quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Extra-Campeonato: Os empates portugueses que dão cabo dos meus nervos...

Eu confesso que fujo do futebol como foge o Diabo da Cruz, mas há uma honrosa excepção: a Selecção Nacional. Não disse nada no Sábado, porque pensava que as coisas poderiam equilibrar-se na quarta-feira, mas no final, não deu em nada.



Não gosto de treinadores que jogam para empatar, assim como não gosto de jogadores que encaram a Selecção como se fosse um frete. E vi as duas coisas nos jogos desta jornada dupla contra a Polónia e contra a Sérvia. Em situações normais, estes jogos teriam como resultado uma vitória nossa. Mas a tática de Scolari, de recuar a equipa quando o resultado é favorável por uma bola, é em muitos aspectos, um convite à derrota. E é isso que sinto depois destes dois jogos: que os empates souberam a derrota. E para piorar as coisas, aquela agressão no final da partida, com o Dragutinovic, só vai enterrar as coisas para o nosso lado...


Luiz Filipe Scolari vai ficar nos nossos livros de história como um dos melhores seleccionadores nacionais de sempre. E estou eternamente agradecido a ele, pois sem isso, provavelmente não iriamos tão longe em termos de Selecção. Afinal de contas, ele mostrou que nós podermos sonhar com um título europeu ou mundial. Teve outra boa qualidade: sendo estrangeiro, estava a salvo de pressões dos "três grandes" (Benfica, Porto e Sporting) para que convocasse os jogadores das suas perferências. Nâo que agora, isso tenha importância (mais de metade dos habituais convocados jogam no estrangeiro), mas conseguiu estar acima das "clubites", msemo com a visível hostilidade portista...


Mas a sua teimosia, em apostar em certos jogadores, ou em certa táctica, esse conservadorismo, pode estar a levar ao abismo: a possibilidade de não nos qualificarmos para o Euro 2008, a disputar na Austria e na Suiça começa a ser real. apesar de termos menos um jogo que os nossos adversários, a maneira como encaramos os jogos tem que ser radicalmente mudada. A ideia de "ganhar em casa e empatar fora" é meio caminho para o desastre. Para mim, com a Selecção que temos, temos a obrigação de ganhar todos os jogos, mesmo que no final possamos perder. Mas devíamos vender cara a derrota. Porque a nossa Selecção é o orgulho do nosso país.


E A Nossa Selecção é o melhor motivo para que os nossos emigrantes andem na rua de cabeça erguida. Nos últimos anos, nunca uma equipa como a Nossa Selecção fez tanto para aumentar a auto-estima do nosso país. Hoje, não me consigo identificar com eles. Jogaram mal, não se encontraram, não tiveram atitude, brio, vontade de vencer. Parece que encaram isto como se fosse um frete. Não pode, nem deve ser.


As coisas ainda podem ser corrigidas, claro. E a primeira coisa que se deve fazer é mudar o discurso. Agora, não há margem de erro: é jogar para ganhar. Estes jogadores milionários têm que "comer a relva", no Azerbeijão, no Cazaquistão, na Arménia, na Finlândia. Estes quatro jogos só podem ter um resultado: a vitória, e nada mais. Caso contrário, o destino só pode ser um: o despedimento de Luiz Filipe Scolari e a demissão de Gilberto Madaíl, o presidente da Federação. Já deram as abébias todas. Agora chega! Eu pensava que a calculadora tinha acabado de vez...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

A piada da semana, por Ivan Capelli

Uma antecipação do que pode acontecer amanhã. Só falta o Prozac para combater a depressão que aí vêm...

Às 40 mil visitas, reflectir sobre a loucura actual da Formula 1

Pois é, chego a mais um marco: 40 mil visitas em sete meses de existência. Um bom resultado, de facto, e agradeço a vocês todos por fazerem este resultado possível. Agora tenho a certeza que no mês que vêm chego às 50 mil, e quem sabe, pelo Natal terei 75 mil visitas ou mais...


Ora, também sei que hoje estamos na véspera de uma decisão muito importante na história da Formula 1: a reunião do Conselho Mundial, que irá decidir sobre as ilegalidades detectadas pelo escândalo "Stephneygate", e que poderá levar, caso a lei seja rigorosamente aplicada, à exclusão da McLaren da Formula 1.


Como sabem, por estes dias pura e simplesmente absti-me de falar sobre este caso. Porquê? A razão está à vista de todos: é uma confusão total de rumores e desmentidos. Muitas das noticias que vieram a lume são pura e simplesmente "cortinas de fumo" lançadas por ambos os lados, no sentido de influenciar a opinião pública sobre este caso. E a estratégia parece estar a resultar: nunca vi tanta gente, especialmente os ferraristas, a exigir a exclusão pura e simples da McLaren e dos seus pilotos, para que o título caia no colo da equipa de Maranello.


Eu sou honesto: gosto muito de automobilismo. Mas aquilo que assisto por estes dias, na imprensa e nos Fóruns um pouco por todo o mundo, é uma clubite aguda, que julgava que estivesse cingido ao futebol. São os Ferraristas que clamam a expulsão pura e simples da Ferrari, os McLarenistas que querem que a Ferrari pague pelos crimes cometidos no tempo de Michael Schumacher, são os espanhois que querem Alonso a fazer valer o seu estatuto na McLaren e que ganhe o título, em vez do Hamilton... é tudo um conjunto de pessoas que competem para ver quem grita mais alto. E objectividade, não se vê, mesmo nas noticias... Foi por isso que me calei, porque o bom senso aconselhava a tal.


Então, porque agora? Para além de ser a véspera da tal sentença, eu tenho uma ideia de como isto vai acabar: "de novo em pizza", como dizem os brasileiros. Porquê? A Formula 1 é demasiado importante e demasiado rica para se sujeitar a um abalo desses. A "realpolitik" é mais forte do que convicções ferraristas ou alonsistas. O que pode acontecer é um acordo: tirariam os pontos à McLaren, mas não tocavam na disputa entre pilotos, ou seja, o campeonato não saía beliscado.


Mais: provavelmente, o nome McLaren desapareceria. O "tio" Max nunca gostou do "tio" Ron (lembram-se da ideia da Liga independente, em 2002?) e provavelmente, o preço a pagar pela permanência seria a venda do resto do capital da McLaren para as mãos da Mercedes. As coisas ficavam na mesma: Haug ficava por lá, e Alonso era o primeiro piloto da marca. Se isso for verdade, posso perceber as lágrimas do "tio" Ron no final da corrida de Monza. Provavelmente deve ter sido a ultima corrida que este homem assistiu ao vivo em quase 40 anos...


Para concluir, faço minhas as palavras que o Mario Bauer disse no fim de semana de Monza: isto não acaba no dia 13. Logo, confesso que aguardo com alguma ansiedade as cenas dos próximos capítulos, ou seja, o fim de semana do Grande Prémio belga. Já se fala (cá para mim é mais uma ameaça do Alonso...) de que o piloto espanhol poderia acabar a época na Renault...

GP Memória - Belgica 1998

Provavelmente, este deve ser um dos Grandes Prémios mais conturbados da década de 90. Aqui assistiu-se de tudo: desde a pior carambola da história da Formula 1, até a uma histórica dobradinha da Jordan, com Damon Hill a superar Ralf Schumacher. Pelo meio, um controverso acidente entre Michael Schumacher e David Coulthard, com o alemão a ir direitinho às boxes da McLaren com vontade de iniciar ali mesmo a III Guerra Mundial…


A temporada de 1998 era um duelo a dois, entre Michael Schumacher e Mika Hakkinen. O equilíbrio era a nota dominante: seis vitórias para o piloto finlandês, contra cinco do alemão. Ambos monopolizavam as vitórias, excepto David Coulthard, que tinha ganho em San Marino. E na altura em que o Grande Circo chegava à Bélgica, para mais um Grande Prémio, Mika Hakkinen tinha 77 pontos, contra 70 do piloto de Kerpen. David Coulthard já era um distante terceiro, com 48 pontos. Quanto ao então campeão do mundo, Jacques Villeneuve, só tinha 20 pontos, e o seu Williams-Mecachrome não tinha força suficiente para aspirar a muito mais do que o meio do pelotão…


O tempo para aquele fim-de-semana era tipicamente das Ardenas: instável. No Sábado, a pista estava seca, o que proporcionou o duelo do costume entre Schumacher e Hakkinen pela pole-position, ganho pelo piloto finlandês. Logo a seu lado, ficou o seu companheiro de equipa, David Coulthard. Mas na segunda fila, a primeira surpresa: Damon Hill colocava a sua Jordan - Mugen Honda na trerceira posição, superando as Ferraris de Michael Schumacher e Eddie Irvine. Jacques Villeneuve era sexto, Giancarlo Fisichella era sétimo e Ralf Schumacher ficava na oitava posição.


Entretanto, dois fortes acidentes nos treinos, de Villeneuve e do Arrows de Mika Salo, eram uma das notas dominantes desses treinos. Ambos se safaram incólumes, mas não se sabia que aquilo era apenas o começo de um fim-de-semana muito agitado…


O dia da corrida amanheceu com chuva, que ainda continuava na hora da corrida. Os organizadores decidiram iniciar a corrida na mesma, sem a presença do “safety-car” na pista, como tinha acontecido no ano anterior. Essa decisão teve consequências fatais… No momento da largada, Hakkinen liderava, seguido de Jacques Villeneuve, Michael Schumacher e Giancarlo Fisichella. Na descida para Eau Rouge, começa o desastre: David Coulthard toca em Eddie Irvine, e roda sozinho, com o pelotão logo atrás em aceleração completa, nada podendo evitar a carambola que vinha a seguir: para além de Irvine, outros onze carros ficaram envolvidos: o Benetton de Alexander Wurz, o Sauber de Johnny Herbert, os Stewart de Rubens Barrichello e Jos Verstappen, os Tyrrell de Ricardo Rosset e Toranotsuke “Tora” Takagi, os Arrows de Pedro Diniz e Mika Salo e os Prost de Olivier Panis e Jarno Trulli.


Inevitavelmente, a partida foi interrompida. Os organizadores levaram uma hora para limpar os destroços, e dos envolvidos, quatro pilotos não puderam partir: Rubens Barrichello, Mika Salo, Ricardo Rosset e Olivier Panis. Se no caso de Barrichello, foi pelo facto de ter ficado combalido no acidente, nos outros três casos, o facto das suas equipas terem apenas um carro de reserva pesou na decisão.


E foi sem quatro carros que a corrida recomeçou. Na segunda partida, foi a vez de Damon Hill surpreender Hakkinen e Schumacher, ao passar pela liderança. Na curva de Eau Rouge, Hakkinen roda com o seu McLaren e não evita a colisão com Johnny Herbert, desistindo ambos na hora. Entretanto, o “festival” Coulthard continua: uma colisão com Alex Wurz faz com que caísse para o fundo do pelotão, enquanto que o austríaco desistia. Para piorar as coisas, Eddie Irvine perdia o bico do carro e também ficava para trás. Acabaria por desistir na volta 25.


Entretanto, Hill e Schumacher disputavam a liderança, primeiro em "safety-car", depois em corrida até que na volta oito, o alemão ultrapassa o inglês da Jordan. Na primeira rodada de reabastecimentos, Jacques Villeneuve sobe à liderança. Mas é de pouca dura, pois despista-se e abandona. Na volta 25, Schumacher tinha 40 segundos de vantagem sobre Hill, quando tem David Coulthard à sua frente. Então, Jean Todt tinha visitado Ron Dennis para pedir que facilitassem a vida ao alemão. Se o recado foi ou não entregue, não se sabe, mas parece que sim, pois quando ambos os pilotos descem para Pouhon, o escocês reduz a velocidade para deixar passar Schumacher.


Isso seria bom em dia claro, mas em condições de chuva e visibilidade má, não era boa politica… e o desastre aconteceu. A roda frente-direita do Ferrari foi arrancada, bem como a asa traseira do McLaren. No final, Schumacher consegue levar o seu carro para as boxes, onde sai disparado para a da rival, e todos a tentarem acalmar o furibundo alemão, que acusou o escocês de “tentar matar-me”. Mais tarde, os comissários classificaram o incidente como “normal” e atribuíram culpas a ambos os pilotos: a Schumacher por não se ter desviado da trajectória de Coulthard, e o escocês, por ter travado tão bruscamente naquela zona, naquelas condições.


Entretanto, outro incidente agita a prova: na Paragem do Autocarro, a Banetton de Giancarlo Fisichella salta para cima da Minardi de Shiniji Nakano, pegando fogo no Benetton acidentado, e levando a nova intervenção do Safety-Car, numa altua em que Damon Hill tinha acabado de fazer o seu segundo reabastecimento.


No final daquela corrida, que mais parecia um pesadelo, Eddie Jordan estava em delírio por ver os seus carros fazendo a dobradinha, comemorando a sua primeira vitória na história da sua equipa. Para fechar o pódio, o Sauber de Jean Alesi, um dos sobreviventes da acidentada corrida belga. Seria o seu último pódio da carreira. Os restantes heróis que terminaram nos pontos foram o alemão Heinz-Harald Frentzen, num Williams, o brasileiro Pedro Diniz, num Arrows, e o Prost de Jarno Trulli.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

A imagem do dia

GP da Suécia de 1973, o primeiro em terras nórdicas. No final da primeira volta, ambos os Lotus estão na frente, com Ronnie Peterson a superar Emerson Fittipaldi. Foi a maneira que hoje arranjei para homenagear os dois pilotos que estão em destaque nesta semana...

Ronnie Peterson - A vida em imagens

Há 29 anos atrás, a Formula 1 perdia um dos mais talentosos pilotos que jamais tinha visto. Peertence a quele trio de pilotos que nunca ganharam um campeonato, mas que mereceram o seu lugar no Olimpo: Stirling Moss, Ronnie Peterson e Gilles Villeneuve. Por duas vezes vice-Campeão do Mundo, vencedor de dez corridas, e detentor de 14 pole-positions, o "sueco voador" deixou muitos fãs por esse mundo fora, graças ao seu estilo de pilotagem.


Em 1965, na sua Suécia natal, guiando karts, tal como a esmagadora maioria dos que chegaram à categoria máxima, o karting foi a sua escola de aprendizagem. E ele aprendia da forma mais dura: à chuva!




No ano seguinte, em conjunto com o seu pai, criam o "Svebe": um carro de Formula 3, com base num chassis Brabham, com um motor de 1 litro para o campeonato local. Vai ser com este carro caseiro que Peterson dará nas vistas...





Em 1968, assina um contrato com a Tecno, que lhe dará um carro vencedor, tornando-se bi-campeão sueco de Formula 3, em 1968 e 1969, e fazendo com que assinasse contrato com uma nova equipa: a March.



Em finais de 1969, Peterson assina o seu contrato na presença de Max Mosley. Ele iria conduzir o carro na categoria de Formula 2, em 1970, mas as suas performances no GP do Mónaco desse ano levaram a que estivesse na equipa oficial de Formula 1 no ano seguinte, depois de ter conduzido para um privado, sem pontuar.

A primeira grande chance de vitória. Monza 1971, uma das diferenças mais curtas de sempre na categoria, batido pelo BRM de Peter Ghetin. O autódromo italiano iria ser o seu circuito "fetiche", onde iria ganhar por três vezes (1973, 1974 e 1976) Iria ser também o palco da sua corrida fatal... Vai ser também ao volante de um March que se torna vice-campeão do Mundo e ganha o título europeu de Formula 2.


A sua dedicada companheira: Barbro Edwardson. coneceram-se em 1970, casaram-se em 1975 e tiveram uma filha, de seu nome Nina-Louise. Pouco depois de Ronnie morrer, Barbo casou-se com outro piloto, o irlandês John Watson. Contudo, as depressões que atravessava foram demais para ela e cometeu suícidio em Dezembro de 1987.








1973: chega à Lotus. Finalmente tem um carro à altura. Ganha quatro corridas nesse ano, mas se as coisas foram boas para ele, foram más para a equipa, pois a dispersão dos recursos entre ele e o brasileiro Emerson Fittipaldi, fez com que perdessem o título a favor de Jackie Stewart.


1976: os dois últimos anos na Lotus foram de suplício. O desastroso Lotus 76 tinha consumido demasiado tempo e recursos da equipa, e Peterson estava desiludido, pois achava que a Lotus era o palco ideal para tentar o assalto ao título mundial. Depois de ter corrido em Interlagos, zanga-se seriamente com Colin chapman e corre o resto da temporada na March, onde ganha uma corrida... em Monza!


No ano seguinte, na sua apresentação como piloto da Tyrrell. Não foi um grande ano, pois o melhor que teve foi um terceiro lugar na Belgica, corrida ganha pelo seu compatriota e amigo Gunnar Nilsson. Mas isso não significou que tivesse acabado para a competição. Muito pelo contrário...


1978, o seu ano final. De volta à Lotus, como segundo piloto, mostrou que a sua rapidez estava intacta. Mas também era um piloto fiel ao compromisso: mantinha-se sempre atrás de Mario Andretti, seu companheiro de equipa e amigo pessoal. Anos depois, o americano diria que ele tinha sido "o seu melhor companheiro de sempre em corridas".





Circuito de Zeltweg, 19 de Agosto de 1978: a sua vitória final, na Austria, debaixo de chuva. Reparem num pormenor: nesta altura já não usa mais aquela pala que tinha no seu capacete, que seriva para se proteger do sol, e tinha sido tão característico durante toda a sua carreira.

10 de Setembro de 1978. Monza, o acto final. Nos treinos, Peterson danificou o seu Lotus 79 e o seu unico carro de reserva era um Lotus 78, menos seguro e pouco usado. Na partida, dada de forma caótica, sem que todos os carros estivessem parados na grelha, a confusão deu-se 300 metros depois da partida, quando James Hunt bateu no Arrows de Riccardo Patrese, que por sua vez toca em Peterson, que bate de frente contra os rails de protecção.


O piloto sueco é retirado por Hunt, o suiço Clay Regazzoni e por Patrick Depailler. Os ferimentos que o sueco sofreu eram graves, e uma das pernas corria o risco de amputação. Mais tarde, no hospital, sofreu uma longa operação para minorar as fracturas. Contudo, durante a noite, a medula óssea entrou na circulação sanguínea, causando-lhe uma embolia fatal, na manhã de 11 de Setembro de 1978. Aos 34 anos.


A sua campa, em Örebro, na sua terra natal. É a campa da familia, com a sua amada Barbro e os seus pais, Bengt e May-Britt. Na sua cidade natal, tem uma estátua dele em tamanho natural, que segundo dizem, é um dos ex-libris da cidade...
Já agora, dêm uma vista de olhos ao site oficial de tributo a este excelente corredor: http://www.ronniepeterson.se/. Nâo se preocupem, há uma versão inglesa.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Ele está de volta!


O puto-maravilha Antti Kalhola já colocou no Youtube mais um belo video. Desta vez, tem a ver com o Circuito de Monza. É mais um video bem feito, e está lá tudo que possam imaginar sobre este mítico circuito italiano. Até os que já foram... Vejam aqui o video, e espero que faça o mesmo sobre outro dos meus circuitos favoritos, Spa- Francochamps...

IRL - Ronda 17, Chicagoland

E por fim, terminou ontem a temporada 2007 da IRL. Com um final "hollywoodesco": na última volta da corrida, o virtual campeão, o neo-zelandês Scott Dixon, fica sem combustível, e deixa ser ultrapassado pelo seu maior rival, o escocês Dario Franchitti. O escocês não só ganha a corrida, mas alcança o título da Indy Racing League, num ano inesquecível, em todos os aspectos...


As coisas começaram logo na partida: Franchitti largou da frente, mas foi superado pelos Penske de Sam Hornish Jr. e Helio Castroneves. Não houve grandes movimentações até a meio da corrida, após a primeira das trocas de pneus programadas. A partir daí, as coisas mudaram de figura. Primeiro, foi o embate no muro de Vitor Meira, que apanha Scott Dixon e Dario Franchitti nas boxes, o que permitiu regressar na pista sem perder os lugares da frente.


A segunda parte da corrida via-se que o neozelandês da Chip Ganassi tinha vantagem sobre o piloto escocês. Ainda por cima, os pilotos da Penske também queriam ganhar, tal como a menina da Andretti-Green: Danica Patrick.


Mas ninguém tinha combustível para chegar ao final, sem que fizessem uma parada rápida - "splash and go". Os primeiros a ceder foram os Penske, depois, era a vez de Danica. Mas quando o fez, despistou o seu carro e provocou mais uma situação de bandeiras amarelas. Perto do fim.


Aqui vê-se que os organizadores andam a ver muitos filmes. Fazendo isto, sabiam que os "team managers" de Franchitti e Dixon iriam jogar: se levavam o carro até ao fim, ou havia a paragem extra.


Depois de uma situação de bandeiras amarelas, a corrida volta ao normal... na volta 197 de 200. Ambos aguentaram a tentação de ir às boxes, com Dixon na frente. Mas a meio da volta 200... acaba-se a gasolina ao carro do piloto neo-zelandês. Franchitti agradeceu esta "benção dos deuses" e cruzou a meta no primeiro lugar, ganhando o título da IndyCar. Dixon lá cruzou em segundo e Sam hornish Jr. completou o pódio.


Quanto aos brazucas: Helio Castroneves foi quarto, Tony Kanaan foi sexto. Danica Patrick, apesar do azar, terminou em 11º, enquanto que Sarah Fisher classificou-se logo a seguir, e Milka Duno foi 15ª.


O campeonato volta em 2008, com um novo calendário e com novas emoções.

GP Memória - Itália 1972, 35 anos depois

Eu gostaria de perguntar a quem tem 40 anos ou mais: ainda se lembram do que faziam a 10 de Setembro de 1972, quando Emerson Fittipaldi ganhou para o Brasil o seu primeiro título mundial? Eu não posso responder a isso porque não era nascido, mas se existisse nessa altura, acho que comemorava a sério...


Pois é... já passaram 35 anos, e o Brasil ganhou mais grandes pilotos: Pace, Piquet, Senna, Barrichello, Massa... viu a aventura do Copersucar e lembra-se perfeitamente o que fazia a 1 de Maio de 1994... mas o Autódromo de Monza assistiu em 1972 à consgração de um grande talento vindo dos trópicos, e que tinha sido um digno sucessor de Jim Clark e Jochen Rindt. E aos 25 anos, iria ser o mais jovem campeão do mundo: Emerson Fittipaldi.


Mas vamos contextualizar o que se passava então: O campeonato do mundo de 1972 estava a ser dominado pela Lotus. A versão 72D era o culminar de dois anos de trabalho de Colin Chapman em se manter na vanguarda da tecnologia, e na frente construtores de Formula 1, contra os rivais Tyrrell e Ferrari. No Grande Prémio anterior, na Austria, Fittipaldi tinha ganho pela quarta vez na temporada, fazendo com que a liderança do piloto brasileiro fosse enorme: 52 pontos contra 27 de Jackie Stewart e Dennis Hulme, e 25 de Jacky Ickx. Para ele, bastava ser quarto em Monza para alcançar um inédito título mundial para o Brasil.


Entretanto, os organizadores do circuito de Monza tomaram uma decisão importante: depois de mais uma chegada ao milímetro no ano anterior, e de saber que tinha sido alcançada a mais alta média de sempre numa corrida (que só seria batida mais de 30 anos depois), os organizadores decidiram colocar chicanes em três sítios da pista: no final da recta, na zona posterior à entrada no anel de velocidade, a meio caminho entre a Curva Grande e a primeira Lesmo, e na Variante Ascari.


O cenário estava montado. Mas tudo poderia ter acabado… antes de começar. Na terça-feira do Grande Prémio, o camião da Lotus teve um desastre na zona dos Alpes e o Lotus 72D que lá ia dentro não era recuperável. Com poucos dias para os treinos oficiais, Chapman pegou nas partes de outro carro e reconstruiu um novo chassis. Foi uma tarefa titânica, mas tudo estava pronto antes do fim-de-semana. Nos treinos, Jacky Ickx foi o melhor, seguido por Chris Amon, no seu potente Matra. Na segunda fila ficaram os dois maiores pilotos de então: Jackie Stewart e Emerson Fittipaldi. Na verdade, o brasileiro nem se esforçou muito, pois não era necessário, e também estava a guiar um carro reconstruído.


No dia da corrida, nova ameaça no horizonte: Quando levavam o carro para a grelha, os mecânicos da Lotus detectaram um vazamento no depósito de gasolina, suficiente para impedir Fittipaldi de correr. Tinham pouco mais de meia hora para reparar, mas a sua competência veio ao de cima: o problema foi resolvido e o brasileiro pode alinhar.


Quando a corrida começou, Icxx e Amon foram para a frente, enquanto que Stewart ficava parado na grelha com a transmissão partida. O primeiro rival de Emerson ficava de fora. A corrida continuava, com Fittipaldi a controlar as coisas, na terceira posição, enquanto que Ickx e Amon escapam-se, decididos a lutar pela liderança. O belga manteve a dianteira, e quando os travões do Matra do piloto neozelandês falharam, na volta 38, nada podia parar o piloto belga da sua segunda vitória naquele ano.


Mas… na volta 46, uma pane eléctrica no seu Ferrari faz com que tenha de desistir e dar o triunfo ao piloto brasileiro. As suas (já) ténues chances de alcançar o título foram por água abaixo, e Fittipaldi, que precisava apenas de ser quarto para se sagrar Campeão do Mundo… estava a caminho da vitória!


E assim foi. Quando cortou a meta, um Colin Chapman eufórico comemorava à sua maneira mais uma vitória e o triunfo de Fittipaldi e do seu Lotus 72D. O Brasil delirava com o seu novo campeão como se tivesse conquistado de novo o Campeonato do Mundo de futebol, e Emerson estava eufórico. Tudo aquilo que quis tinha alcançado. A acompanhá-lo no pódio foram o britânico Mike “The Bike” Hailwood, num Surtees (o melhor resultado de sempre da equipa) e o neozelandês Denny Hulme, num McLaren. Uma curiosidade final: esta foi a última prova de John Surtees, no carro que levava o seu nome, não terminou a corrida.

domingo, 9 de setembro de 2007

O Autosport desta semana

Não é uma capa super - original, mas acho que diz tudo em relação ao que se passa neste fim de semana de Formula 1, não acham?

A imagem do dia

Traduzindo:

«Ron, o ano passado o carro era uma "porcaria". Este ano com o mesmo engenheiro, tens um carro vencedor. Terá o Alonso alguma coisa a haver com isso?»

Sem comentários...


P.S: Já agora, agradeço ao Schuey 2007 pelo achado e pela tradução. E quanto à dúvida... quinta-feira veremos.

GP2: Glock vence segunda corrida

O alemão Timo Glock reforçou esta manhã a sua candidatura ao título da GP2, ao vencer a segunda corrida da jornada dupla no circuito italiano de Monza, ganhando uma maior diferença sobre o seu rival, o brasileiro Lucas di Grassi, que foi quarto. Contudo, di Grassi foi o melhor piloto verde e amarelo: sees lugar foi para Bruno Senna, que subiu ao pódio na terceira posição com o seu Arden.

Tal como aconteceu na corrida de ontem, também houve muitos incidentes nesta segunda corrida: O espanhol Javier Villa, que largou da "pole-position", abandonou na primeira curva com a embreagem partida. Ao mesmo tempo, o italiano Giorgio Pantano, que largava de oitavo, tinha chegado à segunda posição e toca no argentino Ricardo Risatti, perdendo algumas posições.

Mas a aventura não acaba aqui: Pantano tocou mais adiante em Sebastien Buemi, e prosseguiu com o bico partido. Os comissários exibiram a pandeira preta e laranja, obrigando o piloto a ir às boxes, mas este desobedeceu às ordens. Resultado: o seu sexto lugar final foi retirado pelos comissários, passando esse posto ao indiano Karun Chandhok.

Quanto a Risatti, tentou manter-se na corrida, mas perdia posições. Quando tentava chegar-se a Bruno Senna, o bico da frente partiu-se e ele acabou na gravilha. No final, quem ganhou com tudo isto foi Lucas di Grassi, que partindo do 14ª posto, chegou ao quarto lugar final, que teria sido bom, caso o seu maior rival, Timo Glock, não tivesse vencido a corrida. Mas isso aconteceu.

Depois de Glock, o segundo classificado foi o italiano Luca Fillipi, enquanto que Senna Jr. foi terceiro. Na classificação geral, Timo Glock é o lider, com 78 pontos, seguido por di Grassi, com 67, e Luca Fillipi, com 50. Na semana que vêm, a GP2 volta a acção no circuito belga de Spa-Francochamps.

WSR: Alvaro Parente desiste na segunda corrida

Não foi uma corrida feliz para Alvaro Parente. Desistiu na segunda corrida do fim de semana da World Racing Series by Renault (WSR), no circuito inglês de Donnington, quando ia na quarta posição e atacava o terceiro posto de Guillaume Moreau, despistou-se e danificou o monolugar.

Depois de uma ida às boxes, e vendo que a corrida estava perdida, tentou fazer a volta mais rápida, o que segundo os regulamentos da WSR, dá-lhe dois pontos. Contudo, após uma travagem no final da recta da meta, sofreu novo despiste, que lhe causou a desitência.

Contudo, no meio de tanto azar, Parente teve a sorte ao seu lado, pois os seus mais directos rivais também não pontuaram. O melhor deles todos foi Filipe Albuquerque, que foi sexto na segunda corrida, que levou a ultrapassar na tabela do campeonato o sérvio Milos Pavlovic, sendo agora o quarto classificado.

«Podia ter ficado com uma vantagem pontual enorme», referiu Parente ao site português Autosport. «Foi pena porque podia ter ficado com uma vantagem pontual gigante, mas ainda ainda tenho, na prática 20 pontos, o que é muito bom», concluiu.

O vencedor desta segunda corrida foi um piloto da casa, James Walker, seguido pelo francês Guillaume Moreau e pelo italiano Marco Bonanomi. Filipe Albuquerque foi sexto, atrás do alemão Michael Ammermuller. A próxima prova acontece dentro de duas semanas, no circuito francês de Magny-Cours.

GP Itália - Corrida

McLaren 2 - Ferrari 0. É essa a minha impressão do Grande Prémio italiano. A McLaren sai daqui com uma dobradinha, onde Fernando Alonso foi melhor do que Lewis Hamilton, na casa da Ferrari, onde estes foram derrotados em toda a linha. Felipe Massa desistiu, com a caixa de velocidades partida, e Kimi Raikonnen acabou em terceiro, sem carro para apanhar os McLaren.

É certo que o piloto finlandês correu com o carro de reserva, mas ser batido em toda a linha por Hamilton numa excelente ultrapassagem na zona da primeira chicane, isso é o simbolo do fim de semana. A superioridade da equipa de Ron Dennis contra a de Jean Todt, Luca de Montezemolo e companhia.

A corrida até foi um pouco emocionante, comparado com a procissão turca. Tivemos ultrapassagens (até em recta), acidentes (aquele do Coulthard foi um pouco assustador), e desistências. Mas eu não importava de ver mais algumas...

Aqui também se viu um pouco o ambiente na equipa de Woking: Alonso não comemorou a vitória, Hamilton fez o costume. O espanhol está desejoso de sair dali com o terceiro título mundial, a qualquer custo.

Quem mais sai de Monza com um sorriso nos lábios? Bem... A BMW (Nick Heidfeld quarto, Robert Kubica quinto), a Williams, com Nico Rosberg em sexto, e... a Honda, com Jenson Button em oitavo, que lhe dá o seu segundo ponto no campeonato. Ainda estão atrás da Super Aguri...

Dos quatro candidatos ao título, tenho pena de dizer que o primeiro a dizer adeus deve ter sido Felipe Massa. Os 23 pontos de diferença sobre Hamilton querarão dizer que por este ano, não vai haver brasileiro a ganhar o ceptro mundial. E logo nas vésperas do 35º aniversário do primeiro título mundial de Emerson Fittipaldi...

Quatro corridas para o final, a luta pelo título está ao rubro. E agora? Vai-se decidir tudo na pista ou nos bastidores?