terça-feira, 19 de março de 2013

Youtube Rally Test: Latvala a fundo em Portugal


Faltam três semanas para o Rali de Portugal, mas as marcas já andam a preparar-se para o rali. Neste caso em concreto, trata-se do finlandês Jari-Matti Latvala que anda a testar o seu Volkswagen Polo R WRC no Alentejo, no sentido de se preparar da melhor maneira possível para a primeira prova em solo europeu. 

As imagens são de ontem, e pelos vistos, o finlandês está a dar o seu melhor. E só se espera que não acabe na valeta...

O novo grande desafio de Robert Kubica

Depois de se ter sabido o programa de ralis de Robert Kubica e de na semana passada se ter sabido qual será a decoração do novo carro, o piloto polaco falou na conferência de imprensa que teve em Varsóvia, na apresentação do novo carro, para referir os desafios que terá na frente nesta temporada, que vai começar nas ilhas Canárias e que terá passagens no rali de Portugal e nos Açores, ambos ralis de terra, ao contrário do asfalto, no qual ele já mostrou excelentes dotes de condução:

“Todos os ralis serão novos para mim, mas o Rali de Portugal será o mais difícil. Apesar de haver quem tenha dito que já testei em pisos de terra, a verdade é que nunca o fiz. Vamos testar após o Rali das Canárias e o Rali de Portugal será o meu primeiro evento do WRC, primeiro rali de terra, e pela primeira vez vou disputar troços tão grandes, um deles tem mais de 50 km. Será um rali de aprendizagem para nós. O meu objectivo é aprender, e a experiência é fundamental aqui. Se nos circuitos se realizam muitas voltas, nos ralis é importante as notas serem perfeitas e para mim é importante trabalhá-las.”, disse.

Ao todo, o polaco de 28 anos vai fazer sete provas do Mundial, começando a sua participação no Rali de Portugal, para além de cinco participações no Europeu de Ralis, todos eles a bordo de um Citroen DS3 RRC.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Automobilismo e Conclaves


Este ano, vivemos algo inédito nas nossas vidas. Pela primeira vez em quase 600 anos, um Papa decide abdicar em vez de esperar que a Natureza cumpra o seu destino e fique no cargo até ao final dos seus dias. A eleição do novo papa, o argentino Jorge Bergoglio, o primeiro proveniente da América do Sul, aconteceu precisamente na semana em que, no outro lado do Mundo, no circuito australiano de Melbourne, começava mais uma temporada de Formula 1.

E num pequeno exercício de memória, descobri uma coisa tremendamente interessante: existe uma coisa em comum entre a eleição de um Papa e a vitória de um carro que tenha um de dois nomes: Lotus e Renault. E com a vitória de Kimi Raikkonen em Albert Park, poderá ser um indicador de que este pode ser o vencedor do campeonato. É que sempre que a Formula 1 acontece em anos de Conclave - excepto por um - um carro Lotus ou Renault é campeã do mundo. Mais: ele vence em anos de domínio. E mesmo no ano da excepção, o nome da equipa fundada por Colin Chapman não anda longe. Ao longo das linhas seguintes, vou mostrar-vos essas coincidências históricas.

Desde que a Formula 1 começou, em 1950, houve até agora seis Conclaves Papais: 1958, 1963, 1978 (duas vezes), 2005 e agora, em 2013. E fazendo esse exercício, descobre-se que a Formula 1 passou por anos bem interessantes. Quando Pio XII morre, a 9 outubro de 1958, a temporada estava prestes a acabar e era marcado pelo duelo entre a Vanwall e a Ferrari, com os britânicos Mike Hawthorn e Stirling Moss a lutarem pelo ceptro individual. Faltavam dez dias para o GP de Marrocos para decidir tudo, mas a temporada de 1958, que foi a primeira a instituir o título de Construtores, tinha mais equipas britânicas do que italianas (Cooper, BRM, Vanwall, Connaught...) E uma delas - que tinha chegado nesse ano - se chamava... Lotus.

Cinco anos mais tarde, quando a 3 de junho de 1963, João XXIII acaba por morrer, aos 81 anos, vitima de um cancro no estômago, a pequena equipa fundada por Colin Chapman tinha alcançado o topo. Tinha feito o modelo 25, o primeiro monocoque da categoria, e tinha encontrado o seu piloto ideal, na figura do escocês Jim Clark. Quando o Conclave escolheu o Cardeal Montini para ser Paulo VI, a 23 de junho desse ano, Clark estava entre duas vitórias: uma a chuva, em Spa-Francochamps, e outra na Holanda, em Zandvoort. No final do ano, o piloto escocês iria dar a ele mesmo e à equipa os titulos de pilotos e construtores, ambos pela primeira vez.

Quinze anos depois, quando o mundo assistiu a mais do que um Conclave num ano - o primeiro desde 1605 - onde o primeiro escolhido, Albino Luciani, não viveu mais do que 33 dias como João Paulo I. E dois meses depois, em outubro, os cardeais decidiram escolher, pela primeira vez desde 1532, um papa não italiano, na figura do Cardeal Karol Woityla, ou João Paulo II. E como acontecera em 1963, era um ano de domínio da Lotus, pois foi nesse ano que Colin Chapman introduziu um carro que iria revolucionar o automobilismo  com o Lotus 79, que aplicava na perfeição os princípios da asa invertida, ou o efeito-solo.

Nesse ano, a equipa de Chapman tinha uma dupla imbatível na figura do italo-americano Mário Andretti e do sueco Ronnie Peterson. Quando aconteceu o Conclave que escolheu Luciani, a 26 de agosto, estava-se no fim de semana do GP da Holanda, onde Andretti viria a ser o vencedor, numa dobradinha com o sueco Peterson na segunda posição. Iria ser a última de sempre da equipa, antes da trágica consagração de Andretti em Monza, com o seu companheiro Peterson a sofrer o seu acidente fatal. O sueco morre a 11 de setembro daquele ano, apenas 17 dias antes de Luciani morrer, causando choque na igreja. A eleição do segundo Papa, a 16 de outubro, acontece uma semana depois do final do campeonato, no GP do Canadá, onde se viu a primeira vitória de Gilles Villeneuve, no seu Ferrari.

João Paulo II teve um longo papado, e em 2005, quando morre, a Lotus não estava na Formula 1 há dez anos. Mas, tal como em 1963 e em 1978, era um ano de mudança e de domínio de uma equipa: a Renault. O espanhol Fernando Alonso ia a caminho do seu primeiro título, e a quebrar o domínio da Ferrari. Por alturas do conclave que escolheu Bento XVI, a 19 de abril, calhou na semana do GP de San Marino (João Paulo II tinha morrido no fim de semana do GP do Bahrein, a 2 de abril), uma corrida vencida pelo piloto espanhol, após uma batalha épica pela liderança com o Ferrari de Michael Schumacher. Era a sua terceira vitória consecutiva, e por essa altura, se duvidas existissem, a Renault era o candidato numero um para ficar com ambos os títulos. E foi o que aconteceu, no final desse ano.

Quase oito anos depois, com novo conclave a acontecer na semana de inicio desta temporada, há muitas coincidências em relação ao passado. Durante este tempo, a equipa de Formula 1 da Renault, cuja sede  era em Enstone - que anteriormente tinha acolhido a Benetton - decidira sair discretamente de cena como construtor, mantendo-se como fornecedor de motores. O Grupo Genii, que decidira comprar a equipa e as suas instalações, decidira também aliar-se à Lotus, que quando teve o polémico Dany Bahar ao leme, decidira que eles iriam ficar com o nome na Formula 1, simbolizando o regresso da marca à categoria máxima do automobilismo.

E coincidência das coincidências, um Lotus-Renault foi o grande vencedor da primeira corrida de Formula 1 após um conclave papal. Tal como em 1963 e 1978, e em 1958, a data de estreia da Lotus na categoria máxima do automobilismo. E se incluirmos a marca Renault, poderemos dizer que há uma união com o de 2005. Estranhamente, parece que a Lotus tem uma "relação abençoada", mas se isto quer dizer que vão ser os candidatos ao título mundial, pode-se dizer que ainda é cedo para se pronunciar. Mas que quer o carro, quer o piloto são nomes a ter em conta neste ano que promete ser equilibrado, isso é verdade... 

As duvidas e aflições da McLaren

A performance da McLaren na Austrália andou à beira do desastre: Jenson Button foi apenas o nono colocado e Sergio Perez foi incapaz de entrar nos pontos, ficando na 11ª posição. Já se sabia desde os testes de pré-temporada que o MP4-28 não era o carro que a equipa acreditava estar em condições de discutir a vitória, mas o facto de Jenson Button ter tido dificuldades de entrar na Q3 e Sergio Perez não ter conseguido entrar nela fez com que ao longo do fim de semana tenham circulado rumores de que em Woking já se pensava em trocar pelo modelo anterior, enquanto que o novo modelo não se tornava suficientemente competitivo para os pergaminhos da equipa fundada há 50 anos por Bruce McLaren.

Contudo, o seu chefe, Martin Withmarsh já excluiu a ideia de retirar o carro do museu e colocá-lo de novo a correr: “Temos que trabalhar bem neste carro, pois sabemos que tem mais potencial que o modelo do ano passado, e só temos que perceber como o ir buscar. Ainda não o conseguimos entender. Não há uma solução simples, mas não temos dúvidas que pode ser melhorado. Só não sabemos quanto tempo vamos levar…”, disse.

Em suma, por agora, a equipa vai decidir manter a confiança no MP4-28, esperando que as coisas no próximo domingo, na Malásia, sejam totalmente diferentes. Os engenheiros da equipa ainda acreditam que o monolugar de 2013 tem potencial, que por agora está ‘escondido’. Mas até o encontrarem, poderá ser que já seja tarde demais para a equipa conseguir algo para alcançar ambos os títulos. Tal como aconteceu ao chassis anterior...

domingo, 17 de março de 2013

Formula 1 em Cartoons: Austrália (Pilotoons)

Para Kimi Raikkonen, isto foi tão fácil que foi buscar o seu picolé ao frigorífico e controlar o avanço sobre Fernando Alonso e Sebastian Vettel. 

É assim que o Bruno Mantovani retrata o GP da Austrália nos seus Pilotoons. Agora resta saber se vai ser assim para o resto da temporada...

Formula 1 2013 - Ronda 1, Austrália (Corrida)

Depois de uma qualificação e duas partes - do qual podem reler aqui e aqui - a corrida inaugural centrava expectativas dos quais achei por vezes repetidamente exageradas. Especialmente depois do monopólio da primeira fila dos Touros Vermelhos após a "qualificação, parte dois". Muito li no Twitter as expressões das pessoas que receavam que a temporada de 2013 fosse a repetição do padrão de 2011. Experiente que sou nestas coisas - são quase 30 anos a ver, apreciar e observar a Formula 1... - sabia que havia de dar tempo ao tempo. E a melhor prova disso seria a corrida.

Havia um sinal de que as coisas iriam ser diferentes, e tinha escrito em meros 140 caracteres: os pilotos que tinham feito a Q3 arrancariam com os pneus supermacios, ao contrário dos que tinham ficado pela Q2, onde usaram os intermédios. É que eles poderiam mudar de pneus antes da corrida e terem uma vantagem sobre os outros. Isso aconteceu, mas não esperava que um desses "não-qualificados", o regressado alemão Adrian Sutil, tivesse um impacto tão grande na corrida, como acabaria por ter.

A corrida começou com Nico Hulkenberg a ser a primeira vitima do ano, e com os Red Bull a terem dificuldades com os pneus macios, que foram "carcomidos" num instante, o que fez com que o carro não funcionasse em condições de corrida e foram apanhados pela Ferrari e Mercedes, para além do Lotus de Kimi Raikkonen. Outra grande vitima foi a McLaren, que mesmo com todos os esforços de Jenson Button, não conseguia fazer muito com o seu carro. Que contraste com doze meses antes, quando foi o vencedor! 

Mas Adrian Sutil foi o que saiu melhor em toda esta jogada, subindo de posições e acompanhando Raikkonen até ao topo. Tanto que nas primeiras 25 voltas, ele foi o centro das atenções. Andou na liderança e fez render os pneus até onde foi humanamente possivel, demonstrando que o seu ano sabático não faz mal nenhum à sua performance.

Para além disso, a Mercedes demonstrou que estava bem também. Nico Rosberg poderia ter acabado no pódio, se não fosse o seu problema elétrico a estragar a sua corrida. E Lewis Hamilton lutou com Fernando Alonso, Sebastian Vettel e Felipe Massa por um lugar no pódio, numa briga honesta, embora a sua tática de duas paragens não ter sido bem sucedida porque os pneus se degradaram mais rapidamente do que pensava que se iriam degradar.

E as Ferrari demonstraram que estão ali para vencer. Fernando Alonso e Felipe Massa andaram juntos durante grande parte da corrida. É claro que uma corrida não significa nada, mas e uma situação bem possivel: que ambos os pilotos andarão com ritmos iguais. O grande problema foi que Massa arriscou outra tática e não resultou, porque em uma das situações, queria passar Sutil pelas boxes e a coisa não resultou. Mesmo assim, o quarto lugar é muito melhor do que o inicio de 2012, onde as suas performances eram tão más que muita gente pediu a sua cabeça. A Ferrari pode ter feito o mais difícil: recuperar um piloto. E isso pode ser bastante útil mais adiante na temporada, se esta for tão equilibrada como em 2012.

No final, resumiu-se aos pneus e o seu consumo. Kimi Raikkonen foi o melhor porque conseguiu poupar os seus pneus o suficiente para fazer duas paragens, colocando os mais duros para a parte final e fazê-los funcionar de forma a distanciar-se da concorrência. Assim, deu à "Lotus-Renault" a sua segunda vitória desde o seu regresso à Formula 1 e a segunda vitória na atual encarnação. 

E se juntarmos a Lotus de Colin Chapman, parece que voltamos a 1978, quando Mário Andretti venceu na Argentina. Isso quererá dizer alguma coisa? Provavelmente nada, porque ainda faltam dezoito corridas para o final do campeonato e há mais do que um candidato ao titulo, como todos sabem. E incluo nesse cesto de candidatos a Mercedes, mas não a McLaren. Pelo menos, não com este chassis.

Semana que vem, na Malásia, haverá mais ação.

Formula 1 2013 - Ronda 1, Austrália (Qualificação, segunda parte)

Ao aproximarem-se os minutos para a segunda parte da qualificação, as pessoas esperavam que as condições estivessem as melhores para que aquilo que começou ontem de modo caótico, tivesse um bom final, já que a corrida estava a meras seis horas de distância. Não se previa chuva, apesar do céu estar nublado, e a sessão seria curta, dado que por alturas da interrupção, os carros tinham feito a Q1 e essa parte já estava decidida.

Quando os carros estavam a alinhar-se para a Q2, olhei para a tabela de tempos e vi que o lider era o Mercedes de Nico Rosberg, e lembrei-me que o seu carro tem uma espécie de suspensão ativa hidráulica. Uma maneira bem hábil para contornar os regulamentos, já que as suspensões ativas eletrónicas estão abolidas desde 1993. E pensei para mim mesmo: 'Se a Mercedes levar a melhor neste truque e conseguir a pole-position, das duas uma: ou os outros pedem para ilegalizar, ou começa uma nova corrida à tecnologia'.

E era com essa curiosidade na minha mente que me sentei à frente deste portátil para ver a segunda parte da qualificação.

O tempo estava cinzento e a pista húmida. Os primeiros pilotos andaram com pneus intermédios, como os Toro Rosso, por exemplo, pois ainda existiam lugares molhados. Eles andaram assim até que Sergio Perez decidiu calçar pneus slicks. Pouco depois, foi a vez dos Ferrari tentarem a sua sorte. Mas após uma volta dentro da pista, o mexicano voltou às boxes, pois as condições não estavam as ideais.

No final da Q2, pilotos como Perez, Vergne ou Nico Hulkenberg ficavam de fora da Q3, enquanto que quase todos os "graúdos" entraram para o "top ten", com os Mercedes nos melhores lugares, seguido do Red Bull de Sebastian Vettel e do McLaren de Jenson Button.

Com o aproximar da Q3, o mais interessante seria ver se nesta parte alguém iria usar os famosos pneus slicks. Algumas partes do circuito estavam a secar, mas não eram os suficientes para tentar a sua sorte. Jenson Button voltou a sair com os pneus slicks, para voltar a tentar a sua sorte, e aos poucos, todos foram às boxes e tentar a sua sorte com esses pneus. 

E os resultados foram imediatos: Button fez o melhor tempo. A seguir, todos colocaram os seus pneus e os tempos começaram a cair vertiginosamente. 

Após a bandeira xadrez, saiu algo previsível, com Sebastian Vettel a conseguir a primeira pole-position do ano e a 37ª da sua carreira, com Mark Webber a seu lado. Atrás dele, estavam o Mercedes de Lewis Hamilton, a começar bem a sua carreira na Mercedes, e o Ferrari de Felipe Massa, que por pouco conseguiu bater o seu companheiro de equipa, Fernando Alonso. Nico Rosberg, apesar de ter andado grande parte do treino à frente de Hamilton, acabou apenas no sexto posto, na frente dos Lotus de Kimi Raikkonen e Romain Grosjean, e por fim, o Force India de Paul di Resta e o McLaren de Jenson Button, que pagou o preço de ser "a lebre de serviço".

E com isto, faltarão cinco horas e meia para a corrida. E o tempo, até lá, pode ter um papel a jogar nisto tudo.

sábado, 16 de março de 2013

DTM: Ralf Schumacher abandona competição

Depois de ter sido confirmado que iria correr mais uma temporada no DTM, Ralf Schumacher afinal decidiu voltar com a palavra atrás e anunciou a sua retirada, decidindo aceitar um cargo de gestão da Mucke Motorsport. O lugar de Schumacher na Mercedes será ocupado por Pascal Wehrlein, que disputou o ano passado o título da Formula 3 Euro Series.

Para Ralf - ou "Half Schumacher", como os seus detratores gostam de o gozar - é o final de carreira aos 37 anos, depois de 52 corridas nos Turismos alemães, dois segundos lugares e uma pole-position. O melhor que ele conseguiu foi ter sido oitavo classificado no campeonato em 2011, com o Mercedes da HWA Team.

Em relação à Formula 1, o seu legado é maior: em onze temporadas, corridas em equipas como Jordan, Williams e Toyota, venceu por seis vezes, conseguiu seis pole-positions e oito voltas mais rápidas, para além de ter obtido 27 pódios e 329 pontos. Apesar de bom palmarés, nunca conseguiu sair da sombra do irmão, que por essa altura, dominava a Formula 1.

A homofobia de Stirling Moss

Por estes dias, o veterano Stirling Moss viu-se envolvido numa polémica na Grã-Bretanha. O ex-piloto de 83 anos foi acusado de "homofóbico" por ter afirmado que não queria que o seu papel fosse interpretado por um ator homossexual. Numa entrevista ao jornal "Daily Mirror", Moss usou uma expressão pejorativa para afirmar a sua oposição:

“Gostaria que o ator que me interpretasse fosse masculino, não uma "bicha" ou algo do género. Acho que seria difícil para alguém que é homossexual ser persuasivo nesse papel, porque eu passei a minha vida a conduzir carros e a correr atrás de mulheres”, começou por afirmar.

As suas declarações surgiram quando estava a ser entrevistado sobre o filme "Rush", que vai ser estreado em setembro deste ano e que fala sobre o duelo entre Niki Lauda e James Hunt, na temporada de 1976. As reações a tais declarações não se fizeram esperar, com um deles, Peter Thatchel, ter afirmado que Moss usou uma "linguagem homofóbica e vulgar": “É uma pena que um herói do desporto britânico tenha usado essa linguagem vulgar e homofóbica. Preconceito não tem lugar no desporto”, afirmou.

Pouco tempo depois, Moss pediu desculpa pelas suas afirmações: “Peço desculpa se ofendi alguém, mas estou dececionado por alguém ser tão pobre de espírito e tomar isso como uma ofensa. Não tive essa intenção.”, comentou.

Sem querer justificar as afirmações de Moss, procuro entender aquilo que ele afirmou na seguinte forma: estamos a ver alguém que foi educado num determinado tempo. No seu tempo, para terem uma ideia, a homossexualidade era proíbida, com o risco dessas pessoas terem de passar por uma pena de prisão. Somente em 1969 é que esse banimento foi levantado no reino de Sua Majestade. E Moss é o produto de um tempo em que as pessoas que gostam de outras do mesmo sexo eram vistos como "doentes", e que deveriam ser tratados. E claro, essas pessoas eram vistas - ou pretendiam que fossem retratados como - seres efeminados, magros, até cobardes, quando sabemos que em muitos aspectos, são o contrário. E o velho Moss ainda pensa assim, e temia que fosse ao cinema e o seu papel fosse interpretado por um... "larilas".

Na realidade, é um preconceito terrivelmente errado. Há homens encorpados e fortes que são homossexuais. Há até jogadores de rugby que o são, sejam eles assumidos ou não. Há "petrolheads" que são "gays" na própria Grã-Bretanha. O exemplo mais evidente é o ator Stephen Fry, um dos mais conhecidos cómicos britânicos, que adora carros e é homossexual assumido. E muitos sabem que já tivemos, pelo menos, um piloto de Formula 1 "gay" na pessoa de Mike Beuttler, que correu pela March em 1972 e 1973, e que morreu em 1988 em São Francisco, vítima de HIV.

Em suma, o preconceito, quer de Moss, quer de muitos outros, assumidos ou encapotados, existe. E no desporto, o supra-sumo do macho, que se senta na frente de televisão, comendo batatas fritas e bebendo cerveja, por ser o último reduto dos machos viris, tem dificuldade em entender que os homossexuais são mais normais do que ele julga. E está a ver muitos deles a jogar debaixo das suas barbas...

Formula 1 2013 - Ronda 1, Austrália (Qualificação, primeira parte)

É a terceira vez na história da Formula 1 que uma qualificação foi adiada. Das duas vezes anteriores, ambas aconteceram no Japão, e ambas foram pelas mesmas razões: o mau tempo. A enorme carga de água que caiu no circuito de Albert Park fez entupir os bueiros na zona e as áreas com água causaram diversos despistes, e com os destroços espalhados pela pista, os organizadores não tiveram outra solução que interromper a qualificação após os primeiros minutos, esperando que a chuva amainasse.

Já se previa desde há muito tempo que a chuva iria fazer a sua aparição na qualificação, mas desconhecia-se que a chuva fosse assim tão forte. Quando fez, primeiro na terceira sessão de treinos livres, e depois no horário da qualificação, a violência da carga de água causou preocupações entre aqueles que o assistiam. Mesmo assim, os pilotos sairam à pista, não evitando alguns despistes. A Q1 aconteceu, com os Marussia e os Caterham a ficarem pelo caminho - com Jules Bianchi a ser o melhor do pelotão do fundo - e o Sauber de Esteban Gutierrez e o Williams de Pastor Maldonado a serem as restantes vitimas, mesmo que o piloto mexicano da Sauber a ser vitima de um despiste.

Mas foi a partir daqui que as coisas se complicaram. Quando se ia para a Q2, a FIA e a organização do Grande Prémio decidiu que precisava de tempo para limpar os destroços na pista, logo, foi colocado o Safety Car para ver até que ponto estavam garantidas as condições mínimas  explicado depois por Charlie Whitting. Depois, a FIA entendeu que precisava de 20 minutos para realizar os trabalhos necessários, fazendo adiar ainda mais a qualificação. Mas a verdade é que nunca parou de chover verdadeiramente. 

E quando as coisas pareciam que iam se acalmar, outro problema surgiu: a luz natural. Desde há algum tempo que a Formula 1 começa na Austrália às 17 horas de domingo, por causa do horário europeu, onde as pessoas vêm a corrida pelas sete da manhã, um horário mais "civilizado" do que acordar a meio da noite. Pois bem, os adiamentos fizeram com que as coisas ficassem mais próximas do pôr do sol em Melbourne, e para piorar as coisas, a chuvada fez com que acontecessem algumas infiltrações na sala de imprensa, fazendo com que existisse um "apagão", complicando as coisas ate na transmissão do sinal da Sky Sports.

Com tudo isto, a FIA decidiu que o melhor seria interromper a sessão, adiando o resto para a manhã de domingo, por volta da meia-noite, hora portuguesa. Assim sendo, só lá é que acontecerá a segunda parte desta qualificação atribulada, do qual a chuva teve um papel decisivo neste resultado.

Youtube Rally Promo: as cores de Robert Kubica nos ralis


Já é sabido desde ha uns dias que Robert Kubica irá correr no Europeu de Ralis e no Mundial WRC a bordo de um Citroen DS3 RRC. Contudo, há dois dias, apareceu no Youtube o video do carro do piloto polaco com as cores que vai usar nesta temporada, a partir do Rali Islas Canárias, e que aqui o poderemos ver quer no Rali de Portugal, quer depois, no Rali dos Açores.

Até que ficou engraçado...

Os direitos humanos também contam no mundo corporativo

Desde ontem se sabe que a McLaren e a Vodafone decidiram não renovar o seu contrato a partir de 2013. Mas o que não se sabia é que um dos grandes motivos pelos quais a operadora mundial de telemóveis decidiu não renovar o contrato tinha a ver com a "espinha" que a Formula 1 tem cravada no seu pescoço: Bahrein.

A imprensa inglesa fala hoje que o acordo - que valia cerca de 50 milhões de libras por ano - terminará no final deste ano e apesar de oficialmente ter dito que tinha a ver com coisas como "uma redefinição das prioridades no futuro", como afirmou Morten Lundal, o chefe do departamento comercial da marca, na realidade, o facto da Formula 1 ter ido no ano passado ao conturbado GP do Bahrein, apesar de todas as opiniões em contrário, também pesou na decisão.

Com esta decisão da marca, coloca-se de novo em cima da mesa a questão barenita. É que a Formula 1 estará lá a 21 de abril e a situação ainda não está resolvida. A maioria xiita continua em conflito com a família real, que é sunita, e dois anos após o seu inicio, os conflitos, apesar de serem poucos e de baixa intensidade, existem. Há pouco mais de duas semanas, um jovem manifestante morreu em conflitos com a policia, por exemplo.

E a FIA sabe que um novo regresso ao Bahrein irá significar um novo conflito, algo que quer o governo, quer os manifestantes têm o conhecimento e que poderão usar a Formula 1 como instrumento no intuito de fazer valer os seus objetivos. E se em 2012 os manifestantes estiveram algo desorganizados - e pacificos -  para que pudessem fazer açoes de grande impacto, nada garante que façam algo mais organizado - e mais perigoso - para 2013. E caso algo de mau aconteça e Bernie Ecclestone não tome uma atitude, isso poderá fazer com que outras marcas possam seguir o mesmo rumo da Vodafone.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Tamara Ecclestone conseguiu o que queria

Parece que conseguiu: Tamara Ecclestone, a filha mais velha de Bernie Ecclestone, será capa da Playboy americana no próximo mês de maio. O jornal inglês "The Sun" afirmou na sua edição de ontem que ela estará em oito páginas da publicação americana, na mesma altura em que anunciou - de modo inesperado, diga-se - que se iria casar com Jay Rutland, de 31 anos, um corretor da bolsa.

Veremos como ficarão as fotos da senhora, daqui a uns tempos. Mas decerto que muitos quererão ver o resultado.


Formula 1 2013 - Ronda 1, Austrália (Treinos)

Por fim, depois de quatro meses em que os fanáticos ressacavam com a falta de corridas, a Formula 1 está de volta à ativa. Em paragens australianas, e sem Bernie Ecclestone por ali - está a sentir o peso dos anos... - a Formula 1 vai viver aquela que será a última temporada com o atual regulamento, já que em 2014 será o ano dos motores 1.6 Turbo. Por causa desse "congelamento", a incerteza poderá ser a nota dominante nesta temporada, especialmente por causa dos novos pneus da Pirelli, algo do qual as equipas ficaram especialmente perturbadas, após o seu degradamento precoce nos testes de pré-época, nos frios asfaltos espanhóis.

Normalmente, os treinos livres são um longo jogo de sombras, com as equipas a esconderem o jogo. Nesse campo, a Red Bull sempre foi muito boa nesse jogo, deixando tudo para a qualificação, mas quer no primeiro treino, quer no segundo, foi Sebastien Vettel a ser o mais veloz a bordo da sua "Heidi", o que é anormal em treinos livres. Mudança de regras ou todos começaram a jogar o mesmo jogo? ainda nada se sabe, o melhor é esperar pela qualificação.

Vejamos as tabelas de tempos: os Red Bull andaram sempre na frente, seguido da Ferrari (Felipe Massa foi o segundo no primeiro treino livre, na frente de Fernando Alonso) e os Mercedes deram um ar da sua graça no segundo treinos livre, com Nico Rosberg a ser o terceiro, atrás de Vettel e Mark Webber. Perigosamente longe estiveram os McLaren de Jenson Button e Sergio Perez, o que poderá indicar que eles farão o papel da Ferrari em 2012, onde estiveram aflitos com as performances dos seus carros. Mas isso era um problema que Martin Withmarsh tinha avisado por alturas dos testes de pré-época, e já afirmou que o objectivo da equipa é apenas alcançar pontos, mas com o passar das semanas a equipa pretende desenvolver agressivamente o MP4-28.

Quem também anda pelos primeiros lugares são a Lotus e a Sauber, demonstrando que os seus carros são bem-nascidos. no primeiro caso, andam ao nível dos Mercedes, e no segundo, ficam atrás dos Toro Rosso e da Williams, para começarem, e andam ao nível da Force India, o que podem significar que andarão a visitar frequentemente a zona pontuável. Mais para o fim do pelotão, os suspeitos do costume: Marussia e Caterham, embora haja um equilibrio entre os dois, e Jules Bianchi é bastante melhor do que Max Chilton e os Caterham de Charles Pic e Gierdo van der Garde.

Mais logo será a qualificação, e ali, muita gente vai ter de mostrar o jogo.

Rumor do Dia: Citroen pode pedir a Löeb que faça mais ralis

O rumor do dia vêm ao Autosport britânico: a Citroen poderá pedir a Sebastien Löeb para que faça mais ralis no sentido de ajudar a marca a conseguir vencer o título de Construtores, contra a Volkswagen de Sebastien Ogier. O rumor é persistente, mas deve se ter intensificado ao longo dos últimos dias, especialmente depois da marca francesa ter sido cilindrada no México por Ogier, e também porque Löeb ontem ter decidido cancelar a inscrição da sua equipa nas 24 Horas de Le Mans, devido à falta de dinheiro suficiente para colocar o seu carro na prova francesa.

Sobre isso, Yves Matton afirmou que tal decisão não passa por ele: "Sabe que essa decisão não passa por mim. E talvez ele não queira isso. Tal pedido não passa pela minha cabeça e estou feliz com a decisão que ele tomou, de participar em apenas quatro ralis nesta temporada", começou por afirmar à Autosport britânica. Contudo, Matton deixou a porta aberta nesse assunto: "Se no final da temporada achar que seria bom se fizesse um rali extra e com isso conseguimos o titulo de Construtores, sim, poderei pedir esse favor", afirmou. 

Sobre as dificuldades no campeonato, Matton ainda se mostra confiante: "Não estamos a entrar em pânico, estamos confiantes que chegaremos lá. Sebastien Ogier está a demonstrar algo de forma incrivel, mas é assim. Só temos de continuar a lutar e a acreditar", concluiu.