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quarta-feira, 13 de agosto de 2025

A imagem do dia



Há 30 anos, acontecia algo bizarro. E a culpa nem foi do piloto. 

Na volta 13 de uma corrida que ficou assinalado pelo regresso de Pedro Lamy à Formula 1, depois de 15 meses de ausência, pilotando o Minardi M195, no lugar de Pierluigi Martini, e pelo motor Peugeot de Rubens Barrichello a rebentar na reta da meta nos metros finais, perdendo um pódio certo, o Footwork de Taki Inoue parava por causa de um problema de motor. Com este a pegar fogo, o piloto japonês saiu do carro a correr, sem saber que, na sua direção vinha um Tatra a servir de carro de comissários, pronto para ajudar a apagar as chamas do seu carro.

E... foi atropelado. Francamente, não recordo de nenhum piloto ser atropelado por um carro, nem antes, nem depois. Outras coisas semelhantes, sim. Mas isto era inédito. Agora imaginem ver isto num domingo à tarde, um adolescente a aproveitar as suas férias de verão, a assistir a isto. Não me lembro de ter ficado de boca aberta, mas... não ficaria admirado.  

As pessoas podem pensar que o trapalhão foi ele, mas bem vistas as coisas, foi mais uma confusão do qual ele foi mais vitima que réu. 

E o mais estranho é que isto não era a primeiras vez. Em maio, no Mónaco, tinha sido vitima de mais um acidente causado pelos comissários de pista, nomeadamente pelo Renault Clio guiado por Jean Ragnotti, que servia da Safety Car nessa corrida. O carro ficou destruído e o piloto acabou no fundo da grelha, acabando por largar das boxes. 

Felizmente, na Hungria, como no Mónaco, Inoue saiu ileso. Podia ter sido pior, mas ele era suficientemente rijo para que estas fotos passassem mais por um momento insólito que algo mais sério. E foi há 30 anos, num domingo de calor na Europa central. 

terça-feira, 27 de maio de 2025

A imagem do dia





Faz agora 30 anos que aconteceu um dos episódios mais bizarros do automobilismo. E no Mónaco, ainda por cima. Podemos falar agora que houve um final feliz, mas podia ter acabado muito mal. 

Em 1995, as coisas nessa temporada estavam semelhantes ao ano anterior. Michael Schumacher tentava revalidar o título, mas na Williams, Damon Hill dava luta. A Simtek lutava para tentar encontrar dinheiro, caso contrário, encerrava as portas - tinha uma dívida a rondar os 10 milhões de dólares, e não pretendia ficar mais tempo sem que arranjasse um financiador. No inicio do ano, já se tinham perdido duas equipas, Lotus e Larrousse, e a chegada da Forti não era compensadora. 

A Footwork/Arrows não tinha muito dinheiro na altura. Tinha Gianni Morbidelli, piloto com talento, que tinha andado na Ferrari, por exemplo, mas o outro lugar ficou nas mãos de um piloto pagante sem muito talento, o japonês Taki Inoue. Ele tinha andado uma corrida em a Simtek, em 1994, em Suzuka, e tinha para o resto da temporada seguinte, com um palmarés onde ele nunca ganhou qualquer corrida nas categorias inferiores. Siml eram bem: nunca ganhou nem na Formula 3, nem na Formula 3000!

O dia 27 de maio de 1995 era sábado, segundo dia da qualificação no Mónaco. Inoue ficava normalmente na segunda parte da grelha - tinha sido o 19º em Imola, 18º em Barcelona - e metia o carro entre os dois Minardis ou o Sauber de Karl Wendlinger, por exemplo, sempre quatro segundos mais lento que os pilotos da frente. Os Forti e os Pacific eram mesmo os últimos, acreditem.

Inoue tinha batido na sessão de quinta-feira, que foi disputada entre seco e molhado, por causa de uma chuva súbita que apanhou os pilotos desprevenidos e tinha conseguido apenas o 24ª melhor tempo. Tinha de melhorar no sábado, e esperava que assim acontecesse, porque o tempo indicava isso: sol primaveril sobre o Mediterrâneo. Contudo, a sessão da manhã para Inoue acabou bem cedo, porque ele se despistara e deixara o motor ir abaixo. Rebocado para as boxes, o piloto japonês queria ver se tinha uma chance de marcar um tempo na sessão da tarde. E com a interrupção, entra em cena o Safety Car, para ajudar nas operações de socorro.

Em 1995, quem detinha esses carros eram os circuitos, e poderiam ser qualquer um. O Automobile Club de Mónaco (ACM) tinha como Safety Car um Renault Clio de 2 litros, derivado do Clio Williams, guiado por Jean Ragnotti, uma lenda dos ralis, conhecido por dar espetáculo na estrada. E era isso que andava a fazer: dar espetáculo nas ruas do Mónaco. Como passageiro, tinha o delegado de imprensa da FIA - certamente a passar por um grande susto. Eles iam no complexo da Piscina quando viram o Foortwork/Arrows a ser rebocado... e bateram forte. O carro virou e ficou capotado, destruindo a entrada de ar e danificando seriamente a caixa de velocidades e o motor Hart de 8 cilindros. E pior: Inoue ainda estava dentro!

A sorte no meio da má fortuna era que ele tinha o capacete posto, senão teria sido bem pior. Mas não tinha os cintos de segurança. Levado para o hospital, levara um trauma craniano leve, mas o médico da FIA disse que ele não poderia participar. 

Quem ficou lixado da vida foi Jackie Oliver, o patrão da Footwork/Arrows. Reclamou ao ACM - o Safety Car era deles, lembrem-se - e disse que, se não fosse o capacete, Inoue estaria morto. E a reclamação era forte: 

"Porque é que Ragnotti estava ali? É apenas falta de disciplina. Pelo que percebi, ele já tinha completado algumas voltas antes 'a um milhão de quilómetros por hora', fazendo curvas com o travão de mão no gancho de Loews. Qual era o propósito dele fazer isso? Era para dar emoção aos fiscais de pista?" O ACM reconheceu a sua responsabilidade, e permitiu que Inoue usasse o carro de reserva, mas ele já estava fora de cena por causa das ordens do médico. Assim sendo, era último, com nove segundos de desvantagem para Damon Hill, o poleman.

Apesar de tudo, Inoue iria participar na corrida, mas não foi longe: a caixa de velocidades quebrou-se na volta 27, terminando por ali a sua corrida. E não seria a última vez que não deixaríamos de ouvir falar dele.     

terça-feira, 5 de setembro de 2023

A imagem do dia



Taki Inoue faz hoje 60 anos de idade. Atualmente radicado no Mónaco, é provavelmente um dos piores pilotos da história da Formula 1. Contudo, se em 1995 tivessem usado o sistema de pontos atual, ele teria conseguido... seis pontos. Tudo graças a um nono posto no Canadá e um oitavo em Monza, no GP de Itália.

Claro, pelo meio, foi atropelado por um Tatra dos comissários de pista húngaros, e foi tirado fora da pista do Mónaco pelo... Safety Car, um Clio Kit Car guiado pelo lendário piloto francês Jean Ragnotti. Mas Inoue, que conseguiu depois uma segunda carreira nas redes sociais, auto-depreciando-se em relação a aquilo que fez na categoria máxima do automobilismo: 18 corridas, em duas temporadas, e em equipas como Simtek e Arrows.

Mas o seu melhor resultado de sempre tem uma história. E que, por incrível que pareça, ele não foi último! Certo, ficou a uma volta do vencedor, o Benetton de Johnny Herbert, mas de uma certa forma, conseguiu sobreviver a carambolas, avarias e uma colisão entre Michael Schumacher e Damon Hill!

Vigésimo nos treinos, cinco lugares abaixo de Max Papis, seu companheiro de equipa, sobreviveu à carambola da primeira volta, onde quatro pilotos - Roberto Moreno, Andrea Montermini, Jean-Christophe Bouillon e... Max Papis! - acabaram por bater e obrigaram à amostragem das bandeiras vermelhas. 

Na segunda partida, David Coulthard foi o primeiro líder, antes da direção se quebrar e abandonar, o Ferrari  de Gerhard Berger ficou na frente e pareciam ter tudo controlado até às boxes. Atrás de Berger estavam Hill e Schumacher, e quando o britânico chegava-se a Inoue, ao pé da segunda chicane, não conseguiu travar a tempo e bateu na traseira do Benetton do alemão. 

Felizes da vida (os tiffosi), os Ferrari foram para a frente e parecia que seria uma dobradinha para Maranello... quando uma câmara de filmar se descolou do carro de Jean Alesi e rebentou com a suspensão do carro de... Gerhard Berger. Mas tudo bem, o francês tinha tudo controlado e ia a caminho da sua segunda vitória na temporada. Certo? 

Errado. A oito voltas do fim, o carro de Alesi ficou com problemas nos rolamentos e o carro parou definitivamente nas boxes, dando o comando para Johnny Herbert, que... esse sim, ia a caminho da sua segunda vitória na temporada. E o pódio era quase novo: por exemplo, foi aqui que Heinz-Harald Frentzen conseguiu o seu primeiro pódio da carreira. E o primeiro da história da Sauber. E Mika Salo, o quinto, conseguia os seus primeiros pontos da sua carreira.

No final, Inoue admitiu que foi o culpado da colisão entre ambos. Como? Explica-se da seguinte maneira: ele perdeu momentaneamente o controlo do carro quando Schumacher o passou, e Hill teve de fazer manobras evasivas, e não evitou o choque entre ambos. Schumacher, de inicio, tinha culpado Hill pelo que aconteceu, mas depois foi ter com ele e pediu desculpa. 

Sim, Inoue não tinha características de Formula 1, e foi o único atropelado por um carro de comissários. Mas ninguém fica indiferente a ele. Parabéns!

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A imagem do dia

Taki Inoue, no GP da Hungria de 1995. Quem for hoje em dia ver todos os sitios sobre os piores pilotos da história da Formula 1, qualquer "top ten" tem pelo menos dois ou três japoneses nisso. E em 90 por cento deles todos, tem este nome em comum. Se algum dia tiverem o trabalho de ver o palmarés dele nas corridas de acesso - Formula 3, Formula 3000, entre outros - Taki Inoue nunca ganhou corridas. Mas mais espantoso do que isso é que Inoue... nunca chegou a subir ao pódio nessas corridas. E em 1994, na Formula 3000, nunca pontuou em alguma das corridas em que participou.

Mas como é que conseguiu chegar ali? Simples: dinheiro. Mas isso é algo que muitos outros conseguiram, incluindo alguns conterrâneos seus, como Toshio Suzuki e Hideki Noda, entre outros.

Contudo, a maneira como fez durar aquela temporada completa na Arrows é que entrou nos anais da história da Formula 1, e do automobilismo em geral. E provavelmente, algum dia vão fazer um filme sobre ele. Mais uma comédia do que outra coisa, mas...

E hoje, há vinte anos, foi o "ponto alto". Ano passado, como sabem, eu, o Lucas Carioli e o Jaime Boueri entrevistamos Inoue para o extinto Motordrome, onde ele falou algumas das coisas da sua carreira. Não foi muito meigo sobre o seu patrão, Jackie Oliver, e falou sobre a chuva épica que caiu em Suzuka, no ano anterior, na sua estreia na Formula 1, ainda na Simtek. E sobre este momento, ele disse que "as imagens falam por si". E é verdade, Taki!

Durante anos, Inoue teve vergonha dos seus feitos na categoria máxima do automobilismo. Mas um dia, algures em 2011, ao ver as 24 Horas de Le Mans, estava a ver o seu falatório no Twitter e parecia que tinha decidido fazer as pazes com o seu passado e levar... não muito a sério. E com isso, ganhou uma nova legião de fãs, que o acarinham. Quem poderia acreditar que um " Formula One Reject" se tornaria assim tão popular? 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Esmiuçado a entrevista ao Taki Inoue

Para quem ainda não sabe, eu, o Jaime Boueri e o Lucas Carioli entrevistamos por estes dias o ex-piloto de Formula 1 Taki Inoue, considerado um dos piores pilotos que jamais passou na categoria máxima do automobilismo. A entrevista, caso ainda mão tenham lido, encontra-se no site Motordrome e até agora poderemos dizer que é o nosso primeiro grande registo nos dezoito dias que este site já leva em termos de existência.

Gostaria que isto fosse a primeira de muitas entrevistas que faremos por lá, mas eu chego à conclusão de que ele é mesmo a pessoa que se mostra na Net: descontraído e galhofeiro. Mas mesmo ali, há sinais de orgulho, quando ele diz que ele não foi um piloto pagante (obviamente, foi o contrário), e para as perguntas mais óbvias, como a da ambulância na Hungria, responde com um simples "o video no Youtube explica tudo".

No meio das "galhofas", têm duas revelações interessantes: a primeira, que estava realmente assustado quando guiou o Simtek na chuva de Suzuka, em 1994, e que ele no inicio de 1996, ele já tinha assinado pela Minardi - logo, iria ser o companheiro de Pedro Lamy - e que um dos patrocinadores decidiu "puxar o tapete" à ultima da hora, deixando-o apeado "por uma m**** politica", segundo diz ele.

Outra pergunta interessante foi quando ele testou outro carro de Formula 1, quase vinte anos depois da sua última vez por lá. Gostou, disse que não tinha nada a ver com o seu tempo, e sobre a Formula 1 atual, foi mais implacável, e... um pouco contraditório. Diz que há pilotos semelhantes a ele, mas não há nenhum "Taki Inoue". E o Pastor Maldonado? Mas também diz que a Formula 1 por estes dias está "chata" e que quem vai ganhar será o Hamilton... se tiver cabeça.

De uma certa maneira, há um pequeno sentimento de desilusão, porque pensávamos que existisse algo mais substancial, mas pessoalmente, gosto de ver isto pelo copo meio cheio: entrevistamos um ex-piloto de Formula 1, e foi o Taki Inoue. Começamos pelo "fundo da tabela" e não foi um "Formula One Reject" qualquer. Acho que é um bom principio. Outros virão, espero eu.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Youtube Formula 1 Video: Taki Inoue, o filme

De facto, as declarações de Taki Inoue na Net fizeram este "F1 Reject" um dosa heróis do automobilismo contemporâneo. As suas declarações auto-depreciativas fazem as delicias dos fãs e fazem redescobrir aquelo que andou a fazer há 19 anos na Arrows, onde cumroiu toda uma temporada e esteve envolvido em situações como a do GP da Hungria, onde foi atropelado por um comissário de pista.

Agora descobri que um rapaz fez um video sobre a sua passagem pela Formula 1. Um filme bem humorado sobre as suas atribulações em 1995. E claro, já levou o selo de qualidade do próprio Inoue!

A foto do dia

A parabólica com a escapatória asfaltada. Ao colocar esta foto, Taki Inoue comentou no seu Facebook: "Agora, até pilotos de m**** como eu podem fazer a Parabólica a fundo!"

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A foto do dia

Hoje é dia de anos de Jackie Oliver, piloto de Formula 1 e depois patrão da Arrows nos anos 80 e 90, onde a certa altura, alugava os lugares a pilotos endinheirados. Uma das fotos que ilustram este dia é o acidente que teve em Rouen, em 1968, durante os treinos do GP de França, onde teve uma sorte tremenda, pois bateu de traseira com o seu Lotus.

No meio disto tudo, fica uma declaração bem curiosa de... Taki Inoue, em que diz na sua página de Facebook: "O senhor Oliver costumava-me chamar de idiota em 1995. Estou a ver que ele já foi um idiota bem maior no passado, hehe!"

sábado, 31 de maio de 2014

A imagem da semana

Nem é a imagem do dia: é a imagem da semana. O cinquentenário Taki Inoue, famoso por ser um dos pilotos mais lentos - e azarados - da história da Formula 1, de volta a um carro, quase vinte anos depois de se ter estreado na categoria máxima do automobilismo. A coisa aconteceu em Paul Ricard, onde teve a oportunidade de entrar dentro de um Lotus-Renault, e teve os conselhos sábios de... Pastor Maldonado, outro piloto que tem mais fama de destruidor de carros e de "pay-driver" do que dos seus resultados.

Houve quem dissesse durante a semana que juntando o Andrea de Cesaris, e teriamos a Santissima Trindade dos acidentes automobilisticos...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Dailymotion Formula 1 Classic: o acidente de Taki Inoue, Mónaco, 1995


1995_Formula_1_Monaco_Safetycar_Inoue por racingforever
Isto é ultra-raro! Estas são as imagens do acidente que o japonês Taki Inoue teve nos treinos do GP do Mónaco, em 1995, quando foi abalroado... pelo Renault Clio Williams conduzido por Jean Ragnotti, e que servia de Safety Car naquele Grande Prémio.

Podemos rir agora deste acidente, mas as consequências poderiam ser mais trágicas. É que no acidente, o arco de segurança do seu Arrows cedeu e o piloto japonês teve uma contusão no pescoço. Mesmo assim, recuperou o suficiente para voltar ao seu carro no dia da corrida, onde esteve em prova até à volta 27, quando a caixa de velocidade cedeu.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Top Gear entrevista Taki Inoue. E vale a pena ler!

Não sei se Taki Inoue é o pior piloto de Formula 1 de todos os tempos (acho que ainda há piores do que ele!) mas podemos ter a certeza que ele se tornou um ícone nas redes sociais, graças à sua conta no Twitter, onde ele manda pérolas de humor japonês no seu inglês macarrónico. Quase vinte anos após a sua aventura automobilística pela Arrows, Inoue vive no Mónaco a ser empresário de pilotos, mas agora, depois de muitos anos de descrição, ele faz tudo ao contrário, trazendo consigo uma legião de novos fãs. E o Top Gear britânico, através do seu jornalista Sam Phillip, foi entrevistá-lo na sua edição de setembro, onde falou algumas pérolas como esta:

"Meu capacete estava amolgado. Depois fui ver o médico. Procedimento habitual: primeiro vêm se me mexo, tocando nos meus testiculos". Uma pausa para beber um golo de cerveja. "É verdade! apresndi isto no Reino Unido. Quando os teus testiculos se mexem, o cérebro está bom. Quando sofres um acidente, tesouras, cortam-te o fato, vêm-te os testiculos, tocam-nos, se eles se mexem, a pessoa está bem. Se as bolas não se mexem, então tens algum dano cerebral, creio eu".

Inoue fez agora 50 anos de idade e vive no Mónaco ("mas não na parte glamourosa"). Durante o seu tempo na Formula 1 em 1995, o seu nome tornou-se sinónimo de ineptidão. Um dia, quando Michael Schumacher fez um tempo dois segundos abaixo do seu companheiro de equipa, Johnny Herbert, durante uma sessão de testes com o seu Benetton, este respondeu com um "sinto-me como se fosse um Taki Inoue ou algo assim". Até compatriotas como Ukyo Katayama o consideravam como "um horror". 

Na entrevista, estão lá os seus grandes momentos, como a colisão com o Renault Clio de Jean Ragnotti e o Tatra que servia de ambulância em Budapeste, durante o GP da Hungria, do qual ficou ferido, mas que teve de se aguentar por mais de uma hora no centro médico, porque Charlie Whitting não queria interromper a corrida.

E também fala sobre os pilotos pagantes, porque muitos acreditam que ele foi o primeiro a pagar para correr, dada a sua falta de talento: "Não! Todo e qualquer piloto é uma espécie de piloto pagante. Schumacher, Alonso. Sim, Alonso recebe um salário, mas quanto é que a Santander paga à Ferrari? O que fazia era o mesmo. A unica diferença é que eu não era suficientemente bom para a Formula 1..."

A obsessão de Inoue pelo automobilismo apareceu por acaso. Em 1978, aos 15 anos de idade, estava a comer um doce quando lhe apareceu um autocolante com a cara de James Hunt. "Eu perguntei: 'o que é isto?' E me responderam: 'Taki, é Formula 1'. Eu disse: 'Muito bom, há piloto de Formula 1 japonês?' E me responderam: 'Formula 1 é impossível para japoneses'". Inoue considerou isso como um desafio e começou a competir nos Turismos, sempre com resultados modestos. Mas o sonho da Formula 1 nunca morreu na sua mente.

A entrevista de Inoue à Top Gear britânica têm partes absolutamente hilariantes, como esta:

"Perguntei a um amigo meu: 'Como é que vou correr na Formula 1?' Ele me disse 'Taki, deves ir ao Reino Unido, Formula Ford, 1600, é a tua porta de entrada na Formula 1'. Então decidi: 'OK, eu vou para o Reino Unido'. 

Outra baforada de cigarro, outro trago de cerveja. 

É o meu primeiro voo, a minha primeira viagem fora do Japão. Quando estavam a servir a comida, perguntei "Quanto é?" e me disseram que 'Não precisava de pagar pela comida.' 

Quando chegou a Londres, a sua falta de preparação se tornou evidente. "Quando cheguei a Heathrow, fui ao balcão de informações e perguntei: 'Quero ser piloto, onde é que posso ir?' É verdade. Eles me responderam: 'Você deveria ir para Newmarket - lá há uma pista. Comprei um bilhete, apanhei um autocarro". Numa noite miserável de outubro, Inoue sai de Londres e vai ter ao Norfolk profundo. 'Quando o condutor diz 'Newmarket', eu sai. Depois perguntei a uma pessoa: 'Esta é a pista de corridas?' e ele me responde que 'Sim, é a pista de corridas de cavalo!' Desastre.

Inoue acaba por chegar a East Anglia, onde corre na Snetterton Racing School, depois participa na Formula Ford, antes de regressar ao Japão para fazer Formula 3. Mesmo sem que tenha subido alguma vez a um pódio, Inoue foi capaz de arranjar verbas para sustentar a sua carreira, patrocinios que chegaram às duas milhões de libras. Graças a eles, ia subindo de categoria, embora nunca imitando os resultados do seu ídolo James Hunt, apesar de adorar o lado mais ligeiro do desporto. 'Nesses dias, podia beber, beber muito e no dia seguinte tinha uma grande dor de cabeça. Sem problemas!' sorri, enquanto segura um cigarro na mão. 'Os pilotos de agora são aborrecidos, parece os Jogos Olimpicos. Personalidade zero. Os pilotos de hoje têm de fingir que são profissionais, mas eu tinha medo, muito medo. O carro era muito veloz! Sendo muito veloz, tinha muito medo'.

Provavelmente não ajudou muito o facto de a sua equipa não o ter dado alguma chance de testar antes da sua primeira corrida de verdade. 'Na minha primeira corrida a sério em São Paulo, o GP do Brasil, não sabia o que era uma paragem nas boxes. Ninguém me contou', admite com um sorriso. 'Mas pelo menos o carro não era complicado de guiar. Não havia caixa de velocidades no volante, e uma vez que te habituas aos travões de carbono, é muito fácil de guiar.'

Fácil? Com 900 cavalos, sem ajudas de condução e com notórias dificuldades no departamento de talento. Encolhendo os ombros depois de beber mais um golo da sua cerveja, afirmou: 'É porque eu guiava muito lentamente...'" 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

E o pior piloto do mundo é...

Sempre considerei a discussão sobre o melhor piloto de sempre algo semelhante ao "sexo dos anjos", ou seja, não existe "o" melhor piloto - apesar dos defensores do seus piloto favorito - mas nunca vi tamanha discussão sobre que é o pior piloto do mundo. Ou grupos de fãs fanáticos a defenderem, com unhas de dentes, as façanhas desse "pior piloto do mundo".

Os critérios são sabidos: "chicanes móveis", pagaram para correr num carro que definitivamente estava no último lugar da grelha, talento pouco ou nenhum e a sua saga na Formula 1 está povilhada de historietas que os fãs não mais se esqueceram. E num caso extremo, a FIA tirou a licença por ser... demasiado lento. E claro, um perigo para a concorrência.

Esta semana, a Autosport britânica anunciou quem foi o grande vencedor do "pior piloto do mundo". A votação tinha sido dividida em duas partes: a seleção do público e a dos jornalistas. E de uma forma não muito surpreendente, nos dois lados acabaram por ser escolhidos... um italiano e um japonês. No lado dos profissionais de comunicação, foi Giovanni Lavaggi o escolhido. Mas no coração do público, o prémio foi para... Taki Inoue, o mais recente fenómeno do Twitter e das redes sociais, o favorito dos corações dos "petrolheads" mais empedernidos.

Inoue - que incentivou o pessoal para votar nele nessa eleição - reagiu da seguinte forma no Twitter: “Agora sou oficialmente o pior piloto da Formula 1 dos últimos 20 anos. Lewis Hamilton desfrutando seu próprio jatinho. Eu suando para encontrar o voo mais barato na Easyjet. Estamos ao vivo em Mónaco. Ó querido, não acredito que ele tenha experimentado beber um sumo de laranja num copo de plástico e um croissant frio na vida”. Já agora, diga-se que Inoue vive atualmente no Mónaco. 

E, sejamos honestos, ele merece. Não tanto porque foi uma chicane móvel - houve outras belas chicanes móveis que mereciam melhor esse prémio, como Jean-Denis Deletraz ou Giovanni Lavaggi - mas por causa dos episódios onde esteve envolvido ao longo de uma temporada, a de 1995, ao serviço de uma Arrows que andava desesperada por dinheiro para terminar a época. Nesse ano, caso se recordam, eles tiveram três pilotos: Inoue e os italiano Gianni Morbidelli e Max Papis.

E os episódios do Mónaco - onde o seu carro foi atropelado pelo... safety car, guiado pela lenda do rali francês Jean Ragnotti - e da Hungria, onde foi... atropelado por uma ambulância, certamente foram momentos que colocaram Inoue na memória de toda a gente, como vítima.

Assim sendo, brindemos a Inoue, que adoramos que ele seja o pior piloto no mundo, porque ele não se importa.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

As minhas escolhas para os Shorty Awards de 2013

Esta segunda-feira começaram as votações para os Shorty Awards de 2013, um prémio feito para eleger os melhores "tweets" e contas do Twitter. Confesso que a principio não sabia se deveria participar este ano, mas depois decidi que sim, depois de ter estado nos primeiros lugares na categoria #blogger. E assim decidi que iria estar em duas categorias, essa e o #f1, que é uma categoria de comunidade.

Este ano, há novidades: o pessoal do Shorty Awards decidiu criar categorias especificamente para alguns países. Existem quinze este ano, e o Brasil é um deles (#Brazil), onde se pode escolher a melhor conta do Twitter desse país. Mas também pode-se fazer uma categoria e colocar o nosso país, e por acaso, decidi fazer isso também (#portugal), só para o gozo.

E para criar a tua própria categoria, é simples: basta ires ao "other" (outro) e escreveres depois do hashtag (#) a categoria que queres que exista. Eu fiz isso no ano passado quando criei a categoria F1 e voltei a fazê-lo este ano. Para votarem em mim, é simples: sigam este link: http://shortyawards.com/Speeder76

Mas para além de mim mesmo, existem outras pessoas que apoio nestes prémios, e do qual peço para que votem neles. A minha escolha para a categoria de #journalist é para o Rodrigo Mattar, que já comentou para a SporTV brasileira e que agora tem o blog A Mil Por Hora (rodrigomattardotcom.wordpress.com)

Para ir votar nele, eis o link: http://shortyawards.com/rodrigomattar71

Outro apoio meu é para uma personagem que admiro muito: o finlandês Antti Kalhola. Depois de ter sido convencido pela sua namorada a fazer uma conta no Twitter, decidi inscrevê-lo na categoria #youtubestar, porque acho que pela qualidade dos seus videos, bem merece ser pesadamente votado por todos nós, que o admiramos. Assim sendo, para o fazer, basta seguir este link: http://shortyawards.com/anttikalhola

Outro meu favorito pessoal no Twitter e que queria que se fizesse um massivo apoio, era ao Taki Inoue. O ex-piloto japonês da Arrows, surpreendeu muita gente quando fez a sua conta na rede de microblogging, depois de muitos anos de silêncio, e surpreendeu depois devido às suas tiradas sarcásticas e bem humoradas. Podem votar nele ou na categoria #f1 ou na categoria #humor ou até na #weird (estranho) mas o que queria era que nós votássemos massivamente nele, porque merece. O link para votar nele é este: http://shortyawards.com/takiinoue

Portanto, eis as minhas escolhas. Pode ser que nenhuma delas dê para chegar ao prémio, mas ao menos  sirva para podemos divertir-nos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A busca por dinheiro de Kamui Kobayashi

Kamui Kobayashi vai ficar sem lugar para correr no final desta temporada, depois de três temporadas na Sauber, e as perspectivas para 2013 são sombrias para o piloto japonês de 26 anos. Extraordinariamente popular, pela sua postura em pista, os fãs estão de uma certa maneira desiludidos pelo facto de ele não seguir para outra equipa na próxima temporada, embora se fale de que ele poderá ser terceiro piloto de uma equipa, antes de tentar a sua sorte em 2014.

Sobre isso, Kobayashi sempre disse que o dinheiro foi mesmo um grande obstáculo para poder continuar na categoria máxima do automobilismo. "Para Sauber esta é a minha última corrida, mas para mim eu acho que é diferente. Todos parecem realmente muito preocupado, mas no momento eu não estou, pois tenho trabalhado duro para conseguir patrocinadores", acrescentou.

Contudo, para além de procurar através das vias habituais, Kobayashi está a aproveitar a sua enorme popularidade para fazer algo diferente: uma espécie de "crowdfunding", onde pede uma verba aos seus fãs para que este possa arranjar lugar na Formula 1 em 2013. E lançou na sexta-feira um site sobre isso, o http://www.kamui-support.com/.

Segundo contou esta tarde Taki Inoue no seu Twitter, em apenas quatro dias, o site conseguiu angariar mais de 450 mil euros de apoio vindos dos seus fãs, o que é algo avassalador. 

Mas Kobayashi não é um piloto normal: não tem empresário, não tem casa na Europa - prefere ficar em hotéis enquanto viaja - e sempre foi pago para correr, logo, nunca teve grandes patrocinadores atrás dele. Mas com a sua popularidade e o pódio no Japão, este ano, poderá mudar as coisas.

O chato é que está apenas escrito em japonês...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O piloto do dia - Taki Inoue

Nem sempre falo dos grandes campeões. Os grandes fracassos tem também direito a ter ao seu espaço neste blog, e muitos deles vieram do país do Sol Nascente, o Japão. Um desses "fracassos" ficou mais conhecido, durante o seu ano completo na Formula 1, pelos acidentes insólitos do que as suas pobres performances em pista. Hoje é dia de falar de Taki Inoue, quando comemora o seu 45º aniversário natalicio.

Takachiho "Taki" Inoue nasceu na cidade de Kobe, no Japão, a 5 de Setembro de 1963. Filho de um homem que fez fortuna a fabricar "slot-machines" no Japão, começou a sua carreira competitiva muito tarde, aos 22 anos, sem resultados de relevo. Em 1987, quando foi para Inglaterra, foi pilotar na famosa Jim Russell Racing School, numa situação "sui generis": não sabia falar inglês! Adaptou-se relativamente bem, e aprendeu uma frase que lhe ficaria na memória durante o resto da sua carreira competitiva, dita por um dos seus patrões da Formula Ford 1600: "Dinheiro é corrida. Sem dinheiro, não há corrida."

Em 1989, voltou para o Japão, para pilotar na Formula 3000 do seu país, sem conseguir qualquer resultado relevante nas cinco temporadas seguintes. Mas em 1994, transfere-se para a Europa, para correr na categoria continental, ao serviço da equipa Super Nova, ao lado do italiano Vicenzo Sospiri. Se ele conseguia resultados de relevo, lutando pelo título da categoria, Inoue nunca conseguiu qualquer ponto, e a sua lentidão era lendária. Tão lendária que foi por causa disso que evitou uma carambola na partida na ronda de Enna-Pergusa...

No final do ano, teve finalmente a sua hipótese de correr na categoria máxima, graças ao dinheiro que tinha no bolso, e aproveitou as dificuldades que muitas das equipas do fundo do pelotão tinham para conseguir levar o campeonato até ao fim. Equipas como a Larrousse, Simtek ou Pacific, para não falar da lendária Lotus, precisavam de dinheiro como de pão para a boca, para pagar as despesas. Inoue fez um teste pela Simtek, com o seu companheiro Sospiri, mas no final, os ienes falaram mais alto, e ele foi correr em Suzuka.

Nos treinos de sexta-feira, foi 26º e último, mas no dia seguinte, à chuva, melhorou as suas performances, embora tenha ficado a três segundos do seu companheiro, David Brabham. Na corrida, ele não passou da terceira volta, quando se despistou de bateu no muro das boxes. Como não tinha dinheiro para correr na última ronda, em Adelaide, a sua experiência ficou-se por aí.

E todos pensavam que não iriam mais ouvir dele. Mas no inicio de 1995, a Formula 1 ficou surpreendida quando se soube que a Footwork-Arrows tinha assinado um acordo de 4,5 milhões de euros para o ter ao lado de Gianni Morbidelli na sua equipa. E continuava a ser assustadoramente lento. Só para terem uma ideia: na ronda argentina, ele chegou a fazer um tempo dez segundos mais lento do que Morbidelli!

E no Mónaco, o primeiro momento cómico da carreira: nos treinos, quando começava a ter tempos honestos, lutando com Gianni Morbidelli pelo melhor tempo na equipa, viu nos espelhos o Sauber de Heinz-Harald Frentzen a aproximar-se. Deixou-o passar... e o motor morreu. Rebocado até à boxe, não contou com a impetuosidade do piloto do Safety-Car, pilotado na altura pelo lendario piloto francês de ralis, Jean Ragnotti. Este perdeu o controle do seu carro, e bateu em Inoue, virando-o de cabeça para baixo! O japonês saiu somente com uma contusão, e um motivo de chacota para todo o fim de semana...

Depois de mais umas prestações pobres, incluindo um acidente na primeira volta do GP de França, com... o Tyrrell de Ukyo Katayama, o circo chega à Hungria, onde Inoue consegue ser mais rápido que o novo piloto da equipa, o italiano Max Papis. Quem diria... na corrida, Inoue desiste com um principio de incêndio, e quando chega o socorro, pega num dos extintores que um dos comissários tinha na mão, para o apagar. Mas não tinha visto a aproximação de um carro de socorro, que o atropela! Apesar do embate, não houve consequências de maior.

Continuando a sua senda, Inoue consegue acabar algumas corridas em classificações mais ou menos honrosas, como o oitavo lugar no GP de Itália, numa corrida onde acabaram... nove pilotos! Mas sempre foi melhor do que o italiano Papis, o que é um pouco estranho, pois o italiano, quando mais tarde foi fazer carreira na CART, foi um dos melhores estrangeiros do pelotão... No final do ano, zero pontos, e uma participação nos anais da história como um dos pilotos mais modestos de sempre, para não falar outra coisa.

Nessa altura, a revista inglesa Autosport resumiu a sua performance da seguinte maneira: "Aceitou suas limitações numa boa, embora conseguisse um tempo razoavelmente respeitável nos circuitos que conhecia." Uma critica simpática para um piloto do fundo do pelotão...

No inicio de 1996, Inoue foi contratado como piloto da Minardi, ao lado do português Pedro Lamy, devido ao seu patrocinio de três milhões de dólares. Mas perto do fecho das inscrições, um dos patrocinadores voltou com a palavra atrás, e o então piloto de testes, Giancarlo Fisichella, arranjou dinheiro da Marlboro Itália, fazendo com que o piloto italiano começasse a sua carreira na Formula 1...

Sem lugar na Formula 1, voltou aos Turismos japoneses. Até 1999, as suas performances foram discretas, sendo o melhor o 32º lugar final na classificação do Campeonato japonês de Turismos.

A sua presença marcou a Formula 1, como símbolo de lentidão exasperada. Certo dia, ainda em 1995, quando Johnny Herbert tinha feito um teste na Benetton, onde fora dois segundos mais lento do que o seu companheiro Michael Schumacher, declarou: "Sinto-me como se fosse o Taki Inoue ou algo assim...". O seu patrão na Arrows, apesar de elogiar a sua evolução, não deixou de dizer a sua justiça: "A sua performance não saia do seu lugar."

Desde há alguns anos que Inoue é empresário e conselheiro de piloto japoneses. Quando comentou a sua passagem pela formula 1, não deixou de exprimir a sua amargura: "A Formula 1 foi um sonho, ok? Agora acabou. Eu acordei. Um pesadelo, esqueci-me completamente da Fórmula 1".


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