segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Noticias: Tesla já recebeu quase 150 mil encomendas do Cybertruck


O Cybertruck poderá ter um desenho invulgar, mas os consumidores não querem saber disso. E o melhor exemplo foi o numero de encomendas que tiveram nos dias seguintes à sua apresentação: 146 mil, até ontem. Cada uma dessas encomendas recebeu por parte do futuro consumiro um sinal de cem dólares, um décimo dos que tiveram de pagar aqueles que quiserem um Tesla Modelo 3, em 2016, quando foi apresentado. 

É verdade que o preço básico de 39.900 dólares do modelo poderá levantar dúvidas, mas de acordo com a marca, é mais do que suficiente para fazer os modelos no seu primeiro ano de produção. De acordo com Elon Musk, na sua conta do Twitter, “42% [das encomendas] são da versão Dual Motor e 41 por cento da Tri Motor”, perfazendo 83 por cento da procura para as versões mais caras, comercializadas por 49.900$ (a primeira) e 69.900$ (a segunda). Isto significa que apenas 17% dos clientes preferiram a Cybertruck RWD, com apenas um motor e proposta por 39.900$.

E a esse preço, é provável que vá tirar o tapete da Rivian, que está a comercializar o seu R1T a partir dos 69.900 dólares. Mas temos de pensar que o Tesla Cybertruck só poderá aparecer em 2021 ou 2022, e até lá, a marca concorrente poderá respirar um pouco melhor com o seu modelo.

Uma coisa é certa: a Tesla construiu o seu pickup elétrico e como os outros, promete revolucionar a industria automóvel.

Formula E: Organizadores sauditas querem corrida noturna

Os organizadores do ePrix de Ad Diriyah querem ter uma prova noturna em 2020. Os planos estão a ser elaborados, e pretendem que seja o mais sustentável possível, para manter o espírito da competição. Contudo, o plano é complexo e demorará o seu tempo até estar completo.

Carlo Boutagy, da organização, disse que esse é o objetivo: "Descobrimos uma maneira de o fazer a 60 ou 70 por cento sustentável, mas queremos fazer a cem por cento, e isso irá levar tempo", disse ao site e-racing365.com

"As pessoas tem de considerar que, para montar esta pista, demora cerca de duas semanas, e em cinco dias, a estrutura é desmontada para se tornar em ruas normais, onde o transito passa livremente. Se queremos fazer algo único, temos de ter a certeza que primeiro, será temporário, e segundo, sustentável. Portanto, é muito diferente de um Bahrein ou Abu Dhabi", concluiu.

A ideia de uma corrida noturna tem a ver não só por ser único e diferente, mas também para atrair espectadores. Este ano, passado o efeito novidade, não houve muita gente a assistir às corridas do fim de semana saudita, e ter uma prova noturna daria para interligar com os concertos de música que aconteceram no fim de semana da prova - que tinha os Imagine Dragons como cabeças de cartaz. 

Quanto custará ter Ogier na Toyota?


Que Sebastien Ogier vai a caminho da Toyota para se poder despedir do Mundial em grande estilo, isso é um facto. Aliás, a retirada de cena da Citroen tem a ver precisamente com isso: o facto de eles não conseguirem manter o piloto francês nas suas fileiras. Contudo, ter o piloto francês na sua nova equipa tem um preço. E parece ir em torno dos dez milhões de euros para o ter em 2020, não só em termos de salários, como também nas indemnizações.

Segundo conta o jornal finlandês Helsingin Sanomat, existia uma cláusula no contrato de Ogier com a Citroën que impedia o francês de competir para outra equipa em 2020, caso por algum motivo não quisesse ficar na Citroën. Poderia ‘reformar-se’, mas não trocar de equipa. Contudo, a Toyota irá pagar entre quatro e cinco milhões de euros de indemnização, e pagar um valor semelhante em termos de salários. Claro, é um dinheiro interessante que a Ciroen receberá, mas não irá ficar com ele, porque irá usar para, por exemplo, pagar as multas ao promotor do WRC, pela sua retirada antecipada, e a Esapekka Lappi, que tinha um contrato e de repente, fica desempregado.

Contudo, ter Ogier apenas por um ano - o francês já disse que não pretende correr para além da próxima temporada - a Toyota terá de passar pelo mesmo assunto dentro de doze meses, mais coisa, menos coisa, logo, tem de pensar no longo prazo. E se calhar, Kalle Rovanpera deverá ser o tal piloto que será essa garantia para a nova década dos ralis.

A ver vamos, pois falta saber qual vai ser o alinhamento da marca japonesa para a próxima temporada.

domingo, 24 de novembro de 2019

A imagem do dia

Na minha homenagem que fiz ontem ao Joaquim Moutinho, bi-campeão nacional de ralis em 1985 e 86, único vencedor português numa prova do WRC, morto na sexta-feira aos 67 anos, deixei de lado um capítulo da sua curta, mas fulgurante carreira nos ralis nacionais, a bordo do mítico Renault 5 Maxi Turbo - a matricula NG-81-41 entrou no imaginário nacional de uma geração. Esse episódio aconteceu no Rali do Algarve de 1984, que como agora, era a prova de encerramento do Nacional de ralis. E é um episódio que entra na história pelos piores motivos.

Naquele ano, como já tinha dito ontem, Moutinho, apoiado pela Renault Portuguesa, entrou de rompante no panorama nacional de ralis, contra Joaquim Santos e o seu Ford Escort RS, inscrito pela Diabolique, a equipa montada pelo Miguel Oliveira, seu navegador. E aquela temporada tinha sido a de um verdadeiro duelo entre os "Joaquins" que empolgava os fãs e fazia vender jornais.

E tudo iria ser resolvido no Rali Algarve. Aí, o duelo Ford vs Renault era forte, pois era um vencia, ora outro respondia com o melhor tempo na classificativa seguinte. Contudo, na zona de Monchique, alguém - nunca se soube quem - colocou uma barra de ferro com dentes pontiagudos, no intuito de fazer colocar Moutinho fora da estrada. Quando o Renault passou, todos os quatro pneus furaram e ele não teve outro remédio senão abandonar, entregando o título para Santos. Ninguém acredita que tenha sido um ato da concorrência, mas todos aceitam a ideia de que foi um acto de vandalismo puro e duro. Anos depois, Moutinho ainda ficava perturbado com esse acto, que considerava como "nojento".

Mas depois de ter mostrado o que tinha a mostrar, Moutinho estava imparável nos dois anos seguintes, vencendo ambos os campeonatos, e forçando a concorrência a ir arranjar um Grupo B, o Ford RS200, cujas consequências foram os que soubemos na Lagoa Azul... e deu a Moutinho a sua vitória mais amarga da sua carreira.

Formula E: Félix da Costa frustrado com o fim de semana

António Felix da Costa sai de paragens sauditas bem decepcionado. Tendo carro para andar entre os da frente, problemas de travões na sexta-feira e uma penalização no sábado impediram-no de fazer melhor. Dos 50 pontos possíveis, o piloto de Cascais sai com um décimo posto e uma volta mais rápida, o que aliado à vitória num dos grupos, o fez obter três pontos, claramente insuficiente para as suas aspirações para o fim de semana e para o campeonato.

Ainda por cima, na corrida de sábado, fex um bom arranque, chegando ao segundo posto, quando os comissários investigaram as circunstâncias da sua ultrapassagem a Sebastien Buemi, do qual verificaram que tinha sido demasiado musculada, obrigando-o a um "drive through", fazendo-o cair para o fundo do pelotão, recuperando o mais que podia, e ainda beneficiando de penalizações para chegar ao décimo posto, o último pontuável.

"De facto é um fim de semana decepcionante", começou por dizer o piloto da DS Techeetah. "Hoje [ontem] tínhamos andamento e as armas para lutar pela vitória e honestamente depois de rever as imagens, não estou nada de acordo com a penalização que me foi imposta. No briefing de pilotos falou-se e acordou-se que não se podia travar em demasia naquela curva, quando se fosse recolher o 'attack mode'. O Buemi fez isso e não havia nada que eu pudesse fazer para o evitar à velocidade que ele ia. Como já disse é um inicio de época muito decepcionante, principalmente tendo em conta o forte andamento que tivemos aqui em Riade", analisou.

A Fórmula E faz agora uma pausa e regressa dia 18 de Janeiro, para a 3ª ronda do campeonato, a ter lugar em Santiago do Chile.

Youtube Motoring Challenge: The Grand Tour no Mekong


Os Três Estarolas - Jeremy Clarkson, Richard Hammond e James May - estão de volta. Não vão fazer séries a testar carros, mas vão fazer as grandes viagens que faziam, quer no Top Gear, quer no The Grand Tour. E desta vez foram de barco pelo rio Mekong abaixo, do Laos até ao Vietname, tentando armarem-se em espertos... acho.

O episódio vai ser mostrado a 13 de dezembro, e já há um trocadilho entre "seamen" (marinheiros) com... vocês sabem. 

sábado, 23 de novembro de 2019

CNR: Paulo Neto vai de R5 em 2020


Depois de oito anos de ralis, Paulo Neto vai mudar de montada. Em 2020, será um Skoda Fabia R5 que terá nas suas mãos, disposto a lutar por melhores lugares no campeonato nacional de ralis, depois de todo este tempo a andar num Citroen DS3 R3. 

“Já há dois anos que começamos a avaliar a possibilidade de passarmos de um duas rodas motrizes para um carro melhor, pelo que o passo natural era um carro da categoria R5, com quatro rodas motrizes e que está no topo em termos de carros admitidos para o Campeonato de Portugal de Ralis”, começa por contar Paulo Neto.

O piloto explica as razões porque mudou de montada. 

“Surgiu a oportunidade de adquirir um Skoda Fabia R5, com muito material suplente, pelo que decidimos avançar já com a ideia de podermos montar um projeto totalmente novo para a próxima temporada, do qual ainda não podemos adiantar muitos pormenores, ao volante de um carro bem mais competitivo e que é, no fundo, a aspiração de qualquer piloto em termos de evolução na carreira”, continuou.


A preparação vai começar neste fim de semana, com a participação no rali do Cadaval, para depois rumar ao Rali das Camélias.

“Vamos fazer os primeiros quilómetros, como Carro de Abertura no Rali do Cadaval, que se realiza na Serra de Montejunto, no próximo dia 23. O objetivo é só mesmo fazer quilómetros ao volante do novo carro, de modo a ficar a conhecer o seu comportamento, preparando também a nossa presença no Rali das Camélias, que vencemos à geral em 2018. Obviamente que a expetativa de conduzir um Skoda Fabia R5 é muito grande, mas quero fazer uma evolução gradual, sem pressas e dentro das minhas possibilidades, de modo a poder desfrutar ao máximo esta experiência, pois será seguramente o melhor carro de ralis que já conduzi na minha carreira."

Formula E: Sims sai vitorioso de terras sauditas

Alexander Sims saiu hoje de Ad Diyriah com a vitória na mão, num triunfo para a BMW Andretti, na segunda corrida do fim de semana saudita. Sims superou o Audi de Lucas di Grassi, que ficou com o segundo posto, na frente de Stoffel Vandoorne, num Mercedes. Maximilian Gunther, inicialmente no segundo posto, foi penalizado em 24 segundos e perdeu esse lugar para o piloto belga.

Já em relação a António Félix da Costa, apesar do sexto posto na grelha de partida, ficou inicialmente fora dos pontos, com a consolação a ter a volta mais rápida. Mas por causa das penalizações, ele acabou por subir à décima posição, ficando não só com o ponto relacionado com o lugar, mas com o ponto extra da volta mais rápida.

Depois de uma qualificação onde o melhor foi Sims, que conseguiu a sua segunda pole-position do fim de semana, a corrida começou com o britânico a liderar, enquanto o português da Techeetah era quarto, já que Jean-Eric Vergne partia de último, após ter trocado e bateria. O português aproximou-se de Lucas di Grassi e conseguiu passá-lo, sendo terceiro. Logo a seguir, apanhou Sebastian Buemi e começou a ameaçar o segundo lugar. Pouco depois, o piloto português superou-o para ficar com o segundo posto. Mas a ultrapassagem foi através de um toque, e a direção de corrida investigou as suas circunstâncias. Pouco depois, o piloto português leva um drive through e caiu para o fundo do pelotão.

A meio da prova, o Safety Car entrou na pista. A razão foi porque Mitch Evans colocou Sam Bird contra o muro e os destroços foram mais que suficientes para bloquear a pista. Os comissários andaram a limpar a pista de destroços, mas logo a seguir, Robin Frijns bateu no muro, fazendo sair de novo o carro de segurança para a pista.

Quando o carro voltou para as boxes, a corrida recomeçou com Gunther a ser segundo, pressionado por Di Grassi para ficar com o lugar. Atrás, Félix da Costa começou a subir lugares para tentar chegar perto dos lugares pontuáveis, mas no final, conseguiu cortar a meta apenas na 13ª posição, apesar de fazer a volta mais rápida na sua última volta.

No final, Sims estava feliz pela sua vitória:

"Foi uma corrida de sonho. De onde posso ver, digo que conseguimos executar tudo, tomamos as decisões certas nos momentos certos, tudo deu certo hoje. Tenho feito isso desde há vinte anos, não é algo que acontece sempre. Mas precisa fazer seu trabalho, manter-se longe de distrações. Mas, sim, cruzar a linha de chegada foi uma sensação incrível. Todo o ano passado e ontem são lições que aprendemos, vamos continuar o aprendizado no futuro. Sei do esforço que a equipa tem colocado nisso. Vencer é muito bom.", afirmou.

Agora, a Formula E vi para paragens sul-americanas, rumo a Santiago do Chile, onde a 10 de janeiro haverá a terceira prova do campeonato.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

A imagem do dia (III)

A meio dos anos 80, nos ralis em Portugal, apoiavas um Joaquim. O problema era no apelido. Se fosse um Ford Escort, era o Santos, apoiado pela estrutura da Diabolique. Se fosse um Renault 5 Turbo, o apelido era o Moutinho. Ambos eram velozes, e tinham sempre boas máquinas onde poderiam mostrar os seus talentos. 

Em 1985, Joaquim Moutinho tinha uma extensa carreira atrás de si. Tinha começado em 1972 no Rali Académico, com 20 anos de idade, estado na velocidade, guiando o Porsche de Grupo 5 na Velocidade e um Opel Commodore GS/E de Grupo 1. Era um piloto de velocidade, de circuitos, até que em 1983, faz o Rali da Madeira num Renault 5 Turbo. Quem lá estava era Patrick Landon, um homem da Renault Sport, que o convidou para fazer ralis integrado na Renault Portuguesa. Um carro oficial, verdade, mas ele considerava um bólide difícil de alinhar. 

O desafio era bom demais e ele aceitou. Navegado por Edgar Fortes, o seu primeiro rali foi o Rali Sopete, em 1984, acabou a vencer e a partir dali, foram quinze vitórias em provas de ralis, sendo que o mais famoso dos quais foi em 1986, no tristemente célebre rali de Portugal. O primeiro - e até agora único - piloto português a vencer uma prova do WRC. Mas ele mesmo disse que, dadas as circunstâncias, não teve o mesmo gosto dos outros triunfos.

E pelo meio, dois títulos nacionais, graças quer à velocidade de ponta do piloto, quer ao carro, um dos melhores e não sendo um "grupo B puro". Aliás, o primeiro Grupo B puro foi o Ford RS200 de Joaquim Santos, que ironicamente, foi o protagonista do tristemente célebre acidente da Lagoa Azul.

O Renault 5 Turbo não teve um final feliz. No Rali dos Açores de 1986, o carro teve um problema e viu-se consumido pelas chamas. No final desse dia, o piloto decidiu abandonar os ralis, pois tinha cumprido o seu dever.

Joaquim Moutinho morreu hoje, aos 67 anos. Estava doente há algum tempo. Assim fecha uma era nos ralis neste retângulo à beira-mar plantado, uma em que coincidiu a minha infância. Ars lunga, vita brevis.

A imagem do dia (II)


Aconteceu na madrugada desta sexta-feira em Los Angeles: a Tesla decidiu mostrar o seu longo aguardado "pickup" elétrico, e como sempre, a Tesla conseguiu dar nas vistas. Mas enquanto toda a gente andou a olhar para a aparência "chocante", esqueceram-se do que esta máquina poderá ser outra revolução no automóvel.

Mas vamos por partes: Elon Musk disse que a carrinha iria ser algo semelhante ao Blade Runner - e faz sentido, porque agora estamos no ano em que se passa esta aventura - e ele não desiludiu. Só que todos esperavam algo conservador, na linha do Rivian R1T. Não foi: parece a carrinha que vai levar para Marte. Contudo, a razão é interessante, porque é um chassis monobloco, como se fosse um exoesqueleto, e isso tem vantagens, especialmente em caso de colisão. Afinal de contas, eles garantem que aguenta tudo... mas na demonstração, o vidro estilhaçou.

Contudo, o que me interessa é saber, para além dos mil cavalos de potencia, e o carregamento será de 250 kw de potencia, que a bateria tem uma autonomia de 500 milhas, ou 800 quilómetros. Se esse número for real, vai significar um novo pulo. Há uma década, falar de uma bateria com essa autonomia seria utópico. Mas essas utopias estão a acontecer, para o mal dos anti-elétricos. Agora que o argumento do "lento" não pega, e a do "tem pouca autonomia" já não é valido, começam a falar do "polui ainda mais que os carros a gasolina" no processo de fabrico dos chassis e das baterias. E como vão também perder nesse argumento, já tem na manga um novo: a do "hidrogénio é melhor". Escusado será dizer que polui mais, é mais complicado ainda e todos os projetos que tem sido levados a cabo ultimamente estão a ser trocados pelos do elétrico.

Musk espera ter o Cybertruck à venda em 2021 com um preço "imbatível" entre os 49.900 dólares e os 69.900 dólares, na versão de motor dual. Cá estaremos para ver.

A imagem do dia

Foi apresentada esta semana o percurso do Dakar de 2020, em paragens sauditas. Como em 2019, vai ser uma prova onde acontecerá num só país, e provavelmente será assim no tempo em que o Dakar andar na península arábica.

Tudo será novo para os pilotos, e mesmo os locais não terão a "tal" vantagem que normalmente teriam, pois esses percursos serão virginais para todos. Mas ao partir da costa, Mar Vermelho acima, até perto da fronteira jordana, para depois entrarem dentro do país até à capital, onde farão o seu dia de descanso, e rumarem ao sul, para o Rub Al Khali, o "Quadrado Vazio", que muitos afirmam ser o local mais seco do planeta Terra, todos serão desafiados a darem o seu melhor, não para vencer, mas para sobreviver.

Resta saber como será isto, mas já não falta muito. Afinal de contas, janeiro é "ao virar da esquina", num país que quer se abrir ao mundo e receber tudo que seja automobilismo. Porque depois da Formula E e do Dakar, eles querem também a Formula 1. É uma questão de tempo.

Youtube Motorsport Animation: "Le Mans 1955 - Mortelle Competition"


Que o automobilismo tem histórias mais do que suficientes para fazer livros e filmes, é um facto. Mais raro é ver uma curta-metragem animada sobre um capítulo da história, ainda por cima um infame: o acidente da edição de 1955 das 24 horas de Le Mans, onde mais de oitenta pessoas perderam a vida quando o Mercedes de Pierre "Levegh" catapultou-se para as bancadas na reta principal do circuito. 

"Le Mans 1955 - Mortelle Competition" tem cerca de quinze minutos e vai estar a concorrer para os Óscares, na categoria de Curta Metragem Animada, e no ano em que se fala da edição de 1966, também se pode falar de outras edições de uma prova que não sai da imaginação das pessoas. E não se admira porque é a competição mais admirada em todo o mundo.

Formula E: Bird é o melhor na primeira corrida do ano

Sam Bird foi o melhor na pista de Ad Diriyah, em terras sauditas. O piloto da Virgin superou o Porsche de André Lotterer, enquanto Stoffel Vandoorne foi o terceiro, no seu Mercedes. A DS Techeetah teve uma má corrida, com Jean Eric Vergne a desistir e António Félix da Costa a não ser melhor que 14º, depois de uma má qualificação.

Numa pista escorregadia, e depois dos Mercedes mostrarem-se perante ao mundo - onde é que já vimos isto? - foi o BMW de Alexander Sims a ser o melhor, enquanto os DS Techeetah tiveram uma má qualificação, com Jean-Eric Vergne na 11ª posição e António Félix da Costa onze lugares mais abaixo devido a problemas técnicos.

Na partida, Sims manteve o comando e os pilotos foram cautelosos para evitar batidas logo nos primeiros metros. Nas voltas seguintes, o britânico contiuava na frente de Vandoorne e Nick De Vries, os pilotos da Mercedes, enquanto Edoardo Mortara, o piloto da Venturi, aguentava o pelotão. Sebastien Buemi foi a primeira desistência do ano, na terceira volta. Pouco depois, James Calado tornava-se também no primeiro a usar o Attack Mode.

Depois, Sam Bird, André Lotterer e Oliver Rowland aproveitaram para passar pelo Attack Mode, indo mais velozes, para sobretudo, passar Mortara. O britânico aproveitou para pressionar fortemente o suíço da Venturi, o que conseguiu na volta seguinte. Na mesma altura, os Mercedes passaram pelo Attack Mode para tentar apanhar Sims, que começava a distanciar-se. Mas este também foi para aí na volta seguinte, tentando estar um pouco mais igual que os seus rivais.

A meio da corrida, os Mercedes estavam em cima de Sims, mas não esboçavam qualquer ataque, especialmente quando o quarto classificado, Sam Bird, também estava perto deles. É ele o primeiro a ir pela segunda vez para o Attack Mode. A 16 minutos do fim, ao mesmo tempo que Vergne desistia devido a um toque no muro, Nick de Vries era surpreendido por Sam Bird e o britânico era terceiro. E atacava Vandoorne quando ambos atacavam Sims e o belga estava na liderança, mas pressionado por Bird.

A pouco mais de dez minutos, Bird assediava Vandoorne, agora com André Lotterer no terceiro posto. O britânico partiu para o ataque e conseguiu a liderança. O belga da Mercedes estava agora a ser assediado pelo alemão da Porsche, enquanto Alex Sima era pressionado pelo Nissan de Oliver Rowland. E pouco depois, o piloto da Nissan ficou com a quarta posição.

A seis minutos do fim, o Safety Car entra inesperadamente na pista. A razão tinha a ver com Daniel Abt, que tinha batido no muro e deixou peças na pista. A prova volta à ação a cerca de dois minutos do final - cerca de três voltas - onde Bird consegue distanciar-se de Lotterer, que conseguiu passar Vandoorne para ser segundo.

Com isto, Bird entrava na história por ser o primeiro a vencer em todas as temporadas da competição, e claro, o primeiro líder da competição. Amanhã há mais corrida, no mesmo local.

Apreciação critica sobre "Ford vs Ferrari"


Quando, ao vemos um filme e lemos a frase "baseado numa história real", somos levados a acreditar que vão contar as coisas ponto por ponto. Nada mais errado, mas as pessoas acreditam nisso. E como disse ontem, quando escrevia o último capítulo sobre o duelo entre Ford e Ferrari - podem ler aqui, caso queiram - não esperem toda a história do duelo enfiado em duas horas e meia de película. Aliás, o título é enganador, é um chamariz: na realidade, é a relação entre Carrol Shelby, uma lenda do automobilismo, e o britânico Ken Miles, que ajudou a desenvolver o GT40, um dos carros mais míticos da história do automobilismo.

E é isso que este filme se trata: é a história de dois homens e um objetivo. Nesse campo, é um filme muito bom. Há cenas fantásticas - para mim, a melhor delas é a reunião da Ford com Enzo Ferrari e a resposta a Henry Ford II, onde o atinge no seu orgulho - e os cenários, embora não todos reais, conseguem ser verosímeis, como Daytona, Le Mans, e a mitica reta das Hunaudriéres.

As cenas são boas, tive impressão de andar a ver episódios do "Mad Men", onde o contraste entre Dearborn e Maranello era grande, e as interpretações dos dois atores a fazer de Shelby e Miles, bem como a sua família, onde se vê que a chance de correr pela Ford aconteceu numa altura em que ele estava aflito de finanças - a sua oficina tinha sido forçada a encerrar quando o IRS lhe fez uma visita, em 1963.

Agora, há cenas inverosímeis, e maior delas todas é Enzo Ferrari em Le Mans. Ele nunca viu corridas ao vivo depois da II Guerra Mundial, e só ia a Monza. Portanto, vê-lo nas boxes na clássica francesa é simplesmente... hollywoodesco.

Mas claro, vejam o filme com mente aberta. Não quero que esqueçam isto: é um filme americano, que conta uma vitória americana. De uma certa forma, o "spoiler" está contado desde 1966. Mas mesmo assim, vale a pena. Por causa da relação humana entre dois excelentes personagens e de um tempo que já não volta mais, Nesse campo, está bem feito, as recriações são excelentes, e as paisagens são fantásticas.

Em suma: vale a pena o dinheiro gasto para o bilhete. E acho que ambos vão ter nomeações para os Oscares, e mais alguns em termos técnicos e realização, talvez melhor filme. Se isso acontecer, vai entrar na imaginação dos "petrolheads" como entrou "Grand Prix", "Rush" ou "Le Mans". 

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Ford versus Ferrari - A verdade por trás do filme (Final)

(continuação do capitulo anterior)


IMPACTO CULTURAL


A 14 de junho de 1969, em Le Mans, o piloto belga Jacky Ickx fica imóvel enquanto observa todos os outros pilotos correrem para os seus carros. Deixa-os partir e só então caminha para o seu Ford GT40 inscrito pela JW Automotive, a equipa de John Wyer. Vinte e quatro horas depois, menos de 200 metros separam ele de Gerard Larrousse, este guiando num Porsche 908, uma das distâncias mais pequenas de sempre numa prova de 24 Horas. Iria ser a primeira vitória do piloto belga, que nessa prova fazia dupla com o britânico Jackie Oliver, mas ela tinha ficado marcada pelo acidente mortal, ainda na primeira volta, do britânico John Woolfe, que a bordo de um Porsche 917, perdera o controlo do seu carro na Maison Blanche. No ano seguinte, a partida em corrida foi abolida e em 1971, a saída dos carros acabou por ser em grelha, numa partida lançada.

Entre os espectadores, estavam alguns VIP's. Um deles era Steve McQueen, ator de Hollywood, que um ano antes, tinha filmado "Bullit" com a primeira cena de perseguição automóvel da era moderna, entre um Ford Mustang "fastback" e um Dodge Charger. Mas McQueen, um conhecido "petrolhead", não vinha ali só para ver os carros passar: ia fazer um filme sobre a corrida. E estava disposto a pilotar um carro. Em 1970, ao lado de Peter Revson, fora segundo classificado nas 12 Horas de Sebring, e tinha um 917 para si, correndo ao lado do escocês Jackie Stewart. Contudo, o estúdio de Hollywood vetou a sua participação, deixando-o fazer o filme.

Contudo, apesar das cenas realistas e da participação de diversos pilotos, "Le Mans", estreado em 1971, foi um fracasso de bilheteira. Contudo, com o passar dos anos, tornou-se um clássico de culto e ajudou a cimentar a lenda de McQueen, que acabaria por morrer nove anos depois, em 1980. Um ano antes, em 1979, outro ator de Hollywood, Paul Newman, entrou num Porsche 935 e acabou a prova no segundo posto. A presença de McQueen, Newman, e a entrada de Hollywood em cena mostra até que ponto a corrida tinha ficado na imaginação das pessoas em paragens americanas. Mas durante a década de 70, isso diminuiu um pouco em favor de outros assuntos, outros desportos.

Três anos parecem não ser nada em termos automobilísticos, mas as mentalidades tinham mudando. A segurança começava a ser um tópico fortemente discutido, e todos, desde os pilotos aos organizadores, sentiam que tinham de fazer algumas coisas nesse capítulo. O acidente de Jackie Stewart no GP da Bélgica de 1966, uma semana antes das 24 horas daquele ano, despertou no piloto escocês a ideia de que eles não poderiam mais entrar nos cockpits dos seus carros sem ter garantias de que poderiam voltar a sair inteiros. A tolerância para com circuitos com limites em fardos de palha, por exemplo, tinha chegado ao fim, e mortes inúteis já eram demasiados.

Nesse tempo, alguns dos pilotos presentes em 1966 já tinham sofrido o seu destino. Lorenzo Bandini, o piloto que liderou a Ferrari depois da saída de John Surtees, morreu a 10 de maio de 1967, três dias depois de um acidente no GP do Mónaco, onde foi retirado do seu carro em chamas com 90 por cento do seu corpo queimado e seus pulmões irreversivelmente destruídos. Um ano depois, a 8 de junho de 1968, outro dos italianos da Ferrari, Ludovico Scarfiotti, sobrinho de Gianni Agnelli, sofria um acidente fatal quando corria num Porsche numa proa de montanha.

Em contraste, Phil Hill, piloto da Ferrari no inicio da década, sobreviveu para contar a sua história. Parou de correr em 1967, tornou-se comentarista e restaurador de automóveis e morreu aos 81 anos, a 28 de agosto de 2008.

Nesse ano de 1969, a Ferrari continuara em busca da vitoria em Le Mans, mas eles não sabiam que não iriam mais triunfar em La Sarthe. A Ford, após o seu triunfo, transformou-o em domínio: tinha sido o primeiro nas edições de 1967, com Dan Gurney e A.J Foyt, e em 1968, com o mexicano Pedro Rodriguez e o belga Lucien Bianchi. E mesmo no triunfo, ele iria assistir de forma indireta ao outro lado das corridas: o seu irmão Mauro Bianchi participava na prova ao volante de um Alpine, numa condução partilhada com o francês Patrick Depailler quando se despistou na zona dos Esses a mais de 220 km/hora, e sofreu uma colisão. O veículo explodiu e Bianchi foi retirado com vida, mas queimado em boa parte do corpo. E mesmo o próprio Lucien não ficou vivo muito mais tempo: em abril, nos testes para as 24 Horas, despistou-se ao volante de um Alfa 33 e bateu contra um poste telefónico, matando-o de imediato.

A vitória de Ickx e Oliver foi a última da Ford em Le Mans. Já tinham alcançado o seu objectivo, outros apareciam no seu horizonte. A ameaça dos pequenos carros japoneses, vindos da Honda, Toyota e Nissan nas vendas de carros na América era uma preocupação. Lee Iaccoca tenta contrariar isso com o modelo Pinto, mas torna-se num fracasso de vendas, sobretudo por causa do defeito no depósito de gasolina que o deixava vulnerável a colisões de traseira. As tensões entre Iaccoca e o "Deuce" foram tais que ele foi despedido em 1978. No ano seguinte, Iaccoca tornou-se no CEO da Chrysler com um objetivo em mente: salvá-la da falência. A sua presença entrou na história como um dos maiores casos de sucesso da história dos automóveis na América e colocou-o no panteão dos grandes dirigentes, ao lado... de Henry Ford II.

A segurança, um tema que em 1966 começava a ser referido, tornou-se gradualmente no centro das atenções. Os carros ficaram mais velozes, e ergueram-se barreiras de segurança de metal, como guard-rails. E certas partes foram modificadas para refletir essa preocupação. A Maison Blanche desapareceu para dar lugar às Curvas Porsche, e a longa reta das Hunaufriéres passou a ter, a partir de 1990, duas chicanes para refrear as velocidades: dois anos antes, um WM-Peugeot, automóvel francês, tinha chegado a um máximo de 400 km/hora. Novas boxes foram construídas em 1991. E as duplas de pilotos passaram a ser triplas. A última dupla vencedora em La Sarthe foi em 1984, com o francês Jean-Pierre Jassaud e o alemão Klaus Ludwig, ambos num Porsche 956 Turbo.

Mas em 1969, Ford e Ferrari tinham a companhia da Porsche. Participante secundário desde o inicio dos anos 50, nesse ano trouxeram o modelo 917, que iria mudar o automobilismo para sempre. No ano a seguir, venceu com o britânico Richard Attwood e o alemão Hans Herrmann. A Ferrari, como sempre, reagiu com o modelo 512, mas não mais foi capaz de vencer em La Sarthe, mesmo com a injeção de dinheiro da Fiat, que nesse ano chegou a acordo com a marca de Maranello para ficar com 50 por cento da marca, e toda a liberdade que Ferrari queria. Contudo, em 1973, com a chegada do jovem Luca de Montezemolo, vindo da Fiat, a Scuderia optou por ficar na Formula 1 e deixou a Endurance de vez, pelo menos a nível oficial.

Hoje em dia, a Porsche é a maior vencedora, com 19 vitórias, a última das quais em 2017. A Ferrari é a terceira marca mais triunfadora, com nove vitórias, enquanto a Ford ficou-se pelas quatro, as mesmas que a Alfa Romeo.


TODOS TIVERAM O SEU DESTINO


Quanto às personagens, depois de 1966, o destino os colocou em pontos diferentes. Henry Ford II, depois de alcançar o seu objetivo, concentrou-se nas suas atividades até 1979, altura em que se reformou. Morreu aos 70 anos, a 29 de setembro de 1987, com uma pneumonia. Enzo Ferrari seguiu-lhe pouco menos de um ano depois, a 14 de agosto de 1988, em Maranello, aos 90 anos de idade.

Carrol Shelby, depois de ter construído carros vencedores e colocado o seu nome nos modelos de estrada da Ford, fechou o negócio no final da década para fazer outras atividades. Regressou no inicio da década de 80, a pedido de Lee Iaccoca, para apimentar os modelos da Dodge, com algum sucesso.

Bateu todas as probabilidades de vida: em 1990, recebeu um coração novo, de um jogador de poker de Las Vegas, então com 38 anos de idade. Seis anos depois, levou um rim novo de um dos seus filhos, e viveu a gozar todo o seu prestígio dos carros que construiu e dos feitos que alcançou até à provecta idade de 89 anos, a 20 de maio de 2012. Já Iaccoca, o homem que fez nome não num, mas em duas companhias de automóveis, viveu ainda mais tempo, acabando por morrer aos 94 anos, a 2 de julho de 2019.

Dos pilotos, quatro deles tornaram-se construtores, com sortes diferentes. Em 1966, Bruce McLaren já tinha construído carros seus e colocado na Formula 1, mas conheceu sucesso na americana Can-Am. Esperava que Chris Amon o seguisse, mas em 1967, teve a oferta tentadora de pilotar pela Ferrari, que aceitou. No seu lugar veio Dennis Hulme, e juntos marcaram história quer na Formula 1, quer na Can-Am. A certa altura, essa competição foi batizada de "Bruce and Denny Show".

McLaren deu à sua equipa a sua primeira vitória na Formula 1, quando venceu o GP da Bélgica de 1968. A 2 de junho de 1970, quando testava o modelo M8D no circuito britânico de Goodwood, sofreu um acidente fatal. Tinha 32 anos. Seis anos antes, numa homenagem ao americano Timmy Mayer, morto num acidente no circuito australiano de Longford, numa prova da Tasman Series, uma competição dividida entre a Austrália e a Nova Zelândia, escreveu o seguinte:

"A noticia de que ele [Mayer] teve morte imediata foi um terrível choque para nós, mas quem pode dizer que ele não viu mais, fez mais e aprendeu mais nos seus curtos anos do que muitas pessoas na vida? Fazer algo bem vale tanto a pena que morrer tentando fazê-lo melhor não pode ser imprudente. Seria um desperdício de vida não fazer nada com a capacidade de alguém, pois sinto que a vida é medida em realizações, não em anos."

Amon teve uma carreira longa na Formula 1, Can-Am e na Endurance, mas ficou na história como sendo o melhor piloto que nunca venceu uma corrida. O seu epíteto de "rei do azar" foi de tal forma que Mário Andretti disse o seguinte: "se ele fosse coveiro, as pessoas parariam de morrer". Em 1976, depois de ver o acidente de Niki Lauda em Nurburgring, decidiu pendurar o capacete de vez, dois anos depois de ter tentado ser construtor, sem sucesso. Regressou à sua Nova Zelândia natal e viveu até ao dia 3 de agosto de 2016, quando tinha 73 anos de idade.

Dan Gurney, outro dos pilotos da Ford, acabou por ter a sua hora em 1967, ao lado de A.J. Foyt. Quando chegou ao pódio, pegou na garrafa de champanhe, e em vez de o beber, decidiu despejar o conteúdo nas pessoas à sua volta, incluindo Henry Ford II e a sua esposa. Tornou-se no ritual que todos os pilotos fazem sempre que vão a um pódio. Nessa altura, ele já tinha construído a All American Racers, com alguma ajuda de Carrol Shelby, e uma semana antes, no circuito de Spa-Francochamps, tinha vencido a bordo da sua própria máquina, também batizada de Eagle, com um motor Westlake V12 de três litros.

Gurney correu até 1970 e depois dedicou-se à sua Eagle, especialmente nos Estados Unidos, construindo chassis ao longo de duas décadas e meia, até ao final do século, especialmente na CART. Chegou à velhice e praticamente tornou-se dos últimos a passar à história, morrendo a 14 de janeiro de 2018, aos 87 anos.

John Surtees também teve uma longa carreira no automobilismo. Depois de ter sido despedido da Ferrari, voltou a ganhar na Cooper, e no ano seguinte, triunfou no GP de Itália, em Monza, depois de bater ao "sprint" o carro de Jack Brabham. Os italianos levaram-lhe em ombros, apesar de ter vencido ao serviço da japonesa Honda, o que mostra a popularidade de "Big John" em terras italianas não tinha sido beliscada. Tinha sido uma separação amigável, e nunca houve ressentimentos. Correu na BRM antes de em 1970, montar a sua própria equipa. Correu até 1972, e a equipa durou até 1978, e albergou pilotos como Mike Hilawood, outro piloto de motos que se aventurou nas quatro rodas, o brasileiro José Carlos Pace, o britânico John Watson, o australiano Alan Jones e o italiano Vittorio Brambilla, mas nunca venceu corridas.

Surtees retirou-se, mas reapareceu em 2008 para apoiar o seu filho Henry, que estava a tentar chegar à Formula 1. Contudo, a 19 de julho de 2009, numa prova de Formula 2 em Brands Hatch, ele levou com uma roda no seu capacete, causada por um acidente entre outros dois pilotos que lhe causou a sua morte. O pai decidiu criar uma fundação com o seu nome e lá permaneceu até morrer, a 10 de março de 2017, aos 83 anos.

Dennis Hulme, o parceiro de Miles na edição de 1966, tornou-se no único campeão do mundo do seu país natal e triunfou também na Can-Am. Quando McLaren morreu, tornou-se alma da equipa até 1974, ano em que se retirou. Precisamente o ano em que a marca alcançou o seu primeiro título mundial com o seu companheiro de equipa, o brasileiro Emerson Fittipaldi, ao volante. Não ficou muito tempo na reforma na sua terra natal, pois em meados da década de 80, saltou para os Turismos, e foi a bordo de um BMW Série 3 que a 6 de outubro de 1992, quando disputava a Bathurst 1000, a prova mais importante do automobilismo australiano, sofreu um ataque cardíaco fatal quando estava ao volante.

O impacto da Ford no automobilismo foi enorme, não só na Endurance. No mesmo ano em que Ford bate a Ferrari em Le Mans, o executivo britânico Walter Hayes, amigo pessoal de Henry Ford II, pede a dois preparadores compatriotas seus, Mike Costin e Keith Duckworth, para fazer um motor V8 de três litros para a Formula 1. Quando se estreou, nos Lotus 49 de Jim Clark e Graham Hill, no GP da Holanda de 1967, acabou por triunfar nas mãos do piloto escocês. O que nem Clark, Hayes, Costin, Duckworth e outros não imaginavam nesse dia em Zandvoort era que essa iria ser a primeira de 155 vitórias, até 1983, quando o italiano Michele Alboreto cortou a meta na primeira posição no GP dos Estados Unidos, a bordo do seu Tyrrell. Simbolicamente, a corrida nesse ano aconteceu nas ruas de Detroit, a capital do automóvel americano. A Ford, em ambas as margens do Atlântico, marcou uma era.


CONCLUSÃO


Como já viram, não é a primeira vez que Hollywood se aventura na clássica de Endurance. Mas aos que já viram "Ford versus Ferrari" ou "Le Mans' 66", ou aos que vão ver, não esperem ver isto tudo tudo enfiado em duas horas e meia de filme. O que se trata, acima de tudo, é da relação entre duas pessoas com um objetivo em comum: bater os europeus na sua própria coutada. Antes da Ford chegar, os americanos nunca se tinham verdadeiramente interessado em correr na Europa. Esta é a sua primeira grande ofensiva.

"Ford versus Ferrari" é um filme americano, logo, sabemos que é uma história contada pelo lado vencedor. O americano gosta de uma história destas, onde eles são os inferiores, trabalharam para isso e acabaram por ficar com os louros. O que este filme se trata são das relações humanas. De pilotos com carisma, que não querem ter a ver com corporativismos, de pessoas que sempre fizeram o que gostaram e conseguiram o seu lugar na história. Os "gearheads" mais empedernidos vão se desiludir, mas quando eles escrevem na tela "baseado numa história real" não vão colocar as coisas a cem por cento. Nunca.

O meu conselho que dou aos que vão ver o filme é ter um espírito aberto e aceitar as liberdades que farão e se divirtam nesse tempo que irá durar o filme. E celebrar o facto que estão a fazer uma coisa destas e não ser aquela horribilidade como foi que Silverster Stallone fez há quase vinte anos com o "Driven". Esta história, de tão rica em pormenores, como acabaram de ler ao longo destes dias, não merece um filme, mas sim uma série da Netflix. Isso sim, seria algo do qual valesse a pena.