que hoje passa um ano sobre o desaparecimento de Maria de Villota. Parecendo que não, ela fez parte deste mundo fechado e pequeno que é o dos pilotos de Formula 1. E sobre aquilo que ela fez e teve, recordo-me de uma frase que o Emerson Fittipaldi disse em 1970, quando se estreou na Formula 1, em Brands Hatch:

"Alinhei na última fila. ao meu lado tinha o [Graham] Hill, meu ídolo de infância. Se morresse nesse momento, morria feliz. Tinha atingido o meu sonho - alinhar num Grand Prix de Formula 1".

De facto, Maria de Villota nunca alinhou num Grande Prémio. O pai, Emilio de Villota, sempre teve dificuldade em alinhar num, com apenas dois sucessos em 15 tentativas, entre 1977 e 1982 em chassis como McLaren, March, Brabham e Williams. Quando a filha foi vista como uma possível piloto titular na Marussia, muitos torceram o nariz, pois achavam que era apenas para propósitos publicitários. É verdade que os seus resultados nunca foram relevantes, mesmo na Superleague formula, onde alinhou com as cores do Atletico de Madrid, mas ver uma mulher-piloto num mundo de homens é algo raro, mesmo que a ideia de ver uma a batê-los ainda faça parte do dominio da ficção cientifica.

Mas aquele dia de julho de 2012, no aeródromo de Duxbury, mudou tudo. Num dos acidentes mais bizarros da história da Formula 1, De Villota perdeu o controlo do seu carro num teste de linha reta e embateu com o seu capacete na porta do camião que levou o seu carro até aquele local. Um grave fratura craniana, a perda do olho direito e o consequente desfiguramento. Felizmente recuperou, mas viveu apenas mais um ano e três meses até que sofreu um derrame num quarto de hotel de Sevilha e morreu.

Por uma cruel partida do destino, isto acontece precisamente numa altura em que temos outro piloto da Marussia a lutar pela vida, Jules Bianchi. Também vitima de um acidente, desta vez em corrida, e com ferimentos graves na cabeça devido à desaceleração causada pelo choque. A extensão é grande e o mundo da Formula 1 vive em suspenso, pois algo que julgavam ter desaparecido de vez há vinte anos, poderá estar de volta. São tempos sombrios, estes em que lembramos de Maria de Villota.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Michael Schumacher, seis meses depois

Primeiro que tudo, um aviso aos frequentadores deste canto: isto não passa mais do que um artigo de opinião sobre o piloto, logo, isto não é uma noticia e nem deve ser tratada como tal. Só toco neste assunto para assinalar a data, pois passam hoje precisamente seis meses sobre o seu acidente, na estância de ski francesa de Meribel.

Nos últimos tempos, as grandes novidades em relação ao seu estado de saúde foi que a assessora de imprensa, Sabine Kehm, confirmou que Michael Schumacher saiu do coma - sem referir quando é que isso aconteceu - e que ele foi transferido para uma unidade de saúde em Lausanne, na Suiça, perto da sua casa. Mas foi nessa altura em que se soube alguma coisa sobre o seu estado de saúde. E a ser verdade, é devastador: Schumacher está, de facto, consciente, mas não fala e praticamente pouco mais faz do que mexer com a cabeça quando responde às perguntas que fazem. E percebe-se, agora, a enorme proteção - quase obsessiva - que a família faz sobre ele: é que o Schumacher que conhecemos desapareceu. Será uma pessoa que dependerá dos outros para o resto do seus dias, e mesmo a hipótese de ele se movimentar numa cadeira de rodas será um feito.

Mas também nos últimos tempos também existe outra obsessão, por parte de uma certa imprensa sensacionalista: querer alguma coisa de Schumacher - uma fotografia, um detalhe da sua condição médica - para poder vender jornais ou ganhar imensos cliques nos seus sites porque há certos jornais que seguem uma lei não escrita de que "as personalidades públicas perderam o direito à sua vida privada". E quando se sabe que é na Alemanha que está o jornal que mais se vende na Europa - o Bild, que em alemão significa "Foto" ou "Cartaz" - e claro, a popularidade do piloto alemão é enorme, podemos dizer que a busca pelo "exclusivo" significa mais do que falar com os enfermeiros ou os médicos. Significa tentar entrar nos Cuidados Intensivos e tirar fotos da pessoa. E agora nestes últimos dias, a história do roubo da ficha médica do ex-piloto alemão reforça tudo isso.

Já disse anteriormente que parece anacrónico que, num mundo em que toda a gente se mostra nas redes sociais, incluindo o que anda a comer, beber, escovar os dentes e outras coisas mais intimas, a família de Schumacher se tenha decidido blindá-lo dos olhos do público. Essa atitude agora entende-se, e era algo que já tinha ouvido e falado: o velho Schumacher está morto, pois muito provavelmente, não mais será o mesmo. Mesmo com fisioterapia intensiva e com as inevitáveis melhoras no seu estado de saúde, o fato do piloto ter sofrido o seu trauma na zona frontal do seu cérebro, conhecido por alojar coisas como a comunicação, a visão, o olfato ou o paladar, poderá fazer com que ele não fale mais, não escreva mais, nem veja mais. Ele poderá estar cego, surdo e mudo, e isso não é reversível.

E em certos aspectos, o que aconteceu com ele faz também me lembrar o que sucedeu a Maria de Villota, que está agora a fazer dois anos desde que aconteceu, num teste no aeródromo de Duxbury, na Grã-Bretanha. O seu acidente, apesar de todo o seu impacto ter sido amparado com o capacete que levava, causou sequelas terríveis, (como podem ver nesta foto): perdeu o olho direito, perdeu a sensação do paladar e do olfato e ganhou permanentes dores de cabeça, que a acompanharam até ao final dos seus dias, em outubro de 2013. Portanto, todo e qualquer recuperação que Schumacher possa ter em fisioterapia, pode ser deitado a perder se tiver, por exemplo, um ataque epiléptico ou um derrame cerebral, dado que agora, o seu cérebro está mais frágil do que nunca.

Em suma: até ao final dos seus dias, o assunto Schumacher será sempre algo que estará entre o especulativo e o misterioso. E por vezes, esses assuntos são o palco das conspirações e das obsessões, trazendo ao de cima tudo que o ser humano têm de bom... e de mau. É a matéria que serve para escrever livros.  

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

No Nobres do Grid deste mês...

"Guy Edwards é inglês. Emilio de Villota é espanhol. E têm muita coisa em comum. Primeiro que tudo, tornaram-se pilotos e cresceram nos anos 70, uma altura em que era comum morrerem dois pilotos por ano, pelo menos na Formula 1, para além de mais de uma dezena nas várias competições de automóvel. Os chassis na altura eram de alumínio, os depósitos de gasolina eram vulneráveis, as barreiras de proteção eram escassas e pouco protegiam os pilotos, e os circuitos eram enormes e potencialmente perigosos em qualquer situação, ainda mais à chuva ou ao nevoeiro. (...)"

(...) "Ao contrário de [John] Surtees, as carreiras de Guy Edwards e Emilio de Villota na Formula 1 foram discretas. Nunca pontuaram e e em muitas das vezes, as suas tentativas resultavam em não-qualificações. Foram habituais ocupantes do fundo do pelotão, mas no caso de Edwards, por uma vez esteve nas manchetes dos jornais por um feito: a 1 de agosto de 1976, guiando um Hesketh, ele e mais três pilotos – Harald Ertl, Arturo Merzário e Brett Lunger - conseguiram salvar o austríaco Niki Lauda das chamas que consumiam o seu Ferrari. O austríaco sobreviveu a uma morte certa, mas não evitou ficar com a cara marcada para sempre, e voltou ao cockpit 40 dias depois. Pelos seus feitos, Edwards acabou o ano a ser condecorado pela Rainha, que lhe concedeu a “Queen’s Gallantry Medal”. (...)

(...) "Os três acabaram por ter filhos, e quando eles decidiram que queriam ser pilotos, tal como eles tinham sido, eles ficaram aliviados pelo facto de os nossos tempos serem totalmente diferentes: a segurança dos carros e dos circuitos aumentou de tal forma que um acidente mortal tornou-se em algo tão raro que roça o impossível. É verdade, mas essa redução não chegou a zero. Toda a gente sabe que o automobilismo continua a ser um desporto perigoso, só que não lembramos muito disso porque, ao contrário do que acontecia nos anos 60 e 70, já não morrem tantos pilotos." (...)

Num espaço de três dias, Guy Edwards e Emilio de Villota viveram a suprema ironia de ver os seus filhos, que também seguiram a carreira de pilotos, morrerem. Maria de Villota, filha de Emilio, morreu num hotel de Sevilha vitima das consequências do seu acidente de julho do ano passado, quando conduzia um Marussia de Formula 1 no Aerodromo de Duxbury, onde ficou com graves lesões cranianas e a perda do seu olho direito. Quanto a Sean Edwards, filho de Guy, era um talentoso piloto na Porsche Supercup quando na segunda-feira, 15 de outubro, quando fazia de instrutor no Queensland Raceway, o Porsche onde seguiam se despistou e embateu violentamente nos rails de proteção, tendo morte imediata.

Aos dois pilotos, lembrei da história de John Surtees, que em 2009 viu o seu filho Henry morrer em Brands Hatch, num acidente numa prova de Formula 2. Henry tinha na altura 18 anos e parecia que iria seguir os passos do pai. E ironicamente, Sean fez do seu pai no filme "Rush", revivendo os momentos em que ele salvou Niki Lauda.

Tudo isso e muito mais podem ler na crónica deste mês do "Nobres do Grid", sob o título de "Os Sobreviventes", que podem ler a partir deste link.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A foto do dia: Guy Edwards e Emilio de Villota, Silverstone, 1981

Guy Edwards e Emilio de Villota foram dois dos pilotos que ajudaram a colorir o fundo do pelotão da Formula 1 no final dos anos 70, inicio dos anos 80. Estes dois pilotos ajudaram também a colorir o pelotão da Aurora Series, o campeonato de Formula 1 britânico que existiu entre 1979 e 1982, correndo em vários chassis: o espanhol com um Lotus 78, o britânico com um Fittipaldi F5A, no qual venceu corridas.

Mas Edwards e De Villota correram juntos por uma temporada. Esta foto foi tirada nos 1000 km de Silverstone, em 1981, a bordo de um Lola - Ford, modelo T600, com o numero 1. A corrida não lhes correu bem, pois abandonaram-na... devido à falta de combustível. E é essa a foto que coloco aqui, que está no Flickr e quem mo mostrou foi o Leo Paginale.

O Jorge Covas contou-me depois no Facebook que eles correram juntos durante toda a temporada de Endurance de 1981, entre os quais as 24 Horas de Le Mans, na companhia de outro espanhol, Juan Hernandez. Nessa corrida, acabaram no 15º posto, mas ao longo do campeonato, tiveram duas vitórias a bordo do Lola: uma nas Seis Horas de Enna-Pergusa e outra nos 1000 km de Brands Hatch

Hoje em dia, Edwards têm 70 anos, e De Villota 67. Ambos tiveram filhos, e todos eles seguiram as carreiras dos pais. De Villota até teve a grata surpresa de ver uma das suas filhas, Maria, ser também piloto. Mas quis o destino ser cruel e vê-los perder os seus filhos em poucos dias, com Maria de Villota a morrer vitima das sequelas do seu acidente no ano passado, quando testava um Marussia de Formula 1, e Sean Edwards, talentoso piloto a bordo de Porsches e na Endurance, a morrer vitiam de um acidente quando instruia um piloto no Queensland Raceway, na Austrália. Os seus filhos morreram com quatro dias de diferença.

Um ano antes, Sean Edwards fez do seu pai no filme "Rush", onde ele foi um dos salvadores de Niki Lauda em Nurburgring, no já distante ano de 1976. E foi por causa desse salvamento que Guy Edwards foi condecorado pela Rainha Isabel II com a "Queen's Gallantry Medal". 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Formula 1 em Cartoons: Maria de Villota (1980-2013)

O desenho é comovente. Mesmo que não tenha feito qualquer Grande Prémio de Formula 1, as pessoas acolhem-na como se fosse sua.

E sobre o desenho, acho que falta ali o Jim Clark, Jochen Rindt e a Lella Lombardi...

Não consigo identificar o autor do desenho. Alguém sabe quem é?

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Noticias: De Villota morreu devido a sequelas do seu acidente

A autópsia à piloto espanhola Maria de Villota, encontrada morta esta manhã no seu quarto de hotel em Sevilha, revelou que aparentemente ela morreu devido a uma sequela neurológica decorrente das lesões sofridas em julho do ano passado, no acidente que teve no aeródromo de Duxbury, onde numa sessão de testes a bordo de um Marussia, sofreu um grave traumatismo craniano-maxilar e a perda do seu olho direito.

"Queridos amigos, venho lhes informar que o médico forense nos disse que a morte de Maria foi causada por sequelas e danos neurológicos do acidente que ela sofreu no ano passado. Maria será enterrada em um jazigo familiar em Madrid, e desde já agradeço o apoio e o carinho demonstrados por todos vocês", afirmou a sua irmã Isabel.

Entretanto, o governo espanhol, pela voz do Ministro do Desporto, Juan Ignacio Wert, anunciou que concederá a título póstumo a medalha de ouro da Ordem Real do Mérito Desportivo, reconhecimento normalmente atribuído a atletas que contribuíram para o desenvolvimento do desporto.

Entretanto, enquanto pilotos e dirigentes renderam homenagem a De Villota em Suzuka, surgiram noticias sobre a sua última entrevista, que tinha sido dada esta terça-feira à Navarra TV. Questionada pelo entrevistador sobre os seus motivos para viver e vencer na vida, De Villota foi objetiva: "Se ganha com dois componentes essenciais: estar perto das suas pessoas, dos amigos, inclusive gente que você não conhece mas que te manda muita energia, reza por você e está por perto... E com a paixão. Com o sonho de viver, com amor, com todas essas coisas que te dão vida e que suprem as principais perdas. Vamos viver de uma maneira apaixonada", disse.

Na entrevista, voltou a dizer que tinha memórias claras do acidente, e tinha pesadelos com isso: "Meu caso foi um pouco especial, porque tive uma lesão cerebral, mas os médicos esperavam que eu não seria capaz nem de falar e nem de lembrar. Mas eu me recordo. Não sei por que... creio que o destino quis que esse episódio não passasse esquecido. Tenho pesadelos, não posso evitar. Mas assim que me levanto, desconecto, o acidente passou. Mas foi parte da minha história."

"A partir daí, tive uma segunda oportunidade de viver. Me considero uma privilegiada, e estou começando a viver minha segunda vida. Com coisas em comum da velha María, e coisas que estou descobrindo, coisas novas", concluiu.

ATUALIZAÇÃO: O Andy Bono, que trabalha na versão espanhola do GPUpdate.com, acaba de colocar na sua página do Twitter que De Villota será cremada este sábado em Sevilha, numa cerimónia privada, antes das suas cinzas serem colocadas no jazigo da sua familia, em Madrid. 

The End: Maria de Villota (1980-2013)

A piloto espanhola Maria de Villota foi encontrada morta esta sexta-feira num quarto de hotel em Sevilha, onde iria participar num congresso. Tinha 33 anos e era filha do ex-piloto Emilio de Villota.

De acordo com a Cadena Ser, os serviços de emergência foram chamados ao hotel onde estava hospedada pelas sete da manhã, onde após algum tempo de reanimação, a declararam como morta. A imprensa afirma que não foram encontradas drogas ou sinais de violência. A família já emitiu um comunicado onde confirma a notícia, mas para já não dizem nada sobre a "causa mortis": "Queridos amigos: A Maria morreu. Foi para o Céu como todos os anjos e damos graças a Deus pelo ano e meio que ela ainda esteve entre nós. A família Villota".

A piloto espanhola estava para lançar a sua biografia na semana que vêm, com o título "A Vida é um Presente", onde falaria sobre o seu acidente em julho do ano passado e a recuperação das cirurgias que foi submetida à cabeça, para reduzir as fraturas cranianas sofridas.

Nascida a 13 de janeiro de 1980, em Madrid, era filha do piloto Emílio de Villota, que andou na Formula 1 entre 1976 e 1982, sem grandes resultados. Crescendo num ambiente automobilístico, começou a correr aos 21 anos na Formula 3 espanhola, onde ficou até 2005. Depois teve participações na Ferrari Challenge e no WTCC, entre 2005 e 2007, para em 2008 fazer uma participação na Formula 3000 Euroseries, onde foi sétima na corrida de Spa-Francochamps.

A partir do ano seguinte, participou na Formula Superleague, defendendo as cores do Atlético de Madrid, onde conseguiu alguns bons resultados, sendo o melhor um quarto lugar na segunda corrida de Nurburgring, em 2010. Por essa altura, tentava a sua sorte na Formula 1, tendo feito um teste no circuito de Paul Ricard, a bordo de um Renault R29 de 2009, no sentido de obter a Super-Licença. E no inicio de 2012, conseguiu um lugar como terceiro piloto da Marussia, esperando que pudesse ser usada para as sessões de testes que a equipa pudesse fazer.

Contudo, quando a equipa a chamou para tal tarefa... foi quando o azar aconteceu. No dia 3 de julho de 2012, a Marussia fazia testes aerodinâmicos no aeródromo de Duxbury, no sul de Ingaterra, quando a piloto pisou demasiadamente o acelerador e foi de encontro com a a porta do camião que tinha transportado o chassis até ao local. O capacete levou com todo o impacto, fazendo com que ela sofresse fraturas graves na sua cabeça, bem como a perda do seu olho direito. Socorrida de imediato - o resgate demorou mais de uma hora - e em estado grave, foi operada de emergência para reduzir as fraturas.

A sua recuperação foi lenta, mas em outubro desse ano, estava suficientemente bem para fazer a sua primeira aparição pública na revista "Hola", onde afirmou que tinha sofrido mais do que um olho perdido e fraturas cranianas: tinha perdido o sentido do olfato e do paladar, e sofria de dores de cabeça constantes, do qual afirmava que provavelmente iria passar por mais cirurgias, para resolver a sua situação. E afirmava que se recordava de tudo o que se passou:

“Lembro-me de tudo, até mesmo do momento do impacto. Quando acordei, todos estavam à minha volta e ninguém sabia se eu iria falar, ou como iria falar. Comecei a falar em inglês, porque achei que estava nos exames da FIA e que o enfermeiro era um instrutor”, começou por dizer.

“Então, meu pai me disse ‘por favor, Maria, fale em espanhol, porque sua mãe não está entendendo metade das coisas’. Foi quando fiquei ciente de tudo, do que tinha acontecido, de onde eu estava e o porquê de eu estar lá”, completou.

Quando viu as cicatrizes no seu rosto, confessou que sentiu um choque: “No começo, a lesão estava coberta, então eu não podia vê-la. A primeira vez que me vi no espelho, eu tinha 140 pontos no rosto, que pareciam costurados com corda de barco. Fiquei horrorizada”, disse. E naquela altura, revelava que ainda sentia sequelas: “Tenho dores de cabeça que ninguém sabe quanto tempo irão durar. Talvez anos. Tenho que evitar me esforçar por causa da pressão craniana. Também perdi paladar e olfato – agora, gosto das coisas com o gosto bem forte”, referiu.

Nessa entrevista ainda esperava que, num futuro mais ou menos distante, ela poderia voltar a correr. “Ainda não sei. Tudo depende da licença. Há pilotos nos Estados Unidos que perderam um olho e ainda assim têm a licença. Mas a verdade é que você perde um pouco do senso de profundidade, porque são os dois olhos que te dão perspectiva”, contou.

A partir dali, dedicou-se a contar a sua vida e à segurança rodoviária, e ela iria dar o seu testemunho nesta sexta-feira em Sevilha quando aconteceu o desfecho fatal. Ars lunga, vita brevis  

terça-feira, 4 de junho de 2013

A foto do dia

O acidente de Maria de Villota foi há quase um ano (vai fazê-lo no mês que vêm), mas ver as imagens do seu capacete, após este tempo todo, ainda impressionam. Falamos de um capacete de quatro mil euros, feito em fibra de carbono, desenhado para resistir a muitos obstáculos, mas não, naquele caso em particular, a uma porta de um camião.

O rasgão é explicável: foi o capacete que aguentou todo o impacto da batida, tendo ela perdido o seu olho direito e ficado com fraturas no crânio e no maxilar, do qual ela sofre - e provavelmente sofrerá durante muito tempo - de fortes dores de cabeça.

Após este tempo todo - e de ficarmos felizes por vê-la viva, apesar das sequelas permanentes - não deixo de ficar impressionado com aquele rasgão no capacete. Da mesmo forma que fiquei impressionado quando vi a ressonância magnética do crânio dela após o seu impacto, em julho do ano passado. Apesar de tudo, espero que isto não a impeça de voltar a conduzir, apesar de continuar achar que ela não é a melhor piloto do mundo. Mas gostaria de voltar a ver num carro, como fez Alex Zanardi depois de perder as pernas naquele horrível acidente de Lausitzring, em 2001. Porque o automobilismo precisa de mais exemplos de superação, só isso.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O crânio de De Villota e como sobreviveu

Agora que ela hoje falou à imprensa, em Madrid, vi agora no Facebook esta imagem da radiografia compturizada de Maria de Villota após o seu acidente em julho, com o Marussia, numa sessão de testes num aeródromo britânico. Isto é impressionante, e ficamos cada vez mais impressionados com o facto dela ter recuperado e a único trauma visível foi a perda do seu olho direito, para não falar das constantes dores de cabeça que vai ter e a cicatriz no seu lado direito da cara.

No final disto tudo, tem que se dar os parabéns aos médicos por terem conseguido consertar o que parecia à partida algo muito complicado para ser feito. E ela ter vivido para contar a história.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A primeira entrevista de De Villota depois do acidente

Três meses após o seu acidente, quando testava o Marussia, num aeródromo britânico, a piloto Maria de Villota deu uma entrevista à revista "Hola" para falar sobre o acidente que quase lhe custou a vida e que o fez perder o olho direito. E diz que se recorda de tudo o que se passou:

“Lembro-me de tudo, até mesmo do momento do impacto. Quando acordei, todos estavam à minha volta e ninguém sabia se eu iria falar, ou como iria falar. Comecei a falar em inglês, porque achei que estava nos exames da FIA e que o enfermeiro era um instrutor”, começou por dizer.

“Então, meu pai me disse ‘por favor, Maria, fale em espanhol, porque sua mãe não está entendendo metade das coisas’. Foi quando fiquei ciente de tudo, do que tinha acontecido, de onde eu estava e o porquê de eu estar lá”, completou.

Filha de Emilio de Villota, que tentou a sua sorte na Formula 1 nos anos 70 e 80, e atualmente com 32 anos,refere o que sentiu quando viu as cicatrizes no seu rosto: “No começo, a lesão estava coberta, então eu não podia vê-la. A primeira vez que me vi no espelho, eu tinha 140 pontos no rosto, que pareciam costurados com corda de barco. Fiquei horrorizada”, disse. 

E três meses depois do acidente, revela que ainda sente sequelas: “Tenho dores de cabeça que ninguém sabe quanto tempo irão durar. Talvez anos. Tenho que evitar me esforçar por causa da pressão craniana. Também perdi paladar e olfato – agora, gosto das coisas com o gosto bem forte”, referiu.

De Villota, que amanhã irá dar uma conferência de imprensa em Madrid para falar sobre o acidente, revela que continua a ter dúvidas sobre se vai continuar no automobilismo. “Ainda não sei. Tudo depende da licença. Há pilotos nos Estados Unidos que perderam um olho e ainda assim têm a licença. Mas a verdade é que você perde um pouco do senso de profundidade, porque são os dois olhos que te dão perspectiva”, contou.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Noticias: Maria de Villota já saiu do hospital

Depois de alguns dias no Hospital de la Paz em Madrid, a piloto Maria de Villota já teve alta para completar a sua recuperação em casa. Apesar desta boa noticia, De Villota, de 32 anos, irá ter de voltar para fazer as devidas operações para corrigir as suas graves lesões na face, sofridas no dia 3 de julho no aerodromo de Duxford, quando fazia os seus testes em linha reta, a bordo do seu Marussia.

“A condição do paciente é boa e nos dias em que esteve internado no nosso hospital, recebeu a atenção dos nossos departamentos de cirurgia plástica, neurologia e oftalmologia que continuarão a seguir a paciente.” lê-se no comunicado do hospital.

Entretanto, segundo a revista alemã Auto Motor und Sport, a Marussia poderá apresentar nos próximos dias as suas conclusões ao acidente de De Villiota. A revista fala que a equipa chegou à conclusão que o acidente se deveu a “uma cadeia de desafortunadas circunstâncias e erros”. 

Na descrição da revista é referido que a piloto espanhola deveria ter feito uma curva antes de se imobilizar nas boxes, e que se esqueceu de premir o botão “neutro”, que coloca a caixa de velocidade em ponto morto, mas não conseguiu premir a patilha da embraiagem. Assim, com o carro engatado, pneus e travões frios, perdeu o controlo do carro e acabou por bater na placa elevatória do camião a cerca de 80 km/hora. 

sábado, 21 de julho de 2012

Noticias: De Villota regressa a Espanha

Maria de Villota, a piloto espanhola que sofreu um acidente no passado dia 3 de julho no aeródromo de Duxford, voltou ontem para Madrid num avião medicalizado, horas depois de ter recebido ‘luz verde’ por parte do hospital para seguir para Espanha. A piloto de 32 anos irá assim completar o processo de recuperação dos ferimentos recebidos na cabeça.

“No decurso destas duas últimas semanas, a Maria tem feito progressos significativos. O ambiente mais confortável e familiar, mais o apoio da sua família e amigos, ajudará certamente a começar a próxima fase da sua recuperação. A Marussia F1 Team manteve-se em contacto com a equipa médica no Hospital de Addenbrook desde que a Maria deu entrada e gostaria de expressar a sua gratidão pela atenção e carinho que recebeu lá”, refere o comunicado oficial da Marussia.

Recorde-se que a filha do ex-piloto Emilio de Villota sofreu um acidente no passado dia 3 de julho, quando fazia testes aerodinâmicos no aeródromo de Duxford. Perdeu o controlo do seu carro a pouco mais de 80 km/hora, batendo com o capacete numa das portas do camião, que estava descido à altura da sua cabeça, sofrendo um forte traumatismo craniano e a perda do seu olho direito.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Noticias: De Villota continua a sua recuperação

Maria de Villota continua a recuperar no Addenbrook's Hospital, em Cambridge, mas o comunicado lançado esta terça-feira pela familia não avança alguma data para que tenha alta do hospital, e também afirma que ainda não está em condições de participar em qualquer inquérito que esteja a decorrer neste momento sobre as circunsâncias do seu acidente de há duas semanas, no qual ficou com ferimentos graves na sua cabeça e na perda do seu olho direito.

"María não se encontra ainda em condições suficientemente boas para participar em alguma das investigações sobre as causas do acidente. Não se fará qualquer comentário em relação a isso até que as investigações estejam concluídas e estejam disponíveis ao público", lê-se no comunicado oficial, escrito pela sua irmã Isabel.

A piloto espanhola de 32 anos sofreu um acidente no passado dia 3 de julho, no aeródromo de Duxford, no sul da Grã-Bretanha, quando perdeu o controle do seu Marussia, após ter feito uma série de testes aerodinâmicos. Ao que tudo indica, de Villota pode ter perdido o controlo do seu carro a mais de 80 km/hora, indo ter com um dos camiões presentes, atingindo uma das suas portas com o capacete.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Noticias: Marussia exclui problemas mecânicos no acidente com De Villota

A Marussia divulgou esta tarde o resultado do seu inquérito ao acidente de Maria de Villota, que aconteceu há quase duas semanas no aeródromo de Duxford e que resultou em ferimentos graves na cabeça e na perda do olho direito.

“A nossa investigação exclui o carro como fator no acidente. Já o partilhámos com a HSE (Dep. Saúde e Segurança na Grã-Bretanha), que realiza a sua própria investigação. Este era um passo necessário na tentativa de entender o que se passou”, referiu John Booth, diretor da equipa.

De Villota, de 32 anos, estava a fazer um teste aerodinâmico no aeródromo do sul da Grã-Bretanha quando perdeu o controlo do seu carro e bateu na rampa de um dos camiões que estavam presentes, descido ao nivel do capacete do seu piloto. Transportada em estado grave para o hospital, sofreu ferimentos graves na cabeça e na perda do olho direito. Neste momento, apesar de ainda estar ho hospital, está em processo de recuperação e poderá ser transferida para Espanha nos próximos dias.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fibra de Carbono, episódio 16

Depois de duas semanas de ausência, o Fibra de Carbono está de volta, num programa onde falamos sobre o GP da Grã-Bretanha e a vitória - e posterior renovação do contrato - de Mark Webber, e falamos também de António Félix da Costa, que agora é piloto poiado pela Redbull e venceu neste fim de semana que passou uma das rondas da etapa britânica da GP3. 

E claro, não poderiamos deixar passar os eventos que rodearam o acidente da piloto espanhola Maria de Villota. 

Em semana de treta técnica, falamos dos alternadores, que deram tanta dor de cabeça a Sebastian Vettel e Roman Grosjean em Valencia. 

Tudo isto e muito mais, podem ver a partir de agora através deste link: http://www.fibracarbono.net/podcast/episodio-16-gp-da-gr-borracha.html

Noticias: De Villota pode voltar em breve a Espanha

Maria de Villota pode regressar a Espanha dentro em breve. Segundo um site alemão, a piloto espanhola, que sofreu um grave acidente num teste na semana passada, no aerodromo de Duxford, perdendo o olho direito, está a recuperar a olhos vistos, depois de ter saído do coma induzido a que tinha sido sujeito, depois de duas operações no final da semana passada.

“Com exceção da cegueira do olho direito, as hipóteses são boas de que não haja nenhuma outra sequela. Se De Villota não tiver outras complicações, o regresso à sua terra natal, a Espanha, poderá acontecer nesta semana”, informou a equipa. 

A irmã Isabel já afirmou que já conversa com a familia e poderá sair da Unidade de Cuidados Intensivos dentro de algum tempo.

Recorde-se que a piloto de 32 anos sofreu um acidente na passada terça-feira, quando embateu com o seu carro numa plataforma de descarga de um camião, causando ferimentos graves na cabeça e no seu olho direito, levando à sua perda. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Noticias: De Villota já não está mais em estado critico

Maria de Villota foi de novo operada. A Marussia divulgou esta noite um novo comunicado em relação ao seu estado de saúde da piloto espanhola, onde afirma que foi esta manhã submetida a nova operação à cabeça, para diminuir as suas fraturas. Após isto, a sua condição passou agora a ser séria mas estável.

"Os cirurgiões completaram sucessivamente uma nova cirurgia em relação às suas lesões faciais. Após uma primeira operação demorada na madrugada de quarta feira, esta segunda operação demorou significativamente menos tempo. Desde então, a condição de Maria de Villota em relação Às suas lesões na cabeça melhorou de forma a podermos dizer que agora, a sua situação é séria, mas estável.", afirma o comunicado da equipa. 

"Numa nota mais pessoal, ficamos muito encorajados com os desenvolvimentos de hoje, bem como os incentivos por parte dos familiares de Maria De Villota", concluiu.

Recorde-se que a piloto de 32 anos, filha do ex-piloto Emilio de Villota, era uma das pilotos de teste da equipa e estava a andar no carro em testes aerodinâmicos no aeródromo de Duxford quando - ainda por razões por explicar - perdeu o controle do seu carro e atingiu a porta de um camião, causando lesões graves na cabeça e na face, fazendo com que perdesse o seu olho direito. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Noticias: familia de De Villota agradece apoio

Enquanto não surgem novidades sobre a evolução do estado de saúde de Maria de Villota, a familia, na figura da sua irmã Isabel, decidiu emitir esta noite um comunicado sobre a situação geral, agradecendo aos médicos a assistência proporcionada pelo hospital de Addenbrooke, bem como agradecer pelo carinho e pelas mensagens de apoio vindos de todos os cantos do mundo.

“A Maria permanece em estado crítico, mas estável no hospital de Addenbrooke. Enquanto não existem mais notícias, pelo menos sentimo-nos encorajados pelo facto da Maria permanecer estável, especialmente na noite após a operação cirúrgica que foi alvo. 

Nós, a família, estamos a apoiar-nos uns aos outros e sentimos grande conforto pelo facto dela estar a receber cuidados médicos excecionais. Continuamos a acreditar, e isso deve-se, em muito, ao fenomenal apoio e manifestações de ternura que temos recebido um pouco de todos os cantos do mundo. 

Queremos agradecer a todos na Marussia F1 Team por todo o cuidado e atenção que têm mostrado nos últimos dias. 

Com a nossa mais sincera gratidão. 

Isabel De Villota"

Entretanto, um dos jornais em Espanha explicou através deste gráfico o que aconteceu naquela terça-feira no aeródromo de Duxford e tentou avançar com uma explicação plausível sobre o que causou o acidente, sendo a melhor hipótese aquela do mecanismo anti-stall. Mas a Marussia ainda está - oficialmente - a investigar o que sucedeu para que o acidente tivesse tido as consequências que sabemos agora. 

5ª Coluna: Não precipitar as coisas em momentos de crise

Na segunda-feira, estava a escrever sobre o GP de França de 1972, que decorreu no circuito de Charade. Por causa da sua extensão e da sua natureza desafiadora, era considerado como "o Nurburgring francês", mas nessa edição de 1972, ficou marcada por diversos furos, dois dos mais famosos envolveram Chris Amon e Helmut Marko. O neozelandês, a bordo do seu Matra, perdeu ali a sua oportunidade de vencer uma corrida de Formula 1, apesar de ter feito a pole-position e depois a volta mais rápida. 

E em relação ao piloto austriaco, então a pilotar pela BRM, uma das pedras que foram atiradas pelo carro de Emerson Fittipaldi atingiu a viseira de Marko, fazendo um buraco e atingindo o seu olho esquerdo, perdendo em consequência a sua visão. Um acidente bizarro, numa era onde as mortes no automobilismo eram frequentes, mas mesmo assim, o suficiente para terminar com a sua carreira competitiva, ele que era visto como um valor en ascensão, após ter vencido no ano anterior as 24 Horas de Le Mans, a bordo de um Porsche 917.

A imagem do capacete do piloto austriaco, com o buraco do meio, impressiona mesmo após 40 anos, portanto, os eventos de terça-feira no aeródromo de Duxford, no sul britânico, envolvendo a piloto espanhola Maria de Villota, constituem para mim uma coincidência bizarra, e como no caso de Marko, teve consequências: a filha de Emilio de Villota perdeu o olho direito e a sua carreira de piloto deve ter chegado ao fim.

O acidente em si deverá entrar na galeria do bizarro: não se sabe como - se por azelhice ou por alguma falha em algum controlo no carro - o carro guinou para a direita, quando estava em "ponto morto" e no momento em que os mecânicos se preparavam para recolher o carro para a garagem. Azar dos azares, bateu na porta do camião que transporta o chassis, atingindo-a a nível da face. Teve fraturas cranianas e foi operada na madrugada seguinte, infelizmente com a perda do seu olho direito.

O automobilismo foi, é e será sempre um desporto de risco. Nunca haverá cem por cento de segurança neste tipo de coisas, quer em termos de pilotos, mecânicos, quer até em termos de espectadores. Haverá sempre um Acaso que mostrará a fragilidade e de uma certa forma, a inutilidade dos equipamentos de segurança. Os chassis são muito leves e resistentes e isso é uma grande vitória perante ao que acontecia nos anos 60 e 70, onde em média, morriam seis pilotos por temporada em várias modalidades, quer fosse na Formula 1 ou na Endurance, por exemplo. Nesse aspecto, creio que não se pode ceder ao pânico e criar dispositivos absolutamente bizarros, feitos em "cima do joelho". Bom senso é o que se pede agora.

Contudo, há uma coisa que se pode mudar: a história dos testes. A FIA aboliu desde há algum tempo os testes durante a temporada nas pistas ditas de Grau 1, ou seja, as que podem albergar a Formula 1, em nome do controle de custos. Falar sobre isso é um equilíbrio delicado: a razão que isso foi colocado tinha a ver com o evitar de uma "corrida aos armamentos" que poderia fazer com que as equipas mais pequenas saíssem de cena, pois essas não angariavam dinheiro suficiente para, por exemplo, sustentar uma equipa inteira só para os testes de pista. E certas equipas, como a Ferrari, faziam testes exaustivos ao longo do ano porque tinham os meios para tal.

Como sabem agora, desde 2009 que os testes agora acontecem durante um mês, em fevereiro, e são coletivos, para os limitar e juntar toda a gente. A partir do inicio da temporada, com a excepção do "rookie test" em Abu Dhabi, no final da temporada, onde se dá a chance a jovens pilotos de entrar num carro de Formula 1, a proibição é formal, com a excepção dada a um piloto caso haja uma substituição a meio da temporada. Há os simuladores que as equipas têm dentro das fábricas, mas não é propriamente a realidade pura e dura.

Mas há um facto que é preciso falar: o teste de De Vilotta estava a acontecer num aeródromo, num "teste em linha reta" em claro contorno da Marussia à proíbição dos testes colocado pela FIA. Tal coisa nunca iria acontecer se a entidade máxima do automobilismo deixasse que este teste ocorresse numa pista que tem todas as condições para tal. Em suma, a haver um "budget cap", tem de haver cortes noutras áreas que não prejudiquem a segurança. E agora, por causa disso, vai haver quem defenda o levantamento da proíbição dos testes nas pistas. Mas como o fazer sem que volte ao que era dantes? Um solução seria, provavelmente, conceder às equipas determinado número de testes - três ou quatro - em circuitos selecionados fora do calendário, ao longo da temporada.

Em suma, eis algo que deve ser solucionado, mas com cabeça, trono e membros. Qualquer decisão que se tome nesta altura irá soar a "cedência ao pânico". A FIA, nestas situações criticas, deve ter cabeça fria nestes assuntos e tomar uma decisão baseada no bom senso. Para pânico, já bastou o que se viu nas semanas a seguir aos eventos de 1994, e não é isso que a Formula 1 necessita neste momento.