quarta-feira, 21 de julho de 2010

Grand Prix (excerto numero 36, começo em Kyalami - parte V)

(continuação do capitulo anterior)

Depois de Oliver Henderson agitar a bandeira sul-africana do alto do palanque, o troar das máquinas ouviu-se, mais alto do que nunca, para depois se desfazer à medida que se aproximavam da Crawthorne Corner e faziam, velozes, a primeira das 78 voltas completas ao circuito de Kyalami, perante o delírio das dezenas de milhares de pessoas que assistiam à passagem dos seus ídolos pelos sitios onde estavam colocados. Nas boxes, todos estavam atentos, uns no muro, outros agarrados aos cronómetros, para tirar os tempos dos pilotos que estavam em pista.

Na primeira passagem pela meta, John O'Hara segurava um Gilles Carpentier que o estava prestes a ultrapassá-lo no final do The Dip, para alcançar o comando da corrida. Teddy perdera dois lugares a favor de Van Diemen e Reinhardt, e tinha Beaufort a ameaçá-lo. Um pouco mais atrás, a meio, Philip de Villiers tentava aguentas as investidas de Bruce McLaren, que tinha passado Brian Hocking e vinha em busca do outro sul-africano. Ambos rodavam no oitavo e nono lugares, respectivamente, com Hocking a fechar o "top ten". As coisas pareciam não correr bem para a Apollo e pouco depois, o "speaker" confirmava:

"O novo lider da corrida é agora o francês Gilles Carpentier, no seu Matra, que passou o Apollo de John O'Hara no final da Crawthorne Corner". A multidão agitou-se.

À medida que as voltas passavam, Carpentier estava a afastar-se paulatinamente de O'Hara, graças à potência do seu motor. Um pouco atrás, McLaren passara De Villiers e ia tentar apanhar os da frente, e agora estava entalado entre Peter Revson e Bob Bedford. Ele conseguia apanhar Bedford, no seu novo carro, enquanto que era assediado pelo piloto americano. no final da volta sete, Revson passava De Villiers, caindo para o décimo lugar, mas continuava na frente de Hocking.

Por esta altura, já havia um carro encostado à berma. Bob Turner desistira no seu BRM depois do motor ter explodido permaturamente. Ao ver o V12 britânico a fumegar, tão cedo na corrida e com o calor que se fazia sentir, os que estavam nas boxes temiam que isto poderia ser o primeiro de uma longa série de desistências...

Quando Pete viu Bob Turner a caminhar para a boxe, afirmou:

- E pronto, vai ser o primeiro de muitos.
- Fizemos o melhor da nossa parte, respondeu Thomas.
- Quero é saber se isso é o suficiente.
- Descansa. Acredita que é, respondeu sorrindo.

No final da décima volta, a diferença entre Carpentier e O'Hara era já de seis segundos. O piloto da Matra estava a imprimir um ritmo forte, no sentido de ter uma vantagem suficiente para a poder gerir nas voltas finais, quando o carro estiver mais vulnerável. Na boxe da Apollo, os tempos até então tirados mostravam um ar de tranquilidade nas faces, pois mostravam a sua consistência. Solana deixara passar Beaufort, e o francês tinha subido até ao quarto lugar, passando Van Diemen e estando atrás de Reinhardt. Os dois estavam a pouco mais de dois segundos de O'Hara, mas não conseguiam aproximar-se do piloto irlandês. No sexto lugar estava agora Bruce McLaren, depois de passar o BRM de Anders Gustafsson.

Durante as dezasseis voltas que se seguiram, as coisas estavam calmas, aborrecidas até. O calor era a unica coisa do qual todos estavam incomodados, e o pensamento que dominava a todos era saber se o sobreaquecimento iria ser ou não um problema naquela corrida. Enquanto isso, o unico facto relevante foi a ultrapassagem de Carpentier a Reinhardt, chegando ao terceiro lugar. Era uma altura em que todos se protegiam como se podiam do sol. Iam para a sombra ou colocavam chapéus de papel, feitos de folhas do jornal do dia, abanavam como se fossem leques. Todos eles tinham algo em comum: eram sul-africanos brancos. Um fato lateral da corrida, mas um fato.

De repente, quando os carros da frente iniciavam a 27ª volta, começou-se a ouvir um barulho vindo da Clubhouse Bend: um carro tinha encostado, sob um manto espesso de fumo. E não era um qualquer: era o Matra de Beaufort, que tinha desistido com um sobreaquecimento do motor. A sua corrida tinha terminado ali, e ele tinha saído do carro, contemplado e começado a caminhar a pé, rumo às boxes. Alguns minutos depois, um comissário lhe deu uma garrafa de água e uma boleia até às boxes.

E como um mal nunca vem só, três voltas depois outro golpe de teatro: depois de fazer a Clubhouse Bend, Gilles Carpentier engata a terceira velocidade, a caminho dos Esses. Trava, reduz para segunda... e não sai mais dali. O mecanismo tinha quebrado e o Matra, em subida, encosta logo à direita, para espanto de toda a gente. Os carros franceses, que pareciam ir a caminho da dominação, acabam em pouco mais de três voltas. E com isto, a liderança estava de novo nas mãos de John O'Hara.

- Mostrem ao John a placa de P1, logo! ordenou Pete.
- Estamos a ganhar? pergunta Jackie.
- Por agora sim, respondeu Sinead, no alto das boxes. Só espero que aguente.
- E o Phillip?
- Já passou o Bob Bedford e é sétimo, com o atraso do Revson. Mas tem o Toino e o Hocking bem perto, Jackie.

De facto, desde a volta 28 que o americano tinha também problemas com a caixa de velocidades, que era frequente encravar na quarta velocidade, e a relação entre a terceira e a quinta era longa, com o motor a tossir sempre que ele tentava fazer esse salto, devido às baixas rotações. À medida que as voltas iam passando, as dificuldades eram maiores e suspeitava que não chegaria ao final. Abdicara do sexto lugar e tinha sido ultrapassado por De Villiers, Bernardini e Hocking, e parecia arrastar-se. Até onde, não sabia.

Na volta 34, O'Hara começava a dobrar pilotos atrasados, nomeadamente os locais como Pieterse e um arrastado Revson. Reinhardt não estava muito longe e aproveitava para tentar aproximar-se do irlandês. Quando subiam a Leeukop Bend, O'Hara demorou mais tempo a engatar a marcha e Reinhardt fez uma aproximação suficiente para se por de lado para o ultrapassar. Os dois motores V8 roncavam lado a lado quando se aproximavam do "The Dip", perante o delirio da multidão e o desespero da irmã:

- Caramba, não o deixes passar!
- Tem calma que ele não te ouve, respondeu Pete. Isto não foi bom, confesso... diabos, vamos perder de novo o comando da corrida. Espero que isto compense no final, disse, olhando para Thomas.

Este não disse nada. Apenas olhava para a pista, silencioso e algo confiante.

E de facto, foi isso que aconteceu. O piloto alemão era agora o novo comandante da corrida, o terceiro em paragens sul-africanas. E a corrida estava a chegar paulatinamente ao seu meio, com o calor a fazer-se sentir em tudo e todos.

(continua)

Noticias: mau tempo e composto radical podem apimentar a corrida alemã

O fim de semana alemão pode ser chuvoso, é o que fala a meteorologia local. Especialmente na sexta-feira, que se prevêem tempestades sobre a área de Hockenheim, no Sábado e Domingo essas possibilidades estarão diminuídas, mas não extintas. Aparentemente isto não afetará nem a qualificação, nem a corrida, logo não veremos nada de cabeça para baixo.

Contudo... as coisas na sexta-feira prometem piar mais fino, dado que os treinos livres desse dia irão ser afetados, pois as equipas irão testar um conjunto de compostos que a Bridgstone levará neste fim de semana, que promete ser extremo: ultra moles e muito duros. "As condições meteorológicas serão um fator muito importante. Se estiver quente, o composto super-macio será um desafio pela gestão da sua estabilidade e durabilidade. Se estiver frio, então será difícil garantir a janela de temperatura de funcionamento adequada", afirmou Hiroshi Yasukawa, o responsável máximo da Bridgestone Motorsport.

Se tivermos uma corrida semelhante ao que se passou no Canadá, então muito provavelmente poderemos dispensar a chuva, pois terá tanta ou mais emoção do que se tivessemos o asfalto molhado, e ainda mais com as poucas possibilidades de encontrar uma afinação adequada ao circuito. Querem apostar?

GP Memória - Grã-Bretanha 1985

Após o GP de França, que resultou numa muito necessitada vitória para Nelson Piquet e a Brabham (e a Pirelli), máquinas e pilotos rumaram para a veloz pista de Silverstone, palco do GP da Grã-Bretanha, a oitava ronda do Mundial de 1985. Sem alterações no pelotão, os grandes rumores na semana eram as possiveis retiradas de competição das equipas oficiais da Renault e Alfa Romeo, que estavam a ter desempenhos muito abaixo do esperado naquela época.

Nos treinos, o melhor foi Keke Rosberg, no seu Williams-Honda Turbo, que estreava aqui a sua mais recente evolução. O desempenho foi tão bom que o finlandês conseguiu o tempo canhão de 1.05,591 segundos, a média de volta mais alta de sempre durante 18 anos: 257,408 km/hora. E não fora uma volta perfeita, pois mesmo no final, quando abordava a curva Woodcote, começava a sofrer um furo lento no pneu frente-esquerdo. "O carro simplesmente não virava", declarara Rosberg mais tarde. “Por isso eu saí do traçado ideal. Aquilo me pegou completamente de surpresa. Só depois de um tempo que eu descobri que tinha um pequeno furo no pneu esquerdo dianteiro. Quando eles checaram, viram que a pressão tinhah caído 12 libras, e 10 minutos mais tarde estava completamente vazio.”. Uma pole-position de sorte.

Ao seu lado tinha o Brabham-BMW de Nelson Piquet, que aproveitava a ocasião para fazer uma boa qualificação. Na segunda fila estavam o McLaren-TAG Porsche de Alain Prost e o Lotus-Renault de Ayrton Senna, enquanto que Nigel Mansell era quinto no segundo Williams-Honda. Michele Alboreto ficava com o sexto posto da grelha e logo atrás estavam os seus compatriotas Andrea de Cesaris, no Ligier-Renault, Elio de Angelis, no Lotus-Renault, e o Toleman-Hart de Teo Fabi A fechar o "top-ten" estava o segundo McLaren-TAG Porsche de Niki Lauda.

Na partida, Senna faz um arranque tremendo do quarto lugar da grelha e consegue chegar à liderança. Mais atrás, Patrick Tambay perde o controle do seu Renault e envolve-se numa carambola com o Ferrari de Stefan Johansson, o RAM-Hart de Philippe Alliot e o Osella-Alfa Romeo de Piercarlo Ghinzani. Os quatro pilotos desistem na hora.

Nas voltas seguintes, Senna tentava resistir aos ataques de Rosberg e a afastar-se do resto do pelotão, enquanto que Andrea de Cesaris está numa corrida em força, passando aos poucos os carros de Rosberg e Prost, ficando com o segundo posto e indo atrás do piloto brasileiro. Contudo, Prost reage e apanha primeiro o italiano da Ligier e logo a seguir, vai à caça de Rosberg, que o apanha algum tempo mais tarde, antes deste desistir na volta 17, vítima de uma falha no seu turbocompressor.

Com isto, Prost vai à busca de Senna, com De Cesaris em terceiro e pressionado por Lauda. O ritmo tinha sido tão elevado nos carros da frente que a meio da corrida quase todos os carros tinham sido dobrados pelos dois pilotos da frente até aos carros de Piquet e Alboreto, na altura respectivamente quinto e sexto classificados. Contudo, a partir da volta 57, o motor Renault de Senna começa a comportar-se de modo estranho e Prost ultrapassa-o, ficando com a liderança da corrida. Senna reage, recuperando o primeiro lugar, mas na volta 60, Senna encosta às boxes, devido a uma avaria no sistema eletrónico de alimentação de combustivel.

No final ainda tempo para um erro dos comissários, tirando uma volta à corrida, acabando-a na volta 65 em vez de ser na volta 66 como estava previsto. Mas isso não alterou a situação, já que Alain Prost foi o vencedor, seguido pelo Ferrari de Michele Alboreto, a uma volta do piloto francês, e pelo Ligier de Jacques Laffite, que do 16º posto da grelha, conseguia o seu primeiro pódio desde 1982. Nos restantes lugares pontuáveis ficavam o Brabham-BMW de Nelson Piquet, o Renault de Derek Warwick e o segundo Brabham-BMW do suiço Marc Surer.

Fontes:

terça-feira, 20 de julho de 2010

Grand Prix (excerto numero 35, começo em Kyalami - IV)

Kyalami, 1 de Março de 1970.

Desde praticamente o nascer do sol que um fluxo constante de automóveis se fazia sentir desde o centro de Joanesburgo rumo ao circuito local. Falava-se em 50 mil, 60 mil, mais de 80 mil pessoas a caminho, em milhares de automóveis, com gelerias cheias de cervejas, águas e sumos, tudo que servisse para combater o calor que a Radio Springbok tinha anunciado para esse dia, naquele final do Verão austral.

O anuncio do boletim meteorológico, para além do relato da corrida propriamente dito, eram dois dos anuncios que os sul-africanos mais queriam ouvir, superando outras noticias mais relevantes como a declaração da républica rodesiana, feita naquela manhã imediatamente condenada pela comunidade internacional, mas do qual o governo de Pretória ainda não tinha reagido, talvez por ser Sábado de manhã.

Era estranho a corrida ser num dia que não o Domingo. Num país calvinista como a Africa do Sul, onde os boers mandavam na vida pública, a proibição de manifestações desportivas ao Domingo, pois esse era o dia de descanso e o dia de ir à Igreja, tinha força de lei, tão potente como o de segregar e alienar quase 80 por cento das pessoas que viviam naquele espaço enorme no canto sul de Africa, e onde um punhado de pessoas tentavam contrariar os ventos da História. E quem falava da Africa do Sul, poderia falar dos seus vizinhos, como aquela Rodésia que para contrariar esses ventos da História, nem hesitou em renegar Sua Majestade Imperial, a Rainha Isabel II, como chefe de Estado... algo que a própria Africa do Sul tinha feito nove anos antes, pelos mesmos motivos.

Mas saltando da politica para o automobilismo, quem estivesse na véspera à noite na torre de controlo da corrida, conseguia-se ver nos campos à volta as várias fogueiras cheias de grupos que conviviam, esvaziando cervejas Castle, conversando e rindo, esperando pelo barulho das máquinas que iriam acontecer no dia a seguir naquela pista. Para além disso, alguns afortunados iriam levar as suas máquinas fotográficas, câmaras de filmar, para junto das boxes e ver os seus ídolos de perto. Algo que nem todos os desportos tem esse previlégio. Quer no futebol, quer no rugby, tinham de estar ao nivel do relvado para ver os jogadores em acção...

- Tudo pronto, Tom?
- Faltam algumas afinações. Trabalhamos até tarde para colocar um novo motor no carro do John, esperamos que ele dê as suas voltas para saber se tudo está conforme.
- Espero que sim, respondeu John O'Hara. Confio em ti para isso e para quaisquer outros problemas que venham a surgir.
- Então salta para o carro, ordenou Pete.

Sorridente, John colocou o seu capacete integral branco com um trevo verde na parte de cima, e montou o seu Apollo-Cosworth, cujo primeiro fim de semana competitivo resultou numa "pole-position", algo que não era alcançado desde 1954, quando os Mercedes de Juan Manuel Fangio e Karl Kling arrasaram a concorrência à partida do GP de França, no circuito de Reims. Depois de se instalar confortavelmente e de colocar os cintos de segurança, John O'Hara sinalizou para que dessem a ordem para colocar o motor em marcha e partir para um série de voltas a Kyalami, para se preparar convenientemente para a corrida que iria acontecer dentro de algumas horas.

--- XXX ---

Faltavam pouco mais de dez minutos para a partida. Os carros já estavam colocados na grelha provisória e todos andavam à volta deles: mecânicos, dirigentes, fotógrafos. A maior parte dos pilotos já estavam instalados dentro dos cockpits, tentando concentrar-se sob um sol de meio dia, inclemente sob a savana africana nos seus quase 35 graus. Alguns tentavam refrescar-se com toalhas molhadas, que passavam sob a cara, enquanto tentavam beber água fria. John O'Hara, o poleman, tinha a sua irmã Sinead ao seu lado, segurando o guarda sol com uma mão e uma garrafa de água com a outra. Esperando com que os minutos passassem, John ainda não tinha colocado o capacete e o pano à sua volta, pois queria ainda beber alguma água para combater o calor que se fazia sentir naquele momento.

- É agora. Estás nervoso?
- Não muito, mana. Embora esteja um pouco espantado por saber que este carro se tenha comportado tão bem assim.
- Achas que vais ganhar?
- Adoraria, mas com este tempo assim, seria um milagre se nada se partir neste carro. Mudamos o motor e este funciona bem, mas há muita coisa que é nova. Vou tentar não forçar nada, mas quero ganhar, mana.
- Vou torcer por ti, como sempre.
- Cuida do Pete e da Pat, tá bem? É nosso amigo e este projecto é também nosso.
- Boa sorte mano. Vemo-nos no pódio.

Pete gargalhou, antes de colocar o pano e o capacete. Oliver Henderson já tinha mandado mostrar a placa dos três minutos.

--- XXX ---

- Teddy, como vais?
- Acho que o carro está a reagir bem.
- Achas que pode aguentar?
- Veremos, estou confiante que sim. Nâo esperava era estarmos tão à frente, tão cedo no campeonato.
- É sinal que é um carro bem nascido.
- Qual é a tática?
- Leva o carro até ao fim. Mais do que ganhar, terminar é o que importa. Boa sorte.
- Obrigado, Pete.

Por esta altura, já se mostrava a placa dos três minutos.

--- XXX ---

- Oi Jackie. Vieste desejar-me sorte?
- Que remédio, Philip. Estás a fazer um bom fim de semana.
- É verdade. Pena ser aqui um "one-off".
- Não tens nada a perder. Só tens é de ser o melhor de nós todos.
- Custa-me a crer que és a minha patroa...
- Em teoria, o patrão é o meu tio. Mas ele nunca se interessou verdadeiramente por isto, confesso. Ainda bem que há o Thomas a ajudar-me, senão teria ido por aí abaixo. Sempre queres ir para a Europa?
- Tu sabes que só irei quando ganhar o campeonato.
- Nem sabemos se vai haver o tal "scholarship"...
- Nâo falaste disso ao Sr. Henderson?
- Ainda nem falei direito com ele este fim de semana, e ele não é o presidente do Automóvel Clube. Mas parece que sim, não tenho a certeza.
- E se ganhar, o que tu vais fazer?
- Não sei, mas ficar em casa para ser parideira de algum gordo, não serei. Por incrível que pareça, isto deu-me uma liberdade incrivel do qual não sei bem o que fazer. Aliás, até sei, mas... preciso da colaboração de muita gente. Incluindo de ti.
- Ah é, qual é?
- Ganha-me o campeonato. Podes começar por acabar esta corrida à frente do Peter.
- Acho que isso nem é preciso.
- Porquê?
- Parece que já tem bilhete para ir à Europa. O lugar que o Temple lhe deu, acho que vai ser definitivo.
- A sério?
- É o que me falou.
- Com que dinheiro?
- Não sei.

Jackie olha para a placa dos três minutos e diz:

-Prepara-te, vai começar. Boa sorte! disse, dando-lhe um beijo na boca.

Um espantado Philip olhou para ela e sorriu. Colocou o capacete, enquanto que Jackie fazia sinal aos mecânicos para que colocassem o motor a funcionar. O Grande Prémio da Africa do Sul, primeira prova do Campeonato do Mundo de 1970, ia começar
.

(continua)

O ultra-veloz recorde de Keke Rosberg

Não foi um recorde de velocidade pura, mas deu para largar na frente de uma corrida. Não lhe deu fama e fortuna, mas a média de velocidade sobreviveu durante 16 anos. E à medida que descubro coisas sobre ele, mais fico admirado por aquilo que alcançou na Formula 1, o seu estilo "power charger" que só Gilles Villeneuve lhe era superior. E hoje está vivo para contar a história.

Pois é, faz hoje 25 anos que Keke Rosberg fez a volta mais rápida de sempre de um motor Turbo, no ultra-veloz circuito de Silverstone, onde ali só se andava a fundo, desacelerando em curvas com nomes míticos como Copse, Stowe ou Club, e Woodcote já se tinha transformado numa mera chicane, mas não fazia mais do que abrandar por uns segundos. Em suma, era pífia. Logo, ver Rosberg, no seu Williams-Honda a fazer uma volta a uma estrondosa média de 257,4 km/hora era inacreditável.

Por causa disso que, quando a Formula 1 voltou de vez, em 1987, a chicane de Woodcote se tenha transformado em algo maior. E quatro anos depois, o próprio circuito tenha sido profundamente modificado no sentido de abrandar a velocidade média dos carros, em nome da segurança. É certo que esta foi um bom motivo, mas tirou aos fãs a visão de ver um piloto a fazer todas aquelas curvas a fundo. Nos anos 70 se via James Hunt, Mario Andretti, Jackie Stewart, Ronnie Peterson ou Jody Scheckter a irem a fundo na Woodcote, mas agora já não veríamos mais Michael Schumacher, Damon Hill, Jacques Villeneuve ou Lewis Hamilton a abordarem a fundo Copse, Club, Stowe ou Woodcote. Agora, só podemos imaginar como seria e jogá-lo na Playstation.

E numa era em que os autódromos ditos ultra-modernos são kartódromos gigantes, desenhados pelo mesmo gabinete de arquitectura, onde se trava tantas vezes como acelera, ver este último recorde de velocidade, obtida numa era de transição na Formula 1, faz-nos ver que nem todas as coisas do passado são más. Podemos suspirar por saber que não se morre mais pilotos e que a segurança é a maior de sempre, mas temos consciência que neste inicio de século, esta Formula 1 tem muito menos sal que antigamente. Não concordam?

O financiador de uma aventura chamada Durango?

Poderia falar hoje sobre o mais recente "soundbyte" vindo do quase-octogenário Bernie Ecclestone, mas essa deixo para uma ocasião mais apropriada. O que quero falar hoje é sobre Jacques Villeneuve e a Durango, uma das candidatas ao famigerado 13º lugar na elite da Formula 1, que após a desistência da ART, no inicio do mês, se tornou numa corrida sem vencedor definido.

Provavelmente ouviram na semana que passou sobre Jacques Villeneuve, que aos 39 anos quer voltar à Formula 1 a qualquer custo, e provavelmente numa aliança de cariz duvidoso com a Durango, uma equipa com mais de 30 anos de existência, mas que nos últimos anos foi noticia por aquilo que acontecia fora do paddock, desde abandono da GP2 com dívidas para pagar até às finanças italianas a terem batido à porta para investigar as suas contas. Actualmente está na Auto GP, a mais recente encarnação da Formula 3000 italiana, com antigos chassis Lola da extinta (ou será adormecida?) A1GP.

Ora, mais um elemento poderemos acrescentar na história da Durango. E não é muito boa. Quem conta isto é o Joe Saward: um dos filhos de Mummar Al-Khadafi, o ditador libio no poder desde 1969, Saadi Al-Khiadfi, poderá ser o financiador da aventura Durango/Villeneuve. E ainda por cima, este é o mais excêntrico dos filhos, aquele que tentou jogar futebol em Itália e foi internacional pelo seu país. Saadi, que recentemente foi noticia por ter abandonado um quarto de hotel em Rapalo com uma conta de mais de 600 mil euros por pagar, estaria interessado em ajudar na aventura da Durango como forma de passear a sua excentricidade pelo paddock, pelo que se topa à primeira vista.

Mas tirando este elemento de entretenimento, pode-se observar um elemento mais sério nisto tudo. A familia Khadafi já teve uma precentegem pequena na estrutura accionista da FIAT, nos tempos de Giovanni Agnelli, e como se sabe, a Libia foi uma antiga colónia italiana até ao final da II Guerra Mundial. E claro, o capital de simpatia que ainda tem o nome "Villeneuve" em Itália...

Agora resta saber se isto tem algum fundo de verdade e qual é o grau de seriedade na candidatura da Durango, no envolvimento da família Khaddafi ou no grau de desespero de Jacques Villeneuve. Cenas dos próximos capítulos, nesta silly-season que é a Formula 1.

Youtube Formula 1 Classic: Brands Hatch 1970



Ontem comemorou-se o 40ª aniversário da estreia de Emerson Fittipaldi na categoria máxima do automobilismo, a bordo de um Lotus 49C, partindo na última fila da grelha, ao lado de Graham Hill.

Tirando isso, pode-se ver pelas imagens que foi uma corrida emocionante, marcada pelo duelo entre Jochen Rindt e o veterano Jack Brabham, com algumas interferências na parte inicial por parte do Ferrari de Jacky Ickx, que começava a mostrar ser um carro para discutir a vitória. No final, a história foi que Rindt ficou com a liderança na última volta porque o carro de Brabham ficou sem gasolina. E quem cuidava do seu carro era um jovem rapaz, então com 22 anos, chamado Ron Dennis...

Eis aqui as imagens. Já agora, aviso-vos que há uma discrepância entre as imagens e a voz do narrador Era assim que se montavam as peças há quarenta anos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Henry Surtees, um ano depois

Um ano voa depressa. Bem depressa mesmo. Ao Verão sucede o Inverno, e do Inverno vem a Primavera e com ele o Verão, uma verdadeira rotação da Terra, 365 dias. E quando chegamos de novo ao dia 19 de Julho, lembramo-nos o que faziamos nesse dia de Domingo. Recordo das pessoas perguntarem no Twitter sobre a condição de Henry Surtees, e que não tinham noticias dele desde que o viram naquele helicóptero, a caminho do hospital, onde foi confirmada a sua morte cerebral.

No ano passado disse que aquilo deveria ter sido um golpe cruel no pai, John Surtees, que sobrevivera a uma das piores eras para se conduzir, onde os amigos mortos foram às dezenas, quer como piloto, quer depois como construtor, para no final testemunhar à pior das perdas, que é a de um filho.

E mesmo aqueles quase não viram, por omissão ou outra, o acidente mortal de Henry Surtees, ou os mais novos, que não tiveram consciência da periculosidade que é o automobilismo, ou que as memórias de Imola eram difusas ou inexistentes, tiveram um encontro com essa realidade com o acidente de Felipe Massa, atingido pela mola do Brawn GP do seu compatriota Rubens Barrichello, e que por pouco, milimetros talvez, não acabou com a sua carreira.

Na semana que passou, li o post que o Mike Vlcek escreveu sobre a sua visita a Brands Hatch, descrevendo o desafiador circuito do condado de Kent e ele não esqueceu Henry Surtees. Lembrou-nos, mais para que não esqueçamos do que se trata, que o automobilismo é uma modalidade perigosa, por muita segurança que ela tenha. Ainda bem que existe e reduziu a mortalidade a um mínimo. Mas uma morte no automobilismo é sempre uma a mais, que nos faz perder a inocência.

E ontem quando vi o acidente do Seat Leon de Francisco Carvalho, em que dois comissários de pista fugiram desesperados para evitarem ser atingidos pelos destroços de um Leon a voar, vejo até que ponto tudo isto é uma questão de sorte e de azar. De como na vésperas da sua morte, vi um Henry Surtees contente, no pódio, a comemorar aquele que era o seu melhor resultado do ano, com os pais a assistir, felizes pelos feitos do seu filho.

O automobilismo é uma maravilha. Mas continua perigoso.

GP Memória - Grã-Bretanha 1975

Os acontecimentos que ocorrerem dois anos antes, na edição de 1973, onde onze carros foram eliminados na primeira volta da corrida, fizeram com que os organizadores tivessem de agir em relação às altas velocidades que se praticavam naquele circuito. Assim sendo, foi construida uma chicane na zona de Woodcote, antes da recta da meta, no sentido de fazer abrandar os carros, reduzindo a sua velocidade média.

Entretanto, as dúvidas que ainda existiam acerca da continuidade de Graham Hill tinham sido desfeitas quando anunciou a sua retirada competitiva. Apesar de não correr desde a corrida do Mónaco, ele não tinha dito à imprensa e aos fãs que aquele tinha sido a sua última corrida. No fim de semana britânico, decidiu que após dezoito anos e 176 Grandes Prémios, que era a altura de pendurar o capacete e dar lugar aos mais novos.

Mas esta não era a última ou unica grande novidade do pelotão da Formula 1. Na Lotus, Jacky Ickx decidiu abandonar a equipa, desmotivado pelo carro que tinha. Colin Chapman decidiu fazer as coisas da forma que sabia fazer: inscreveu três carros, um para Ronnie Peterson, outro para os britânicos Brian Henton e Jim Crawford. Outra equipa com três carros nessa corrida era a March, que alinhava com Hans Stuck, Vittoprio Brambilla e a italiana Lella Lombardi. Havia também outro chassis March, mas neste caso, a razão era diferente: insatisfeitos com o carro, a Penske arranjou o chassis March para Mark Donohue até ao final da época, para poderem ter tempo para desenhar o carro para a próxima época.

Na Surtees, John Surtees iria alinhar com dois carros, um para John Watson e outro para David Morgan. A Ensign alinhava com o holandês Roelof Wunderink, pois o seu compatriota Gijs Van Lennep não aparecera, enquanto que a Maki tentava de novo a sua sorte com Hiroshi Fushida. Ainda havia a Lyncar, com John Nicholson, a fazer a sua aparição.

Na qualificação, hpuve surpresa: o galês Tom Pryce, no seu Shadow-Cosworth, fez a sua primeira (e unica) pole-position da sua carreira, tendo a seu lado o Brabham de José Carlos Pace. Na segunda fila estavam os Ferraris de Niki Lauda e Clay Regazzoni, enquanto que na terceira estavam o March de Vittorio Brambilla e o Tyrrell de Jody Scheckter. Emerson Fittipaldi, no seu McLaren era sétimo, à frente do Brabham de Carlos Reutemann. James Hunt era o nono no seu Hesketh e Jochen Mass o décimo.

Nos momentos anteriores à partida, Graham Hill pegou no seu carro por uma última vez e foi dar uma volta ao circuito de Silverstone perante uma multidão em delírio, prestando tributo a um grande nome do automobilismo britânico e mundial, que após dezassete anos de competição, pendurava de vez o capacete para se dedicar à sua equipa.

Pouco depois era dada a partida, com Pace a ser o mais rápido que Pryce e passar para a liderança. Regazzoni e Lauda vinham logo a seguir, enquanto que Hunt era o quinto. Nas voltas seguintes, Scheckter e Fittipaldi tentaram subir na classificação, enquanto que na frente, Regazzoni passou ao ataque a partir da volta dez, quando passou Pryce e depois Pace, para ficar com a liderança. As coisas andaram mais ou menos assim até à volta 19... quando começou a chover. Regazzoni perdeu o controle do seu carro na curva Club, danificando a sua asa traseira. Com isto, Scheckter, que tinha passado Lauda e Pace, estava na liderança, mas ia agora para as boxes para trocar de pneus.

Cedo, outros fizeram o mesmo: Lauda, Fittipaldi, Pryce. Mas o austriaco teve de voltar uma segunda vez às boxes pois uma das porcas ficou mal apertada, enquanto que o galês da Shadow despistou-se, acabando ali a sua corrida. Contudo, a chuva não tinha sido muita e a pista secava rapidamente. Alguns dos pilotos tinham permanecido com pneus secos, como Fittipaldi, Hunt e Pace, mas Scheckter começa a apanhá-los a todos para ficar na frente da corrida, antes que a pista seque e o sul-africano tenha de de novo ir às boxes.

Contudo, na volta 53, a chuva voltava, e em força. Os pilotos tentavam manter os seus carros sob forte bátega de água, mas muitos não conseguiam, e os despistes aconteciam em cadeia: Jarier despistava-se em Woodcote, enquanto que os carros de Pace, Scheckter, Hunt, Tony Brise, Brian Henton e John Nicolson, entre outros, saiam na curva Club. Outros, como Donohue, Watson e Patrick Depailler, saiam na Stowe. A confusão era total e a organização não teve outra hipótese senão assinalar as bandeiras vermelhas e parar a corrida na volta 56.

No final, Emerson Fittipaldi foi declarado vencedor, com José Carlos Pace no segundo lugar e Jody Scheckter no terceiro. Como os resultados só contaram na volta 55, Pace e Scheckter foram classificados, bem como os restantes carros que ficaram nos lugares pontuáveis: o Hesketh de James Hunt e os March de Mark Donohue e de Vittorio Brambilla. Ainda houve protestos por parte da Ferrari, pois os seus carros eram dos poucos que circulavam naquela piscina que tinha virado Silverstone, mas o Royal Automobile Club negou as pretensões da equipa de Maranello e os resultados foram homologados três dias mais tarde.

Fontes:

http://www.grandprix.com/gpe/rr260.html
http://en.wikipedia.org/wiki/1975_British_Grand_Prix

domingo, 18 de julho de 2010

IndyCar: Will Power vence em Toronto

Foi uma corrida um pouco mais movimentada do que o normal, mas no final, o australiano Will Power conseguiu evitar as armadilhas e venceu a corrida de Toronto, a quarta do ano, e ampliando cada vez mais a liderança do campeonato 2010 da IndyCar Racing.

A corrida foi agitada, teve sete bandeiras amarelas ao longo dela, grande parte delas a acontecerem quase no mesmo local. No começo, Power, que era o segundo na grelha, perdeu esse lugar, caindo para o sétimo lugar, no final da primeira volta. Atrás de Justin Wilson, Helio Castro Neves e Ryan Hunter-Reay esperavam por uma melhor oportunidade, algo que não aconteceu nas primeiras dezasseis voltas, até que o carro de Takuma Sato bateu no muro, causando a primeira situação de bandeiras amarelas.

Por essa altura, todos menos Paul Tracy e Vitor Meira, aproveitaram para ir às boxes fazer o seu primeiro reabastecimento. Quando a corrida recomeçou, esta durou apenas mais alguns metros, pois quando Castro Neves tentou passar o seu compatriota Vitor Meira, tocou na sua roda traseira, bateu no muro e acabou nos pneus. Apesar de sair sem problemas do carro, a sua corrida terminava ali.

Cinco voltas mais tarde, a corrida recomeçou... mas por pouco tempo. O brasileiro Mario Romancini e o britânico Alex Lloyd tocaram-se e foram ao muro, causando nova saída do Pace Car. A partir daqui, e após mais uma nova relargada efémera e consequente nova batida no muro, de novo com Mario Romancini e Mario Moraes, que acabou por abandonar de vez a corrida.

Na largada, formou-se um trio de pilotos constituido por Dario Franchitti, Will Power e Justin Wilson, que se destacaram do pelotão, e com o piloto da Penske a pressionar fortemente o da Chip Ganassi, e foram estes os pilotos que animaram a corrida até ao fim. Na volta 54, Franchitti parou, seguido por Wilson e Power, com o inglês e ficar na frente e a imprimir um riutmo forte, no sentido de se afastar dos outros, abrindo uma vantagem de três segundos.

Contudo, nova situação de bandeiras amarelas, causado pelo toque entre Raphael Matos e Marco Andretti, que acabou por fazer rodar o brasileiro e a ser abalroado pelo venezuelano Ernesto Viso, causando nova amostragem de bandeiras amarelas, a sexta da corrida. Na nova relargada, Power foi agressivo e passou Wilson, que pouco depois se despistou, perdendo algumas posições. Essa manobra foi a decisiva, pois pouco depois, nova batida e a neutralização da corrida até a oito voltas do final.

Na meta, Power comemorava a quarta vitória do ano, acompanhado no pódio por Franchitti e de Hunter-Reay. Tony Kanaan foi o melhor brasileiro, no quarto posto, à frente de Graham Rahal e Danica Patrick, a melhor representeante feminina. Justin Wilson foi sétimo e Simona di Silvestro teve a sua melhor posição do ano, acabando no nono lugar. A IndyCar regressa na próxima semana, quando correr em Edmonton, a segunda pista canadiana do calendário.

WTCC - Brands Hatch (Corridas)

Não foi um grande dia para Tiago Monteiro, mas no campo geral, Yvan Muller e Andy Prilaux foram os grandes vencedores da tarde competitiva do WTCC em Brands Hatch, onde o piloto em destaque é o local Colin Turkington, que conseguiu dois pódios neste fim de semana no seu BMW da West Surrey Racing.

Na primeira corrida, Muller partiu da pole-position para não mais a perder, com Robert Huff logo atrás durante toda a corrida, fazendo que desse uma dobradinha da marca americana. Poderiam ter monopolizado o pódio, mas o suiço alain Menu teve problemas e caiu para o sétimo posto, dando o lugar mais baixo do pódio a Turkington. Gabriele Tarquini foi o melhor dos Seat, no quarto lugar, enquanto que Tiago Monteiro, que partiu do oitavo posto, esteve muito tempo nesse lugar mas a perdeu muito perto do final a favor do britânico Andy Prilaux, da BMW, acabando no nono lugar e conseguindo mais alguns pontos.

E isso poderia ter sido decisivo para a segunda corrida, pois aqui Prilaux largou para a segunda corrida no primeiro lugar, rumo à vitória. E Monteiro foi um dos pilotos que não chegou ao fim. O vencedor de uma das corridas em Portimão envolveu-se num toque com o hungaro Norbert Michelisz na segunda volta, acabando por provocar uma saída de pista do Seat de Jordi Gené, antes de ser novamente tocado por Tom Boardman, terminando ali o seu fim-de-semana.

Esta foi uma corrida onde os BMW dominaram, com Turkington a acabar no segundo lugar, à frente dos Seat de Gabriele Tarquini e Tom Coronel. Yvan Muller acabou no quinto posto. O WTCC volta à acção dentro de duas semanas, no fim de semana de 31 de Julho, no circuito checo de Brno.

GP Memória - Holanda 1965

Uma semana depois da Formula 1 ter corrido em Silverstone, máquinas e pilotos atravessal o Mar do Norte para correr na pista de Zandvoort, palco do GP da Holanda, sexta ronda de um campeonato cada vez mais dominado por Jim Clark e a sua Lotus.

Depois de na pista inglesa o pelotão se ter alargado com a entrada de diversos pilotos locais, na Holanda as coisas voltaram um pouco à normalidade, essencialmente com as equipas oficiais e mais as entradas da Reg Parnell, com Richard Attwood e Innes Ireland, da Rob Walker Racing com Jo Siffert e Jo Bonnier, e inscrição individual de Bob Anderson.

Nas oficiais, tinhamos a Lotus com Jim Clark e Mike Spence, a BRM com Graham Hill eJackie Stewart, a Brabham com Dan Gurney e Dennis Hulme - de novo Jack Brabham primava pela ausência - a Cooper tinha Bruce McLaren e Jochen Rindt, a Ferrari tinhaJohn Surtees e Lorenzo Bandini e a Honda desta vez só tinha um carro para o americanoRichie Ginther.

Após as sessões de qualificação, Graham Hill conseguiu superar o carro de Jim Clark, que tinha também na primeira fila o Honda de Ginther, sinal de que se trabalhava bem no lado japonês. John Surtees era o quarto, seguido pelo Brabham de Gurney. Na terceira fila estavam o segundo BRN de Stewart, o segundo Brabham de Hulme e o segundo Lotus de Spence. A finalizar o "top ten" estavam o Cooper de McLaren e o Brabham de Siffert, inscrito pela Rob Walker Racing.

No momento da partida, Ginther surpreende a todos quando sai com o seu Honda na liderança da corrida. A coisa era algo inusitada, mas na segunda volta, Hill apanhou Ginther e ficou no comando da corrida, enquanto que Clark fazia a mesma manobra no final da quarta volta. Logo a sequir, o escocês atacou o BRM de Hill para em pouco mais de uma volta ficar com a liderança da corrida, e se afastar até só voltar a ser visto após a bandeira de xadrez.

Mais atrás, Ginther começava a ficar para trás, sendo superado pelos BRM e Brabham, enquanto que Hill, ao tentar apanhar o escocês, também começava a ter dificuldades de andamento e ficava também para trás, e a meio da corrida cedeu o segundo lugar para o Brabham de Gurney. Pouco depois, Hill foi também superado pelo seu companheiro Stewart, que por sua vez partiu em busca de Gurney, no sentido de apanhar o americano.

O jovem escocês pressionou Gurney até que este cometeu um erro que o fez apossar do segundo lugar, e partiu em busca de Clark, mas este já se encontrava inalcançável, e contentou-se com uma dobradinha escocesa. Com Clark cada vez mais campeão e Stewart a igualar o seu melhor resultado de sempre, Dan Gurney ficava com lugar mais baixo do pódio. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o BRM de Hill, o brabham de Dennis Hulme e o Honda de Ginther, que dava o primeiro ponto de sempre à Honda.

Fontes:

O impressionante acidente de Francisco Carvalho em Brands Hatch



Este fim de semana, o WTCC está de novo em Brands Hatch para mais uma série de corridas, quer da sua principal série, quer das séries mais laterais, o Seat Leon Eurocup e a Formula 2, entre outros. E exactamente um ano depois de se ter assistido a um acidente fatal na Formula 2, com o Henry Surtees, aquela fina linha vermelha entre a sorte e a morte esteve em acção esta tarde, mas aqui tudo correu bem.

O piloto português Francisco Carvalho, no seu Seat Leon, disputava uma posição numa das corridas da tarde quando sofreu um toque que o fez ficar fora de controlo e bater forte nos guard-rails de protecção, capotando várias vezes e caindo perto de um posto de comissários. Eles fugiram e aparentemente todos sairam ilesos.

Desta vez, as coisas acabaram bem.

O dia em que começou os anos 70

"Alinhei na última fila, ao lado de Graham Hill, meu ídolo de infância. Se morresse nesse momento, morria feliz. Tinha atingido o meu sonho - alinhar num Grand Prix de Formula 1"

Emerson Fittipaldi, quando descreveu a sua estreia em Brands Hatch, em 1970.

Se algum dia poderemos dizer qual foi o momento em que poderemos dizer que a década de 70 começou no automobilismo, eu escolhia este 18 de Julho de 1970, pois é perferivel um momento festivo do que um triste. Dezoito meses antes, Emerson Fittipaldi era "Rato" e só era conhecido no Brasil. E mesmo aí era conhecido como o irmão de Wilson "Tigrão" Fittipaldi, que tinha tentado a sua sorte no estrangeiro em 1966, em França, e sem sucesso.

Emerson chegou à Grã-Bretanha no inicio de 1969 decidido a triunfar, e bastou-lhe meia dúzia de meses para passar da Formula Ford para a Formula 3, sempre a vencer, sempre a surpreender todos os que o viam. Tinha só 22 anos, mas corria como um campeão, com um estilo de pilotagem tão suave e limpo, sem excessos. No final do ano já era piloto de Formula 2. Da Lotus.

No inicio de 1970 continuava a sua incrivel adaptação aos carros e a vencer continuamente. Os resultados foram mais do que suficientes para Colin Chapman lhe conceder um teste, que passou com distinção. E ele até queria que se estreasse mais cedo, na Holanda. Mas Emerson, entre o receoso e o cauteloso, afirmou que queria ganhar mais experiência. E assim, decidiu estrear-se numa pista que conhecia: Brands Hatch. E não se saiu mau, pois levou o seu carro até ao fim.

A sua chegada à Formula 1 foi numa altura crucial, onde o panorama estava a mudar de forma quase radical. Mais do que as alterações ao nivel dos chassis, da aerodinâmica e de outros componentes, o pelotão dos pilotos se tornava cada vez mais multilingue: alemães, franceses, suecos, flamengos... todos eles faziam com que o pelotão fosse cada vez menos anglofono. Um pelotão que, menos de dois anos antes, estava cheio de ingleses, americanos, australianos, escoceses, neozelandeses. As retiradas e os acidentes fatais cortavam essa parte, e o resto do Mundo tinha a sua hipótese.

Aliás, nesse ano de 1970 era um ano de mudança. Quando Emerson assenta solo em Brands Hatch, com Graham Hill e John Surtees à sua frente, o lider era austriaco e o seu maior rival era belga. E no pelotão tinham suiços, mexicanos, alemães, franceses, italianos, suecos. E até ao final do ano, dos doze vencedores, somente dois eram de origem inglesa. E tinham ganho as duas primeiras corridas do ano...

Emerson podia ser nesse dia o terceiro piloto de num carro datado. Mas conseguira o que queria. O que não sabia, porém, é que estava ainda a meio da sua ascensão meteórica...

GP Memória - Grã Bretanha 1970

Depois de Charade, a caravana da Formula 1 chegava a Brands Hatch com algumas novidades, estreias e regressos, alguns deles com impacto para a década que aí surgia. O resultado disso tudo é que na pista britânica estavam o incrível numero de 25 carros inscritos para a corrida.

Frank Williams arranjara um substituto para Piers Courage, morto um mês antes na pista de Zandvoort. Tratava-se do veterano Brian Redman, mais conhecido na Endurance do que na Formula 1, e ia guiar o carro projectado pela De Tomaso. Enquanto isso, John Surtees, que se tinha ausentado da corrida francesa, apresentava aqui o seu chassis com o seu nome, esperando que nesta sua nova aventura como construtor, pudesse ser tão bem sucedido como foi nas duas e quatro rodas.

Na Lotus, para além dos dois chassis 72 para Jochen Rindt, o líder do campeonato, e para John Miles, havia mais chassis 49 para outros pilotos. Graham Hill corria no carro inscrito pela Rob Walker, Pete Lovely na sua própria equipa e um jovem brasileiro que Chapman tinha visto na Formula 3 meio ano antes e que vira nele potencial para ser campeão do mundo. O seu nome era Emerson Fittipaldi. Para além dessas razões, havia outras, um pouco mais secretas: Rindt já tinha dito a Chapman que iria retirar da competição no final da época.

A March tinha aqui seis carros presentes. Os dois oficiais, tripulados pelo neozelandês Chris Amon e pelo suíço Jo Siffert, mais dois carros inscritos pela Ken Tyrrell Organization, que iria ser tripulados pelo escocês Jackie Stewart e pelo novato francês Francois Cevért, e dois privados, o de Ronnie Peterson e o de Mário Andretti, que fazia aqui mais uma incursão europeia no meio da sua temporada americana.

A McLaren tinha três carros inscritos, os do costume, tripulados pelo neozelandês Dennis Hulme, pelo americano Dan Gurney e pelo italiano Andrea de Adamich, que corria com o motor Alfa Romeo. A Matra tinha apenas dois carros, para Jean Pierre Beltoise e para Henri Pescarolo.

Na Ferrari, estavam inscritos dois carros, com o belga Jacky Ickx como primeiro piloto e o suiço Clay Regazzoni como segundo, que substituía o italiano Ignazio Giunti. Na BRM estavam inscritos os mesmos três carros, para o mexicano Pedro Rodriguez, o inglês Jackie Oliver e o canadiano George Eaton. Para finalizar, estavam os Brabham do alemão Rolf Stommelen e do australiano, já veterano de 44 anos, Jack Brabham.

Nos treinos, o melhor foi Jochen Rindt, que com o seu Lótus conseguiu bater o carro de Jack Brabham. O terceiro na grelha era o Ferrari de Jacky Ickx, seguido pelo BRM de Jackie Oliver e pelo McLaren de Dennis Hulme. O suíço Clay Regazzoni era sexto, no segundo Ferrari, e John Miles fazia a melhor qualificação do ano, ao conseguir o sétimo melhor tempo, à frente de Jackie Stewart, oitavo no seu March. Mário Andretti era nono e o Matra de Jean-Pierre Beltoise era décimo.

Em relação aos estreantes, Surtees consegue o 19º tempo cm o seu carro, enquanto que Fittipaldi partia da 21ª posição, com Graham Hill logo atrás de si. Anos depois, lembrar-se ia desta ocasião:

Antes da corrida, três carros não iriam partir devido a vários motivos: o De Tomaso de Redman tem um problema mecânico no seu carro que não consegue ser reparado a tempo, o Brabham de Stommelen tem um acidente e as reparações que terão de ser feitas não o colocam pronto a tempo, e o McLaren-Alfa Romeo de Adamich tem problemas de motor que o impede de alinhar na corrida.

Na partida, Rindt é surpreendido pelo Ferrari de Jackie Ickx, que o ultrapassa e toma conta da liderança. Brabham fica com o segundo posto, surpreendendo Rindt, e a ordem fica assim nas primeiras seis voltas. Por essa alturam o carro do belga sofre uma avaria na transmissão em Paddock Hill Bend e encosta-se definitivamente à berma. Brabham herda a liderança, mas pouco depois, Rindt ataca o lugar do australiano e fica com o primeiro lugar.

Contudo, o veterano piloto australiano não deixa fugir Rindt e começa aqui uma batalha pelo primeiro posto. Ambos ficam colados durante grande parte da corrida, fazendo com que os espectadores ficassem presos ao que se passava na pista. Mais atrás, o BRM de Oliver era o terceiro, tendo logo atrás o McLaren de Hulme. As coisas não se alteraram até à volta 54, quando o motor do seu BRM explodiu, deixando Hulme no terceiro posto, com Regazzoni logo atrás.

Na volta 69, Rindt não consegue engatar uma marcha e Brabham aproveitou a oportunidade para o ultrapsssar e ficar com a liderança. As coisas assim ficaram até ao inicio da 80ª e última volta, com Brabham aparentemente a caminho da vitória. Mas tal como acontecera no Mónaco, houve um golpe de teatro, quando a gasolina acabou no seu carro, devido a um calculo mal feito pelo chefe dos mecânicos, um jovem rapaz chamado Ron Dennis... Rindt aproveitou a oportunidade e o ultrapassou, a caminho da sua quarta vitória do ano, terceira consecutiva. E abria cada vez mais a diferença para a concorrência…

Jack Brabham conseguiu levar o seu carro para o segundo lugar, com Dennis Hulme a acompanhá-lo ao pódio. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Ferrari de Clay Regazzoni, o March de Chris Amon e o Lótus privado de Graham Hill. Emerson Fittipaldi conseguiu levar ao fim o seu carro, terminando no oitavo lugar. E era apenas o inicio da aventura…

Fontes:

http://www.grandprix.com/gpe/rr191.html
http://en.wikipedia.org/wiki/1970_British_Grand_Prix