terça-feira, 4 de novembro de 2008

Extra-Campeonato: Hoje é o dia!

A caricatura que coloco aí em cima é uma analogia feliz sobre os acontecimentos de Domingo para os que vão acontecer hoje, em 50 estados de um país chamado Estados Unidos. Se no Domingo, vimos o primeiro título mundial ganho por um mestiço (filho de pai negro e mãe branca), dentro de 24 horas, poderemos ver outro mestiço (filho de pai negro e mãe branca) a se tornar Presidente dos Estados Unidos.


Eu não sei se Barack Obama é o Lewis Hamilton da politica americana, mas uma coisa é certa: a sua mensagem de mudança, num país que viveu oito anos de governação de George W. Bush, que foi em todos os aspectos, má (quem diria que depois de Richard Nixon, haveira de aparecer alguém pior?), caiu muito bem nos milhões de americanos que vivem uma guerra demasiado cara e demasiado traumática, uma crise económica causada pela ganância dos bancos e de um capitalismo no seu pior, que obrigou, quando esta bolha rebentou, a várias intervenções do Estado (nacionalizar bancos e agências imobiliárias), e a injectar tanto dinheiro, como o que foi gasto na inutil Guerra do Iraque.

O mundo inteiro quer mudança, e acha que Barack Obama é o "chosen one" para liderar esaa mudança. O seu discurso faz-me lembrar John F. Kennedy, a mensagem de mudança e o slogan do momento "Yes, We Can!" demonstra o optimismo que irradia nas pessoas, prometendo tempos muito melhores do que estes que vivemos. Promete tirar as tropas do Iraque, construir um verdadeiro Serviço Nacional de Saúde, equilibrar a economia, fazer uma maior regulação, para evitar os disparates dos bancos, uma politica externa mais cooperativa, etc...

Claro, ele tem pela sua frante um homem combativo: John McCain. Senador pelo Arizona, antigo militar da Força Aérea, prisioneiro da Guerra do Vietname durante cinco anos, aos olhos dos Republicanos, é... esquerdista (na realidade, apoia muitas causas normalmente Democratas, como o aborto e restrições na posse de armas. Mas este país já está farto dos conservadores, dos religiosos, dos "gun lovers" e das baixas no Iraque, e de se sentirem hostis quando põem o pé fora do seu país.


Uma coisa é certa: hoje, mais de 150 milhões de pessoas vão colocar o seu voto, e vão eleger os chamados "Grandes Eleitores", que depois escolherão quem será o presidente dos Estados Unidos. Qualquer um dos candidatos precisa de 270 para garantir a eleição presidencial. Foi graças a isso que em 2000, George W. Bush, que perdera o voto popular, ganhara por 587 votos, o estado da Florida, conseguindo os 27 votos necessários para se tornar no presidente americano. E até hoje, se diz que esses votos foram considerados fraudulentos...


Vai ser uma longa madrugada parta ambos os candidatos. Para Obama, que tem a certeza da vitória, mas que precisa que essa dinâmica seja levada para as urnas, e que se traduza em resultados, e para John McCain, um lutador, reza por um milagre, que a sua maneira de fazer diferente, o "maverick" de Washington, o "rebelde" do Senado e do próprio Partido Republicano, cada vez mais virado à direita, seja compensado pelos eleitores, dando-lhe uma segunda chance. Chance que precisa desesperadamente, pois ele tem 72 anos...


Em suma, eis as cartas em jogo, naquela que não sendo a maior ou a mais populosa democracia do Mundo, mas talvez a mais importante. E o resto do Mundo prende a respiração...

Uma aposta a longo prazo

Há dez anos atrás, alguém chegou à casa de apostas britânica Ladbrokes, e apostou 100 libras em como um jovem de 13 anos, que corria de kart, fosse campeão do mundo de Formula 1 antes do seu 25º aniversário. Nessa altura, as hipóteses eram de 500 para 1.



Apostou ainda mais cinquenta libras numa dupla em como ele não só ganharia o título mundial, como ganharia o seu primeiro Grande Prémio antes dos 23 anos de idade. Esse senhor apostou num nome: Lewis Hamilton.

Pois bem, a sua aposta deu sucesso, e ganhou ao todo 200 mil libras. Quem foi o sortudo, com uma aposta tão certeira? Não se sabe, pois a casa de apostas afirmou que esse senhor (ou senhora) desejou manter o seu anonimato. Esta noticia está no Blog do Massi, e aceitam-se apostas...

Algumas fotos de Portimão

Sei que alguns de vocês querem ter uma ideia do que é o novo Autódromo de Portimão, inaugurado este fim de semana com a útima etapa do Mundial de Superbikes. Pois bem, consegui arranjar algumas imagens dessas corridas do fim de semana, bem como uns videos da corrida, e da demonstração do Toro Rosso de Formula 1, guiado pelo espanhol (e recente campeão de Formula 3 inglesa) Jaime Alguesaurri.

Entretanto, Michael Schumacher testou esta Segunda-feira em Portimão, pela Ducati (o mesmo modelo do campeão do Mundo, Troy Bayliss) e pela Yamaha (na montada de Noriuki Haga), e teve tempo de sentir a nova pista portuguesa. No final do dia, o piloto alemão teceu algumas considerações elogiosas sobre a pista ao "considerar que esta experiência serviu para confirmar como o traçado é espectacular, impressão com que já tinha ficado quando assisti à corrida pela televisão. Uma pista bela e técnica, com subida e descidas, à antiga, e também muito seguro".


Outra pessoa que experimentou a pista algarvia foi o americano Randy Mamola, ex-piloto, e agora comentador na Eurosport. O americano confirmou as palavaras de Schumacher: "Da primeira vez que se anda a pista não é fácil, mas aos poucos vamos ganhando referências e ficando mais à vontade. É um traçado técnico e difícil, mas que me agradou", disse.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

As notas do Brasil

O GP do Brasil, a etapa final do Mundial de 2008, teve aquele final dramático que todos nós conhecemos. E como é que isso se reflectiu nas notas que demos aos pilotos? Tudo.



Reparem: todos nós demos nota dez ao Massa, pelo belo fim de semana, e pela vitória. Aqui, ele foi campeão moral.

Quanto ao Hamilton, o Pezzolo deu nota dez, mas depois explica isto: " (...) que poderia ter sido zero não fosse a ultrapassagem na última curva." Como não sou tão radical assim, perfeti uma nota mais baixa: oito. Não fez uma grande corrida, aliás, o Vettel teve melhor nota...

A nota oito ao Kimi Raikonnen, num fim de semana "burocrático" para o finlandês foi demasiado puxado, na minha opinião. E já agora, Gustavo... nota quarto para o Coulthard? Só se for para a despedida dele...

Enfim, foi uma bela temporada, esta de 2008, com um título decidido na última curva. Alguém acreditaria numa coisa dessas, no inicio do ano?

Historieta da Formula 1: Nigel Mansell na Jordan

Segunda feira é dia de mais uma historieta da Formula 1, e hoje falo de um homem que, apesar de ter tido uma grande carreira na categoria máxima do automobilismo, não soube parar quando chegou a hora: Nigel Mansell.


Depois do título mundial de pilotos em 1992, aos 39 anos, e da CART, logo no seu ano de "rookie" em 1993, voltou à Formula 1 durante algumas corridas em 1994, para substituir o malogrado Ayrton Senna na Williams. Esse regresso rendeu-lhe uma vitória na corrida final, na Austrália.

Como a Formula 1 ansiava por ídolos, foi contratado pela McLaren para fazer parte da época de 1995, ao lado do finlandês Mika Hakkinen, no ano em que se estreava a actual parceria com a Mercedes. contudo, o alto e já gordo Mansell não cabia no chassis, e as duas primeiras corridas, foi substituido pelo terceiro piloto da marca, Mark Blundell. Voltou à Formula 1 em Imola e em Barcelona, mas nada fez, e pouco depois, ambos os lados seguiram cada um o seu caminho, com Blundell a substitui-lo para o resto da época.

No final de 1996, Eddie Jordan procurava um substituto para Martin Brundle, que decidira retirar-se da competição, e para Rubens Barrichello, que rumava para a neófita Stewart. Já tinha garantido os serviços de Ralf Schumacher, irmão de Michael Schumacher, que iria estrear-se na Formula 1, e procurava um piloto experiente, para o ajudar na sua temporada de estreia. Tentou o novo campeão do Mundo, Damon Hill, mas ele nessa altura já tinha assinado pela Arrows.

Então, a Jordan vira-se para Nigel Mansell, pois o patrão tinha a promessa de um contrato de oito milhões de libras por parte da tabaqueira Benson & Hedges. O teste é marcado para Dezembro de 1996, no circuito de Barcelona, e Mansell, com 43 anos... anda bem mais lento que o resto da concorrência. Só para terem uma ideia, no primeiro dia, é quarto segundos mais lento que o melhor piloto desse dia, o Williams de Jacques Villeneuve.


No final dos três dias, apesar de afirmar estar disposto a correr mais uma temporada, Eddie Jordan decide escolher outro novato, o italiano Giancarlo Fisichella, para a segunda vaga da equipa, e assim, o irlandês corre a temporada com dois novatos, conseguindo na temporada de 1997 o total de 33 pontos, dois pódios, uma volta mais rápida e o quinto lugar no Mundial de Construtores.

O estado de choque da Ferrari

"Os 30 Segundos que abalaram Interlagos", nas palavras de Daniel Medici, foram particularmente cruéis para a Ferrari. A reacção dos responsáveis da marca de Maranello representa isso mesmo, apesar de elogiarem Felipe Massa pela sua postura e pela sua condução, e de não voltarem a casa com as mãos a abanar, pois conquistaram o Mundial de Construtores pela 16ª vez na sua história.


"Claro, estamos desapontados por que o Felipe não conseguiu realizar o seu sonho, em especial da maneira como a corrida decorreu", ressalvando, contudo, que estes dias "são importantes". "O Felipe cresceu muito, ano após ano, demonstrando o seu talento e personalidade, respondendo às críticas com a sua condução e com a sua mente. Ele teve uma época fantástica e teria merecido o título. Mas o desporto é assim. Pode ser cruel", observou Stefano Domenicali, o director da equipa. Ele soube ter "fair-play" e deu os parabéns a Lewis Hamilton. "No ano passado, vencemos por um ponto e este ano perdemos por um. Queria congratular o Hamilton, o novo campeão", concluiu.



Michael Schumacher, o alemão sete vezes campeão do Mundo, e que está no Algarve a testar algumas motos da categoria Superbike no novo Autódromo de Portimão, confessou também o seu choque pela decisão do título mundial de ontem à tarde, no circuito de Interlagos: "Nunca tinha vivido uma coisa assim, nem como piloto nem como espectador. Tudo o que posso dizer é que foi o destino", afirmou o ex-piloto alemão no seu sitio oficial.


Ele também apreoveitou para dar os parabéns ao novo campeão do Mundo e apoiar o seu amigo Massa nesta situação difícil. "Parabéns ao Lewis Hamilton, mas tenho que enviar um cumprimento especial ao Felipe Massa e aos nossos rapazes no Brasil. Ele pode sair de cabeça erguida com esta prestação porque com este feito estou certo de que ele convenceu os últimos cépticos. Ele voltará à luta no próximo ano", garantiu Schumacher.


Apesar destas reacções, e do sentimento do "dever cumprido", tem-se a sensação de que a culpa da perda deste título mundial é deles. Cometeram erros crassos, do qual a "saída à Albers" em Singapura é o seu ponto alto (Massa só é culpado na Malásia e em Inglaterra), erros esses que foram bem aproveitados pela McLaren e por Lewis Hamilton. Este ano, o "Errare" superou a "Ferrari". Não digo que corrijam todos os erros no próximo ano, mas provavelmente a pressão para um novo título de pilotos tende a ser maior, pois a marca de Maranello, a "alma da Formula 1", tem que mostrar que sobrevive a Michael Schumacher...

Mais corridas em risco?

Mal acabou o campeonato de 2008, já falamos em 2009, pois aparentemente, o calendário, que se julgava definitivo, não o é tão assim. A edição desta semana do jornal Autosport fala que a Austrália poderá estar em risco de perder o seu Grande Prémio, pois apesar de pagar cerca de 20 milhões de dólares por ano, e ter garantida a sua presença até 2015, está a ter constantes prejuízos.

Na semana passada foram publicadas as contas relativas à prova deste ano, chegando-se à triste conclusão que foram perdidos mais 40 milhões de dólares australianos (perto de 21 milhões de euros), a juntar aos muitos débitos das 12 edições anteriores da corrida de Melbourne.


Isto significa que esta corrida já custou mais de 200 milhões de euros às entidades locais desde 1996, e numa altura em que a economia australiana está em grandes dificuldades e a moeda local em queda acentuada, existe cada vez mais pressão popular e política para que Melbourne deixe de organizar o Grande Prémio. É mais um problema bicudo para que Ecclestone resolva, e rapidamente, pois caso não faça alguma coisa, corre o risco de ver quarto ou cinco corridas de fora devido aos altos preços que pratica...

O dia seguinte de Lewis Hamilton

A esta hora, (se não estiver muito bêbado) o Lewis Hamilton deve estar a acordar e a olhar-se ao espelho, e eventualmente a sensação deve ser esta... ele que não se deixe subir o título mundial à cabeça, as festas e as mulheres bonitas, caso contrário, vira James Hunt!

O final do campeonato, visto pelo Bruno Mantovani

O Bruno Mantovani fez uma caricatura do GP do Brasil, onde faz uma analogia feliz a um jogo de basquetebol, estilo final da NBA, onde o adversário faz aquele lançamento de três pontos a dois segundos do fim, com dois pontos de desvantagem, e concretiza!


Esta corrida já entrou nos clássicos da Formula 1. Certamente.

Galeria Fotográfica: Os contrastes









"Corrida só termina na bandeirada. Do quinto colocado."

Olivier, Blogsport

A foto do dia

Não sei porquê, mas esta foto e o seu devido contraste, fez-me lembrar o anuncio da Mastercard: não tem preço.

domingo, 2 de novembro de 2008

A capa do Autosport desta semana

Esta capa até dá gosto vê-la! Ver uma corrida que foi decidida quase na última curva, foi digno de um filme de Alfred Hitchcock, devido à incerteza da chuva e as apostas ganhas ou perdidas. E no final, venceu aquele que este à frente durante boa parte do campeonato: Lewis Hamilton.

"Campeão na Ultima Curva", eis o título, com um Hamilton sorridente.


Há outros assuntos de interesse nesta capa, a começar: na parte de cima, a inauguração do Autódromo do Algarve, onde os pilotos que disputaram o Mundial de Superbikes deram nota positiva ao traçado. "Pista impressiona pilotos" é o subtítulo.

Nas janelas menores, o penta-campeonato de Sebastien Löeb no Rali do Japão, a vitória do F.C. Porto na formula Superleague, em Vallelunga, e a estreia do novo Mitsubishi Racing Lancer, na portuguesa Baja Portalegre 500, são so destaques. Enfim, muito para ler, no Autosport desta semana!

Formula 1 - Ronda 18, Brasil (Revista da Blogosfera)

Que a vida é cheia de surpresas, lá isso é verdade. Mas nunca pensei eu, que vejo Formula 1 há mais de 25 anos, assistisse à entrega de um título mundial a 200 metros da meta, quando o vencedor da corrida já comemorava um título que julgava que era seu. E foi... por pouco mais de um minuto.


Como a maioria dos blogueiros que andam por aqui são do Brasil, decerto que a maioria dos comentários sejam de desilusão. Mas mesmo assim, tenho a curiosidade em saber como é que eles reagiram a esta decisão "hitchcockiana" do Mundial de 2008... mas eu posso dizer isto: vale a pena ver Formula 1!

Se Alfred Hitchcock e Steven Spielberg se juntassem um dia e dissessem um para o outro "Vamos produzir um final de campeonato de Formula 1?", talvez não conseguissem fazer o que aconteceu agora a pouco. Se qualquer um dos protagonistas vencessem o campeonato, a conquista seria histórica. Felipe Massa, por ter virado um campeonato tão impossível como no ano passado, na frente de seu público, que deu um colorido todo especial a esse final de campeonato. Hamilton, por ser o mais jovem piloto a ser Campeão Mundial e por confirmar um talento que já podia ter se consagrado ano passado. Mas a decisão desse ano foi ainda mais histórico pela forma como Hamilton conquistou o título. 'Sem palvras', disse o primeiro negro a conquistar a Formula 1. E foi um final de campeonato que ficará marcado para sempre nos olhos de quem teve o prazer assistir uma das corridas mais dramáticas da história.

(...)

Como tinha acontecido em Spa, a chuva apareceu no seu finalzinho. Porém, a confusão foi menor. Todos os líderes entraram nos boxes, inclusive Massa e Hamilton. Mas havia um pequeno detalhe. Glock, que chegou a pressionar Hamilton em determinado momento da corrida, resolveu não parar. Hamilton estava no limite do campeonato, na quinta posição, mas tinha Vettel nos seus calcanhares. Faltando duas voltas, Kubica passou os dois e Vettel aproveitou a deixa para deixar Hamilton na ponta do abismo. O sexto lugar lhe tirava o título. Da mesma maneira como tinha acontecido em 2007. A torcida urrou como um gol. Como uma vitória... de Senna! Aquele título de Massa parecia com as inesquecíveis conquistas do eterno ídolo brasileiro. Hamilton tentava, mas Vettel se distanciava. "Come on, baby", gemia sua linda namorada. Mas tudo parecia perdido. No conforto do chão da sala da minha casa, já dizia o "O Massa é campeão!". Porém, havia outro detalhe. Glock, que chegou a ser o mais rápido na pista quando a chuva ainda era tímida, viu a chuva aumentar de intensidade. Enquanto Massa recebia a bandeirada, Hamilton via seu título escorrer por entre seus dedos enquanto mergulhava rumo a Junção. Então vi aquele carro branco e o capacete predominantemente vermelho. Era Glock! Que se arrastava na curva da Junção. Vettel já o tinha deixado para trás, enquanto Hamilton ultrapassou o alemão na última curva, ganhando um campeonato que parecia de Massa 500 metros antes.


(...)


Como deu para perceber, muitos fatores poderiam ter definido o campeonato, como a ultrapassagem da cambaleante BMW de Robert Kubica no final da prova em Hamilton na penúltima volta. Ainda poderia ter acontecido muito mais nesse histórico Grande Prêmio do Brasil de 2008, mas tudo que se passou já entrou para a história da Formula 1. Poucas vezes dá para perceber tão claramente que fizemos parte da história e hoje foi o caso. Não será preciso passar anos para vermos algo tão claro. Hamilton, em sua ultrapassagem consagradora sobre Glock, tirando o título de Felipe Massa na última curva. Simplesmente histórico!


João Carlos Viana, jcspeedway



Decisões na Fórmula 1 costumam ser dramáticas. Pela própria dinâmica do esporte: a ciência exata calculada por inúmeras simulações de computador entra em completo desequilíbrio quando a corrida começa e o fator humano passa a ser primordial. Basta olharmos para a corrida final do ano passado para confirmar isto. Mas a prova de hoje em Interlagos superou todas as expectativas. E por muito. No dia em que Felipe Massa precisava de um milagre, a ajuda divina apareceu justamente para quem teve o título nas mãos praticamente o tempo inteiro. Uma perversa injustiça, mas daquelas que torna o esporte a motor tão fascinante.

O herói dessa epopéia trágica foi o brasileiro Massa. Com a chance única, quase privilégio, de ir para uma decisão em casa, ele esbanjou tranqüilidade a semana toda. O objetivo era o de vencer em Interlagos e jogar para Lewis Hamilton a responsabilidade de conquistar o resultado que lhe cabia para o inglês se tornar o mais jovem campeão da história. (...)

(...)

(...) A dois minutos do início da corrida, uma forte pancada de chuva molhou completamente o asfalto. E, dizia a lenda, Massa se daria muito mal em condições como aquela. Não foi o que aconteceu: ele imprimiu um bom ritmo no início e cimentou sua segunda vitória no Brasil com uma corrida sólida.Enquanto isso, Hamilton e a McLaren adotaram uma tática conservadora que começou a naufragar por uma série de erros. O primeiro foi da equipe, que o chamou com uma volta de atraso para trocar pneus no começo da prova. Isto jogou o piloto para o sétimo lugar na corrida e, temporariamente, o título nas mãos de Felipe Massa.

Hamilton se recuperou em seguida e, ocupando o quarto posto a maior parte da prova, voltou a adotar uma postura conservadora. Mas a chuva deu as caras de novo em Interlagos nas voltas finais e quase todos os pilotos pararam nos boxes para pneus intermediários, inclusive os dois personagens deste épico.

A três voltas do final, foi a vez do inglês errar na saída da junção e jogar o titulo fora ao permitir a ultrapassagem de Sebastian Vettel. Interlagos explodiu em festa e segurou a respiração acompanhando os contra-ataques frustrados de Hamilton. Massa cruzou a linha de chegada como campeão, mas o título resolveu cair no colo do adversário porque Timo Glock, com pneus secos e muito gastos, mal conseguia se segurar em uma pista cada vez mais molhada. Ironicamente, os dois coadjuvantes da prova mais dramática de Massa eram compatriotas de um personagem central na sua carreira: Michael Schumacher.

No final, o fenômeno Lewis Hamilton conquistou o título pelo conjunto da obra, com uma equipe que fez um trabalho competente em um carro que não quebrou nenhuma vez. No final das contas, o melhor time saiu com o título de pilotos. E o melhor piloto foi instrumental para dar à Ferrari o primeiro lugar entre os Construtores. (...)

Luiz Fernando Ramos, Blog do Ico


No ano passado a decisão do título tinha sido uma perfeita loucura, mas a deste ano superou tudo o que já vi até hoje.

Era mais que provável que o Hamilton levasse o caneco no final da corrida brasileira, mas fazê-lo na última curva da última volta, era certamente algo que ninguém podia imaginar. Para quem sofria do coração ou fosse adepto do Massa, a última volta foi uma completa maldade.

Não acredito que alguma vez um título mundial se decida de forma tão renhida como aconteceu hoje no Brasil.


São Paulo, Brasil - É até difícil saber por onde começar o texto. Foram tantos acontecimentos em uma corrida histórica, tantas possibilidades, tanta emoção, emoção elevada ao extremo nas últimas voltas, até a linha de chegada... a indecisão, a tensão, as comemorações distintas, a quase incredulidade em comemorar um título que escapa das mãos a 500 metros da linha de chegada...

Comecemos assim: Lewis Hamilton é o novo campeão mundial de Fórmula-1. O mais jovem campeão da história da categoria, um piloto dotado de um talento excepcional, que fez uma corrida quase perfeita para suas pretensões, mas que novamente errou em um momento decisivo. Se Hamilton foi o campeão, o título está em excelentes mãos e a vitória é justamente merecida, tanto quanto seria se Felipe Massa fosse o campeão. Mas se o brasileiro pode colocar a derrota por um mísero ponto na conta da Ferrari, Hamilton pode creditar seu primeiro título à Toyota.

(...)

Na largada, os pilotos demonstraram extrema cautela e mantiveram as posições, à exceção de Kovalainen, que definitivamente não é um piloto de ponta e perdeu posição para Fernando Alonso, um dos grandes nomes da prova. Ambos trocaram posições pelo menos duas vezes, com o espanhol sempre levando a melhor.

A última prova da carreira de David Coulthard durou apenas uma curva: o escocês chocou-se com Kazuki Nakajima e abandonou a prova na saída do "S" do Senna. Mais à frente, já na Reta Oposta, quem saiu da pista foi Nelson Piquet, que também abandonou. Hamilton vinha com visível cuidado, na 4ª posição, posto que lhe garantiria o título.

(...)

A corrida seguiu assim. Pista seca, ameaça de chuva, posições mantidas, pouca emoção. Apenas a ansiedade por algum evento que pudesse decidir o campeonato.

Vettel ainda voltou a ameaçar Massa novamente, mas o mesmo cenário do primeiro duelo se repetiu: por ter de fazer seu pit-stop antes do brasileiro, o piloto da Toro Rosso não chegou a ameaçar a ultrapassagem.

Felipe seguia soberano na liderança. A vitória era dele. Hamilton estava perto do limite, mas ainda assim seguia também tranqüilo para conquistar seu título, sem sofrer sustos.

Choveu nas últimas 4 voltas. Uma chuva que começou tímida, mas incômoda o suficiente para os pilotos começarem a trocar seus pneus secos para pneus intermediários - Heidfeld foi o primeiro deles.

Quase todos os pilotos foram aos boxes. Era aparentemente impossível seguir na pista com pneus de seco.Massa, Hamilton, Räikkönen, Kovalainen... três voltas para o final, e tudo ficou embaralhado, imprevisível, surreal.

Lewis Hamilton acabou perdendo uma posição após o pit-stop: estava agora em 5º, à frente de Vettel, o fenômeno. A diferença parecia ser segura, embora pequena, mas o arrojo e a perícia de Vettel sob chuva e a desordem absoluta entre os carros na pista, com diversos retardatários povoando as primeiras posições, fizeram Hamilton errar. Um pequeno erro, na Curva do Café. Erro que Vettel, excepcional, não cometeu.

Era inacreditável. Definitivamente inacreditável, e continua sendo. Vettel assumiu a 5ª posição. Com Hamilton em 6º, faltando míseras duas voltas para o final, Massa era o campeão.

Última volta. Interlagos vinha abaixo, em êxtase absoluto, inacreditável, inimaginável. Era o sonho se tornando realidade, era o inimaginável acontecendo.

Massa venceu a prova. Vettel vinha a frente de Hamilton, que tentava de todas as formas ultrapassar o alemão que, por sua vez, mostrou uma frieza absoluta para se manter à frente de um postulante ao título, sem cometer um único erro.Junção, Curva do Café... faltava apenas a Subida dos Boxes...

E eis que a segunda Toyota entrou em cena: Timo Glock, 4º colocado, errou. A euforia e a incredulidade eram tantas, que quase ninguém viu. Os olhos buscavam apenas Vettel e Hamilton, e Vettel continuava a frente de Hamilton! Vettel entrou na reta à frente de Hamilton!

Quando ambos cruzaram a linha de chegada, o autódromo, a Ferrari e a família de Felipe Massa comemoravam o título mundial de Felipe Massa. Foi então que a confirmação dos tempos indicou Hamilton em 5º. Os olhos continuavam incrédulos, contando três, quatro vezes, a posição de Hamilton. Sim, ele era o 5º. Era o campeão mundial.

Massa foi às lágrimas, publicamente, pela primeira vez. O título lhe escapou por 500 metros. Por pouco mais de 10 segundos.

E depois de uma corrida dessas, de um campeonato desses, está difícil controlar a absurda confusão de sentimentos, um misto de emoção, decepção, alegria, reconhecimento, êxtase, frustração...Por que inacreditável. Definitivamente inacreditável, e continua sendo...

Hugo Becker, Motorhome

Incrível, estupendo, emocionante, histórico. Sobrarão adjetivos para classificar o mundial desse ano. Faltarão para classificar a corrida de hoje em Interlagos.

Quando eu imaginei, semana passada, que a última corrida do ano seria de tirar o fôlego, não esperava algo como hoje. Foi especial, sem a menor sombra de dúvidas, a melhor decisão de título que já vi. Uma das corridas que não serão esquecidas nunca.

Acordei hoje e a primeira coisa que pensei foi: “É hoje!” A F-1 ditou meus passos e pensamentos, não só hoje, como durante toda a última semana. E quando a hora da corrida chegou, foi um bate-coração terrível.

Depois da largada rola aquele instante de relaxamento. Correu tudo bem, Felipe levava a Ferrari tranqüilo na ponta, Hamilton era o 4º. O inglês ainda era campeão, mas a torcida por uma quebra ou por um erro de Lewis persistia. Afinal, “ainda restavam mais de 60 voltas para o final”, afinal, “corrida não se decide na 1ª volta.”

Mas a corrida prosseguiu, nada de Hamilton errar e o título parecia decidido.

Parecia.

Foi quando a chuva caiu, Glock surgiu em 4º e Vettel ultrapassou Hamilton. Me levantei do sofá, tremendo, com o coração na boca. Soltaria o grito de campeão que jamais soltei para um piloto brasileiro, veria a Ferrari mais uma vez campeã de pilotos e construtores.

Quando Felipe abriu a última volta, havia nada menos do que histeria aqui em casa e na vizinhança. Eu de pé, minha mãe idem, os dois abraçados e tremendo de nervosismo.Dava pra ouvir o burburinho nas casas vizinhas. O morador de uma das casas aqui ao lado berrava. Eu o acompanhava como quem dialoga num tom de voz ensurdecedor: “vai Vettel! Vai Vettel!”

“Me larga que eu vou gritar” – adverti minha mãe.

Felipe cruza a linha em primeiro, seguro o grito porque ainda falta confirmar a posição de Hamilton.

O coração ameaça parar, sinto uma dorzinha fina no peito. Finalmente, chegou a hora.

Aí a imagem é cortada para a Junção. Glock, o teimoso do pneu de seco, perde velocidade de forma incrível. Hamilton o ultrapassa e é 5º. Campeão.

"Como assim?"

É, assim.

Fico feliz pelo título de Hamilton. Apesar de não ser o meu favorito, tem todos os méritos pelo belo campeonato que fez. Fico feliz pelo 16º mundial de construtores da Ferrari, equipe do coração.

Mas é difícil esconder a frustração. O que era histeria torna-se um silencio duro e seco. Não só dentro de casa, mas entre os antes agitados vizinhos.Era para ser e não foi. Já estava na mão e escapou. Uma broxada terrível depois de uma ejaculação precoce. O final de campeonato mais emocionante da minha vida, daqueles que eu vou contar para os netos.

O ano de 2008 fechado com chave de ouro. Um temporada divertida desde a etapa inicial na Austrália até a penúltima curva do Brasil.

Ron Groo decretou e faço minhas suas palavras: "Já estou com saudades."

Fabio Andrade, De Olho na Formula 1

Formula 1 - Ronda 18, Interlagos (Corrida)

E pronto, eis o momento decisivo do Mundial de Formula 1 2008: quem sairia do circuito brasileiro coroado como o novo campeão do Mundo? Felipe Massa, no seu Ferrari, ou Lewis Hamilton, no seu McLaren?


Era esta a duvida que milhões de pessoas em todo o mundo tinham nas suas mentes, à medida que se aproximavam os minutos para o inicio do GP do Brasil, no circuito de Interlagos. E para melhorar as coisas, tinha chovido bastante nos minutos que antecederam a partida, e o asfalto estava molhado (mas com tendência para secar rapidamente).

E logo na primeira volta... Safety Car. No S de Senna, David Coulthard (que má despedida...) e Nelson Piquet Jr. ficaram pelo caminho, ao mesmo tempo que Sebastien Vettel fazia uma cavalgada do seu sétimo posto, enquanto que Fernando Alonso tentava apanhar Lewis Hamilton, que mantivera o quarto posto da partida, tentando jogar uma partida cerebral com os adversários e com as condições da pista.

Em poucas voltas, a pista secou, mas todos mantinham uma expectativa sobre a possibilidade de mais chuva. Os pilotos, que na largada, partiram com pneus intermédios, cedo colocaram pneus para piso seco, uns mais duros, outros nem tanto. E com estas trocas iniciais, vimos Massa na frente, a ser pressionado por... Sebastien Vettel, com Fernando Alonso na terceira posição. Hamilton era sexto, com... Giancarlo Fisichella à sua frente. Assim sendo, por alturas da 11ª volta, Felipe Massa era o campeão do Mundo.

Hamilton aguentou algumas voltas atrás do Force India - Ferrari, mas quando conseguiu desembrarçar-se dele, voltou à quinta posição, e logo, era de novo o lider do Mundial. A corrida prosseguia, sem sobressaltos, e depois dos primeiros reabastecimentos, Massa continuava na frente. Mas Hamilton ainda estava dentro dos cinco primeiros, logo, a pouco mais de metade da corrida, o piloto inglês era o campeão do mundo.

Mas a dez voltas do fim, voltaram as nuvens negras, a incerteza e o suspense tinham voltado, qual filme de Alfred Hitchcock: será que a chuva vinha a tempo de influenciar a corrida? E caso viesse em força, será que iria ser o momento decisivo de um campeonato do mundo que vinha a ser disputado desde Março, os dez metros finais de uma longa maratona? De uma certa forma, a resposta foi afirmativa. A cinco voltas do fim, a chuva caiu, não em força, mas o suficiente para fazer com que todos viessem para as boxes, e trocar por pneus intermédios.

Massa voltou à liderança, mas Hamilton era acossado por Sebastien Vettel. O piloto da Toro Rosso iria ser um inesperado fiel da balança no campeonato do mundo, e quando passou o inglês da McLaren, todos pensavam que tudo tinha sido resolvido, a favor de Massa. Hamilton tentava apanhar Vettel, mas a luta era inutil. Mas todos tinham esquecido o Toyota de Timo Glock, que jogou com a sorte e tentou manter-se em pista com pneus secos. Perdeu muito tempo, e nas últimas curvas, foi ultrapassado por Vettel e Hamilton.

Não sei por quantos milissegundos o Massa foi campeão, mas certamente por por alguns, pois ao mesmo tempo que cortava a meta, Hamilton conseguia o quinto lugar necessário para ser campeão, e aquilo que deveria ser um momento de consagração para a Ferrari e para Massa, tornava-se numa "vitória de Pirro", pois Hamilton conseguiu o ponto que pretendia para ser, aos 23 anos, o mais jovem campeão do Mundo de sempre. Parabéns, Lewis Hamilton!

E a Formula 1 vai se embora...

O GP do Brasil vai marcar algumas despedidas. Umas são do nosso conhecimento, como o David Coulthard. Outras, só foram descobertas pelos mais atentos. E descobri que este é o último Grande Prémio transmitido pela ITV em Inglaterra, pois a partir de 2009, a BBC vai voltar a ter a exclusividade dos Grandes Prémios, algo que tinham até 1996.


Pois bem, os senhores da ITV não deixaram de passar o evento, e montaram um videoclip de despedida muito especial. Se querem ver, espreitem aqui, que está muito divertido...