quarta-feira, 27 de junho de 2007

Noticias: Prost solidário com Alonso

Era inevitável: com as crescentes comparações entre a situação actual e aquela vivida em 1988/1989 entre Ayrton Senna e Alain Prost, veio a terreno o unico sobrevivente dessa dupla explosiva, que terminou, como todos sabem, no "primeiro incidente de Suzuka", expressando a sua solidariedade ao piloto espanhol.


"Consigo entender na perfeição o que se está a passar. Para além das disputas em pista, tudo se passa bem para lá dos limites do asfalto, já que também se 'joga' com o factor psicológico. Como devem calcular, eu sei bem como se deve estar a sentir o Fernando Alonso. Geralmente, nesta situação, há dois pilotos de gerações diferentes, com o mais novo a contestar o aguardado domínio do mais velho e bicampeão em título, e a imprensa e quase toda a gente, colocam-se do lado do piloto mais novo. É assim mesmo, e eu sei-o melhor que ninguém, já que se passou comigo em duas fases distintas: Quando contestei o favoritismo do Niki (Lauda) e quando tive o Ayrton (Senna) na McLaren.", afirmou numa entrevista, citada pelo Autosport on-line.


"Le Professeur" afirmou que ficou «fortemente surpreendido e impressionado com Lewis Hamilton» e afirma, com algum conhecimento de causa, que não acredita que haja favorecimento da equipa a favor de Hamilton: "Todos esperavam que (Alonso) fosse o Nº1 incontestado. Não é fácil lidar com isso. Eu senti-o, mesmo (sabendo) que não seja verdade que a McLaren favoreça o Lewis, e tenho a certeza que não favorece, isso não impede que o Alonso pense que não é assim, pois qualquer coisa, por mais pequena que seja que lhe corra mal, ele vai ficar com essa sensação." Fala quem sabe...

Capelli faz das suas... outra vez!

O Ivan Capelli está a ganhar a fama de "Terrivel"... depois da performance na semana passada de Lewis Hamilton como pianista do ultra-famoso grupo ABBA, agora foi a vez de Fernando Alonso como o condutor do simulador mais real do Mundo, feito numas obras em Espanha... e perante a imprensa convidada! Gozem a situação, pessoal...

Noticias: Murray Walker volta a comentar

O mais conhecido apresentador de corridas em lingua inglesa está de volta. Murray Walker, de 83 anos e comentador desportivo há mais de 50, vai voltar aos microfones da cadeia televisiva ITV no GP da Europa, a decorrer em Nurburgring, no final de Julho. Walker trabalhará na emissora como o substituto de David Croft, que acompanhará o nascimento de seu terceiro filho.


Esta não será a primeira vez que Murray fará uma aparição especial desde que se aposentou, em 2001. O britânico já trabalhou para o canal australiano Ten, em 2005, faz as transmissões da categoria GP Masters e esteve em vários GPs como embaixador da equipa Honda de Formula 1.

Se não sabem quem é Murray Walker e o que faz, digamos que... diz os mesmos disparates que o equivalente brasileiro Galvão Bueno, mas safa-se melhor! Alguns exemplos desses "murrayismos":


- "Está a chover e a pista está molhada"

- "Não há nada de errado com este carro, excepto que está a arder!"

- "Eis as luzes vermelhas, e... GO,GO,GO!!!"

- "Fogo, Fogo, Fogo!"

- "Há chamas a sair do carro do Prost e vai para a Piscina!" (no Mónaco, quando teve problemas de motor na Chicane da Piscina)


Estas são algumas das expressões que consegui traduzir. Certo dia, para descrever as bocas que mandava nas transmissões, respondeu da seguinte forma: "Eu não cometo erros. Eu faço profecias que se tornam imediatamente erradas." Grande Walker!

Noticias: Bourdais diz "agora ou nunca" para 2008

O actual tri-campeão da CART, o francês Sebastien Bourdais, afirmou ontem que a sua melhor chance para virar agulhas rumo à Formula 1 é agora, no final da época, caso contrário, já seria muito tarde para ele.


“Por enquanto, tenho três possibilidades: ficar, ir para a F-1 ou para a Nascar. Existem muitas variáveis”, comentou à Agência AFP, citada pelo site brasileiro Grande Prêmio. O francês já testou por duas vezes pela Toro Rosso, e tem marcado um teste final no próximo mês, no renovado circuito belga de Spa-Francochamps.


Testes estes que deixam o piloto um pouco frustrado: “Sei o que posso fazer. Estou neste caminho há muito tempo. Sei que em um bom carro e em boas condições, posso fazer o serviço. É tudo questão de oportunidade”. É por isso que deixa o aviso: “Se tiver que acontecer, tem de ser rápido. Você não consegue entrar na F-1 depois de completar 30 anos e eu já tenho 28. Está claro: se não for no ano que vem, não será nunca mais.”

GP Memória - França 1999

Numa altura em que nos despedimos de Magny-Cours como palco do GP de França, e quando surgem noticias de que o fim de semana francês pode ser chuvoso, o que pode baralhar as contas e estratégias das equipas, e animar os fãs. Sendo assim, a melhor coisa que se pode fazer, e juntar esses dois factores: Magny-Cours à chuva.


Ora, isso aconteceu no último ano do século XX, e os resultados foram surpreendentes. O meu amigo Felipão faz o resumo, mas eu dou mais pormenores!


Assim sendo... o campeonato do Mundo de 1999 estava a ser bem disputado entre o alemão Michael Schumacher e o finlandês Mika Hakkinen, com Eddie Irvine e David Coulthard a espreitarem qualquer deslize por parte dos seus companheiros de equipa. No grande prémio anterior, no Canadá, Hakkinen ganhou a corrida, beneficiando de um encontro de Michael Schumacher com o famoso "Wall of Champions"...

O fim de semana de 27 de Junho daquele ano prometia chuva. E assim aconteceu. Os treinos tiveram várias surpresas: Rubens Barrichello fez a primeira pole-position de sempre para a Stewart, e estava na melhor posição para alcançar a sua primeira vitória. Ao seu lado, largava... Jean Alesi, num Sauber-Petronas! E o terceiro classificado era Olivier Panis, num Prost-Peugeot. O que tinha acontecido nos treinos para que todas estas personagens alcançassem tais posições foi que aproveitaram os últimos minutos de treino, quando a pista começou a secar, para marcar melhores tempos. Algo que hoje em dia, seria impossível...


Dos contendores ao título, David Coulthard era quarto, Michael Schumacher era sexto, Mika Hakkinen era 14º, Eddie Irvine 17º. Heinz-Harald Frentzen ficou no sexto lugar da grelha.


No dia da corrida, apesar da chuva, o asfalto estava seco para a largada. Na largada, Barrichello segurou a liderança dos ataques de Coulthard. Mas na sexta volta, o escocês salta para a liderança, e aí fica até à volta nove, altura em que fica parado por problemas electricos. Sendo assim, o brasileiro da Stewart recupera a liderança.


Entretanto, Schumacher, Irvine e Hakkinen faziam a sua corrida de trrás para a frente, e na volta 20, Hakkinen tinha ultrapassado Frentzen e Alesi para chegar à segunda posição, bem atrás de Barrichello. Mas na volta 21, a chuva volta a fazer das suas, fazendo com que entrasse o "safety-car" na volta 25. Nessa altura, Frentzen já tinha feito o seu primeiro reabastecimento.


O "safety-car" esteve por lá durante dez voltas, ao que foi-se embora. Na relargada, Hakkinen tenta ultrapassar Barrichello no gancho Adelaide, mas despista-se e cai para o sétimo lugar. Agora, era a vez de Michael Schumacher atacar a liderança do piloto brasileiro, ultrapassando Frentzen. Na volta 43, Schumi passa Barrichello, seu futuro companheiro de equipa, e distancia-se. Só que na volta 50, perde duas marchas na sua caixa de velocidades, tendo de trocar o volante. Volta à pista na quinta posição.
Entretanto, Hakkinen faz uma corrida de recuperação, e passa Barrichello no volta 58. Mas perto do fim, tem que ir às boxes para reabastecimento, e Barrichello tem que fazer o mesmo. Quem ganha com isto tudo? O jordan de Heinz-Harald Frentzen, que da à Jordan a sua segunda vitória da carreira. Hakkinen é segundo e Barrichello é terceiro, no segundo pódio que dá à Stewart naquele ano. Schumacher termina em quinto, à frente do seu companheiro Eddie Irvine.


Terminada aquela corrida, Hakkinen liderava com 40 pontos, mais oito que Michael Schumacher. Eddie Irvine tinha 26 pontos, mais três que Frentzen. Era assim que estava o campeonato quando o Grande Circo chegou a Silverstone, uma semana mais tarde, onde os acontecimentos deram um rumo radical a aquele campeonato...

terça-feira, 26 de junho de 2007

Noticias: Spyker promete novo carro em Istambul

O chefe da equipa Spyker, Colin Kolles, confirmou nesta terça-feira que a escuderia holandesa planeia estrear um novo carro no GP da Turquia, 12ª de 17 etapas da temporada 2007 da F-1.

Em declarações ao site brasileiro Grande Prêmio, Kolles disse que a meta é somar pontos. E aproveitou a deixa para alfinetar os pilotos da equipa mais fraca do pelotão, Christijan Albers e Adrian Sutil: "Nossa meta é ter um novo carro pronto para a Turquia e esperamos ser competitivos. Claro, nossa meta é marcar pontos. Poderíamos ter saído com alguns do Canadá, mas os erros dos pilotos custaram caro.”


O diretor-técnico da Spyker, James Key, resumiu as novidades do novo carro: “É uma grande mudança. Uma nova caixa de velocidades, uma suspensão traseira completamente nova – um novo conceito –, além de um novo pacote aerodinâmico”.


O Grande Prémio da Turquia vai acontecer no fim de semana de 25 e 26 de Agosto.

O piloto do dia: Philippe Streiff

O piloto que falo hoje é alguém que nunca teve uma grande carreira na Formula 1, mas que um dia, devido a um azar e à má assistência, vê a sua vida mudar para sempre. Depois disso, torna-se no criador do maior evento de karting indoor do mundo e num campeão da causa dos deficientes motores. Falo-vos hoje de Philippe Streiff.


Nasceu a 26 de Junho de 1955 (faz agora 52 anos) em La Tronche, na região de Grenoble, França. Começa a sua carreira em 1977, ao ganhar o Volante Motul, em Nogaro, e no ano seguinte passa para a Formula Renault. Depois de uma passagem pela Formula 3 europeia, durante dois anos, volta para o campeonato francês em 1981, onde se torna vencedor.



Em 1982, vai para a Formula 2 europeia, a bordo da equipa AGS, que o vai acompanhar ao longo da sua carreira. Fica lá até 1984, onde consegue ganhar uma vez, tendo sido quarto classificado no campeonato por duas vezes. No final desse mesmo ano, começa os seus primeiros passos na Formula 1, quando a Renault inscreve um terceiro carro para Streiff. Abandona a corrida com problemas de transmissão.


Em 1985, Streiff disputa a Formula 3000, substituta da Formula 2, de novo pela AGS, mas a meio da época, a Ligier chama-o para a sua equipa, como substituto de Andrea de Cesaris, despedido depois do GP da Austria. Corre pela equipa no resto da época, excepto no GP da Africa do Sul, onde corre pela Tyrrell, já que a Ligier não vai ao pais, devido ao boicote feito pelas equipas francesas.


É na Australia que Streiff consegue a sua melhor posição de sempre: um terceiro lugar. Mas isso esteve em risco na última volta da corrida, quando teve um incidente com... Jacques Laffitte, seu companheiro na Ligier! Ambos lutavam pelo segundo lugar, quando se desentenderam a poucas centenas de metros da meta. Laffitte acabou em segundo, enquanto que Streiff cortou a meta em três rodas, mas em terceiro! No final da época, os quatro pontos deram-lhe o 15º lugar da classificação geral.


Em 1986 volta para a Tyrrell, onde consegue alguns bons resultados. Fica com três pontos, o que lhe dá o 14º lugar da classificação. Continua no ano seguinte, onde consegue mais quatro pontos e o 15º lugar na classificação geral. Pelo meio, sobrevive incólume a um acidente terrível em Spa-Francochamps, onde se envolve... com Jonathan Palmer, o seu companheiro de equipa!



Em 1988, a equipa onde correu nas camadas inferiores, a AGS, decide aventurar-se na Formula 1, e Streiff torna-se no seu único piloto. Apesar de ser um piloto que termina regularmente as corridas, e de dar nas vistas (chegou a lutar pelo quarto lugar no GP do Canadá, numa batalha contra... Nelson Piquet, num Lotus-Honda Turbo, antes de desistir com problemas mecânicos) não consegue chegar aos pontos, a primeira época completa em que isso acontece.


Renova o contrato para 1989, e tem até uma boa máquina, mas quando a sua equipa está no Rio de Janeiro para á série final de testes rumo à nova temporada, um grave acidente veio pôr termo à sua carreira de uma forma brutal. O seu carro despista-se numa curva e sai para fora da cerca, destruindo o arco de protecção que o protegia de um impacto na cabeça. Para piorar as coisas, a assistência médica no circuito foi deficiente, o que veio agravar a fractura no pescoço, deixando-o tetraplégico.


A sua carreira na Formula 1: 54 Grandes Prémios, em cinco temporadas, um pódio, 11 pontos.


Depois de uma longa convalescença e de muita terapia, abre um kart indoor em 1991. Dois anos mais tarde, decide organizar uma competição de "karting indoor" no Pavilhão de Bercy, em Paris, cuja primeira edição fica famosa pelo facto de ser a última vez em que Alain Prost e Ayrton Senna se defrontaram juntos, em pista.


Nos últimos anos, tornou-se num paladino da causa dos deficientes fisícos, torando-se conselheiro técnico junto do governo francês, especialmente nos ministérios dos Transportes e da Juventude e Deporto. Nas últimas eleições presidenciais, foi apoiante de Nicolas Sarkozy, e aceitou dar a cara num video acerca das dificuldades que os deficientes como ele têm no dia-a-dia.

GP Memória - O verdadeiro "Grand Prix"

Na semana do Grande Prémio de França, vou um pouquinho mais atrás na história para falar de uma corrida excepcional, vinda de um tempo pioneiro, e que mostrou aqui a rivalidade entre as duas maiores potências do seu tempo: França e Alemanha. E paradoxalmente, esta foi a corrida mais épica e a última na Europa em seis anos, pois poucas semanas depois, começava a I Guerra Mundial…


Isto começa algum tempos antes. Em 1906, o Automobile Club de France decide criar o primeiro “Grand Prix” do mundo, na cidade de Le Mans. Essa corrida foi ganha pelo Renault do húngaro naturalizado francês Frenc Szisz (1873-1944), e o sucesso do Grand Prix fez com que existissem mais edições. Porém, em 1908, no circuito de Dieppe, a França entrou em choque quando a Mercedes ganhou a corrida. Ver a “sua” corrida ser ganha contra o inimigo alemão, numa altura em que a recuperação da Alsácia e da Lorena era um desígnio nacional, foi uma humilhação no orgulho nacional. E a partir de então, os construtores franceses queriam evitar que tal coisa voltasse a acontecer.


Em 1914, a Peugeot era rei e senhor nas pistas mundiais. No ano anterior, tinham dominado a competição, tendo até sido o primeiro construtor estrangeiro a ganhar as 500 Milhas de Indianápolis, através do francês Jules Goux. Para além dele, a equipa tinha outro francês: Georges Boillot. Os carros eram desenhados por uma equipa que incluía um Ettore Bugatti, no início da sua carreira. Em Maio, tinham ido de novo a Indianápolis, para tentar repetir a proeza, e conseguiram, batendo a concorrência americana. Mas o vencedor não foi Jules Goux, mas sim outro francês, René Thomas, num Peugeot não oficial…

Nesse ano, o Automobile Club de France procurava um lugar para realizar o seu Grande Prémio. Das dezenas de cidades candidatas, escolheu a de Lyon, pois estes concederam mais de 10 mil libras de subsídios, uma fortuna na época. A data da corrida: 4 de Julho.


Houve 36 inscrições, de várias equipas francesas e estrangeiras: Opel, Sumbeam, Fiat, Delage, Schneider, Vauxhall… A Peugeot ia correr com Boillot, Goux e Victor Rigal. Mas o maior perigo vinha da alemã Mercedes. Investiram tudo nesta corrida, decididos a repetir o feito de seis anos antes. Inscreveram cinco carros, quatro oficiais, para Max Sailer, Christian Lautenschlager, Louis Wagner e Otto Salzer, e um para Theodore Pilette, um piloto belga, que era o representante da marca no seu país. Durante a Primavera visitaram em detalhe o circuito, montaram o seu quartel-general na cidade e usaram profusamente os dois dias de treinos para afinar a melhor estratégia possível. Chegou-se até a noticiar que a Mercedes colocou este aviso na ordem do dia: “Por razões de propaganda, a Mercedes decidiu ganhar este ano o Grande Prémio”

Como já foi dito, o “Grand Prix” estava marcado para o dia 4 de Julho. Mas alguns dias antes, a 28 de Junho, a politica entra em cena: o Arquiduque herdeiro Francisco Fernando é morto na cidade de Sarajevo pelo anarquista sérvio Gavrilo Princip. A Europa estava à beira da guerra e todos sabiam que caso o sistema de alianças então vigente entrasse em vigor, milhões de pessoas pegariam em armas numa questão de dias… Agora, já não era um corrida. Era a primeira batalha de uma futura guerra europeia!


Nesse dia, mas de 200 mil espectadores assistiram à partida da corrida, às oito da manhã. O primeiro a passar foi Boillot, mas quando se somaram os tempos, verificou-se que o líder era Max Sailer, da Mercedes. A táctica começava a funcionar: Iam lançar um Mercedes para a frente, como isco para que os Peugeot pudessem morder, já que eles iriam jogar com o orgulho nacional. E morderam!

O carro de Sailer durou apenas cinco voltas, até que os rolamentos da cambota griparam. Goux e Boillot ficaram então na frente, mas os outros Mercedes, de Lautenschlager e de Wagner, que estavam melhor conservados, ficavam perto dos Peugeot. Na sexta volta, Boillot estava na frente, mas o segundo, Lautenschlager, estava a menos de um minuto. Jules Goux era terceiro, mas Otto Saltzer e Louis Wagner não estavam atrás.

Nas 11 voltas seguintes, Georges Boillot fez a corrida da sua vida. Tinha que ser: a honra da França estava em jogo. Nessa altura, a Mercedes due ordem a Lautenschlager para pressioná-lo. A diferença caiu para 23 segundos, no início da última volta.

Na altura, as pistas eram enormes, não eram as pistinhas que vemos agora, de três ou quatro mil metros. Estamos a falar de pistas com dezenas de quilómetros de extensão, com curvas apertadas e rectas longas e perigosas. Voltando à corrida: Boillot tinha levado o carro ao limite, e para além dele. Toda a França torcia por ele: era ele ou os alemães, e todos queriam que 1908 não se repetisse. Mas isso não aconteceu: a 23 quilómetros da meta, uma das válvulas do motor Peugeot partiu-se e um Boillot inconsolável teve que abandonar. A estratégia da Mercedes resultou plenamente: os carros ficaram com os três primeiros lugares. Jules Goux foi o melhor francês, no quarto lugar.
Os vencedores foram recebidos com um silêncio gelado no pódio da corrida, e voltaram para Estugarda para serem recebidos como heróis. Quatro semanas depois, a guerra começava, e as corridas de automóveis ficaram suspensas até 1919.

Quanto aos participantes desta grandiosa corrida, tiveram sortes diferentes: Georges Boillot tornou-se um ás da aviação e foi abatido em Verdun, dois anos mais tarde. Hoje em dia, não há cidade ou vila francesa que não tenha uma "Rue Georges Boillot". Jules Goux retomou a carreira depois da guerra. Retirou-se em 1926 e morreu em 1965, aos 79 anos, o que é considerado muito bom, dado que muitos dos seus concorrentes morreram cedo na vida, em pista…

Do lado alemão, o vencedor, Christian Lautenschlager, também voltou a correr depois da I Guerra, chegando até a competir em Indianápolis. Trabalhou para a marca até à reforma e morreu em 1954, aos 76 anos. Max Sailer também trabalhou para a Mercedes, tornando-se no chefe do departamento desportivo da marca nos anos 30, altura das “Flechas de Prata”. Morreu em 1964, aos 81 anos.

Para terminar, conto-vos a história de um dos Mercedes que esteve na corrida de Lyon: poucas semanas depois, estava em exposição em Londres. Contudo, a 4 de Agosto, a Inglaterra entra em guerra com a Alemanha e o carro foi apreendido pelas autoridades. Deveria ter ficado em Inglaterra até o final da guerra, e depois seria devolvido à Alemanha. Isso é verdade, mas… a devolução aconteceu em 1950, depois da II Guerra Mundial! Hoje em dia, é um dos orgulhos do museu da Mercedes, em Estugarda, e participa regularmente em eventos históricos.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

GP Memória: a tentativa de regresso

De quando em quando, recebo por correio algumas belas surpresas. E hoje recebi uma: o meu amigo Paulo Marques (F1PAM para os amigos do Fórum Autosport) mandou-se umas fotos de um teste, em fins de 1986 ou inicio de 1987, no circuito de Paul Ricard, de um teste com a então novata AGS. Quem dirigia o carro? Ora, nada mais, nada menos do que... Didier Pironi!

Isto explica-se em algumas linhas: depois de três anos de operações e de fisioterapias intensivas, Pironi queria voltar à Formula 1, frustrado por não ter sido o primeiro campeão francês, algo que Alain Prost (o piloto que ele abalroou em Hockenheim) iria conseguir pela McLaren, em 1985.

Pironi testou a convite da AGS, e provou que tinha recuperado a forma, o que lhe dava esperanças de voltar a correr em 1987. Mais tarde, teve outro teste com a Ligier, mas também não deu em nada. Sendo assim, decidiu que o melhor era correr em "powerboats", especialmente no seu "Colibri". E foi assim que ele perdeu a vida, alguns meses depois, numa corrida na Ilha de Wight... são os vários caminhos que a vida nos traz.

A1GP: As primeiras novidades

Faltam pouco mais de três meses para o inicio da terceira temporada da A1GP, a Formula das Nações idealizada por um sheik árabe, e que serve como "Série de Inverno" para o automobilismo mundial.

Os mexicanos, brasileiros e malaios já divulgaram as suas intenções para a temporada 2007/2008. No caso mexicano, Salvador Duran (que está agora na World Series by Renault) será o piloto titular, com três pilotos substitutos (Alfonso Toledano, Sergio Perez e Juan Pablo Garcia). O carro vai ser preparado pela Super Nova, que também preparará o carro brasileiro e a actual campeã, a Alemanha.



No caso brasileiro, Bruno Junqueira e Vitor Meira serão os pilotos titulares, mas Emerson Fittipaldi, a pessoa que detêm a "franchise", quer encontrar pilotos jovens com capacidade para conduzir o bólide e garantir a sucessão. E bem precisa, pois no ano passado só conseguiu nove pontos, menos um do que Portugal, que apenas participou em meia temporada...



Quanto à Malásia, para além de confirmar Alex Yoong como piloto titular, procura também novos talentos na área como forma de os promover e dar a eles um carro competitivo.



Em relação ao calendário, há poucas novidades. Sabe-se que, tal como aconteceu no ano passado, a prova inicial será em Zandvoort, na Holanda, e que haverá nova etapa no circuito neozelandês de Taupo. O Brasil quer também uma etapa da A1, e Emerson Fittipaldi quer que ou Brasilia ou Interlagos acolham a prova. Veremos se isso irá para a frente...

Noticias: Montoyucho ganha na NASCAR!

Ah pois, o Juan Pablo Montoya parece que está a dar-se bem na aventura da NASCAR! Quer dar mesmo nas vistas no principal campeonato americano de automóveis. Depois de uma vitória no México, mas na Busch Series, este Domingo ganhou as 350 Milhas de Sonoma, no estado da California, fazendo dois reabastecimentos em vez dos três feitos pelo resto do pelotão. Com essa estratégia, passou para a liderança na volta 104, a seis do fim, fazendo com que seja o primeiro estrangeiro a ganhar uma prova da agora Nextel Cup desde 1974!


Para além disso, deu à sua equipa, a Chip Ganassi, a primeira vitória na categoria. Agora, diz o colombiano, o próximo objectivo é de ganhar numa pista oval. Boa sorte, vai precisar muito dela...

O piloto do dia - Patrick Tambay

Na semana em que se disputa o Grande Prémio de França, calha hoje ser o aniversário natalício de um excelente piloto francês que andou no pelotão da Formula 1 nas décadas de 70 e 80, mas que nunca teve grande sorte na competição. Contudo, quando teve uma máquina ganhadora, mostrou a sua rapidez. Hoje, dêem os parabéns a Patrick Tambay!


Nasceu a 25 de Junho de 1949 em Paris (faz agora 58 anos), e a sua carreira começou em 1972, quando ganhou o Volante Elf, a formula de formação dos jovens pilotos em França, que revelou, entre outros, compatriotas como Francois Cevért, Alain Prost e Didier Pironi. No ano a seguir vai para a Formula Renault, onde se sagra campeão nacional. Entre 1974 e 1976 corre na Formula 2 europeia, onde se torna vice-campeão em 1975 e trerceiro classificado no ano seguinte.


Sem conseguir um lugar na Formula 1 no início de 1977, vira a agulha para a CanAm, onde, a bordo de um Porsche da equipa de Jim Hall e Carl Haas (que mais tarde se iriam reencontrar na Lola), torna-se campeão. Mas a meio do ano, as suas performances não passam despercebidas no meio da Formula 1. Teddy Yip, o multimilionário empresário de Hong Kong, contrata-o para ser o segundo piloto da Ensign, ao lado do suíço Clay Regazzoni (1939-2006), a partir do GP de Inglaterra. Mas antes, tenta correr no GP de França, a bordo de um Surtees privado, mas não se qualifica.

As suas performances dão nas vistas, e no final da época consegue cinco pontos, o que lhe dá o 18º lugar na classificação. No ano seguinte, Teddy Mayer escolhe-o para ser parceiro de James Hunt na McLaren. Mas nessa altura, a equipa vive um momento de declínio. Mesmo assim, Tambay consegue oito pontos e o 14º lugar da classificação. Mas em 1979 é o seu pior ano: o melhor que consegue é um sétimo lugar e para piorar as coisas, não se qualifica por duas vezes! No final da época, fica sem lugar na Formula 1 e volta para a CanAm, na equipa de Carl Haas. O ano de 1980 corre-lhe bem, pois ganha de novo o título.

Volta à Formula 1 em 1981, começando a época na Theodore, com Teddy Yip no comando (1907-2003). Consegue um ponto em Long Beach, e a partir do GP de França, é o segundo piloto da Ligier-Matra, substituindo Jean-Pierre Jarier. Não consegue pontuar mais no final da época, ficando com um ponto e o 19º lugar no campeonato.

Em 1982, fica de novo sem lugar, mas as circunstâncias ditaram um regresso à Formula 1 mais cedo do que esperava, e pelas piores razões: o seu grande amigo Gilles Villeneuve morre em Zolder e a Ferrari precisa de um substituto para o já mítico carro 27. Começa a correr a partir do GP da Holanda e alcança o seu primeiro pódio em Brands Hatch. Mas na Alemanha, um novo acontecimento faz com que todas as esperanças da Scuderia recaíssem nele: no “warm-up” da corrida, o seu companheiro Didier Pironi tem um acidente grave ao bater na Renault de Alain Prost (consta-se que foi a partir daí que “Le Professeur” ficou com medo da chuva…) e parte as pernas. Perante tal adversidade, Tambay concentra-se e ganha a corrida. Ainda chega ao segundo lugar em Monza, batido pela Renault de René Arnoux, e no final da época, ficam com um honroso sétimo lugar, com 25 pontos, uma vitória e três pódios. Nada mau, para quem correu em apenas seis corridas…

Em 1983, com o seu novo companheiro de equipa, René Arnoux, os carros da Ferrari eram legítimos aspirantes ao título. Consegue uma emocionante vitória em San Marino, e mais quatro pódios, mas falha o assalto ao título, batido por Nelson Piquet, Alain Prost, e… o seu companheiro de equipa René Arnoux! Mas a época de 1983 é a melhor de sempre para Tambay, que para além da vitória e dos pódios, faz mais quatro “pole-positions” e uma volta mais rápida, no Canadá. Total: 40 pontos e o quarto lugar.

Em 1984, vai para a Renault, substituir Alain Prost. Herdando uma equipa que ficou à beira do título, a época é decepcionante: um pódio, uma “pole-position” e uma volta mais rápida foi o melhor que conseguiu, e 11 pontos no campeonato, que lhe deram o 11º lugar na classificação. Continua em 1985, mas a Renault está nas suas horas finais. O melhor que consegue são dois pódios, no inicio da época, e no final da época, altura em que a Renault se retira, Tambay termina com 11 pontos e um 12º lugar.


Por esta altura, o seu velho amigo americano Carl Haas tenta uma aventura na Formula 1, com motores Ford e chassis Lola, tendo como companheiro o ex-campeão do Mundo Alan Jones. Mas a aventura é um fracasso, e Tambay só consegue dois pontos, terminando a época no 15º lugar. No final da época, Tambay abandona de vez a Formula 1.


A sua carreira: 123 Grandes Prémios, em nove épocas, duas vitórias, cinco “pole-positions”, duas voltas mais rápidas, onze pódios, 103 pontos no campeonato.


Até 1989, Tambay fica afastado das corridas. Depois participa nas 24 horas de Le Mans a bordo de um Jaguar oficial, onde termina em quarto lugar na corrida. Depois tenta a aventura no então Paris-Dakar (agora Lisboa-Dakar), onde por três vezes termina nos três primeiros na competição, embora sem ganhar. Em 1994, faz parte da equipa directiva da Larrousse, mas abandona quando a equipa encerra as suas portas, no final dessa época.


Actualmente, é comentarista de Formula 1, primeiro nos canais franceses La Cinq e na Rádio Monte Carlo. Também teve uma curta participação política, como vice – perfeito da pequena cidade de Le Cannet, nos arredores de Cannes. Em 2006, começa a participar na GP Masters, a Formula 1 para veteranos, liderada por Nigel Mansell.


Também tem um herdeiro, de seu nome Adrien Tambay, agora com 16 anos, e está a seguir os passos do seu pai, na Formula BMW alemã. Já agora: Tambay é padrinho de baptismo de Jacques Villeneuve, Campeão do Mundo de Formula 1 em 1997 e filho do seu melhor amigo...

domingo, 24 de junho de 2007

CART - Ronda 5, Cleveland

Tal como na oval de Iowa, a corrida de Cleveland, ronda 5 da ChampCar foi também atribulada. E o vencedor não foi o do costume: o veterano piloto Paul Tracy levou a melhor sobre o holandês Robert Dornboos, da Minardi. Foi a sua 31ª vitória da sua carreira, na segunda corrida após o seu acidente em Long Beach, que o impediu de correr por algumas semanas.


Paul Tracy teve vários problemas ao longo da corrida. Teve dois toques, com o americano Graham Rahal e o brasileiro Bruno Junqueira, que o levaram às boxes para trocar de bico, e beneficiou das manobras anti-desportivas de Dornboos (que foi penalizado) para chegar à liderança e ganhar a corrida, a meio segundo do holandês.


Depois destes dois, o suiço Neel Jani completou o pódio. Logo após vieram o inglês Justin Wilson, o francês Simon Pagenaud e o canadiano Alex Tagliani. A unica mulher do pelotão, a inglesa Katherine Legge, desistiu à volta 32 com problemas mecânicos. Sebastian Bourdais tamém não teve melhor sorte, ao abandonar na volta 67, com problemas de motor. Mas isso não impede de ser o líder do campeonato, com 117 pontos, mais três que o holandês Robert Dornboos.


A próxima corrida vai ser no circuito canadiano de Mont-Tremblant, a 1 de Julho.

Mais um marco histórico: 15 mil visitantes!

Vinte e quatro dias depois de ter alcançado a marca das 10 mil visitas, pensava que dentro de mês e meio chegaria aos 15 mil "pageviews". Afinal não. Foi mais cedo. Hoje cheguei à esta marca, o que significa que as minhas previsões acerca da barreira das 20 mil, que esperava alcançar lá para Setembro, podem ser largamente antecipadas!


Quinze mil visitas em quatro meses de meio é muito. E nesse tempo, descobri não só que tenho admiradores em todo o mundo (sou citado em blogs brasileiros, portugueses e num holandês, pelo menos!), mas também que fiz algumas amizades no meio, como o Ron Groo, o Filipe Maciel, o Danilo Albergaria, e muito, muito mais... ei, até fui citado pelo Ivan Capelli!

Para uma coisa que serviu inicialmente para mostrar os gostos de um jornalista desempregado, e também para não perder a prática da escrita, ultrapassou largamente esses objectivos. E agora? Agora vou continuar. Isto é demasiado bom para parar agora. Por causa disto conheci pessoas cinco estrelas, tão apaixonadas pela Formula 1 como eu.


E também isto serve para mostrar que se pode escrever sobre Desporto em Portugal, sem ser futebol e os Três Grandes. E também quero saber como isto vai acabar. Era giro se desse um livro, se fosse citado num jornal de grande circulação. Gostaria de ser uma referência na Web 2.0, pois ao menos seria um sinal de reconhecimento, de que "tudo vale a pena, se a alma não for pequena" (Fernando Pessoa)


Obrigado a todos!

IRL - Ronda 7, Iowa

Foi uma corrida atribulada, mas Dario Franchitti, o recente vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, aproveitou os erros dos adversários e venceu a corrida na oval daquele estado americano, que ocorreu esta tarde.


Os incidentes começaram logo no primeiro minuto: o inglês Dan Wheldon despista-se e leva Thomas Sceckter ao muro, pela segunda vez consecutiva nesta temporada! Mas, ao contrário do que aconteceu no Texas, o sul-africano portou-se bem e não estendeu o dedo do meio ao seu rival...


Outro grande incidente ocorreu no volta 99, quando Danica Patrick, que ia no terceiro posto, despistou-se e levou consigo A.J. Foyt IV, Ed Carpenter, Sam Hornish Jr. e Kotsuke Matsuura. Destes, somente Ed carpenter continuou. Já antes, Tony Kanaan tinha abandonado, depois de um choque com Jeff Simmons.


A melhor hipótese de uma vitória brasileira pertenceu então a Vitor Meira, mas este desistiu na volta 216, com uma suspensão partida. "Nós tínhamos o carro mais rápido da pista", lastimou o piloto de Brasilia ao site brasileiro "Grande Prêmio"

No final desta corrida atribulada, a vitória acabou por sorrir a Dario Franchitti. O piloto escocês levou a melhor sobre Marco Andretti e Scott Sharp, enquanto que a unica mulher a terminar a prova foi Sarah Fisher, no sétimo lugar, à frente do brasileiro da Penske Helio Castroneves.