segunda-feira, 7 de junho de 2021

Youtube Automobile Video: James May no novo Dacia Sandero

"Grandes noticias! É o novo Dacia Sandero."

Certamente ouviram essa noticia da parte de James May, na altura em que apresentava o "Top Gear", antes do Jeremy Clarkson mudar de assunto para um supercarro qualquer que queria apresentar. Tornou-se em algo que fazia rir as pessoas.

Mas na realidade, o Dacia Sandero era - e é - o carro mais barato que se pode comprar novo no Reino Unido, cerca de 8500 libras na versão mais básica. E ao contrário de muitos carros baratos, está bem construído e é moderno, graças ao facto da fábrica pertencer à Renault, que fez da marca romena aquela que constrói carros "low cost", com imenso sucesso, diga-se.

E como no final de 2020 eles apresentaram o novo Dacia Sandero, então algum dia eles iriam se lembrar da frase e de quem a dizia. Então, a Drivetribe fez um video com ele a fazer o teste com o novo carro e ver o que achava. E pelos vistos, ele gostou.  

domingo, 6 de junho de 2021

A imagem do dia




Quem visse isto há pouco mais de um mês, depois do GP de Portugal, por exemplo, não teria acreditado que a KTM virasse em tão pouco tempo de água para vinho. É que Miguel Oliveira chegou a estar no fundo da tabela, apenas com nove pontos, e parecia que a sua temporada de estreia na equipa oficial iria ser muito dura. Mas isso fez com que a equipa decidisse arriscar e construir uma máquina noa para ele... e compensou. Em duas corridas, dois pódios e hoje, a vitória no GP da Catalunha, em Barcelona. A primeira do ano e a terceira na história da MotoGP.

Não foi uma corrida fácil, pois apesar de largar de quarto, que é praticamente primeira fila, ele saltou para primeiro depois de um erro de Jack Miller, na curva 5 do circuito. A partir dali, o caçador passou a ser o caçado, e na volta 12, ele perdeu a liderança para o francês Johan Zarco. Mas claro, não desistiu, não virou a cara a luta e foi atrás, para conseguir o que queria. Precisou de quatro voltas para consegui-lo, e conseguiu.

No final, era um piloto feliz, não só pela sua primeira vitória da temporada, mas saber que por fim, depois de terem dado uma moto nova, ele pode por fim competir entre os primeiros. Uma moto competitiva, que lhe deu em duas corridas lhe deu 43 pontos, dois pódios e o catapultou até ao sétimo posto da geral, a melhor até agora. 

A grande pergunta que se faz agora é saber se ainda vai a tempo de lutar pelo título. Porque o campeonato ainda nem chegou a meio, mas as cinco corridas já perdidas a favor da concorrência da Suzuki, Ducati e Yamaha, não sei se ele lá chegará. É que os 54 pontos que ele já tem é menos de metade que os 115 do líder, Fabio Quatararo, e ele já têm três vitórias. Para ter uma chance, terá de conseguir muito mais pódios e ficar mais vezes na frente de gente como ele, Johan Mir, Francesco Bagnaia ou Jack Miller. Mas é melhor olhar para o copo meio cheio e ver que tem mais de metade do campeonato para nos dar mais belas tardes como esta.

Tenho a certeza que ai acontecer. Parabéns, Miguel!

WRC 2021 - Rali da Sardenha (Final)


Sebastien Ogier conseguiu triunfar em terras sardas e deu mais uma vitória à Toyota, consolidando também a sua liderança no campeonato. O piloto francês ficou a 46 segundos do galês Elfyn Evans, consolidando a dobradinha para a marca japonesa, enquanto o belga Thierry Neuville foi o terceiro, a 1.05,2, e o melhor dos Hyundai.

No final da prova, o piloto francês não cabia de si contente por mais este triunfo.

“Foi um fim de semana incrível. Chegando aqui a abrir a estrada, pensamos que [se calhar] era melhor ficar em casa. Fizemos um bom trabalho no teste e o carro estava funcionando muito melhor do que em Portugal. Tivemos um dia incrível na sexta-feira, e ontem conseguimos subir ao topo. Com certeza, é bom para o campeonato. Eu tive uma falha de ignição por um longo tempo após uma poça de água. Nós sobrevivemos, mas perdemos alguns segundos lá. Um ótimo fim de semana."

Com quatro especiais até ao final do rali, duas passagens pelas classificativas como Arzachena - Braniatogghiu e Aglientu - Santa Teresa, o dia começava com o triunfo de Elfyn Evans, 3,5 segundos na frente do regressado Ott Tanak e 4,8 segundos sobre Sebastien Ogier. "Queríamos ter certeza de que não haveria um ataque tardio [por parte do] Neuville esta manhã, então isso obviamente torna as coisas um pouco mais fáceis. Nós apenas temos que continuar.", comentou o galês no final da especial.

Neuville de facto atacou, mas na especial seguinte. Apenas ganhou 0,3 segundos sobre Evans e 0,7 sobre Ogier e Rovanpera, e quase nada mudou na geral. Atrás, o boliviano Blucacia tentava ainda chegar ao oitavo posto, mas um capotanço abdicou dos seus esforços para lá chegar, concentrando-se em conseguir pontos. Evans acabou por reagir na segunda passagem por Arzachena - Braniatogghiu, terminando-a como vencedor, 0,8 segundos de vantagem sobre Ogier e 4,1 sobre Neuville.

Para a Power Stage, o melhor acabou por ser Thierry Neuille, que bateu Ott Tanak e Kalle Rovenpera, ficando com os pontos dessa classificativa especial. Ogier foi o quarto, a 5,2, na frente de Dani Sordo, a 5,7.

Depois dos três primeiros, Katsuta Takamoto era o quarto na geral, igualando o seu melhor resultado, a 6.11,2 minutos, mais de três minutos na frente de Jari Huttunen, o melhor dos Rally2, a 9.31,2, no seu Hyundai i20 R5, conseguindo bater Mads Ostberg foi o sexto, a 9.39,2. Yohan Rossell foi o sétimo, a 10.37,7, no seu Citroen C3 Rally2. Os espanhois Pepe Lopez (a 11.03,7) e Nil Solans (a 11.26,3) foram oitavo e nono, na frente do Skoda Fabia Evo2 de Marcio Bulcacia, a 11.34,6.

Agora o WRC ruma a África, onde no final do mês se disputará o Rally Safari. 

The End: Mansour Ojjeh (1952-2021)


O franco-árabe Mansour Ojjeh, financiador da McLaren e diretor da TAG, Techniques D'Avant Garde, que mais tarde comprou a marca de relógios Heuer, fundindo-a e criando a TAG Heuer, morreu esta manhã em Paris, aos 68 anos de idade. Ojjeh tinha sofrido um transplante do pulmão em 2013, depois de lhe ser detectada uma fibrose pulmonar, e se afastado do dia-a-dia da McLaren, onde detinha 10 por cento da empresa.

A McLaren, através de Zak Brown, colocou um comunicado oficial, lamentando a sua morte e homenageando a sua presença na história da marca. 

"Mansour está gravado no coração e na alma desta equipa há quase 40 anos e foi intrínseco ao seu sucesso. Ele era um verdadeiro piloto em todos os sentidos. Ultra competitivo, determinado, apaixonado e, acima de tudo, talvez sua característica definidora: desportivo. Não importa a intensidade da batalha, Mansour sempre colocou o automobilismo em primeiro lugar. Era um titã da nossa modalidade, mas modesto, despretensioso e desarmado para todos que encontrava. Suas maneiras fáceis, perspicácia afiada e humor caloroso tocaram todos aqueles que tiveram a sorte de conhecê-lo.", começa por dizer. 

"O legado de Mansour é seguro. [Faz parte] do tecido desta equipa e é perpétuo. Continuamos correndo como ele deseja, nossa determinação é mais forte do que nunca, com sua memória e legado para sempre em nossos corações e mentes.", concluiu.

Nascido a 25 de setembro de 1952 em Paris, era filho de Akram Ojjeh, um empresário sirio-saudita que fundou a TAG, Techniques D'Avant Garde, e de uma francesa. O seu pai era um intermediário na venda de armas entre a França e a Arábia Saudita, entre outros negócios, ao longo da segunda metade do século passado. Estou no Menlo College, nos Estados Unidos, e depois de se ter graduado em 1974, ajudou a fundar a TAG em 1977, com o seu pai. 

Em 1981, com a chegada de Ron Dennis à McLaren, este ajuda-o a comprar os 50 por cento que pertenciam a Teddy Mayer. No ano seguinte, pede a Ojjeh para que ajude a conseguir um motor Turbo para a equipa, que apesar de ter um chassis capa de vencer corridas, começava a ficar atrás em termos de motores. Assim sendo, recorreu à Porsche para que construísse um motor V6 Turbo, no qual ele financiasse o seu desenvolvimento. Assim fez, e o motor se estreou no GP da Holanda de 1983, embora sem pontuar. Mas em 1984, com o MP4/2, guiado por Niki Lauda e Alain Prost, venceu o Mundial de pilotos e construtores, repetindo o feito no ano seguinte, e em 1986, conseguiu o mundial de pilotos. 

Ao todo, entre 1983 e 87, e com pilotos como Watson, Lauda, Prost, Keke Rosberg e Stefan Johansson, conseguiu 25 vitórias, 54 pódios, sete pole-positions e 18 voltas mais rápidas, ajudando a escrever algumas das páginas mais douradas da história da McLaren. Antes, em 1981 e 82, tinha sido o patrocinador da Williams.

No meio disto tudo, Ojjeh tinha adquirido 14,32 por cento da McLaren Group, e isso incluía a equipa de Formula 1, bem como o departamento de automóveis de estrada, ajudando a crescer a marca um pouco por todo o mundo. E também ajudou o grupo TAG a crescer, onde para além de ter interesses na aviação, finanças e imobiliário, tinha adquirido a marca de relógios Heuer em 1985, criando a TAG-Heuer e fazendo crescer ao ponto de ser adquirido pela Louis Vuitton Group em 1999 por 740 milhões de dólares. Para além disso, tem uma participação minoritária nas marcas de joalheria Asprey e Garrad.

Formula 1 2021 - Ronda 6, Baku (Corrida)


A temporada de 2021 não é ainda um regresso ao normal. Ainda há muitas coisas pendentes, e apesar de se combater fortemente a pandemia com a vacina, e se nota que há sucesso, com o diminuir dos casos um pouco por todo o mundo, o cancelamento da corrida de Singapura, na semana que passou, mostra que as coisas ainda vão demorar pra voltar ao que era em 2019.

Contudo, o interessante sobre isto é que, nesta altura do campeonato, parece que havia mexidas. Não era o passeio dos últimos anos, a Mercedes tinha por fim alguém à sua altura, a a Red Bull queria provar ter um conjunto melhor e mais consistente, mas a corrida do Mónaco tinha sido um "baralhar e voltar a dar", com a Mercedes fora do pódio. E se achavam que eles voltariam, e era um soluço, Toto Wolff avisou logo que Baku não seria o palco do regresso. E a qualificação provou isso, apesar da luta de Lewis Hamilton para não acentuar as diferenças.  

Mas a história desta corrida pode-se resumir no seguinte: se vocês desligaram a televisão a seis voltas do fim, esperando que a Red Bull iria fazer uma grande corrida e Max Verstappen ia a caminho de uma vitória convincente, e uma dobradinha para a equipa energética, então... perderam provavelmente alguns dos momentos mais decisivos do campeonato. E foi um perfeito "bodo aos pobres".

Então, a corrida começou desta maneira: Leclerc largou bem e ficou na frente, seguido por Hamilton e Verstappen, que passara Perez na traagem para a primeira curva. Uma partida normal, sem incidentes de maior, nem o Mazepin fez asneiras, que como sabem, nesta pista onde um erro e acabas no muro, tens de ser perfeito. Atrás, Perez tinha passado Sainz Jr. e Vettel começava a recuperar posições, passando Bottas e era nono.

Na terceira volta, Hamilton passou Leclerc e ficou com a liderança da corrida, apesar da reação do monegasco da Ferrari. Quatro voltas depois, e quase no mesmo lugar, Verstappen passava Leclerc e ficava com o segundo lugar, a ia à caça de Hamilton. E a mesma coisa fazia Perez na volta seguinte, ou seja, na velocidade pura, a Ferrari ainda não tinha motor para Flechas Negras e energéticos austríacos.  


Quando os pilotos da frente começaram a trocar de pneus, lá pela volta 11, o britânico foi o primeiro a parar, esperando que conseguisse superar os Red Bull quando fosse a vez deles de trocar de pneus. Os vermelhos, moles saíram para os brancos, duros, ou seja, iriam até ao fim. Mas a paragem foi mais lenta que o habitual, e essa estratégia parecia ter ido por água abaixo. E quando três voltas depois, os energéticos fizeram o que tinham a fazer, eles tinham conseguido ficar na frente de Hamilton, o objetivo deles. Ali, os energéticos pareciam que tinham ganho o dia.

Mas também chegou-se a um ponto em que Sebastian Vettel chegou a liderar a prova. Um Aston Martin a liderar uma corrida? Bom, tenho a certeza que les esperavam isso um dia, foi agora, na sexta corrida do campeonato! E ainda tinha os moles, claro, enquanto todos que estavam atrás de si já tinham os duros, se calhar para ver se iam até ao final da corrida. Quando por fim, o alemão parou, saiu para a pista em sétimo, passando Tsunoda no processo.

Agora, Verstappen voltava à liderança, com Perez a seguir, e Hamilton à espreita.


Mas se todos pensavam que seria Mazepin que iria causar a primeira situação de Safety Car, afinal de contas, foi... Lance Stroll, que bateu no muro. Claro, o Safety Car era inevitável e o Mercedes vermelho entrou na pista para juntar toda a gente, ainda com os Red Bull na frente, com Hamilton em terceiro, Gasly em quarto e Leclerc em quinto.

Com o carro parado num lugar relativamente perigoso, a entrada das boxes estava fechado até que tirassem o Aston Martin dali. Quando isso aconteceu, os mecânicos da Haas fizeram uma asneira bem grande com os pneus de Mick Schumacher. Se calhar era para ver se o Mazepin o apanharia, não? 


E no regresso à bandeira verde, quem aproveitava era Vettel, que em pouco tempo passava Gasly e Leclerc para ser quarto classificado. Bom, ele adora circuitos citadinos, não é? Atrás, Raikkonen também fazia passagens, como a um... Valtteri Bottas. Nossa, que fim tão triste. 

Na frente, Hamilton tentava não deixar escapar os Red Bull, especialmente Perez, que fazia o seu trabalho de ser o "wingman" de Max, que claro, tentava escapar do resto do pelotão, rumo à vitória. Estava tudo a correr bem, tudo a correr de acordo com o grande plano da Red Bull e tudo o mais, porque... golpes de teatro em Baku, alguém se lembra? Não, pois não?


Mas a três voltas do fim... o tal golpe, digno de um Adelaide 1986. E tudo aconteceu quando o pneu traseiro esquerdo de Max rebenta em plena reta da meta. Despistou-se e abandonou, entregando 25 pontos a Hamilton. O pneu mandou sinais de alerta para o resto das equipas, que foram às boxes para trocar de pneus, mas a organização da corrida decidiu colocar para fora a bandeira vermelha, parando a corrida. O holandês estava frustrado até à décima potência, afinal de contas era uma vitória quase garantida... não era?

Alguns minutos depois, os carros alinharam na grelha para aquela que muitos já diziam, sarcasticamente, como a primeira corrida "sprint" da história. E neste aparato para duas voltas a uma pista longa, era possivel muita velocidade e qualquer coisa no meio. E quando a bandeira verde foi mostrada... novo golpe de teatro quando os travões cederam e Hamilton seguiu em frente. Houve um bruááá nas bancadas, nas janelas e sem dúvida, nas televisões e telemóveis um pouco por todo o mundo. 

As coisas finalizaram com um triunfo de Sergio Perez, que estava no lugar certo, na hora certa, na frente de um Sebastian Vettel que teve uma grande tarde, e ainda tentou a sua sorte no primeiro posto, mas no final, para além de dar o primeiro pódio da Aston Martin, tinha conseguido amealhar 28 pontos em duas corridas citadinas e enxotado a ideia de que era um piloto acabado. E Pierre Gasly, terceiro depois de ter conseguido passar Charles Leclerc, também deu à Alpha Tauri o primeiro pódio do ano. E ainda por cima, com Tsunoda em sétimo, foi um bom fim de semana para os energéticos juniores.


Mas a grande moral da história que se tira de Baku é que ninguém sai a rir dali. Os da frente não pontuaram, embora a Red Bull tenha um sorrido maior do campeonato de Construtores, que com os 25 pontos do mexicano, afastou-se mais da Mercedes. Mas nem Hamilton, nem Verstappen, saíram a ganhar ali, foi um gigantesco "bodo aos pobres", algo do qual ninguém esperava, se alguém tivesse a ideia de desligar o televisor a cinco voltas do fim. Não é?  

sábado, 5 de junho de 2021

WRC 2021 - Rali da Sardenha (Dia 2)


Sebastien Ogier lidera o rali da Sardenha no final do segundo dia, passadas mais oito especiais de classificação. O piloto francês da Toyota lidera com uma vantagem de 38,9 segundos sobe Elfyn Evans, noutro Toyota, com Thierry Neuville em terceiro, a 1.08,9, num dia marcado pela desistência de Ott Tanak, o anterior líder da prova. 

Mas não parecia que isso iria acontecer logo no inicio da manhã, quando ele foi o melhor na primeira passagem por Coiluna - Loelle, onde triunfou com 2,6 segundos de vantagem sobre Elfyn Evans e 6,1 sobre Sebastian Ogier. Dani Sordo, que era o segundo na geral no final do dia anterior, perdera 15,4 segundos e via aproximar Ogier.

Ogier atacou na primeira passagem por Lerno - Monti di Alà, mas não conseguiu mais que 1,7 segundos sobre Tanak, o segundo. Sordo perdia mais 9,8 segundo e era passado na geral pelo francês da Toyota, que estaa feliz pelo resultado: "Até agora, tudo bem. Acho que a escolha dos pneus não foi tão mau para mim esta manhã. Parece que está a funcionar.", comentou.

Na segunda passagem por Coiluna - Loelle, foi a vez de Evans a triunfar, mas Ogier e Tanak andavam perto perdendo respetivamente 0,2 e 0,3 segundos cada um. E no final da manhã, Ogier voltou a triunfar, 4,1 segundos na frente de Neuville e 6,1 sobre Eans, enquanto Tanak parava na especial, aparentemente, depois de tocar numa pedra, que arrancou a suspensão do seu carro e o danificou irremediavelmente.

Na parte da tarde, e sem Tanak, Ogier aproveitou para voar nas especiais, e começou ao vencer na primeira passagem por Bortigiadas - Aggius - Viddalba, 3,8 segundos na frente de Dani Sordo e cinco segundos sobre Elfyn Evans. "Não estava realmente a fundo. Foi uma movimentação limpa numa especial muito escorregadia. Novas notas e uma seção muito estreita, então tentei permanecer na linha.", comentou o francês. 


Ogier continuou ao ataque a seguir, na primeira passagem por Sedini - Castelsardo, 1,8 segundos na frente de Thierry Neuville, e na segunda passagem por Bortigiadas - Aggius - Viddalba, o francês oltou a ser o melhor, 0,7 segundos na frente de Evans e 8,8 sobre Neuville, ao mesmo tempo que Dani Sordo parava de vez na berma, depois de ter perdido uma roda. No final do dia, Ogier descontraiu e deixou que Evans triunfasse na especial, 1,5 segundos na frente de Ogier.  

Depois dos três primeiros, o quarto é Katsuta Takamoto, no terceiro Toyota, mas muito longe de todos, a 4.01,2 minutos. Mas mesmo assim, caminha tranquilamente, porque Jari Huttunen, o quinto, está a 8.09,6, e o finlandês está em luta com Mads Ostberg, no seu Citroen C3 Rally2, a 8.12,3. Yohan Rossell é sétimo, noutro Citroen C3 Rally2, a 8.57,5, na frente dos espanhois Pepe Lopez (a 9.35,3) e Jan Solans (a 9.45,0) e a fechar o "top ten", o Skoda Fabia Rally2 do boliviano Marco Bulcacia Wilkinson, a 10.13,1.

O rali da Sardenha termina amanhã.

Formula 1 2021 - Ronda 6, Baku (Qualificação)


Depois da vista sobre o Mar Mediterrâneo, a vista sobre o Cáspio. De Mónaco a Baku não se pode dizer que é de uma ponta a outra da Europa, mas é um mundo onde se vai de um principado onde os serviços e o entretenimento são reis, para um lugar onde o ouro negro manda desde que foi descoberto, em meados do século XIX. Muito antes de Abu Dhabi, Baku foi a primeira cidade do mundo que vivia do petróleo, e que fez fortuna a todos aqueles que o comerciavam, incluindo um jovem arménio que, quando envelheceu e foi apanhado pela vertigem da II Guerra Mundial, se mudou para um quarto de hotel em Lisboa, onde passou ali o resto da sua vida. Um tal de Caoulste Glubenkian.

Mas mais de século e meio depois, os negociantes de petróleo são outros, e com o dinheiro que ganharam, puderam juntar algum e receber a Formula 1, meio pelo prestigio, meio para colocar o seu país no mapa, porque esta é uma competição mundial. Contudo, a parte mais interessante de um circuito que é tão veloz como de incrivelmente apertado, é que isto calha numa altura em que os carros da Mercedes estão incrivelmente vulneráveis ao ponto de, pela primeira vez desde 2013, que não estão no comando do campeonato.

E se acham que é aqui que as coias regressam à normalidade, Toto Wolff deixou um aviso: não contem com isso. Claro, 90 por cento das pessoas acham que não passa de "bluff"...  


Com um dia claro de final de primavera, as coisas começavam com a expectativa de ver o que fariam Red Bull e Mercedes, pois pareciam não ser os favoritos. O primeiro que marcou na volta foi Charles Leclerc, mas logo depois, Lance Stroll bateu forte na curva 2 e causou a primeira situação de bandeiras vermelhas. Para o canadiano, a qualificação acabava ali, e claro, iria largar garantidamente da última fila.

Passaram-se os minutos, a pista foi limpa e quando voltaram, os pilotos começaram a marcar tempos, com os Red Bull a serem os melhores. Mas quase a seguir, nova amostragem de banderias vermelhas quando o Alfa Romeo de Antonio Giovinazzi bateu no muro e a sua posição perigosa era o suficiente para nova amostragem de bandeiras vermelhas. Parecia que iria ser às pinguinhas... e claro, Giovinazzi iria completar a última fila com Stroll. Desta vez, os Haas e os Williams não iriam ser os bombos da festa, mas não iriam ficar muito mais longe...

É que das três vagas que faltavam, dois foram para os Haas, e o terceiro lugar calhou para Nicholas Latifi, que ficou com a "fava", a favor de George Russell, definitivamente, o piloto que faz da Williams algo melhor do que consegue ser neste momento.

Passando para a Q2, já havia dúvidas sobre Lando Norris, porque aparentemente, ele não tinha ido logo às boxes quando aconteceu a primeira situação de bandeiras vermelhas. Os comissários acreditavam que ele não tinha obedecido às ordens e qualquer posição que alcançasse na grelha, ela estaria em perigo de penalização. 

Os pilotos estavam com pressa para ir à pista e marcar tempos, e por vezes nem sequer olhavam para os espelhos ao ponto do Sebastian Vettel ter ido para fora das boxes quando Sergio Perez estava demasiado perto... mas depois do susto, o mexicano marca 1.41,630 e está no topo da tabela de tempos. Verstappen marcou logo a seguir, um pouco mais lento que o mexicano, enquanto Hamilton abortava a tentativa e esperava por melhores momentos. Quando conseguiu marcar tempo, foi quatro milésimos melhor que o mexicano.


A parte final da Q2 ficou marcado pelo acidente de Daniel Ricciardo na curva 3, causando a terceira situação de bandeiras vermelhas desta sessão. Alguns foram prejudicados, como Sebastian Vettel, que ia na sua volta rápida, e poderia ser decisiva sobre se ficaria ou sairia. Não conseguiu passar. Como não passou Ricciardo, Russell, Kimi Raikkonen e Esteban Ocon. Em contraste, os Alpha Tauri passaram - Tsunoda na Q3, quem diria! - acompanhados pelos do costume na Red Bull, Mercedes e Ferrari, bem como o McLaren de Norris e o Alpine de Fernando Alonso.   

Para o Q3, havia expectativas para saber quem se daria melhor. O mais interessante é que não eram só os candidatos do costume, mas havia mais gente que queria o mesmo lugar, como os Ferrari. E logo nos primeiros minutos, Charles Leclerc começou a ficar com os melhores tempos, aproveitando - também - o vácuo de Carlos Sainz Jr. que no inicio desta Q3 era terceiro.

Mas os Mercedes não ficavam parados, espcialmente quando Lewis Hamilton ficou com o segundo melhor tempo. E Max? Conseguiu passar Sainz Jr, mas era apenas terceiro. Pouco depois, os Alpha Tauri iam para a pista, e com Tsunoda a rebocá-lo, Gasly conseguia o quarto tempo provisório, com o japonês a ser sétimo. Cada vez mais interessante...


A parte final viu os carros saírem das boxes em bando, vendo se havia tempo para uma última volta. Mas as expectativas foram curtas: Sainz e Tsunoda bateram no muro antes da curva 2 e a qualificação terminava ali, com bandeiras vermelhas (pela quarta vez!) e Charles Leclerc a ser pole pela segunda corrida seguida. Claro, pode-se pensar que Hamilton, com o seu segundo tempo, está na frente de Verstappen, o que seria vantajoso para o campeonato... mas nem tanto. É que os números impares largam do lado limpo da pista, e não se pode descartar a ideia de que o holandês poderá fazer uma largada relâmpago...

Ah, e a distância para o sr. Bottas? 1.2 segundos, porque o finlandês largará apenas de décimo na grelha. O Tsunoda e o Alonso ficaram na frente dele, diabos!

Enfim, veremos como será amanhã.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

WRC 2021 - Rali da Sardenha (Dia 1)


Ott Tanak
lidera o Rali da Sardenha, completadas que estão as primeiras oito especiais de classificação. O piloto estónio da Hyundai tem um avanço de 19,4 segundos exatos sobre o espanhol Dani Sordo, noutro Hyundai, enquanto Sebastien Ogier não está muito longe, a 36,2 segundos, no seu Toyota.

Com a Hyundai na "corda bamba" depois da catástrofe portuguesa com as desistências de Thierry Neuville e Ott Tanak, eles queriam agora mostrar em resultados o domínio que tiveram e com os títulos que estão em jogo.

E foi por isso que Tanak entrou ao ataque, vencendo todas as especiais da manhã. Primeiro, na primeira passagem por Filigosu - Sa Conchedda, onde conseguiu um avanço de 1,6 segundos sobe Kalle Rovanpera, enquanto na segunda especial, foi mais veloz em 1.4 sobre Sebastien Ogier e 2,4 sobre Rovanpera. Na terceira especial, o estónio da Hyundai foi superior em 1,2 a Sordo e dois segundos extados sobre o finlandês da Toyota. No final da manhã, a segunda passagem por Terranova, Tanak era melhor que Sordo em 1,4 segundos e Ogier em 1,5, numa especial onde Kalle Rovanpera teve problemas mecânicos e atrasou-se irremediavelmente.  

A tarde começa com Tanak a triunfar pela quinta vez seguida na primeira passagem por Tempio Pausania, 4,9 segundos mais veloz que Sebastien Ogier. A seguir, na primeira passagem por Erula - Tula, Sordo foi o melhor, 1,8 segundos na frente de Tanak e 7,3 sobre Ogier, o terceiro classificado. Foi o suficiente para o espanhol subir para o segundo posto.  

Sordo voltou a triunfar na segunda passagem por Tempio Pausania, 0,3 segundos superior a Tanak, com Evans a 3,5 segundos e Ogier a 6,5. Atrás, Pierre Loubet teve problemas com os travões e caiu imenso na classificação. Por fim, na última especial do dia, na segunda passagem por Erula - Tula, Sordo foi de novo o melhor, empatado com Thierry Neuville, e 5,6 segundos mais veloz que Ott Tanak. A especial ficou marcada também pelos problemas de transmissão por parte de Gus Greensmith, que se retirou e retornará no modo "Rally2". Outro que teve problemas foi Kajetan Kajetanowicz, que se despistou.

"Não é nada de novo - estávamos na mesma situação em Portugal e é por isso que temos de estar muito concentrados amanhã. Tive uma corrida muito suave e limpa e, obviamente, uma melhor posição na estrada do que os rapazes [que estavam] à minha frente.", disse Tanak no final da especial.

Depois dos três primeiros, Elfyn Evans é agora quarto, a 1.02,0 minutos, depois de ter passado Thierry Neuville, que baixou para quinto no seu Hyundai. Katsuta Takamoto é o sexto, noutro Toyota, a 1.18,3, muito longe já de Mads Ostberg, o melhor dos Rally2, sétimo a 3.41,7, na frente de Jari Huttunen (a 4.08,7) e e fechar o "top ten" estão o francês Yohan Rossell, no seu Citroen C3 Rally2 e o espanhol Pepe Lopez, no seu Soda Fabia Evo2, a 4.52,1.

O rali da Sardenha prossegue amanhã com a realização de mais oito especiais de classificação. 

Youtube Motoring Video: Os Automóveis Portugueses, A.R.

Saiu nesta quinta-feira o segundo episódio da série "Automóveis Portugueses", que o "Jornal dos Clássicos" está a fazer no seu canal do Youtube, e hoje, ele é dedicado à marca A,R., de Castelo Branco, que foi fabricado nos anos 50, e do qual só se tem conhecimento de um só exemplar. Tinha um motor Peugeot de 1.4 litros, que fazia 80 cavalos, chassis tubular de alumínio, e muito leve.

O carro participou em diversas provas, quer em Portugal, quer em Espanha, conseguindo como melhor resultado um segundo lugar na Volta a Portugal de 1955. Agora este carro, pintado no vermelho original, está restaurado e pertence a um entusiasta local, que preserva a história deste carro único. 

Noticias: Países Baixos só vão permitir entrada a quem estiver vacinado


As autoridades holandesas informaram esta semana que todos os envolvidos no seu Grande Prémio terão de estar vacinados até ao inicio de setembro, data da corrida. Apesar de ainda faltarem três meses para a prova, isso é importante porque boa parte das pessoas do pelotão são jovens, logo, estão a ser deixados para o fim da fila em termos de vacinação.

Apesar do aviso, e das garantias de que a Formula 1 opera numa bolha, com testes constantes e isolamento imediato a todos que apanham a doença, para impedir que se espalhe, esta ainda não decidiu que todos deveriam já ser vacinados. Houve uma hipótese em março, quando as autoridades do Bahrein ofereceram a vacinação a todos ligados ao "paddock",  mas por uma questão de imagem e por motivos legais, a FIA e a maioria das equipas da Formula 1 decidiram não aceitar essa oferta.

O GP dos Países Baixos acontecerá no fim de semana de 3 a 5 de setembro, uma semana depois do GP da Bélgica.

Rumor do Dia: GP de Singapura vai ser cancelado


O GP de Singapura está prestes a ser cancelado pelo segundo ano consecutivo. A noticia está a ser avançada esta tarde pela BBC, afirmando que a Liberty Media estão no terreno procurando por alternativas à prova, para poder anunciar a seu devido tempo. Quando se confirmar, será a terceira mudança no calendário este ano, depois da inclusão do GP de Portugal no lugar vago pelo Vietname e o cancelamento do GP canadiano, que deu origem ao segundo Grande Prémio no Red Bull Ring e o antecipar do GP de França, em Paul Ricard.

Apesar de um porta-voz da organização não ter comentado a noticia, a organização está neste momento a contactar alguns países para que recebem uma corrida no fim de semana de 1 a 3 de outubro, e duas das chances são o de receber em Istambul Park, que deveria ter acontecido em junho, mas acabou por não se realizar por causa do número de casos em solo turco, e outra chance poderá ser o circuito de Austin receber uma jornada dupla antes da sua corrida, que está marcada para o fim de semana de 22 a 24 de outubro.

Contudo, mesmo que a situação de Singapura seja rapidamente resolvida, poderá não ser o último problema. Com a organização a querer ter um calendário de 23 proas a todo o custo, há pelo menos quatro situações onde o cancelamento poderá acontecer devido à evolução da pandemia. São eles Suzuka, no Japão, Interlagos, no Brasil, o autódromo Hermanos Rodriguez, no México e o GP da Austrália, em Melbourne, que já tinha sido adiado de março para novembro. Todos eles têm a ver quer com a evolução da pandemia, e também com a restrição de entrada de estrangeiros nas suas fronteiras. No caso particular da Austrália, a politica de "tolerância zero" está a levar ao "lockdown" de cidades inteiras quando aparecem casos isolados de CoVid-19, e no Japão, o facto de estar a lidar com os Jogos Olímpicos e estar atrasado na vacinação poderá implicar que não receba a corrida pelo segundo ano consecutivo.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Youtube Formula One Video: António Giovinazzi merece um lugar no pelotão?

Antonio Giovinazzi - ou como alguns chamam, Jesus italiano - é piloto da Alfa Romeo Sauber e está na sua terceira temporada. Está a correr contra Kimi Raikkonen, mas alguns afirmam que ele, aos 27 anos, já passou o seu tempo na categoria máxima do automobilismo e é altura de dar a oportunidade a pilotos mais novos, como Calum Ilott ou Theo Pouchaire.

E é aí que entra Josh Revell, que fez este video sobre Giovinazzi e porque ele merece continuar na Formula 1 nesta e nas temporadas seguintes. 

WRC: Ogier não quer fazer mais temporadas completas depois de 2021


Sebastien Ogier quer fazer de 2021 a sua última temporada completa. Numa entrevista à Autosport portuguesa, e questionado sobre se pensa reconsiderar a decisão de deixar os ralis a tempo inteiro no final do ano, afirmou que isso se mantêm, mesmo que ganhe novo título no WRC.

“Já respondi a esta questão muitas vezes. Não vou fazer uma época completa mesmo que consiga o oitavo título. De acordo com a forma como vejo as coisas, os números não são importantes, há neste momento coisa que valorizo muito mais na vida do que isso, de momento, espero que isso responda a tua pergunta. É verdade que há conversas, eu já disse que posso fazer alguns ralis, hei-de falar com a equipa, aprofundar a questão e em algum momento haverá um plano, e aí todos saberão”, afirmou.

Nas vésperas do rali da Sardenha, Ogier afirmou que as condições de estrada por lá são tão duras como em Portugal, logo, é provável que fique mais da defensiva para poder levar o carro mais longe. 

"Em Portugal não foi fácil, mas a Sardenha costuma estar no topo da lista. É o pior rali nesse aspeto, o piso está ainda mais seco, há ainda mais areia do que em Portugal, e pelo que vimos dos reconhecimentos parece mais difícil aqui, mas ao fim ao cabo, por vezes, quando há mais terra solta o que eu posso esperar é que é não limpe tão bem para quem vem atrás e demore mais algum tempo até que exista aderência máxima, e pelo menos quem vem atrás de mim não tenha tanta vantagem. Sim, a Sardenha é mais complicada…”, disse.

Sobe onde se vê depois de encerrar o seu capitulo no WRC, disse que coisas como o Extreme E ou o Dakar é algo que se vê a experimentar.

“Tenho alguns ‘desejos’ de momento, mas estou mais virado para provas de circuito. Provavelmente seria um desafio maior, mas ainda assim, mais fácil virar-me para o Dakar ou Extreme E, que é mais lógico para um piloto de ralis. O que eu quero é desafiar-me, desafios mais difíceis, entrar em algo que nunca fiz antes, e ver como me saio. Não espero chegar lá e andar como os pilotos de topo nessas categorias, e a minha ideia é chegar lá e lutar para ficar o mais perto possível”, afirmou.

Questionado sobre se em 2022 voltaria a fazer o rali de Portugal para tentar desempatar com Markku Alen no número de triunfos na prova, Ogier disse que era uma possibilidade em aberto.

“Toda a gente sabe que o Rali de Portugal é uma prova que gosto muito, por acaso tenho algumas saudades do Sul, pois quanto a mim os troços são ainda melhores, mas se não fizer o campeonato e puder fazer algumas provas, talvez possa ter um boa posição na estrada, e poderia ser interessante fazê-lo, isso é certo, mas para já não consigo responder, mas estar empatado com o Markku Alén é também bom, não é uma coisa que queira demasiado, vamos ver o que o futuro nos traz…”, concluiu.

Noticias: Brawn disposto a ter Mónaco e Indianápolis em dias diferentes


Ross Brawn está aberto à ideia de ter corridas de Formula 1 e as 500 Milhas de Indianápolis em dias diferentes. Com as primeiras datas desencontradas desde 2003, e com alguns pilotos a afirmarem cada e mais abertamente a ideia de correr no "Brickyard", Brawn afirmou que a ideia até seria boa, desde que beneficie o automobilismo como um tido.

“Certamente, da nossa perspetiva - a gestão da Fórmula 1 - abraçamos todo o automobilismo, porque um dos meus ex-colegas Sean Bratches costumava dizer, quando a maré sobe todos os barcos sobem, e acreditamos muito nisso”, começou por dizer Brawn à americana racer.com. “Se você aumentar o interesse pelo automobilismo, mais fãs se agregarão."

“‘Drive to Survive’[a série da Netflix] tem sido um grande sucesso - trouxe fãs para a Fórmula 1, não há dúvida de que esses fãs estarão olhando para outras formas de automobilismo também, porque de repente eles encontraram este novo mundo. E nós somos iguais - queremos que a Indy 500 seja um grande sucesso para que, quando formos para a América, os fãs passem para o outro lado.", continuou.

“É ótimo que não colidiu neste fim de semana - deu a chance de poder assisti-lo, pois eu não estava voltando de Mónaco pela primeira vez! Abraçamos todas as formas de automobilismo. É ótimo que uma das equipas da Fórmula 1, a McLaren, esteja envolvida por lá neste momento. Os pilotos de Fórmula 1 sempre estiveram envolvidos lá - tende a ser uma carreira de continuação, mas talvez se não coincidir, não precisa ser.”, concluiu.

Com o facto da organização da Indianápolis Motor Speedway estar agora nas mãos de Roger Penske, Brawn afirmou estar aberto a uma maior colaboração entre ambas as entidades.

“Estamos totalmente abertos [à ideia]. Acho que nossa administração aqui, inclusive eu, está completamente aberta a qualquer um desses tipos de possibilidades. Em primeiro lugar, tem que aumentar o espetáculo desportivo. Não queremos que nada disso se transforme em algum tipo de evento falso, mas estamos muito abertos a esse tipo de iniciativa.

“E é claro que Indy nesse lado das coisas está sendo comandado por um velho amigo nosso, Roger Penske - Roger sempre teve interesse e esteve envolvido na Fórmula 1 - então há possibilidades muito reais de colaborações no futuro."

quarta-feira, 2 de junho de 2021

A imagem do dia (II)


Poucos são os momentos da história onde se pode ver pilotos a desafiarem os elementos para, numa prova onde os carros são artificialmente igualados, se depender tanto do talento do piloto para se mostrar perante os seus pares e o mundo. Um bom exemplo pode-se ver no GP do Mónaco de 1984, quando Ayrton Senna, no seu Toleman, e Stefan Bellof, no seu Tyrrell, mostraram o que podiam em carros que, noutras circunstâncias, não teriam dado tanto nas vistas.

Mas as circunstancias da primeira vitória de Michael Schumacher na Ferrari, no GP de Espanha de 1996, roçam o épico e só mostram o estofo dos campeões. De controlar o carro em circunstâncias extremas, superar bólidos superiores a ele e não só vencer, como o de dar muito avanço à concorrência. Curiosamente, duas semanas antes, no Mónaco, também debaixo de chuva, tinha batido na primeira volta... irónico, hein?

É verdade que o Ferrari daquele ano não era nenhuma desgraça - ele lutou pela vitória com Jacques Villeneuve na quarta prova do ano, o GP da Europa, em Nurburgring - mas ele era certamente menos favorito que os Williams do seu rival canadiano e de Damon Hill. Contudo, com a chuva a igualar todos, o alemão aproveitou bem as circunstâncias para mostrar que, como piloto, era superior a todos eles.

Claro, a sua vida ficou facilitada quando no final da primeira volta, seis dos vinte carros presentes foram eliminados em vários despistes e colisões, e no final da volta 20, apenas nove carros continuavam a correr no circuito. Isso normalmente não é motivo para as câmaras seguirem um determinado carro - isso acontece, independemente dos bólidos que circulam na pista - mas o facto de Schumacher estar "a dar um baile" à concorrência, num carro que era à partida, inferior a outros, fez arregalar os olhos de todos que observavam aquela corrida. 

Mas a grande moral nisto tudo é que ele, se tivesse uma chance de mostrar o que era capaz, fazia-o. E naquele dia de há 25 anos, mostrou que era um dos melhores, não do pelotão, mas de sempre.