quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O meu mais recente local de trabalho

Senhoras e senhores, amigos do automobilismo: desde há umas semanas a esta parte que me convidaram para que juntasse num projeto muito interessante para escrever sobre Formula 1 num site que, apesar de já existir, iria passar por uma enorme alteração de cima a baixo, e passaria a multilingue. O Ricardo Batista, com quem eu trabalhei no supermotores.net, afirmou-me que o projeto tem potencial para ir longe, e depois de falar com a pessoa que estava à frente do projeto, o britânico Darren Kenny, decidi aceitar.

O projeto, de seu nome Portal F1, já tem nova cara desde domingo, mas só agora é que eu entrei a sério, com um artigo sobre os 700 GP's da McLaren. Por agora é só em português, mas terá em breve a sua versão britânica e quem sabe, outras linguas estarão presentes no site. Como seria de esperar, estou ansioso - e nervoso - por esta nova etapa, devido à importância que tem.

Claro, continuo a escrever neste blog, nem que seja para divulgar as outras modalidades, já que o Portal F1 é exclusivo da categoria máxima do automobilismo. E vou tentar fazer o mesmo tipo de chamadas que fazia como faço quando escrevia no Pódium GP.

Portanto, a partir de agora, caros afficionados de Formula 1, já tem mais um sitio onde ir ver as noticias e a história da categoria máxima do automobilismo.

Mais uma adenda sobre o "elefante branco coreano"

Escrevi o post mais em baixo sobre o "estado de abandono" do circuito de Yeongam, mas não sabia dos dados todos sobre a razão pelo qual as equipas chegaram lá e pareciam que tinham recuado um ano no trempo, chegando ao ponto que falei, das rolhas de champanhe que ainda estavam no pódio. O Luis Vasconcelos, da Autosport portuguesa, explica esta semana na revista que a razão pelo qual encontraram aquilo decrépito e abandonado, na terça-feira passada, foi por causa de um diferendo local, que se arrastou por dez meses. Eis alguns excertos do artigo que escreveu:

(...) "Quando as equipas chegaram ao circuito, na terça-feira passada, ficaram abismadas com o que encontraram. Além da manutenção das instalações ter sido a mínima nos últimos doze meses, a área dedicada a cada equipa não tinha sido limpa e, na Ferrari, encontraram mesmo os sacos de lixo que tinham deixado no domingo à noite, depois da corrida do ano passado, nos mesmos caixotes em que tinham sido colocados!

Além disso, a relva colocada à frente das instalações estava enorme, pois não tinha sido cortada, e em muitos casos completamente seca. O piso do paddock mostrava sinais de afundamento em diversos pontos - a pista foi construida em solo pouco consistente - e notavam-se sinais de abandono em todo o circuito.

Segundo fontes coreanas, o circuito de Yeongnam esteve completamente fechado durante dez meses, devido a problemas legais. Os agricultores que tinham vendido os seus terrenos à KAVO - o organizador do Grande Prémio - reclamaram mais dinheiro, porque o valor das terras subiu muito nesta zona nos últimos anos e acabaram por ver a sua pretensão parcialmente satisfeita depois de terem levado o seu caso até às mais altas intâncias politicas do país.

Até a situação ter sido resolvida o circuito esteve fechado, o que explica o desleixo a que algumas áreas chegaram, mas os problemas coreanos não se ficam por aqui." (...)

Pois é: ainda não esqueceram da expressão "elefante branco coreano"? Bom, o circuito faz parte de um enorme projeto imobiliário na zona de Yeongnam - que toda a gente sabe, fica no meio de nada - e no qual está previsto um investimento de largas centenas de milhares de euros até 2025. Mas devido às polémicas com os habitantes locais, está a ser cada vez mais um pesadelo para os organizadores, e o Grande Prémio está a ser cada vez mais um enorme prejuízo para eles. Tanto que a continuidade do GP coreano está em dúvida a partir de 2013, pois pagar 27,5 milhões de euros a cada ano para Bernie Ecclestone, numa corrida que não encheu - apesar dos trinta por cento de desconto nos bilhetes este ano - e que está a dar crónicos prejuízos...

Em suma, um projeto que nasceu muito torto, e provavelmente nunca se endireitará. E é mais um exemplo do tipo de negócios que o "anãozinho tenebroso" gosta de fazer.

O elefante branco coreano e o elefante indiano

No meio destas noticias sobre a IndyCar e o acidente mortal do Dan Wheldon na prova de Las Vegas, esquecemos completamente da Formula 1, especialmente a corrida que ocorreu algumas horas antes, na Coreia do Sul. E deparei no meio disso tudo com algo inusitado: segundo se conta por lá, descobriu-se nos armários existentes em Yeongnam muita comida estragada, levantando suspeitas de que era comida esquecida... no ano passado. E mais suspeitas foram levantadas quando os delegados da FIA chegaram lá dias antes para ver que... as rolhas de campanhe abertas pelos pilotos em 2010 ainda estavam no pódio.

A ser verdade, não direi que os coreanos sejam pouco asseados. Direi apenas que aquele circuito, plantado no meio do nada, sem a Formula 1 nada vale. E depois pergunta-se a razão pelo qual o Bernie Ecclestone arranja negócios destes, não é? Deverá ser a versão coreana do "elefante branco"...

E estamos agora a dez dias do GP da India, num traçado novo para toda a gente, num pais que também não tem tradição automobilistica... enfim, vai começando a ter, com coisas como a Force India e pilotos como Karun Chandhok e Narain Karthikeyan. Mas construir um circuito de 130 milhões de euros no meio de nada, nos arredores de Nova Delhi, contestado pelas populações locais por ter sido feito sob terras férteis, entre outras coisas, faz-me pensar se esses "novos ricos" sabem rentabilizar um projeto daqueles para outras provas.

E que se em 2012 aparecerem rolhas de champanhe no pódio provenientes das garrafas abertas por Lewis Hamilton, Sebastian Vettel ou Jenson Button, questionrei cada vez mais a utilidade da "expansão asiática" que o "anãozinho tenebroso" anda apostado nos últimos tempos...

Noticias: Dallara vai batizar o seu novo chassis em sua honra

Comecei por ler isto ontem à noite no Facebook: uma página feita por um fã em que se pedia à Dallara para que o chassis da Indy em 2012 se chamasse "DW01", em honra a Dan Wheldon, que tinha passado grande parte deste ano a desenvolvê-lo. Como fogo em palha seca, em pouco mais de 24 horas, teve quase duas mil adesões na rede social - eu fui o numero 301 - e como reação imediata, o fundador e proprietário da marca, Gianpaollo Dallara, já disse que o chassis que se estreará no ano que vêm será batizado em sua honra.

“Dan viverá na memória de toda a gente na Dallara", começou por afirmar em declarações à indycar.com. "Foi um verdadeiro campeão; não só por causa das inumeras vitórias que conseguiu na pista, mas acima de tudo por ser uma personalidade verdadeira, que marcou a todos que trabalharam com ele. Toda a gente na Dallara teve prazer em trabalhar com ele, quer aqui, quer nos Estados Unidos."

"Assim sendo, para honrar a sua memória nos próximos anos, o Dallara Indycar 2012 será batizado em seu nome. Ele merece tal honra", concluiu.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Confirmado: Peugeot testou 908 híbrido no Estoril

(texto escrito originalmente no Pódium GP)

Os rumores circularam ao longo do final de semana, especialmente na mesma altura em que se fez o anuncio do regresso da Toyota à competição, num modelo híbrido, para participar no Mundial de Resistência e nas 24 Horas de Le Mans de 2012. Contudo, ontem, após o desenrolar desses testes "à porta fechada", a Peugeot confirmou que andou a testar no Autódromo do Estoril o seu modelo 908 Híbrido, no sentido de o colocar em competição a breve trecho, com os pilotos Nicolas Minassian e Stephane Sarrazin ao volante.

"O objectivo não era fazer muitos quilómetros", começou por explicar Bruno Famin, Director Técnico da Peugeot Sport, "mas acima de tudo constatar que as principais funcionalidades estavam operacionais. Agora, é preciso tempo para analisar cada detalhe, para termos a certeza dos resultados alcançados, antes de avançar para o passo seguinte. O facto de tudo ter funcionado e reagido como esperávamos, dá-nos uma grande satisfação. Por outro lado, começámos a fazer algumas alterações nas afinações de base e a resposta foi muito positiva".

Os pilotos também deram algumas impressões sobre o carro: "Conseguimos cumprir todo o programa de trabalhos, o que foi fantástico. Foi interessante trabalhar com os engenheiros na identificação dos compromissos ideais e, claro, na familiarização com o sistema, uma vez que o projecto está apenas a dar os seus primeiros passos. Já se pode sentir a potência extra e caberá a nós aproveitá-la ou adaptá-la da forma mais competitiva possível. Teremos de encontrar o equilíbrio certo. Nós estamos ainda a analisar muitas coisas e a explorar vários caminhos.", disse Stephane Sarrazin.

Após os testes no Estoril, o programa de desenvolvimento do 908 HYbrid4 vai continuar, com o carro a rolar noutro traçado e que será complementado com uma nova sessão no banco de ensaios. "Vai ser interessante ver como é que o sistema se comporta num circuito diferente", afirma Famin. "Vamos, também, começar uma fase de afinação, um pouco mais delicada, tanto do próprio sistema, como do carro para adaptar o seu comportamento. Mas não queremos queimar etapas: estamos, ainda, numa fase de descobertas. Os testes de resistência serão feitos mais tarde", concluiu.

O modelo 908 Hybrid foi apresentado pela primeira vez nas Seis Horas de Silverstone de 2008, com o objetivo de o ver correr na temporada de 2011, sob um regulamento anunciado no final de 2009. Contudo, alguns problemas no seu desenvolvimento fizeram com que desse prioridade à nova versão do 908 Diesel, que se estreou nas 12 horas de Sebring deste ano. Agora, com a entrada em cena da Toyota e da Porsche, que vai lançar o seu Protótipo híbrido em 2014, para além das modificações no regulamento dos motores a Diesel, mexendo no tamanho dos restritores, no sentido de reduzir a potência e o equiparar com os carros a gasolina - e os híbridos, também - a marca de Sochaux quer estar pronta para o embate que aí vêm.

E não se admira se para os lados de Inglostadt, a sede da Audi, também não se pense em motorizações híbridas, apesar de algumas declarações em sentido contrário...

As confirmações e rumores do dia nos ralis

Com o mercado de pilotos numa ebulição tão grande como a decisão do Mundial de ralis, fala-se que a Ford já poderá ter decidido o seu futuro. Em principio, tudo indica que continuará a competir no WRC por mais três temporadas - até 2014, portanto - mas irá perder o apoio da Stobart, que no final da época decidiu que ira deixar a competição, após seis anos de bons serviços. Assim sendo, a equipa que acolhia neste momento Mads Ostberg, Matthew Wilson e em menor medida, Henning Solberg, abandona as suas atividades após o último rali do ano, no País de Gales.

E se a Stobart vai-se embora e deixa bons pilotos sem um grande apoio, rumores circulam que o Mundial de ralis poderá ter mais equipas um futuro próximo. Segundo a revista alemã rally-magazin, tratam-se de dois regressos: Toyota e Hyundai.

O caso da Toyota é relativamente surpreendente porque a construtora japonesa, a maior do mundo, sempre disse que após a sua aventura ruinosa na Formula 1 iria dedicar-se a uma de duas categorias: ralis ou Endurance. Pensava-se que com o anuncio da passada sexta-feira a escolha estaria feita, dado ainda que o fato de terem escolhido a Endurance porque poderiam trabalhar melhor o seu projeto híbrido, mas parece que isso poderá ter sido metade da história, pois com a entrada da Volkswagen em 2013 e a continuidade dos projetos da Ford e Citroen, poderá ser que isso seja demasiado atraente para que não tente um regresso a uma categoria no qual tem enorme tradição.

Caso os rumores se confirmem, o modelo escolhido poderá ser ou o Yaris, ou o Auris. E também se desconhece se vão participar com algum projeto híbrido ou mais convencional.

No caso da Hyundai, também seria um regresso, depois de uma tentativa frustrada no inicio da década passada com o modelo Accent WRC. E o modelo escolhido pela marca coreana seria o Veloster, que compete neste momento no Rallycross americano.

Caso ambos os rumores se confirmem nas próximas semanas ou meses, a hipótese de ter seis marcas no campeonato de 2013 do WRC parece ser uma hipótese plausível e poderá colocar o WRC numa nova época aurea, depois de muitos anos onde somente Ford e Citroen competiam em duopólio.

Youtube Gynkhana Classic: Ken Block para pobres



Todos adoram os videos do Ken Block, o piloto americano que faz umas acrobacias e coloca depois no Youtube para sacar uns milhões de "pageviews". Ora, parece que um grupo de produtores de video na Grã-Bretanha, a Leaning Duck, decidiu imitar Ken Block e fazer o mesmo tipo de videos... mas 90 por cento mais barato do que o normal, usando as mesmas armas de Block: um Ford Fiesta, um armazém e as geringonças habituais. So que o Fiesta é de 1986 - e encontrado abandonado - e o armazém é emprestado.

Resultado final: toda a espectacularidade de um video, mas feito por meia duzia de tostões. E é sinal de que qualquer um pode fazer a sua própria "gynkhana". Aqui em Portugal, qualquer um com um Mini pode fazer o seu vídeo de perícia, não?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A capa do Autosport desta semana

A Autosport portuguesa parece que por estas semanas anda a querer escapar do óbvio, e coloca outras fotos do que, por exemplo, a Formula 1, algo do qual foi bastante criticado pelos seus leitores. E numa edição onde houve o GP da Coreia do Sul, o destaque foi dado a um rali histórico. Mas não é um rali qualquer: é o Rally Legends de San Marino. "O regresso das lendas dos ralis" é o título escolhido.

Nos subtítulos, frases como "os poderosos Grupo B dos anos 80 contra os WRC dos anos 90" e "Rohrl, Salonan, Mikkola e Biasion nas máquinas do tempo" servem para ilustrar o que se trata deste rali.

Na parte de cima da revista, fala-se de Formula 1 ("Vettel carimba título da Red Bull na Coreia"), fala-se das novidades na Endurance ("Toyota regressa a Le Mans com um híbrido") e fala-se também sobre F1 Históricos em Portimão ("F1 Históricos e grandes pilotos no Algarve").

E no canto superior direito, fala-se do triste fim da temporada da IndyCar em Las Vegas, mais concretamente do acidente fatal de Dan Wheldon e do título mundial conquistado por Casey Stoner em Phillip Island.

As histerias do costume e o fracasso de Las Vegas

Ainda Dan Wheldon estava a arrefecer na morgue do hospital de Las Vegas e começaram a aparecer as discussões do costume sobre a segurança dos habitáculos, da segurança dos circuitos e sobre a capacidade daquele circuito de receber tantos carros a uma velocidade tão alta como andam aqueles carros da IndyCar Series. Há os exaltados do costume que gritam algo parecido com "cockpits cobertos agora!" ou há quem diga que a Indy deveria abandonar de vez as ovais - excepto Indianápolis - e ser uma alternativa americana à Formula 1.

E ainda há quem peça aos seus filhos para que abandone a competição, como fez hoje Jody Scheckter à BBC, pedindo para que o seu filho Thomas se dedique a outro tipo de competições. Sabendo que Scheckter sofreu muito no seu tempo - Francois Cevért, Ronnie Peterson, Gilles Villeneuve - compreenda-se que esteja preocupado pela saúde do seu filho, mas acho que acima de tudo deveria haver bom senso e não se ceder à histeria. Como ouvi do Ron Groo, a melhor resposta deverá ser o silêncio.

Este é um tipo de conversa que ouvi bastante quando foi do acidente de Felipe Massa, no Hungaroring, há dois anos. De fato, sei que a FIA anda a fazer experiências nessa área, com a ideia de colocar essas proteções nos carros de Formula 1 e outros monolugares. E a tendência na Endurance é de fazer chassis cobertos e com a inestética "barbatana de tubarão", mas sabendo que ela existe para evitar que o carro voe a alta velocidade, como aconteceu a Mark Webber nas 24 Horas de Le Mans de 1999.

Primeiro que tudo: vamos aos aspectos criticáveis no circuito e na organização da Indy, como o fato de terem tantos carros a correrem ao mesmo tempo numa oval de alta velocidade, da organização não ter ouvido os receios dos pilotos em relação a um "big one", ou seja, uma carambola com mais de dez carros. E quando aconteceu o acidente da tarde de ontem, e que matou Dan Wheldon e mandou mais três pilotos para o hospital - o australiano Will Power, a britânica Pippa Mann e o americano J.R. Hildebrand - certamente que na cabeça dos que estiveram envolvidos lhes passou o pensamento de que "eles foram avisados".

Agora, com o cadáver nas mãos e as imagens do acidente a passar dos canais de desporto para os telejornais 24 horas por dia, todos agora aparecem a criticar a postura da atual IZOD IndyCar Series, mais concretamente o seu presidente Randy Bernard, pelo fato de quererem privilegiar o espectáculo em vez de aspectos como a segurança, como forma de bater em termos de audiências a agora poderosa NASCAR. Podem ter razões para isso, porque afinal de contas, os pilotos americanos e alguns mais do resto do mundo querem correr ali em vez de ir para a Indy, mas não creio que esse "espectáculo" tenha de ser feito à custa do sacrifício de vidas humanas. E Bernard, que tem vindo a ser criticado ao longo dos últimos meses por posições controversas - Baltimore, por exemplo - tem aqui mais um motivo para isso.

Ontem à noite, o Renan do Couto falava no seu blog "Por Fora dos Boxes" do fato que a morte de Wheldon foi o definitivo "prego no caixão" - é irónico mas é verdade - da sequência de fracassos que foi esta prova de Las Vegas, a "corrida dos cinco milhões", que a organização tinha lançado para atrair pilotos de outras categorias, com o objetivo de os bater e ficar com essa recompensa. Pensava-se que com essa mala cheia de dinheiro, iriam ter pilotos da NASCAR a fazer fila por ali, pensava-se que pilotos de outras categorias como Kimi Raikkonen e Petter Solberg aparecessem por lá, mas no final, só foi Wheldon, que não tinha equipa para correr em 2011 e vencera as 500 Milhas de Indianápolis da maneira mais inesperada possível. Já se sabia do fracasso financeiro, mas a carambola e as suas nefastas consequências, acentuaram um sentimento fúnebre à ocasião.

Em suma: já ouvi esta conversa antes. E sei que serão tomadas medidas para melhorar a segurança. Mas não podem ser feitas "em cima do joelho" e nem para acalmar os ânimos. Mas talvez não seria mau de todo se a IndyCar Series ouvisse mais vezes os seus pilotos e não tentasse seguir a NASCAR. Simplesmente porque eles são carros diferentes e a organização é diferente. Arriscar a vida de pilotos por um pedaço de publicidade quase nos faz comparar as pessoas que estão a dirigir o circo com os imperadores romanos, que tinham o poder de vida ou de morte apenas com o seu polegar.

P.S: No meio de tantas coisas que li e ouvi sobre a corrida de Las Vegas e do acidente mortal de Dan Wheldon, ainda não ouvi a resposta à seguite pergunta: o que é que a organização vai fazer aos 5 milhões do prémio, 2,5 milhões a Wheldon, caso alcançasse o impossivel? Na minha modesta opinião, acho que deveriam dar esse valor à familia ou a uma fundação em sua honra.

As corridas do passado: Las Vegas 1981

"A Formula 1 chegava à sua etapa final daquela temporada em terras americanas, mas num cenário completamente diferente: Las Vegas. Naquele ano, os proprietários do circuito de Watkins Glen viram-se a braços com cada vez mais problemas financeiros e Bernie Ecclestone decididiu então procurar por outras paragens, e bolsos mais cheios, para colocar o pelotão da Formula 1 nas terras do Tio Sam. Acabou por ir para Las Vegas, mais concretamente... num circuito improvisado no parque de estacionamento do Ceasar's Palace, um dos maiores casinos da cidade.

(...)

Contudo, o circuito tinha um problema: os pilotos o iriam fazer contra o sentido dos ponteiros do relógio, algo do qual estavam pouco habituados. E isso se viu ao longo das sessões de treinos, onde o pescoço de alguns pilotos se ressentiu. E um deles era o de Nelson Piquet, que iria ficar assim ao longo de todo o final de semana, e era fonte de preocupação na Brabham.

Isso porque os Williams, seus maiores rivais, tinham monopolizado a primeira fila da grelha, com Carlos Reutemann no primeiro posto, seguido por Alan Jones, que iria fazer provavelmente a sua última corrida da sua carreira na Formula 1. Na segunda fila estava o Ferrari de Gilles Villeneuve, seguido pelo Brabham de Nelson Piquet. O francês Alain Prost era o quinto a partir, seguido pelo McLaren de John Watson, pelo Ligier-Matra de Patrick Tambay, pelo Alfa Romeo de Bruno Giacomelli e a fechar o "top ten", o Lotus de Nigel Mansell e o segundo Alfa Romeo de Mário Andretti, que provavelmente se preparava para voltar aos Estados Unidos e à CART.

(...)

Com o ator - e fanático pelas corridas - Paul Newman como diretor de corrida, e perante mais de 50 mil espectadores naquele sábado á tarde, a corrida começou com Jones a saltar para a frente da corrida, decidido a não ajudar o seu companheiro Reutemann a vencer o campeonato. Para piorar as coisas, o argentino largara tão mal que no final da primeira volta iria perder três lugares para Villeneuve, Prost e Giacomelli. E tinha Nelson Piquet mesmo atrás de si. (...)"

Há precisamente trinta anos, num circuito improvisado no parque de estacionamento de um dos maiores casinos de Las Vegas, Nelson Piquet conquistava o seu primeiro título mundial de Formula 1, sete anos depois de Emerson Fittipaldi ter conquistado o seu segundo campeonato do mundo, também nos Estados Unidos, mas num circuito diferente, o de Watkins Glen.

A corrida foi uma prova de resistência para os pilotos, pelo fato de ser feito contra os ponteiros do relógio. E pilotos como Nelson Piquet sofreram com o pescoço ao longo do final de semana, fazendo daquela corrida uma prova de resistência pessoal. Mas também tinha duas costelas fraturadas, algo que muito poucos sabiam. E a Carlos Reutemann, menosprezado na sua equipa, teve ainda que aguentar uma caixa de velocidades sem a quarta marcha e viu o momento surreal em que os membros da sua equipa comemoraram a vitória... do seu companheiro de equipa, não querendo saber que tinham perdido o Mundial de Pilotos.

E isso e muito mais que falo hoje no Pódium GP.

Youtube IndyCar: O tributo da IndyCar Series a Dan Wheldon



Quando o anunciaram esta homenagem ao britânico Dan Wheldon, duas vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, e campeão da Indy em 2005, e morto esta tarde aos 33 anos, disse na altura que não tinha sido muito fã deste tipo de tributo, porque depois de uma carambola que mais parecia um massacre, colocar pilotos de volta a um carro seria algo parecido com uma crueldade. Ainda por cima, com pilotos como Tony Kanaan ou Dario Franchitti a chorar baba e ranho pela perda de um concorrente nas pistas, mas de um amigo fora delas.

Mas depois de os ver a dar aquelas voltas finais como tributo a um dos seus que pagou o preço supremo pelo seu amor ao automobilismo, mudei de opinião. Especialmente quando vi os mecânicos, engenheiros e outros membros das equipas, muitos deles também a chorar copiosamente, entende-se a homenagem. É um elemento cuja perda será sentida fortemente naquele pequeno universo da IndyCar Racing.

domingo, 16 de outubro de 2011

The End: Dan Wheldon (1978-2011)

"Se um homem não conseguir olhar para o perigo e enfrentá-lo, deixa de viver. Se o pior acontecer, é porque o chamaram para pagar o preço da felicidade em vida".

Graham Hill, 1929-75.

Desde que comecei este blog, foram raros os acidentes fatais que assisti, mas vi muitos sustos e falei deles. Mas quando acontecem, a minha sensação é, para além da amargura e tristeza subjacentes, o enorme vazio que sentes quando ouves a noticia oficial, de que apesar de teres o melhor carro do mundo, que te protege contra grandes choques, e de teres as equipas médicas mais bem apretechadas para este tipo de emergências, não se pode fazer nada por esse piloto.
E sabes o pior muito antes deste ter acontecido, quando tu ouves aquele silêncio ensurdecedor das autoridades oficiais, do qual não abrem a boca por nada deste mundo. Isso é porque primeiro vão avisar os familiares próximos, e depois os amigos mais chegados, como é a Indy, que muitos deles se comportam como uma familia. E pelo que vi na transmissão da ABC, muitos deles já estavam a chorar copiosamente ainda antes do anuncio oficial. E juntando dois mais dois, pensas que o pior aconteceu: um piloto pagou o sacrificio supremo pelo seu amor ao automobilismo.

E para piorar as coisas, quando vês o video que coloco no post mais abaixo, notas que aquelas imagens "onboard" são provavelmente são os seus últimos momentos de vida. E depois, quando vi aquela entrada de ar arrancada e uma marca preta no seu capacete, lembrei-me imediatamente dos eventos de Brands Hatch, em julho de 2009, quando Henry Surtees, por um azar tremendo, leva com o pneu de Jack Clarke e teve morte imediata numa corrida de Formula 2. E o irónico é que ele, o filho de John Surtees, tenha sido vítima, quando o seu pai foi um dos sobreviventes de uma era mortal, onde até grandes pilotos como Jim Clark e Jochen Rindt, pagaram o preço mais alto.

Dan Wheldon tinha 33 anos, deixa mulher e dois filhos, e ele estava a correr em Las Vegas para ver se ganhava o prémio de cinco milhões de dólares. Sim, era um dos que corria ali em part-time nesta temporada, depois de ter ganho inesperadamente as 500 Milhas de Indianápolis deste ano, após J.R. Hildebrand ter batido no muro na última curva da última volta da corrida. Ainda por cima, o acidente aconteceu precisamente seis anos depois da sua conquista do título da então IRL. E era também o piloto de testes do carro de 2012, que iriam substituir estes carros.

Agora, os pilotos da Indy, a chorar baba e ranho, vão dar cinco voltas em bandeiras amarelas em sua honra. Pode ser um bonito gesto, mas para mim era desnecessário e criticável. Pode até ter partido deles, mas se fosse piloto, não entrava mais. E isto é mais um exemplo de que, por muito que se faça em termos de segurança, o automobilismo nunca será cem por cento seguro. E os pilotos, claro, sabem esse risco.

Mas não deixa de ser triste ver uma morte no automobilismo. É um desporto que adoras, e qualquer acidente mortal é uma facada no coração. Ars lunga, vita brevis, Dan.

Ultima Hora: carambola na Indy, Dan Wheldon em estado muito grave



O acidente não tem mais do que vinte minutos, mas só de o ver, arrepia. À 12ª volta da última prova do ano, na oval de Las Vegas - o tal que dava cinco milhões de dólares ao "rookie" que batesse os habituais pilotos - um acidente multiplo à entrada da Curva 2 levou catorze carros para o muro.

E desses pilotos envolvidos - Wade Cunningham, J.R. Hildebrand, Townsend Bell, Jay Howard, Thomas Scheckter, Charlie Kimball, Paul Tracy, Ernesto Viso, Alex Lloyd, Pippa Mann, Will Power e Jay Rice, o mais grave parece ser o britânico Dan Wheldon, o inesperado vencedor das 500 Milhas de Indianápolis deste ano. Os relatórios médicos ainda são escassos, mas fala-se que o seu capacete ficou rachado e o seu estado é grave.

Outros pilotos, como Pippa Mann e J.R. Hildebrand estão a ser observados no centro médico do circuito. Quanto à prova, continua interrompida, sem previsão de regresso.

Formula 1 2011 - Ronda 16, Coreia do Sul (Corrida)

O que se poderá dizer sobre os eventos de Yeongnam? Pode-se dizer que, mesmo com o título conquistado, a fome de vencer de Sebastian Vettel não esmoreceu, e a prova disso foi o que fez nos primeiros metros de corrida, ao atacar logo a liderança de Lewis Hamilton e passou para o comando ainda a primeira volta não tinha terminado. E depois disso, não mais foi incomodado pelos seus adversários até à bandeira de xadrez, garantindo assim que ficaria na frente dos McLaren e desse à Red Bull o seu segundo título de Construtores consecutivo.


Pode-se dizer também que Mark Webber completou o pódio, e assim, completou o objetivo da Red Bull de ficar com o título que lhe faltava. Superou um Jenson Button que sofreu com o rendimento do seu carro ao longo da corrida, acabou fora do pódio, mas conseguiu manter-se firme na luta pelo vice-campeonato, dez pontos à frente de Fernando Alonso, o quarto classificado da corrida.
O grande momento da corrida acabou por ser a batalha pelo segundo lugar, nas voltas finais da corrida. Lewis Hamilton, o segundo classificado, viu-se na contingência de se defender dos vários ataques de Mark Webber, num grupo que também fez juntar numa segunda parte Jenson Button e Fernando Alonso. Hamilton conseguiu defender-se bem do australiano da Red Bull, e até respondeu por duas vezes a ultrapassagens de Webber, recuperando a sua posição logo de seguida, garantindo assim que o segundo lugar era seu e a oferecer um pequeno motivo para festa nas boxes da McLaren, num fim de semana em que comemorava a sua 700ª participação em Grandes Prémios.

Quanto à Ferrari, vê-se que já está concentrado em 2012, pois está cada vez mais a mostrar-se que é a terceira equipa do pelotão, monopolizando a terceira fila na qualificação e o quinto e sexto lugares na corrida, com prestações muito iguais. Fernando Alonso só conseguiu superar Felipe Massa numa estratégia de troca de pneus mais eficaz. E benficiaram também do acidente entre Michael Schumacher e Vitaly Petrov - que fez entrar o Safety Car - e provavelmente poderia fazer perigar as suas posições finais.

E quem beneficiou desse acidente foi o Toro Rosso de Jaime Alguersuari. Já tinham mostrado que estavam em forma ao longo do final de semana coreano, mas o jovem piloto catalão fez uma corrida bem madura, aproveitando os erros dos outros e não comentendo qualquer erro de monta, acabando por ficar no sétimo posto, igualando o seu melhor resultado desta temporada. A equipa ainda conseguiu que o seu outro piloto, o suiço Sebastian Buemi, ficasse com o nono posto, e desse mais dois pontos à marca de Faenza, ex-Minardi. Entre os dois, o Mercedes de Nico Rosberg, e a fechar os pontos, o Force India de Paul di Resta.

No final, foi uma corrida sem grande história. Agora vêm aí duas semanas onde ouviremos imenso sobre a India e o seu Grande Prémio. E provavelmente ouviremos a palavra "odisseia" agarrada a elas. Será que vai ser assim?

Youtube F1 Classic: De São Paulo para a Eternidade



Que o Antti Kalhola gosta do Ayrton Senna não é novidade alguma. Basta ver o seu épico de 45 minutos sobre a sua carreira para dizer do que falo, e consegue rivalizar, talvez, com o documentário sobre o piloto. Hoje apareceu o seu mais recente video, e mostra, mais do que o piloto, toda uma época, onde como diz no título "as faíscas voavam e a economia prosperava".

Foi com essa Formula 1 que pessoalmente cresci e passei a admirar. Primeiro com motores Turbo, depois sem eles, 3,5 litros atmosféricos e grelhas de 26 lugares, mas com 34 carros inscritos, obrigando as equipas a passar pelo "inferno das pré-qualificações", onde apareceram pilotos que todos nós aprendemos a admirar e a odiar: Alain Prost, Nelson Piquet, Nigel Mansell, Keke Rosberg, Nelson Piquet, Gerhard Berger ou Michele Alboreto. Estão lá todos ou quase todos, até os momentos mais arrepiantes, como o acidente de Martin Donnelly, em Jerez, no já distante ano de 1990.

Mas também tem momentos que nos faz emocionar. Um dos que me tocou foi ver Roberto Moreno e Nelson Piquet a comemorar a sua dobradinha 1-2, a primeira de sempre da Benetton, em 1990. Lembro-me particularmente disso por causa da minha simpatia pelo moreno e pelo fato de ter acordado a meio da noite para ver de própósito esse Grande Prémio. Por tudo o que aconteceu nessa madrugada e pelo resultado final, esse vai ser sempre uma das corridas mais memoráveis da minha vida.