segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O piloto do dia - Willy Mairesse

Todos conhecem o palmarés de Jacky Ickx, especialmente na Endurance, ou seguiram os feitos de Thierry Boutsen, por exemplo, mas provavelmente um dos belgas com a história mais fascinante no automobilismo é um piloto que não têm um grande palmarés, mas uma vontade de correr tal que, quando os médicos lhe disseram que não poderia correr mais, decidiu terminar com a sua própria vida. E como este ano ele teria comemorado o seu 85º aniversário do seu nascimento, achei por bem contar a história de Willy Mairesse.

Nasceu em Momignes, uma localidade na fronteira franco-belga, a 9 de outubro de 1928, mas não se interessou verdadeiramente pelo automobilismo até 1953, quando tinha 25 anos e decidiu competir, a convite de um amigo, numa das provas de endurance mais importantes, o Liege-Roma-Liege. O gosto pelas corridas ficou e dois anos depois, inscreveu-se com um Porsche 356 na mesma corrida e venceu na classe de 1300 cc.

Com o tempo, o seu gosto pelos automóveis continuou a aumentar, e adquiriu um Mercedes 300 SL para competir no GP da Alemanha na classe GT, onde terminou na terceira posição. E nesse mesmo ano de 1956, competiu de novo no Liege-Roma-Liege, onde acabou por vencer à geral e chamar a atenção à Ecurie Nationale Belge (ENB), que representava o país no automobilismo. Na altura, o seu chefe era Jacques Swaters, que por sua vez era o representante da Ferrari para aquela zona. E recomendou Mairesse a Enzo Ferrari.

Mas até que o Commendatore prestasse atenção iriam passar três anos. É que estando na ENB, e correndo com carros da Ferrari, os resultados foram escassos, dada a pouca fiabilidade dos carros que guiava. Os seus melhores resultados foram um segundo lugar nas 12 horas de Reims de 1959, mas nesse ano, dava nas vistas na Tour de France Auto, contra o seu compatriota Olivier Gendebien, lutando ambos pela vitória. Gendebien era já piloto oficial da Ferrari, e acabada a corrida, recomendou Mairesse para Enzo Ferrari, que o contratou para a temporada de 1960.

O contrato servia para a Endurance, mas também serviria para a Formula 1. E o seu estilo batalhador, sem concessões, era do agrado de “Il Commendatore”. A sua estreia seria – como não poderia deixar de ser – no GP da Belgica desse ano, que passou para a história como um dos mais trágicos do automobilismo. Stirling Moss ficara gravemente ferido nos treinos, e a corrida ficaria marcada pelos acidentes fatais dos britânicos Chris Bristow e Alan Stacey. Mairesse estava a brigar por posição com Bristow quando este teve o seu acidente fatal. O belga não terminou a corrida, devido a um problema de transmissão.

Teve melhores resultados no final da temporada, em Monza, onde terminou a corrida na terceira posição, atrás de Phil Hill e Wolfgang von Trips, e para além disso, ficou bem classificado na Targa Florio e venceu o Tour de France Auto. No ano seguinte, Mairesse participou em três corridas, mas apenas uma delas pela Ferrari, não participando, assim, na temporada vitoriosa da Scuderia na Formula 1. Mas estava mais envolvido na Endurance: vencia pela segunda vez consecutiva o Tour de France Auto e terminava no segundo lugar as 24 horas de Le Mans, ao lado do britânico Mike Parkes.

Por esta altura, o seu estilo de condução e a sua concentração causavam temor entre os pilotos. Certo dia, o americano Peter Revson, então um jovem novato a tentar a sua sorte na Europa, observou Mairesse e afirmou: “A sua concentração era imensa, os seus olhos quase saltavam das orbitas, mudando de cor. Parecia o Diabo em pessoa”.

E esse seu estilo o iria colocar em risco por muitas vezes. Mas a temporada de 1962 iria começar bem, com a vitória na Targa Florio, ao lado do jovem mexicano Ricardo Rodriguez, e pouco depois, vai participar no GP da Belgica ao volante de um Ferrari, depois de um sétimo posto na corrida anterior, no Mónaco. Mairesse tinha sido o sexto na grelha de partida, entre o americano Phil Hill e Ricardo Rodriguez. No arranque, ele tinha subido para o quinto posto e andado entre os primeiros, até que entra em batalha com o Lotus do jovem Trevor Taylor.

A partir da 19ª volta, a batalha tornou-se numa luta pelo segundo posto, entre os dois, com o britânico a levar a melhor. Mas ele sofreu depois um pião e Mairesse ficou com o segundo posto, com o piloto da Lotus a chegar-se ao piloto da Ferrari, com este a segurar o lugar a todo e qualquer custo. Contudo, na volta 26, na zona de Blanchimont, ambos colidiram a alta velocidade, com Taylor a bater num poste telegráfico e Mairesse a subir para um banking, antes do carro ficar de cabeça para baixo, a pegar fogo. Miraculosamente, ambos os pilotos escaparam com ferimentos ligeiros. Mairesse voltou a competir logo a seguir, onde conseguiu um quarto lugar no final do ano, no GP da Itália.

No inicio de 1963, a competição dentro da Ferrari, que o Commendatore gostava muito de atiçar, estava ao rubro. John Surtees era o melhor, mas tinha a ver com a concorrência de Lorenzo Bandini e do próprio Mairesse. Ambos estavam a correr na Formula 1 e na Endurance, como seria de esperar, e o resultado era imprevisível. Phil Hill, que tinha saído da Ferrari no final do ano anterior, avisava: “Eles irão competir tanto um contra o outro que irão cometer erros potencialmente fatais”.

De facto, naquele ano, a Ferrari estava numa era de transição, mas esperava-se que se continuaria com a senda vitoriosa, especialmente na Endurance. Mairesse tinha começado o ano a terminar no segundo lugar nas 12 horas de Sebring, fazendo dupla com Mike Parkes, mas esteve atras do outro Ferrari de John Surtees e o italiano Ludovico Scarfiotti. Depois ele e Surtees competiram juntos nos 1000 km de Nurburgring, onde acabaram por vencer. Nas 24 Horas de Le Mans, ambos participaram juntos na corrida e dominaram grande parte dela, liderando por 15 horas, até eles terem um incêndio no motor, devido a um mau reabastecimento, quando era a vez de Mairesse guiar o carro. Ficou com algumas queimaduras, mas voltou a correr logo a seguir.

Na Formula 1, Mairesse tinha participado nas duas primeiras corridas do ano, no Mónaco e na Belgica, mas não chegou ao fim em ambas as corridas. Apesar dos bons resultados na Endurance, Mairesse estava pressionado para fazer um bom resultado quando chegou a Nurburgring, palco do GP da Alemanha.

Nos treinos, tinha sido o sétimo da grelha, algo distante de Jim Clark, o “poleman” e John Surtees, que estava no segundo posto. A corrida começou com Clark e Surtees na frente, com o belga a tentar chegar o mais rapidamente possível aos da frente. Mas na zona de Flugplatz, onde os carros literalmente… voavam, Mairesse perde o controlo do seu carro e sai de pista. Cuspido do carro, acaba por quebrar um braço, enquanto que uma das rodas do seu Ferrari atinge fatalmente um rapaz de 19 anos, Gunther Schneider de seu nome, e que era o condutor de uma ambulância.

As feridas são graves e Mairesse demora alguns meses para recuperar, e quando regressa, já em 1964, vence o GP de Angola, ao volante de um Ferrari. A partir desse ano, participa pela Ecurie Francochamps, continuando a guiar Ferraris, e é nessa condição que termina as 24 Horas de Le Mans no terceiro lugar, tendo como co-piloto o seu compatriota Jean Blaton. Volta a tentar a Formula 1 em 1966, a bordo de um BRM da Scuderia Centro Sud, no GP da Belgica, mas não começa a corrida. Seria a última vez que participaria na categoria máxima do automobilismo. Nesse ano, iria conseguir um grande resultado ao vencer a Targa Florio, ao lado do suíço Herbert Muller, a bordo de um Porsche 906 inscrito pela Ecurie Fillipinetti.

Em 1967, Mairesse e Jean Blaton voltaram a competir juntos nas 24 Horas de Le Mans, a bordo de um Ferrari 330 P4, o melhor resultado de um carro da marca de Maranello. No ano seguinte, volta a Le Mans, desta vez a bordo de um Ford GT40 privado. Quando fazia algumas voltas de teste, a porta do seu carro ficou mal fechada e acabou por ser arrancada devido ao arrasto do vento. Mairesse perdeu o controle do carro e embateu fortemente na parede de uma casa existente no circuito.

Mairesse ficou em coma durante duas semanas, e quando acordou, a sua recuperação foi lenta. Desejava correr de novo, mas aos 40 anos de idade, e com várias marcas no corpo devido aos seus acidentes, a reabilitação seria lenta e nunca completa. Quando os médicos lhe disseram que não poderia voltar a correr, achou que a sua vida não faria qualquer sentido.

A 2 de setembro de 1969, Mairesse foi para Oostende, para um hotel à beira-mar, e depois tomou usou uma dose de comprimidos suficiente para o matar. Faltavam-lhe cinco semanas para fazer 41 anos.

Formula 1 em Cartoons - GP de Itália (Riko Cartoon)

O Riko é um cartoonista italiano que entre muitos desenhos, também faz sobre a Formula 1 e sobre a Ferrari. E o que fez fohe sobre o GP de Itália e a atual situação da Scuderia, em comparação com os Red Bull, é absolutamente contrastante. E verdadeiro.

Rumor do Dia II: Nasr e Alonso na Lotus-Renault?

O Jaime Boueri me mandou isto via Twitter: o brasileiro Felipe Nasr estaria a caminho da Lotus-Renault, correndo pela marca em 2015, depois de ser piloto-reserva na próxima temporada. Segundo ele, a fonte é o jornalista Ricardo Boechat, que no final de 2011 disse em primeira mão que Bruno Senna iria para a Williams em 2012.

A acontecer, seria uma hipótese interessante, depois de ontem Helmut Marko ter dito que o lugar da Toro Rosso em 2014 seria preenchido por um piloto da Junior Team, o que fecharia as portas ao piloto de Brasilia, e as abrindo as de António Félix da Costa, atualmente na World Series By Renault.

Quanto ao lugar que poderia estar em aberto na Lotus-Renault - caso Kimi Raikkonen decida ir para a Ferrari - as hipóteses são muitas. Esta manhã, a Autosport portuguesa falava que a Renault poderia trazer Fernando Alonso de volta à marca de Enstone, depois de ele ter lá estado entre 2003 e 2006, e de novo em 2008 e 2009. A base disso são duas noticias publicadas esta manhã pelos jornais alemães "Bild" e "Die Welt".

Questionado sobre essa situação, Eric Boullier teria dito: “Se o Fernando bater à minha porta, eu irei responder. Espero só poder pagar-lhe!”.

Como podem ver, os rumores sobre a dança de cadeiras em 2014 estão mais do que quentes. São vulcões em erupção.

Formula 1 em Cartoons - Itália (Pilotoons)

O Bruno Mantovani decidiu aproveitar o assunto do momento, que foi a "câmara termica" para fazer o cartoon do GP de Itália. Segundo ele, com isso, poderiamos ver o estado de alma dos pilotos que subiram ao pódio...

Gostei do pormenor do Mark Webber, de sacola, a caminho da Porsche.

WTCC 2013 - Sonoma (Corridas)

Depois de mais de um mês de ausência, o WTCC regressou à ativa no circuito americano de Sonoma, na California, onde se esperava que Yvan Muller abrisse mais espaço suficiente para começar a comemorar o seu tricampeonato. Contudo, apesar da vitória de um Chevrolet Cruze, acabou por não ser o piloto francês a subir ao lugar mais alto do pódio, apesar de ter conseguido um terceiro e um quarto posto em ambas as corridas. Mas isso não o impediu de conseguir abrir mais distância para o segundo classificado, agora o italiano Gabriele Tarquini, que venceu a segunda corrida do dia.

A primeira corrida da tarde começou com Tom Chilton a liderar de ponta a ponta. Partindo da pole-position, teve a oposição do português Tiago Monteiro, que partindo do terceiro posto, conseguiu superar Yvan Muller para ficar com o segundo lugar. Nas voltas seguintes, o português da Honda pressionou o irmão de Max Chilton, mas apesar de ambos terem ficado próximos - e de Tiago Monteiro ter feito a volta mais rápida - ele não foi capaz de o apanhar.

Atrás, Yvan Muller não foi capaz de acompanhar os dois primeiros e decidiu juntar pontos para o campeonato, subindo ao lugar mais baixo do pódio. O britânico Alex McDowall foi o quarto, na frente de James Nash e de Gabriele Tarquini, no outro Honda.

A segunda corrida de Sonoma começou com Mehdi Bennani a perder a pole-position a favor do Honda de Gabriele Tarquini. Atrás, Tiago Monteiro, que partia do oitavo posto, saltou para o sexto lugar na partida, mas voltou a perder uma posição para Yvan Muller.

Na frente da corrida, enquanto que Tarquini se afastava, Bennani era atacado pelo hungaro Norbert Mischlisz, que no seu Honda privado, fazia de tudo para chegar ao segundo posto. Contudo, ele não conseguiu ultrapassá-lo e nas voltas finais começou a ser pressionado por Muller, que queria o seu terceiro posto, mas conseguiu aguentar o veterano francês e subir ao lugar mais baixo do pódio.

Quanto a Monteiro, aproveitou um furo por parte de Robert Huff para subir ao quinto posto, que foi o seu lugar final, na frente do BMW de Tom Coronel.

No campeonato, agora que faltam apenas as três rondas asiáticas, Yvan Muller lidera destacado com 343 pontos, com Gabriele Tarquini a ser segundo, com 199, mais 19 do que o dinamarquês Michael Nyaker. Tiago Monteiro é o décimo, com 102 pontos. A próxima jornada dupla será em Suzuka, a 22 de setembro. 

domingo, 8 de setembro de 2013

Rumor do dia: Kimi Raikkonen volta à Ferrari

Desde ontem à noite que os rumores andavam altos, quase audíveis: Kimi Raikkonen vai voltar à Ferrari em 2014. Segundo a RTL alemã e a sua congénere Auto Motor und Sport, o finlandês foi a Maranello assinar um acordo na passada quarta-feira, desconhecendo-se ainda a duração do seu contrato. O anuncio será feito durante a semana, mas será provavelmente depois de quarta-feira, quando Felipe Massa irá à sede da Ferrari para informarem da dispensa dos seus serviços a partir do final desta temporada.

Ambas as publicações apontam dois motivos para esta decisão. A primeira é para acalmar Fernando Alonso e arranjar um companheiro de equipa que eleve o nível dentro da marca e a segunda seria aproveitar a aparente fraqueza que a Red Bull terá com a saída de Mark Webber e a entrada de Daniel Ricciardo a partir do ano que vêm, e com os novos regulamentos, consiga superar os carros da marca energética de bebidas.

Caso se confirme esta noticia, será o regresso de algo que era impensável desde há algum tempo: o regresso do finlandês de 33 anos (fará 34 no próximo dia 19 de outubro) a uma equipa onde esteve entre 2007 e 2009, onde foi campeão do mundo logo no primeiro ano. Para além disso, conseguiu mais nove vitórias, cinco poles e 26 pódios, saído no final de 2009 desmotivado com as polémicas com Luca di Montezemolo, o presidente da Scuderia.

Quanto a Massa, atualmente com 32 anos, poderá ser o final de uma longa ligação. Na Formula 1 desde 2002, chegou à Ferrari em 2006, ao lado de Michael Schumacher, em substituição do seu compatriota Rubens Barrichello. Até agora, nas 132 corridas que fez com os carros construídos em Maranello, venceu por onze vezes, largou por 15 vezes da "pole-position" e conseguiu 14 voltas mais rápidas, tendo conquistado 36 pódios. 

Contudo, a sua última vitória data de 2008, quando venceu o GP do Brasil, onde por pouco mais de dez segundos, foi declarado campeão do mundo, e muito afirmam que o incidente do GP da Hungria de 2009, onde foi atingido por uma mola na cabeça, poderá ter afetado o seu desempenho. Contudo, o facto de ter Fernando Alonso como companheiro de equipa e ter aceitado o estatuto de numero dois na equipa, sendo o "funcionário do mês", também pesou na decisão.

Estando agora livre, poderá ter mercado para correr numa equipa média. A melhor chance será a Lotus, mas poderá ter a concorrência do venezuelano Pastor Maldonado, pois fala-se desde há algum tempo que a PDVSA, a companhia estatal de petróleo, anda a falar com os responsáveis da equipa de Enstone.

Noticias: Corrida do Bahrein vai ser noturna

Depois de Singapura e do lusco-fusco de Abu Dhabi, o Bahrein vai ser uma corrida noturna a partir de 2014. Os organizadores afirmaram hoje que pretendem ter todo o sistema de iluminação pronto em fevereiro, e fazer extensivos testes para que tudo esteja pronto para a corrida, que deverá ser em meados de abril, como está no calendário provisório.

Em dúvida subsiste ainda se esta será uma corrida totalmente disputada à noite ou ao pôr do sol, como em Abu Dhabi. E pelo que sei, os confrontos entre xiitas e sunitas ainda não acabaram por aquelas bandas...

Youtube Motorsport Cartoon: A história da McLaren, parte 4


E chegados ao episódio numero 4, temos a história de James Hunt na equipa. Playboy inveterado e um excelente piloto, é graças a ele que a temporada de 1976 virou filme de Hollywood. E claro, deu à McLaren o seu segundo título mundial de pilotos.

Agora, confesso que não sabia que ele tinha rival de James Bond como agente secreto de Sua Majestade... e o "Laudfinger (Niki Lauda) é o mau da fita! Depois a McLaren vai me explicar como é que ele aparece do lado deles dali a alguns anos. 

O interessante é saber que quem deu a voz foi um dos filhos de Hunt, Tom Hunt, e existe uma participação especial: Murray Walker.

Youtube Motorsport Crash: a largada da GP3 em Monza


As largadas da GP3 estão cada vez mais previsíveis... esta aconteceu na manhã de hoje em Monza. Daqui a alguns anos, alguns destes pilotos estarão - ou pagarão para estar - na Formula 1.

Formula 1 2013 - Ronda 12, Itália (Corrida)

Toda a gente sabe que Monza é um clássico do automobilismo. A pista existe há quase um século, e já viu de tudo: as grandes vitórias discutidas ao milimetro e as tragédias que ceifaram as vidas de pilotos e espectadores. Títulos mundiais foram ganhos por ali e festas foram feitas, mas também se chorou as perdas de pilotos talentosos, vítimas de carambolas ou erros do qual pagaram o preço mais alto.

Mas no meio disto tudo, em termos de Formula 1, o que Monza viu por uma só vez em 63 anos de história foi... chuva. Houve uma ameaça em 1981, por certo, mas essa corrida foi essencialmente em pista seca. Corrida a sério com a pista molhada foi o que aconteceu em 2008, com os pilotos da frente de então - Kimi Raikkonen, Felipe Massa e Lewis Hamilton - a cometerem erros e a darem a oportunidade de brilhar a um jovem alemão que estava na Toro Rosso, chamado Sebastian Vettel. Não só deu a pole-position como fez uma prova certa e sem erros, conseguindo ali a sua primeira vitória da sua carreira.

Cinco anos se passaram e Vettel voltou a ter a "pole-position" em Monza, mas agora têm agora três títulos mundiais (e um quarto a caminho) 31 vitórias e 40 pole-positions. E têm apenas 26 anos. E como em 2008, havia uma ameaça: a da chuva. O tempo estava nublado, e o aparecimento da chuva era uma possibilidade real de acontecer na pista italiana, colocando algumas interrogações sobre o que esta poderia ser de diferente.

A corrida começou previsivel: com Vettel na frente e os Ferrari logo a seguir, mas os primeiros estragos aconteceram na segunda chicane, quando Paul di Resta e Romain Grosjean colidiram com o escocês a ficar para trás, enquanto que o francês continuava a corrida. 

Aos poucos, Vettel afastava-se dos Ferrari, ganhando imenso tempo sobre Alonso. Atrás, Hamilton perdia lugares, perdendo ritmo para a concorrência. Mas na 13ª volta, a Mercedes avisa Hamilton que tinha um furo lento e ia às boxes. Mas o inglês somente foi para lá duas voltas depois. A seguir, enquanto Webbber pressionava Massa pelo terceiro lugar, Jean-Eric Vergne desistia, com o motor Ferrari quebrado, quando seguia no nono posto.

Após a passagem dos lideres para as boxes, para a única paragem que fariam na corrida, a grande mudança foi a de Webber a passar Massa na luta pelo terceiro posto. Mal se sabia que as coisas iriam ficar por ali, e assim, as atenções andaram mais para o meio do pelotão, onde as águas andavam mais agitadas. Hamilton - que tinha problemas com o seu rádio - decidiu com a equipa que iria fazer duas paragens, o que fez-se afundar inevitavelmente no meio do pelotão. Entretanto, Alonso e Webber duelavam pelo segundo posto, captando as atenções das pessoas em casa, mas a coisa era ilusória: o australiano tinha problemas com a sua caixa de velocidades e não conseguia apanhar o espanhol para tentar uma dobradinha da Red Bull na casa da Ferrari.

Assim sendo, na parte final da corrida - e já com a certeza de que a chuva não iria chegar a Monza - o grande centro das atenções passou a ser Hamilton. Com os pneus mais frescos e largado no meio do pelotão, graças às duas paragens, começou a apanhar os pilotos com os pneus mais gastos e fazia passagens umas atrás das outras, escalando na classificação geral. Na última volta, parecia que iria apanhar Grosjean no oitavo posto, mas na segunda chicane, a Vialone, ele exagerou e ficou-se pelo nono posto.

Na frente, claro, nada de novo: Vettel vencia em Monza como há cinco anos, mas sem chuva. Com quase dez segundos atrás de si aparecia Alonso, com Webber colado à sua caixa de velocidades. Massa era o quarto, na frente de Nico Rosberg de uns excelentes Nico Hulkenberg e Daniel Ricciardo, ambos a conseguirem - ou a igualarem, no caso do australiano - os melhores resultados da temporada. Ambos na frente de Grosjean, Hamilton e Jenson Button, que "salva o dia" com apenas um ponto.

Agora, a Formula 1 só volta à Europa em abril de 2014. As próximas sete corridas de 2013 serão em paragens asiáticas e americanas, sinal da nova Formula 1, aquela que Bernie Ecclestone conseguiu moldar. 

sábado, 7 de setembro de 2013

Noticias: Alonso esclarece comunicação para as boxes como "mal entendido"

A polémica comunicação de Fernando Alonso no final da qualificação desta tarde em Monza deu que falar nos minutos a seguir ao sucedido, querendo as pessoas afirmar que isso seria sinal de que as coisas andavam mal pelos lados de Maranello. Contudo, rapidamente, Alonso e a Ferrari vieram a público referir que é tudo uma má interpretação dos acontecimentos e o que foi ouvido foi apenas uma parte da comunicação.

“O que eu disse no rádio é que Felipe [Massa] estava um pouco longe para executarmos o nosso plano. Então ele tirou um pouco o pé e na última tentativa estávamos na distância ideal”, afirmou, antes de atacar a transmissão televisiva: “Eles [TV] não exibiram a última mensagem de rádio, quando eu agradeci a Felipe e à equipe pelo trabalho realizado, que tinha sido perfeito. Fizemos isso no Q1, no Q2 e no Q3 funcionou muito bem também”, ressalvou.

"A palavra 'génio' [que se ouve na comunicação] refere-se ao facto que poderíamos ter saído antes de Rosberg ter feito a sua volta mais rápida. Mas continuo a afirmar que a equipa fez um trabalho impecável," concluiu.

Em relação à corrida de amanhã, Alonso refere que o resultado da qualificação, embora não sendo o ideal, é melhor do que nas corridas anteriores: “A pior parte para nós é sempre o sábado. Temos sempre três ou quatro carros entre nós e a Red Bull e até nos livrarmos desses rivais já perdemos cerca de dez segundos. Então estamos muito felizes hoje, porque amanhã, quando chegarmos à primeira curva não teremos esses obstáculos à nossa frente”, concluiu.

Formula 1 2013 - Ronda 12, Itália (Qualificação)

Quando se fala de Monza, os olhos de 99 em cem "tiffosi" brilham, pois todos sabem que aquela é a casa do automobilismo italiano e uma das catedrais do automobilismo mundial. Ultra-veloz, que em termos da pista, quer em termos do histórico anel de velocidade, somente as três chicanes existentes servem como "pausas para respirar" de um autódromo que foi feito em 1922 para ver as máquinas rolando o mais velozmente possivel...

Situada nos arredores de Milão, Monza é o lugar onde os "tiffosi" vão para celebrar os seus heróis. Aqueles de vermelho com um cavalo como escudo e que vêm do coração da Emiglia-Romana. Contudo, este ano, as coisas não corriam muito bem, pois para além dos Red Bull a ficarem com os lugares da frente, tinham agora a concorrência da Mercedes, que andava a monopolizar as "pole-positions", graças a Lewis Hamilton. Esperava-se que a Ferrari pudesse fazer uma "gracinha" em casa, mas este ano, a montanha estava mais ingreme, apesar de todo o talento de Fernando Alonso.

Na Q1, passaram os do costume, com Vettel à cabeça - ainda mais sendo uma pista veloz e com bom tempo neste fim de semana - e entre os não-qualificados para a segunda fase, para além dos clientes do costume, Caterham e Marussia, também estavam o Sauber de Esteban Gutierrez - que claramente de mostra como o pior piloto deste pelotão - e o Williams de Valtteri Bottas.

Como sempre, a parte mais interessante iria acontecer a partir da Q2, mais concretamente na sua parte final. E assim foi: as grandes surpresas foram a não passagem dos Lotus de Kimi Raikkonen (11º) e Romain Grosjean (13º), com o Mercedes de Lewis Hamilton entre eles, o que fez com que acabasse a sequência de quatro pole-positions seguidas. Em claro contraste, os Toro Rosso de Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne, e mais surpreendentemente, o Sauber de Nico Hulkenberg conseguiam um lugar na Q3.

Passando para a Q3, os primeiros tempos viram os Red Bull marcarem os seus tempos, com os Ferrari a fazerem o mesmo, mas Maranello ficou atrás de Milton Keynes. A parte final iria ser bem mais interessante, e assim foi: mesmo com Jean-Eric Vergne a sair de pista na Parabolica, Sebastian Vettel conseguiu ser o melhor, na frente Mark Webber, num monopólio da Red Bull na primeira fila. O mais surpreendente foi o terceiro lugar para... Nico Hulkenberg, no Sauber! O alemão mostrou o seu melhor, conseguindo ficar na frente dos Ferrari de Felipe Massa e Fernando Alonso, quarto e quinto.

Nico Rosberg era sexto, na frente do Toro Rosso de Daniel Ricciardo e os McLaren de Jenson Button e Sergio Perez e Jean-Eric Vergne no décimo posto.

O resultado final desta qualificação tinha os seus lados surpreendentes, como ver que o melhor motor Ferrari era um Sauber, por exemplo, mas com Vettel a conseguir a sua 40ª pole-position da sua carreira (e a 50ª para a Red Bull), parece que as coisas caminham para - salvo qualquer azar - mais uma vitória da equipa de Milton Keyes e mais um passo para um tetracampeonato cada vez mais... inevitável. 

E Alonso, no final, estava bravo, pois queixava-se para os engenheiros: "Essa de o deixarem passar é verdadeiramente de estúpidos. Mamma Mia, rapazes!" A razão da queixa era simples: Massa deveria "rebocar" Alonso para conseguir um tempo que o colocasse na primeira fila, mas ele estava longe demais para conseguir fazer issso. Com Luca di Montezemolo a observar tudo, provavelmente todos engolirão em seco e ficarão com as orelhas a arder até Maranello...

Amanhã, dia de corrida, haverá mais de Monza.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Formula 1 em Cartoons - GP Belgica (Thomson Studio)

Bruce Thomson é canadiano e sabe desenhar. Já desenhou para o AtlasF1, para a Autosport britânica até 2008, altura em que parou e se dedicou aos desenhos. Mas este ano ele voltou em força e colocou alguns sketches, incluindo este do GP da Belgica. Pobre Felipe Massa...

Já agora, para verem os seus trabalhos, podem ver o seu site: http://www.thomsonstudio.com/

As expectativas de Carlos Sainz Jr.

Carlos Sainz Jr. é um piloto do qual se têm gerado muitas expectativas. Filho do bicampeão do mundo de ralis (1990 e 1992) Carlos Sainz, o piloto de 19 anos - completados a 1 de setembro - surgiu por estes dias a hipótese - especialmente na imprensa espanhola - de que ele poderia ser o principal candidato ao lugar da Toro Rosso em 2014, deixado vago com a saída de Daniel Ricciardo, que irá para a Red Bull na próxima temporada.

Esse exagero tão pródigo da imprensa espanhola levou a que Sainz Sr. tenha colocado uma mensagem no seu Twitter pessoal que "creio que é muito cedo para gerar tantas expetativas quanto ao ano que vem sobre o Carlos Sainz Jr. e a Formula 1. Dêem tempo ao tempo". E é verdade: para além da hierarquia existente, Sainz Jr. não têm feito uma temporada brilhante na GP3: dois pódios e uma "pole-position", faz com que ele esteja no nono posto do campeonato, além de ter feito três corridas da World Series by Renault (WSR), sendo que o seu melhor resultado seja um sexto posto no Mónaco.

"Eu sei como funcionam as coisas na Red Bull e o certo é ter outro piloto à frente, que é António Félix da Costa. Eu tenho, talvez, uma oportunidade muito mínima, de 0,01%", começou por dizer numa entrevista ao site espanhol caranddriverthef1.com. "Quando se escreve alguma coisa, neste caso que posso correr na Formula 1 e é quase 100% certo que não vai acontecer, pode gerar-se uma desilusão já que a realidade seria avançar para correr no próximo ano na Fórmula Renault 3.5 e continuar no programa da Red Bull", continuou.

Sainz Jr vai estar a partir de agora também na World Series by Renault nas três últimas rodadas duplas do campeonato, a começar por Hungaroring, na semana que vêm, na equipa Zeta Corse.

Youtube Formula 1 Premiére: Os McLaren na antestreia de "Rush"


Na passada segunda-feira houve em Londres a ante-estreia mundial do filme "Rush", e a McLaren, como sabem, foi convidada para mostrar os seus modelos no tapete vermelho. E foi isso que Jenson Button e Sergio Perez fizeram: Button com um M23 de 1974 (aquele que Emerson Fittipaldi conseguiu o seu bicampeonato) e Perez com o carro de 2008, o MP4-23, (guiado originalmente por Lewis Hamilton).

E claro, ambos fizeram uma entrada em grande. Ainda havia um terceiro McLaren, outro chassis M23, guiado por James Hunt em 1976, exposto em frente ao teatro. O video foi mostrado pela marca de Woking, que se associou ao filme.