segunda-feira, 12 de maio de 2025
A imagem do dia
sexta-feira, 8 de setembro de 2023
A imagem do dia
Na altura, também estava uma pessoa que iria mexer imenso na companhia: Jean-Luc Lagardére. Apesar da marca ser estatal - a certa altura, o governo de Charles de Gaulle dava mais de um milhão de francos por ano - em 1965, dois anos após a chegada de Lagardére, e um depois de ficaram com a René Bonnet - decidiu-se que o automobilismo iria ser a melhor montra para mostrar os seus produtos e também mostrar que tinham de ser a "Ecurie de France", a usar as cores azuis com orgulho.
Em 1968 tinham feito um motor de 3 litros, com 12 cilindros, a tinham pedido a Ken Tyrrell para gerir a sua equipa de automobilismo. Foram para a Formula 1, mas Tyrrell, que tinha Jackie Stewart, exigiu que queria os motores Cosworth nos seus carros. Chegaram a um acordo: Tyrrell e Stewart correriam com esse motor, e um piloto andaria com o Matra, neste caso, o guiado pelo francês Jean-Pierre Beltoise.
Mas existia um segundo lugar, e tinha de ser preenchido por um francês. Neste caso, deu o lugar a um piloto que Tyrrell achava ter com potencial para ganhar. E o escolhido foi Johnny Servoz-Gavin.
Nascido a 18 de janeiro de 1942, em Grenoble, como Georges-Francis, na sua juventude foi instrutor de ski, e com o seu aspecto - alto e loiro, com cabelos compridos - começou a ganhar a reputação de galanteador entre as mulheres. E o seu apelido "Johnny", como Johnny Halliday, o maior cantor de rock de então em França. Em 1967, depois de ter participado no Volant Elf, arranjou um Brabham preparado por Tico Martini para correr na Formula 3 francesa, estava na Formula 2, já pela Matra, e tinha se estreado na Formula 1... com um carro de Formula 2.
No ano de 1968, Servoz-Gavin tinha conseguido um lugar na equipa francesa, ao lado de Beltoise, Henri Pescarolo e claro, Jackie Stewart. Contudo, a sua participação seria ocasional - chegou a correr com um Cooper no GP de França, mas no Mónaco, mostrou-se quando conseguiu um inesperado segundo tempo nos treinos, antes de se retirar com uma quebra de suspensão na terceira volta quando liderava a corrida! quer ele, quer o carro tinham mostrado o seu potencial, mas foi apenas em setembro que voltaria a ter nova chance.
Em Monza, alinhou no segundo carro da Tyrrell (ou se preferirem, Matra International), e apesar de ter qualificado com um modesto 14º tempo, numa corrida marcada pela aparição dos americanos Mário Andretti e Bobby Unser, numa participação que acabou por não acontecer porque eles queriam correr numa corrida no outro lado do Atlântico, menos de 24 horas depois do Grande Prémio, do qual os organizadores vetaram, e eles, confrontados com uma escolha, foram para a América, porque pagaram melhor.
A corrida teve duas partes. A primeira, um duelo entre Bruce McLaren e John Surtees, que acabou na volta oito, quando o britânico sofreu um acidente por ter escorregado no óleo do Ferrari de Chris Amon e voou para fora da pista, safando-se sem arranhões. McLaren continuou até ser apanhado por Stewart, e depois, por Dennis Hulme, no segundo McLaren. A partir daqui, foi a luta entre eles, com um segundo grupo, constituído por Jacky Ickx, Jochen Rindt e... Servoz-Gavin.
No final, foi uma questão de resistência: McLaren retirou-se na volta 35, oito antes de Stewart, e Hulme ficou solitário na liderança, até cruzar a meta como vencedor, dando a segunda vitória à McLaren no campeonato. Rindt tinha-se retirado um pouco antes, na volta 33, e o segundo posto ficou reduzido a um duelo entre ele e o belga, ganhando por... 0,2 segundos. Nada mau, a maneira como conseguiu o seu primeiro pódio na Formula 1!
Contudo, isto foi o melhor que conseguiu. Concentrado em 1969 na Formula 2 . competição que triunfou, deram-lhe o MS84 de quatro rodas motrizes, onde conseguiu um sexto posto no GP do Canadá, em Mosport. E em 1970, seguiu Tyrrell quando se separou da Matra e arranjaram chassis March. Tinha potencial, mas um acidente no inverno e 1970 afetou gravemente a sua visão, e apesar de um quinto posto em Espanha, retirou-se depois de falhar a qualificação do GP do Mónaco. Tinha perdido a confiança nas suas capacidades de condução, e o prazer tinha-se evaporado.
No seu lugar pareceu outro francês charmoso: Francois Cevért.
Acabou por se dedicar à vela, e sofreu um acidente sério em 1982, quando uma botija de gás explodiu e ficou com parte do corpo queimado. Mas recuperou e viveu mais tempo. Acabaria por morrer a 29 de maio de 2006, aos 64 anos. Já estava doente há algum tempo.
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Quando mudar a meio do ano fez bem... ou nem tanto (Parte 1)
Contudo, muitos acham que o holandês, filho de Jos Verstappen, tem de facto muito talento, apesar de ter apenas dezoito anos de idade. Fala-se que a movimentação teve a ver com o interesse em segurá-lo, dado que Ferrari e Mercedes podem já ter manifestado interesse nele, e o seu contrato atual é válido até ao final de 2017, altura em que poderá haver movimentações nas principais equipas do campeonato. Mas esta não é a primeira, nem a última mudança de pilotos a meio do ano. Ao longo da história da Formula 1 houve dezenas de mudanças, muitas por força maior, como acidentes fatais, mas outras aconteceram por causa de atritos entre piloto e equipa, ou a incompetência do piloto, devido aos fracos resultados.
Assim sendo, nos próximos três dias, vou contar dezasseis casos de pilotos que foram substituídos a meio do ano devido à sua má performance, zangas com a equipa ou a acidentes incapacitantes, mas em muitos casos, essas substituições fizeram melhorar a equipa. Outras, nem tanto. Para aqui não contam as trocas de pilotos devido a acidentes fatais.
A meio de 1965, Surtees sofreu um acidente grave no circuito de Mosport, quando corria com um Lola, estragando o final da temporada pela Ferrari, e feito zangar o Commendatore. E isso foi também aproveitado por Dragoni para fazer "lobby" contra Surtees, preferindo os pilotos italianos. Surtees recuperou e fez uma excelente corrida em Spa-Francochamps, aproveitando uma chuvada que caira na primeira volta, deixando a concorrência na berma e conseguindo aquela que foi provavelmente a sua melhor vitória na Formula 1.
Contudo, quando se começou a decidir as duplas para as 24 horas de Le Mans, Dragoni deixou Surtees de fora e este, irado, pegou num carro e foi ter com Enzo Ferrari a Maranello, guiando por quase um dia ininterruptamente. Depois de uma discussão com ele, decidiu abandonar a equipa, com efeito imediato.
Irónicamente, o seu substituto não seria um italiano, como por exemplo Ludovico Scarfiotti, mas sim... outro inglês, Mike Parkes. Engenheiro de profissão, Parkes pegou no carro no GP de França e acabou a corrida no segundo posto. Depois conseguiu outro pódio, em Monza, conseguindo uma temporada decente, acabando com doze pontos e o oitavo lugar do campeonato.
Contudo, foi de curta duração: um acidente em Spa-Francochamps, no ano seguinte, feriu-o gravemente e terminou a sua carreira na Formula 1.
O mexicano começou a correr logo no GP da Grã-Bretanha, mas não fez muito mais, conseguindo um sexto lugar no Canadá, a duas corridas do fim. Irá fazer melhor em 1981, com treze pontos, mas a sua contribuição foi menor, em comparação com Nelson Piquet.
(continua amanhã)
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Os aniversariantes do dia
domingo, 10 de maio de 2015
A foto do dia (II)
domingo, 18 de janeiro de 2015
A foto do dia (II)
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O piloto do dia - Johnny Servoz-Gavin
Hoje, escrevo a biografia de um piloto que tinha imenso potencial, quer em termos de rapidez, quer em termos de consistência, para ser um campeão na Formula 1. E vindo de um país como a França, é da mesma geração de Henri Pescarolo, Gerard Larrousse e Francois Cevért, cujo expoente máximo era Jean-Pierre Beltoise. Tinha fama da “enfant terrible”, e de playboy, que mais se importava com a boa vida do que propriamente com a competição. Foi protegido pela Matra e correu na Tyrrell, experimentando o MS84 de quatro rodas motrizes (o único que conseguiu pontos num carro desse tipo), cedo saiu da Formula 1, devido à sequelas de um acidente, que lhe incapacitou parcialmente a sua visão. Três anos após a sua morte, hoje falo de Johnny Servoz-Gavin.Nascido a 18 de Janeiro de 1942 como George-Francois Servoz-Gavin, ganhou a alcunha de “Johnny” quando era instrutor de ski, nos Alpes franceses. Amante da velocidade, decidiu ser piloto após ter frequentado o curso de pilotagem na Escola de condução de Magny-Cours. Competiu em ralies, na Coupe des Provinces, antes de passar para a Formula 3 francesa, em 1965. O seu quinto lugar final, nos seus tenros 23 anos, atraiu a atenção de Jean-Luc Lagardére, o patrão da Matra Sports, que lhe deu um lugar na equipa oficial no ano seguinte. Nesse ano, as suas prestações valem-lhe o título de campeão nacional, á frente de Jean-Pierre Beltoise.
S
endo assim, passou para a Formula 2 em 1967, ao volante do Matra, e no Mónaco, inscreve-se num desses carros no Grande Prémio de Formula 1, onde não conseguiu qualificar-se. No ano seguinte, volta ao Mónaco, integrado na equipa oficial da Matra, para substituir Jackie Stewart, que se tinha lesionado em Jarama e ficaria ausente por duas corridas. Ao lado de Beltoise, surpreende tudo e todos, ao ser segundo classificado na grelha de partida, ao lado de Graham Hill. E na partida, Servoz-Gavin surpreende ainda mais quando fica na frente da corrida após a curva Ste. Devote, batendo Graham Hill. Mas é sol de pouca dura, pois bate na terceira volta da corrida.
Após o regresso de Stewart, Servoz-Gavin volta a Formula 2, mas a Matra inscreve um terceiro carro para ele e corre na etapa italiana. Como na altura a equipa francesa tinha duas equipas, uma oficial com motor francês e outro inscrito por Ken Tyrrell, com motor Cosworth, Servoz-Gavin vai ser o segundo piloto de Stewart, com o motor inglês, enquanto que Beltoise corre com o motor francês. Partino de 13º na grelha, a sua rapidez faz com que chegue ao segundo posto, atrás de Jacky Ickx e á frente de Dennis Hulme, da McLaren. Correu mais duas corridas nesse ano, mas não terminou em nenhuma delas. No final do ano, conseguiu o 13º lugar da geral, com seis pontos.Em 1969, Servoz-Gavin continuou na Formula 2 europeia, ao volante de Matra, e não correu muito na Formula 1. As suas performances e a sua rapidez foram tantas que se tornou no campeão europeu da categoria, enquanto se esforçava em testar o Matra-Simca 630-650 de Sport-Protótipos para as 24 Horas de Le Mans. No meio do ano, também foi encarregado de desenvolver o protótipo Matra MS84 de quatro rodas motrizes, que se tornou num dos muitos projectos de pista que tentou dar tracção integral, mas que se revelaram um fracasso. Servoz-Gavin testou o carro e considerou-o como “inguiável”, mas experimentou-o durante as três últimas corridas do ano, na América do Norte. O francês conseguiu um sexto lugar no Canadá, mas acabou… a seis voltas do vencedor. Acabou nas outras duas provas do ano, mas nas últimas posições.
Servoz-Gavin tinha boas perspectivas para 1970. Estava na equipa Tyrrell, com Jackie Stewart, que iria correr com chassis March, dado que o acordo com a Matra tinha ficado sem efeito, depois desta ter pedido a Tyrrell e a Stewart para correr com o motor francês. Mas um acidente durante á época de Inverno afectou-lhe a visão do seu olho esquerdo, e a sua condução ficou irremediavelmente afectada. Mas as pessoas não sabiam disso, e foi correr com o March nas três primeiras provas do ano: Africa do Sul, Espanha e Mónaco.
Na primeira corrida do ano, Servoz-Gavin foi 17º em 23 pilotos inscritos, e desistiu na volta 57 devido a problemas de motor, quando rodava atrás no pelotão. Em Espanha, acabou no quinto posto, conquistando dois pontos. Mas tinha sido o último a cortar a meta, e tinha acabado a duas voltas do seu companheiro Stewart, o vencedor da corrida. Para piorar as coisas, em Jarama houve o acidente entre o Ferrari de Jackie Ickx e o BRM de Jackie Oliver, que resultou no incêndio dos dois carros. Aparentemente, o receio de uma morte horrível invadiu-lhe a mente (ou pelo menos foi assim que transpirou), e após uma não qualificação no Mónaco, Servoz-Gavin abandona definitivamente a competição.O seu palmarés: 13 Grandes Prémios, em quatro temporadas (1967-70), um pódio, nove pontos.
Quando Servoz-Gavin se retirou, Ken Tyrrell precisava de um substituto francês devido aos seus compromissos com a petrolífera Elf. Calhou-lhe um jovem que se destacara no ano anterior num duelo com Stewart, de seu nome Francois Cevért. Quanto a Sevoz-Gavin, viveu uma existência algo reclusa, na sua Grenoble natal, mas também virou-se para outra paixão: a vela. Viveu num barco e participou em regatas à volta ao mundo em solitário até 1982, altura em que uma explosão de gás lhe causou algumas queimaduras no corpo. Durante muitos anos, Servoz-Gavin foi considerado como um dos pilotos que fez a famosa sequência de Paris a alta velocidade na curta-metragem “C’etait un Rendez-Vous”, filmado em 1976 pelo cineasta Claude Lelouch.
Servoz-Gavin acabou por morrer a 29 de Maio de 2006, com 64 anos na sua Grenoble natal, vítima de embolia pulmonar. Tinha sobrevivido a três ataques cardíacos e estava gravemente doente do coração.
Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Johnny_Servoz-Gavin
http://www.grandprix.com/gpe/drv-sergeo.html
http://www.grandprix.com/ns/ns16905.html
http://www.guardian.co.uk/news/2006/jul/26/guardianobituaries.motorracing
http://mestrejoca.blogspot.com/2009/04/o-enfant-terrible-frances.html
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Bolides Memoráveis - Matra MS80 (1969)
A Matra foi uma marca de automóveis fundada em 1947 e desaparecida em 2003, e o nome é somente a sigla para "Mécanique Avion TRAction". Foi um grande grupo, que sob a direcção de Jen-Luc Lagardére (1928-2003) englobou vários sectores como da alta tecnologia e defesa, e nos anos 90 chegou a ser um largo grupo editorial em França. Nos anos 60, a Matra decide envolver-se no automobilismo, quando compra a Automobiles René Bonnet. Nessa altura, a firma construia um carro feito de fibra de vidro, o Bonnet Djet, com um motor Renault. A marca escolheu esse nome porque ninguém em França conseguia dizer a palavra "Jet"...
Quando a Matra compra a Bonnet, em 1963, o carro é rebaptizado de Matra Djet, e torna-se num sucesso, pois era dos poucos carros desportivos a serem fabricados em França. Lagardére usa os recursos da marca para se aventurar no automobilismo, e em 1964, começa a fabricar chassis para a Formula 3 e Formula 2, vencendo o campeonato francês e o europeu. Em 1967, começa a experimentar a Formula 1, desenhando um chassis experimental, o modelo MS7 com motores Ford de quatro cilindros em linha, pilotados por Johnny Servoz-Gavin e Jean-Pierre Beltoise. Em 1968, a Matra tinha criado o seu motor V12, com o seu ruido característico, enquanto que o seu director-desportivo, o britânico Ken Tyrrell, traz o seu protegido Jackie Stewart, da BRM. Com o chassis MS10, e sob o nome de Matra International, ganha três corridas, e é o maior rival de Graham Hill nessa temporada. Para além de Strewart e Beltoise, a Matra tinha inscritos mais dois carros, para Servoz-Gavin e para outro jovem francês, chamado Henri Pescarolo.
Vendo o sucesso da equipa nessa primeira temporada a tempo inteiro, Lagardére decide tomar uma decisão radical: retira a Matra Sports, e retêm a Matra International, com o motor Ford Cosworth, e Stewart e Beltoise como pilotos. Assim sendo, começam a desenhar o sucessor do MS10: o Matra MS80.
O MS80 foi o primeiro carro a ser projectado com vista a incluir os aerofólios dianteiros e traseiros, que tinham surgido no ano anterior. O chassis foi também o primeiro a incluir inegralmente no seu chassis o motor Ford Cosworth DFV, de três litros, que tinha uma potência declarada de 440 cavalos, às 9200 rotações por minuto. Com uma forma de "garrafa de coca-Cola", que depois foi seguida noutros chassis, os depósitos de combustível foram colocados em cada um dos lados do piloto, pois o seu tamanho era maior algo, devido ao maior consumo proporcionado pelo motor Cosworth DFV. A frente do carro era feita de fibra de vidro, que permitia a sua substituição em caso de dano, pelos mecânicos, o que fazia com que o carro fosse 15 quilos mais leve que o chassis MS10.
O chassis estreou-se oficialmente na Corrida dos Campeões, em Brands Hatch, uma corrida extra-campeonato, onde Jackie Stewart ganhou, e a primeira corrida a contar para o Campeonato do Mundo, foi o GP do Mónaco de 1969, e foi o primeiro a adaptar-se aos novos regulamento em relação às asas dianteiras e traseiras, criada após os incidentes de Montjuich, palco do GP de Espanha daquele ano, onde ambos os Lotus, de Graham Hill e Jochen Rindt se despistaram, vitimas da fragilidade das asas instaladas, perante as fortes cargas aerodinâmicas que existiam em certos sitios do circuito... nessa corrida, Stewart fez a pole-position e a volta mais rápida, mas não terminou a corrida devido a problemas mecânicos.Chassis: Matra MS80
Motor: Cosworth DFV V8, de 3 Litros.
Vitórias: 4 (Stewart 4)


















