terça-feira, 4 de setembro de 2007

Missing: Steve Fossett

O aventureiro Steve Fossett, detentor de vários recordes do mundo em aviação e no mar, encontra-se desaparecido desde a noite de ontem no deserto do Nevada, no Oeste americano.


Fossett, de 63 anos, foi dado como desaparecido depois do seu avião ter descolado de Smith Valley sem um plano de vôo definido. Segundo um jornal local, citado pela CNN, três aviões estão a conduzir as buscas, prevendo-se que se reforce nas próximas horas. Um piloto local, citado também pela cadeia americana, Fossett não teria consigo nenhum pára-quedas e teria combustível para apenas quatro ou cinco horas de voo.

Este homem é o derradeiro aventureiro dos nossos tempos. Membro honorário da Royal Geographical Society e do Explorers Club, detêm 115 recordes mundiais reconhecidos, em cinco categorias, em mar e ar. No seu currículo tem entre outros, a subida dos cumes mais altos do mundo, excepto o Everest, uma travessia a nado do Canal da Mancha, participou por duas vezes nas 24 Horas de Le Mans, mas foi nos anos 90 e no inicio do século que alcançou os seus maiores feitos:


- Em 1995, torna-se no primeiro homem a atravessar o Pacífico de balão;
- Em 2002 é o primeiro homem a circumnavegar o Globo em balão sozinho.
- Em 2004, torna-se no homem mais rápido do mundo a circumnavegar o Globo em catamaran, a bordo do "Chyenne". Conseguiu isso em 58 dias e nove horas.

A maior proeza de todos foi alcançada em 2005, quando, após várias tentativas frustradas, efectuou o primeiro voo a solo à volta do mundo, sem paragens nem reabastecimentos, a bordo de um moderno avião de design ultra-leve. No ano seguinte usou o mesmo aparelho, baptizado de Global Flyer, para estabelecer um novo recorde de distância em voo solitário, percorrendo 42 mil quilómetros em três dias, sem qualquer escala.

Mas no meio dos vários feitos, teve também tempo para vários fracassos, alguns deles quase lhe custaram a vida: em 1998, quando tentava bater o record de circumnavegação em balão, um problema técnico em pleno Oceano Pacífico levou a que fizesse uma ategrragem forçada, depois de perder mais de 750 metros por segundo na queda do seu balão.

GP Memória - Itália 1967

Esta corrida é lembrada não só por uma chegada “ao sprint”, mas também pela última grande exibição de um grande campeão: Jim Clark. Do azar, fez força, e tudo parecia que ele iria vencer mais um Grande Prémio e candidatar-se a um título mundial, o azar voltou a atrapalhar Clark, quando ficou sem gasolina na última volta. Mas foi uma exibição de encher o olho! E o vencedor, John Surtees, no seu Honda, só conseguiu isso batendo “Black Jack” Brabham por apenas 0,2 segundos…


A 10 de Setembro de 1967, a Formula 1 preparava-se para realizar mais um Grande Prémio em Monza. Nesta altura do campeonato, o neo-zelandês Dennis Hulme era o comandante, com 43 pontos, contra 34 de Jack Brabham, seu companheiro, patrão e o Campeão do Mundo em título. Chris Amon era terceiro, com 20 pontos, à frente de Jim Clark, que só tinha 19 pontos. Se Hulme ainda não era campeão do mundo, estava quase: os seus Brabham-Repco eram na altura as máquinas mais eficientes do pelotão da Formula 1. ao contrário, os Lotus 49 sofriam de problemas de juventude e desenvolvimento, apesar de terem potencial vencedor. Clark tinha ganho em Zandvoort e Silverstone, mas a fiabilidade do carro ainda não era o seu forte, e costumava traí-lo.


Mas o motor Cosworth era rápido e potente o suficiente para fazer um brilharete: Jim Clark fez a pole-position, com Jack Brabham ao seu lado. Bruce McLaren era terceiro, já demonstrando todas as potencialidades do seu chassis. Na sua táctica habitual, de largar na frente e imprimir o seu ritmo, este seria um passeio no parque… se o carro ou o motor Cosworth colaborar.


Mas no momento da partida, Clark foi surpreendido por… Dan Gurney. O piloto americano da Eagle – Westlake partiu logo na frente, seguido por Clark e Brabham. As coisas passaram-se assim até à quinta volta, altura em que o americano teve que acabar a corrida porque o motor cedeu. Assim sendo, Clark ficou na frente e começou a fazer aquilo que sabia melhor: imprimir o seu ritmo. Tudo corria bem até à volta 13, quando o desastre aconteceu: um pneu furado. Lentamente, Clark levou o seu carro até à box, onde os mecânicos colocaram pneus novos. Só que naquele tempo, a operação era demorada, e Clark ficou a uma volta da liderança.


Foi aí que começou a sua extraordinária recuperação, como explica o Blog Formula 1 Grand Prix: "Quando voltou, Clark estava uma volta inteira atrás dos líderes. Graham Hill, seu companheiro na Lotus, era o primeiro colocado. Mas havia todo um pelotão não tão distante. As Brabham de Jack Brabham e Dennis Hulme, a Honda de John Surtees, a Ferrari de Chris Amon e a Cooper de Jochen Rindt eram apenas alguns dos adversários.


Apesar da concorrência, Hill abriu uma vantagem confortável na liderança. Ao mesmo tempo, Brabham tinha problemas com um acelerador preso e Hulme abandonava por sobreaquecimento. Enquanto tudo isso acontecia, Clark estava em franca recuperação.


O escocês não demorou a recuperar a volta perdida que tinha para os líderes. Agora, sua desvantagem era de algo em torno de um minuto e meio. Seria a recuperação impossível? Não para Jim Clark.


A nove voltas do fim, Hill quebrou de repente, deixando a liderança para Brabham. Surtees vinha pouco atrás em segundo, enquanto Jim já aparecia em terceiro. Definitivamente, não havia nada que os dois da frente poderiam fazer para segurar o escocês. Em apenas duas voltas, Clark ultrapassou Surtees e Brabham. Estava de volta ao primeiro lugar, após uma exibição fantástica, e faltando apenas alguns poucos giros para o fim do Grande Prêmio. Nada poderia dar errado. Nada?"



Pois é… o balde de água fria veio na ultima volta: Clark teve que abrandar que abrandar porque… não tinha gasolina! Sendo assim, John Surtees de Jack Brabham passaram Clark e discutiram entre si quem iria ganhar a corrida. E decidiram… por 0,2 segundos. A favor de John Surtees, no seu Honda. Seria a última vitória do piloto inglês e da marca do Sol Nascente durante 39 anos.


Mais tarde soube-se o porquê da falta de gasolina na última volta: "Após o furo (…) do escocês, Colin Chapman resolveu arriscar, colocando um mínimo de combustível no carro de Jim. Em sua brilhante recuperação, o escocês quase esvaziou o tanque. O sistema, então, falhou, deixando de puxar os últimos litros. Superado pelos dois líderes, Clark precisou se contentar com o terceiro lugar.


Dizem que essa foi uma das pouquíssimas vezes em que o escocês desentendeu com seu chefe. Afinal, depois de sua fenomenal actuação, nenhum outro resultado era merecido além da vitória. Infelizmente, por um desses caprichos do automobilismo, ela não veio."

Já agora, para acabar: o Blog do Ico, que colocou ontem um post sobre esta corrida, colocou também um link para um livro de banda desenhada sobre este Grande Prémio. Com base em fotografias e em imagens do jogo "Grand Prix Legends", fez uma excelente história. A não perder!

A imagem do dia

Continuando com a minha homenagem a Jochen Rindt, eis a apresentação dos pilotos para o Grande Prémio de França de 1969, no circuito de Charade. Da esquerda para a direita, eis os eleitos: Bruce McLaren, Denny Hulme, Graham Hill, Silvio Moser (o do boné), Jo Siffert, Jacky Stewart, Piers Courage, Jochen Rindt, Vic Elford, Jean-Pierre Beltoise, Jacky Icxx e Chris Amon. O vencedor foi Stewart, na sua caminhada implacável rumo ao título...

O piloto do dia - Jochen Rindt (2ª parte)

O ano de 1970 começa com Jochen Rindt a usar o Lotus 49, mas sabia que Colin Chapman estava a preparar um novo carro: a versão 72. As duas primeiras corridas não foram boas: em Kyalami, foi 13º, e desistiu em Jarama. Aliás, da primeira vez que experimentou o Lotus 72, no circuito espanhol, despistou-se ao fim de 200 metros devido a um defeito no veio do travão dianteiro esquerdo. Rindt discutiu com Chapman e o seu mau feitio veio ao de cima: “Nunca mais piloto esta m**** de carro!” era um sinal de que desaprovava o estilo de Colin Chapman. Mas depois de uma conversa séria, as coisas voltaram ao normal…


De regresso ao Lotus 49, chega ao Mónaco disposto a acabar a corrida como vencedor. Mas encontra como grande opositor, o “Black Jack” Brabham, que ainda aos 44 anos (!) dava cartas. O duelo entre eles foi intensamente vivido quer dentro da pista, quer fora dela. Oitenta voltas em que o mundo inteiro não descolava olho da pista (ou da televisão) para saber qual deles é que levava a melhor. E acabou por ser um erro de Brabham, na última curva da última volta, que deu a primeira vitória do ano para Jochen Rindt. A cena foi tão surpreendente, que o próprio comissário não se lembrou de agitar a bandeira de xadrez quando Rindt passou, pois estava à espera de Brabham!


Rindt volta ao Lotus 72 em Zandvoort, na Holanda, onde ganha, mas também vê morrer carbonizado o seu grande amigo Piers Courage. Consta-se que foi a partir daí que Rindt tomou a decisão de abandonar a competição no final da época. Mas queria retirar-se em grande. Logo, ganhou as três provas seguintes: França, em Charade; Inglaterra, no circuito de Brands Hatch; e Alemanha, no circuito de Hockenheim, numa final disputada ao segundo com o belga Jacky Ickx… Seria a sua última vitória na Formula 1.


Depois de não ter concluído a corrida da sua terra, disputada no novo circuito de Zeltweg, Rindt e a Lotus estavam em Monza para colectar os pontos que faltavam para ganhar mais um título de pilotos. Quando começaram os treinos classificativos de sexta-feira, os Lotus eram anormalmente lentos em relação à concorrência: a armada Ferrari, com Ickx, Regazzoni e Giunti eram os primeiros, o March do seu amigo Jackie Stewart e o BRM de Pedro Rodriguez eram quarto e quinto, enquanto que Rindt era sexto. Rindt queria guiar a versão 49, mas Chapman não deixou, decidindo em vez disso trocar o motor, e concordou com a decisão de Rindt em tirar as asas traseiras. O austríaco diria depois: “Sem as asas faço mais 800 RPM nas rectas, e sem ir no vácuo de outro”. Isso foi o seu primeiro erro.


O segundo erro seria o cinto de segurança. Só nos últimos tempos é que tinha sido convencido em usar um cinto de segurança de quatro pontos. E nesse dia 5 de Setembro, Rindt só tinha apertado os cintos de cima...


Sábado, 5 de Setembro de 1970. Começam as qualificações. Jochen Rindt tenta por todos os meios ultrapassar a Ferrari na sua própria casa. Sem as asas, ganha velocidade de ponta, mas tem dificuldades para curvar, algo que para ele não deixava de estar habituado. Primeiro faz de modo cauteloso, e depois a toda a velocidade.


A meio da qualificação, Rindt chega à recta oposta à meta, e ultrapassa o McLaren de Dennis Hulme, em direcção da Curva Parabólica. Quando chega à altura de travar, um dos veios de travão cedeu e Rindt perde o controlo do seu Lotus, chocando de frente com os rails. No impacto, o corpo de Rindt deslizou para baixo, partindo as pernas e os braços e rompendo fatalmente a traqueia.


Os socorristas acudiram-no, e ainda vivia. Mas o socorro foi um desastre: sem um helicóptero na pista, em vez de o levar para o centro médico do circuito, para estabilizá-lo e dar os primeiros socorros, levaram-no directamente de ambulância para o Hospital Central de Milão, que ficava a uns 40 km. Mas quando chegaram, já era demasiado tarde: aos 28 anos, Karl Jochen Rindt estava morto.


A sua carreira na Formula 1: 62 Grandes Prémios, em sete temporadas, seis vitórias, treze pódios, dez pole-positions, três voltas mais rápidas e 109 pontos no total, mas que só contaram 107.


Alguns dias mais tarde, mais de 30 mil pessoas acorreram a Graz para assistir ao funeral do seu herói. Os seus amigos e concorrentes Jackie Stewart, Graham Hill, Jack Brabham, Chris Amon, Jo Siffert, Rolf Stommelen, John Miles, Jo Bonnier, Derek Bell e Masten Gregory, estiveram no funeral. O seu patrão, Colin Chapman, e o seu empresário, um tal de… Bernie Ecclestone, também lá estiveram. O piloto foi enterrado no Zentralfriedhof de Graz, onde existe uma estátua a homenageá-lo.


Logo imediatamente, Colin Chapman decidiu retirar os seus Lotus da corrida. Depois, havia este dilema: dar-se ia o título a um piloto morto, caso a época acabe e ele ainda fosse o líder da tabela de pilotos?


Quando a FIA decidiu que sim, a Lotus reorganizou-se e concentrou os seus esforços no seu número dois: o “rookie” brasileiro Emerson Fittipaldi. A estratégia era impedir que Jacky Icxx ganhasse todas as corridas que faltavam, sob pena da Ferrari levar o título para casa. O piloto belga ganhou em Mosport, mas na corrida seguinte, no circuito de Watkins Glen, Ickx atrasou-se na corrida e Fittipaldi aproveitou para ganhar a sua primeira corrida da sua gloriosa carreira e dar ambos os títulos: o de construtores a Chapmam, e o de pilotos… a Nina Rindt.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

IRL - Ronda 16, Detroit

Por incrível que pareça, o campeonato da Indy Car League (IRL) está a chegar ao fim. A prova de ontem, em Detroit, foi a penúltima do campeonato, cujo término acontecerá... na semana que vêm, em Chicagoland. E a disputa do título é tão forte e tão renhida que é usual haver manobras polémicas... e ontem não foi excepção.


Desta vez, foram dois dos candidatos ao título: Scott Dixon e Dario Franchitti. O "escocês voador" (em todos os sentidos!) foi envolvido uma manobra polémica provocada pelo piloto neo-zelandês na penultima volta. Tudo começou com Dixon a ultrapassar Buddy Rice, na luta pela segunda posição. A manobra não deu certo, pois ambos tocaram-se. O americano bate no muro, e o neo-zelandês ficou no meio da pista. Quando este vê Dario Franchitti, que vinha logo atrás dele, sabem o que fez? Fecha o carro no escocês!

A manobra deu certo (em parte), mas o escocês acabou em quinto lugar, enquanto que Dixon sai em oitavo. A vantagem de três pontos sobre Dixon. Quem saiu a ganhar com isto tudo, foi Tony Kanaan, que ganhou a sua quinta corrida neste ano, mas não tem muitas hipóteses de conquistar o título. Só se ele ganhasse e os outros dois concorrentes ficassem para trás logo na primeira volta...

Outra pessoa que está contente nesta altura é Danica Patrick. alcançou ontem a sua melhor posição de sempre, um segundo lugar, e pode ser que a ideia de uma inédita vitória feminina na IRL seja uma realidade muito próxima... Para completar o pódio, o britânico Dan Wheldon.

Noticias: Spyker comprada por indianos

A Spyker anunciou hoje que conseguiu, por 110 milhões de Euros, ser comprada pela Watson Limited, um consórcio liderado por Vijay Mallya, o "Sr. Kingfisher", um dos homens mais ricos da India.

Mallya é não só dono da maior comapnhia de cerveja do país, a Kingfisher, bem como da maior companhia privada da India, a Kigfisher Air, que recentemente encomendou... cinco Airbus A380, por quase mil milhões de Euros.

A companhia, que já patrocinou a Benetton em 1996, e que hoje em dia patrocina a Toyota, é um homem de sucesso. Segundo aquilo que leio no blog GP Insider, do Mario Bauer, compra empresas quase falidas e transforma-as em casos de sucesso.

Agora, resta saber quem serão os pilotos para 2008. uma coisa é certa: há um homem que está a comemorar intensamente nesta hora: Narain Karthikayean. Ou acham que Mallya iria comprar a equopa e deixa-lo de lado?

O piloto do dia - Jochen Rindt (1ª parte)

Este homem é especial. Nasceu num país, mas correu por outro. Foi um piloto muito rápido, com um estilo por vezes brutal. Talvez seja por isso que ganhou somente na sua sexta época. Nunca gostou muito de Colin Chapman, e quando ia ser campeão do mundo e gozar a reforma, um acidente fatal corta-lhe os sonhos, tornando-se até hoje (e esperemos que continue assim) no único Campeão do Mundo a título póstumo. O piloto do dia é Jochen Rindt.


Karl Jochen Rindt nasceu a 14 de Abril de 1942 na cidade alemã de Mainz. Os seus pais morreram em Julho de 1943, duas das mais de 50 mil vítimas do bombardeamento aliado à cidade de Hamburgo, que durante mais de uma semana dizimou dia e noite a segunda maior cidade alemã. Foi então criado pelos seus avós maternos, que viviam na cidade austríaca de Graz. O avô tinha um negócio de importação de especiarias, e esperava que o seu neto herdasse o negócio.


No início da década de 60, após a morte dos seus avós, vendeu o negócio e começou a correr em carros de Turismo, e em 1963 comprou um Cooper de Formula Júnior, no qual conseguiu excelentes resultados. No ano seguinte, passou para a Formula 2, apoiado pela Ford Áustria, onde conseguiu alguns resultados de relevo: um segundo lugar em Mallory Park e uma vitória em Crystal Palace. Nesse ano faz a sua estreia na Formula 1 no seu Grande Prémio natal, num Brabham da equipa de Rob Walker. Apesar de não ter terminado a corrida, foi convidado para correr na equipa oficial da Cooper por Bruce McLaren.


Em 1965, com um Cooper T77, Rindt tem uma temporada de aprendizagem, com resultados modestos. O seu melhor resultado é um quarto lugar na Alemanha, terminando a temporada com quatro pontos, no 13º lugar da classificação. Entretanto, também corre em Sport – Protótipos, e foi aí que consegue o seu melhor resultado: a vitória nas 24 Horas de Le Mans, ao volante de um Ferrari 250LM da equipa NART, de Luigi Chinetti (1901-1994) em companhia do americano Masten Gregory.


No ano seguinte, ainda na Cooper, Rindt consegue melhores resultados, mas não ganha. É segundo em Spa-Francochamps e em Watkins Glen e terceiro no temido Nurburgring, acabando a temporada na terceira posição do campeonato, com 24 pontos, dos quais apenas 22 irão contar. É o resultado do talento do piloto, mais do que a performance do carro… Continuou a correr na Cooper em 1967, mas a temporada foi pior. O melhor que conseguiu foram dois quartos lugares, e esses seis pontos deram-lhe o 13º lugar. Entretanto, resolveu fazer uma incursão nas 500 Milhas de Indianápolis, onde terminou a corrida na volta 108, com uma válvula quebrada.


Nesse ano ocorre uma importante decisão na sua vida pessoal: casa-se com Nina Lincoln, filha do piloto finlandês Curt Lincoln, um dos maiores pilotos finlandeses de sempre em pista, antes dos Rosbergs, Hakkinens, e Raikonnens…


Em 1968 passa para a Brabham, em substituição de Denny Hulme, que tinha ido para a McLaren. Rindt debata-se com um mau carro, que não lhe dá mais do que dois terceiros lugares em Kyalami e Nurburgring. Com esses oito pontos, e mais duas pole-positions em Reims e Mosport, fica com o 12º lugar. Entretanto, tenta de novo as 500 Milhas de Indianápolis, mas desiste logo de início. Por esta altura, muitos questionavam se Rindt alguma vez iria ganhar alguma corrida. O inglês Dennis Jenkinson, um dos mais famosos jornalistas de automobilismo de sempre, afirmou que cortaria a barba caso Rindt ganhasse alguma vez uma corrida de Formula 1.


Em 1969, transfere-se para a Lotus, que têm a melhor máquina do momento, com o seu modelo 49. Rindt tinha sido contratado para substituir Jim Clark, morto no ano anterior, e para ser o número dois de Graham Hill e eventual sucessor, já que ele tinha já 39 anos de idade. Tudo corria bem no circuito citadino de Montjuich, quando os aerofólios dos dois Lotus 49 partiram-se no mesmo local. Hill nada sofreu, enquanto que Rindt partiu o nariz e o maxilar. Foi aí que começou a sua luta contra as alterações aerodinâmicas. Primeiro, escreveu uma carta aberta apelando ao fim do seu uso, afirmando que "eram perigosos, para os pilotos como para os espectadores".




Mas ao longo da época, Rindt mostrou que tinha carro para vencer. Quase acontece em Monza, onde Jackie Stewart leva a melhor por... 0,3 segundos! Mas na corrida seguinte, no circuito de Watkins Glen, outro duelo épico com o novo campeão do mundo, Stewart, acaba com a sua primeira vitória da sua carreira. Contudo, apesar da rivalidade, ambos eram grandes amigos, e com o dinheiro do prémio, Rindt comprou uma casa na Suiça, muito próximo da casa de... Stewart. E lá Dennis Jenkinson cumpriu a sua promessa de tirar a barba…


Mas essa corrida foi dramática para a Lotus, pois viu o seu outro piloto, Graham Hill, partir as pernas num horrível acidente, o que fez aumentar os receios de Rindt em relação à segurança dos carros que conduzia… No final da época, Rindt, para além da vitória em Watkins Glen, tinha conseguido mais quatro pole-positions, duas voltas mais rápidas e três pódios, classificando-se no quarto lugar, com 22 pontos. E em 1970, Rindt tinha a certeza que seria primeiro piloto da Lotus!

A capa do Autosport desta semana

Interessante, o tema... mas honestamente perferiria ver o Marcus Gronholm na capa, pois foi o rali mais emocionante de que há memória e ver como grande destaque a Formula 1... nada contra, mas para mim o Mundial de Ralies não é uma competição menor. Especialmente depois de um rali daqueles.


E a Red Bull Air Race, que aconteceu no Sábado, no Porto, parece-me bem.

A imagem do dia

Marcus Gronholm a comemorar aquela que deve ter sido a sua vitória mais difícil, porém mais excitante da sau carreira. Ao ganhar na última madrugada o Rali da Nova Zelândia por 0,3 segundos, a mais pequena diferença de sempre na história do Mundial de Ralies, não só demonstrou que é capaz de bater o seu rival da Citroën e actual tri-campeão da catregoria, Sebastien Löeb, como também pode ter dado um passo decisivo rumo ao título mundial.


Parabéns, campeão!

domingo, 2 de setembro de 2007

CART - Ronda 12, Assen

A ronda holandesa da CART, que ocorreu esta tarde no circuito holandês de Assen, conheceu um novo vencedor esta temporada: o britânico Justin Wilson, que aproveitou a má classificação de Sebastien Bourdais para triunfar. O segundo classificado foi o belga Jan Heylen, que conseguiu aqui o seu melhor resultado do ano.

Quem continuou com a boa onda da corrida anterior foi Bruno Junqueira, que foi terceiro na corrida, o seu segundo pódio consecutivo, depois do segundo lugar em Zolder. O francês Sebastien Bourdais classificou-se em sétimo lugar, mas isso não irá afectar a sua corrida solitária para o quarto título, pois o seu maior rival, o holandês Robert Doornbos, classificou-se ainda pior, na 13ª posição.


Quanto a Katherine Legge, a unica representante feminina neste campeonato, classificou-se na 12ª posição na corrida, mesmo à frente de Doornbos. A próxima prova do campeonato será disputada daqui a mais de um mês, a 21 de Outubro, no circuito citadino de Surfers Paradise, na Australia.

Extra-Campeonato: Vanessa Feranades é Campeã do Mundo!

Ontem à tarde, assitiu-se a algo inédito: a melhor triatleta do mundo é portuguesa! Vanessa Fernandes, de 22 anos, conquistou ontem à tarde na cidade de Hamburgo o título mundial de triatlo, algo que ela perseguia há mais de três anos. A portuguesa, que é líder do “ranking” mundial, conquistou um título inédito na sua carreira, depois de ter sido segunda na edição do ano passado, atrás da australiana Emma Snowsill, que desta vez foi segunda classificada nesta prova.


Vanessa Fernandes têm dominado o panorama do triatlo mundial. Depois de ter sido campeã europeia e de ter ganho mais de 15 provas do calendário mundial, e de ter ganho há uns meses atrás o título mundial de duatlo, só falta agora o título olimpico, que poderá conquistar no ano que vêm, em Pequim. A atleta foi sétima classificada em 2004, em Atenas, quando tinha apenas 19 anos...


Até é bom ver alguém a ganhar noutra modalidade que não o futebol, numa altua que se fala dos Cristianos Ronaldos por razões menos abonatórias...

WRC: Rali da Nova Zelândia, Final

Vocês fazem ideia o que são três décimos de sengundo? Se calhar até têm... pela Formula 1. Mas agora eu falo de ralies, e essa foi a diferença entre o vencedor e o segundo classificado. E quem ficou com o lugar mais alto do pódio foi... Marcus Gronholm! Pela margem mais curta de sempre.


À partida para o último dia de prova, sabia-se que a luta iria ser renhida entre os dois pilotos, já que a diferença era de 1,7 segundos, com Sebastien Löeb à frente. O site português Autosport mostra o "filme" da última etapa:

PE 11 - Loeb lidera com 1,7s
PE 12 - Gronholm passa para a frente com 0,1s de avanço
PE 13 - Novamente Loeb líder com 0,5s
PE 14 - Loeb aumenta a margem para 2,9s
PE 15 - Gronholm reduz para 2,3s
PE 16 - Gronholm volta a reduzir, colocando em 0,2s
PE 17 - Gronholm passa para a frente por 0,7s
PE 18 - Loeb vence PE, mas Gronholm confirma a vitória por 0,3s

Já agora: o recorde anterior pertencia a Colin McRae, quando bateu o espanhol Carlos Sainz no Rali de Portugal de 1998 por apenas 2,1 segundos.

Quem completou o pódio foi o companheiro de Gronholm na Ford, Mirko Hirvonen, a mais de um minuto dos dois pilotos. O australiano Chris Atkinson e o finlandês Jari-Mari Latvala também envolvaram-se numa acesa luta pelo quarto lugar, com a sorte a sorrir para o australinao da Subaru. O resto da classsificação foi completado com o espanhol Daniel Sordo, no Citroen C4, o norueguês Petter Solberg, num Subaru, e o Mitsubishi Lancer do estonio Urmo Aarva.

Quanto a Armindo Araújo, uma posição no derradeiro dia de prova, vencendo um troço e provando que tem andamento para andar na frente. O sexto lugar na classificação de Produção é fraco consolo para quem tinha carro para ganhar na sua categoria, mas problemas mecânicos calham a todos... O vencedor na categoria foi o japonês Toshi Arai, que bateu o irlandês Neil McShea.

A imagem do dia

Uma imagem da Red Bull Air Race, que teve ontem mais uma etapa do campeonato, nas margens do Rio Douro. Mais de meio milhão de pessoas assistiram ao espectáculo destes Formula 1 dos ares. O vencedor foi o inglês Steve Jones.

sábado, 1 de setembro de 2007

WRC - Rali da Nova Zelandia, Dia 2

O Rali da Nova Zelândia está ao rubro! Sebastien Löeb ou Marcus Gronholm, quem irá ganhar? Ao final do segundo dia da competição, ambos os pilotos estão separados por... 1,7 segundos! Neste dia, o piloto francês do Citroën C4 levou a melhor sobre o finlandês do Ford Focus WRC, mas nada está decidido neste rali, muito pelo contrário...



O piloto francês conseguiu recuperar de uma desvantagem de 16, 9 segundos, 11,3 dos quais só num troço de 31 km, a especial de Franklin. A partier daí, ora Löeb, ora Gronholm, disputavam segundo a segundo a liderança da corrida, com o francês a atacar nos momentos certos. Amanhã tudo se decidirá. e emoção não faltará. Quem será o vencedor?



Em relação ao resto, poucas novidades: Mirko Hirvonen é terceiro a 1m12,5 segundos de Löeb, enquanto Jari Mari Latvala é quarto, mostrando aqui que é um bom piloto, a bordo do carro da equipa privada Sobart. Chris Atkinson é quinto, muito próximo de Latvala, enquanto Daniel Sordo está a mais de trinta segundos do australiano da Subaru. A fechar os lugares pontuáveis, Petter Solberg, com um Subaru carregado de problemas, e o estónio Urmo Aava, que poderá estar a realizar na Nova Zelândia a última aparição do modelo Lancer WRC no Mundial de Ralies.


Quanto a Armindo Araújo, más noticias: na primeira passagem pelos troços do segundo dia, as coisas não lhe correram nada bem, já que o piloto da Mitsubishi Lancer perdeu muito tempo nas especiais sete e oito, com problemas de diferencial. Com isso a liderança da prova foi à vida. Agora, é sétimo da geral de Produção, e apesar dos problemas estarem resolvidos, este é um rali estragado, pois tinha tudo para ganhar.


«Tivemos dois problemas graves nesta segunda etapa. O primeiro aconteceu logo no segundo troço quando o diferencial traseiro se partiu e ficamos apenas com tracção à frente. Com isto perdemos muito tempo porque não só o carro tinha dificuldade em progredir como acabamos por também ter que ceder passagem aos pilotos que vinham atrás de nós, no seu ritmo normal. Na assistência resolveram o problema.» Disse Armindo Araújo ao site Autosport.

GP Memória - Suiça 1982

Nem sabia, mas por estes dias, comemorou-se o 25º aniversário da primeira vitória de Keke Rosberg, e da Finlândia na Formula 1. O excelente blog jcspeedway, do João Carlos Viana, lembrou-me do feito, e é como base no seu relato que publico este artigo. Foi essa vitória que tanto perseguia (e quase alcançava na Áustria) que deu o impulso decisivo para ganhar o campeonato mundial desse ano. E numa corrida disputada em Dijon-Prenois, pois na Suiça, as corridas de automóveis eram então proibidas…


A ideia do Grande Prémio suiço tinha dois objectivos: primeiro, a FIA queria convencer a Suiça para que levantasse a lei, fazendo com que o evento se tornasse num sucesso. A lei tinha sido implementada em 1955, na sequência dos trágicos acontecimentos das 24 Horas de Le Mans daquele ano, onde o Mercedes desgovernado de Pierre Levegh matou 80 espectadores. Contudo, essa lei só foi revogada 25 anos depois deste Grande Premio...


Segundo motivo: aproveitando o bom momento dos pilotos franceses, fazia-se uma segunda corrida em território gaulês, já que por essa altura, o GP de França pendia sempre entre Paul Ricard e Dijon. Nesse ano, era a vez do autódromo situado no sul do país a receber a corrida, que terminou numa polémica dupla Renault, com René Arnoux a não obedecer às ordens para deixar passar o seu companheiro, Alain Prost. Resultado? O piloto do carro 16 estava a negociar (se é que já não tinha assinado) a sua ida para a Ferrari, substituindo outro francês, Didier Pironi.


Entretanto, a Williams tinha um problema: Dijon-Prenois era um circuito muito rápido, logo favorecia os Renault Turbo, que também eram candidatos ao título mundial, pois Alain Prost estava na corrida para esse título. Os treinos confirmaram essa tendência: Os Renault estavam na frente, com Prost a levar a melhor sobre Arnoux. Riccardo Patrese, no seu Brabham-BMW, fora terceiro e Niki Lauda, no seu McLaren-Ford, era quarto. Rosberg era o oitavo da grelha, tendo entre ele os carros de De Cesaris, Piquet e do seu companheiro, o irlandês Derek Daly.


Entretanto, a Ferrari continuava a ter problemas: sem Pironi, Patrick Tambay era o único sobrevivente da marca do Cavalino Rampante. Mas o francês tinha problemas físicos: um problema nas costas, causado por nervos comprimidos no pescoço, fez com que ele nem alinhasse na corrida.


No momento da partida, os Renault foram para a frente, com Arnoux a levar a melhor. Mas no final dessa volta, foi a vez de Prost passar para a frente, com Patrese em terceiro. Algumas voltas depois, era a vez de Piquet ser terceiro, depois de ultrapassar Patrese e Lauda. Na volta 11, Piquet já era segundo, depois de ultrapassar Arnoux. Entretanto, Rosberg era quarto, depois de se livrar de De Cesaris e Lauda. As coisas não mudaram muito até à volta 40, quando Piquet foi para a boxe, caindo para quinto. Prost liderava, e todos torciam para que desta vez, nada acontecesse ao carro do francês.


Pois… mas o golpe de teatro começou nas voltas finais. Primeiro, o líder Prost começou a ter problemas com a saia (lembrem-se, estes caros ainda tinham o efeito-solo, que iria acabar no final da época), e permitiu a aproximação do Williams. Entretanto, o outro Renault de René Arnoux tinha abandonado a poucas voltas do fim, com um motor partido. E a três voltas do fim, Rosberg estava colado a Prost. Era a repetição do cenário austríaco: só que a Williams queria que desta vez o piloto finlandês fosse mais feliz. E foi! A volta e meia do fim, Prost erra e Rosberg aproveita, ganhando uma vantagem decisiva para cortar a meta no lugar mais alto do pódio.




Era a primeira vitória da Finlândia em Grandes Prémios, e Rosberg tinha conseguido aquilo que tinha escapado em Zeltweg. E ainda por cima, tornava-se no décimo vencedor do ano! Depois do segundo lugar de Prost, Lauda completava o pódio. Na classificação do campeonato, também o finlandês alcançava o terceiro pódio consecutivo e a liderança do campeonato, com 42 pontos. Só faltava mais uma boa prova para que Rosberg desse o título mundial à Finlândia…